<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Correntina - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
	<atom:link href="https://ispn.org.br/tag/correntina/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://ispn.org.br/tag/correntina/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Thu, 28 Aug 2025 21:39:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/09/cropped-ispn-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Correntina - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
	<link>https://ispn.org.br/tag/correntina/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Como comunidades de fecho de pasto conservam o Cerrado no oeste baiano</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/como-comunidades-de-fecho-de-pasto-conservam-o-cerrado-no-oeste-baiano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[camila@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 13:26:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<category><![CDATA[Cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades fecheiras]]></category>
		<category><![CDATA[Correntina]]></category>
		<category><![CDATA[fecho de pasto]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://novo.ispn.org.br/?p=26969</guid>

					<description><![CDATA[Há 300 anos vivendo no bioma, modo de vida fecheiro envolve a criação de gado para subsistência e a proteção da vegetação nativa Uso de terras coletivas, criação de gado, produção de alimentos agroecológicos, extrativismo de plantas medicinais e alimentícias. Essas são algumas das características que definem o modo de vida das comunidades de fecho [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><i>Há 300 anos vivendo no bioma, modo de vida fecheiro envolve a criação de gado para subsistência e a proteção da vegetação nativa</i></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uso de terras coletivas, criação de gado, produção de alimentos agroecológicos, extrativismo de plantas medicinais e alimentícias. Essas são algumas das características que definem o modo de vida das comunidades de fecho de pasto, que vivem </span><a href="https://ispn.org.br/comunidades-tradicionais-de-fecho-de-pasto-e-seu-modo-proprio-de-convivencia-com-o-cerrado-historia-direitos-e-desafios/"><span style="font-weight: 400;">há pelo menos 300 anos em harmonia com o Cerrado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no oeste da Bahia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da luta pelo fortalecimento e proteção desses territórios de uso coletivo, Elizete Barreto, do Fecho de Pasto de Clemente, destaca que o território é uma herança ancestral, com recursos naturais que pertencem “a toda a humanidade”, tal como a água que nasce ali e tem papel importante no abastecimento da cidade de Correntina (BA) e do rio São Francisco. Esse é um dos motivos pelo qual o território precisa ser protegido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Essas comunidades de fecho são guardiãs dos territórios que abrigam o Cerrado”, afirma Elizete, que mora na comunidade Praia, no município de Correntina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O modo de vida das comunidades de Fundo e Fecho de Pasto é marcado pela harmonia na convivência com o Cerrado. A população fecheira desenvolveu um sistema de criação de gado em que parte do ano ele fica solto nas áreas de uso coletivo, chamadas de “Gerais” pelas famílias camponesas, se alimentando do capim agreste (espécies de gramíneas nativas do Cerrado). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra parte do ano, o gado é trazido para próximo das moradias onde se alimenta de pasto plantado, permitindo que o pasto nativo se recupere até a próxima estação. O período da solta do gado acontece em dois momentos, baseado no regime de chuvas. </span><span style="font-weight: 400;">O gado é solto por volta de outubro, quando costuma chover. Os animais se alimentam do cerrado enquanto o capim exótico plantado cresce nas roças. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois, é trazido de volta para a comunidade perto do feriado do Natal e se alimenta ali até fevereiro ou março. Uma segunda solta é realizada para que o pasto nas áreas cultivadas possa brotar de novo. Em maio, o gado volta para as áreas cultivadas, quando já há comida suficiente produzida para enfrentar a seca.</span></p>
<figure id="attachment_30923" aria-describedby="caption-attachment-30923" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30923" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-39-1-1.jpg" alt="" width="1080" height="720" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-39-1-1.jpg 1080w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-39-1-1-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-39-1-1-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-39-1-1-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /><figcaption id="caption-attachment-30923" class="wp-caption-text">Criação de gado para subsistência é atividade comum entre comunidades de fecho de pasto (Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A alternância ocorre para garantir que haja pastagem nativa ou cultivada o ano inteiro, sendo que os fechos de pasto, onde ocorrem a soltura do gado, ficam distantes de 10 a 80 km das comunidades onde vivem as famílias criadoras e camponesas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns exemplos de Fechos na região de Correntina são o Fecho de Clemente, Fecho do Bonito de Baixo, Fecho do Bonito de Cima, Busca Vida, Caititu, Bonsucesso e Capão das Antas, Fecho dos Morrinhos, Fecho do Brejo Verde, Fecho do Morrinhos a Entre Morros e Gado Bravo, Fecho da Vereda do Rancho e Fecho de Tarto. Cada fecho é o território de uso coletivo de um grupo de famílias, sendo que a maioria dos grupos está organizada em associações. </span></p>
