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	<title>Arquivos vacarianos - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivos vacarianos - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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		<title>Territórios de vida: gente, produção e meio ambiente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[camila@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Nov 2024 20:56:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Na segunda reportagem da série especial sobre os 30 anos do Fundo Ecos, apresentamos a importância dos territórios para a manutenção dos meios de vida e da produção sustentável No início dos anos 1990, o ISPN entendeu que populações tradicionais, indígenas, quilombolas e agricultores familiares tendem a conservar seus territórios por meio de seus modos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><i>Na segunda reportagem da série especial sobre os 30 anos do Fundo Ecos, apresentamos a importância dos territórios para a manutenção dos meios de vida e da produção sustentável</i></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No início dos anos 1990, o ISPN entendeu que populações tradicionais, indígenas, quilombolas e agricultores familiares tendem a conservar seus territórios por meio de seus modos de vida – fruto da forte conexão com a terra nos lugares que habitam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A saída ou retirada de comunidades dos territórios, em busca de uma certa &#8220;preservação&#8221; do meio ambiente, por outro lado, é uma forma de tornar os ecossistemas mais vulneráveis a invasões, grilagens e desmatamentos, além de gerar violência e conflitos com as populações originárias e locais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As comunidades tradicionais e os povos indígenas, por conta de seus modos de vida, protegem os territórios contra o avanço do desmatamento, ao mesmo tempo que a organização dessas comunidades leva ao fortalecimento da governança do território, gerando aumento na produção, na renda e na permanência no campo”, destaca Lívia Moura, geógrafa e assessora técnica do ISPN. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Naquele momento, o desafio do ISPN, e de outras organizações da sociedade civil brasileira, era o de apoiar comunidades com recursos para que pudessem permanecer nos territórios e gerar renda, executando projetos de extrativismo sustentável, comercialização de frutos da sociobiodiversidade, instalação de agroindústrias comunitárias, entre outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Isso poderia gerar benefícios econômicos, além de ambientais – como uma fonte de renda para comunidades que poderiam comercializar o açaí, a castanha e outros produtos da sociobiodiversidade&#8221;, detalha o sociólogo e um dos fundadores do Instituto, Donald Sawyer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criado em 1990, o Instituto surgiu com apoio financeiro da Fundação MacArthur para conduzir pesquisas sobre uma sociedade que passava por mudanças e para defender e estimular as políticas ambientais. O contexto político brasileiro era de retomada de um modelo democrático, após a Ditadura Militar, e a pauta socioambiental havia tido grande importância na elaboração da Constituição Federal de 1988.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A  Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ECO-92, ecoava o protesto da sociedade civil organizada em busca de recursos para implementar projetos, até então concentrados nos governos. O Fundo Global para o Meio Ambiente, ou GEF, na sigla em inglês, havia sido criado um ano antes, em 1991, como iniciativa de cooperação entre os países. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1994, o ISPN foi selecionado pelo GEF para executar o Small Grants Programme (SGP), traduzido para Programa de Pequenos Projetos, no Brasil, por meio da parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apoiar comunidades camponesas, sobretudo no Cerrado, se tornou a missão institucional do ISPN e a tarefa primordial do PPP, sigla que batizou o programa em português. Nos últimos 30 anos, o conceito em torno deste trabalho se transformou em grandes iniciativas e projetos, dando luz ao Fundo Ecos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto mais detalhado dessa história foi explicado na primeira </span><b>reportagem especial sobre os 30 anos do Fundo Ecos</b><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://ispn.org.br/como-o-baru-ganhou-o-mundo-e-o-que-o-fundo-ecos-tem-a-ver-com-isso/"><span style="font-weight: 400;">Leia aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><b>Os Fechos de Pasto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eldo Barreto, morador da comunidade da Praia, no município de Correntina (BA), e membro da Associação Comunitária dos Pequenos Criadores do Fecho de Pasto de Clemente, afirma que “por muito tempo, a gente ficou invisível, e invisibilizar nosso modo de vida ajudava no aumento do desmatamento e envenenamento do nosso território”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A associação recebeu apoio do Fundo Ecos, do ISPN, pela primeira vez em 2013, por meio do projeto “Fortalecimento das comunidades tradicionais de Fechos de Pastos e do manejo e uso sustentável da sociobiodiversidade do Cerrado”. Desde então, outros três projetos da associação foram executados junto ao Instituto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechos de pasto são comunidades camponesas tradicionais que agregam em seu modo secular de produção e de vida o uso de terras comunais, coletivas, chamados de “fecho” ou “gerais”, para criação de gado bovino e extrativismo de plantas medicinais e alimentícias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elas são legalmente amparadas pela Constituição Federal de 1988, na Convenção nº 169 da OIT, no Decreto Federal nº 6.040/07, no art. 178 da Constituição do Estado da Bahia e na Lei Estadual nº 12.910/13, dentre outras legislações.</span></p>
