Durante a formação, os participantes aprenderam sobre a diferença entre preço e valor e saíram com novas ferramentas para contar, nas embalagem e na comunicação de seus produtos, a história de quem produz. Foto: Luana Piotto/Acervo ISPN
Durante a formação, os participantes aprenderam sobre a diferença entre preço e valor e saíram com novas ferramentas para contar, nas embalagem e na comunicação de seus produtos, a história de quem produz. Foto: Luana Piotto/Acervo ISPN
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Amazônia, Caatinga, Cerrado
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Jornada Biovalor: formação promove o desenvolvimento de capacidades em comunicação e marketing para 25 negócios das sociobiodiversidade
Iniciada em uma oficina presencial em Belém, a formação segue on-line com aulas coletivas e mentorias individuais, encerrando em agosto com a entrega de um projeto por organização
A farinha de jatobá do Tocantins, o óleo de copaíba do Amazonas e o sabão de coco babaçu do Maranhão. Produtos que carregam territórios e tradições dentro das embalagens, mas que, muitas vezes, chegam aos mercados e feiras sem conseguir contar suas histórias.
Para apoiar organizações e negócios comunitários na construção de estratégias de comunicação e marketing mais sólidas, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) organizou uma formação intensiva para o desenvolvimento dessas capacidades, voltada para organizações que produzem e comercializam produtos da sociobiodiversidade.
“A necessidade de formação neste tema partiu de lideranças de organizações apoiadas pelo ISPN “, conta a coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Silvana Bastos. “São organizações que já produzem e comercializam produtos da sociobiodiversidade em diversos mercados, mas reconhecem que falta comunicar melhor os diversos valores embutidos nestes produtos. Seja através de um rótulo mais adequado, uma marca que os represente ou materiais para redes sociais que contem essa história.”
A primeira etapa do curso aconteceu entre os dias 26 e 29 de maio, em Belém (PA). Durante quatro dias, os representantes das 25 organizações selecionadas aprenderam sobre fundamentos de marketing, design de embalagem, construção de valor e comunicação estratégica.
Agora, a formação segue para a parte prática. Cada organização deve desenvolver um produto de comunicação, que pode ser uma nova identidade visual, uma marca reformulada ou materiais de divulgação.
A formação carrega a Metodologia Biovalor e está sendo realizada em parceria com a Libra Branding, de Belém.
METODOLOGIA
“Os produtos da bioeconomia são importantes e têm espaço no mercado”, pontua a sócia da agência Libra Branding e facilitadora da formação, a comunicóloga Karol Alfaia. “A nossa metodologia não é pautada só em criar um layout, mas também ensinar a eles como fazer branding todos os dias, afinal, os produtos deles já são carregados de significados. A gente só precisa mostrar isso”, diz.
Durante a formação, os participantes também tiveram a oportunidade de pensar sobre a diferença entre preço e valor, trocar experiências e conhecer casos de negócios que já passaram pelo processo de reposicionamento de marca.
Para o também sócio da Libra Branding e facilitador da formação, Bernardo Magalhães, o processo foi construído em camadas. Partiu dos conceitos básicos de valor, passou pelas dimensões emocionais e sensoriais dos produtos, e chegou ao que o território representa, para o acabamento final de uma marca.
“Foram quatro dias de trabalho e acompanhamento que veio em uma crescente”, conta. “A gente partiu dos primeiros conceitos, foi aprofundando as perspectivas emocionais e sensoriais, entendeu como os valores do território se traduzem num produto melhor acabado, e como tudo isso se conecta”.
Para ele, esses passos são importantes antes de começar a fazer os designs e comunicações visuais dos produtos.
“Fizemos essa longa jornada pensando numa etapa final, que é poder entregar os produtos rotulados, diagramados, com todas as apresentações e melhorias técnicas em design. É após isso que vamos chegar finalmente em novos rótulos, novas embalagens e novas caixas”.
Durante a formação, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer produtos de outros negócios e trocar experiência. Foto: Luana Piotto/Acervo ISPN
APRENDENDO NA PRÁTICA
Para quem está no território, a formação está sendo um divisor de águas. É o que diz a presidente da Associação Regional dos Produtores Extrativistas do Pantanal (ARPEP), Rosemeire Aparecida Siqueira, que trabalha com babaçu, baru e pequi, desenvolvendo produtos como pães, biscoitos, licores, óleos, farinhas e doces.
Durante a primeira etapa da formação, ela também pôde reavaliar os preços dos seus produtos e valorizar seu trabalho. “A gente não colocava o valor do tempo de ter ido no mato coletar os produtos. Então, agora estamos aprendendo a como fazer. Quando a gente vai para uma feira, a primeira coisa que as pessoas olham é o rótulo e ele tem que contar a história da associação.”
Já o assessor técnico da Associação Agroextrativista Aripuanã Guariba, no sul do Amazonas, Raylton Pereira, que trabalha com óleo de copaíba, destaca a importância da comunicação e do marketing para os negócios da sociobiodiversidade.
“A comunicação é o carro-chefe. Não adianta ter certificação, ter um sistema de produção estruturado, ter uma boa embalagem, se você não consegue falar isso para as outras pessoas, você só tem isso em planilha”, avalia. “A comunicação não é só uma forma de divulgação, mas também de contar quem são as pessoas que estão na base, produzindo, contar a história de quem está entregando aquela matéria prima”, conclui.
A presidente da Cooperativa dos Extrativistas e Agricultores Familiares da Estrada do Arroz (COOPEAFE), no Maranhão, Bárbara Pereira, que atua com a produção de produtos a partir do babaçu, chegou ao curso convicta de que seu produto já estava bom, mas saiu com outra visão: “Comecei a prestar atenção que falta muita informação. Nem sempre está bom, a gente sempre consegue melhorar mais”.
Ela já traça metas para agosto, quando o processo finaliza com a entrega das novas embalagens para a cooperativa.
“Quero que quando alguém da comunidade sair para uma feira, a gente consiga mostrar que nosso produto tem nossa história, carrega nossas ancestralidades e representa nosso território.”
A comunitária da Associação Ama Cantão, Lidiane Lopes, saiu da primeira fase da formação com uma percepção que resume os objetivos da formação Biovalor.
“A gente já fazia essa valorização do nosso produto, já tínhamos nossas práticas, mas a gente não tinha a dimensão do valor”, diz.
Com a oportunidade de redesenhar as embalagens, Lidiane já pensa nos frutos que vai colher. “Vamos entregar ele no mercado de forma que seja bem aceito pelo público, vamos atingir nossas metas de produção e levar desenvolvimento econômico para cada família do nosso território.”
ETAPAS
A formação integra o projeto “Bem Viver e Bioeconomia: promovendo a conservação ambiental e a geração de renda para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares por meio do fortalecimento das cadeias de valor da sociobiodiversidade”, liderado pelo WWF-Brasil em consórcio com o ISPN e Conexsus e apoiado pela União Europeia.
A Jornada Biovalor encerra em agosto, quando as organizações terão o resultado dos seus projetos em mãos. Além de materiais de comunicação, cada projeto será um meio para entregar produtos de qualidade no mercado e gerar renda para quem vive da sociobiodiversidade brasileira.
Autoria: Luana Piotto / Assessoria de Comunicação ISPN