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	<title>Arquivo de Iniciativas Comunitárias - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivo de Iniciativas Comunitárias - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<item>
		<title>ISPN fortalece a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais na SOBRE 2026</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ispn-fortalece-a-participacao-de-povos-indigenas-e-comunidades-tradicionais-na-sobre-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 21:21:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[“O financiamento para a restauração precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração”, destaca a analista socioambiental do ISPN, Jéssica Pedreira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 27 e 31 de julho de 2026, a Universidade de Brasília sediou a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), o maior encontro de restauração ecológica do país. O evento reuniu pesquisadores, representantes de órgãos públicos, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs), produtores de sementes e mudas, organizações da sociedade civil, empresas e universidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram cinco dias de plenárias, rodas de conversa, oficinas e simpósios que abordaram diferentes temas relacionados à restauração ecológica no Brasil. O ISPN apoiou a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e jovens estudantes das escolas do campo nos debates.</span></p>
<figure id="attachment_33553" aria-describedby="caption-attachment-33553" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-33553" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33553" class="wp-caption-text">Elizete Barreto, fecheira da Comunidade Tradicional de Fecho de Pasto Clemente, se apresenta na plenária sobre restauração e Crise climática. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nesses mais de 30 anos de projetos apoiados para a restauração nos territórios, a gente já entendeu que a restauração é muito mais do que os hectares restaurados e envolve muitas outras dimensões”, explica a analista socioambiental do ISPN, Natanna Horstmann. “A gente pode citar a dimensão de fortalecimento de coletivos, associações e cooperativas que constroem essas temáticas nos seus territórios. A gente também pode falar da dimensão de aprendizagem, na medida que o que compõe a restauração são conhecimentos tradicionais que há muito tempo resguardam e manejam seus territórios”, completa.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33545" aria-describedby="caption-attachment-33545" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-33545" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Natanna Horstmann na oficina Educação do campo como base para a restauração ecológica. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33545" class="wp-caption-text">Natanna Horstmann na oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos territórios se faz restauração de diversas formas e em diversos contextos:  recaatingamento, restauração produtiva, sistemas agroflorestais, quintais produtivos, entre outras iniciativas de enorme relevância para o bem-viver das comunidades que as desenvolvem.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente também pode falar do acesso a mercados, na medida que a restauração também é produtiva e fornece alimentos saudáveis, além de frutos para o extrativismo e para a própria cadeia da restauração, como a produção de sementes nativas e de mudas”, pontuou Natanna Horstmann. “Por fim, a gente precisa ter uma visão da restauração na escala da paisagem, que inclui pensar a partir da segurança hídrica, a partir de priorização de áreas e da proteção e gestão territorial”, acrescentou. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN também participou de encontros das redes do Cerrado, Caatinga e Amazônia, que abordaram a importância das redes biomáticas para a interligação de diferentes atores coletivos da restauração nos biomas. Essas redes atuam para compartilhar aprendizados, mapear iniciativas, fortalecer colaborações territoriais, produzir conhecimentos sobre restauração e até influenciar coletivamente o olhar sobre políticas públicas sobre o tema.</span></p>
<p><b>Educação no campo e restauração</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 28, o ISPN promoveu a oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;, voltada a professores e estudantes dos Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs). Além dos mais de 30 parceiros apoiados pelo ISPN para participarem da conferência, a atividade reuniu diversos participantes interessados no tema. A oficina foi organizada em grupos distintos, estudantes, professores e profissionais de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), permitindo que cada segmento discutisse o papel da restauração ecológica sob sua própria perspectiva para a educação do campo.</span></p>
<figure id="attachment_33547" aria-describedby="caption-attachment-33547" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33547 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Estudantes participam da oficina 'Educação do campo como base para a restauração ecológica'. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33547" class="wp-caption-text">Estudantes participam da oficina &#8216;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8217;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para o coordenador da Casa Familiar Rural de Zé Doca, do Maranhão, Leniomar Rodrigues Mendonça, as oficinas na SOBRE foram importantes para trocar experiências com outras comunidades e escolas. “A gente tem um Sistema Agroflorestal (SAF) implantado ano passado. E a gente consegue fazer com que os alunos se envolvam nesse SAF, mostrando que esses sistemas podem ser replicados nas suas comunidades. Com essas oficinas podemos levar novas ideias e inovações para a nossa escola, fortalecendo esse trabalho de recuperação agroecológica”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, os grupos apresentaram em plenária uma síntese das discussões, que subsidiou a elaboração de uma carta apresentada no dia seguinte durante a roda de conversa &#8220;Construindo as Bases da Restauração nos Territórios: da Escola à Assistência Técnica&#8221;. A roda de conversa reuniu representantes da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), dos Institutos Federais, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dos CEFFAs e de outras instituições parceiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diálogos levantaram a necessidade de reconhecimento das CEFFAs como escolas de tempo integral, garantindo financiamento adequado para suas atividades e desenvolvimento dos Projetos Profissionais dos Jovens (PPJs), fortalecendo a educação do campo como estratégia para restauração da sustentabilidade dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Restauração em Terras Indígenas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O ISPN, por meio da equipe do Programa Povos Indígenas, organizou a roda de conversa &#8220;Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas&#8221;, reunindo representantes das Terras Indígenas que compõem o Mosaico Gurupi e da Terra Indígena Kanela. A roda contou com a presença de representantes do Ibama dos estados do Pará e Maranhão, da Embrapa do Pará, Funai, ICMBio, da Conservação Internacional, pesquisadores e demais interessados. </span></p>
<figure id="attachment_33548" aria-describedby="caption-attachment-33548" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33548" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg" alt="Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33548" class="wp-caption-text">Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro foi fundamental para fortalecer alianças entre os diferentes atores envolvidos na conservação e restauração dessa região que resguarda os últimos remanescentes florestais da Amazônia Oriental. As discussões evidenciaram a necessidade de ampliar as ações para além das terras indígenas, alcançando também áreas onde se avança  a degradação ambiental e que levam a perda da biodiversidade, aumento da temperatura e impactos importantes em nascentes e cursos d´água, que comprometem a disponibilidade e qualidade hídrica na região, em especial na Bacia Hidrográfica do Pindaré. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, destacou-se a importância do trabalho em rede para sensibilizar proprietários rurais para a restauração das Áreas de Preservação Permanente (APPs), contribuindo para a proteção dos recursos hídricos e para a segurança nos territórios indígenas.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_33549" aria-describedby="caption-attachment-33549" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33549" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka'apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33549" class="wp-caption-text">Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka&#8217;apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a roda de conversa, o brigadista da Terra Indígena Caru, Jamilson Guajajara, compartilhou sua experiência com o Sistema Agroflorestal (SAF) implantado no território, que envolve um trabalho em conjunto de brigadas, guardiões, guerreiros e juventude.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente está vendo que está dando resultado. E a gente não quer parar. Lá na região da [TI] Caru, que é uma região que tinha muito madeireiro e destruição, ficaram cicatrizes. Então a gente pensou de estar levando esse reflorestamento também para lá”, relatou, mostrando que o processo da restauração também fortalece a proteção do território. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33550" aria-describedby="caption-attachment-33550" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33550" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33550" class="wp-caption-text">Valber Tembé (de camiseta preta, ao microfone), da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O líder indígena Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, destacou que a restauração ambiental, para os povos indígenas, vai muito além do plantio de árvores, envolvendo história, espiritualidade, modos de vida e relações com o território. Ele enfatiza a importância de parceiros conhecerem a realidade local, as necessidades e os saberes de cada comunidade, para que os projetos não fracassem como outros que falharam por falta de diálogo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O povo [indígena] já restaura desde muito tempo, desde quando os mais velhos começaram a lutar para defender o território, para não ser derrubada uma árvore. O território já vem sendo restaurado pelos anciãos que estavam lá, pelos que morreram lá dentro do território, dando a sua vida por uma árvore não ser derrubada”. </span></p></blockquote>
<p><b>Financiamento</b><b><br />
</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encerrando nossa participação na conferência, Jessica Pedreira, analista do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, integrou a plenária de encerramento &#8220;Financiamento para uma Restauração Diversa e Inclusiva&#8221;, ao lado de Sérgio Leitão, do Instituto Escolhas, Rafael Stein, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Fabrícia Santarém, geraizeira, coordenadora da Araticum e integrante da Coocrearp.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O financiamento para a restauração, para ser de fato inclusivo e participativo, precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração, que são as pessoas mais afetadas pelas mudanças climáticas, pela insegurança hídrica, pelos efeitos da seca, que são as mulheres”, afirma Jéssica Pedreira. Ela acrescenta que para além de pensar em inclusão, a restauração de fato precisa “fazer chegar nos territórios um recurso que traga fortalecimento das organizações de base e aprimoramento das capacidades locais”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A analista do ISPN apresentou a experiência do Fundo Ecos como um mecanismo de financiamento inclusivo e participativo, capaz de direcionar recursos para organizações de base comunitária que atuam diretamente na conservação da biodiversidade e na restauração ecológica, fortalecendo iniciativas locais a partir da escuta das necessidades de quem vive e atua nos territórios nessa linha de frente.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final da SOBRE 2026, ficou evidente que a restauração ecológica é, antes de tudo, fortalecer pessoas, meios de vida e territórios. Os debates reforçaram que o futuro da restauração depende do reconhecimento e do protagonismo de quem vive, protege e transforma esses territórios diariamente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN encerra esta edição da conferência com a convicção de que esse caminho se constrói em parceria e com o compromisso de seguir ampliando o apoio às iniciativas comunitárias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Que, em 2028, possamos retornar à próxima edição da SOBRE com uma atuação ainda mais consolidada e com a presença cada vez mais forte de nossos parceiros, evidenciando o papel fundamental que povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e organizações locais desempenham nessa teia da restauração” finalizou o coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Profetas do Tempo: resiliência, bem viver e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-resiliencia-bem-viver-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 14:20:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33494</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Terceiro episódio:  O encantamento do Sertão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto as tecnologias sociais transformam os quintais e o dia a dia dos sertanejos que vivem no bioma exclusivo do Brasil, uma outra revolução silenciosa acontece do lado de fora de suas casas, repactuando a relação humana com a biodiversidade da região. O recaatingamento chegou para honrar essa terra e seu potencial de resiliência e renovação.</p>
<figure id="attachment_33496" aria-describedby="caption-attachment-33496" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33496" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra das árvores, o quintal tem água fresca e uma plantação de palma forrageirautilizada na alimentação dos animais. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33496" class="wp-caption-text">Sob a sombra das árvores, o quintal tem água fresca e uma plantação de palma forrageira utilizada na alimentação dos animais. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Uma nova metodologia de convivência com o Semiárido vem despontando em vários trechos da Caatinga, promovendo a recuperação de áreas degradadas com a participação ativa das comunidades. Projetos de sucesso vem sendo desenvolvidos no sertão da Bahia e Pernambuco, e no Piauí ele brotou sobretudo pelas mãos dos jovens, depois de um grande choque vivenciado na época da pandemia do covid-19. Na Comunidade Tapera dos Vital, localizada numa área remota a 48km da área urbana de Pedro II, ocorreu o maior incêndio já registrado numa mata nativa na região norte do Piauí, e devastou mais de 6 mil hectares, transformando em cinzas árvores centenárias e matando os animais que não conseguiram fugir, como pequenos veados e tatus.</p>
<p>O Profeta da Chuva Francisco Vital costuma prever a direção das chuvas observando, entre outros sinais, a orientação da porta de entrada da casa de Maria do Barro, um saber que combina observação da natureza e memória do território. Ele conta que os dois assentamentos da região são fruto da desapropriação de um grande latifúndio, cuja sede abandonada virou uma tapera no meio do sertão, daí o nome da comunidade. A região foi habitada por povos indígenas e marcada pelo trabalho escravo e perseguições de capitães do mato, um passado que o fogo também queimou, abrindo espaço para a nova história que desde 2001 as associações comunitárias vem escrevendo por meio de parcerias com o <strong>Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)</strong>, o <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Centro de Formação Mandacaru (CFM)</strong></a>, e outras entidades regionais e internacionais.</p>
<figure id="attachment_33497" aria-describedby="caption-attachment-33497" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33497" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1024x683.jpg" alt="Na área do recaatingamento, o Profeta da Chuva Genivaldo Ribeiro transfere seus conhecimentos para Ana Clarisse e outros jovens da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33497" class="wp-caption-text">Na área do recaatingamento, o Profeta da Chuva Genivaldo Ribeiro transfere seus conhecimentos para Ana Clarisse e outros jovens da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>O grande incêndio de 2020 durou vários dias, as fagulhas foram avistadas de longe e a fumaça afetou várias cidades da região, trazendo o apoio das Brigadas de Incêndio de Poranga e Crateus,  cidades vizinhas da comunidade, no lado do Ceará. Os bombeiros de Crateus também ofereceram um curso que foi muito útil dois anos atrás, quando tiveram um novo foco de incêndio mas conseguiram conter, graças a essa capacitação. Curiosamente, a prefeita atual dessa cidade, Janaína Farias, quando senadora foi a autora do projeto de Lei recém aprovado pelo Congresso Nacional que institui a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15430.htm" target="_blank" rel="noopener">Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga</a>. A nova lei foi promulgada pela presidência da República em junho, com o lançamento do Programa Recaatingar, um edital público no valor de R$ 60 milhões, cuja meta é restaurar 10 milhões de hectares da floresta nos próximos 20 anos.</p>
<p>Os jovens de Tapera dos Vital já estão se organizando para participar, e se depender de mobilização, eles já mostraram que não brincam em serviço. Logo depois do incêndio lançaram o Projeto Renascer e fizeram um grande plantio de três mil mudas, onde conseguiram o apoio de instituições como o <strong>Centro Regional de Assessoria e Capacita</strong><strong>çã</strong><strong>o (CERAC)</strong>, o <strong>Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR)</strong> e a <strong>Escola Fam</strong><strong>í</strong><strong>lia Agr</strong><strong>í</strong><strong>cola Santa </strong><strong>Â</strong><strong>ngela (EFASA)</strong><strong>,</strong> que mobiliza seus alunos em torno de projetos focados em sustentabilidade e educação do campo por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), e doou mudas de plantas nativas produzidas dentro do colégio.</p>
<figure id="attachment_33499" aria-describedby="caption-attachment-33499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33499" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1024x683.jpg" alt="Aline Rodrigues foi presidenta da associação comunitária e seu primo Lucas Monteiro é o mais jovem profeta da chuva da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33499" class="wp-caption-text">Aline Rodrigues foi presidenta da associação comunitária e seu primo Lucas Monteiro é o mais jovem profeta da chuva da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Nos últimos anos os jovens também estão começando a ocupar cargos de responsabilidade dentro da comunidade. Aline Rodrigues dos Santos foi presidenta da Associação Nova Terra por quatro anos, o que a levou para encontros importantes como a Marcha das Margaridas, em Brasília. Ela conta que o projeto de reflorestamento se tornou um momento de união, a turma se reúne semanalmente para o monitoramento de uma área de pesquisa de 5 hectares, onde foram plantadas as árvores catingueira, gameleira, pau d’arco, conhecido popularmente como o Ipê branco e o Ipê rosa, e também o Marmeleiro, a Mocó, que tem o mesmo nome de um roedor endêmico da caatinga parecido com a preá, o Jatobá, Angico, Jucá, quando estiver semeando, as favas podem ser usadas em garrafadas de cura, o frondoso Jacarandá, a Catanduva e a Sabiá, cujos galhos são muito utilizados nas cercas dos quintais, entre outras árvores que fazem parte da convivência humana há muito tempo. O trabalho voluntário recebe ajuda de custo da associação italiana <strong>Modena Terzo Mondo</strong> dentro de um projeto de adoção de árvores onde “<em>cada pezinho de pau”</em>, como se diz no sertão, recebe o nome do doador, para acompanhar de longe o seu progresso de crescimento.</p>
<p>Ao conversar com Aline, percebemos que o projeto Renascer não serve apenas para reflorestar a Caatinga, mas também para florescer nos jovens uma maior relação com a terra, numa espécie de estágio para a formação de novos profetas e profetizas da chuva. Atualmente eles contam com uma estufa para as mudas de palma forrageira, em parceria com o governo do estado, para produzir alimento aos animais no período da seca.</p>
<blockquote><p><em>“Com a</em><em> conex</em><em>ão que a gente tem quando planta uma árvore, a gente foi aprendendo o tempo certo de plantar, o tempo certo de colher as sementes no mato. Então atrav</em><em>é</em><em>s desse projeto teve um grande resgate das nossas ancestralidades, como meu tio gosta de falar, a gente </em><em>é </em><em>a continuidade do que eles</em><em> já </em><em>foram.”</em></p></blockquote>
<p>O tio dela é Genivaldo Ribeiro, líder comunitário e Profeta da Chuva como seu irmão Francisco Vital. Ambos aprenderam a observar a natureza com o pai, que foi homenageado com a criação do Parque de Vaquejada Emanoel Vital, inaugurado no final de julho. Eles agora aproveitam a oportunidade do recaatingamento para repassar os conhecimentos para os jovens, que estão se tornando bons observadores também:</p>
<blockquote><p><em>“Muito lindo ver aquela situação de 2020 pra agora, ver que tudo j</em><em>á tá </em><em>come</em><em>ç</em><em>ando a seguir um ciclo. Os animais estã</em><em>o voltando, at</em><em>é </em><em>as chuvas estão voltando a ficar um pouco mais reguladas.” </em><em> </em></p></blockquote>
<figure id="attachment_33500" aria-describedby="caption-attachment-33500" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33500" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1024x683.jpg" alt="O projeto &quot;Adotta un Albero&quot; (adote uma árvore) possibilitou o mapeamento da área reflorestada, facilitando o seu monitoramento. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33500" class="wp-caption-text">O projeto &#8220;Adotta un Albero&#8221; (adote uma árvore) possibilitou o mapeamento da área reflorestada, facilitando o seu monitoramento. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Essa transmissão de conhecimento no sertão da abundância também acontece na relação com a palmeira mais famosa do Piauí, a carnaúba, oficialmente declarada árvore símbolo do estado. Conhecida como a “<em>Á</em><em>rvore da Vida”</em>, termo popularizado pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt no século XIX, impressionado com sua capacidade de suprir praticamente todas as necessidades de uma comunidade, mesmo nas secas mais severas. Carnaúba em tupi significa “<em>á</em><em>rvore que arranha”</em>, por conta da camada de espinhos que cobre a parte inferior de seu caule, os seus frutos são usados para alimentar rebanhos, produzir farinha e até substituir o pó de café. As suas folhas são levemente azuladas devido uma camada de cera que evita a perda de água no clima quente, e tornou a carnaúba um produto de valor global, considerada a cera vegetal mais dura do mundo, usada em batons, lápis de cor, cápsulas de remédios, enceramento de carros, vernizes, plásticos, e até na produção de discos de vinil. Para além da indústria, a carnaúba também atravessa a cultura regional e suas fibras servem para cobrir telhados e podem ser tecidas como chapéus, esteiras e bolsas, uma tradição repassada de mãe para filha, como acontece com Dona Maria Isolete dos Santos e sua filha Ana Cristina dos Santos Pereira, na comunidade Coitadas, a 13 km do centro de Pedro II.</p>
<figure id="attachment_33501" aria-describedby="caption-attachment-33501" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33501" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1024x683.jpg" alt="O chapéu de palha é produzido pelas mulheres da Comunidade Coitadas, em Pedro II, há muitas gerações. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33501" class="wp-caption-text">O chapéu de palha é produzido pelas mulheres da Comunidade Coitadas, em Pedro II, há muitas gerações. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Pelas estradas de terra da comunidade Tapera dos Vital, entre carnaúbas esparsas, uma carreata segue em homenagem a Nossa Senhora das Dores, uma expressão contemporânea de uma tradição que celebra o “fim d’água” e agradece pela colheita, como descreve a antropóloga Adeodata Dos Anjos, assessora de cursos populares no Centro Mandacaru e autora da tese de mestrado “<em>O Mito da Chuva como Elemento de Identidade</em>”. Sua pesquisa revela que, apesar de a seca ser um fenômeno natural, ela passou a ser tratada como catástrofe no decorrer da colonização da região e da posse da terra pelos colonizadores. <em>“Os profetas-poetas, diante das incertezas da vida e do descaso pol</em><em>í</em><em>tico, buscaram respostas nos mist</em><em>é</em><em>rios naturais”</em>, escreve a pesquisadora, concluindo que a leitura dos sinais do céu e da terra é fundamental para a resistência e bravura sertaneja, cuja capacidade de “ruminar” suas experiências os torna os únicos detentores das razões de seus saberes míticos.</p>
<p>No céu do sertão, próximo à constelação do Cruzeiro do Sul aparecem duas manchas, uma à direita e a outra à esquerda. Quando essas duas manchas aparecem, pode-se esperar que o inverno (a temporada das chuvas) vai ser bom. Quando tem só uma é porque a outra foi buscar o inverno. Agora, quando não tem nenhuma das manchas é porque é um ano de seca. A profetiza da chuva Dona Joaninha Clemente, que viveu na Tapera dos Vital até seus últimos dias nessa terra, era presença marcante na novena de Nossa Senhora. Ela gostava de contar que no tempo de seca, seu pai arrancava Macambira, uma bromélia cheia de espinhos, típica da Caatinga, com uma raiz muito nutritiva, para fazer um cuscuz chamado de “comida brava”. Alguns tinham vergonha de comer, mas fazia muito bem para a saúde, hoje podemos considerá-la uma PANC &#8211; Planta Alimentícia Não Convencional. Dona Joaninha sempre ajudava a organizar os festejos e comemorações da comunidade e trazia o seu conhecimento para os encontros dos Profetas da Chuva:</p>
<blockquote><p>“<em>As duas manchas no pe</em><em>́ </em><em>do Cruzeiro do Sul representam o sangue que Cristo derramou na cruz. E</em><em>́ </em><em>por isso que elas esta</em><em>̃</em><em>o relacionadas com a chuva: o sangue e</em><em>́ á</em><em>gua e sendo a</em><em>́</em><em>gua se transforma em nuvem, depois em chuva que cai para alegrar a gente, os bichinhos e todos os seres vivos.</em><em>”</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33502" aria-describedby="caption-attachment-33502" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33502" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1024x683.jpg" alt="O festejo de Nossa Senhora das Dores dura uma novena, com procissão no primeiro e último dia até a igreja, missa, leilão, bingo, muita comida e esse ano terá pega de boi para inaugurar o novo Parque de Vaquejada Emanoel Vital. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33502" class="wp-caption-text">O festejo de Nossa Senhora das Dores dura uma novena, com procissão no primeiro e último dia até a igreja, missa, leilão, bingo, muita comida e esse ano teve pega de boi para a inauguração do novo Parque de Vaquejada Emanoel Vital. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Do alto do mirante da Serra das Andorinhas, acessado pelas trilhas ecológicas da Comunidade Lagoa do Mato, visitada nos outros episódios dessa série de reportagem, a paisagem se revela em sua imensidão. As formações rochosas erodidas, chamadas de “tuncas” pelos guias locais, parecem gigantes petrificados, guardiões silenciosos de um tempo passageiro. Lá embaixo, o sertão se estende quase infinito, com suas veredas, suas comunidades, e seus Profetas. É o mesmo horizonte que os ancestrais contemplaram há milhares de anos, antes de marcar na pedra os sinais que ainda hoje se lêem. O cacto mandacaru nos lembra que a vida persiste até mesmo nos lugares mais expostos ao sol latente. Diante do sertão da abundância, os ciclos da natureza se materializam não com um ponto final, mas como um convite para quem quiser chegar e aprender a ler os sinais do tempo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33503" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1024x683.jpg" alt="Os Profetas do Tempo avistam a borda da Caatinga do mirante no alto da barreira geológica da Serra Grande. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>Os Profetas do Tempo avistam a borda da Caatinga do mirante no alto da barreira geológica da Serra Grande. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o primeiro episódio da série: &#8220;A cultura cria raízes&#8221;</a></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; E aqui para ver o segundo: “A revolução agroecológica”</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A restauração ecológica só será possível incluindo as comunidades locais</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 13:44:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33461</guid>

					<description><![CDATA[A restauração ecológica acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O debate sobre a restauração ecológica no Brasil gira em torno de cifras bilionárias, metas ambiciosas e promessas de mercado de créditos de carbono. Contudo, na ponta — onde a semente encontra a terra — há uma realidade mais antiga. A restauração nasce das mãos e do conhecimento ancestral dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Eles são os protagonistas de uma relação com a terra que, há séculos, mantém a paisagem viva e resiliente.</p>
<p class="texto">Nos últimos 30 anos, enquanto a pauta ambiental ganhava contornos globais, foram essas organizações comunitárias que impulsionaram a agenda localmente. Além de recuperar áreas degradadas, essas experiências fortalecem a autonomia dos territórios e demonstram que conservação e desenvolvimento caminham juntos. A pergunta que fica é: por que, então, ainda tratamos esses atores como coadjuvantes ou como &#8220;beneficiários&#8221; de projetos, e não como os protagonistas?</p>
<p class="texto">Em 2019, a ONU declarou a Década da Restauração de Ecossistemas, e o Brasil, alinhado ao Acordo de Paris, comprometeu-se a restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Políticas como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foram criadas para dar conta desse recado. O problema é que, muitas vezes, a restauração idealizada corre o risco de ser focada apenas em metas numéricas ou no plantio de árvores para sequestro de carbono, ignorando que a vegetação em pé é muito mais do que madeira e folhas.</p>
<p>A restauração que o Brasil precisa é social. Para um povo indígena, restaurar uma área é reatar laços com a espiritualidade e com a história de seus ancestrais. Para um agricultor familiar, garantir a produção de alimentos saudáveis. Para uma comunidade quilombola, reafirmar sua autonomia e resistência territorial. A restauração acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária.</p>
<p>Sob essa ótica, quatro pilares devem orientar investimentos e políticas públicas no setor. O primeiro é o protagonismo de organizações e coletivos. As iniciativas precisam fomentar a autonomia, respeitar os direitos territoriais e garantir a distribuição justa e equitativa dos benefícios.</p>
<p class="texto">O segundo pilar é a geração de renda e a ampliação de mercados. A restauração precisa gerar renda por meio dos sistemas agroflorestais que consorciam plantios de árvores com a produção de alimentos, e o acesso dos produtores às compras institucionais. Ela precisa ser entendida como uma atividade econômica sustentável, capaz de conciliar restauração da biodiversidade, segurança alimentar e inclusão produtiva.</p>
<p class="texto">O terceiro pilar é a aprendizagem. A produção de conhecimento pode ser participativa, valorizando tanto o campo científico quanto as práticas desenvolvidas pelas comunidades ao longo das gerações. Para isso, intercâmbios entre comunidades, parcerias com universidades e a valorização da educação do campo é essencial.</p>
<p class="texto">Por fim, o quarto pilar é a escala da paisagem. Isso significa pensar na gestão integrada do fogo, na segurança hídrica e na atuação em comitês de bacias, conselhos de Unidades de Conservação e fortalecimento institucional. A restauração deve ser um projeto de território.</p>
<p>É aqui que entra o grande desafio: a restauração ecológica atrai investimentos crescentes, mas a perenidade dos resultados depende de como esse dinheiro será aplicado, se vai apenas contabilizar créditos ou construir uma economia verde verdadeiramente inclusiva.</p>
<p class="texto">Nessa linha, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) tem acumulado aprendizados valiosos ao longo de três décadas. Por meio do Fundo Ecos, viabilizou mais de 130 projetos comunitários que resultaram no manejo e restauração de mais de 27 mil hectares.</p>
<p class="texto">Além do financiamento direto às iniciativas comunitárias, o ISPN desenvolve estratégias que integram restauração produtiva, agroecologia, sistemas agroflorestais, pesquisa e monitoramento, fortalecimento institucional, unidades demonstrativas e atuação em rede. Essas ações valorizam o protagonismo de jovens, mulheres, lideranças locais, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.</p>
<p>Todas essas experiências demonstram que o grande desafio para a Década da Restauração é conectar pessoas, territórios e oportunidades, apoiando projetos comunitários de forma contínua. Assim, reconhecer e valorizar o trabalho dessas comunidades torna-se condição essencial para o sucesso das políticas de restauração no Brasil. Na próxima semana, a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026) abrigará debates sobre o tema na Universidade de Brasília (UnB), com possibilidades de trocas e avanços para a pauta no território nacional.</p>
<p><em>*Natanna Horstmann, Robert Miller e Luan Hamon — analistas socioambientais do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)<br />
</em><br />
<em>*Artigo publicado originalmente no jornal <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/07/7466385-a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais.html" target="_blank" rel="noopener">Correio Braziliense</a> </em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do Cerrado para a sala de aula: Cozinha Experimental Baru transforma alimentos em conhecimento</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/do-cerrado-para-a-sala-de-aula-cozinha-experimental-baru-transforma-alimentos-em-conhecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 19:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33446</guid>

					<description><![CDATA[Inaugurado na Escola Família Agrícola de Porto Nacional (TO), o novo espaço foi melhorado para fortalecer atividades práticas, estimular experiências com alimentos e valorizar a sociobiodiversidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Laboratório de vivências para criar e desenvolver receitas com alimentos nativos do Cerrado.</b><span style="font-weight: 400;"> Essa é a proposta da nova </span><b>Cozinha Experimental Baru</b><span style="font-weight: 400;">, inaugurada em junho na </span><b>Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional</b><span style="font-weight: 400;">, Tocantins. Localizada a cerca de 60 quilômetros de Palmas, a unidade reúne estudantes do Ensino Fundamental e Médio, que conciliam a formação escolar com cursos técnicos voltados para a área rural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, há uma diversidade de origem entre os 264 alunos matriculados, oriundos de mais de 30 municípios do Tocantins e até de fora do estado. Eles são filhos e filhas de agricultores familiares, trabalhadores rurais e pescadores artesanais, ou pertencem a comunidades quilombolas, assentamentos da reforma agrária e até mesmo não possuem relação anterior com o campo. </span></p>
<figure id="attachment_33451" aria-describedby="caption-attachment-33451" style="width: 842px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33451" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg" alt="" width="842" height="631" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /><figcaption id="caption-attachment-33451" class="wp-caption-text">Alunos da EFA durante encerramento do tempo escola, onde há uma avaliação antes de voltarem para suas comunidades no tempo comunidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o coordenador e professor da EFA, Cirineu da Rocha, pensando nas diferentes experiências que os alunos trazem de suas casas estudando no modelo de alternância </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/jovens-do-campo-sao-aposta-para-um-futuro-agroecologico/"><span style="font-weight: 400;">(tempo escola e tempo comunidade)</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ideia da Cozinha Baru é levar para dentro do espaço da escola os produtos da sociobiodiversidade do Cerrado, bioma onde a EFA está inserida, além de utilizar os alimentos produzidos na escola, como o leite e a mandioca. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esperamos que a Cozinha Experimental Baru seja um espaço indutor de novas experiências. A partir dos conhecimentos que os estudantes trazem de suas comunidades e do trabalho dos educadores, queremos desenvolver receitas, testar possibilidades e valorizar ainda mais os produtos do Cerrado”, comenta o coordenador. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33452" aria-describedby="caption-attachment-33452" style="width: 826px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33452" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg" alt="" width="826" height="620" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 826px) 100vw, 826px" /><figcaption id="caption-attachment-33452" class="wp-caption-text">O coordenador da EFA, Cirineu da Rocha, com a assessora técnica do ISPN, Bruna Braz, durante a prova de receitas elaboradas por alunos em uma aula prática. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O baru foi escolhido por estudantes e famílias para dar nome à cozinha devido à forte relação da região com o fruto. Sua importância também se reflete na alimentação escolar do Tocantins: ao lado do jatobá, ele integra os alimentos adquiridos por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que determina que, no mínimo, 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os estudantes que vão utilizar o novo espaço está Lívia Carvalho de Jesus, do 1º ano do Ensino Médio, com o curso técnico em Agropecuária. Moradora de uma fazenda em Miranda do Tocantins, onde o pai trabalha, ela destaca que a formação oferecida pela EFA contribui para fortalecer a ligação dos jovens com o campo e gerar conhecimentos que serão aplicados nas comunidades. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente sempre leva para casa o que aprende aqui. Eu mesma compartilho com a minha família várias coisas que aprendo na EFA. Até mesmo consigo aplicar na horta do meu pai, que aceita minhas dicas sobre diferentes formas de trabalhar”, conta Lívia. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33453" aria-describedby="caption-attachment-33453" style="width: 847px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33453" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg" alt="" width="847" height="636" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 847px) 100vw, 847px" /><figcaption id="caption-attachment-33453" class="wp-caption-text">A estudante Lívia Carvalho de Jesus durante a inauguração da Cozinha Experimental Baru. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a estudante, a cozinha representa mais uma oportunidade de aprendizado prático. Segundo ela, o novo espaço permitirá vivenciar conteúdos trabalhados nas disciplinas, ampliando as experiências com o processamento de alimentos e o aproveitamento dos produtos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse modelo de educação, a prática não é apenas uma aula, ela é uma dimensão da formação dos estudantes, baseada na Pedagogia da Alternância, que integra teoria, trabalho, território e comunidade. </span></p>
<figure id="attachment_33454" aria-describedby="caption-attachment-33454" style="width: 852px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33454" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg" alt="" width="852" height="568" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 852px) 100vw, 852px" /><figcaption id="caption-attachment-33454" class="wp-caption-text">Alunos durante as atividades com os pais na cozinha da EFA. Foto: Karla Oliveira/Acervo Agrop</figcaption></figure>
