Você já pensou uma rede de mosaicos de áreas protegidas? Sim, ela existe. E é viva, orgânica; formada por organizações da sociedade civil, dos setores públicos e dos setores privados. Conecta ideias, iniciativas e pessoas com o mesmo propósito:  conservação da biodiversidade, valorização da sociodiversidade e promoção do bem-estar e qualidade de vida. Esta é a Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas (Remap), que atualmente congrega representações de 16 mosaicos de diversos biomas brasileiros.

Os Mosaicos têm por definição a gestão integrada das Áreas Protegidas, de modo que potencialize a conservação dessas áreas, assegurando a participação cidadã, a otimização de recursos, o ganho de escala das ações e a indução de políticas públicas voltadas à conservação ambiental e promoção de meios de vida sustentáveis dos territórios.

Os Mosaicos também possibilitam o diálogo entre sociedade civil organizada, academia, governos e setor produtivo para que, juntos, todos possam pensar em soluções para os problemas e potencialidades dos territórios. Eles podem contribuir com os processos decisórios e participativos das Áreas Protegidas, bem como com povos indígenas e comunidades tradicionais na construção de redes colaborativas para a gestão ambiental e territorial, de modo integrado e mais eficiente.

Com o propósito de fortalecimento dos mosaicos de áreas protegidas em todo o país, a Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas (Remap) organizou a segunda edição do Workshop Nacional de Mosaicos de Áreas Protegidas entre os dias 11 a 13 deste mês em Brasília – DF. O evento contou com a representação de 16 dos 29 Mosaicos reconhecidos oficialmente, além de três  propostas de Mosaicos que, apesar de ainda não serem oficiais, já atuam no sentido da gestão compartilhada de áreas protegidas.

O ISPN, enquanto associado da Remap, participou do Workshop e apresentou as ações que vêm desenvolvendo – em conjunto com uma série de outras organizações -, no intuito de consolidar um mosaico de áreas protegidas no norte do Maranhão – o Mosaico Gurupi. O Mosaico Gurupi reúne diversos atores e instituições de seis territórios indígenas e comunidades tradicionais, além de universidades e institutos de pesquisa do Maranhão e instituições de governo. O ISPN atualmente é responsável pela Secretaria Executiva do Mosaico Gurupi.

A atividade reuniu cerca de 100 pessoas, incluindo representantes de organizações socioambientalistas, de comunidades e do poder público. Entre as instituições presentes, estavam o Ministério do Meio Ambiente (MMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/MMA), Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas e o Instituto de Desenvolvimento

Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio). As instituições presentes se comprometeram, dentro de suas reais possibilidades, em fortalecer a Remap e as agendas positivas propostas pelos Mosaicos.

Para o membro da Remap, Marcos Pinheiro, o encontro foi muito positivo e atingiu seus objetivos iniciais. “Conseguimos fazer o intercâmbio de 15 experiências exitosas que ajudaram a inspirar os Mosaicos no desenvolvimento de diferentes temas de gestão integrada, além de recarregar as baterias para enfrentar nossos desafios”, afirma.

“Esses espaços nos fortalecem enquanto organização dentro de uma rede importante que atua como fomentadora da gestão integrada de territórios protegidos, estratégia de suma relevância para a proteção da biodiversidade e para a valorização dos meios de vida de povos indígenas e comunidades tradicionais, que dependem quase que integralmente dos benefícios que o meio ambiente lhes proporciona. Com essa experiência, podemos também contribuir com a articulação dos povos indígenas e comunidades tradicionais do Maranhão nas suas estratégias de gestão ambiental, desenvolvimento sustentável e conservação dos seus territórios”, ressaltou o coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz.

O workshop resultou na publicação da “Carta ParlaMundi DF”. O documento reforça a importância dos Mosaicos para a conservação da natureza brasileira e evidencia a compatibilidade entre esse instrumento de gestão e o desenvolvimento regional.  Clique aqui para ler a carta na íntegra.

Mosaico Gurupi – É composto pelas Terras Indígenas Alto Rio Guamá, Alto Turiaçu, Carú, Awá, Rio Pindaré, Araribóia – envolvendo os povos indígenas Tembé, Ka’apor, Guajajara e Awá-Guajá -, além da Reserva Biológica do Gurupi.

Sua governança está organizada por meio de um Conselho, no qual além do ISPN, fazem parte a Associação Maynumy da Terra Indígena Rio Pindaré, Associação Wirazu da Terra Indígena Caru, Associação Ka’apor Ta Hury, Associação Bom Jesus, Coordenação de Comissão de Caciques e Lideranças Indígenas da Terra Indígena Araribóia (Coccalitia), Povo Indígena Awá, ICMBio, Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão (Sema-MA), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflorbio-PA), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Instituto Federal de Educação do Maranhão (IFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Museu Paraense Emílio Goeldi, Polícia Federal, Batalhão da Polícia Ambiental e Conselho Indigenista Missionário (Cimi).