<figure id="attachment_25923" aria-describedby="caption-attachment-25923" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-25923 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-9.jpg" alt="" width="748" height="561" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-9.jpg 748w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-9-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 748px) 100vw, 748px" /><figcaption id="caption-attachment-25923" class="wp-caption-text">Grupo reunido em torno de Eldo Barreto, fecheiro de pasto e membro na Associação Fecho de Clemente. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eldo explica que o povo fecheiro está no território do oeste baiano há mais de 300 anos. “A partir da década de 1970, com o avanço do agronegócio e expansão de fazendas no Cerrado, nosso território foi grilado”, protestou, acrescentando que a população local foi empurrada para menores porções de terra. Hoje, os fechos de pasto somam 150 mil hectares no oeste baiano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Comparado com o que tínhamos no início do século XX, hoje sobraram apenas cerca de 3% do nosso território”, aponta o fecheiro. Segundo ele, as grandes empresas que chegaram na região envenenaram o território, exploraram jovens, violentaram as comunidades e derrubaram parte do Cerrado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das regiões mais ameaçadas do Cerrado, o oeste baiano ainda abriga muitas comunidades fecheiras, que resistem às margens do rio Arrojado, dentre outros rios caudalosos. </span></p>
<figure id="attachment_25927" aria-describedby="caption-attachment-25927" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-25927 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-7.jpg" alt="" width="1600" height="1066" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-7.jpg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-7-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-7-1024x682.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-7-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-7-1536x1023.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-25927" class="wp-caption-text">Uma das regiões mais ameaçadas do Cerrado é banhada pelo Rio Arrojado, que abastece as comunidades tradicionais no oeste baiano. Foto: Raisa Pina/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os fechos são as áreas nativas do Cerrado para onde o gado é levado uma parte do ano. Alguns exemplos de fechos na região são: Fecho de Clemente, Fecho do Bonito de Baixo, Fecho do Bonito de Cima, Busca Vida, Caititu, Bonsucesso e Capão das Antas, Fecho dos Morrinhos, Fecho do Brejo Verde, Fecho do Morrinhos a Entre Morros e Gado Bravo, Fecho da Vereda do Rancho e Fecho de Tarto. Nem sempre as comunidades e locais de moradia estão localizados dentro dos fechos, e em algumas situações os fecheiros percorrem vários quilômetros para chegar nos fechos. </span></p>
<p><b>TICCAs no Brasil </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O terceiro projeto executado com o Fundo Ecos na região, em 2021, apoiou as comunidades com foco em fortalecer a governança de nove comunidades de Fechos de Pastos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apoio faz parte de uma série de dois editais do Fundo Ecos, entre 2020 e 2023, dedicados ao </span><a href="https://ispn.org.br/voce-sabe-o-que-sao-ticcas-entenda-como-funciona-esse-reconhecimento-de-territorios-tradicionais/"><span style="font-weight: 400;">conceito de Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs)</span></a><span style="font-weight: 400;">. A iniciativa recebeu apoio financeiro do Governo da Alemanha (BMU) e suporte do PNUD para territórios onde as populações tinham ligações profundas, forte governança e implementavam práticas de conservação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fruto dessa experiência do Fundo Ecos, então PPP-ECOS, com o TICCAs, nasceu  a publicação </span><a href="https://ispn.org.br/fortalecimento-de-areas-conservadas-por-comunidades-ticcas-no-brasil-a-experiencia-do-ppp-ecos/"><span style="font-weight: 400;">Fortalecimento de áreas conservadas por comunidades (TICCAS) no Brasil – A experiência do PPP-ECOS</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A proteção territorial é essencial para a manutenção da imensa diversidade cultural do Brasil, mas também porque [comunidades do Cerrado] protegem a vegetação nativa, gerando a provisão de serviços ecossistêmicos essenciais para toda a sociedade&#8221;, comenta a ecóloga e uma das autoras do material, Isabel Figueiredo, que coordena o Programa Cerrado do ISPN.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os serviços ecossistêmicos são benefícios gerados pelos ecossistemas, em termos de manutenção, recuperação ou melhoria das condições ambientais, refletindo diretamente na qualidade de vida das pessoas. Como exemplo, a produção de água, a manutenção da biodiversidade, a transferência de energia, a ciclagem de nutrientes e a regulação climática. </span></p>