<p><b>Agroecologia como base da pedagogia da EFA Porto Nacional </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, a agroecologia faz parte da formação dos estudantes e orienta atividades que conectam alimentação, produção rural e sustentabilidade. Os alunos e professores da EFA Porto Nacional desenvolvem um projeto de implementação de mandala agroflorestal e viveiro de mudas de espécies nativas do Cerrado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a analista socioambiental do ISPN, Bruna Braz, espaços como a EFA possuem o poder de engajar a juventude. “Os jovens se sensibilizam para a conservação do Cerrado, das águas e da terra. Também são espaços importantes para fortalecer a construção do Bem Viver, aliado com agroecologia e justiça social”, avalia. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a professora da área das agrárias, Joicileia Juliate Fonseca, que acompanha as atividades, esse processo contribui para que os jovens compreendam a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Ela destaca que a experiência ajuda a desmistificar a ideia de que apenas os grandes sistemas agrícolas são capazes de gerar resultados, mostrando que pequenas áreas diversificadas também produzem alimentos, conhecimentos e autonomia para as famílias.</span></p>
<figure id="attachment_33455" aria-describedby="caption-attachment-33455" style="width: 409px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33455" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png" alt="" width="409" height="637" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png 552w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia-193x300.png 193w" sizes="(max-width: 409px) 100vw, 409px" /><figcaption id="caption-attachment-33455" class="wp-caption-text">A professora Joicileia Juliate Fonseca destaca para seus alunos durante as atividades práticas no campo a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente quer mostrar aos estudantes que é possível produzir alimentos de forma saudável com os recursos que temos, respeitando o solo, valorizando a diversidade e aproveitando tudo o que o ambiente pode oferecer”, comenta a professora. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A Cozinha Experimental Baru foi reformada e equipada com apoio do Fundo Ecos, mecanismo financeiro do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O projeto é executado em parceria com a Associação dos Agricultores Familiares e Agroindustriais de Palmas (Agrop) e foi contemplado no </span><a href="https://fundoecos.org.br/editais/38o-edital/"><span style="font-weight: 400;">38º edital</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além da cozinha, o Fundo apoia a implementação da mandala agroflorestal e do viveiro de mudas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital 38 é voltado para jovens e mulheres, com financiamento do Fundo Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Área de Desenvolvimento Social da Suzano. Ao todo, são cinco escolas do campo contempladas neste edital, beneficiando mais de 300 estudantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos últimos 30 anos, o apoio às escolas de ensino contextualizado do campo pelo Fundo Ecos reforçou a importância do protagonismo da juventude no enfrentamento da crise climática a partir da agroecologia. Neste sentido, foram publicados nos últimos anos dois editais temáticos, focados nesses jovens de forma inédita. Quer saber mais? Acompanhe o site do Fundo Ecos e fique por dentro dos editais abertos. </span></p>
<figure id="attachment_33449" aria-describedby="caption-attachment-33449" style="width: 442px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33449" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png" alt="" width="442" height="592" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png 1911w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-224x300.png 224w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-765x1024.png 765w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-768x1029.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1147x1536.png 1147w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1529x2048.png 1529w" sizes="(max-width: 442px) 100vw, 442px" /><figcaption id="caption-attachment-33449" class="wp-caption-text">Visita ao viveiro da EFA onde são cultivadas mudas de várias espécies nativas do Cerrado pelos estudantes. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Profetas do tempo: água, sementes e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 12:23:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33354</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Segundo episódio: A revolução agroecológica
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva Francisco Vieira Sampaio é hidroestesista de profissão. Ele possui um dom estudado nos anos 80 pela Universidade de Munique, na Alemanha, que pode estar relacionado a uma sensibilidade biológica de reagir a campos eletromagnéticos, ajudando a encontrar fendas de água no subsolo. Além de identificar o recurso hídrico, os aparelhos de cobre como o pêndulo, a forquilha e as antenas em &#8220;L&#8221; (conhecidas como Dual Rods) permitem também descobrir a quantidade e a profundidade onde a água vai ser encontrada, marcando o terreno para cavação da cacimba ou poço, conforme ele demonstrou pessoalmente. O mestre Seu Chiquinho, como é conhecido, vive na Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, na área de menor índice pluviomêtrico da região, e por isso a sua profissão é muito valorizada por todos da comunidade, assim como as suas profecias certeiras indicando a chegada das chuvas.</span></p>
<figure id="attachment_33356" aria-describedby="caption-attachment-33356" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33356" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg" alt="Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33356" class="wp-caption-text">Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo quintal onde acompanhamos o processamento da mandioca na primeira parte desta série de reportagem, chama a atenção um símbolo da revolução tecnológica no sertão: as cisternas são uma presença marcante, coletando e armazenando a água da chuva em meio as atividades do dia a dia. As cisternas de telhado, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas telhadão,</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebem as águas da chuva já filtradas e abastecem as famílias para uso pessoal ao longo do ano, com capacidade de armazenamento de 16 mil litros. Há também a captação da água diretamente no chão, as </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas calçadão</span></i><span style="font-weight: 400;">, que utilizam uma área cimentada no solo para direcionar as chuvas para o sistema de coleta, armazenando 52 mil litros de água destinada aos pequenos animais e plantações. As cisternas também estão presentes em algumas escolas, onde a água é utilizada no preparo da merenda escolar e nos sanitários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener"><b>Centro de Formação Mandacaru (CFM)</b></a><span style="font-weight: 400;"> participa de diversos programas de financiamento para construção dessa tecnologia social, como o </span><a href="https://fundoecos.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Fundo Ecos</b></a><span style="font-weight: 400;">, gerido pelo </span><b>Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)</b><span style="font-weight: 400;">. Com 35 anos de experiência de atuação, o CFM desenvolveu uma metodologia de trabalho que busca envolver toda a comunidade antes mesmo da construção de cada cisterna, com a realização de cursos de gerenciamento de recursos hídricos, e motivando as famílias a trabalhar coletivamente na forma de mutirões. O resultado são quase 14 mil cisternas construídas em seis dos doze territórios do Piauí, envolvendo mais de 20 municípios.</span></p>
<figure id="attachment_33357" aria-describedby="caption-attachment-33357" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33357" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg" alt="O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33357" class="wp-caption-text">O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de acesso à água são os açudes de uso coletivo, fruto de políticas públicas mais antigas. No Assentamento Lagoa do Mato, em Milton Brandão, quando a comunidade se uniu para comprar o terreno já havia dois açudes, e a estratégia foi criar um projeto de reforma da estrutura da sede da associação comunitária, para organizar pescarias no formato de pesque e pague, gerando renda para a comunidade, além de fornecer peixe para as 26 famílias assentadas. O projeto financiado em parte pelo </span><b>Fundo Ecos</b><span style="font-weight: 400;">, foi implementado por meio da parceria entre o </span><b>ISPN</b><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>CFM </b><span style="font-weight: 400;">e o </span><b>Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC)</b><span style="font-weight: 400;">, o que permitiu também reformar a Casa de Semente Irmã Celina. </span><span style="font-weight: 400;">O espaço preserva um banco de sementes crioulas selecionadas, utilizadas para o plantio no início do período chuvoso e para realizar trocas com outros agricultores. Variedades como “sempre verde”, “baje”, “tocha”, “pingo de ouro” e “olho de ovelha” garantem o patrimônio genético cultivado pela comunidade há vários anos. O nome do local homenageia a missionária que plantou muitas sementes simbólicas na região. Irmã Celina é reconhecida por sua incansável dedicação às causas sociais, sempre buscando levar cidadania e vida digna por meio da orientação e formação profissional.</span><span style="font-weight: 400;"> Foi ela quem negociou a compra do terreno e estimulou seus jovens alunos da Fundação Santa Ângela a criarem o </span><span style="font-weight: 400;">assentamento, repetindo</span><span style="font-weight: 400;"> a experiência de outros assentamentos na região.</span></p>
<figure id="attachment_33358" aria-describedby="caption-attachment-33358" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33358" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg" alt="A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33358" class="wp-caption-text">A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti, por estar localizada no encontro dos biomas Caatinga, Cerrado e a Mata Atlântica de altitude, possui grande variação no volume das chuvas mesmo entre comunidades próximas. Quando estivemos na região, vimos o Sr. Luis Gonzaga de Sousa pescar no açude com a rede de arrasto, mas esse ano choveu muito pouco nessa área e, como dizem na linguagem da Caatinga, o açude principal não “sangrou”, ou seja, ele não encheu o suficiente para transbordar, e como ele está conectado ao outro açude, as águas dos dois ficaram muito baixas, e a pescaria só será permitida com vara de pescar. As famílias da comunidade também não poderão usar a água para consumo próprio e precisarão recorrer ao poço artesiano, que foi perfurado logo que elas se instalaram nessas terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A boa notícia é que o solo ao redor do açude principal se </span><span style="font-weight: 400;">manteve</span><span style="font-weight: 400;"> úmido o suficiente para sustentar </span><span style="font-weight: 400;">a</span><span style="font-weight: 400;"> exuberante plantação de feijão diante da Serra das Andorinhas, a mesma cadeia de montanhas onde encontramos as pinturas rupestres e as grutas de pedras, que podem ser acessadas por trilhas ecológicas imersivas, parte de outro projeto local em torno do turismo de base comunitária.</span></p>
<figure id="attachment_33359" aria-describedby="caption-attachment-33359" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33359" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg" alt="As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33359" class="wp-caption-text">As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, os quintais do sertão da abundância não guardam apenas água das chuvas, eles resgatam os saberes tradicionais de preservação das sementes, aliados aos conhecimentos da agroecologia. Ali, a tecnologia social se faz presente no manejo ecológico de uma grande biodiversidade, da convivência de pequenos animais com canteiros de hortaliças, plantas medicinais e árvores frutíferas. As plantações baseadas em Sistemas Agroflorestais Agroecológicos (SAFs) simulam a dinâmica de florestas, com o consórcio inteligente de cultivos agrícolas como milho, feijão e mandioca, interagindo positivamente com espécies locais, garantindo abrigo para a fauna polinizadora e colheitas contínuas ao longo do ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Focado na sustentabilidade ambiental, o sistema utiliza insumos da própria Caatinga, como a bagana de Carnaúba, um subproduto da folha da palmeira, usada para a cobertura do solo, provocando o aumento da matéria orgânica e resultando em menor necessidade de fertilizantes e controle da erosão. Dessa forma, os quintais se tornaram espaços de segurança alimentar, atendendo tanto a subsistência como a diversificação da renda familiar, o que gera autonomia econômica, restauração do solo e alta resiliência climática.</span></p>
<figure id="attachment_33360" aria-describedby="caption-attachment-33360" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33360" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg" alt="Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33360" class="wp-caption-text">Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na parede da sala de sua casa na Comunidade Salobro, em Pedro II, José Portela de Sousa aponta para</span><span style="font-weight: 400;"> a foto </span><span style="font-weight: 400;">dos filhos que partiram para a cidade grande. Ele próprio já foi embora um dia, viveu </span><span style="font-weight: 400;">anos </span><span style="font-weight: 400;">sozinho em São Paulo e enviava dinheiro para sustentar a família, como tantos </span><span style="font-weight: 400;">casos</span><span style="font-weight: 400;"> no sertão. Mas </span><span style="font-weight: 400;">ele</span><span style="font-weight: 400;"> voltou. Hoje, ao lado do filho mais novo, Romério, cultiva um quintal agroecológico que não apenas alimenta, mas também gera renda e dignidade para a família. Juntos, eles criaram uma ferramenta artesanal de cano PVC e tecido macio para polinizar as flores do maracujá e chegaram a contabilizar mais de quinhentos pés plantados, colaborando com o trabalho dos besouros polinizadores endêmicos da Caatinga. O excedente da produção é vendido para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo refeições saudáveis aos alunos da rede pública, e também atende a feira semanal na cidade de Pedro II. Os quintais agroecológicos, nesse sertão que se reinventa, mostram que a terra ainda pode segurar quem nela planta raízes afetivas, culturais e produtivas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto de morar na minha cidade mesmo, com a minha agricultura familiar. É muito bom trabalhar no meu ramo, mexer com a terra é muito bom.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Salienta o jovem Romério ao ser perguntado se pensa em morar algum dia nas grandes capitais.</span></p>
