Entre os dias 28 e 30 de abril, organizações nacionais e locais se reuniram em Palmas (TO) para estruturar uma aliança voltada ao fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade do jatobá e do capim dourado no Tocantins. A iniciativa foi organizada pelo WWF-Brasil, Central do Cerrado e pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O encontro contou com a participação de 20 organizações, sendo associações de agroextrativistas e organizações da sociedade civil como como Rede Cerrado, Cáritas Alemanha, Funatura, Onça d’Agua, entre outras.
O encontro resultou na construção coletiva de um plano de ação voltado ao fortalecimento das duas cadeias. Cada organização participante assumiu a liderança de atividades específicas. Os principais territórios de atuação contemplam as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Cantão, Jalapão, Lajeado e região das Serras Gerais.
O objetivo da iniciativa é construir uma atuação conjunta e sinérgica entre instituições que já trabalham no território, potencializando recursos, conhecimentos e estratégias para ampliar o impacto das ações junto às comunidades locais.
“A ideia é complementar habilidades e expertises das instituições, com cada uma oferecendo para a Aliança o que tem de melhor. Assim, o trabalho vai ganhando força e maior amplitude. Nosso objetivo é aumentar a escala da produção e do acesso aos produtos da sociobio, a exemplo de pães e biscoitos fabricados com farinha de jatobá no lanche dos estudantes em todas as escolas do Tocantins”, explica a coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Silvana Bastos.

Ação inédita
O encontro marca um momento inédito: é a primeira vez em que todas essas organizações se articulam coletivamente em torno dessas duas cadeias de valor para pensar estratégias integradas voltadas à sociobiodiversidade no Tocantins. A aliança reúne instituições com diferentes expertises, criando uma rede capaz de atuar de forma complementar nas questões relacionadas a território, produção e comercialização.
Durante a programação, as organizações participantes realizaram uma análise de ambiente (contextos interno e externo), destacando os problemas socioambientais vivenciados pela população e buscando respostas, por meio de soluções sustentáveis. Esse é o caso da alimentação escolar com alimentos nutritivos e menor pegada de carbono, por não dependerem de insumos derivados do petróleo e ainda por serem produzidos nos territórios tradicionais, sem supressão de vegetação nativa do Cerrado ou da Amazônia. A análise contemplou também o mapeamento do cenário atual das cadeias de valor da sociobiodiversidade no Tocantins, identificando atores, desafios e oportunidades.
Na ocasião, o WWF-Brasil apresentou um estudo sobre a cadeia de valor do jatobá. O levantamento envolveu os diversos atores da cadeia, com entrevistas realizadas junto a empresas multinacionais, nacionais e locais que trabalham com a espécie. A partir dessas conversas, foi possível identificar os principais gargalos, dificuldades e oportunidades. Os resultados foram apresentados aos produtores de jatobá para validação dos achados, de modo que possam também orientar estratégias de atuação na cadeia. O estudo ainda será publicado pelo WWF-Brasil.
“Foi um momento importante para encontrar sinergias entre a atuação das 20 organizações e para a construção de redes fortes para trabalhar com a sociobiodiversidade. Neste encontro, nós do ISPN estamos dando uma atenção especial para o trabalho com o jatobá, que é uma espécie nativa do Cerrado com grande potencial para comunidades locais”, destacou a analista socioambiental do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Bárbara Fellows..
Entre os participantes, o ISPN foi lembrado pelos atores locais por sua trajetória no estado, especialmente por meio do Fundo Ecos e pelas pesquisas conduzidas sobre o capim dourado, a planta símbolo do Jalapão e base de uma cadeia artesanal importante para a região. O instituto também foi reconhecido por sua participação na Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática.