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	<title>Arquivo de Cerrado - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivo de Cerrado - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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		<title>No Dia do Cerrado, campanha #VotePeloCerrado convoca eleitores a colocar o futuro do bioma no debate das eleições de 2026</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/no-dia-do-cerrado-campanha-votepelocerrado-convoca-eleitores-a-colocar-o-futuro-do-bioma-no-debate-das-eleicoes-de-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Kaxuyana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 13:37:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Iniciativa apresenta Carta-Compromisso com oito propostas para proteção das águas, dos territórios, da biodiversidade e dos direitos dos povos do Cerrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Brasília, 11 de setembro de 2026 –</b><span style="font-weight: 400;"> Se o Cerrado pudesse votar, o que ele escolheria? Água e biodiversidade protegidas. Territórios preservados. Agricultura familiar fortalecida. Sociobiodiversidade valorizada. Direitos garantidos aos povos e comunidades que vivem e cuidam desse território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A provocação marca o lançamento, nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, da campanha #VotePeloCerrado, uma mobilização da sociedade civil que busca levar o futuro do bioma e de seus povos para o centro do debate das eleições de 2026. A iniciativa apresenta uma Carta-Compromisso com o Cerrado e seus Povos, dirigida a candidatas e candidatos aos Poderes Executivo e Legislativo, nos âmbitos federal e estadual, com oito propostas para orientar programas de governo e atuação parlamentar.</span></p>
<p><b>Ativismo digital</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha convida eleitores a conhecerem os compromissos e as candidaturas que assumem o compromisso em defender os temas que definem o futuro do bioma no site próprio </span><a href="http://votepelocerrado.org.br"><span style="font-weight: 400;">votepelocerrado.org.br</span></a><span style="font-weight: 400;">. A decisão nas urnas se transforma em cobrança pública: quem assume a responsabilidade de proteger as águas, os territórios e a biodiversidade do Cerrado.  A própria Carta estabelece que candidatas e candidatos que a assinarem deverão se comprometer com um diálogo permanente com os povos do Cerrado, suas organizações, movimentos sociais e a sociedade civil, incorporando as propostas ao programa de governo e/ou à atuação parlamentar, com transparência e prestação de contas. </span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha é digital e a hashtag #VotePeloCerrado vai guiar as publicações no Instagram nos perfis de 6 organizações </span><a href="https://www.instagram.com/ispn_brasil/"><span style="font-weight: 400;">@ispn_brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/rede.cerrado/"> <span style="font-weight: 400;">@rede.cerrado</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/institutocerrados/"> <span style="font-weight: 400;">@institutocerrados</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/funatura/"> <span style="font-weight: 400;">@funatura</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/cptnacional/"> <span style="font-weight: 400;">@cptnacional</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/campanhacerrado/"> <span style="font-weight: 400;">@campanhacerrado</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;">, e conta com a adesão de influenciadores digitais que colocam sua voz para falar do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33640" aria-describedby="caption-attachment-33640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-33640" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1024x768.jpeg" alt="Colaboradores do ISPN posam com cartazes da campanha Vote Pelo Cerrado. Foto: Divulgação" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33640" class="wp-caption-text">Colaboradores do ISPN posam com cartazes da campanha Vote Pelo Cerrado. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><b>Emergência climática</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conservação do Cerrado é uma das maiores potências para o enfrentamento das crises climáticas, hídrica e energética do país. No entanto, estudos mostram que mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi destruída e os rios enfrentam 27% de redução na vazão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário coloca em jogo muito mais do que a conservação de um bioma. A destruição do Cerrado afeta a economia do Brasil pois o Cerrado é estratégico para o provimento de água, alimento, para a regulação do clima e manutenção da saúde . Por isso, a Carta-Compromisso afirma que a proteção do bioma é também uma questão de direitos humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O Cerrado é um bioma estratégico para o Brasil. Além de ser o coração das águas, 42% da produção agrícola nacional está aqui. No entanto, o ritmo da conversão do Cerrado em monocultivos está muito acelerado e ameaça a viabilidade da própria produção agrícola. Precisamos eleger parlamentares que compreendam essa importância e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, ressalta a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo.</span></p>
<p><b>Um bioma estratégico para o Brasil</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado é considerado o coração das águas do Brasil. Suas nascentes alimentam algumas das principais regiões hidrográficas do país, entre elas a do Amazonas, Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná/Paraguai. O bioma também abriga os aquíferos Urucuia, Bambuí e Guarani.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da importância hídrica e ambiental, o Cerrado é território de povos e comunidades tradicionais que historicamente protegem seus bens naturais e desenvolvem formas próprias de viver e produzir. Sua biodiversidade também sustenta cadeias econômicas associadas à sociobiodiversidade, com produtos como pequi, buriti, cagaita, mangaba, flores-sempre-vivas, baru e babaçu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Para os povos do Cerrado, a economia não se separa de território, cultura e conservação. É da floresta e do campo conservados que vêm o pequi, o baru, o babaçu, o buriti, o artesanato, os alimentos e tantas atividades que geram renda sem destruir o bioma. As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, assistência técnica, crédito e acesso a mercados, ressalta a secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preservação do bioma é fundamental para garantir as condições necessárias à própria produção agropecuária. Para o diretor executivo do Instituto Cerrado, Yuri Salmona, “O Cerrado é um insumo. Não há agricultura responsável sem preservar o bioma: o desmatamento compromete a previsibilidade climática, a disponibilidade de água e os habitats de polinizadores fundamentais para diversos cultivos”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha </span><a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Cerrado, Coração das Águas</b></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://redecerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Rede Cerrado</b></a><span style="font-weight: 400;">, que reúne mais de 500 organizações por meio de suas associadas, e a </span><a href="https://campanhacerrado.org.br/campanha2026/" target="_blank" rel="noopener"><b>Campanha Nacional em Defesa do Cerrado</b></a><span style="font-weight: 400;">, que articula mais de 60 entidades, estão entre as articulações que dão origem à mobilização. Juntas, reúnem organizações de povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conheça a Carta-Compromisso e as oito propostas: <a href="https://votepelocerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">votepelocerrado.org.br</a></span>.</p>
<figure id="attachment_33644" aria-describedby="caption-attachment-33644" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33644 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-768x1024.jpg" alt="Equipe executiva da Rede Cerrado. Brasília DF" width="768" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-768x1024.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-225x300.jpg 225w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-1152x1536.jpg 1152w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-1536x2048.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-scaled.jpg 1920w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption id="caption-attachment-33644" class="wp-caption-text">Equipe executiva da Rede Cerrado, em Brasília (DF). Foto: Divulgação</figcaption></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Em parceria com a Malungu, Tô no Mapa amplia cadastros e automapeamento de comunidades quilombolas na Amazônia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/33583/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 15:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Técnicos quilombolas participaram de capacitação e mapearam 52 comunidades no Pará]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;O território não é um lugar onde a gente mora. É um lugar onde a gente é&#8221;. O pensamento do educador, escritor e líder quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, é um convite para refletirmos sobre o chão onde habitamos e o senso de pertencimento. Para existir, é preciso visibilidade (concreta e simbólica) e legitimação: a oportunidade de dizer “nós existimos e vivemos aqui” é um dos primeiros passos na busca pelo reconhecimento social de comunidades tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quilombolas e outras comunidades tradicionais, o conceito de &#8220;território&#8221; extrapola os limites da geografia e do espaço físico. O território é entendido também como espaço de ancestralidade, resistência e preservação dos saberes culturais, sociais, religiosos, tradicionais  e modos de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o desafio de conciliar essa visão de &#8220;território vivo&#8221; e a necessidade de coletar dados técnicos e informações para apoiar os processos de regularização fundiária, a iniciativa <a href="https://ispn.org.br/noticia/to-no-mapa-povos-indigenas-e-comunidades-tradicionais-ja-podem-mapear-seus-territorios-em-aplicativo-gratuitamente/" target="_blank" rel="noopener">Tô no Mapa</a> se reuniu em parceria com a Malungu, Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará. “Malungu”, termo de origem africana que significa “companheiro de travessia”, simboliza a trajetória de luta da organização, atuando lado a lado pela garantia de direitos das comunidades quilombolas do Pará, da Amazônia e do Brasil.</span></p>