<figure id="attachment_33361" aria-describedby="caption-attachment-33361" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33361" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg" alt="Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33361" class="wp-caption-text">Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo clima de cooperação e trabalho coletivo presente nas atividades do campo se estende ao momento de oferecer os produtos da agricultura familiar para o público. A Feira Agroecológica dos Saberes e Sabores está prestes a completar sete anos na Praça do Mutirão, em Pedro II. O espaço semanal nasceu para dar vazão à produção dos quintais agroecológicos e promover a venda direta das famílias para o consumidor durante o ano todo, a partir do sucesso da Feira da Fartura, um evento anual na Semana Santa que celebra a rica colheita de legumes entre março e abril, e que se tornou uma tradição no calendário da cidade. Mesmo com o frio da manhã típico da região serrana, o Sr. Gonzaga e Dona Ana Lúcia, que vimos na farinhada, estão lá toda terça-feira com frutas, verduras e o beiju com coco que conquistou a clientela, enquanto o jovem Romério traz galinha caipira, ovos, hortaliças, melancia e macaxeira. Organizada pelo Centro de Formação Mandacaru e com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Rádio Matões FM, a feira escoa a produção dos agricultores de várias comunidades e abastece as mesas de quem busca alimento saudável e de origem orgânica confiável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No último episódio da série vamos conhecer outras formas de atuação das comunidades que garantem a permanência dos jovens no campo, como o projeto de “recaatingamento” de áreas devastadas e o artesanato tradicional feito com a palha da carnaúba. O respeito à tradição dos profetas da chuva também conecta a juventude com os ciclos da natureza, em meio aos festejos que celebram as colheitas no final da estação chuvosa.</span></p>
<figure id="attachment_33362" aria-describedby="caption-attachment-33362" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33362" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg" alt="O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33362" class="wp-caption-text">O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o primeiro episódio da série: “A cultura cria raízes”</a></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-resiliencia-bem-viver-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; E aqui para ver o terceiro: &#8220;O encantamento do sertão&#8221;</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundo Ecos lança edital para fortalecer organizações de base comunitária na Amazônia Legal</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-lanca-edital-para-fortalecer-organizacoes-de-base-comunitaria-na-amazonia-legal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 12:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33338</guid>

					<description><![CDATA[Inscrições de projetos ficam abertas até 31 de agosto de 2026, às 18h de Brasília
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Organizações de base comunitária protagonizadas por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso poderão participar do 49º Edital do Fundo Ecos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), responsável pela gestão do </span><a href="https://fundoecos.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos</span></a><span style="font-weight: 400;">, lança a chamada no âmbito do projeto </span><b>Territórios Amazônicos Sociobiodiversos</b><span style="font-weight: 400;"> (</span><b>TAIPAS</b><span style="font-weight: 400;">), em parceria com o</span> <a href="http://www.forestspeopleclimate.org/"><b>Forests, People, Climate</b><span style="font-weight: 400;"> (</span><b>FPC</b><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma plataforma estratégica de filantropia internacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares são protagonistas na conservação e restauração das florestas, assim como na construção de soluções diversas para a crise climática. Com este edital, buscamos ampliar o acesso a recursos e fortalecer a autonomia e a governança territorial dessas organizações, contribuindo para a proteção da Amazônia Legal e de suas áreas de transição com o Cerrado”, destaca a antropóloga e gerente do projeto no ISPN, Marília Nepomuceno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o objetivo de selecionar e apoiar iniciativas desenvolvidas por organizações da sociedade civil, associações comunitárias e cooperativas, o edital contempla quatro linhas temáticas voltadas ao fortalecimento dos direitos territoriais, da participação social, implementação de instrumentos de governança e gestão territorial e ações baseadas nas economias da sociobiodiversidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre algumas das prioridades está o fortalecimento da incidência política e da participação social em espaços de governança e controle social relacionados à alimentação escolar, apoiando a atuação de organizações em instâncias como a Mesa de Diálogos Catrapovos, Conselhos Municipais e Estaduais de Alimentação Escolar e de Segurança Alimentar e Nutricional, além de ações de formação e intercâmbio sobre o tema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital também apoiará iniciativas de autodeclaração territorial e fortalecimento de direitos por meio das plataformas Tô No Mapa e Plataforma de Territórios Tradicionais, contribuindo para a visibilidade e o reconhecimento de povos e comunidades tradicionais.</span></p>
<figure id="attachment_33341" aria-describedby="caption-attachment-33341" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33341" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1441" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33341" class="wp-caption-text">Direitos territoriais, estão entre os temas apoiados pela chamada, além de governança comunitária, alimentação escolar e economias da sociobiodiversidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra linha temática contempla o fortalecimento de instrumentos de governança e gestão territorial, incluindo a elaboração e implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), Planos de Gestão Territorial Quilombola (PGTAQs), Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIFs), protocolos comunitários de consulta e consentimento, acordos comunitários e outras estratégias de proteção e gestão dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o edital busca apoiar também iniciativas comunitárias ligadas às cadeias de valor e arranjos produtivos locais, incentivando atividades que promovam as economias da sociobiodiversidade e contribuam para a geração de renda e o desenvolvimento sustentável dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recurso total previsto para o edital é de aproximadamente R$ 3.300.000,00 reais (três milhões e trezentos mil reais), para apoio de pequenos projetos que estarão distribuídos nas seguintes modalidades de apoio, de acordo com a linha temática do projeto: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sub-categoria A: associada a projetos da Linha Temática 1 &#8211; até R$ 100.000,00 (cem mil reais)</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sub-categoria B: associada a projetos das Linhas Temáticas 2, 3 e 4 &#8211; até R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais)</span></li>
</ul>
<p>As propostas poderão ser enviadas até 31 de agosto de 2026, às 18h (horário de Brasília). O edital completo, com as linhas temáticas, os critérios de seleção e o formulário de inscrição estão disponíveis na página do edital no site do Fundo Ecos, disponível <a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-49o-3o-2026-para-apoio-a-organizacoes-na-amazonia-legal">aqui</a>.</p>
<p><b>Forests, People, Climate</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Forests, People, Climate (FPC) – F</span><i><span style="font-weight: 400;">lorestas, Pessoas, Clima</span></i><span style="font-weight: 400;"> – é uma plataforma estratégica da filantropia internacional, em conjunto com a sociedade civil e organizações comunitárias, voltada ao apoio de ações que buscam interromper e reverter o desmatamento tropical, ao mesmo tempo em que promovem um desenvolvimento justo e sustentável. Seu foco está na proteção das florestas tropicais, no enfrentamento da crise climática e no fortalecimento dos direitos e da autonomia de povos indígenas, quilombolas e comunidades locais. </span></p>
<figure id="attachment_33342" aria-describedby="caption-attachment-33342" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33342" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33342" class="wp-caption-text">O edital integra o Projeto Territórios Amazônicos Sociobiodiversos (TAIPAS) e apoia iniciativas que contribuem para a proteção dos territórios e das florestas na Amazônia Legal brasileira. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Profetas do tempo: sabedoria, sinais e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 11:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33298</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Primeiro episódio:  A cultura cria raízes
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33300" aria-describedby="caption-attachment-33300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33300" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg" alt="O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33300" class="wp-caption-text">O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na beirada da Caatinga, no extremo norte do Nordeste brasileiro, </span><span style="font-weight: 400;">o passado se faz presente em pinturas rupestres milenares e na sabedoria passada de pai para filho, de observar os ciclos da natureza para anunciar a chegada das chuvas. Desde os sinais deixados nas pedras pelos primeiros habitantes da América Latina, às previsões certeiras dos Profetas da Chuva, as comunidades do interior do Piauí escrevem seu próprio tempo, e hoje mesclam conhecimento ancestral e tecnologias sociais para prosperar no semiárido. Esta é a história de um Brasil profundo que, em vez de somente esperar pela chuva, aprendeu a plantar o seu amanhã.</span></p>
<figure id="attachment_33301" aria-describedby="caption-attachment-33301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33301 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg" alt="Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33301" class="wp-caption-text">Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti faz parte de uma região única, onde o tempo é ditado pelas águas. As chuvas iniciam</span> <span style="font-weight: 400;">em meados de</span> <span style="font-weight: 400;">janeiro e duram de três a quatro meses, e este ano se estenderam especialmente até maio. A biodiversidade ocorre em meio a grandes formações rochosas, baixadas sazonalmente úmidas e a transição com a Zona dos Cocais, com a rica presença das palmeiras carnaúba e babaçu. O rio Poti rompe a barreira natural da Serra da Ibiapaba para chegar na região, num trecho marcado por litígio territorial entre o Ceará e o Piauí, revelando uma intersecção da Caatinga com o Cerrado e fragmentos de Mata Atlântica, os chamados </span><i><span style="font-weight: 400;">brejos de altitude</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva José Inácio da Silva vive na Comunidade Cachoeira Grande, na cidade de Poranga, no Ceará, e cruza a divisa para visitar os profetas da Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, no Piauí. Juntos, eles ela</span><span style="font-weight: 400;">boram previsões climáticas pela observação minuciosa do ecossistema, como o comportamento dos pássaros, sapos, formigas, preás, e outros animais, além  dos mais singelos sinais da natureza presentes na rota dos ventos, nas estrelas e fases da lua, criando uma cosmografia geográfica rica em simbologias</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta terra de ciclos de vida extremos, a série de reportagem </span><i><span style="font-weight: 400;">Profetas do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce de uma imersão documental encomendada pelo Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) com apoio do <a href="https://ispn.org.br/editais/" target="_blank" rel="noopener">Fundo Global para Meio Ambiente (GEF)</a>, para criação de um banco de imagens sobre a Caatinga. Mas as histórias fotografadas mostram muito mais do que o bioma exclusivamente brasileiro, mostram uma realidade viva e palpável, percebida na fartura tecida por sua gente e uma relação profunda com a terra, um testemunho de adaptação e da reincidência cultural de práticas que sustentam a própria vida.</span></p>
