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	<title>Arquivo de Cerrado - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivo de Cerrado - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<item>
		<title>Fogo sob controle: como a umidade do ar pode tornar as queimas mais seguras no Cerrado</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fogo-sob-controle-como-a-umidade-do-ar-pode-tornar-as-queimas-mais-seguras-no-cerrado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 20:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudo no Parque Nacional da Chapada das Mesas (MA) aponta que medir a umidade relativa do ar é uma ferramenta simples e eficaz para reduzir riscos e aumentar o controle sobre o fogo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A umidade relativa do ar pode ser utilizada como um indicador prático e estratégico para decidir quando realizar queimas controladas ou prescritas. É o que aponta o </span><a href="https://connectsci.au/wf/article/35/4/WF25243/271730/Relative-air-humidity-at-the-time-of-burning-is-a"><span style="font-weight: 400;">novo estudo da assessora técnica do ISPN e pesquisadora de Manejo Integrado do Fogo (MIF), Lívia Carvalho Moura, e colaboradores</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob a orientação da professora Profa. Dra. Isabel Schmidt, publicado no International Journal of Wildland Fire.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A pesquisa “A umidade relativa do ar no momento da queima é um fator preditivo fundamental do comportamento do fogo no Cerrado”, analisou como diferentes condições — como época do ano, horário do dia e quantidade de vegetação seca (combustível) — influenciam o comportamento do fogo. Entre todos esses fatores, a umidade do ar se destacou como um dos mais determinantes para orientar decisões operacionais no campo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A ideia do estudo partiu de perguntas de manejo feitas pelo gestor do Parque Nacional da Chapada das Mesas na época, Paulo Adriano Dias, coautor do trabalho. Ao observar o manejo tradicional do fogo feito por comunidades locais e povos indígenas da região, ele queria saber como mensurar os indicadores da vegetação e do clima associados a essas práticas tradicionais para utilização em protocolos técnicos”, explica Lívia Moura Carvalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Saber o momento certo para usar o fogo de forma controlada parecia algo muito óbvio para os povos e comunidades  da região, mas para muitos gestores e pesquisadores não era muito claro e perceptível, e principalmente existia a preocupação de transmitir e disponibilizar esse conhecimento”, acrescenta Lívia. </span></p>
<p><b>Uma variável simples </b><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados do levantamento mostram que níveis mais baixos de umidade do ar estão associados a fogos mais intensos e rápidos; enquanto níveis mais altos de umidade resultam em fogo mais brando, mais lento e mais fácil de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso significa que a mesma área pode apresentar comportamentos de fogo muito diferentes dependendo apenas das condições do momento da queima — especialmente da umidade do ar ao longo do dia e da quantidade de material combustível.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Ferramenta acessível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o estudo demonstra que a umidade relativa do ar pode ser incorporada como um critério objetivo para orientar quando e como realizar queimadas planejadas. Por ser uma variável fácil de medir em campo, ela se torna uma ferramenta acessível para brigadistas e gestores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Níveis de umidade do ar acima de 50% são mais comuns durante a estação chuvosa e no início da estação seca (entre abril e junho, dependendo da região), mais especificamente no final da tarde ou início da noite, quando as temperaturas são mais baixas e o ar tende a reter mais umidade.</span></p>
<p><b>Contexto<br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">No Cerrado, incêndios sobre a vegetação nativa estão aumentando por fenômenos e mudanças climáticas extremas e falta de manejo da biomassa seca acumulada. O problema é maior no fim da estação seca, com fogos mais intensos e severos. Desde 2014, queimas prescritas são aplicadas em algumas áreas protegidas no início da seca para manejo de vegetações adaptadas ou propensas ao fogo, no âmbito da abordagem do <a href="https://ispn.org.br/noticia/manejo-integrado-do-fogo-agora-e-politica-nacional/" target="_blank" rel="noopener">Manejo Integrado do Fogo</a> (MIF).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados da pesquisa também reforçam o papel do MIF, adotado na redução dos incêndios em áreas protegidas do Cerrado. Essa abordagem pode incluir o uso de queimas prescritas em vegetações adaptadas ao fogo, no início da estação seca, para fragmentar o combustível e reduzir a quantidade de vegetação seca na paisagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao utilizar a umidade do ar como critério para definir o momento dessas queimas, é possível aumentar a segurança das operações e reduzir o risco de incêndios de grande escala no final da estação seca, que são mais intensos e difíceis de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, o estudo evidencia como o conhecimento científico pode apoiar decisões práticas, tornando o uso do fogo mais eficiente, seguro e alinhado aos objetivos de conservação do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33069" aria-describedby="caption-attachment-33069" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-33069 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg" alt="" width="800" height="535" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-300x201.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-768x514.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1536x1027.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-2048x1370.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33069" class="wp-caption-text">Pesquisadores em campo: ao centro, Lívia Moura (esquerda) e Isabel Schmidt (direita). Foto: Divulgação/Acervo ISPN</figcaption></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Plataforma expõe relação entre commodities e violações de direitos no campo brasileiro</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/plataforma-expoe-relacao-entre-commodities-e-violacoes-de-direitos-no-campo-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 21:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33034</guid>

					<description><![CDATA[A ferramenta integra informações de 2002 a 2023 e pressiona por responsabilidade nas cadeias produtivas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um olhar para fortalecer e ampliar o debate socioambiental no Brasil. Com esse objetivo, um conjunto de organizações da sociedade civil se moveu para criar uma ferramenta que reúne dados sobre conflitos no campo, desmatamento e a expansão da agricultura industrial no Brasil. </span></p>
<p><b>A Plataforma nasce como iniciativa do Observatório Socioambiental (OSA)</b><span style="font-weight: 400;">, atendendo a necessidade urgente de produzir, analisar e dar visibilidade aos impactos sociais relacionados às violações de direitos humanos no campo, gerados pela expansão das commodities no país. É uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, Imaflora, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, com consultoria da Diversa Socioambiental. </span></p>
<p><a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Acesse aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Plataforma Socioambiental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento aconteceu no dia 27 de abril na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  junto com o Relatório Caderno de Conflitos no Brasil (2025). A ferramenta reúne números de 2002 a 2023, incluindo os dados da Comissão Pastoral da Terra que disponibilizou sua série histórica de informações sobre a realidade no campo. </span></p>
<figure id="attachment_33036" aria-describedby="caption-attachment-33036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33036 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg" alt="Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33036" class="wp-caption-text">Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Ineditismo e Interatividade na Plataforma</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma se configura como principal instrumento do Observatório Socioambiental, reunindo e cruzando dados de diferentes fontes em um ambiente interativo que permite visualizar a realidade em todo o país, estados e municípios. Ainda oferece análises a partir dos registros de conflitos, os impactos ambientais, a produção, risco climático, categorias fundiárias, trabalho escravo e violência contra pessoas, qualificando as análises socioambientais diante de diversos cenários. A ferramenta permite visualizar uma realidade marcada pelo avanço das fronteiras agrícolas e a pressão sobre os territórios e seus recursos naturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As análises podem ser usadas como base para formulação de políticas públicas e pelo sistema de justiça na tomada de decisão sobre o território e garantia de demais direitos das comunidades que vivem no campo. Também é um instrumento que ajuda a pressionar por mais transparência e responsabilidade das cadeias produtivas brasileiras. </span></p>
<p><b><i>“Esse trabalho da Plataforma não se limita à quantificação dos conflitos, mas acompanha as suas transformações no decorrer do tempo, identificando os diferentes sujeitos envolvidos, suas estratégias de atuação e os impactos sobre as populações atingidas.  Trata-se de uma ferramenta importante para compreender as dinâmicas territoriais, dos conflitos e para a defesa dos direitos humanos no campo do Brasil,</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> diz um dos coordenadores da Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, Ronilson Costa. </span></p>
<p><b>Dados de violência no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As informações abrigadas na Plataforma Socioambiental revelam contradições de um país rico em diversidade de biomas e de diferentes saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais que se relacionam com a natureza. O Brasil se apresenta como grande potência agrícola global, mas bate recordes de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais, violando o direito à vida e ao território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos dez anos foram registrados 18.832 casos de conflitos no campo e 374 assassinatos. Entre 2002 e 2023 houve um total de 89.537 casos. Os estados do Maranhão, Pará, Bahia e Rondônia registraram os maiores números de ocorrências dos últimos três anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo dados do Caderno de Conflitos da CPT de 2025, o Maranhão aparece com o maior número de casos de violência nas áreas rurais pelo segundo ano consecutivo. No ano passado foram contabilizados 209 casos.</span></p>