<figure id="attachment_30925" aria-describedby="caption-attachment-30925" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30925" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240523_fellipeabreu_ispn_158920-scaled-2.jpg" alt="" width="2048" height="1150" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240523_fellipeabreu_ispn_158920-scaled-2.jpg 2048w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240523_fellipeabreu_ispn_158920-scaled-2-300x168.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240523_fellipeabreu_ispn_158920-scaled-2-1024x575.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240523_fellipeabreu_ispn_158920-scaled-2-768x431.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240523_fellipeabreu_ispn_158920-scaled-2-1536x863.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /><figcaption id="caption-attachment-30925" class="wp-caption-text">Local em que o rio Corrente despeja suas águas no rio São Francisco. Os vales dos rios Arrojado, Correntina, Formoso, afluentes do Corrente, são morada de muitas comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, e o avanço desenfreado do agronegócio ameaça suas inúmeras nascentes, rios e riachos (Foto: Fellipe Abreu /Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As comunidades tradicionais que resistem no território também fazem uso do extrativismo de frutos nativos, como o pequi, o buriti, o puçá, a cagaita e a mangaba, e do mel. Estão sendo produzidos cerca de 120 litros de mel por ano a partir de 20 caixas de abelhas. Para essas famílias, o Cerrado é a farmácia, onde coletam sementes de sucupira, amburana, entrecasca do ipê, seiva de copaíba, folhas de cagaita e inúmeros outros remédios ancestrais eficazes para curar um sem-número de doenças. Também coletam madeira e palha para construção de estruturas diversas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais recentemente, as comunidades perceberam que com a redução das chuvas, as veredas estavam secando. Para evitar que o pisoteio do gado agrave a situação, passaram a  realizar o cercamento de nascentes e de veredas, hoje são mais de 82 nascentes protegidas dentro de 10 fechos de pasto. Também passaram a realizar mutirões de plantio de sementes e mudas para recuperar trechos das veredas queimados por incêndios. Só em 2023, foram plantadas quase 3 mil mudas e 600 kg de sementes de plantas nativas do Cerrado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“É uma relação harmoniosa e recíproca com o meio ambiente. Eles conservam e em retorno têm uma vida mais sustentável, com animais mais saudáveis, garantia de frutos e água em abundância nos rios. O modo de vida dessas famílias vem contribuindo para que recursos hídricos sigam existindo. Esse povo sempre utilizou a terra sem a supressão do Cerrado. É retirado dali o remédio, as plantas medicinais, os frutos nativos e a solta dos animais”, explica Julita Abreu, coordenadora na Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Centro Oeste da Bahia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prevenção a incêndios também é uma preocupação na região. No pastoreio do gado, os fecheiros monitoram as áreas para identificar possíveis focos de calor. Também realizam aceiros como método de manejo – são faixas de terra que são limpas e servem como barreira natural para impedir a propagação de incêndios florestais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma Brigada Comunitária voluntária foi formada nos últimos anos composta por mais de 250 fecheiros e fecheiras que monitoram diariamente pelo menos 50.000 hectares de áreas coletivas. A área protegida pela brigada é usada por mais de 1.500 famílias (6.000 pessoas). Desde que começaram a atuar em 2019, já promoveram mais de 70 ações de combate a incêndios, fizeram mais de 12 atividades de intercâmbio e 130 cursos de formação, e mantêm anualmente 98 km de aceiros nos fechos de pasto.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A parceria com o ICMBio, Prevfogo/IBAMA e Brivac (Brigada Voluntária Ambiental de Cavalcante) permitiu que os brigadistas recebessem treinamento para trabalhar com o Manejo Integrado do Fogo (MIF) na região. Projetos gerenciados pelas associações e apoiados pelo Fundo Ecos, Fundo Casa e DGM [Dedicated Grant Mechanism for Indigenous Peoples and Local Communities] contribuíram para equipar e capacitar as brigadas voluntárias e comunitárias nos últimos 10 anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Marco Antônio de Souza, morador da comunidade de Bonito de Cima, “cuidar e conservar o fecho é como cuidar de uma das maiores riquezas que o criador nos deu”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Tudo que estamos fazendo aqui é para garantir o que o agronegócio não faz: cuidar. O agronegócio só destrói. E ninguém produz tanta água quanto os fecheiros… alguém vai dizer que não dá pra plantar água, mas dá para conservar. Não dá pra plantar, mas dá pra colher”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As comunidades dos Vale do Arrojado, Formoso e Correntina dependem da água para plantar arroz, feijão, mandioca, milho, gergelim, banana, hortaliças, cana e capim de ração. No entorno das comunidades, as famílias plantam roças usando a água dos córregos e dos rios para irrigar. Por mais de uma centena de anos, os canais, chamados de </span><i><span style="font-weight: 400;">regos</span></i><span style="font-weight: 400;">, permitiram o uso das águas dos riachos na irrigação dos quintais, aguando as fruteiras, dando de beber aos animais de pequeno porte e viabilizando a vida nesses locais. De 2019 para cá, grande parte dos </span><i><span style="font-weight: 400;">regos </span></i><span style="font-weight: 400;">secou pela primeira vez em cem anos, e as mais de 6 mil famílias que os usam foram prejudicadas. Dia após o outro, eles também assistem o rio Arrojado secar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter reduzido nos últimos anos, devido à diminuição da disponibilidade de água e da pressão do agronegócio, a produção das comunidades fecheiras segue abundante. A feira da agricultura familiar de Correntina é famosa pela profusão de produtos como tapioca, farinha de mandioca, biscoitos diversos, açucar, rapadura, cachaça, queijo, mel, feijão, arroz, cheiro verde, verduras diversas e frutos do Cerrado da época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eugênio Moreira, da comunidade Caixeiro, fecheiro em Bonito de Baixo, se preocupa com o avanço do agronegócio sobre o território. “Hoje a especulação é muito forte em cima da gente, querendo tomar nosso território. A gente está muito recuado, com pouca natureza e meio ambiente. E nós estamos nessa luta para proteger o Cerrado em pé.”</span></p>