<figure id="attachment_33302" aria-describedby="caption-attachment-33302" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33302" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33302" class="wp-caption-text">Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elas, a cultura da mandioca se destaca como um saber transmitido há gerações. Ao amanhecer, na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, esse conhecimento se torna concreto pelas mãos de Gonzaga Ferreira e seu sobrinho Lázaro, que colabora em tarefas leves durante a colheita, limpando a terra das raízes arrancadas do solo. É o início do grande dia da </span><i><span style="font-weight: 400;">farinhada</span></i><span style="font-weight: 400;">: um ritual coletivo que se desenrola em várias etapas até o anoitecer, transformando a mandioca brava em farinha e goma de tapioca (fécula), e envolvendo diversas famílias da comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia o trabalho envolveu cerca de vinte pessoas distribuídas nas atividades de arranquio, transporte, descascamento, trituração, lavagem da massa, prensagem, torragem, peneiração e armazenamento. Em um único dia foram produzidos 350kg de farinha e 200 kg de goma, para consumo do ano todo! Um dia de celebração de um modo de vida organizado em torno do trabalho comunitário e da transmissão de uma identidade sertaneja.</span></p>
<figure id="attachment_33303" aria-describedby="caption-attachment-33303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33303" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg" alt="A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33303" class="wp-caption-text">A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona Ana Lúcia, esposa do Sr. Gonzaga, conta que parte da produção é distribuída aos trabalhadores da farinhada como forma de pagamento pelo serviço, outra parte é enviada para os filhos em São Paulo e o restante é armazenado em sacos bem costurados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Comecei a trabalhar em farinhada eu tinha 11 anos, em farinhada das outras pessoas. Me casei nova e todo ano meu esposo tinha farinhada duas vezes por ano, no verão e no inverno. Uma farinhada é a coisa mais sagrada que você pode ter numa casa. Em tudo que você vai comer tem farinha, a gente pode fazer uma puba, dar mingau à uma criança, a um velhinho que está acamado, não tem alimento melhor do que a puba. E também tem a ração pros bichos, a casca, a madeira, a capoeira. Uma roça de mandioca é uma riqueza pra nós. Eu não sei nem descrever o tanto que uma farinhada beneficia o ser humano do campo.</span><span style="font-weight: 400;">” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33304" aria-describedby="caption-attachment-33304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33304" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg" alt="Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33304" class="wp-caption-text">Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN, com o intermédio do <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener">Centro de Formação Mandacaru (CFM)</a>, que atua há 35 anos na região promovendo o acesso à terra e à água, técnicas sustentáveis na agricultura familiar, segurança alimentar, educação contextualizada e espiritualidade popular, apoia diretamente a construção de Casas de Farinha coletivas bem equipadas. O espaço também pode ser utilizado como cozinha comunitária, para fazer bolos e biscoitos para comercialização. A comunidade vai inaugurar a nova Casa de Farinha na próxima temporada de farinhada, entre agosto e setembro deste ano. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Todo morador ou vizinho que plantar mandioca vai poder usar, vai ser o mês todo de farinhada, se Deus quiser!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frisou Dona Ana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos próximos episódios desta série de reportagem vamos conhecer as tecnologias sociais que estão revolucionando a vida no sertão do Piauí a partir da descentralização das estruturas de abastecimento de água, a permanência dos jovens no campo e sua conexão com a sabedoria dos Profetas da Chuva, além da relação dos ciclos da natureza com este trecho peculiar da Caatinga, onde a espiritualidade fortalece a identidade sertaneja e a convivência com a região.</span></p>
<figure id="attachment_33305" aria-describedby="caption-attachment-33305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33305" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg" alt="Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN " width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33305" class="wp-caption-text">Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o segundo episódio da série: &#8220;A revolução agroecológica&#8221;</a></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-resiliencia-bem-viver-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; E aqui para ver o terceiro: “O encantamento do sertão&#8221;</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>47º Edital do Fundo Ecos seleciona 10 projetos em TICCAs do Cerrado e da Caatinga</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/47o-edital-do-fundo-ecos-seleciona-10-projetos-em-ticcas-do-cerrado-e-da-caatinga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 18:16:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33283</guid>

					<description><![CDATA[Propostas abordam conservação da biodiversidade, agroecologia, fortalecimento dos modos de vida tradicionais e protagonismo de mulheres e jovens]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://fundoecos.org.br/estrategia/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> divulgou o resultado do </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-abre-chamada-para-projetos-em-territorios-conservados-por-comunidades/"><span style="font-weight: 400;">47º Edital</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a seleção de dez projetos que atuarão em Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs) nas paisagens prioritárias apoiadas pela chamada. As propostas serão executadas por organizações de base comunitárias do Oeste da Bahia, Sul do Maranhão e da paisagem Kaiowá e Guarani, em Mato Grosso do Sul.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As iniciativas contemplam temas como produção sustentável, agroecologia, segurança alimentar e nutricional, gestão territorial, fortalecimento organizacional e proteção de territórios tradicionais. Os projetos também destacam o protagonismo de mulheres e jovens, público prioritário da chamada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as organizações selecionadas estão associações comunitárias, organizações indígenas, grupos de mulheres quilombolas e instituições que atuam diretamente nos territórios, reforçando o compromisso do edital com as organizações de base e com as iniciativas conduzidas pelas próprias comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em conjunto, os projetos refletem a proposta do 47º Edital de apoiar estratégias locais de conservação da biodiversidade, valorização dos modos de vida tradicionais e adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para a proteção dos territórios e para a segurança alimentar das comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As propostas demonstram profundo conhecimento dos territórios e capacidade de mobilização comunitária. Isso mostra que existem muitas soluções sendo construídas localmente. Apoiar essas iniciativas é também ampliar o acesso a recursos para quem historicamente esteve mais distante das oportunidades de financiamento”, afirma a assessora técnica do ISPN, Jessica Pedreira. </span></p>
<p><b>Confira o resultado abaixo: </b></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><b>Organização</b></td>
<td><b>Projeto</b></td>
<td><b>Paisagem</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Agricultores Familiares e Moradores do Chico Preto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sisteminhas Agroecológicos para Segurança Alimentar, Geração de Renda e Recuperação de Áreas Degradadas com Protagonismo de Mulheres no Cerrado Baiano</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Pequenos Criadores do Fecho de Pastos</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Estruturação das Ações de Manejo Integrado do Fogo nos Territórios de Fecho e Pasto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Desenvolvimento Comunitário do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Cerrado Vivo: Ancestralidade, Tradição e Sustentabilidade no Território do Fecho de Pasto do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Mulheres Remanescentes Quilombolas de Montevidinhas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes da Terra: Fortalecimento da Segurança Alimentar e do Protagonismo das Mulheres Quilombolas de Montevidinha</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação dos Pequenos Produtores Rurais São José</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes do Cerrado: Territórios Vivos e Governança Comunitária</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Rural de São João da Cachoeira</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecimento da Agricultura Familiar e Protagonismo Feminino na Comunidade São João das Cachoeiras, Carolina (MA)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Desenvolvimento Socioambiental Pantanal Sul</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Guardiãs do Território</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Apoio, Capacitação e Instrução de Economia Solidária do Povo (AJUIND)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Yvy Poty Juventude Guarani Kaiowá, Diversidade e Agroecologia para o Bem Viver</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto Mãe Terra</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecendo o Teko Porã nos Tekohas da TI Panambi-Lagoa Rica</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Rede de Organização em Defesa das Águas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Apoio a Comunidades Tradicionais de Fundo e Fechos de Pasto da Bacia do Rio Corrente</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais informações sobre o edital estão disponíveis </span><a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-47-ticcas/"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A natureza como sujeita de direitos: o caso do Rio Mosquito</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/a-natureza-como-sujeita-de-direitos-o-caso-do-rio-mosquito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 13:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33223</guid>

					<description><![CDATA[No semiárido mineiro, mobilização popular e apoio do Fundo Ecos transformam a relação entre comunidades e o rio ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O reconhecimento do Rio Mosquito como sujeito de direitos foi um processo marcado pela massiva participação popular no norte de Minas Gerais. Para garantir a saúde do afluente, a Campanha Todos pelo Rio Mosquito resultou em um </span><a href="https://www.almg.gov.br/atividade-parlamentar/projetos-de-lei/texto/?tipo=PL&amp;ano=2024&amp;num=2178"><span style="font-weight: 400;">projeto de lei estadual</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na aprovação de três leis municipais nas cidades de </span><a href="https://serranopolisdeminas.mg.gov.br/legislacao-categorias/leis-ordinarias/leis-ordinarias-2024-1/1543-lei-ordinaria-no-618-2024/file"><span style="font-weight: 400;">Serranópolis de Minas</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://leismunicipais.com.br/a/mg/p/porteirinha/lei-ordinaria/2024/226/2251/lei-ordinaria-n-2251-2024-dispoe-sobre-o-reconhecimento-dos-direitos-do-rio-mosquito-afluente-do-rio-gorutuba-no-municipio-de-porteirinha-e-seu-enquadramento-como-ente-especialmente-protegido-e-da-outras-providencias"><span style="font-weight: 400;">Porteirinha </span></a><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.camaranovaporteirinha.mg.gov.br/arquivo/694440c7746b5.pdf"><span style="font-weight: 400;">Nova Porteirinha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que cortam o rio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse espaço do semiárido mineiro, a luta pelo Mosquito demonstra sua importância regional. Durante os períodos de estiagem, suas águas contribuem para o abastecimento de até dez municípios da região, que dependem do rio para enfrentar os meses de seca.</span></p>