<p><b>O Cerrado brasileiro e a expansão dos conflitos no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado, <a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">conhecido por ser o coração das águas do Brasil</a>, vem sofrendo por conta do agronegócio. A produção de commodities voltadas para abastecer o mercado externo, vem transformando a savana mais biodiversa do mundo em uma zona de sacrifício. Os dados podem ser analisados e cruzados na Plataforma Socioambiental. Sobretudo, quando se estuda a realidade na região do Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo publicado na edição especial de lançamento do Caderno de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra (2025), os pesquisadores e advogados populares Maurício Correia e Juliana Borges mostram que a região se configura como um moderno centro de produção de commodities e, como consequência, um cenário onde cresce o racismo, a violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, além de grilagem de terras e severa devastação ambiental. </span></p>
<figure id="attachment_33037" aria-describedby="caption-attachment-33037" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33037 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg" alt="Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN " width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33037" class="wp-caption-text">Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b><i>“</i></b><b><i>O grileiro veio pra cima de nós. Queimaram nossa casa e a roça de mandioca. Plantaram capim”. </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é de seu Raimundo Luís Vieira, agricultor familiar que vive no povoado Gado Bravinho, no sul maranhense, uma região dentro do Matopiba, onde as comunidades e o Cerrado são pressionados pela monocultura da soja e de outros grãos. Seu Raimundo e a esposa tiveram que deixar a casa e as roças para não perder a vida. As ameaças chegaram com os grileiros armados que expulsaram ele e a família do lugar que viviam há mais de 40 anos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os números refletem a realidade da grande fronteira agrícola brasileira que teve expansão significativa no início dos anos 2000, período considerado um marco da produção de commodities agrícolas e minerais. Em duas décadas, a área desmatada no MATOPIBA foi maior que toda a área convertida entre os anos de 1500 e 2000. Dados do INPE/Prodes de 2024 mostram que 86% do desmatamento no Cerrado ocorreu na região do Matopiba.</span></p>
<p><b><i>“Precisamos de nossos territórios titulados. É um direito de nossas comunidades. E seguimos lutando por nossa terra, com muito esforço”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz uma jovem liderança que está no Programa de Proteção a Testemunhas e que se fez presente no evento de lançamento da Plataforma e do Caderno de Conflitos da CPT. </span></p>
<p><b>Direito à água:  A realidade do acesso aos recursos hídricos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os recursos hídricos também aparecem no cerne dos conflitos. Entre 2016 e 2025, foi registrado um aumento nas ocorrências de tensões por água, envolvendo rompimento de barragens e contaminação de rios que abastecem as comunidades, mineração e vazamento de petróleo. O que era de livre acesso e bem comum para todos que vivem no território se transformou em motivo de uma luta que defende a demarcação de terras tradicionais e a proteção dos mananciais. Nos últimos dez anos foram registrados 2.754 ocorrências de conflitos por água (dados Caderno de Conflitos). Só em 2025, foram 148 casos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33038" aria-describedby="caption-attachment-33038" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33038 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg" alt="Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33038" class="wp-caption-text">Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A jovem quilombola Rosilda de Jesus Pereira, nascida no Vale do Rio Peixe Bravo, em Minas Gerais, faz parte do movimento de luta de comunidades atingidas pela mineração e pela contaminação das águas. A comunidade, composta por diversas famílias, valoriza o modo de vida ancestral, o Cerrado e a autonomia sobre o território. </span></p>
<figure id="attachment_33039" aria-describedby="caption-attachment-33039" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33039" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg" alt="Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia.Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33039" class="wp-caption-text">Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia. Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT</figcaption></figure>
<p><b><i>“Entre nossas lutas, está a busca pelo reconhecimento, a preservação do rio Peixe Bravo e o fortalecimento de nossos direitos ancestrais”, ressalta Rosilda. </i></b></p>
<p><b>Apresentação da Plataforma na Sede da União Europeia</b></p>
<figure id="attachment_33041" aria-describedby="caption-attachment-33041" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33041" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg" alt="Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33041" class="wp-caption-text">Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estratégia de divulgação internacional do tema, a Plataforma Socioambiental foi apresentada na sede da União Europeia (UE), em Brasília. Na apresentação, ressaltou-se que os dados fortalecem as evidências de violações de direitos humanos e sua relação com a produção e exportação de commodities e o desmatamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reunião foi conduzida pelo Conselheiro para Clima, Energia, Ambiente e Saúde da UE, Laurent Javaudin. Estavam presentes diplomatas de países-membros e de organizações como ISPN, Comissão Pastoral da Terra, WWF, Trase e Diversa Socioambiental.</span></p>
<p><b><i>“No campo brasileiro, registra-se um avanço da violência em territórios ocupados há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais, ocasionando o acirramento de conflitos e o aumento da violência no campo,”</i></b><span style="font-weight: 400;"> afirmou a assessora técnica do ISPN, Simone Madalosso.</span></p>
<p><b>Lei Antidesmatamento da União Europeia- EUDR</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma Socioambiental também é instrumento que se soma à luta pela aplicabilidade do regulamento  antidesmatamento da União Europeia (EUDR &#8211; European Union Deforestation Regulation). O regulamento  nasceu com o objetivo de proibir a importação e comercialização no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento e à conversão. Aprovado em junho de 2023, sua aplicação prática vem sendo sistematicamente adiada. A norma cobre as 7 principais commodities e seus derivados: carne bovina, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma. </span></p>
<p><b><i>“Os dados da Plataforma Socioambiental podem ajudar empresas privadas que importam do Brasil a identificar áreas de alto risco e conflito, bem como a origem das commodities, além de apoiar organismos nas diligências em relação às áreas onde existem registros de violação de direitos humanos no Brasil. Com as informações, ninguém pode dizer que não viu.” </i></b><span style="font-weight: 400;">afirmou a</span> <span style="font-weight: 400;">consultora da Diversa Socioambiental, Gabriela Russo Lopes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela lei, só podem entrar nos países da União Europeia produtos que forem originários de áreas não desmatadas ou convertidas e em conformidade com as leis do país de origem. A legislação tem impacto para o Brasil, porque força o agronegócio brasileiro a adaptar suas cadeias de suprimentos para garantir a rastreabilidade total, demonstrando que seus produtos, especialmente soja, café e carne, não provêm de áreas desmatadas ilegalmente. A não conformidade impedirá a comercialização do produto no bloco europeu, que é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><b><i>A Plataforma Socioambiental disponibiliza para a sociedade, tomadores de decisão e empresas, informações sobre conflitos por terra, por água e trabalho escravo  que estão relacionados com produção de commodities e vem pressionando as comunidades tradicionais do Brasil. É muito importante a disseminação das informações contidas nessa plataforma para que possamos ter políticas públicas que considerem essas questões e um maior controle social sobre esses temas.”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza- ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33042" aria-describedby="caption-attachment-33042" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33042" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg" alt="Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando intercâmbio com indígenas do Maranhão pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN" width="800" height="533" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1536x1023.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33042" class="wp-caption-text">Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando <a href="https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/" target="_blank" rel="noopener">intercâmbio com indígenas do Maranhão</a> pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Pesquisa revela grilagem verde sobre territórios tradicionais no oeste da Bahia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 14:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33026</guid>

					<description><![CDATA[Estudo cruza dados do Tô no Mapa com informações do CAR para revelar como compensações ambientais do agronegócio incidem sobre comunidades camponesas e tradicionais do Cerrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A compensação de Reserva Legal, prevista no Código Florestal como mecanismo de regularização ambiental, vem sendo usada de forma massiva pelo agronegócio no oeste da Bahia. No entanto, parte dessas áreas de compensação recai justamente sobre territórios ocupados historicamente por comunidades tradicionais e camponesas, convertendo um instrumento de preservação em estratégia de grilagem verde.</p>
<p>Essa é uma das principais conclusões do artigo <em>Making environmental compensation visible. Biased data transparency and agrobusiness strategies in the Bahianese agricultural frontier of the Cerrado</em>, publicado no Cybergeo: European Journal of Geography (disponível <a href="https://journals.openedition.org/cybergeo/42687" target="_blank" rel="noopener">neste link,</a> em inglês)</p>
<p>Assinado pelos pesquisadores Pierre Gautreau, Eve Anne Bühler e Ludivine Eloy, o estudo rastreou cadeias de compensação de Reserva Legal e identificou situações de sobreposição com territórios comunitários, revelando fragilidades na transparência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e falhas do Estado na proteção desses territórios.</p>
<p>Em entrevista ao site do Tô no Mapa, Gautreau, um dos autores do estudo, detalha os principais resultados da pesquisa e explica a importância dos dados territoriais produzidos pelas próprias comunidades por meio da plataforma.</p>