<p><b>Reconhecimento territorial e automapeamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as frentes da Malungu, a organização atua pelo cumprimento do direito ao território, garantido pela Constituição Federal. A parceria com o Tô no Mapa, por meio de atuação junto ao Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e ao Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), desponta como ferramenta na luta pelo reconhecimento institucional e demarcação territorial dos quilombos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Lidiane Vilhena, integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha do Marajó (PA),  o automapeamento do território é uma peça importante para a garantia do direito ao título coletivo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Fazer esse trabalho com a comunidade, em que eles dizem onde começa e termina o território, identificando locais importantes, áreas de conflitos e áreas sagradas e de proteção, só reforça a relação que se tem com o próprio território, como forma de proteção e cuidado”, comenta.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao todo, os técnicos quilombolas capacitados pelo Tô no Mapa junto à Malungu realizaram o automapeamento de 52 comunidades quilombolas em 26 municípios do Pará, nas regiões da Ilha do Marajó, Guajarina, Tocantina, Nordeste paraense e Baixo Amazonas. Algumas dessas comunidades quilombolas não constavam em mapas, o que até então dificultava o acesso e garantia a alguns direitos básicos, como políticas públicas e proteção territorial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As oficinas de cadastramento foram um período intenso de convivência, aprendizados e troca de saberes para fortalecer a luta por reconhecimento e regularização.  “Selecionamos aquelas comunidades que ainda não tinham nenhum trabalho de mapeamento”, conta Lidiane. Entre os desafios que retratam a complexidade e vulnerabilidade territorial no Pará, a exemplo de Salvaterra, no Marajó, estão a sobreposição territorial, as invasões, os conflitos armados e a extração de minérios. Esses problemas se agravam ainda mais por conta da ausência de título, por isso o foco foi apoiar as comunidades que estão no início do processo de titulação.</span></p>
<p><b>Escuta sensível e troca de saberes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do mapeamento em si, algumas oficinas também se transformaram em espaços de assessoria jurídica e administrativa para as comunidades. Na percepção da Malungu, a escuta sensível e a troca de saberes foram de extrema importância para conduzir a parceria com o Tô no Mapa e a coleta de dados com as comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lidiane Vilhena, que também é mestranda em Antropologia e educadora social, aponta que os encontros foram importantes porque neles participavam pessoas que de fato conheciam os territórios e também aqueles que apenas moram nele. “Nesse processo, o saber é repassado de forma que outras pessoas passam a conhecer mais. Isso faz com que esse conhecimento seja multiplicado e valorizado principalmente pelos jovens, que futuramente serão os responsáveis por levar o conhecimento sobre território para as próximas gerações”, reflete a educadora.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Quando falamos em territórios, estamos falando de um lugar ancestral e sagrado. Estamos falando de nossa vida e casa, lugar que nos remete ao passado, presente e futuro. Onde preservamos nossas culturas, valores, um lugar em que temos o sentimento de pertencimento, e isso é o que nos motiva a lutar para que esse território seja titulado e salvaguardado, não somente para o hoje, mas para todo o sempre”. </span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A parceria da Malungu com o Tô no Mapa foi muito bem aceita nos territórios, de acordo com Lidiane.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“As comunidades conseguiram se ver no mapa, conseguiram visualizar tudo o que tem nos territórios. E isso só fortalece ainda mais o sentimento de pertença, fazendo com que cada vez mais cada comunidade quilombola, por meio de sua associação, busque o título coletivo e assim garantir a manutenção do mesmo”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela conta que outras comunidades estão na expectativa do automapeamento, para que tenham mais um instrumento de apoio à luta pelo reconhecimento de seus territórios. Para conhecer mais sobre a atuação da Malungu, acesse o </span><a href="https://malungu.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">site oficial</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><em>Originalmente publicado no <a href="https://tonomapa.org.br/2026/08/26/parceria-malungu-to-no-mapa-amazonia-paraense/" target="_blank" rel="noopener">portal Tô na Mapa</a>.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>ISPN fortalece a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais na SOBRE 2026</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ispn-fortalece-a-participacao-de-povos-indigenas-e-comunidades-tradicionais-na-sobre-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 21:21:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33543</guid>

					<description><![CDATA[“O financiamento para a restauração precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração”, destaca a analista socioambiental do ISPN, Jéssica Pedreira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 27 e 31 de julho de 2026, a Universidade de Brasília sediou a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), o maior encontro de restauração ecológica do país. O evento reuniu pesquisadores, representantes de órgãos públicos, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs), produtores de sementes e mudas, organizações da sociedade civil, empresas e universidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram cinco dias de plenárias, rodas de conversa, oficinas e simpósios que abordaram diferentes temas relacionados à restauração ecológica no Brasil. O ISPN apoiou a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e jovens estudantes das escolas do campo nos debates.</span></p>
<figure id="attachment_33553" aria-describedby="caption-attachment-33553" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-33553" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33553" class="wp-caption-text">Elizete Barreto, fecheira da Comunidade Tradicional de Fecho de Pasto Clemente, se apresenta na plenária sobre restauração e Crise climática. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nesses mais de 30 anos de projetos apoiados para a restauração nos territórios, a gente já entendeu que a restauração é muito mais do que os hectares restaurados e envolve muitas outras dimensões”, explica a analista socioambiental do ISPN, Natanna Horstmann. “A gente pode citar a dimensão de fortalecimento de coletivos, associações e cooperativas que constroem essas temáticas nos seus territórios. A gente também pode falar da dimensão de aprendizagem, na medida que o que compõe a restauração são conhecimentos tradicionais que há muito tempo resguardam e manejam seus territórios”, completa.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33545" aria-describedby="caption-attachment-33545" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33545" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Natanna Horstmann na oficina Educação do campo como base para a restauração ecológica. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33545" class="wp-caption-text">Natanna Horstmann na oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos territórios se faz restauração de diversas formas e em diversos contextos:  recaatingamento, restauração produtiva, sistemas agroflorestais, quintais produtivos, entre outras iniciativas de enorme relevância para o bem-viver das comunidades que as desenvolvem.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente também pode falar do acesso a mercados, na medida que a restauração também é produtiva e fornece alimentos saudáveis, além de frutos para o extrativismo e para a própria cadeia da restauração, como a produção de sementes nativas e de mudas”, pontuou Natanna Horstmann. “Por fim, a gente precisa ter uma visão da restauração na escala da paisagem, que inclui pensar a partir da segurança hídrica, a partir de priorização de áreas e da proteção e gestão territorial”, acrescentou. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN também participou de encontros das redes do Cerrado, Caatinga e Amazônia, que abordaram a importância das redes biomáticas para a interligação de diferentes atores coletivos da restauração nos biomas. Essas redes atuam para compartilhar aprendizados, mapear iniciativas, fortalecer colaborações territoriais, produzir conhecimentos sobre restauração e até influenciar coletivamente o olhar sobre políticas públicas sobre o tema.</span></p>
<p><b>Educação no campo e restauração</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 28, o ISPN promoveu a oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;, voltada a professores e estudantes dos Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs). Além dos mais de 30 parceiros apoiados pelo ISPN para participarem da conferência, a atividade reuniu diversos participantes interessados no tema. A oficina foi organizada em grupos distintos, estudantes, professores e profissionais de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), permitindo que cada segmento discutisse o papel da restauração ecológica sob sua própria perspectiva para a educação do campo.</span></p>
<figure id="attachment_33547" aria-describedby="caption-attachment-33547" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33547 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Estudantes participam da oficina 'Educação do campo como base para a restauração ecológica'. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33547" class="wp-caption-text">Estudantes participam da oficina &#8216;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8217;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para o coordenador da Casa Familiar Rural de Zé Doca, do Maranhão, Leniomar Rodrigues Mendonça, as oficinas na SOBRE foram importantes para trocar experiências com outras comunidades e escolas. “A gente tem um Sistema Agroflorestal (SAF) implantado ano passado. E a gente consegue fazer com que os alunos se envolvam nesse SAF, mostrando que esses sistemas podem ser replicados nas suas comunidades. Com essas oficinas podemos levar novas ideias e inovações para a nossa escola, fortalecendo esse trabalho de recuperação agroecológica”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, os grupos apresentaram em plenária uma síntese das discussões, que subsidiou a elaboração de uma carta apresentada no dia seguinte durante a roda de conversa &#8220;Construindo as Bases da Restauração nos Territórios: da Escola à Assistência Técnica&#8221;. A roda de conversa reuniu representantes da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), dos Institutos Federais, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dos CEFFAs e de outras instituições parceiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diálogos levantaram a necessidade de reconhecimento das CEFFAs como escolas de tempo integral, garantindo financiamento adequado para suas atividades e desenvolvimento dos Projetos Profissionais dos Jovens (PPJs), fortalecendo a educação do campo como estratégia para restauração da sustentabilidade dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Restauração em Terras Indígenas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O ISPN, por meio da equipe do Programa Povos Indígenas, organizou a roda de conversa &#8220;Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas&#8221;, reunindo representantes das Terras Indígenas que compõem o Mosaico Gurupi e da Terra Indígena Kanela. A roda contou com a presença de representantes do Ibama dos estados do Pará e Maranhão, da Embrapa do Pará, Funai, ICMBio, da Conservação Internacional, pesquisadores e demais interessados. </span></p>