<figure id="attachment_30928" aria-describedby="caption-attachment-30928" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30928" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240519_fellipeabreu_ispn_159744-scaled-2.jpg" alt="" width="2048" height="1366" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240519_fellipeabreu_ispn_159744-scaled-2.jpg 2048w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240519_fellipeabreu_ispn_159744-scaled-2-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240519_fellipeabreu_ispn_159744-scaled-2-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240519_fellipeabreu_ispn_159744-scaled-2-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240519_fellipeabreu_ispn_159744-scaled-2-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /><figcaption id="caption-attachment-30928" class="wp-caption-text">Sinalização de supressão de vegetação em uma fazenda na zona rural de Correntina (BA), local que era domínio das comunidades tradicionais até os anos 1990 (Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Morador da comunidade fecheira de Vereda Grande, também em Correntina, Rivaildo Souza diz que a luta da população do território é pela defesa do meio ambiente. “Nós lutamos por nossas nascentes, já que uma parte delas já morreu e a outra não tem nem 70% de chance de vida”, afirma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A região do oeste da Bahia vivencia mudanças significativas no ecossistema desde a década de 1970, momento em que o avanço da “fronteira” agrícola tornou Correntina um dos principais municípios produtores de monocultivo – </span><a href="https://app.uff.br/riuff/bitstream/handle/1/16176/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20FINAL%20Bianca%20Suzy%20dos%20Reis%20dos%20Santos.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y"><span style="font-weight: 400;">sobretudo soja e milho</span></a><span style="font-weight: 400;">. O cenário foi propício para a expansão do agronegócio por conta de incentivos de crédito agrícola oferecidos pelo governo, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2015, a região passou a ser considerada pela mesma Embrapa como parte da fronteira agrícola do MATOPIBA, onde a produção de commodities é o carro-chefe. As condições topográficas e hidrológicas da região favorecem a produção de grãos em escala industrial para exportação: com sistemas  de irrigação, piscinões, canais e perfuração de poços profundos, os empreendimentos do agronegócio ali estabelecidos conseguem retirar água do subsolo e garantir a água para fazer crescer os seus monocultivos, num contexto de condições climáticas cada vez mais incertas, geradas inclusive pelo desmatamento conduzido pelo próprio setor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque o Cerrado, bioma predominante na região, é considerado uma floresta subterrânea, com árvores que possuem raízes profundas, maiores até do que a própria copa. Essas raízes ajudam na absorção da água da chuva e na reposição dos aquíferos, que são reservas subterrâneas de água – o que faz o Cerrado ser considerado o coração das águas do Brasil e do continente sul-americano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O problema é que o desenvolvimento vislumbrado pelo agronegócio desrespeita  os modos de vida tradicionais dos camponeses e ribeirinhos da Bacia do Rio Corrente. O conflito é desencadeado pelo uso predatório da água e pela apropriação indevida dos territórios de uso coletivo para que se tornem lavouras, ou mesmo Reservas Legais das enormes fazendas que já desmataram a totalidade de suas áreas”, argumenta Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado, do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ecóloga explica ainda que as práticas intensivas da agropecuária “compactam o solo, diminuindo a sua capacidade de repor as águas dos aquíferos”. “Além disso, está havendo uma ampliação da área irrigada, aumentando ainda mais a pressão pela água superficial, e, mais que tudo, subterrânea, um bem que deveria ser de toda a sociedade.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As comunidades tradicionais avaliam que hoje se mantém somente 3% das terras originalmente ocupadas pelos fecheiros. “O resto já foi grilado e hoje é área de desmatamento, de envenenamento de água, de seca nos rios e riachos e violência contra as nossas comunidades. Tem sido um momento difícil nesse Vale do Arrojado”, lamenta Eldo Moreira, também do Fecho de Pasto de Clemente. Antes das alterações na paisagem, as extensões de terra onde se criava o gado alcançavam a divisa com os Estados de Goiás e Minas Gerais.</span></p>
<figure id="attachment_30936" aria-describedby="caption-attachment-30936" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30936" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240520_fellipeabreu_ispn_158893-scaled-2.jpg" alt="" width="2048" height="1150" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240520_fellipeabreu_ispn_158893-scaled-2.jpg 2048w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240520_fellipeabreu_ispn_158893-scaled-2-300x168.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240520_fellipeabreu_ispn_158893-scaled-2-1024x575.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240520_fellipeabreu_ispn_158893-scaled-2-768x431.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/06/20240520_fellipeabreu_ispn_158893-scaled-2-1536x863.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /><figcaption id="caption-attachment-30936" class="wp-caption-text">Plantio de commodities em área desmatada pelo agronegócio em contraste com o Cerrado conservado no território de uso tradicional das comunidades de fecho de pasto em Correntina (Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No último dia 19 de maio, um novo episódio de violência e intimidação foi registrado na região. Segundo relato do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), oito viaturas policiais invadiram os territórios das comunidades de Brejo Verde e Aparecida do Oeste, arrombando casas sem mandado judicial. Três dias antes, dois camponeses de Brejo Verde foram presos no Rio de Janeiro, em viagem de férias. Até o fechamento da matéria seguiam presos, ainda no Rio de Janeiro, completando mais de 10 dias. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Caderno de Conflitos no Campo de 2023, publicado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), aponta Correntina como o município com o maior número de conflitos agrários na Bahia. Nos últimos anos, a violência no campo tem se intensificado: de 2017 a 2023, o número de conflitos saltou 121% em relação ao período de 1985 a 2016, totalizando 132 casos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Saiba mais em: </span><a href="https://ispn.org.br/comunidades-tradicionais-no-oeste-da-bahia-enfrentam-criminalizacao-e-violencia/"><span style="font-weight: 400;">Comunidades tradicionais no Oeste da Bahia enfrentam criminalização e violência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Texto por Assessoria de Comunicação do ISPN/Camila Araujo com contribuições de Isabel Figueiredo.</span></i></p>
<p>Reportagem <a href="https://oeco.org.br/reportagens/como-comunidades-de-fecho-de-pasto-conservam-o-cerrado-no-oeste-baiano/">reproduzida no site do veículo ((o)) eco</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunidades tradicionais no Oeste da Bahia enfrentam criminalização e violência</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/comunidades-tradicionais-no-oeste-da-bahia-enfrentam-criminalizacao-e-violencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[camila@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 May 2025 20:43:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<category><![CDATA[Cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[Correntina]]></category>
		<category><![CDATA[fundo de pasto]]></category>
		<category><![CDATA[grileiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://novo.ispn.org.br/?p=26913</guid>

					<description><![CDATA[Dois integrantes da comunidade Brejo Verde, no município de Correntina (BA), foram presos de forma arbitrária durante viagem à lazer no Rio de Janeiro. ISPN expressa preocupação e alerta para a escalada de violência e violação de direitos humanos e territoriais no oeste baiano  Dois integrantes da comunidade tradicional de Fundo e Fecho de Pasto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><i>Dois integrantes da comunidade Brejo Verde, no município de Correntina (BA), foram presos de forma arbitrária durante viagem à lazer no Rio de Janeiro. ISPN expressa preocupação e alerta para a escalada de violência e violação de direitos humanos e territoriais no oeste baiano </i></strong></p>
<p>Dois integrantes da comunidade tradicional de Fundo e Fecho de Pasto de Brejo Verde – Solange Moreira Barreto e Silva, camponesa, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e agente comunitária de saúde, e seu esposo Vanderlei Moreira e Silva, também camponês – foram presos de forma arbitrária no Rio de Janeiro, em 16 de maio, enquanto realizavam uma viagem de lazer planejada há anos. A informação é do MAB.</p>
<p>De acordo com o Movimento, a prisão ocorreu sem qualquer apresentação de mandado ou informação prévia sobre acusações, em evidente afronta ao direito de ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, assegurados na Constituição Federal.</p>
<figure id="attachment_30990" aria-describedby="caption-attachment-30990" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30990" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image4.jpg" alt="" width="1024" height="678" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image4.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image4-300x199.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image4-768x509.jpg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-30990" class="wp-caption-text">Vanderlei Moreira e Silva, camponês, foi detido de forma arbitrária ao lado da esposa Solange (Foto: Acervo CPT)</figcaption></figure>
<p>Paralelamente às prisões, intensificaram-se os ataques aos territórios tradicionais. Cerca de oito viaturas policiais invadiram os territórios das comunidades de Brejo Verde e Aparecida do Oeste, no dia 19 de maio, arrombaram casas sem mandado judicial e ameaçaram familiares dos fecheiros criminalizados, causando terror e violência psicológica.</p>
<p>O rancho – um abrigo de uso comunal – dos moradores de Brejo Verde, comunidade onde vivem Solange e Vanderlei, foi destruído, e seguranças armados foram vistos abrindo valetas e intimidando trabalhadores na região.</p>
<figure id="attachment_30992" aria-describedby="caption-attachment-30992" style="width: 1290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30992" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image1.jpg" alt="" width="1290" height="843" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image1.jpg 1290w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-300x196.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-1024x669.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-768x502.jpg 768w" sizes="(max-width: 1290px) 100vw, 1290px" /><figcaption id="caption-attachment-30992" class="wp-caption-text">Moradores do território Brejo Verde reunidos em rancho que foi destruído durante episódio de violência e intimidação contra a comunidade (Foto: Acervo CPT)</figcaption></figure>
<figure id="attachment_30994" aria-describedby="caption-attachment-30994" style="width: 1506px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30994" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image2.jpg" alt="" width="1506" height="1999" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image2.jpg 1506w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-226x300.jpg 226w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-771x1024.jpg 771w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-768x1019.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-1157x1536.jpg 1157w" sizes="(max-width: 1506px) 100vw, 1506px" /><figcaption id="caption-attachment-30994" class="wp-caption-text">O que sobrou do rancho da Comunidade Brejo Verde após destruição (Foto: Acervo CPT)</figcaption></figure>