<p>Gautreau é geógrafo e pesquisador da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França. Atua no campo da ecologia política, com pesquisas sobre agronegócio, regulação ambiental, conflitos territoriais e a digitalização das políticas ambientais na América Latina, com foco especial no Brasil. Confira a entrevista:</p>
<p><strong>Como surgiu o interesse em pesquisar a fronteira agrícola do oeste baiano e a relação entre CAR e comunidades tradicionais?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Minha trajetória é na ecologia política, especialmente sobre como as sociedades latino-americanas formulam a questão ambiental e os conflitos em torno dela. Nos últimos anos, venho estudando como a digitalização das políticas ambientais modifica relações de poder, conflitos e formas de regulação.</p>
<p>No caso do oeste da Bahia, nos interessou entender como o Cadastro Ambiental Rural interagia com as dinâmicas agrárias e sociais em uma região marcada pela rápida adoção do CAR pelo agronegócio e por conflitos fundiários históricos. Já havia casos conhecidos, como o de Capão do Modesto, em Correntina, e queríamos mapear e quantificar esse processo de forma mais ampla.</p>
<p><strong>O artigo fala em “grilagem verde”. Como esse mecanismo funciona na prática?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> A grilagem verde acontece quando atores poderosos, especialmente grandes empresas, usam o argumento da conservação ambiental para atuar sobre territórios ocupados historicamente por comunidades.</p>
<p>Na prática, empresas registram áreas como Reserva Legal compensada em territórios onde vivem comunidades camponesas ou tradicionais há décadas, às vezes há mais de um século. Depois, restringem o acesso dessas populações com cercas, vigilância armada ou outros mecanismos de controle.</p>
<p>Além do impacto material, existe um efeito simbólico importante: essas comunidades passam a ser apresentadas como degradadoras do ambiente, enquanto a empresa se coloca como agente moderno e responsável. Isso é muito funcional para mercados internacionais, onde consumidores e investidores não conseguem verificar o que acontece no território.</p>
<p><strong>Quais foram os principais impactos identificados sobre as comunidades?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O primeiro impacto é a perda concreta de acesso à terra e aos recursos naturais. A empresa precisa demonstrar que está “conservando” a área, e isso frequentemente significa impedir o retorno ou a permanência das comunidades.</p>
<p>O segundo impacto é discursivo: práticas tradicionais, como o uso do fogo no manejo agrícola, passam a ser criminalizadas. Há uma narrativa falsa de que comunidades tradicionais degradam o Cerrado, quando sabemos que esses usos podem ter impacto controlado e fazer parte da construção histórica da paisagem.</p>
<p>Isso gera deslegitimação social e enfraquece a capacidade política dessas populações de defender seus direitos.</p>
<p><strong>Quando a grilagem verde atinge territórios ainda sem reconhecimento formal do Estado, a vulnerabilidade das comunidades se intensifica?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Sem dúvida. O reconhecimento formal fortalece juridicamente as comunidades e amplia suas ferramentas de defesa.</p>
<p>Mas um dos pontos mais graves que observamos é que há muitas comunidades afetadas que sequer aparecem no debate público. Com os dados do Tô no Mapa, percebemos que o número de territórios impactados é muito maior do que os casos mais conhecidos.</p>
<p>Há comunidades que já declararam seus limites territoriais, mas que não têm a mesma capacidade de mobilização política ou apoio institucional. Nesses casos, o desamparo é ainda maior.</p>
<p><strong>Qual foi a importância dos dados do Tô no Mapa para chegar a esses resultados?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Foi central. Para identificar e quantificar a incidência da compensação sobre territórios comunitários, não basta saber que existe uma comunidade em determinado município. É preciso conhecer os limites do território.</p>
<p>O Tô no Mapa oferece justamente isso: polígonos territoriais construídos a partir da autodeclaração das próprias comunidades. Isso permitiu cruzar os dados do CAR com áreas efetivamente reivindicadas e ocupadas, algo que mapas baseados apenas em pontos não permitiriam.</p>
<p>A plataforma tem um papel muito importante porque dá escala territorial à presença dessas comunidades e amplia sua visibilidade para a pesquisa e para a incidência pública.</p>
<p><strong>O artigo também critica a transparência do CAR. Onde está o principal problema?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O CAR oferece uma transparência parcial. Ele mostra que uma propriedade está regularizada, mas nem sempre permite identificar facilmente onde está a Reserva Legal compensada.</p>
<p>No período da pesquisa, foi necessário desenvolver uma metodologia de geoprocessamento bastante específica para reconstruir essas cadeias de compensação. Hoje isso melhorou, mas ainda defendemos que o sistema deveria permitir, com um clique simples, visualizar automaticamente onde está a área compensada.</p>
<p>Essa transparência é fundamental não apenas para a fiscalização ambiental, mas para verificar se empresas estão violando direitos de comunidades tradicionais ao mesmo tempo em que se apresentam como sustentáveis no mercado internacional.</p>
<p><strong>Durante a pesquisa, houve uma atualização no CAR. O que mudou e por que isso é relevante?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Quando começamos a pesquisa, os dados do CAR não permitiam identificar de forma simples a relação entre um imóvel e sua Reserva Legal compensada. Foi preciso desenvolver uma metodologia de geoprocessamento para reconstruir essas cadeias a partir do cruzamento entre diferentes camadas, como imóveis, APPs e áreas de reserva.</p>
<p>Entre a submissão e a publicação do artigo, houve uma atualização positiva na base de dados. Essa mudança passou a facilitar a identificação desses vínculos, algo que antes exigia um verdadeiro trabalho de “hacking” cartográfico.</p>
<p>Isso é relevante porque reforça uma das recomendações centrais do estudo: a plataforma precisa tornar visível, de forma imediata, onde está a Reserva Legal compensada de cada imóvel. Hoje, quando uma propriedade não apresenta a reserva dentro de seus limites, o usuário deveria conseguir localizar automaticamente, com um clique, a área usada na compensação.</p>
<p>Essa transparência é essencial para que pesquisadores, órgãos públicos, comunidades e até compradores internacionais consigam verificar se a regularização ambiental não está sendo feita às custas de violações territoriais e de direitos humanos.</p>
<p><em>Originalmente publicado no <a href="https://tonomapa.org.br/2026/04/27/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/" target="_blank" rel="noopener">portal Tô na Mapa</a></em></p>
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		<item>
		<title>Observatório Socioambiental lança ferramenta inédita que cruza dados de desmatamento e violência no campo, ao longo de quatro décadas</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/observatorio-socioambiental-lanca-ferramenta-inedita-que-cruza-dados-de-desmatamento-e-violencia-no-campo-ao-longo-de-quatro-decadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Moraes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 17:34:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33013</guid>

					<description><![CDATA[Nova ferramenta vai permitir que sociedade civil, pesquisadores e imprensa acessem e cruzem dados de forma independente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No próximo dia 27 de abril de 2026, será lançado oficialmente o <a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Observatório Socioambiental</a>, iniciativa da sociedade civil que reúne, de forma inédita, dados sistematizados entre 1980 e 2023 sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão da agricultura industrial no Brasil. O lançamento será junto com o Caderno de Conflitos da CPT, cujos dados vão constar na plataforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ação é resultado de uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, IMAFLORA, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, entidades ligadas à luta pela terra,  produção de conhecimento e na defesa dos territórios, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento marca a apresentação pública da <a href="https://plataforma.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Plataforma Socioambiental</a>, principal ferramenta do Observatório. O sistema reúne, cruza e disponibiliza dados de diferentes fontes em um ambiente digital interativo e permite visualizar, de forma segmentada, por estados e municípios, a relação direta entre o avanço da produção de commodities e os conflitos socioambientais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que organizar informações, a plataforma joga luz sobre uma realidade frequentemente invisibilizada: a de que a expansão da fronteira agrícola no Brasil tem sido acompanhada por violência, pressão sobre territórios e degradação ambiental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado não é apenas um banco de dados — é um mapa detalhado de como a expansão das commodities está diretamente associada a conflitos, violência e destruição ambiental. Ao organizar essa informação em escala inédita, o Observatório Socioambiental fortalece o controle social de forma a permitir que sociedade civil, pesquisadores e imprensa acessem e cruzem dados de forma independente. Os dados e análises podem também ser utilizados por gestores de políticas públicas e atores do sistema de Justiça para auxiliar na compreensão e tomada de decisões sobre dinâmicas territoriais, uso dos recursos naturais e defesa dos direitos humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também pressiona por mais transparência e responsabilidade nas cadeias produtivas, em um cenário de crescente cobrança internacional por rastreabilidade ambiental. E, principalmente, reposiciona o papel dos povos indígenas e comunidades locais como protagonistas na conservação dos territórios e no enfrentamento ao desmatamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa chega em um momento em que o Brasil se consolida como potência agrícola global, mas bate recordes históricos de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais.</span></p>