<figure id="attachment_33548" aria-describedby="caption-attachment-33548" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33548" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg" alt="Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33548" class="wp-caption-text">Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro foi fundamental para fortalecer alianças entre os diferentes atores envolvidos na conservação e restauração dessa região que resguarda os últimos remanescentes florestais da Amazônia Oriental. As discussões evidenciaram a necessidade de ampliar as ações para além das terras indígenas, alcançando também áreas onde se avança  a degradação ambiental e que levam a perda da biodiversidade, aumento da temperatura e impactos importantes em nascentes e cursos d´água, que comprometem a disponibilidade e qualidade hídrica na região, em especial na Bacia Hidrográfica do Pindaré. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, destacou-se a importância do trabalho em rede para sensibilizar proprietários rurais para a restauração das Áreas de Preservação Permanente (APPs), contribuindo para a proteção dos recursos hídricos e para a segurança nos territórios indígenas.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_33549" aria-describedby="caption-attachment-33549" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33549" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka'apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33549" class="wp-caption-text">Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka&#8217;apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a roda de conversa, o brigadista da Terra Indígena Caru, Jamilson Guajajara, compartilhou sua experiência com o Sistema Agroflorestal (SAF) implantado no território, que envolve um trabalho em conjunto de brigadas, guardiões, guerreiros e juventude.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente está vendo que está dando resultado. E a gente não quer parar. Lá na região da [TI] Caru, que é uma região que tinha muito madeireiro e destruição, ficaram cicatrizes. Então a gente pensou de estar levando esse reflorestamento também para lá”, relatou, mostrando que o processo da restauração também fortalece a proteção do território. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33550" aria-describedby="caption-attachment-33550" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33550" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33550" class="wp-caption-text">Valber Tembé (de camiseta preta, ao microfone), da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O líder indígena Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, destacou que a restauração ambiental, para os povos indígenas, vai muito além do plantio de árvores, envolvendo história, espiritualidade, modos de vida e relações com o território. Ele enfatiza a importância de parceiros conhecerem a realidade local, as necessidades e os saberes de cada comunidade, para que os projetos não fracassem como outros que falharam por falta de diálogo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O povo [indígena] já restaura desde muito tempo, desde quando os mais velhos começaram a lutar para defender o território, para não ser derrubada uma árvore. O território já vem sendo restaurado pelos anciãos que estavam lá, pelos que morreram lá dentro do território, dando a sua vida por uma árvore não ser derrubada”. </span></p></blockquote>
<p><b>Financiamento</b><b><br />
</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encerrando nossa participação na conferência, Jessica Pedreira, analista do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, integrou a plenária de encerramento &#8220;Financiamento para uma Restauração Diversa e Inclusiva&#8221;, ao lado de Sérgio Leitão, do Instituto Escolhas, Rafael Stein, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Fabrícia Santarém, geraizeira, coordenadora da Araticum e integrante da Coocrearp.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O financiamento para a restauração, para ser de fato inclusivo e participativo, precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração, que são as pessoas mais afetadas pelas mudanças climáticas, pela insegurança hídrica, pelos efeitos da seca, que são as mulheres”, afirma Jéssica Pedreira. Ela acrescenta que para além de pensar em inclusão, a restauração de fato precisa “fazer chegar nos territórios um recurso que traga fortalecimento das organizações de base e aprimoramento das capacidades locais”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A analista do ISPN apresentou a experiência do Fundo Ecos como um mecanismo de financiamento inclusivo e participativo, capaz de direcionar recursos para organizações de base comunitária que atuam diretamente na conservação da biodiversidade e na restauração ecológica, fortalecendo iniciativas locais a partir da escuta das necessidades de quem vive e atua nos territórios nessa linha de frente.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final da SOBRE 2026, ficou evidente que a restauração ecológica é, antes de tudo, fortalecer pessoas, meios de vida e territórios. Os debates reforçaram que o futuro da restauração depende do reconhecimento e do protagonismo de quem vive, protege e transforma esses territórios diariamente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN encerra esta edição da conferência com a convicção de que esse caminho se constrói em parceria e com o compromisso de seguir ampliando o apoio às iniciativas comunitárias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Que, em 2028, possamos retornar à próxima edição da SOBRE com uma atuação ainda mais consolidada e com a presença cada vez mais forte de nossos parceiros, evidenciando o papel fundamental que povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e organizações locais desempenham nessa teia da restauração” finalizou o coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A restauração ecológica só será possível incluindo as comunidades locais</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 13:44:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33461</guid>

					<description><![CDATA[A restauração ecológica acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O debate sobre a restauração ecológica no Brasil gira em torno de cifras bilionárias, metas ambiciosas e promessas de mercado de créditos de carbono. Contudo, na ponta — onde a semente encontra a terra — há uma realidade mais antiga. A restauração nasce das mãos e do conhecimento ancestral dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Eles são os protagonistas de uma relação com a terra que, há séculos, mantém a paisagem viva e resiliente.</p>
<p class="texto">Nos últimos 30 anos, enquanto a pauta ambiental ganhava contornos globais, foram essas organizações comunitárias que impulsionaram a agenda localmente. Além de recuperar áreas degradadas, essas experiências fortalecem a autonomia dos territórios e demonstram que conservação e desenvolvimento caminham juntos. A pergunta que fica é: por que, então, ainda tratamos esses atores como coadjuvantes ou como &#8220;beneficiários&#8221; de projetos, e não como os protagonistas?</p>
<p class="texto">Em 2019, a ONU declarou a Década da Restauração de Ecossistemas, e o Brasil, alinhado ao Acordo de Paris, comprometeu-se a restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Políticas como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foram criadas para dar conta desse recado. O problema é que, muitas vezes, a restauração idealizada corre o risco de ser focada apenas em metas numéricas ou no plantio de árvores para sequestro de carbono, ignorando que a vegetação em pé é muito mais do que madeira e folhas.</p>
<p>A restauração que o Brasil precisa é social. Para um povo indígena, restaurar uma área é reatar laços com a espiritualidade e com a história de seus ancestrais. Para um agricultor familiar, garantir a produção de alimentos saudáveis. Para uma comunidade quilombola, reafirmar sua autonomia e resistência territorial. A restauração acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária.</p>
<p>Sob essa ótica, quatro pilares devem orientar investimentos e políticas públicas no setor. O primeiro é o protagonismo de organizações e coletivos. As iniciativas precisam fomentar a autonomia, respeitar os direitos territoriais e garantir a distribuição justa e equitativa dos benefícios.</p>
<p class="texto">O segundo pilar é a geração de renda e a ampliação de mercados. A restauração precisa gerar renda por meio dos sistemas agroflorestais que consorciam plantios de árvores com a produção de alimentos, e o acesso dos produtores às compras institucionais. Ela precisa ser entendida como uma atividade econômica sustentável, capaz de conciliar restauração da biodiversidade, segurança alimentar e inclusão produtiva.</p>
<p class="texto">O terceiro pilar é a aprendizagem. A produção de conhecimento pode ser participativa, valorizando tanto o campo científico quanto as práticas desenvolvidas pelas comunidades ao longo das gerações. Para isso, intercâmbios entre comunidades, parcerias com universidades e a valorização da educação do campo é essencial.</p>
<p class="texto">Por fim, o quarto pilar é a escala da paisagem. Isso significa pensar na gestão integrada do fogo, na segurança hídrica e na atuação em comitês de bacias, conselhos de Unidades de Conservação e fortalecimento institucional. A restauração deve ser um projeto de território.</p>
<p>É aqui que entra o grande desafio: a restauração ecológica atrai investimentos crescentes, mas a perenidade dos resultados depende de como esse dinheiro será aplicado, se vai apenas contabilizar créditos ou construir uma economia verde verdadeiramente inclusiva.</p>
<p class="texto">Nessa linha, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) tem acumulado aprendizados valiosos ao longo de três décadas. Por meio do Fundo Ecos, viabilizou mais de 130 projetos comunitários que resultaram no manejo e restauração de mais de 27 mil hectares.</p>
<p class="texto">Além do financiamento direto às iniciativas comunitárias, o ISPN desenvolve estratégias que integram restauração produtiva, agroecologia, sistemas agroflorestais, pesquisa e monitoramento, fortalecimento institucional, unidades demonstrativas e atuação em rede. Essas ações valorizam o protagonismo de jovens, mulheres, lideranças locais, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.</p>
<p>Todas essas experiências demonstram que o grande desafio para a Década da Restauração é conectar pessoas, territórios e oportunidades, apoiando projetos comunitários de forma contínua. Assim, reconhecer e valorizar o trabalho dessas comunidades torna-se condição essencial para o sucesso das políticas de restauração no Brasil. Na próxima semana, a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026) abrigará debates sobre o tema na Universidade de Brasília (UnB), com possibilidades de trocas e avanços para a pauta no território nacional.</p>
<p><em>*Natanna Horstmann, Robert Miller e Luan Hamon — analistas socioambientais do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)<br />
</em><br />
<em>*Artigo publicado originalmente no jornal <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/07/7466385-a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais.html" target="_blank" rel="noopener">Correio Braziliense</a> </em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Confira os principais destaques da participação do ISPN no XII Sapis e VII Elapis</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/confira-os-principais-destaques-da-participacao-do-ispn-no-xii-sapis-e-vii-elapis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 16:09:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33195</guid>