<figure id="attachment_25941" aria-describedby="caption-attachment-25941" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-25941 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1.png" alt="" width="1080" height="1080" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1.png 1080w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1-300x300.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1-1024x1024.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1-150x150.png 150w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1-768x768.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /><figcaption id="caption-attachment-25941" class="wp-caption-text">Territórios de vida são aqueles em que habitam comunidades e grupos de pessoas que têm forte conexão com o local. Ilustração: Estúdio Anemona/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A denominação TICCAs se assemelha com a definição brasileira de territórios de povos e comunidades tradicionais estabelecida pelo </span><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm"><span style="font-weight: 400;">Decreto 6.040/2007</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas é usada em discussões internacionais para se referir a territórios indígenas e comunitários conservados e os seus papéis fundamentais para a conservação da biodiversidade.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas áreas e territórios também são conhecidos como territórios de vida, onde vivem comunidades e grupos de pessoas que possuem forte conexão com o local. “Sem o território não tem gente, não tem produção e não tem meio ambiente”, resume a assessora técnica do ISPN, Lívia Moura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, com o apoio do Governo da Alemanha/PNUD, o ISPN organizou uma oficina em Brasília para apoiar na dinamização do debate sobre como os povos e comunidades poderiam se beneficiar com o registro. O encontrou contou com a presença de instituições públicas e privadas e representantes de populações indígenas e tradicionais participaram. Neste mesmo ano, as coletas sistematizadas da oficina e o conhecimento de especialistas resultaram na publicação </span><a href="https://ispn.org.br/ticcas-analise-da-situacao-legal-e-da-implementacao-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">“</span><b>TICCAs: Análise da Situação Legal e da Implementação no Brasil”</b></a><b>, </b><span style="font-weight: 400;">elaborada por Cláudio C.Maretti e Juliana F. Simões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também nesse contexto estão os editais TICCAs, promovidos pelo Fundo Ecos. Os projetos selecionados no chamamento buscaram soluções diversas para o fortalecimento da governança comunitária de povos e comunidades tradicionais  no Cerrado e suas áreas de transição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na iniciativa executada pela Associação Fecho de Clemente, o manejo de áreas coletivas com práticas tradicionais preventivas – por exemplo, por meio do manejo integrado do fogo –, foi um eixo importante de atuação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Conseguimos promover ações de combate a incêndio discutindo o tema na comunidade. Esse processo fortaleceu a identidade das pessoas com os territórios, culminando inclusive na construção de duas novas associações”, explica Eldo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fecheiro conta, ainda, que as mais de três mil famílias envolvidas puderam entender o fecho não apenas como um território coletivo mas também como um local com diversidade de modos de vida, de lazer e cultura. As nascentes também foram mapeadas com o apoio do projeto: existem 72 em nove territórios fecheiros do oeste baiano. </span></p>
<figure id="attachment_25921" aria-describedby="caption-attachment-25921" style="width: 1162px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25921 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-8.jpg" alt="" width="1162" height="778" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-8.jpg 1162w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-8-300x201.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-8-1024x686.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-8-768x514.jpg 768w" sizes="(max-width: 1162px) 100vw, 1162px" /><figcaption id="caption-attachment-25921" class="wp-caption-text">Fechos de pasto são comunidades camponesas que agregam em seu modo de produção e de vida o uso coletivo de terras. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><b>Fortalecimento da governança </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Povos indígenas e comunidades tradicionais se valem do direito à consulta livre, prévia e informada, estabelecida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), para garantir a proteção do território contra intervenção externa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles devem ser consultados sempre que medidas administrativas ou legislativas possam afetá-los diretamente. A própria legislação brasileira reconhece a convenção, que foi ratificada pelo Congresso em 2002. Apesar disso, nem sempre a consulta é respeitada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, para fortalecer a governança de seus territórios, alguns documentos podem ser adicionados ao processo como medida de segurança, como termos de compromisso, protocolos de consulta e planos de gestão territorial e ambiental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O protocolo de consulta é um dos instrumentos de consulta livre, prévia e informada, que procura atender as prerrogativas da Convenção 169 da OIT. Ele reúne os modos e os fluxos de tomada de decisão de povos para os seus territórios em relação a fatores que os impactam positiva ou negativamente, de ações internas ou externas. É um documento importante. Tem como função resguardar os direitos dos povos e evitar atropelos de ações, projetos ou até políticas que os afetem diretamente, sem que sejam ouvidos ou respeitados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O protocolo de consulta funciona como um verdadeiro mapa de governança, ou seja, indica de que forma um povo toma decisões importantes para o seu território e sua população, tendo como referência seus próprios mecanismos e modos de vida”, explica João Guilherme Cruz, coordenador do Programa Povos Indígenas, do ISPN.</span></p>