<p><b>Violência e desmatamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 2002 e 2023, a CPT documentou 89.583 conflitos sociais no campo brasileiro. Dentre eles, 30,9% foram de conflito pela terra, além de 12,9% dos casos estarem ligados a violência contra trabalhadores rurais, num quadro de assassinatos, tentativas de homicídio e ameaças de morte.  No mesmo período, o Pará registrou o maior número de ocorrências (15.383), seguido por Minas Gerais (8.479) e Maranhão (7.219).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale registrar que os estados com maior registro de conflitos sociais são, frequentemente, os com maior área de desmatamento. Também entre 2002 e 2023, o Pará teve 12,4 milhões de hectares desmatados, seguido por Mato Grosso (11,4 milhões de ha), Bahia (5,8 milhões de ha) e Maranhão (5,7 milhões de ha). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o que a plataforma revela é um padrão histórico: onde avança a fronteira agrícola, avançam também as violações. Assim, a Plataforma Socioambiental surge como ferramenta essencial para o fortalecimento do controle social  e o aprimoramento de políticas públicas.</span></p>
<p><b>Sobre o Observatório Socioambiental</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Observatório Socioambiental é um fórum da sociedade civil voltado a informar, qualificar e pautar o debate público sobre os impactos sociais e ambientais associados à produção de commodities agropecuárias no Brasil. Sua principal ferramenta, a Plataforma Socioambiental, consolida dados históricos e atuais para ampliar a transparência, fortalecer direitos e contribuir para a proteção dos territórios.</span></p>
<p>O lançamento da Plataforma Socioambiental será realizado no próxima segunda-feira (27), em conjunto com o Relatório de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra, a partir das 9h na s<span style="font-weight: 400;">ede da CNBB &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">Quadra SES 801 Conjunto B &#8211; Asa Sul, Brasília &#8211; DF.</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4mt0mOb-00" target="_blank" rel="noopener"> Acesse o link da transmissão no canal da CPT no Youtube</a>.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Serrinha do Paranoá e a luta pela água do Cerrado são temas de roda de conversa em Brasília</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/serrinha-do-paranoa-e-a-luta-pela-agua-do-cerrado-sao-temas-de-roda-de-conversa-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:56:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32959</guid>

					<description><![CDATA[O encontro teve objetivo de ampliar o debate público sobre a importância de proteger o bioma, que já perdeu 50% da vegetação nativa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, virou alvo de interesses que expõem a pressão sobre a região. Há algumas semanas, o local entrou na mira do Governo do Distrito Federal, que cogitou seu uso para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), envolvido no caso de corrupção com o Banco Master. A área está listada entre nove imóveis públicos que podem ser destinados para cobrir os prejuízos causados pelos negócios com o banco privado.</p>
<p>O local, que fica situado entre o Varjão e o Paranoá, e abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado nativo, é considerado um manancial hídrico estratégico para o DF. Foi justamente esse cenário que reuniu pesquisadores e ativistas no Eixão do Lazer, em Brasília, no último domingo (22), Dia Mundial da Água. O evento integrou a campanha Cerrado, Coração das Águas e chamou a atenção para a importância do bioma na segurança hídrica do país.</p>
<p>Para a Presidente da Associação Preserva Serrinha, Lucia Mendes, a resposta começa pelo reconhecimento. &#8220;A maioria da população de Brasília nunca tinha ouvido falar da Serrinha do Paranoá. Para nós que somos moradores, ativistas que fazemos parte de uma comunidade organizada e que vêm há anos buscando conhecimento sobre aquele território, entendemos quando o território está ameaçado. Mas como você vai defender o que você não conhece?&#8221;, questionou.</p>
<figure id="attachment_32962" aria-describedby="caption-attachment-32962" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32962 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32962" class="wp-caption-text">A urgência de proteger a Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, esteve no centro do debate. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Cerrado: o protagonista esquecido</strong></p>
<p>A ameaça à Serrinha não é um caso isolado, o Cerrado como um todo segue sob intensa pressão, impulsionada pela expansão agropecuária e fragilidade da legislação ambiental. O pesquisador e diretor do Instituto Cerrados, Yuri Salmona, destacou na conversa que o papel do bioma é central e ainda assim é subestimado.</p>
<p>&#8220;O protagonista no provimento de água do Brasil é o bioma Cerrado. Isso é um fato científico, não é uma opinião. Oito das 12 bacias hidrográficas do Brasil são abastecidas com água que vem do Cerrado&#8221;, afirma.</p>
<p>Mesmo assim, o bioma segue sendo o mais desmatado do país pelo segundo ano consecutivo, superando a Amazônia. “Daqui a alguns anos todo mundo vai falar de boca cheia da importância de proteger o Cerrado. A questão é se vai dar tempo. Essa é uma pergunta que nos preocupa muito. Por quê essa pergunta é muito pertinente? Porque 50% do Cerrado, já foi desmatado”, explica.</p>
<p>A professora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da UnB, explicou o mecanismo que torna o Cerrado vital. Segundo ela, as raízes profundas da vegetação permitem acessar água mesmo durante a estação seca.</p>
<p>“Durante o auge da estação seca, o primeiro metro de solo do Cerrado está completamente seco. A vegetação do Cerrado, ela é tão resiliente, que começa a colocar as folhas novas antes do período chuvoso”, explica. “E o que isso significa? Que o Cerrado começa a retornar umidade para a atmosfera antes da chuva começar. Isso faz com que as massas úmidas que venham do norte do Brasil, consigam se transformar em chuva aqui”.</p>
<figure id="attachment_32963" aria-describedby="caption-attachment-32963" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32963 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32963" class="wp-caption-text">A mobilização contou com oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Quem protege</strong></p>
<p>A coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo, destacou a importância dos povos e comunidades tradicionais para a proteção do bioma. E citou grupos que mantêm uma conexão com o Cerrado, como as quebradeiras de coco babaçu , fecheiros de pasto, apanhadoras de sempre-vivas, raizeiros e os retireiros do Araguaia.</p>
<p>“Eles estão lá há muitas e muitas gerações, algumas até anteriores ao próprio estabelecimento do estado, e têm um papel muito importante na conservação do Cerrado, porque elas conseguem ter um modo de vida que permite que o Cerrado esteja lá”, explica. “É uma interação com a paisagem que permite que as águas fluam, que o carbono esteja láarmazenado, que a fauna possa permear e caminhar pelas áreas”, finaliza.</p>
<p><strong>Cerrado, Coração das Águas</strong></p>
<p>A roda de conversa no Dia Mundial da Água foi uma iniciativa da campanha Cerrado, Coração das Águas, que reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil. A inciativa contou com o apoio do Choro no Eixo. A proposta da campanha é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país.</p>
<p>Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Intercâmbio entre povos indígenas fortalece estratégias de restauração e defesa dos territórios</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Tiemi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 14:51:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32923</guid>

					<description><![CDATA[Encontro entre lideranças do Mato Grosso do Sul e do Maranhão promove troca de saberes, articula resistência e impulsiona a recuperação de áreas degradadas diante da ausência do Estado e da pressão do agronegócio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma longa viagem de quase três mil quilômetros levou um grupo de indígenas Guarani-Kaiowá do Mato Grosso do Sul rumo aos territórios indígenas Ka’apor e Guajajara, no Maranhão. Na jornada eram oito mulheres e um homem com expectativas bem parecidas. A viagem teve um objetivo claro:<strong> trocar saberes sobre proteção da natureza e fortalecer estratégias para restaurar territórios devastados</strong>. Para eles, o encontro também representou um sonho coletivo: <strong>ver novamente florestas em pé e territórios livres</strong>. Uma paisagem que está apenas na memória dos anciãos Guarani-Kaiowá.</p>
<p>Os participantes vivem em <strong>áreas de retomada — territórios tradicionais em disputa</strong>, que são auto demarcados diante da ausência do Estado em garantir o território ancestral. No Mato Grosso do Sul, essas retomadas reivindicam o direito de existir em terras sagradas, hoje profundamente degradadas pelo avanço do agronegócio.</p>
<blockquote><p>“<em>O agro planta soja, milho, joga veneno. Devido a esse envenenamento, no nosso território já não existem mais plantas medicinais, já não existem mais árvores nativas, já não existe mais nascente, está secando. Tem algumas que já secaram bastante, já não existem mais os peixes, o remédio. Muitas coisas estão gerando mais doenças, a gente está passando por mais problemas de saúde</em>”, relata Clara Lúcia, indígena Guarani-Kaiowá.</p></blockquote>
<p>Diante desse cenário, além da luta pelo reconhecimento e pela demarcação das terras, os Guarani-Kaiowá também enfrentam o desafio de<strong> recuperar o que foi destruído</strong>. A <strong>restauração biocultural dos territórios</strong> garante a proteção da terra e das águas, fortalece a segurança alimentar nas aldeias, possibilita o acesso a plantas medicinais, protege os animais e contribui para o equilíbrio dos modos de vida e da espiritualidade.</p>
<p>Nas áreas de retomada, o cultivo da terra também tem um significado político. A presença de roças, viveiros e florestas em recuperação ajuda a <strong>legitimar as retomadas indígenas</strong> e pode ser considerada em processos judiciais de demarcação.</p>
<figure id="attachment_32928" aria-describedby="caption-attachment-32928" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32928 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32928" class="wp-caption-text">Visita às roças da Aldeia Piçarra Preta, em Bom Jardim, no Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<h3>Cerrado ameaçado</h3>
<p>O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cobrindo cerca de 24% do território nacional, uma área de aproximadamente 2 milhões de km que atravessam 13 estados brasileiros. Um bioma vital para regulação hídrica. Por isso, é considerado o <strong>coração das águas do Brasil</strong>. Dados do MapBiomas mostram que entre 1985 e 2024, o Cerrado perdeu<strong> 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa</strong>, o equivalente a 28% de sua cobertura original.</p>
<p>A pesquisa também mostra que as atividades agropecuárias cresceram 74%, a área de pastagem 14,7 milhões de hectares, atingindo seu pico em 2007, com 54,5 milhões de hectares no mesmo período.</p>
<p>Apesar de ser considerada a savana mais biodiversa do mundo, <strong>mais da metade do Cerrado já foi desmatada</strong>, principalmente pela expansão do agronegócio. A devastação provoca desertificação, escassez de água e aumenta a vulnerabilidade social das comunidades tradicionais que dependem do bioma.</p>