					<description><![CDATA[O XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e o VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis) foram realizados na Universidade de Brasília, de 18 a 22 de maio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) marcou presença no XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e no VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis), que neste ano teve como tema central: Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e a paz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação do ISPN nesses debates buscou ampliar a visibilidade dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais como protagonistas históricos e contemporâneos no cuidado de áreas protegidas. Além disso, apresentou projetos e articulações em rede que ajudam a demonstrar o papel dos povos indígenas e tradicionais na conservação da biodiversidade, por meio da proteção de seus territórios.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Visibilidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tema constantemente debatido ao longo de toda a programação desta edição do Sapis/Elapis, realizada de 18 a 22 de maio em Brasília (DF), foi a relevância das demandas territoriais e estratégias de gestão ambiental protagonizadas pelos povos tradicionais no país</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, o ISPN, IPAM, Ministério Público Federal e Instituto Cerrados promoveram uma sessão temática sobre a importância do automapeamento dos territórios “Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida”. Além de discutir desafios conjunturais na defesa dos territórios tradicionais, a sessão contou com relato de algumas experiências de mapeamento na Ilha do Marajó (PA) e no sul do Maranhão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Muitas das comunidades identificadas não estavam no mapa. Ao realizar o trabalho e começar a olhar as imagens pelo satélite, as comunidades se deram conta de várias ameaças das quais não estavam cientes. Em um dos casos, observaram que a fazenda vizinha tinha avançado suas cercas sobre o território, inclusive sobre uma área considerada sagrada”, relata Lidiane Vilhena, integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA).</span></p>
<figure id="attachment_33196" aria-describedby="caption-attachment-33196" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33196 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena.png" alt="Lidiane Vilhena, Integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA), na Maloca (UnB), onde ocorreu a sessão temática Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33196" class="wp-caption-text">Lidiane Vilhena, Integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA), na Maloca (UnB), onde ocorreu a sessão temática Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na avaliação de Lidiane, o trabalho com o aplicativo Tô no Mapa possibilitou um diálogo intergeracional ao envolver os griôs (</span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/80302-grio"><span style="font-weight: 400;">contadores de histórias, que guardam as memórias de seu povo, mantendo vivas as tradições e a ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">) e os jovens. “Eu pude me dar conta da dimensão do meu território, que é muito maior do que a parte que eu transitava e conhecia. Quando um território é mapeado por quem vive nele, a informação vira ferramenta de transformação, articulação e pertencimento”.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ainda conforme Lidiane, a partir do relatório gerado pelo Tô no Mapa, a Malungu, Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará, conseguiu acelerar o processo de certificação da comunidade quilombola de Boa Esperança, pela Fundação Palmares, processo que antes estava engavetado.</span></p>
<p><b>Políticas públicas</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A presidenta da Associação Quilombola de Macacos, Brejim e Curupá, Raimunda Ribeiro, também participou da sessão temática e relatou que o mapeamento do Tô no Mapa trouxe, além da visibilidade, avanços em políticas públicas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“De posse do seu mapeamento e do relatório gerado pelo aplicativo, a comunidade demandou a instalação de pontos de inclusão digital do Programa Justiça para Todos, voltado para comunidades quilombolas do Maranhão, e de placas de energia solar para todas as famílias do Território. Ambas foram atendidas”, destaca Raimunda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o Relato de Experiência, a presidenta da Associação Camponês (ACA), Raimunda Francisca Paz, explicou que um dos objetivos da comunidade ao aderir o Tô no Mapa é buscar a implementação de políticas públicas, especialmente a regularização fundiária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A partir desse banco de dados, nós já conseguimos mapear quantas comunidades estão em situação de conflito, quantas já têm um desmatamento grande, e quantas já têm processos [jurídicos] iniciados”, detalhou.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_33198" aria-describedby="caption-attachment-33198" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33198" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz.jpg" alt="Raimunda Francisca Paz, presidenta da Associação Camponês (ACA), durante o relato de experiência no XII Sapis VII Elapis. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33198" class="wp-caption-text">Raimunda Francisca Paz, presidenta da Associação Camponês (ACA), durante o relato de experiência no XII Sapis VII Elapis. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Multiplicadores</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN promoveu junto com o Ministério Público e o IPAM o Minicurso </span><a href="https://territoriostradicionais.mpf.mp.br/#/"><span style="font-weight: 400;">Plataforma de Territórios Tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Tô No Mapa, que apresentou aos participantes essas duas ferramentas fundamentais para a visibilidade e proteção dos territórios tradicionais no Brasil. O objetivo desta atividade foi o de capacitar os integrantes do curso para que possam prestar apoio ao cadastramento de territórios tradicionais e atuarem como multiplicadores em seus territórios. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O analista socioambiental do ISPN, André de Oliveira Moraes, explicou aos participantes a importância de registrar a comunidade em todas as plataformas disponíveis. “A experiência nos conta que, mesmo indígenas e quilombolas que têm seus territórios titulados, não há garantia de muita coisa, então a gente recomenda que quanto mais salvaguarda territorial, melhor. Então, faça o CAR PCT [Cadastros Ambiental Rural de Povos e Comunidades Tradicionais], cadastre na Plataforma e no Tô no Mapa, se cerque de todas as ferramentas possíveis”.</span></p>
<figure id="attachment_33207" aria-describedby="caption-attachment-33207" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33207" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira.png" alt="André de Oliveira Moraes, analista socioambiental do ISPN, no minicurso Plataforma de Territórios Tradicionais e Tô no Mapa" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33207" class="wp-caption-text">André de Oliveira Moraes, analista socioambiental do ISPN, no minicurso Plataforma de Territórios Tradicionais e Tô no Mapa</figcaption></figure>
<p><b>Protagonismo dos povos na agenda do clima</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesa redonda Territórios Tradicionais: regulamentações e implementação de sistema nacional, interações com países latino-americanos e relações com CDB e a Meta 3, o ISPN contextualizou a situação brasileira de ausência de conhecimento reconhecimento formal de territórios coletivos de comunidades tradicionais e sobre a importância desses territórios para a conservação ambiental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desafios atuais incluem enfrentar as ameaças aos Territórios Tradicionais, como a grilagem verde e os impactos de grandes empreendimentos, e dar mais visibilidade às comunidades e à contribuição ambiental delas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“É importante que possamos concretizar o direito de consulta livre, prévia e informada. Um dos gargalos de não concretizar isso é porque os territórios não estão no mapa.”, afirma a coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33201" aria-describedby="caption-attachment-33201" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33201" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33201" class="wp-caption-text">Isabel Figueiredo, coordenadora do programa Cerrado do ISPN, fala na Mesa Redonda<br />Territórios Tradicionais: regulamentações e implementação de sistema nacional, interações com países latino-americanos e relações com CDB e a Meta 3. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Floresta+ Amazônia</b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Na Roda de Conversa </span><i><span style="font-weight: 400;">Empoderamento feminino na gestão de territórios coletivos tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">três mulheres foram convidadas para compartilhar suas histórias: Elisângela Conceição, liderança ribeirinha da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Uatumã (AM), Natália Alves, liderança do Quilombo Cariongo, e Marina Cíntia Guajajara, membra da Associação Nairuy-Taw e liderança da TI Arariboia (MA).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Esse <a href="https://ispn.org.br/noticia/mulheres-indigenas-lideram-projeto-de-restauracao-e-seguranca-alimentar-no-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">projeto Floresta+</a> nos ensinou bastante, nos ensinou a questão da união, do trabalho coletivo e, principalmente, na questão do apoio da mulher para outra mulher”, enumera Marina Guajajara. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A liderança indígena ressalta que essa coletividade não só ajudou a gerar renda para mulheres, mas também se tornou um espaço de acolhimento, principalmente para aquelas que saíam pouco de casa. “Teve um momento em que algumas mulheres estavam com problemas no relacionamento. Trabalhar na coletividade, estar naquele grupo, tirou elas de um momento em que elas estavam na fase de ansiedade, de quase depressão”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto coordenado por Marina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Guajajara: Proteção da Floresta e dos Saberes</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve como objetivo fortalecer a contribuição da mulher no processo de conservação e proteção de todas as formas de vidas e das ancestralidades do povo Guajajara, além de recuperar áreas degradadas da cabeceira do rio Buriticupu.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Cerca de 70% dos projetos apoiados na Modalidade Floresta+ Comunidades apresentam relação direta com a temática de gênero. Na iniciativa coordenada por Marina, as mulheres receberam orientações e executaram atividades como oficinas de gestão de projetos, instalação de galinheiros orgânicos, construção de canteiros de mudas, implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), formações em medicinas tradicionais e arte indígena.</span><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Executada com parceria do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e apoio do Projeto Floresta+ Amazônia, a iniciativa tem financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund – GCF).</span></p>