<p>Esses fatos se somam a um histórico de conflitos agrários e grilagem de terras públicas envolvendo setores do agronegócio, com o uso recorrente de força e intimidação para expulsar comunidades de seus territórios de uso coletivo.</p>
<p>A violência institucional – pela polícia do estado da Bahia e do Judiciário – constitui outra forma de intimidação e de tentativa de criminalização das lutas por direitos territoriais dos povos tradicionais. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Correntina lidera o número de conflitos no campo na Bahia, com 132 registros entre 1985 e 2023 — número que vem crescendo drasticamente nos últimos dois anos.</p>
<p>Solange e Vanderlei são integrantes da Associação Comunitária de Preservação Ambiental dos Pequenos Criadores do Fecho de Pasto de Brejo Verde, Praia e Catolés, por meio da qual executaram o projeto “Fecho de pasto de Brejo Verde: fortalecimento de seu modo de vida”, selecionado no 36º edital Fundo Ecos, do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com financiamento do Small Grants Programme, do Fundo Global para o Meio Ambiente (SGP/GEF) e implementação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</p>
<figure id="attachment_30996" aria-describedby="caption-attachment-30996" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30996" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image5.png" alt="" width="1140" height="801" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image5.png 1140w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image5-300x211.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image5-1024x719.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/05/image5-768x540.png 768w" sizes="(max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /><figcaption id="caption-attachment-30996" class="wp-caption-text">Cartografia da comunidade de Brejo Verde (BA) mostra uso comunal e tradicional do território de fecho de pasto (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O ISPN se solidariza com as comunidades atingidas, com os movimentos sociais e organizações que atuam na defesa dos povos do campo, e alerta para o uso político da força estatal, em comunhão com grileiros, para reprimir comunidades tradicionais que lutam por seus territórios, modos de vida e direitos constitucionais.</p>
<p>Em coro com MAB e demais movimentos camponeses e populares, o ISPN exige:</p>
<ul>
<li>A liberdade imediata de Solange e Vanderlei;</li>
<li>A suspensão das ações policiais arbitrárias e o fim das ações de intimidação e violência nos territórios tradicionais;</li>
<li>A atuação urgente dos órgãos competentes para garantir a proteção das comunidades e a regularização fundiária dos territórios de Fundo e Fecho de Pasto;</li>
<li>A intervenção da Ouvidoria Agrária do Incra e do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários do MDA.</li>
</ul>
<p>O Brasil não pode seguir naturalizando a perseguição a defensoras e defensores de direitos humanos. A democracia exige respeito às comunidades tradicionais, à justiça e à dignidade humana.</p>
<p>Lutar por direitos não é crime!</p>
<p><em>Assessoria de Comunicação do ISPN</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projetos no oeste da Bahia recebem oficina sobre gestão, comunicação e prestação de contas</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/projetos-no-oeste-da-bahia-recebem-oficina-sobre-gestao-de-projetos-comunicacao-e-prestacao-de-contas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[camila@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jul 2023 12:06:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<category><![CDATA[cerrativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Correntina]]></category>
		<category><![CDATA[fechos de pasto]]></category>
		<category><![CDATA[GEF]]></category>
		<category><![CDATA[oeste baiano]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=20814</guid>

					<description><![CDATA[Encontro, no município de Correntina, contou com a participação de mais de 38 beneficiários de edital PPP-ECOS O ISPN realizou, entre os dias 20 e 21 de julho, uma Oficina Inicial de Planejamento e Gestão de Projetos Ecossociais em Correntina, no oeste da Bahia, região conhecida por grilagem e invasão de terras de comunidades tradicionais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Encontro, no município de Correntina, contou com a participação de mais de 38 beneficiários de edital PPP-ECOS</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN realizou, entre os dias 20 e 21 de julho, uma Oficina Inicial de Planejamento e Gestão de Projetos Ecossociais em Correntina, no oeste da Bahia, região conhecida por grilagem e invasão de terras de comunidades tradicionais de fechos de pasto e camponesas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estiveram presentes representantes de 12 iniciativas do oeste baiano contemplados no 36º Edital PPP-ECOS e o parceiro estratégico, a Associação Comunitária dos Pequenos Criadores do Fecho de Pasto de Clemente (ACCFC), selecionado pelo 34º Edital. Um total de 38 pessoas, sendo 28 mulheres, participaram da oficina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A gente se arriscou a escrever o projeto neste edital porque temos sonhos a serem concretizados e também para fortalecer a luta diária contra a violação dos nossos direitos”, explica Aliene Barbosa e Silva, de 43 anos, do povoado Aparecida do Oeste, zona rural de Correntina, e membro da Associação de Preservação Ambiental de Pequenos Criadores do Fecho de Pasto de Tarto – uma das beneficiadas no edital. </span></p>
<figure id="attachment_20831" aria-describedby="caption-attachment-20831" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20831 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7691.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7691.jpg 1920w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7691-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7691-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7691-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7691-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><figcaption id="caption-attachment-20831" class="wp-caption-text">Aurilene ao lado do fecheiro &#8220;Carreirinha&#8221; (Foto: Camila Araujo/Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atividade foi conduzida por assessoras técnicas do Programa Cerrado e Caatinga, do ISPN, contou com formação sobre Comunicação Comunitária, oferecida pela equipe de Comunicação, e sobre Prestação de Contas, com a equipe de assessoria administrativa e financeira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A Oficina trouxe orientações de boas práticas aos coordenadores e técnicos dos projetos selecionados para o melhor desenvolvimento das atividades propostas e para facilitar a prestação de contas dos projetos”, comenta a assessora Lívia Moura Carvalho. Para ela, o interesse e a participação ativa das mais de 35 pessoas presentes foi “imprescindível para o sucesso do encontro&#8221;.  </span></p>