<blockquote><p>“<em>O nosso Cerrado foi todo devastado devido ao agro. A gente não tem mais as plantas nativas, as árvores e as frutas</em>”, afirma Maristela.</p></blockquote>
<h3>Aliança entre Povos</h3>
<p>Além das iniciativas de restauração, os povos indígenas têm fortalecido<strong> redes de articulação em âmbito nacional</strong>, promovendo encontros, intercâmbios e trocas de experiências. Essas conexões permitem compartilhar estratégias de resistência e reforçar a<strong> luta coletiva pelo direito à terra</strong>.</p>
<blockquote><p><em>“A nossa luta e a luta deles são iguais. Porque a gente luta pelos nossos direitos às terras indígenas. A terra para nós é muito preciosa. A terra é a Mãe Terra, e nós não vivemos sem a terra. Nós não vivemos sem as águas</em>”, afirma Edite Guarani.</p></blockquote>
<p>Inspiradas nessa confluência entre povos, as mulheres Guarani-Kaiowá visitaram as Terras Indígenas Alto Turiaçu e Rio Pindaré, no Maranhão, onde foram recebidas pelos povos Ka’apor e Guajajara. O objetivo era conhecer<strong> experiências locais de proteção, conservação e restauração territorial</strong>.</p>
<p>O intercâmbio contou com apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), por meio do projeto Cerrativistas: Mulheres das Águas, implementado com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF). O projeto promoveu uma <strong>formação voltada ao fortalecimento de lideranças de povos e comunidades tradicionais do Cerrado</strong>. Entre as 30 mulheres participantes do curso, cinco eram indígenas Guarani-Kaiowá, que desenvolveram projetos de coleta de sementes e produção de mudas voltadas à restauração dos territórios onde vivem.</p>
<figure id="attachment_32926" aria-describedby="caption-attachment-32926" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32926 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32926" class="wp-caption-text">Visita às matas preservadas nos territórios da TI Alto Turiaçu. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<h3>Aprendizados na floresta</h3>
<p>Durante a visita ao Maranhão, as indígenas Guarani-Kaiowá caminharam por florestas nativas e áreas em processo de restauração, coletaram sementes e mudas, beberam água de cipó, se banharam em rios amazônicos e experimentaram açaí puro pela primeira vez.</p>
<blockquote><p>“<em>Eu vim para cá para conhecer a aldeia deles, a experiência deles, como eles têm trabalhado, como eles têm aquela vontade de reflorestar o que já tinham perdido. Para nós é uma experiência que vamos levar para o nosso estado. Lá no Mato Grosso do Sul, a nossa área é bem terra nua mesmo, não tem quase nada</em>”, conta Ifigeninha Hirto Kaiowá.</p></blockquote>
<p>Odenilda Hirto Kaiowá também destacou as <strong>estratégias de proteção territorial </strong>adotadas pelos Ka’apor.</p>
<blockquote><p>“A preservação que eles fazem, o monitoramento, tudo isso eu vi lá. Quando as queimadas fizeram estrago, eles cuidaram e a floresta começou a nascer novamente.”</p></blockquote>
<p>Para Maristela Aquino, do povo Guarani Nhandeva, a troca de experiências fortalece a luta coletiva.</p>
<blockquote><p>“<em>Essa experiência foi muito importante para a gente voltar para o Mato Grosso do Sul e entender que precisamos reforçar a luta. Apoiar os territórios de retomada, seja com sementes, seja ensinando a ter viveiros de mudas, porque o contexto aqui é outro, é um contexto devastado</em>.”</p></blockquote>
<p>O intercâmbio também evidenciou diferenças entre os biomas. Enquanto os povos Ka’apor e Guajajara vivem na Amazônia, as retomadas Guarani-Kaiowá estão localizadas no Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil.</p>
<h3>Espiritualidade e resistência</h3>
<figure id="attachment_32925" aria-describedby="caption-attachment-32925" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32925 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32925" class="wp-caption-text">Indígenas Guarani-Kaiowá em imersão nas matas da Aldeia Piçarra Preta, no Maranhão. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Entre os Guarani-Kaiowá, a relação com a terra envolve <strong>dimensões materiais e espirituais inseparáveis</strong>. A natureza é entendida como um conjunto de seres vivos e espirituais com os quais os humanos estabelecem relações de respeito, cuidado e reciprocidade.</p>
<p>A vida Guarani-Kaiowá está profundamente integrada ao ambiente natural, em sua sociabilidade que atravessa planos materiais e imateriais. Os seres que habitam essas duas dimensões interagem continuamente, em relações que expressam respeito e interdependência entre humanos, animais, plantas e demais elementos da natureza. Por isso, a restauração do lar dos Guarani-Kaiowá, o bioma Cerrado, vai além da recuperação de recursos naturais. <strong>Trata-se de reconstruir vínculos culturais e espirituais ligados ao Tekohá</strong>, o território onde a vida coletiva se organiza. Além do Cerrado, os Guarani-Kaiowá também ocupam a Mata Atlântica. Na dimensão espiritual, o Tekohá abrange a terra, as florestas, os campos, as águas, as plantas e os remédios da natureza.É nesse espaço que o modo de vida dos Guarani-Kaiowá se desenvolve e ganha sentido.</p>
<p>Nesse território, também se estabelece a relação com os Tekojara, os guardiões dos “modos de ser”. Essas entidades espirituais habitam diferentes planos, tangíveis e intangíveis &#8211; e cuidam dos elementos da natureza, como animais, vegetais, minerais, águas, organizando o <strong>equilíbrio do Tekohá</strong>, lugar onde a vida se expressa.</p>
<figure id="attachment_32924" aria-describedby="caption-attachment-32924" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32924 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32924" class="wp-caption-text">Banho nas águas do Rio Pindaré. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>“<em>Nós precisamos do nosso território para continuar a cuidar da nossa natureza legítima, que é criada por deus, Tekojara, como falamos na minha língua. Por isso estamos saindo para defender</em>”, explica o líder indígena, Bonifácio Reginaldo.</p>
<p>“<em>Ka&#8217;aguy, na minha língua, mato, ele tem dono. Fizemos reza ali na frente para entrar aqui, pedindo proteção das matas. Tudo tem dono. Para cortar uma planta, pedimos permissão. Para retomarmos a terra também precisamos pedir para ele nos dar o território</em>”, diz Bonifácio.</p>
<p>Essa dimensão espiritual, no entanto, tem enfrentado novas ameaças. De acordo com relatos de lideranças e organizações indígenas, a expansão de igrejas neopentecostais nas comunidades tem provocado <strong>conflitos religiosos e episódios de violência</strong> contra casas de reza e lideranças espirituais.</p>
<p>“<em>Aqui no Mato Grosso do Sul, as igrejas evangélicas vêm com muita força e desestruturam os territórios. É outro pensamento, outra forma de entender o mundo. Acaba apagando a memória dos ancestrais, das nossas rezadoras e rezadores</em>”, relata Maristela.</p>
<h3>Terras demarcadas também sofrem pressão</h3>
<figure id="attachment_32927" aria-describedby="caption-attachment-32927" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32927 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32927" class="wp-caption-text">Vivências na sede da Aldeia Piçarra Preta. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Mesmo em territórios já demarcados, a segurança não está garantida. Cacique Pedro Viana Guajajara, da aldeia Piçarra Preta,Terra Indígena Rio Pindaré, relata que as invasões continuam ocorrendo.</p>
<p>“Mesmo tendo o território demarcado, sempre tem frustrações. O pessoal quer invadir, entra dentro do território e causa angústia. Ainda vêm ataques.”</p>
<p>Nesse contexto, a troca de experiências entre diferentes povos se torna uma <strong>ferramenta importante de resistência frente à violência e o preconceito</strong>.</p>
<h3>Juventude e futuro</h3>
<figure id="attachment_32929" aria-describedby="caption-attachment-32929" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32929 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32929" class="wp-caption-text">Mulheres da Aldeia Piçarra Preta, no município de Bom Jardim, Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>A juventude indígena também desempenha <strong>papel central nesse processo</strong>. Daniela Almeida Kaiowá, de 17 anos, viajou de avião pela primeira vez para participar do intercâmbio.</p>
<p>“As plantas que eu trouxe, açaí e outros, mandioca, eu já plantei também. Agora mesmo está chovendo. Já está dando, daqui a pouco já vai dar”, conta.</p>
<p>Para muitos jovens das retomadas, o contato com plantas nativas é algo recente, já que cresceram em áreas onde a vegetação original foi quase completamente destruída.</p>
<p>Plantar, nesses territórios, é um gesto de reconstrução. Significa restaurar a natureza, imaginar o futuro e reafirmar a permanência indígena na terra dos ancestrais. <strong>Restaurar para demarcar e demarcar para restaurar</strong>: essa é a simbiose que sustenta o futuro do Cerrado. A partir da restauração biocultural, do fortalecimento da juventude e das alianças entre povos, os Guarani-Kaiowá seguem abrindo caminhos de resistência.</p>
<blockquote><p>“Nós, jovens, somos o futuro para as gerações. Devemos fortalecer nosso modo de viver e existir, levando força no lugar dos nossos anciãos, que já não estão mais aguentando. É a nossa vez de aprender mais para cuidar da natureza e das florestas”, afirma Manoela Almeida Kaiowá, também de 17 anos.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32930" aria-describedby="caption-attachment-32930" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32930 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32930" class="wp-caption-text">Os saberes ancestrais presentes em várias gerações na Aldeia Piçarra Preta, Terra Indígena Pindaré, Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá. Acervo/ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial da Água: campanha alerta para a importância do Cerrado na segurança hídrica do país</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/dia-mundial-da-agua-campanha-alerta-para-a-importancia-do-cerrado-na-seguranca-hidrica-do-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[leticia@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 17:43:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32912</guid>

					<description><![CDATA[Campanha Cerrado Coração das Águas promove ação no dia 22 de março para debater a importância do bioma para o Distrito Federal e o país]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No próximo dia 22 de março, quando se celebra o Dia Mundial da Água, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) se soma a organizações parceiras para reforçar um alerta urgente: o bioma Cerrado, responsável por abastecer grande parte do território brasileiro, está perdendo suas águas.</p>
<p>Como parte da campanha Cerrado, Coração das Águas, será realizada uma mobilização em Brasília (DF), no Eixão do Lazer (altura da 204 Norte), a partir das 10h30. A programação inclui uma roda de conversa sobre o papel estratégico do bioma na segurança hídrica e uma oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público.</p>