<figure id="attachment_33202" aria-describedby="caption-attachment-33202" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33202" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino.jpg" alt="tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33202" class="wp-caption-text">Participantes da Roda de Conversa Empoderamento feminino na gestão de territórios coletivos tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Mosaicos de Áreas Protegidas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN esteve presente em diversos debates sobre os Mosaicos de Áreas Protegidas como estratégia central para a gestão territorial integrada no Brasil, articulando conservação da sociobiodiversidade, inclusão social e fortalecimento das políticas públicas, especialmente abordando a importância das Terras Indígenas nessa política, que ganhou impulso com o reconhecimento do <a href="https://ispn.org.br/noticia/formalizacao-do-mosaico-gurupi-reforca-protagonismo-indigena-na-agenda-climatica/" target="_blank" rel="noopener">Mosaico Gurupi</a>, na Amazônia maranhense e leste do Pará, em julho de 2025 e no qual exerce sua Secretaria Executiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Previstos no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), os mosaicos operam na integração entre unidades de conservação, territórios indígenas, quilombolas e outras áreas protegidas, promovendo governança participativa e abordagens sistêmicas da paisagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Grupo de Trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">Gestão Socioambiental Integrada e Democracia: arranjos de governança em áreas protegidas e mosaicos no Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, reuniu mosaicos da Mata Atlântica, Amazônia e propostas de criação de mosaicos no Cerrado e debateu o papel preponderante aliança entre povos indígenas, quilombolas e tradicionais com a academia e instituições de governo na constituição de mosaicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Roda de Conversa </span><i><span style="font-weight: 400;">Governança Socioambiental em Áreas Protegidas: experiências institucionais e fatores críticos em diferentes biomas, </span></i><span style="font-weight: 400;">organizada por instituições-membro da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o ISPN pôde levar à discussão as inovações do Mosaico Gurupi em termos de governança no campo da gestão integrada de áreas protegidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o Evento Paralelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional, </span></i><span style="font-weight: 400;">organizado pela Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas do Brasil (REMAP), foi importante momento para abordarmos o panorama atual e perspectivas futuras para a inserção qualificada de Terras Indígenas em mosaicos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">“Defendemos que a inclusão de terras indígenas  em mosaicos não pode ter só um objetivo pragmático, uma formalidade para atender uma política em específico, mas  uma construção qualificada, que leve com muita seriedade os modos de vida e de   gestão do território dos povos indígenas, bem como os devidos processos de consulta, de tomadas de decisão e de produção de entendimentos coletivos em torno da ideia”, pondera o coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para João Guilherme, é preciso que o processo de discussão também calibre expectativas e aponte potencialidades, “mosaico não vai resolver todas as questões territoriais e ambientais. É mais uma ferramenta de gestão, com uma especificidade importante, uma vez que abre a possibilidade de articular a gestão territorial em rede, a partir da colaboração entre áreas protegidas&#8221;, concluiu.</span></p>
<figure id="attachment_33203" aria-describedby="caption-attachment-33203" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33203" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos.jpg" alt="João Guilherme Nunes Cruz, coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, no evento paralelo Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33203" class="wp-caption-text">João Guilherme Nunes Cruz, coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, no evento paralelo Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Saiba mais sobre os povos e comunidades tradicionais</b> <span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais possuem formas próprias de organização social, ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. Empregam conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos de geração em geração e contribuem para a conservação da biodiversidade brasileira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os povos indígenas e quilombolas, respectivamente, têm reconhecimento de seus territórios assegurados pelos </span><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#cfart231"><span style="font-weight: 400;">artigos 231</span><span style="font-weight: 400;">, da Constituição Federal</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.mds.gov.br/webarquivos/legislacao/seguranca_alimentar/_doc/leis/1988/Constituicao%20Federal%20de%201988%20-%20Titulo%20X%20-%20Art%2068.pdf"><span style="font-weight: 400;">68, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os demais grupos ainda lutam por instrumentos legais de reconhecimento de seus territórios. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O Estado Brasileiro reconhece </span><a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais"><span style="font-weight: 400;">28 segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses grupos representam a garantia de proteção das florestas e a regulação do clima, o respeito à biodiversidade e a manutenção da vida globalmente.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fogo sob controle: como a umidade do ar pode tornar as queimas mais seguras no Cerrado</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fogo-sob-controle-como-a-umidade-do-ar-pode-tornar-as-queimas-mais-seguras-no-cerrado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 20:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33067</guid>

					<description><![CDATA[Estudo no Parque Nacional da Chapada das Mesas (MA) aponta que medir a umidade relativa do ar é uma ferramenta simples e eficaz para reduzir riscos e aumentar o controle sobre o fogo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A umidade relativa do ar pode ser utilizada como um indicador prático e estratégico para decidir quando realizar queimas controladas ou prescritas. É o que aponta o </span><a href="https://connectsci.au/wf/article/35/4/WF25243/271730/Relative-air-humidity-at-the-time-of-burning-is-a"><span style="font-weight: 400;">novo estudo da assessora técnica do ISPN e pesquisadora de Manejo Integrado do Fogo (MIF), Lívia Carvalho Moura, e colaboradores</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob a orientação da professora Profa. Dra. Isabel Schmidt, publicado no International Journal of Wildland Fire.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A pesquisa “A umidade relativa do ar no momento da queima é um fator preditivo fundamental do comportamento do fogo no Cerrado”, analisou como diferentes condições — como época do ano, horário do dia e quantidade de vegetação seca (combustível) — influenciam o comportamento do fogo. Entre todos esses fatores, a umidade do ar se destacou como um dos mais determinantes para orientar decisões operacionais no campo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A ideia do estudo partiu de perguntas de manejo feitas pelo gestor do Parque Nacional da Chapada das Mesas na época, Paulo Adriano Dias, coautor do trabalho. Ao observar o manejo tradicional do fogo feito por comunidades locais e povos indígenas da região, ele queria saber como mensurar os indicadores da vegetação e do clima associados a essas práticas tradicionais para utilização em protocolos técnicos”, explica Lívia Moura Carvalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Saber o momento certo para usar o fogo de forma controlada parecia algo muito óbvio para os povos e comunidades  da região, mas para muitos gestores e pesquisadores não era muito claro e perceptível, e principalmente existia a preocupação de transmitir e disponibilizar esse conhecimento”, acrescenta Lívia. </span></p>
<p><b>Uma variável simples </b><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados do levantamento mostram que níveis mais baixos de umidade do ar estão associados a fogos mais intensos e rápidos; enquanto níveis mais altos de umidade resultam em fogo mais brando, mais lento e mais fácil de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso significa que a mesma área pode apresentar comportamentos de fogo muito diferentes dependendo apenas das condições do momento da queima — especialmente da umidade do ar ao longo do dia e da quantidade de material combustível.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Ferramenta acessível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o estudo demonstra que a umidade relativa do ar pode ser incorporada como um critério objetivo para orientar quando e como realizar queimadas planejadas. Por ser uma variável fácil de medir em campo, ela se torna uma ferramenta acessível para brigadistas e gestores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Níveis de umidade do ar acima de 50% são mais comuns durante a estação chuvosa e no início da estação seca (entre abril e junho, dependendo da região), mais especificamente no final da tarde ou início da noite, quando as temperaturas são mais baixas e o ar tende a reter mais umidade.</span></p>
<p><b>Contexto<br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">No Cerrado, incêndios sobre a vegetação nativa estão aumentando por fenômenos e mudanças climáticas extremas e falta de manejo da biomassa seca acumulada. O problema é maior no fim da estação seca, com fogos mais intensos e severos. Desde 2014, queimas prescritas são aplicadas em algumas áreas protegidas no início da seca para manejo de vegetações adaptadas ou propensas ao fogo, no âmbito da abordagem do <a href="https://ispn.org.br/noticia/manejo-integrado-do-fogo-agora-e-politica-nacional/" target="_blank" rel="noopener">Manejo Integrado do Fogo</a> (MIF).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados da pesquisa também reforçam o papel do MIF, adotado na redução dos incêndios em áreas protegidas do Cerrado. Essa abordagem pode incluir o uso de queimas prescritas em vegetações adaptadas ao fogo, no início da estação seca, para fragmentar o combustível e reduzir a quantidade de vegetação seca na paisagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao utilizar a umidade do ar como critério para definir o momento dessas queimas, é possível aumentar a segurança das operações e reduzir o risco de incêndios de grande escala no final da estação seca, que são mais intensos e difíceis de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, o estudo evidencia como o conhecimento científico pode apoiar decisões práticas, tornando o uso do fogo mais eficiente, seguro e alinhado aos objetivos de conservação do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33069" aria-describedby="caption-attachment-33069" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33069 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg" alt="" width="800" height="535" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-300x201.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-768x514.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1536x1027.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-2048x1370.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33069" class="wp-caption-text">Pesquisadores em campo: ao centro, Lívia Moura (esquerda) e Isabel Schmidt (direita). Foto: Divulgação/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Plataforma expõe relação entre commodities e violações de direitos no campo brasileiro</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/plataforma-expoe-relacao-entre-commodities-e-violacoes-de-direitos-no-campo-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 21:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33034</guid>