<figure id="attachment_20819" aria-describedby="caption-attachment-20819" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20819 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7329.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7329.jpg 1920w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7329-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7329-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7329-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7329-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><figcaption id="caption-attachment-20819" class="wp-caption-text">Lívia Carvalho Moura é assessora técnica do Programa Cerrado e Caatinga do ISPN (Foto: Camila Araujo/Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A formação em Comunicação é um conhecimento estratégico constantemente demandado pelas organizações comunitárias, já que serve para fortalecer a presença pública no entorno e como ferramenta de denúncias e relacionamento com outros parceiros. Já a Prestação de Contas, é o momento em que os beneficiários tomam conhecimento das regras de gestão e tiram dúvidas sobre como proceder para a correta prestação de contas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elizete Carvalho Fagundes Barreto, 38 anos, moradora da Comunidade de Praia e membro da ACCFC, explica que a expectativa do projeto para ela é que “a paisagem se fortaleça em termos de organização e qualidade de vida para o território”. </span></p>
<figure id="attachment_20823" aria-describedby="caption-attachment-20823" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20823 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7740-rotated.jpg" alt="" width="1280" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7740-rotated.jpg 1280w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7740-200x300.jpg 200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7740-683x1024.jpg 683w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7740-768x1152.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7740-1024x1536.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><figcaption id="caption-attachment-20823" class="wp-caption-text">Elizete Barreto está a frente da Associação do Fecho de Clemente que é parceiro estratégico do ISPN no oeste baiano (Foto: Camila Araujo/Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parceiro estratégico do ISPN na paisagem do Oeste da Bahia, a ACCFC é responsável por um projeto que irá beneficiar mais de 1.500 famílias na região e por dar apoio e suporte às outras organizações na execução de seus projetos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elizete diz ainda que a oficina foi um momento de aprendizado importante para enriquecer o conhecimento dos envolvidos e trocar experiências. Ela também defende que o projeto pode ajudar no fortalecimento das comunidades e para que as pessoas possam se fixar mais aos territórios. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 17 anos, Maria Helloyza Magalhães, moradora da comunidade de Jatobá, entende a importância de aproximar e inserir jovens e mulheres nas tarefas da região. Por isso, estão previstas atividades para fortalecer a participação feminina e da juventude, como intercâmbios e formações, no projeto da Associação Comunitária de Defesa do Meio Ambiente dos Criadores do Fecho Morrinhos entre Morros Ribeirão a Gado Bravo. </span></p>
<figure id="attachment_20827" aria-describedby="caption-attachment-20827" style="width: 938px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20827 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7724-1.jpg" alt="" width="938" height="1280" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7724-1.jpg 938w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7724-1-220x300.jpg 220w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7724-1-750x1024.jpg 750w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7724-1-768x1048.jpg 768w" sizes="(max-width: 938px) 100vw, 938px" /><figcaption id="caption-attachment-20827" class="wp-caption-text">Maria Helloysa, 17 anos, moradora da comunidade Jatobá, defende a participação de jovens e mulheres nas associações comunitárias (Foto: Camila Araujo/Acervo ISPN)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A organização quer também cercar a nascente e a extensão do córrego Ribeirão, de 15 km, pertencente à área de 12 mil hectares do Fecho do Entre Morros. Maria Helloyza destaca que o objetivo do projeto se completa na totalidade de suas atividades e vai de encontro com “a defesa do Cerrado e do meio ambiente”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No município, mais de 18 mil habitantes – dos 31 mil – moram na região rural, ainda que cerca de três de quatro partes do município esteja na mão de 409 proprietários, segundo levantamento feito pelo estudo <a href="https://www1.ufrb.edu.br/ppgeducampo/docs/category/16-turma-2017?download=72:andreia-da-silva-neiva">“Educação, Lutas E Resistências: O Olhar do MAB frente às estratégias do Capital para a apropriação da água no território da bacia do rio Corrente”</a>, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisa, de Andréia Neiva, que participou do encontro e também é beneficiária deste edital do PPP-ECOS, foi publicada em formato de cartilha cujo título é “A Sede do Capital: grilagem das terras e águas no território da bacia do rio Corrente” e recebeu apoio do ISPN.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-20829 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7813-1.jpg" alt="" width="1872" height="1248" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7813-1.jpg 1872w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7813-1-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7813-1-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7813-1-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/07/IMG_7813-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1872px) 100vw, 1872px" /></p>