<p>O evento reúne diversas organizações socioambientalistas como ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil, com o objetivo de ampliar o debate público sobre a importância do Cerrado como um verdadeiro “coração das águas”, responsável por alimentar grandes bacias hidrográficas do país.</p>
<h2>Cerrado sob pressão</h2>
<p>Dados recentes evidenciam a gravidade da situação. <a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/48441?locale=en" target="_blank" rel="noopener">Estudo conduzido pelo pesquisador Yuri Salmona</a> (UnB) analisou 81 bacias hidrográficas do Cerrado entre 1985 e 2022 e identificou redução da vazão em 88% delas. Segundo a <a href="https://cerrado.ambiental.media/pt/?_gl=1*z7cltr*_ga*NTQ4NzgwODI2LjE3NTA3MTk3NDA.*_ga_9F6ZEN5Q5P*czE3NTA3MjIyMDIkbzIkZzEkdDE3NTA3MjIyMDIkajYwJGwwJGgw" target="_blank" rel="noopener">Ambiental, agência de jornalismo baseado em ciência e dados</a>, seria o equivalente a esvaziar 30 piscinas olímpicas de água por minuto desde a década de 1970. A projeção é de perda de até 35% das reservas hídricas do bioma até 2050.</p>
<p>A principal causa está associada às mudanças no uso da terra, especialmente ao desmatamento e à expansão da fronteira agropecuária. Segundo dados do MapBiomas, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado já foi suprimida.</p>
<p>Entre os casos mais críticos está a bacia do Rio São Francisco, cuja vazão mínima de segurança caiu pela metade nas últimas décadas. A substituição da vegetação nativa por monoculturas e pastagens tem impacto direto na recarga hídrica e na manutenção dos rios.</p>
<p>Além disso, o uso intensivo da água para irrigação &#8211; que representa mais da metade do consumo hídrico nacional, segundo a Agência Nacional de Águas &#8211; aumenta ainda mais a pressão sobre os recursos disponíveis.</p>
<h2>Contaminação e impactos sociais</h2>
<p>O cenário de escassez é agravado pela contaminação das águas. O uso intensivo de agrotóxicos no Cerrado afeta diretamente a qualidade da água e a saúde das populações locais. Comunidades tradicionais, que historicamente protegem o bioma, estão entre as mais impactadas. No Cerrado, <a href="https://dados.tonomapa.org.br/" target="_blank" rel="noopener">2.600 comunidades, distribuídas em 480 municípios</a>, que desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade.</p>
<p>Relatos de territórios no oeste da Bahia apontam para o desaparecimento de nascentes, redução do nível dos aquíferos e aumento de problemas de saúde associados à exposição a substâncias químicas.</p>
<figure id="attachment_32915" aria-describedby="caption-attachment-32915" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32915 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-1024x683.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129.jpg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32915" class="wp-caption-text">Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia. Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia, manifesta preocupação com a morte de nascentes na região. “Nossa comunidade está aqui há pelo menos 300 anos. Nos últimos 50, a comunidade perdeu 97% de sua extensão para a grilagem e empresas do agronegócio, e 60 nascentes já morreram”, afirma. Além do desaparecimento das nascentes, verifica-se também a redução do nível da água do lençol freático.</p>
<blockquote><p>“A água é o sangue da terra. Assim como a gente precisa do sangue para viver, a água é o que faz brotar a vida no Cerrado. Cada árvore que é derrubada e cada nascente que morre é um pouco da gente que acaba secando também. Pensamos nas vidas que dependem daquela nascente, em toda fauna e flora que deixam de existir porque perdem sua fonte de água”, completa Elizete.</p></blockquote>
<p>Para o ISPN, reconhecer e proteger os territórios de povos e comunidades tradicionais é uma estratégia fundamental para conservar o Cerrado. Esses grupos estão presentes em milhares de comunidades e desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;Sob uma perspectiva que valoriza a soberania nacional, reconhecer os territórios dos povos e das comunidades tradicionais do Cerrado é um passo estratégico para conservar a biodiversidade do bioma para a segurança hídrica e climática do país”, destaca a coordenadora do Programa Cerrado, Isabel Figueiredo.</p></blockquote>
<h2>Serrinha do Paranoá em alerta</h2>
<p>A campanha também chama atenção para a situação da Serrinha do Paranoá, área localizada no Distrito Federal que abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado. A comunidade está recolhendo <a href="https://www.change.org/p/proteja-a-serrinha-do-parano%C3%A1" target="_blank" rel="noopener">assinaturas aqui</a> pela proteção permanente da Serrinha.</p>
<p>A possibilidade de destinação da área para fins de capitalização do Banco de Brasília, envolvido no caso de corrupção no Banco Master, levanta preocupações entre organizações socioambientais. A região integra a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central e desempenha papel relevante na segurança hídrica do Lago Paranoá.</p>
<h2>Cerrado, Coração das Águas</h2>
<p>A campanha Cerrado, Coração das Águas reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IIEB e WWF-Brasil. A proposta é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país.</p>
<p>Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-32917" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-300x191.png" alt="" width="300" height="191" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-300x191.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-1024x653.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-768x490.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-1536x980.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-2048x1306.png 2048w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<h2>Serviço</h2>
<p><strong>Roda de conversa: Do Cerrado à sua torneira &#8211; proteção integral da Serrinha do Paranoá</strong><br />
Data: 22 de março (domingo)<br />
Horário: 10h30 às 12h<br />
Local: Eixão do Lazer, Choro no Eixo, altura da 204 Norte – Brasília (DF)</p>
<p><strong>Oficina de lambe-lambe – Cerrado, Coração das Águas</strong><br />
Horário: 12h30 às 13h30<br />
Mesmo local<br />
A atividade é aberta ao público e convida todas e todos a refletirem sobre o papel do Cerrado na garantia da água, hoje e no futuro.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por um financiamento climático justo: chamado da Casa Sul Global iniciado na COP30</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/por-um-financiamento-climatico-justo-chamado-da-casa-sul-global-iniciado-na-cop30/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 13:47:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32656</guid>

					<description><![CDATA[Iniciativa reforça o apoio direto às soluções que já existem nos territórios, fortalecendo o financiamento climático baseado na escuta ativa, confiança mútua e solidariedade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Enfrentar a crise climática é uma questão de sobrevivência humana no planeta. Ainda assim, seus impactos não se manifestam da mesma maneira. Comunidades do Sul Global, marcadas por desigualdades históricas e por processos de exclusão econômica, social e política, são as que menos contribuíram para a intensificação da crise climática, mas estão entre as mais afetadas por seus efeitos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, são essas comunidades as detentoras das soluções concretas às mudanças aceleradas. O Sul Global abriga biomas essenciais para o equilíbrio ambiental do planeta e muitos territórios tradicionais de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares, que desempenham papel fundamental na conservação da biodiversidade e no enfrentamento de eventos climáticos extremos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, a diretora-superintendente do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Cristiane Azevedo, durante a 30ª Conferência das Partes (COP30), em Belém (PA), na Casa  Sul Global, destacou que o Sul Global carrega desigualdades econômicas e sociais fundamentadas pelo processo histórico de colonização. Essas desigualdades ainda ecoam e a reparação desse cenário precisa orientar o desenho das políticas e dos fundos climáticos. É preciso construir novos fluxos de poder e modelos que superem a burocracia tradicional, e o Sul Global se movimenta e se articula nesse sentido para transformar essa lógica.  </span></p>
<figure id="attachment_32657" aria-describedby="caption-attachment-32657" style="width: 773px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32657" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Foto-1.jpg" alt="" width="773" height="515" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Foto-1.jpg 512w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Foto-1-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 773px) 100vw, 773px" /><figcaption id="caption-attachment-32657" class="wp-caption-text">Cristiane Azevedo, diretora-superintendente do ISPN, durante participação em painel na Casa Sul Global na COP30. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“As comunidades já possuem soluções prontas, baseadas na sabedoria ancestral que </span><i><span style="font-weight: 400;">mantém </span></i><span style="font-weight: 400;">o céu, mas esbarram em barreiras burocráticas e na ausência de estruturas que permitam que o dinheiro circule de forma justa e acessível nas plataformas e práticas de cooperação ainda hegemonizadas pelo colonialismo. A democratização do acesso aos recursos é urgente, e iniciativas como o Fundo Ecos do ISPN atuam para facilitar esse fluxo e reposicionar as populações no centro das decisões”, diz Cristiane Azevedo. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, como fazer com que o financiamento climático alcance, com segurança e eficácia, as comunidades que enfrentam e respondem à crise climática em seus territórios? Esse foi um dos principais questionamentos que moveram as discussões no espaço físico da </span><strong><a href="https://theglobalsouthhouse.com/pt/home/">Casa Sul Global</a></strong><span style="font-weight: 400;"> durante a COP30, entre 10 a 21 de novembro de 2025.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Casa Sul Global é uma plataforma coletiva criada por e para o Sul Global, visando reestruturar os fluxos de recursos e as dinâmicas de poder na filantropia por clima, natureza e justiça socioambiental, impulsionando contínuas transformações, além da COP30. É fruto da articulação entre a </span><strong><a href="https://alianzafondosdelsur.org/">Alianza Socioambiental Fondos del Sur</a></strong><span style="font-weight: 400;"> e a </span><strong><a href="https://redecomua.org.br/a-casa-sul-global-tem-sua-primeira-edicao-durante-a-cop30/">Rede Comuá</a></strong><span style="font-weight: 400;"> —  das quais o ISPN, com o Fundo Ecos, faz parte, juntamente com dezenas de fundos comunitários e temáticos de diferentes países da América Latina, África e Sudeste Asiático. A Rede de Fundos Comunitários da Amazônia Brasileira e o movimento #ShiftThePower foram parceiros nessa primeira edição, na COP30.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN esteve presente durante as duas semanas de atividades da Casa Sul Global somando-se aos 109 painelistas e 84 organizações que movimentaram o espaço, com um público de mais de 1,2 mil pessoas e a presença de cerca de 50 países.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa foi uma importante oportunidade para demonstrar que os mecanismos tradicionais de financiamento, ainda marcados por lógicas coloniais, não conseguem responder de forma justa e eficaz às necessidades de quem protege os biomas. Por isso, é preciso seguir com a transformação da arquitetura de financiamento global para o clima, natureza e pessoas. </span></p>