					<description><![CDATA[A ferramenta integra informações de 2002 a 2023 e pressiona por responsabilidade nas cadeias produtivas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um olhar para fortalecer e ampliar o debate socioambiental no Brasil. Com esse objetivo, um conjunto de organizações da sociedade civil se moveu para criar uma ferramenta que reúne dados sobre conflitos no campo, desmatamento e a expansão da agricultura industrial no Brasil. </span></p>
<p><b>A Plataforma nasce como iniciativa do Observatório Socioambiental (OSA)</b><span style="font-weight: 400;">, atendendo a necessidade urgente de produzir, analisar e dar visibilidade aos impactos sociais relacionados às violações de direitos humanos no campo, gerados pela expansão das commodities no país. É uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, Imaflora, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, com consultoria da Diversa Socioambiental. </span></p>
<p><a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Acesse aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Plataforma Socioambiental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento aconteceu no dia 27 de abril na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  junto com o Relatório Caderno de Conflitos no Brasil (2025). A ferramenta reúne números de 2002 a 2023, incluindo os dados da Comissão Pastoral da Terra que disponibilizou sua série histórica de informações sobre a realidade no campo. </span></p>
<figure id="attachment_33036" aria-describedby="caption-attachment-33036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33036 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg" alt="Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33036" class="wp-caption-text">Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Ineditismo e Interatividade na Plataforma</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma se configura como principal instrumento do Observatório Socioambiental, reunindo e cruzando dados de diferentes fontes em um ambiente interativo que permite visualizar a realidade em todo o país, estados e municípios. Ainda oferece análises a partir dos registros de conflitos, os impactos ambientais, a produção, risco climático, categorias fundiárias, trabalho escravo e violência contra pessoas, qualificando as análises socioambientais diante de diversos cenários. A ferramenta permite visualizar uma realidade marcada pelo avanço das fronteiras agrícolas e a pressão sobre os territórios e seus recursos naturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As análises podem ser usadas como base para formulação de políticas públicas e pelo sistema de justiça na tomada de decisão sobre o território e garantia de demais direitos das comunidades que vivem no campo. Também é um instrumento que ajuda a pressionar por mais transparência e responsabilidade das cadeias produtivas brasileiras. </span></p>
<p><b><i>“Esse trabalho da Plataforma não se limita à quantificação dos conflitos, mas acompanha as suas transformações no decorrer do tempo, identificando os diferentes sujeitos envolvidos, suas estratégias de atuação e os impactos sobre as populações atingidas.  Trata-se de uma ferramenta importante para compreender as dinâmicas territoriais, dos conflitos e para a defesa dos direitos humanos no campo do Brasil,</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> diz um dos coordenadores da Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, Ronilson Costa. </span></p>
<p><b>Dados de violência no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As informações abrigadas na Plataforma Socioambiental revelam contradições de um país rico em diversidade de biomas e de diferentes saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais que se relacionam com a natureza. O Brasil se apresenta como grande potência agrícola global, mas bate recordes de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais, violando o direito à vida e ao território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos dez anos foram registrados 18.832 casos de conflitos no campo e 374 assassinatos. Entre 2002 e 2023 houve um total de 89.537 casos. Os estados do Maranhão, Pará, Bahia e Rondônia registraram os maiores números de ocorrências dos últimos três anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo dados do Caderno de Conflitos da CPT de 2025, o Maranhão aparece com o maior número de casos de violência nas áreas rurais pelo segundo ano consecutivo. No ano passado foram contabilizados 209 casos.</span></p>
<p><b>O Cerrado brasileiro e a expansão dos conflitos no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado, <a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">conhecido por ser o coração das águas do Brasil</a>, vem sofrendo por conta do agronegócio. A produção de commodities voltadas para abastecer o mercado externo, vem transformando a savana mais biodiversa do mundo em uma zona de sacrifício. Os dados podem ser analisados e cruzados na Plataforma Socioambiental. Sobretudo, quando se estuda a realidade na região do Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo publicado na edição especial de lançamento do Caderno de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra (2025), os pesquisadores e advogados populares Maurício Correia e Juliana Borges mostram que a região se configura como um moderno centro de produção de commodities e, como consequência, um cenário onde cresce o racismo, a violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, além de grilagem de terras e severa devastação ambiental. </span></p>
<figure id="attachment_33037" aria-describedby="caption-attachment-33037" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33037 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg" alt="Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN " width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33037" class="wp-caption-text">Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b><i>“</i></b><b><i>O grileiro veio pra cima de nós. Queimaram nossa casa e a roça de mandioca. Plantaram capim”. </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é de seu Raimundo Luís Vieira, agricultor familiar que vive no povoado Gado Bravinho, no sul maranhense, uma região dentro do Matopiba, onde as comunidades e o Cerrado são pressionados pela monocultura da soja e de outros grãos. Seu Raimundo e a esposa tiveram que deixar a casa e as roças para não perder a vida. As ameaças chegaram com os grileiros armados que expulsaram ele e a família do lugar que viviam há mais de 40 anos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os números refletem a realidade da grande fronteira agrícola brasileira que teve expansão significativa no início dos anos 2000, período considerado um marco da produção de commodities agrícolas e minerais. Em duas décadas, a área desmatada no MATOPIBA foi maior que toda a área convertida entre os anos de 1500 e 2000. Dados do INPE/Prodes de 2024 mostram que 86% do desmatamento no Cerrado ocorreu na região do Matopiba.</span></p>
<p><b><i>“Precisamos de nossos territórios titulados. É um direito de nossas comunidades. E seguimos lutando por nossa terra, com muito esforço”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz uma jovem liderança que está no Programa de Proteção a Testemunhas e que se fez presente no evento de lançamento da Plataforma e do Caderno de Conflitos da CPT. </span></p>
<p><b>Direito à água:  A realidade do acesso aos recursos hídricos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os recursos hídricos também aparecem no cerne dos conflitos. Entre 2016 e 2025, foi registrado um aumento nas ocorrências de tensões por água, envolvendo rompimento de barragens e contaminação de rios que abastecem as comunidades, mineração e vazamento de petróleo. O que era de livre acesso e bem comum para todos que vivem no território se transformou em motivo de uma luta que defende a demarcação de terras tradicionais e a proteção dos mananciais. Nos últimos dez anos foram registrados 2.754 ocorrências de conflitos por água (dados Caderno de Conflitos). Só em 2025, foram 148 casos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33038" aria-describedby="caption-attachment-33038" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33038 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg" alt="Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33038" class="wp-caption-text">Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A jovem quilombola Rosilda de Jesus Pereira, nascida no Vale do Rio Peixe Bravo, em Minas Gerais, faz parte do movimento de luta de comunidades atingidas pela mineração e pela contaminação das águas. A comunidade, composta por diversas famílias, valoriza o modo de vida ancestral, o Cerrado e a autonomia sobre o território. </span></p>
<figure id="attachment_33039" aria-describedby="caption-attachment-33039" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33039" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg" alt="Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia.Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33039" class="wp-caption-text">Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia. Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT</figcaption></figure>
<p><b><i>“Entre nossas lutas, está a busca pelo reconhecimento, a preservação do rio Peixe Bravo e o fortalecimento de nossos direitos ancestrais”, ressalta Rosilda. </i></b></p>
<p><b>Apresentação da Plataforma na Sede da União Europeia</b></p>
<figure id="attachment_33041" aria-describedby="caption-attachment-33041" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33041" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg" alt="Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33041" class="wp-caption-text">Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estratégia de divulgação internacional do tema, a Plataforma Socioambiental foi apresentada na sede da União Europeia (UE), em Brasília. Na apresentação, ressaltou-se que os dados fortalecem as evidências de violações de direitos humanos e sua relação com a produção e exportação de commodities e o desmatamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reunião foi conduzida pelo Conselheiro para Clima, Energia, Ambiente e Saúde da UE, Laurent Javaudin. Estavam presentes diplomatas de países-membros e de organizações como ISPN, Comissão Pastoral da Terra, WWF, Trase e Diversa Socioambiental.</span></p>
<p><b><i>“No campo brasileiro, registra-se um avanço da violência em territórios ocupados há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais, ocasionando o acirramento de conflitos e o aumento da violência no campo,”</i></b><span style="font-weight: 400;"> afirmou a assessora técnica do ISPN, Simone Madalosso.</span></p>