<figure id="attachment_25929" aria-describedby="caption-attachment-25929" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25929 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-6.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-6.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-6-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-6-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-6-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption id="caption-attachment-25929" class="wp-caption-text">Os vacarianos, no Norte de Minas, são povos que mantêm uma relação forte com o rio Vacarias. Foto: Valdir Dias/CAA</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No caso das comunidades Vacarianas, assim autodenominadas pela relação com o rio Vacarias, no alto-médio do curso hídrico, altura do norte de Minas, eles criaram um mapa do território que comprova a área onde estão estabelecidos. &#8220;Antes, o desrespeito com o território, com queimadas e poluição era muito grande&#8221;, explica dona Olívia Ferreira, liderança comunitária que acompanhou o processo de mapeamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atividade foi feita com apoio do </span><a href="https://fundoecos.org.br/proponente/centro-de-agricultura-alternativa-do-norte-de-minas/"><span style="font-weight: 400;">Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas</span></a><span style="font-weight: 400;"> (CAA), no âmbito do projeto Reconhecimento e Proteção do Território Tradicional Vacariano nos vales do Rio Vacaria e Peixe Bravo (MG), selecionado no 30o edital Fundo Ecos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A gente tá correndo atrás do nosso rio Vacarias, na luta por reconhecimento. Antes a gente não tinha tanto entendimento de que o rio devia ser mais conservado. Hoje o povo está mais consciente e não tem mais desmatamento na beira do rio&#8221;, acrescenta a vacariana. </span></p>
<figure id="attachment_25931" aria-describedby="caption-attachment-25931" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25931 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-5.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-5.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-5-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-5-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-5-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption id="caption-attachment-25931" class="wp-caption-text">Dona Olívia, liderança comunitária do norte de Minas, é reconhecida como vacariana “com orgulho”. Foto: Valdir Dias/CAA</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Olívia, depois da finalização do projeto, as pessoas das comunidades compreenderam melhor seus direitos e a importância da luta, e o território se tornou mais fortalecido contra a mineração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já entre o povo Karajá, TI do Parque Indígena do Araguaia, na Ilha do Bananal (TO), se vale do etnoturismo para geração de renda e também para valorizar a cultura indigena Karajá. O objetivo final: fortalecer a governança e proteção do território. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apoio do Fundo Ecos, após a pandemia da Covid-19, a Casa de Cultura Karajá, em São Félix do Araguaia (MT), realizou um projeto de estruturação da atividade turística na terra indígena. O técnico responsável, Samuel Karajá, morador da aldeia Kuryala, explica que o projeto contou com capacitações para condutores indígenas, como &#8220;guias turísticos&#8221; e construiu um galpão para acolher um espaço de acampamento para receber turistas, com estrutura de cozinha. </span></p>
<figure id="attachment_25919" aria-describedby="caption-attachment-25919" style="width: 1165px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25919 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-4.jpg" alt="" width="1165" height="777" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-4.jpg 1165w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-4-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-4-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-4-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1165px) 100vw, 1165px" /><figcaption id="caption-attachment-25919" class="wp-caption-text">Casa de Cultura Karajá, em São Félix do Araguaia (MT), é proponente em projeto turístico para fortalecimento da gestão territorial. Foto: Reprodução</figcaption></figure>
<figure id="attachment_25933" aria-describedby="caption-attachment-25933" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25933 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-3.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-3.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-3-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-3-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-3-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption id="caption-attachment-25933" class="wp-caption-text">Capacitação de membros da comunidade Karajá para fins etnoturísticos foi uma das ações de projeto com apoio Fundo Ecos. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Operadora de Turismo Karajá também é fruto do projeto e trabalha entre cinco aldeias da TI, banhadas pelo rio Araguaia. &#8220;Estamos abertos para receber outros povos para se capacitarem&#8221;, avisa Samuel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele diz que em janeiro deste ano a Casa de Cultura entregou o plano de visitação nas aldeias junto à Funai para poder entrar em operação de forma legal, um documento obrigatório para atividades de visitação com fins turísticos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O prazo para retorno do órgão federal, segundo a lei, deveria ser de 30 dias. &#8220;Enquanto a gente aguarda, vai trabalhando com o que está pendente.