<figure id="attachment_32665" aria-describedby="caption-attachment-32665" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32665" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20251118_140601-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20251118_140601-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20251118_140601-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20251118_140601-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20251118_140601-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20251118_140601-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20251118_140601-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32665" class="wp-caption-text">Espaço físico da Casa Sul contou com o público de mais de 1,2 mil pessoas e a presença de cerca de 50 países. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">A coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Silvana Bastos, destacou que os territórios são espaços de vida, cultura e cooperação, dimensões essenciais para que a agroecologia floresça. Por isso, os “eventos climáticos extremos exigem respostas rápidas e os recursos precisam acompanhar esse ritmo, o que implica reduzir burocracias e rever processos que atualmente atrasam implementar ações urgentes”, comentou. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">No chamado da COP30, momento histórico no Brasil, ficou evidente que o Sul já possui arquiteturas próprias de financiamento, baseadas na transparência, na proximidade com os territórios e na valorização das soluções locais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E ouvir as comunidades é uma etapa central na construção desse financiamento justo, como colocou a educadora do </span><a href="https://www.fundodema.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Fundo DEMA</span></a><span style="font-weight: 400;"> — fundo brasileiro de justiça socioambiental criado em 2003 —, Alline Souza Nascimento. Ela chama a atenção para como o processo de escuta nos territórios é uma ferramenta essencial para </span><i><span style="font-weight: 400;">definir </span></i><span style="font-weight: 400;">os focos das chamadas e as orientações de trabalho dos fundos. Para ela, as comunidades não devem ser tratadas como </span><i><span style="font-weight: 400;">beneficiárias</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas sim como protagonistas e agentes de transformação, pressupondo relações mais humanizadas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Trabalhar com comunidades é diferente de trabalhar para comunidades. Isso implica processos decisórios horizontais, rodas de conversa nos territórios e a garantia de que sonhos, demandas e perspectivas locais se traduzam nas chamadas dos fundos. As comunidades são agentes de transformação e não apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">beneficiárias </span></i><span style="font-weight: 400;">de recursos”, declarou Alline Souza Nascimento. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">As comunidades no centro das discussões, com uma arquitetura de financiamento que priorize a voz daquelas mais afetadas pelas crises climáticas, ambientais e sociais em suas instâncias de governança, é um dos pontos centrais do </span><a href="https://theglobalsouthhouse.com/pt/manifesto/"><span style="font-weight: 400;"><strong>Manifesto da Casa Sul Global</strong></span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse documento foi construído de maneira colaborativa entre as organizações dos fundos de diferentes países que integram essa articulação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É necessário que a filantropia reconheça os diferentes contextos, ritmos e realidades das comunidades. De acordo com a especialista em biodiversidade do </span><strong><a href="https://www.funbio.org.br/">Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO)</a></strong><span style="font-weight: 400;">, Andreia de Mello Martins, o desafio consiste em reduzir os rigores sem desrespeitar as dinâmicas locais. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Devemos aprender a dialogar com organizações que ainda estão em processo de estruturação e evitar que exigências externas desorganizem práticas culturais e comunidades que já produzem soluções efetivas”, explica Andreia de Mello Martins. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para complementar a ideia, a representante do </span><strong><a href="https://www.adaptation-fund.org/">Fundo de Adaptação</a></strong><span style="font-weight: 400;">,  Naysa Ahuja, afirmou que “a responsabilidade das instituições financeiras é garantir que os recursos cheguem corretamente às pessoas que realmente enfrentam os efeitos da crise climática”.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_32659" aria-describedby="caption-attachment-32659" style="width: 779px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32659" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Foto-3.jpg" alt="" width="779" height="584" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Foto-3.jpg 512w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Foto-3-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 779px) 100vw, 779px" /><figcaption id="caption-attachment-32659" class="wp-caption-text">Liderança indígena e agricultora familiar, Vanussa Guajajara durante a colheita em roça agroecológica na Terra Indígena Rio Pindaré, no Maranhão. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares colocam o  Sul no Centro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a COP30 no Brasil tenha registrado avanços políticos importantes, como a adoção de mecanismos para implementar a Meta Global de Adaptação e o reconhecimento dos direitos indígenas como estratégias climáticas, os compromissos financeiros não tiveram uma definição clara de valores, fontes e responsabilidades. Isso significa, para o Sul Global, continuar lidando com os impactos mais severos da crise climática sem os recursos globais necessários para adaptação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da lentidão, da burocracia e das lacunas deixadas pelas negociações multilaterais, é evidente que a reorganização dos fluxos de financiamento deve considerar modelos mais justos, eficazes e alinhados às realidades territoriais, conforme demonstrado na Casa Sul Global. </span></p>
<figure id="attachment_32660" aria-describedby="caption-attachment-32660" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32660" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Imagem-4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Imagem-4-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Imagem-4-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Imagem-4-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Imagem-4-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Imagem-4-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Imagem-4-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-32660" class="wp-caption-text">Ao lado da fundadora do Fundo Casa, Rodrigo Noleto, coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, ressaltou o Fundo Ecos como mecanismo para além do apoio financeiro. Foto: Juliana Simões/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">O coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto, ressalta o Fundo Ecos como um mecanismo para além do apoio financeiro às organizações comunitárias. “A estratégia que chega junto com o recurso financeiro contempla o fortalecimento institucional, o protagonismo comunitário, a promoção dos diálogos interinstitucionais e a geração e disseminação de conhecimentos. Isso é a expressão da nossa estratégia, que busca fortalecer um território ou uma paisagem produtiva ecossocial”, explica. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos é um desses modelos que busca fortalecer organizações e soluções comunitárias, com a valorização do protagonismo e da capacidade local de decidir e liderar suas próprias ações, a partir do financiamento de projetos socioambientais</span><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Ao longo de mais de 30 anos de atuação, são mais de 1.000 projetos executados, com cerca de 2,6 mil organizações apoiadas e mais de 128 mil famílias envolvidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para acompanhar mais sobre o Fundo Ecos, acesse </span><strong><a href="https://fundoecos.org.br/">aqui</a></strong><span style="font-weight: 400;"> e para conhecer mais sobre A Casa Sul Global, acesse </span><strong><a href="https://theglobalsouthhouse.com/pt/home/">aqui</a></strong><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Novo relatório do Tô no Mapa revela que territórios tradicionais preservam até 80% de vegetação nativa, mesmo sob pressão externa de desmatamento</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/novo-relatorio-do-to-no-mapa-revela-que-territorios-tradicionais-preservam-ate-80-de-vegetacao-nativa-mesmo-sob-pressao-externa-de-desmatamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 18:21:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32566</guid>

					<description><![CDATA[Uso da terra por povos e comunidades tradicionais reforça papel desses territórios na conservação dos biomas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os territórios ocupados por Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e Agricultores Familiares desempenham um papel essencial para a conservação ambiental no Brasil. É o que reforça o 6º Relatório de Povoamento do Tô no Mapa, lançado pela iniciativa que apoia, desde 2020, a autodeclaração territorial dessas comunidades por meio de aplicativo gratuito.</p>
<p>O estudo teve como foco o uso da terra nas comunidades tradicionais e analisou 399 territórios tradicionais, distribuídos em 111 municípios de 11 estados diferentes, cruzando essas informações com a série histórica da iniciativa MapBiomas, que abrange dados do período de 1985 a 2024.</p>
<p>O levantamento inédito mostra que os territórios tradicionais autodeclarados preservam, em média, 80% de vegetação nativa, enquanto as áreas ao redor apresentam um índice de cerca de 65%. Entre 2023 e 2024, o desmatamento dentro dos territórios automapeados foi 16 vezes menor do que em seu entorno.</p>