<div class="mceTemp"></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa se insere em um movimento que busca reconhecer elementos da natureza como sujeitos de direitos, atribuindo proteção jurídica própria a ecossistemas considerados essenciais para a vida. Entre os direitos previstos para o rio, estão: manter seu fluxo natural e em quantidade suficiente para garantir a saúde do ecossistema; nutrir e ser nutrido pela mata ciliar e as Florestas do entorno e pela biodiversidade endêmica; existir com suas condições físico-químicas adequadas ao seu equilíbrio ecológico; e se inter-relacionar com os seres humanos por meio da identificação biocultural, de suas práticas espirituais, tradicionais, de lazer, da pesca artesanal, agroecológica, cultural e do Turismo de Base Comunitária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a proposta de reconhecer o Mosquito como um elemento vivo, que deve ser respeitado e igualado aos cidadãos que ali habitam, não nasceu nos gabinetes políticos ou organizações da sociedade civil. O chamado veio das comunidades ribeirinhas diante de cheias extremas, principalmente em Porteirinha entre 2021 e 2022, que afetaram uma parcela significativa da população urbana.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A expectativa era discutir rotas de fuga para situações de enchentes. Mas a resposta da população foi outra: não queremos fugir do rio, queremos cuidar da saúde do rio para continuar vivendo às suas margens”, relembra o representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Porteirinha, José Marcos Oliveira Flores, o “Zé Marcos”, sobre a mobilização para tratar os eventos com a população. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33224" aria-describedby="caption-attachment-33224" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33224" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33224" class="wp-caption-text">A mobilização pelo Rio Mosquito busca colocar o rio em pé de igualdade com o ser humano. Foto: Vitória Bartholo/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi desse processo de escuta e mobilização popular que surgiu a proposta de reconhecer o Rio Mosquito como sujeito de direitos, transformando a relação das comunidades e do poder público com o rio. A bacia do Mosquito sofre com assoreamentos, degradação das matas ciliares, extração de areia e lançamento de esgoto doméstico em diversos trechos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Rio Mosquito sujeito de direito foi uma chamada de atenção para a população local de que o rio é vivo e merece respeito, assim como os cidadãos. A proposta é colocar o rio em pé de igualdade com o ser humano”, explica Zé Marcos.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem vive às margens do Rio Mosquito, a defesa de seus direitos também está ligada à memória e à possibilidade de voltar a usufruir plenamente de suas águas. Ribeirinho da região de Curral de Varas em Porteirinha, Ailton Nunes da Silva acompanha há décadas as transformações do rio. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu lembro da minha infância. A gente ia para o rio, nossas mães lavavam roupa e vasilha, a gente tomava banho e ainda levava água para beber. Era uma água totalmente limpa. Mas, infelizmente, com a intervenção do ser humano, trouxe problemas para a saúde do rio”, relata Ailton .</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, a degradação ambiental e os episódios de enchentes reforçaram a necessidade de mobilização das comunidades. Hoje, Ailton afirma que as ações de recuperação já começam a trazer resultados e renovam as expectativas dos moradores.</span></p>
<figure id="attachment_33225" aria-describedby="caption-attachment-33225" style="width: 416px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33225" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0.jpg" alt="" width="416" height="555" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0-225x300.jpg 225w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0-768x1024.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0-1152x1536.jpg 1152w" sizes="(max-width: 416px) 100vw, 416px" /><figcaption id="caption-attachment-33225" class="wp-caption-text">Crianças de uma escola da região participam de um dia de campo plantando mudas de árvores às margens do rio em uma mobilização da Campanha. Foto: Acervo STR de Porteirinha</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Chegou uma época em que nós já tínhamos até desistido dessa luta. Hoje, o que a gente tem é esperança. Já vemos algumas melhoras e sabemos que, com o trabalho que está sendo feito, com as leis que foram criadas e os apoios recebidos, o rio vai melhorar muito mais”, destaca.</span></p></blockquote>
<p><b>Campanha Todos pelo Rio Mosquito</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa pela saúde do rio ganhou força com a Campanha Todos pelo Rio Mosquito, construída a partir da articulação entre organizações sociais, associações comunitárias, sindicatos, comunidades ribeirinhas e poder público. Em 2024, essa rede foi fortalecida com a aprovação de um projeto do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Porteirinha no </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ppp-ecos-vai-apoiar-nove-projetos-na-caatinga-e-no-cerrado/"><span style="font-weight: 400;">edital 37</span><span style="font-weight: 400;">*</span> </a><span style="font-weight: 400;">do Fundo Ecos/ISPN, voltado ao apoio de ações em rede.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apoio possibilitou ampliar a mobilização social, incidência política, educação ambiental e recuperação da bacia hidrográfica. Também contribuiu para consolidar espaços coletivos de participação, que mais tarde deram origem aos Comitês Guardiões do Rio Mosquito, responsáveis por acompanhar e defender os direitos do rio nos municípios da bacia.</span></p>
<p><b>Para além das leis</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estima-se que mais de 32 mil pessoas sejam beneficiadas de forma direta ou indireta pelas ações do projeto do Fundo Ecos, somando os três municípios que participam da campanha. Os impactos estão na segurança hídrica, pois parte significativa da população recebe água captada e tratada do Mosquito, mas também estão relacionados à redução dos riscos de enchentes e alagamentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apoio do Fundo Ecos, comunidades da bacia do Rio Mosquito desenvolveram ações de recuperação ambiental, como a construção de barraginhas, a limpeza e o desassoreamento de trechos do rio, além da proteção e recuperação de áreas de mata ciliar. Já houve a redução de mais de 80% dos riscos de inundações e alagamentos em áreas de Porteirinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais resultados são percebidos pelas comunidades locais, ampliando a adesão à campanha. Durante as grandes cheias de fevereiro de 2026, menos impactos negativos foram registrados em Porteirinha, apesar da ocorrência ter tido um volume de água semelhante ao dos anos anteriores.</span></p>
<figure id="attachment_33226" aria-describedby="caption-attachment-33226" style="width: 396px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33226" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf.jpg" alt="" width="396" height="419" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf-283x300.jpg 283w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf-967x1024.jpg 967w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf-768x813.jpg 768w" sizes="(max-width: 396px) 100vw, 396px" /><figcaption id="caption-attachment-33226" class="wp-caption-text">Construção de barraginhas foi uma das tecnologias usadas para captar a água das enxurradas da chuva e amenizar o fluxo para o rio. Foto: Acervo STR de Porteirinha</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro resultado considerado estratégico para a continuidade das ações é a criação dos Fundos Municipais vinculados ao rio. Os recursos são geridos pelos Comitês Guardiões dos municípios e destinados a iniciativas de recuperação e conservação, garantindo condições para o trabalho das comunidades nos próximos anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a lavradora Maria Aparecida de Jesus Batista, moradora da comunidade Gangorra em Porteirinha e integrante do Comitê Guardião do Rio Mosquito, os resultados das ações já podem ser percebidos por quem vive às margens do rio. Ela compara o processo de recuperação da bacia a uma cura coletiva.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando a gente viu o rio na situação que estava e hoje vê como está, é uma alegria muito grande. Aquilo que foi tirado de dentro do rio é igual fazer uma cirurgia em uma pessoa: tira a doença e ela renasce de novo”, afirma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maria também destaca a importância do envolvimento das novas gerações no processo de recuperação ambiental. “Eu acho que estamos plantando uma esperança para quem está chegando. Se não fosse esse trabalho, o rio poderia morrer. Hoje, a gente vê que ele está sobrevivendo”, completa.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">E a continuidade da história do Rio Mosquito com o Fundo Ecos segue com a aprovação de mais um projeto no </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-divulga-projetos-selecionados-no-edital-45/"><span style="font-weight: 400;">edital 45</span></a><span style="font-weight: 400;"> deste ano, para ampliar a escala de atuação da campanha e de suas ações. Essa nova etapa vai atingir um novo rio: o Sítio Novo, que é afluente do Mosquito, com a expansão da campanha para o município de Riacho dos Machados na proposta do cuidado da saúde do rio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cientista ambiental e analista socioambiental do ISPN, Matheus Costa acompanha a implementação do projeto e ressalta que toda a mobilização para a garantia dos direitos da natureza, como observamos no caso do Rio Mosquito, só é possível por meio do comprometimento da sociedade. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O reconhecimento do Rio Mosquito como sujeito de direitos demonstra que a mobilização social pode gerar transformações concretas para os territórios. Quando as comunidades assumem o protagonismo da conservação ambiental, os resultados ultrapassam a proteção de um rio e passam a beneficiar toda a sociedade”, conclui o analista.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33227" aria-describedby="caption-attachment-33227" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33227" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1.jpg" alt="" width="1600" height="1200" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1.jpg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-1536x1152.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-33227" class="wp-caption-text">A mobilização nas comunidades foi essencial para a aprovação das leis. Mais comunidades têm aderido a campanha Todos pelo Rio Mosquito com a incidência de quem faz parte. Foto: Acervo STR de Porteirinha</figcaption></figure>
<p><em><span style="font-weight: 400;">*O 37º Edital do Fundo Ecos foi lançado em 2024 e destinou recursos para apoiar nove projetos em rede focados no desenvolvimento rural sustentável e conservação dos biomas Cerrado e Caatinga. Esses projetos estão no contexto da Sétima Fase Operacional do Small Grants Programme no Brasil (SGP), apoiada com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e implementada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</span></em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Confira os principais destaques da participação do ISPN no XII Sapis e VII Elapis</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/confira-os-principais-destaques-da-participacao-do-ispn-no-xii-sapis-e-vii-elapis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 16:09:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[O XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e o VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis) foram realizados na Universidade de Brasília, de 18 a 22 de maio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) marcou presença no XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e no VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis), que neste ano teve como tema central: Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e a paz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação do ISPN nesses debates buscou ampliar a visibilidade dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais como protagonistas históricos e contemporâneos no cuidado de áreas protegidas. Além disso, apresentou projetos e articulações em rede que ajudam a demonstrar o papel dos povos indígenas e tradicionais na conservação da biodiversidade, por meio da proteção de seus territórios.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Visibilidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tema constantemente debatido ao longo de toda a programação desta edição do Sapis/Elapis, realizada de 18 a 22 de maio em Brasília (DF), foi a relevância das demandas territoriais e estratégias de gestão ambiental protagonizadas pelos povos tradicionais no país</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, o ISPN, IPAM, Ministério Público Federal e Instituto Cerrados promoveram uma sessão temática sobre a importância do automapeamento dos territórios “Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida”. Além de discutir desafios conjunturais na defesa dos territórios tradicionais, a sessão contou com relato de algumas experiências de mapeamento na Ilha do Marajó (PA) e no sul do Maranhão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Muitas das comunidades identificadas não estavam no mapa. Ao realizar o trabalho e começar a olhar as imagens pelo satélite, as comunidades se deram conta de várias ameaças das quais não estavam cientes. Em um dos casos, observaram que a fazenda vizinha tinha avançado suas cercas sobre o território, inclusive sobre uma área considerada sagrada”, relata Lidiane Vilhena, integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA).</span></p>
<figure id="attachment_33196" aria-describedby="caption-attachment-33196" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33196 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena.png" alt="Lidiane Vilhena, Integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA), na Maloca (UnB), onde ocorreu a sessão temática Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33196" class="wp-caption-text">Lidiane Vilhena, Integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA), na Maloca (UnB), onde ocorreu a sessão temática Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na avaliação de Lidiane, o trabalho com o aplicativo Tô no Mapa possibilitou um diálogo intergeracional ao envolver os griôs (</span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/80302-grio"><span style="font-weight: 400;">contadores de histórias, que guardam as memórias de seu povo, mantendo vivas as tradições e a ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">) e os jovens. “Eu pude me dar conta da dimensão do meu território, que é muito maior do que a parte que eu transitava e conhecia. Quando um território é mapeado por quem vive nele, a informação vira ferramenta de transformação, articulação e pertencimento”.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ainda conforme Lidiane, a partir do relatório gerado pelo Tô no Mapa, a Malungu, Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará, conseguiu acelerar o processo de certificação da comunidade quilombola de Boa Esperança, pela Fundação Palmares, processo que antes estava engavetado.</span></p>