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia, quando a documentação for regularizada, é promover atividades turísticas planejadas, como trilhas, safáris, banhos de rio e acampamentos nas praias. Samuel, no entanto, pondera: &#8220;a expectativa é muito grande, mas como a gente vai lidar com essa nova atividade, o benefício da geração de renda, ainda não temos como medir&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O técnico aponta que o projeto contribuiu com a união do território. &#8220;A gente está mais junto, as aldeias entenderam a importância de estar mais junto&#8221;, declarou, acrescentando que a valorização da cultura e do meio ambiente, a abertura de caminhos para buscar mais recursos e novas parcerias, o conhecimento de outras iniciativas de turismo, também foram consequências positivas desse processo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ainda tem muita coisa pra fazer, pra trabalhar a favor do clima. Tá muito quente pra todo mundo, queimando muito a Ilha do Bananal&#8221;, lamentou Samuel. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_25935" aria-describedby="caption-attachment-25935" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25935 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2.jpg" alt="" width="1600" height="1200" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2.jpg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-2-1536x1152.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-25935" class="wp-caption-text">Rio Araguaia é um atrativo para o etnoturismo na TI Parque Indígena do Araguaia. Foto: Reprodução</figcaption></figure>
<p><b>Hastes douradas de proteção </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As hastes douradas do capim dourado são fontes de renda para muitas famílias que moram perto do Parque Estadual do Jalapão e da Estação Ecológica Serra Geral, no Tocantins. Embora não seja apenas neste estado que a espécie ocorre, é lá que a confecção e comercialização do artesanato se popularizou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na comunidade Mumbuca, localizada no município de Mateiros, a atividade já é uma tradição há mais de 70 anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O extrativismo da planta é uma forma de conservar o bioma, com geração de emprego e renda. Mas para isso, há que se observar limites para um manejo sustentável ou “racional” que proteja a espécie. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O capim dourado é um tipo de “Sempre-viva” que ocorre em campos úmidos próximos a veredas, sendo ainda nativo do Cerrado.  Sempre-viva é o nome popular para várias espécies de plantas que, após colhidas e secas, conseguem resistir ao tempo sem perder a coloração ou estragar. </span></p>
<figure id="attachment_25937" aria-describedby="caption-attachment-25937" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25937 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed.jpg" alt="" width="1600" height="1065" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed.jpg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1024x682.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-768x511.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2024/11/unnamed-1536x1022.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-25937" class="wp-caption-text">Campo de capim dourado antes da colheita espalhado por uma paisagem de Cerrado. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2004, o então PPP, atual Fundo Ecos, apoiou a pesquisa “Estudos para Uso Sustentável do Capim Dourado e dos Campos Úmidos no Jalapão”, realizadas em parceria com a Comunidade da Mumbuca, desde agosto de 2003, pela organização Pesquisa e Conservação do Cerrado (PEQUI) e pela Diretoria de Florestas do Ibama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Buscando desenvolver técnicas para a conservação e o manejo sustentável do capim dourado, por meio da observação do efeito da colheita, o estudo concluiu que a colheita das comunidades locais realizadas nos períodos tradicionais não afeta negativamente as plantas, chegando a uma melhor compreensão do ciclo da planta: floração, produção e dispersão de sementes. O efeito do fogo sobre a espécie também foi estudado, e os resultados todos foram apresentados para associações de artesãos da região. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O material pesquisado serviu de base, em 2024, para o órgão ambiental do Tocantins, o Naturatins, que editou uma portaria regulamentando o período e a forma da coleta do capim dourado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado também foi apresentado na cartilha </span><a href="https://ispn.org.br/capim-dourado-e-buriti-boas-praticas-de-manejo-para-o-extrativismo-sustentavel/"><span style="font-weight: 400;">“Capim dourado e Buriti – Práticas para garantir a sustentabilidade do artesanato”</span></a><span style="font-weight: 400;">, que orientou o termo de compromisso, ou protocolo de coleta, garantindo uma coesão entre os desejos das comunidades envolvidas, extrativistas da planta, e o consequente fortalecimento da governança comunitária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cartilha do capim dourado é apenas uma das dezenas de publicações construídas pela equipe do ISPN e organizações parceiras, com apoio do Fundo Ecos, para sistematizar e disseminar boas práticas de manejo de espécies.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia da pesquisa e dos produtos foi fortalecer a comercialização dos produtos da sociobiodiversidade, neste caso com destaque ao artesanato de capim dourado, por meio de redes e do apoio a pequenos projetos. Finalmente atingindo o objetivo prioritário: a conservação dos recursos naturais nos territórios e a melhoria da renda e da qualidade de vida das comunidades camponesas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, como as três décadas de Fundo Ecos já demonstraram, sem território não há gente, produção ou meio ambiente.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Texto por Camila Araujo, assessora de Comunicação do ISPN </span></i></p>
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