<p><b>Lei Antidesmatamento da União Europeia- EUDR</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma Socioambiental também é instrumento que se soma à luta pela aplicabilidade do regulamento  antidesmatamento da União Europeia (EUDR &#8211; European Union Deforestation Regulation). O regulamento  nasceu com o objetivo de proibir a importação e comercialização no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento e à conversão. Aprovado em junho de 2023, sua aplicação prática vem sendo sistematicamente adiada. A norma cobre as 7 principais commodities e seus derivados: carne bovina, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma. </span></p>
<p><b><i>“Os dados da Plataforma Socioambiental podem ajudar empresas privadas que importam do Brasil a identificar áreas de alto risco e conflito, bem como a origem das commodities, além de apoiar organismos nas diligências em relação às áreas onde existem registros de violação de direitos humanos no Brasil. Com as informações, ninguém pode dizer que não viu.” </i></b><span style="font-weight: 400;">afirmou a</span> <span style="font-weight: 400;">consultora da Diversa Socioambiental, Gabriela Russo Lopes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela lei, só podem entrar nos países da União Europeia produtos que forem originários de áreas não desmatadas ou convertidas e em conformidade com as leis do país de origem. A legislação tem impacto para o Brasil, porque força o agronegócio brasileiro a adaptar suas cadeias de suprimentos para garantir a rastreabilidade total, demonstrando que seus produtos, especialmente soja, café e carne, não provêm de áreas desmatadas ilegalmente. A não conformidade impedirá a comercialização do produto no bloco europeu, que é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><b><i>A Plataforma Socioambiental disponibiliza para a sociedade, tomadores de decisão e empresas, informações sobre conflitos por terra, por água e trabalho escravo  que estão relacionados com produção de commodities e vem pressionando as comunidades tradicionais do Brasil. É muito importante a disseminação das informações contidas nessa plataforma para que possamos ter políticas públicas que considerem essas questões e um maior controle social sobre esses temas.”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza- ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33042" aria-describedby="caption-attachment-33042" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33042" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg" alt="Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando intercâmbio com indígenas do Maranhão pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN" width="800" height="533" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1536x1023.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33042" class="wp-caption-text">Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando <a href="https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/" target="_blank" rel="noopener">intercâmbio com indígenas do Maranhão</a> pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisa revela grilagem verde sobre territórios tradicionais no oeste da Bahia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 14:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33026</guid>

					<description><![CDATA[Estudo cruza dados do Tô no Mapa com informações do CAR para revelar como compensações ambientais do agronegócio incidem sobre comunidades camponesas e tradicionais do Cerrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A compensação de Reserva Legal, prevista no Código Florestal como mecanismo de regularização ambiental, vem sendo usada de forma massiva pelo agronegócio no oeste da Bahia. No entanto, parte dessas áreas de compensação recai justamente sobre territórios ocupados historicamente por comunidades tradicionais e camponesas, convertendo um instrumento de preservação em estratégia de grilagem verde.</p>
<p>Essa é uma das principais conclusões do artigo <em>Making environmental compensation visible. Biased data transparency and agrobusiness strategies in the Bahianese agricultural frontier of the Cerrado</em>, publicado no Cybergeo: European Journal of Geography (disponível <a href="https://journals.openedition.org/cybergeo/42687" target="_blank" rel="noopener">neste link,</a> em inglês)</p>
<p>Assinado pelos pesquisadores Pierre Gautreau, Eve Anne Bühler e Ludivine Eloy, o estudo rastreou cadeias de compensação de Reserva Legal e identificou situações de sobreposição com territórios comunitários, revelando fragilidades na transparência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e falhas do Estado na proteção desses territórios.</p>
<p>Em entrevista ao site do Tô no Mapa, Gautreau, um dos autores do estudo, detalha os principais resultados da pesquisa e explica a importância dos dados territoriais produzidos pelas próprias comunidades por meio da plataforma.</p>
<p>Gautreau é geógrafo e pesquisador da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França. Atua no campo da ecologia política, com pesquisas sobre agronegócio, regulação ambiental, conflitos territoriais e a digitalização das políticas ambientais na América Latina, com foco especial no Brasil. Confira a entrevista:</p>
<p><strong>Como surgiu o interesse em pesquisar a fronteira agrícola do oeste baiano e a relação entre CAR e comunidades tradicionais?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Minha trajetória é na ecologia política, especialmente sobre como as sociedades latino-americanas formulam a questão ambiental e os conflitos em torno dela. Nos últimos anos, venho estudando como a digitalização das políticas ambientais modifica relações de poder, conflitos e formas de regulação.</p>
<p>No caso do oeste da Bahia, nos interessou entender como o Cadastro Ambiental Rural interagia com as dinâmicas agrárias e sociais em uma região marcada pela rápida adoção do CAR pelo agronegócio e por conflitos fundiários históricos. Já havia casos conhecidos, como o de Capão do Modesto, em Correntina, e queríamos mapear e quantificar esse processo de forma mais ampla.</p>
<p><strong>O artigo fala em “grilagem verde”. Como esse mecanismo funciona na prática?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> A grilagem verde acontece quando atores poderosos, especialmente grandes empresas, usam o argumento da conservação ambiental para atuar sobre territórios ocupados historicamente por comunidades.</p>
<p>Na prática, empresas registram áreas como Reserva Legal compensada em territórios onde vivem comunidades camponesas ou tradicionais há décadas, às vezes há mais de um século. Depois, restringem o acesso dessas populações com cercas, vigilância armada ou outros mecanismos de controle.</p>
<p>Além do impacto material, existe um efeito simbólico importante: essas comunidades passam a ser apresentadas como degradadoras do ambiente, enquanto a empresa se coloca como agente moderno e responsável. Isso é muito funcional para mercados internacionais, onde consumidores e investidores não conseguem verificar o que acontece no território.</p>
<p><strong>Quais foram os principais impactos identificados sobre as comunidades?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O primeiro impacto é a perda concreta de acesso à terra e aos recursos naturais. A empresa precisa demonstrar que está “conservando” a área, e isso frequentemente significa impedir o retorno ou a permanência das comunidades.</p>
<p>O segundo impacto é discursivo: práticas tradicionais, como o uso do fogo no manejo agrícola, passam a ser criminalizadas. Há uma narrativa falsa de que comunidades tradicionais degradam o Cerrado, quando sabemos que esses usos podem ter impacto controlado e fazer parte da construção histórica da paisagem.</p>
<p>Isso gera deslegitimação social e enfraquece a capacidade política dessas populações de defender seus direitos.</p>
<p><strong>Quando a grilagem verde atinge territórios ainda sem reconhecimento formal do Estado, a vulnerabilidade das comunidades se intensifica?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Sem dúvida. O reconhecimento formal fortalece juridicamente as comunidades e amplia suas ferramentas de defesa.</p>
<p>Mas um dos pontos mais graves que observamos é que há muitas comunidades afetadas que sequer aparecem no debate público. Com os dados do Tô no Mapa, percebemos que o número de territórios impactados é muito maior do que os casos mais conhecidos.</p>
<p>Há comunidades que já declararam seus limites territoriais, mas que não têm a mesma capacidade de mobilização política ou apoio institucional. Nesses casos, o desamparo é ainda maior.</p>
<p><strong>Qual foi a importância dos dados do Tô no Mapa para chegar a esses resultados?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Foi central. Para identificar e quantificar a incidência da compensação sobre territórios comunitários, não basta saber que existe uma comunidade em determinado município. É preciso conhecer os limites do território.</p>
<p>O Tô no Mapa oferece justamente isso: polígonos territoriais construídos a partir da autodeclaração das próprias comunidades. Isso permitiu cruzar os dados do CAR com áreas efetivamente reivindicadas e ocupadas, algo que mapas baseados apenas em pontos não permitiriam.</p>
<p>A plataforma tem um papel muito importante porque dá escala territorial à presença dessas comunidades e amplia sua visibilidade para a pesquisa e para a incidência pública.</p>
<p><strong>O artigo também critica a transparência do CAR. Onde está o principal problema?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O CAR oferece uma transparência parcial. Ele mostra que uma propriedade está regularizada, mas nem sempre permite identificar facilmente onde está a Reserva Legal compensada.</p>
<p>No período da pesquisa, foi necessário desenvolver uma metodologia de geoprocessamento bastante específica para reconstruir essas cadeias de compensação. Hoje isso melhorou, mas ainda defendemos que o sistema deveria permitir, com um clique simples, visualizar automaticamente onde está a área compensada.</p>
<p>Essa transparência é fundamental não apenas para a fiscalização ambiental, mas para verificar se empresas estão violando direitos de comunidades tradicionais ao mesmo tempo em que se apresentam como sustentáveis no mercado internacional.</p>
<p><strong>Durante a pesquisa, houve uma atualização no CAR. O que mudou e por que isso é relevante?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Quando começamos a pesquisa, os dados do CAR não permitiam identificar de forma simples a relação entre um imóvel e sua Reserva Legal compensada. Foi preciso desenvolver uma metodologia de geoprocessamento para reconstruir essas cadeias a partir do cruzamento entre diferentes camadas, como imóveis, APPs e áreas de reserva.</p>
<p>Entre a submissão e a publicação do artigo, houve uma atualização positiva na base de dados. Essa mudança passou a facilitar a identificação desses vínculos, algo que antes exigia um verdadeiro trabalho de “hacking” cartográfico.</p>
<p>Isso é relevante porque reforça uma das recomendações centrais do estudo: a plataforma precisa tornar visível, de forma imediata, onde está a Reserva Legal compensada de cada imóvel. Hoje, quando uma propriedade não apresenta a reserva dentro de seus limites, o usuário deveria conseguir localizar automaticamente, com um clique, a área usada na compensação.</p>