<p><b>Políticas públicas</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A presidenta da Associação Quilombola de Macacos, Brejim e Curupá, Raimunda Ribeiro, também participou da sessão temática e relatou que o mapeamento do Tô no Mapa trouxe, além da visibilidade, avanços em políticas públicas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“De posse do seu mapeamento e do relatório gerado pelo aplicativo, a comunidade demandou a instalação de pontos de inclusão digital do Programa Justiça para Todos, voltado para comunidades quilombolas do Maranhão, e de placas de energia solar para todas as famílias do Território. Ambas foram atendidas”, destaca Raimunda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o Relato de Experiência, a presidenta da Associação Camponês (ACA), Raimunda Francisca Paz, explicou que um dos objetivos da comunidade ao aderir o Tô no Mapa é buscar a implementação de políticas públicas, especialmente a regularização fundiária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A partir desse banco de dados, nós já conseguimos mapear quantas comunidades estão em situação de conflito, quantas já têm um desmatamento grande, e quantas já têm processos [jurídicos] iniciados”, detalhou.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_33198" aria-describedby="caption-attachment-33198" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33198" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz.jpg" alt="Raimunda Francisca Paz, presidenta da Associação Camponês (ACA), durante o relato de experiência no XII Sapis VII Elapis. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33198" class="wp-caption-text">Raimunda Francisca Paz, presidenta da Associação Camponês (ACA), durante o relato de experiência no XII Sapis VII Elapis. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Multiplicadores</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN promoveu junto com o Ministério Público e o IPAM o Minicurso </span><a href="https://territoriostradicionais.mpf.mp.br/#/"><span style="font-weight: 400;">Plataforma de Territórios Tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Tô No Mapa, que apresentou aos participantes essas duas ferramentas fundamentais para a visibilidade e proteção dos territórios tradicionais no Brasil. O objetivo desta atividade foi o de capacitar os integrantes do curso para que possam prestar apoio ao cadastramento de territórios tradicionais e atuarem como multiplicadores em seus territórios. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O analista socioambiental do ISPN, André de Oliveira Moraes, explicou aos participantes a importância de registrar a comunidade em todas as plataformas disponíveis. “A experiência nos conta que, mesmo indígenas e quilombolas que têm seus territórios titulados, não há garantia de muita coisa, então a gente recomenda que quanto mais salvaguarda territorial, melhor. Então, faça o CAR PCT [Cadastros Ambiental Rural de Povos e Comunidades Tradicionais], cadastre na Plataforma e no Tô no Mapa, se cerque de todas as ferramentas possíveis”.</span></p>
<figure id="attachment_33207" aria-describedby="caption-attachment-33207" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33207" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira.png" alt="André de Oliveira Moraes, analista socioambiental do ISPN, no minicurso Plataforma de Territórios Tradicionais e Tô no Mapa" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33207" class="wp-caption-text">André de Oliveira Moraes, analista socioambiental do ISPN, no minicurso Plataforma de Territórios Tradicionais e Tô no Mapa</figcaption></figure>
<p><b>Protagonismo dos povos na agenda do clima</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesa redonda Territórios Tradicionais: regulamentações e implementação de sistema nacional, interações com países latino-americanos e relações com CDB e a Meta 3, o ISPN contextualizou a situação brasileira de ausência de conhecimento reconhecimento formal de territórios coletivos de comunidades tradicionais e sobre a importância desses territórios para a conservação ambiental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desafios atuais incluem enfrentar as ameaças aos Territórios Tradicionais, como a grilagem verde e os impactos de grandes empreendimentos, e dar mais visibilidade às comunidades e à contribuição ambiental delas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“É importante que possamos concretizar o direito de consulta livre, prévia e informada. Um dos gargalos de não concretizar isso é porque os territórios não estão no mapa.”, afirma a coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33201" aria-describedby="caption-attachment-33201" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33201" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33201" class="wp-caption-text">Isabel Figueiredo, coordenadora do programa Cerrado do ISPN, fala na Mesa Redonda<br />Territórios Tradicionais: regulamentações e implementação de sistema nacional, interações com países latino-americanos e relações com CDB e a Meta 3. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Floresta+ Amazônia</b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Na Roda de Conversa </span><i><span style="font-weight: 400;">Empoderamento feminino na gestão de territórios coletivos tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">três mulheres foram convidadas para compartilhar suas histórias: Elisângela Conceição, liderança ribeirinha da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Uatumã (AM), Natália Alves, liderança do Quilombo Cariongo, e Marina Cíntia Guajajara, membra da Associação Nairuy-Taw e liderança da TI Arariboia (MA).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Esse <a href="https://ispn.org.br/noticia/mulheres-indigenas-lideram-projeto-de-restauracao-e-seguranca-alimentar-no-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">projeto Floresta+</a> nos ensinou bastante, nos ensinou a questão da união, do trabalho coletivo e, principalmente, na questão do apoio da mulher para outra mulher”, enumera Marina Guajajara. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A liderança indígena ressalta que essa coletividade não só ajudou a gerar renda para mulheres, mas também se tornou um espaço de acolhimento, principalmente para aquelas que saíam pouco de casa. “Teve um momento em que algumas mulheres estavam com problemas no relacionamento. Trabalhar na coletividade, estar naquele grupo, tirou elas de um momento em que elas estavam na fase de ansiedade, de quase depressão”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto coordenado por Marina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Guajajara: Proteção da Floresta e dos Saberes</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve como objetivo fortalecer a contribuição da mulher no processo de conservação e proteção de todas as formas de vidas e das ancestralidades do povo Guajajara, além de recuperar áreas degradadas da cabeceira do rio Buriticupu.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Cerca de 70% dos projetos apoiados na Modalidade Floresta+ Comunidades apresentam relação direta com a temática de gênero. Na iniciativa coordenada por Marina, as mulheres receberam orientações e executaram atividades como oficinas de gestão de projetos, instalação de galinheiros orgânicos, construção de canteiros de mudas, implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), formações em medicinas tradicionais e arte indígena.</span><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Executada com parceria do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e apoio do Projeto Floresta+ Amazônia, a iniciativa tem financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund – GCF).</span></p>
<figure id="attachment_33202" aria-describedby="caption-attachment-33202" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33202" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino.jpg" alt="tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33202" class="wp-caption-text">Participantes da Roda de Conversa Empoderamento feminino na gestão de territórios coletivos tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Mosaicos de Áreas Protegidas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN esteve presente em diversos debates sobre os Mosaicos de Áreas Protegidas como estratégia central para a gestão territorial integrada no Brasil, articulando conservação da sociobiodiversidade, inclusão social e fortalecimento das políticas públicas, especialmente abordando a importância das Terras Indígenas nessa política, que ganhou impulso com o reconhecimento do <a href="https://ispn.org.br/noticia/formalizacao-do-mosaico-gurupi-reforca-protagonismo-indigena-na-agenda-climatica/" target="_blank" rel="noopener">Mosaico Gurupi</a>, na Amazônia maranhense e leste do Pará, em julho de 2025 e no qual exerce sua Secretaria Executiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Previstos no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), os mosaicos operam na integração entre unidades de conservação, territórios indígenas, quilombolas e outras áreas protegidas, promovendo governança participativa e abordagens sistêmicas da paisagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Grupo de Trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">Gestão Socioambiental Integrada e Democracia: arranjos de governança em áreas protegidas e mosaicos no Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, reuniu mosaicos da Mata Atlântica, Amazônia e propostas de criação de mosaicos no Cerrado e debateu o papel preponderante aliança entre povos indígenas, quilombolas e tradicionais com a academia e instituições de governo na constituição de mosaicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Roda de Conversa </span><i><span style="font-weight: 400;">Governança Socioambiental em Áreas Protegidas: experiências institucionais e fatores críticos em diferentes biomas, </span></i><span style="font-weight: 400;">organizada por instituições-membro da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o ISPN pôde levar à discussão as inovações do Mosaico Gurupi em termos de governança no campo da gestão integrada de áreas protegidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o Evento Paralelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional, </span></i><span style="font-weight: 400;">organizado pela Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas do Brasil (REMAP), foi importante momento para abordarmos o panorama atual e perspectivas futuras para a inserção qualificada de Terras Indígenas em mosaicos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">“Defendemos que a inclusão de terras indígenas  em mosaicos não pode ter só um objetivo pragmático, uma formalidade para atender uma política em específico, mas  uma construção qualificada, que leve com muita seriedade os modos de vida e de   gestão do território dos povos indígenas, bem como os devidos processos de consulta, de tomadas de decisão e de produção de entendimentos coletivos em torno da ideia”, pondera o coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para João Guilherme, é preciso que o processo de discussão também calibre expectativas e aponte potencialidades, “mosaico não vai resolver todas as questões territoriais e ambientais. É mais uma ferramenta de gestão, com uma especificidade importante, uma vez que abre a possibilidade de articular a gestão territorial em rede, a partir da colaboração entre áreas protegidas&#8221;, concluiu.</span></p>
<figure id="attachment_33203" aria-describedby="caption-attachment-33203" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33203" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos.jpg" alt="João Guilherme Nunes Cruz, coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, no evento paralelo Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33203" class="wp-caption-text">João Guilherme Nunes Cruz, coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, no evento paralelo Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Saiba mais sobre os povos e comunidades tradicionais</b> <span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais possuem formas próprias de organização social, ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. Empregam conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos de geração em geração e contribuem para a conservação da biodiversidade brasileira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os povos indígenas e quilombolas, respectivamente, têm reconhecimento de seus territórios assegurados pelos </span><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#cfart231"><span style="font-weight: 400;">artigos 231</span><span style="font-weight: 400;">, da Constituição Federal</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.mds.gov.br/webarquivos/legislacao/seguranca_alimentar/_doc/leis/1988/Constituicao%20Federal%20de%201988%20-%20Titulo%20X%20-%20Art%2068.pdf"><span style="font-weight: 400;">68, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os demais grupos ainda lutam por instrumentos legais de reconhecimento de seus territórios. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O Estado Brasileiro reconhece </span><a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais"><span style="font-weight: 400;">28 segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses grupos representam a garantia de proteção das florestas e a regulação do clima, o respeito à biodiversidade e a manutenção da vida globalmente.</span></p>
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