<p>Esses resultados revelam que os territórios tradicionais atuam como “barreiras vivas” contra a degradação ambiental, especialmente em biomas sob forte pressão, como o Cerrado, que registrou os maiores índices de desmatamento do país nos últimos dois anos.</p>
<blockquote><p>“O modo de vida dos Povos e Comunidades Tradicionais conserva os territórios e os territórios conservados viabilizam o modo de vida, em uma relação cuja permanência é essencial para um equilíbrio ambiental que beneficia a sociedade como um todo”, destaca o coordenador executivo da iniciativa Tô No Mapa e assessor técnico do ISPN, André Moraes.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32568" aria-describedby="caption-attachment-32568" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32568" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-09-at-15.01.42.jpeg" alt="" width="1600" height="1200" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-09-at-15.01.42.jpeg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-09-at-15.01.42-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-09-at-15.01.42-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-09-at-15.01.42-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-09-at-15.01.42-1536x1152.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-32568" class="wp-caption-text">Territórios tradicionais preservam cerca de 80% da vegetação nativa, bem acima das áreas vizinhas, e tiveram 16 vezes menos desmate entre 2023 e 2024.</figcaption></figure>
<p>Principais destaques do relatório:</p>
<ul class="wp-block-list">
<li>1,3 milhão de hectares já automapeados no aplicativo Tô No Mapa.</li>
<li>80% de vegetação nativa preservada dentro dos territórios.</li>
<li>4 dos 6 biomas brasileiros já possuem comunidades mapeadas.</li>
<li>19 segmentos de PCTs representados no aplicativo Tô no Mapa (como quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, indígenas, entre outros).</li>
<li>Maranhão lidera em número de comunidades cadastradas (231).</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>O cruzamento dos dados do Tô no Mapa com informações sobre uso do solo, como as geradas pelo MapBiomas, representa um avanço significativo para o reconhecimento dos territórios de Povos, Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares. A tecnologia aliada aos conhecimentos tradicionais permite identificar sobreposições com atividades como desmatamento, expansão agrícola, mineração e infraestrutura, fornecendo subsídios para políticas públicas e processos de regularização fundiária.</p>
<p>A iniciativa também tem integração com a Plataforma de Territórios Tradicionais (PTT), coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF) e Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), fortalecendo a defesa dos direitos territoriais.</p>
<p>O Tô No Mapa é uma realização do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), do Instituto Cerrados, da Rede Cerrado, com apoio financeiro da Climate and Land Use Alliance (CLUA), da Good Energies Foundation, da Ecosia e do DANIDA. A ferramenta é gratuita, acessível e construída a partir do diálogo direto com as comunidades.</p>
<p>O relatório completo está disponível em: <a href="https://tonomapa.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Relatorio6-_-TnM.pdf">https://tonomapa.org.br/ </a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cerrado enfrenta desmatamento acelerado e entra no centro do debate sobre conservação</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/cerrado-enfrenta-desmatamento-acelerado-e-entra-no-centro-do-debate-sobre-conservacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andreza Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 14:16:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32441</guid>

					<description><![CDATA[O Cerrado cobre cerca de 2.036.448 quilômetros quadrados ou 22% do território nacional, o que é equivalente a 22% do país, mas ainda é pouco conhecido e valorizado. Chamado de ‘caixa d’água do Brasil’, o bioma abriga oito das doze maiores bacias hidrográficas do país e três grandes aquíferos — Guarani, Urucuia e Bambuí. A vegetação [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Cerrado cobre cerca de <a href="http://cerrado.museuvirtual.unb.br/index.php/importancia">2.036.448 quilômetros quadrados ou 22% do território nacional</a>, o que é equivalente a 22% do país, mas ainda é pouco conhecido e valorizado. Chamado de ‘caixa d’água do Brasil’, o bioma abriga oito das doze maiores bacias hidrográficas do país e três grandes aquíferos — Guarani, Urucuia e Bambuí.</p>
<p>A vegetação típica, composta por árvores de raízes profundas e adaptadas à seca, garante a infiltração da água no solo e alimenta rios que correm para diferentes regiões. Essa característica torna o bioma essencial para o abastecimento de grandes centros urbanos e para a manutenção da agricultura irrigada no país, funcionando como um elo entre a Amazônia, o Pantanal, a Caatinga e a Mata Atlântica. Essa posição intermediária faz dele um dos principais reguladores do sistema hídrico da América do Sul.</p>
<p>Porém, nas últimas décadas, o Cerrado vem sofrendo um processo de conversão acelerada de áreas naturais em pastagens e monoculturas. De acordo com estudo publicado na <a href="https://www.mdpi.com/2071-1050/15/5/4251">revista Sustainability</a>, o bioma já perdeu cerca de 50% da vegetação nativa original. Essa redução drástica compromete a recarga dos aquíferos, a formação de chuvas e o equilíbrio climático regional.</p>
<p>Modelos hidrológicos indicam que, se a tendência de degradação se mantiver, os rios que nascem no Cerrado e alimentam outros biomas poderão perder até 35% da vazão até 2050. Hoje, o Cerrado responde por mais da metade do desmatamento total registrado no Brasil. A perda de cobertura vegetal também impacta a biodiversidade do bioma que possui mais de 12 mil espécies de plantas nativas, das quais cerca de 40% são exclusivas dessa savana tropical.</p>
<p>Por tudo isso, <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2025/10/7280508-acoes-em-defesa-do-cerrado-devem-ser-levadas-a-cop30-em-belem.html">durante a COP 30</a>, em Belém, o Cerrado deverá estar no centro do debate sobre conservação e clima. Transformar diagnósticos científicos em políticas efetivas é o principal desafio.</p>
<h2>Reconhecimento dos modos de vida e territórios tradicionais</h2>
<p>O caminho da preservação desse bioma envolve o reconhecimento de seus territórios e comunidades tradicionais. A região concentra diversas comunidades humanas que mantêm modos de vida estreitamente ligados à paisagem, como <a href="https://www.cerratinga.org.br/povos/geraizeiros/">geraizeiros</a>, <a href="https://www.campanhacerrado.org.br/noticias/85-vazanteiros-do-cerrado">vazanteiros</a>, <a href="https://infoamazonia.org/2024/04/30/mulheres-quebradeiras-de-coco-babacu-pedem-respeito-a-legislacao-que-protege-a-atividade-ancestral/">quebradeiras de coco-babaçu</a>, <a href="https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/acesso-a-alimentos-e-a-agua/articulacao-de-politicas-publicas-de-san-para-povos-e-comunidades-tradicionais/comunidades-de-fundos-e-fechos-de-pasto">fundo e fecho de pasto,</a>, <a href="https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/acesso-a-alimentos-e-a-agua/articulacao-de-politicas-publicas-de-san-para-povos-e-comunidades-tradicionais/veredeiros">veredeiros</a>,<a href="https://ispn.org.br/biomas/cerrado/povos-indigenas-e-comunidades-tradicionais-do-cerrado/">quilombolas</a> e <a href="https://theconversation.com/depoimento-a-luta-do-povo-xavante-pela-preservacao-do-rio-das-mortes-no-cerrado-de-mato-grosso-264880">indígenas</a>. Todos esses grupos desenvolvem práticas de manejo sustentável que ajudam a conservar a vegetação e as nascentes. No entanto, a maioria dessas populações ainda vive sem o reconhecimento jurídico de seus territórios, o que as torna vulneráveis à grilagem, à expulsão e à violência.</p>
<p>Na tentativa de reverter a situação, <a href="https://www.anf.org.br/cnpct-cobra-celeridade-na-regulamentacao-fundiaria-para-povos-e-comunidades-tradicionais/">uma minuta de decreto para a titulação de territórios tradicionais</a>, elaborada com a participação do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), está sendo discutida pelo governo federal. A proposta prevê a titulação definitiva das áreas ocupadas historicamente por essas comunidades, indo além das modalidades já existentes — como reservas extrativistas e projetos de desenvolvimento sustentável.</p>
<p>O texto propõe também a autodeclaração como instrumento essencial de registro e proteção, reconhecendo o papel das próprias comunidades na gestão territorial. <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-04/preservacao-de-biomas-em-terras-indigenas-e-31-maior-diz-isa">Estudos em políticas socioambientais </a>indicam que territórios tradicionalmente ocupados apresentam menores índices de desmatamento e maior capacidade de regeneração natural. Assim, a regularização fundiária é vista como parte de uma política pública baseada em evidências científicas e voltada à segurança hídrica e climática do país.</p>
<p>Especialistas ressaltam que a conservação do Cerrado também depende de mecanismos complementares, como as <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/121000-servidao-ambiental-e-servidao-florestal/">Áreas de Servidão Voluntária (ASVs)</a> — que permitem a proteção de áreas privadas sem perda da posse — e incentivos à restauração ecológica. Essas iniciativas integram o esforço de equilibrar produção agrícola, conservação e abastecimento de água, pilares centrais do desenvolvimento sustentável brasileiro.</p>
<h2>Campanha pelo Cerrado</h2>
<p>A valorização do Cerrado tem ganhado força em campanhas e projetos de comunicação científica. A iniciativa <a href="https://cerrado.org.br/">“Cerrado, Coração das Águas”</a>, coordenada pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) em parceria com redes e organizações da sociedade civil, busca ampliar a compreensão sobre a importância do bioma. A campanha utiliza dados técnicos de monitoramento ambiental para demonstrar como a perda de vegetação reduz a infiltração de água no solo e aumenta a frequência de secas extremas.</p>
<p>Essa abordagem combina ciência e educação ambiental, mostrando que a preservação do Cerrado depende tanto de políticas públicas quanto de práticas locais sustentáveis. A campanha também destaca a convergência entre conhecimento científico e saberes tradicionais — ambos fundamentais para conservar os recursos hídricos que sustentam o país.</p>
<p>O reconhecimento jurídico de territórios tradicionais, aliado à criação de incentivos à conservação e à restauração, pode fortalecer a resiliência ecológica do bioma. O futuro do Cerrado — e da segurança hídrica nacional — depende da capacidade do país de integrar ciência, governança e participação social em uma mesma política de conservação. Sem Cerrado, não há água. E sem água, não há futuro.</p>
<p><a href="https://theconversation.com/cerrado-enfrenta-desmatamento-acelerado-e-entra-no-centro-do-debate-sobre-conservacao-267412">Artigo publicado originalmente na revista The Conversation</a></p>
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