<h3><b>Cerrativistas</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliene Barbosa, da Associação do Fecho de Pasto de Tarto, é uma cerrativista. Ela foi formada pelo curso Cerrativismo no Oeste da Bahia. Em 2019, a cidade Correntina sediou a primeira edição do Projeto Cerrativistas, uma iniciativa para fortalecer o ativismo pelo Cerrado e qualificar a atuação de lideranças comunitárias e da sociedade civil organizada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A publicação <a href="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2021/10/Cerrativismo-experiencias-inspiradoras.pdf">“Cerrativismo: uma experiência inspiradora para formação de agentes de mudança”</a> foi um produto do encontro. Confira o material <a href="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2021/10/Cerrativismo-experiencias-inspiradoras.pdf">aqui</a>.  </span></p>
<h3><b>Sobre o edital </b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O</span><a href="https://ispn.org.br/fundo-ppp-ecos-investira-r4-milhoes-em-iniciativas-ecossociais-pela-conservacao-do-cerrado/"><span style="font-weight: 400;"> 36º Edital PPP-ECOS</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi publicado em 3 de fevereiro deste ano no âmbito da Sétima Fase Operacional do Small Grants Program (SGP) no Brasil, apoiado com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio dele, 22 iniciativas de conservação do Cerrado foram selecionadas, sendo 10 no Alto Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e 12 no Oeste da Bahia. Os 2 parceiros estratégicos, cada um em uma das regiões, foram selecionados pelo edital 34. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ver a lista de projetos selecionados, clique </span><a href="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2023/06/Lista-de-projetos-selecionados-no-36o-Edital-do-PPP-ECOS.pdf"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mulheres de luta e arte: as filhas do Rio Arrojado</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/mulheres-de-luta-e-arte-as-filhas-do-rio-arrojado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andreza Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2021 14:23:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[Conchita Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Correntina]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Oeste da Bahia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=11517</guid>

					<description><![CDATA[Em umas das regiões mais ameaçadas do Cerrado brasileiro, a arte se soma às vozes das mulheres que se movimentam para transformar um lugar Agricultoras, camponesas, nordestinas e “cerrativistas”. São essas mulheres, residentes e resistentes do Oeste da Bahia, que Conchita Silva, também defensora do bioma Cerrado, retrata em sua obra que homenageia a luta [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_11520" aria-describedby="caption-attachment-11520" style="width: 338px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-11520 size-medium" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/Conchita-texto-legivel.jpg" alt="" width="338" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/Conchita-texto-legivel.jpg 720w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/Conchita-texto-legivel-169x300.jpg 169w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/Conchita-texto-legivel-576x1024.jpg 576w" sizes="(max-width: 338px) 100vw, 338px" /><figcaption id="caption-attachment-11520" class="wp-caption-text">Xilogravura de Conchita Silva</figcaption></figure>
<h5 style="text-align: center;"><i>Em umas das regiões mais ameaçadas do Cerrado brasileiro, a arte se soma às vozes das mulheres que se movimentam para transformar um lugar</i></h5>
<p>Agricultoras, camponesas, nordestinas e “cerrativistas”. São essas mulheres, residentes e resistentes do Oeste da Bahia, que Conchita Silva, também defensora do bioma Cerrado, retrata em sua obra que homenageia a luta dessas protetoras da natureza. O Projeto “Gravando a Resistência: desde a década de 70, prefiro&#8230;” foi um dos contemplados pelo edital da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, da Prefeitura Municipal de Correntina, a 830 km de Salvador. Com o recurso conquistado, Conchita dará continuidade à visibilização das guardiãs dos saberes e culturas ancestrais.</p>
<p>“A coragem, a representatividade e a afirmação das múltiplas identidades dessas mulheres me estimularam a escutar e registrar quem são elas e contribuir, por meio da arte, para a visibilidade de seus papéis na luta e resistência dos territórios correntinenses com seus rostos e vozes gravados em xilogravuras”, conta Silva sobre o trabalho, composto por xilogravuras e artes de rua como cartazes e “lambe-lambes”.</p>
<figure id="attachment_11519" aria-describedby="caption-attachment-11519" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-11519" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.04-PM.jpeg" alt="" width="600" height="314" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.04-PM.jpeg 1032w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.04-PM-300x157.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.04-PM-1024x536.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.04-PM-768x402.jpeg 768w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-11519" class="wp-caption-text">Xilogravuras de Conchita Silva</figcaption></figure>
<p>Estudante de artes visuais e neta de geraizeiros, Conchita também diz que a inserção da palavra “prefiro” aconteceu por essa ser uma expressão muito manifestada pelas personagens. “Prefiro&#8230; Prefiro não morrer, mas prefiro morrer lutando” é uma das afirmações escritas em letras manuais na xilogravura que retrata a agricultora familiar do município de Correntina, Dona Ana, uma das personagens deste trabalho.</p>