<p>Essa transparência é essencial para que pesquisadores, órgãos públicos, comunidades e até compradores internacionais consigam verificar se a regularização ambiental não está sendo feita às custas de violações territoriais e de direitos humanos.</p>
<p><em>Originalmente publicado no <a href="https://tonomapa.org.br/2026/04/27/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/" target="_blank" rel="noopener">portal Tô na Mapa</a></em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Observatório Socioambiental lança ferramenta inédita que cruza dados de desmatamento e violência no campo, ao longo de quatro décadas</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/observatorio-socioambiental-lanca-ferramenta-inedita-que-cruza-dados-de-desmatamento-e-violencia-no-campo-ao-longo-de-quatro-decadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Moraes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 17:34:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33013</guid>

					<description><![CDATA[Nova ferramenta vai permitir que sociedade civil, pesquisadores e imprensa acessem e cruzem dados de forma independente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No próximo dia 27 de abril de 2026, será lançado oficialmente o <a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Observatório Socioambiental</a>, iniciativa da sociedade civil que reúne, de forma inédita, dados sistematizados entre 1980 e 2023 sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão da agricultura industrial no Brasil. O lançamento será junto com o Caderno de Conflitos da CPT, cujos dados vão constar na plataforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ação é resultado de uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, IMAFLORA, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, entidades ligadas à luta pela terra,  produção de conhecimento e na defesa dos territórios, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento marca a apresentação pública da <a href="https://plataforma.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Plataforma Socioambiental</a>, principal ferramenta do Observatório. O sistema reúne, cruza e disponibiliza dados de diferentes fontes em um ambiente digital interativo e permite visualizar, de forma segmentada, por estados e municípios, a relação direta entre o avanço da produção de commodities e os conflitos socioambientais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que organizar informações, a plataforma joga luz sobre uma realidade frequentemente invisibilizada: a de que a expansão da fronteira agrícola no Brasil tem sido acompanhada por violência, pressão sobre territórios e degradação ambiental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado não é apenas um banco de dados — é um mapa detalhado de como a expansão das commodities está diretamente associada a conflitos, violência e destruição ambiental. Ao organizar essa informação em escala inédita, o Observatório Socioambiental fortalece o controle social de forma a permitir que sociedade civil, pesquisadores e imprensa acessem e cruzem dados de forma independente. Os dados e análises podem também ser utilizados por gestores de políticas públicas e atores do sistema de Justiça para auxiliar na compreensão e tomada de decisões sobre dinâmicas territoriais, uso dos recursos naturais e defesa dos direitos humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também pressiona por mais transparência e responsabilidade nas cadeias produtivas, em um cenário de crescente cobrança internacional por rastreabilidade ambiental. E, principalmente, reposiciona o papel dos povos indígenas e comunidades locais como protagonistas na conservação dos territórios e no enfrentamento ao desmatamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa chega em um momento em que o Brasil se consolida como potência agrícola global, mas bate recordes históricos de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais.</span></p>
<p><b>Violência e desmatamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 2002 e 2023, a CPT documentou 89.583 conflitos sociais no campo brasileiro. Dentre eles, 30,9% foram de conflito pela terra, além de 12,9% dos casos estarem ligados a violência contra trabalhadores rurais, num quadro de assassinatos, tentativas de homicídio e ameaças de morte.  No mesmo período, o Pará registrou o maior número de ocorrências (15.383), seguido por Minas Gerais (8.479) e Maranhão (7.219).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale registrar que os estados com maior registro de conflitos sociais são, frequentemente, os com maior área de desmatamento. Também entre 2002 e 2023, o Pará teve 12,4 milhões de hectares desmatados, seguido por Mato Grosso (11,4 milhões de ha), Bahia (5,8 milhões de ha) e Maranhão (5,7 milhões de ha). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o que a plataforma revela é um padrão histórico: onde avança a fronteira agrícola, avançam também as violações. Assim, a Plataforma Socioambiental surge como ferramenta essencial para o fortalecimento do controle social  e o aprimoramento de políticas públicas.</span></p>
<p><b>Sobre o Observatório Socioambiental</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Observatório Socioambiental é um fórum da sociedade civil voltado a informar, qualificar e pautar o debate público sobre os impactos sociais e ambientais associados à produção de commodities agropecuárias no Brasil. Sua principal ferramenta, a Plataforma Socioambiental, consolida dados históricos e atuais para ampliar a transparência, fortalecer direitos e contribuir para a proteção dos territórios.</span></p>
<p>O lançamento da Plataforma Socioambiental será realizado no próxima segunda-feira (27), em conjunto com o Relatório de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra, a partir das 9h na s<span style="font-weight: 400;">ede da CNBB &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">Quadra SES 801 Conjunto B &#8211; Asa Sul, Brasília &#8211; DF.</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4mt0mOb-00" target="_blank" rel="noopener"> Acesse o link da transmissão no canal da CPT no Youtube</a>.</span></p>
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		<title>Serrinha do Paranoá e a luta pela água do Cerrado são temas de roda de conversa em Brasília</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/serrinha-do-paranoa-e-a-luta-pela-agua-do-cerrado-sao-temas-de-roda-de-conversa-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:56:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[O encontro teve objetivo de ampliar o debate público sobre a importância de proteger o bioma, que já perdeu 50% da vegetação nativa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, virou alvo de interesses que expõem a pressão sobre a região. Há algumas semanas, o local entrou na mira do Governo do Distrito Federal, que cogitou seu uso para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), envolvido no caso de corrupção com o Banco Master. A área está listada entre nove imóveis públicos que podem ser destinados para cobrir os prejuízos causados pelos negócios com o banco privado.</p>
<p>O local, que fica situado entre o Varjão e o Paranoá, e abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado nativo, é considerado um manancial hídrico estratégico para o DF. Foi justamente esse cenário que reuniu pesquisadores e ativistas no Eixão do Lazer, em Brasília, no último domingo (22), Dia Mundial da Água. O evento integrou a campanha Cerrado, Coração das Águas e chamou a atenção para a importância do bioma na segurança hídrica do país.</p>
<p>Para a Presidente da Associação Preserva Serrinha, Lucia Mendes, a resposta começa pelo reconhecimento. &#8220;A maioria da população de Brasília nunca tinha ouvido falar da Serrinha do Paranoá. Para nós que somos moradores, ativistas que fazemos parte de uma comunidade organizada e que vêm há anos buscando conhecimento sobre aquele território, entendemos quando o território está ameaçado. Mas como você vai defender o que você não conhece?&#8221;, questionou.</p>
<figure id="attachment_32962" aria-describedby="caption-attachment-32962" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32962 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32962" class="wp-caption-text">A urgência de proteger a Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, esteve no centro do debate. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Cerrado: o protagonista esquecido</strong></p>
<p>A ameaça à Serrinha não é um caso isolado, o Cerrado como um todo segue sob intensa pressão, impulsionada pela expansão agropecuária e fragilidade da legislação ambiental. O pesquisador e diretor do Instituto Cerrados, Yuri Salmona, destacou na conversa que o papel do bioma é central e ainda assim é subestimado.</p>
<p>&#8220;O protagonista no provimento de água do Brasil é o bioma Cerrado. Isso é um fato científico, não é uma opinião. Oito das 12 bacias hidrográficas do Brasil são abastecidas com água que vem do Cerrado&#8221;, afirma.</p>
<p>Mesmo assim, o bioma segue sendo o mais desmatado do país pelo segundo ano consecutivo, superando a Amazônia. “Daqui a alguns anos todo mundo vai falar de boca cheia da importância de proteger o Cerrado. A questão é se vai dar tempo. Essa é uma pergunta que nos preocupa muito. Por quê essa pergunta é muito pertinente? Porque 50% do Cerrado, já foi desmatado”, explica.</p>
<p>A professora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da UnB, explicou o mecanismo que torna o Cerrado vital. Segundo ela, as raízes profundas da vegetação permitem acessar água mesmo durante a estação seca.</p>
<p>“Durante o auge da estação seca, o primeiro metro de solo do Cerrado está completamente seco. A vegetação do Cerrado, ela é tão resiliente, que começa a colocar as folhas novas antes do período chuvoso”, explica. “E o que isso significa? Que o Cerrado começa a retornar umidade para a atmosfera antes da chuva começar. Isso faz com que as massas úmidas que venham do norte do Brasil, consigam se transformar em chuva aqui”.</p>
<figure id="attachment_32963" aria-describedby="caption-attachment-32963" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32963 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32963" class="wp-caption-text">A mobilização contou com oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Quem protege</strong></p>
<p>A coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo, destacou a importância dos povos e comunidades tradicionais para a proteção do bioma. E citou grupos que mantêm uma conexão com o Cerrado, como as quebradeiras de coco babaçu , fecheiros de pasto, apanhadoras de sempre-vivas, raizeiros e os retireiros do Araguaia.</p>
<p>“Eles estão lá há muitas e muitas gerações, algumas até anteriores ao próprio estabelecimento do estado, e têm um papel muito importante na conservação do Cerrado, porque elas conseguem ter um modo de vida que permite que o Cerrado esteja lá”, explica. “É uma interação com a paisagem que permite que as águas fluam, que o carbono esteja láarmazenado, que a fauna possa permear e caminhar pelas áreas”, finaliza.</p>
<p><strong>Cerrado, Coração das Águas</strong></p>
<p>A roda de conversa no Dia Mundial da Água foi uma iniciativa da campanha Cerrado, Coração das Águas, que reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil. A inciativa contou com o apoio do Choro no Eixo. A proposta da campanha é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país.</p>
<p>Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.</p>
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