<h5><b><i>A resistência vem das mulheres e da arte</i></b></h5>
<p>Correntina, localizada no Oeste da Bahia, é uma das regiões <a href="https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,desmatamento-do-cerrado-sobe-13-no-ano-e-tem-o-maior-valor-desde-2015,70003564768" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mais ameaçadas do Cerrado brasileiro</a>. Desde a chegada e expansão desenfreada do <a href="https://www.theguardian.com/environment/2020/nov/25/the-cerrado-how-brazils-vital-water-tank-went-from-forest-to-soy-fields" target="_blank" rel="noopener noreferrer">agronegócio na década de 70</a>, a região se viu envolvida em conflitos socioambientais, principalmente a violência contra a população local relacionada aos casos de grilagem de terras e à concentração de água voltada aos grandes empreendimentos. Segundo o portal de notícias Mongabay, com base no Diário Oficial, o <a href="https://brasil.mongabay.com/2020/12/cerrado-baiano-perdeu-quase-2-bilhoes-de-litros-de-agua-por-dia-para-o-agronegocio-na-pandemia/">Cerrado baiano perdeu quase 2 bilhões de litros de água por dia</a> para o agronegócio durante a pandemia da Covid-19.</p>
<figure id="attachment_11518" aria-describedby="caption-attachment-11518" style="width: 402px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-11518" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.03-PM.jpeg" alt="" width="402" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.03-PM.jpeg 857w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.03-PM-201x300.jpeg 201w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.03-PM-686x1024.jpeg 686w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-23-at-4.12.03-PM-768x1147.jpeg 768w" sizes="(max-width: 402px) 100vw, 402px" /><figcaption id="caption-attachment-11518" class="wp-caption-text">Ferramentas de criação de Conchita Silva</figcaption></figure>
<p>São centenas de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares que dependem da biodiversidade do Cerrado para sobreviverem na Bahia. São elas também que se articulam e protagonizam movimentos de luta em defesa de seus territórios e da conservação da biodiversidade e das águas. O Rio Arrojado é um forte exemplo. Um dos mais degradados pela ação das empresas, ele é símbolo de identidade para as comunidades geraizeiras, de fundo e fecho de pasto, quilombolas e tantas outras que aprenderam com seus ancestrais que para viver é preciso manter o Cerrado vivo.</p>
<p>Articuladas em movimentos e organizações, as populações do Oeste da Bahia já protagonizaram diversos levantes contra a ofensiva desordenada das grandes empresas produtoras de commodities. A “Revolta da Água” foi uma delas e conseguiu alcance na mídia nacional. No entanto, há quem seja importante nesses processos de luta, mas permaneça com suas vozes silenciadas. “Sempre escutamos que as mulheres são as mais atingidas, que são as que mais se articulam, mas, quando vamos ver, o protagonismo é sempre tomado pelos homens. Por isso quero trazer o olhar das mulheres, amplificar as vozes delas sobre a luta”, conta Conchita.</p>
<h5><b><i>As mulheres do Rio Arrojado</i></b></h5>
<p>Além de Dona Ana, outras camponesas e ribeirinhas ganham traços de xilogravura para contar suas histórias e de seu povo. “Aqui é todo mundo de paz, Ninguém quer guerra. Só queremos nossos rios preservados, só isso. Ninguém vai morrer de sede nas margens do Arrojado, ninguém!”, essa frase, que marcou a luta da população de Correntina, é da professora do meio rural Marinês, e se encontra com os traços cuidadosamente desenhados por Conchita.</p>
<p>A camponesa e mulher negra, como gosta politicamente de se descrever, Dona Nena, também ganha formas artísticas e sua luta e de seus filhos pelo Cerrado se reveste da tinta vinda da umburana. Nena passou dez anos lavando roupa no vale do Rio Arrojado e hoje, a agente de saúde também se considera uma defensora do Cerrado e das riquezas que o bioma traz para sua comunidade e sociedade.</p>
<p>Também recebe traços e poesias de luta no decalque de seu sorriso a geraizeira e ribeirinha Aliene. Diariamente, a correntinense luta em defesa da permanência de sua família em seu território para garantir que gerações futuras tenham o direito de existir com as águas e o Cerrado vivos. Junto com sua representação, pode-se ler o texto da poetisa e também moradora e filha do Cerrado, Jaqueline Honório: “E não permitiremos que esse grito seja esquecido. Não permitiremos que esse grito morra. Porque não permitiremos que o nosso povo morra.”</p>
<p>O trabalho de Conchita mostra que a luta das mulheres do oeste da Bahia traduz uma realidade que acompanha a trajetória do Brasil. Como não lembrar do legado da mineira Carolina Maria de Jesus ao ouvir as falas e conhecer a história das mulheres baianas? Dona Ana, dona Nena, Marinês e Aliene estão presentes nos quatro cantos brasileiros. São elas que estão em movimento para manter o Cerrado, a Amazônia, a Caatinga e todos os nossos biomas em pé. E são elas que merecem ter suas vozes ecoando país e mundo afora. Vozes que falam em defesa dos territórios conservados, da vida e de quem somos.</p>
<h4>Onde essa luta ganha força: Cerrativistas</h4>
<p><em>Conchita, Aliene e Dona Nena fazem parte do Projeto &#8220;Cerrativismo &#8211; formando pessoas e organizações para conservar o Cerrado na região Oeste da Bahia&#8221;, uma iniciativa do ISPN com a Agência 10envolvimento e a Associação de Advogados dos Trabalhadores Rurais (AATR). O projeto mapeou e juntou diversas lideranças de povos e comunidades tradicionais da região e  proporcionou forneceu ferramentas para fortalecer a atuação dessas lideranças, suas articulações e processos de luta pela conservação da savana brasileira e seus povos.proporcionou uma série de formações políticas, ambientais e sociais. Com o processo, as lideranças se empoderaram ainda mais para a defesa do Bioma e fortaleceram suas articulações e processos de luta pela conservação da savana brasileira.</em></p>
<p><em>O projetos dos Cerrativistas conta com o financiamento do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF/IEB) e tem ainda a participação de diversas associações e organizações do campo.</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
