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	<title>Arquivo de Protagonismo comunitário - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivo de Protagonismo comunitário - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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		<title>ISPN fortalece a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais na SOBRE 2026</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ispn-fortalece-a-participacao-de-povos-indigenas-e-comunidades-tradicionais-na-sobre-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 21:21:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[“O financiamento para a restauração precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração”, destaca a analista socioambiental do ISPN, Jéssica Pedreira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 27 e 31 de julho de 2026, a Universidade de Brasília sediou a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), o maior encontro de restauração ecológica do país. O evento reuniu pesquisadores, representantes de órgãos públicos, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs), produtores de sementes e mudas, organizações da sociedade civil, empresas e universidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram cinco dias de plenárias, rodas de conversa, oficinas e simpósios que abordaram diferentes temas relacionados à restauração ecológica no Brasil. O ISPN apoiou a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e jovens estudantes das escolas do campo nos debates.</span></p>
<figure id="attachment_33553" aria-describedby="caption-attachment-33553" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-33553" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33553" class="wp-caption-text">Elizete Barreto, fecheira da Comunidade Tradicional de Fecho de Pasto Clemente, se apresenta na plenária sobre restauração e Crise climática. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nesses mais de 30 anos de projetos apoiados para a restauração nos territórios, a gente já entendeu que a restauração é muito mais do que os hectares restaurados e envolve muitas outras dimensões”, explica a analista socioambiental do ISPN, Natanna Horstmann. “A gente pode citar a dimensão de fortalecimento de coletivos, associações e cooperativas que constroem essas temáticas nos seus territórios. A gente também pode falar da dimensão de aprendizagem, na medida que o que compõe a restauração são conhecimentos tradicionais que há muito tempo resguardam e manejam seus territórios”, completa.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33545" aria-describedby="caption-attachment-33545" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-33545" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Natanna Horstmann na oficina Educação do campo como base para a restauração ecológica. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33545" class="wp-caption-text">Natanna Horstmann na oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos territórios se faz restauração de diversas formas e em diversos contextos:  recaatingamento, restauração produtiva, sistemas agroflorestais, quintais produtivos, entre outras iniciativas de enorme relevância para o bem-viver das comunidades que as desenvolvem.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente também pode falar do acesso a mercados, na medida que a restauração também é produtiva e fornece alimentos saudáveis, além de frutos para o extrativismo e para a própria cadeia da restauração, como a produção de sementes nativas e de mudas”, pontuou Natanna Horstmann. “Por fim, a gente precisa ter uma visão da restauração na escala da paisagem, que inclui pensar a partir da segurança hídrica, a partir de priorização de áreas e da proteção e gestão territorial”, acrescentou. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN também participou de encontros das redes do Cerrado, Caatinga e Amazônia, que abordaram a importância das redes biomáticas para a interligação de diferentes atores coletivos da restauração nos biomas. Essas redes atuam para compartilhar aprendizados, mapear iniciativas, fortalecer colaborações territoriais, produzir conhecimentos sobre restauração e até influenciar coletivamente o olhar sobre políticas públicas sobre o tema.</span></p>
<p><b>Educação no campo e restauração</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 28, o ISPN promoveu a oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;, voltada a professores e estudantes dos Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs). Além dos mais de 30 parceiros apoiados pelo ISPN para participarem da conferência, a atividade reuniu diversos participantes interessados no tema. A oficina foi organizada em grupos distintos, estudantes, professores e profissionais de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), permitindo que cada segmento discutisse o papel da restauração ecológica sob sua própria perspectiva para a educação do campo.</span></p>
<figure id="attachment_33547" aria-describedby="caption-attachment-33547" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33547 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Estudantes participam da oficina 'Educação do campo como base para a restauração ecológica'. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33547" class="wp-caption-text">Estudantes participam da oficina &#8216;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8217;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para o coordenador da Casa Familiar Rural de Zé Doca, do Maranhão, Leniomar Rodrigues Mendonça, as oficinas na SOBRE foram importantes para trocar experiências com outras comunidades e escolas. “A gente tem um Sistema Agroflorestal (SAF) implantado ano passado. E a gente consegue fazer com que os alunos se envolvam nesse SAF, mostrando que esses sistemas podem ser replicados nas suas comunidades. Com essas oficinas podemos levar novas ideias e inovações para a nossa escola, fortalecendo esse trabalho de recuperação agroecológica”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, os grupos apresentaram em plenária uma síntese das discussões, que subsidiou a elaboração de uma carta apresentada no dia seguinte durante a roda de conversa &#8220;Construindo as Bases da Restauração nos Territórios: da Escola à Assistência Técnica&#8221;. A roda de conversa reuniu representantes da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), dos Institutos Federais, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dos CEFFAs e de outras instituições parceiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diálogos levantaram a necessidade de reconhecimento das CEFFAs como escolas de tempo integral, garantindo financiamento adequado para suas atividades e desenvolvimento dos Projetos Profissionais dos Jovens (PPJs), fortalecendo a educação do campo como estratégia para restauração da sustentabilidade dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Restauração em Terras Indígenas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O ISPN, por meio da equipe do Programa Povos Indígenas, organizou a roda de conversa &#8220;Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas&#8221;, reunindo representantes das Terras Indígenas que compõem o Mosaico Gurupi e da Terra Indígena Kanela. A roda contou com a presença de representantes do Ibama dos estados do Pará e Maranhão, da Embrapa do Pará, Funai, ICMBio, da Conservação Internacional, pesquisadores e demais interessados. </span></p>
<figure id="attachment_33548" aria-describedby="caption-attachment-33548" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33548" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg" alt="Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33548" class="wp-caption-text">Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro foi fundamental para fortalecer alianças entre os diferentes atores envolvidos na conservação e restauração dessa região que resguarda os últimos remanescentes florestais da Amazônia Oriental. As discussões evidenciaram a necessidade de ampliar as ações para além das terras indígenas, alcançando também áreas onde se avança  a degradação ambiental e que levam a perda da biodiversidade, aumento da temperatura e impactos importantes em nascentes e cursos d´água, que comprometem a disponibilidade e qualidade hídrica na região, em especial na Bacia Hidrográfica do Pindaré. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, destacou-se a importância do trabalho em rede para sensibilizar proprietários rurais para a restauração das Áreas de Preservação Permanente (APPs), contribuindo para a proteção dos recursos hídricos e para a segurança nos territórios indígenas.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_33549" aria-describedby="caption-attachment-33549" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33549" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka'apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33549" class="wp-caption-text">Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka&#8217;apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a roda de conversa, o brigadista da Terra Indígena Caru, Jamilson Guajajara, compartilhou sua experiência com o Sistema Agroflorestal (SAF) implantado no território, que envolve um trabalho em conjunto de brigadas, guardiões, guerreiros e juventude.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente está vendo que está dando resultado. E a gente não quer parar. Lá na região da [TI] Caru, que é uma região que tinha muito madeireiro e destruição, ficaram cicatrizes. Então a gente pensou de estar levando esse reflorestamento também para lá”, relatou, mostrando que o processo da restauração também fortalece a proteção do território. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33550" aria-describedby="caption-attachment-33550" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33550" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33550" class="wp-caption-text">Valber Tembé (de camiseta preta, ao microfone), da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O líder indígena Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, destacou que a restauração ambiental, para os povos indígenas, vai muito além do plantio de árvores, envolvendo história, espiritualidade, modos de vida e relações com o território. Ele enfatiza a importância de parceiros conhecerem a realidade local, as necessidades e os saberes de cada comunidade, para que os projetos não fracassem como outros que falharam por falta de diálogo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O povo [indígena] já restaura desde muito tempo, desde quando os mais velhos começaram a lutar para defender o território, para não ser derrubada uma árvore. O território já vem sendo restaurado pelos anciãos que estavam lá, pelos que morreram lá dentro do território, dando a sua vida por uma árvore não ser derrubada”. </span></p></blockquote>
<p><b>Financiamento</b><b><br />
</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encerrando nossa participação na conferência, Jessica Pedreira, analista do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, integrou a plenária de encerramento &#8220;Financiamento para uma Restauração Diversa e Inclusiva&#8221;, ao lado de Sérgio Leitão, do Instituto Escolhas, Rafael Stein, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Fabrícia Santarém, geraizeira, coordenadora da Araticum e integrante da Coocrearp.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O financiamento para a restauração, para ser de fato inclusivo e participativo, precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração, que são as pessoas mais afetadas pelas mudanças climáticas, pela insegurança hídrica, pelos efeitos da seca, que são as mulheres”, afirma Jéssica Pedreira. Ela acrescenta que para além de pensar em inclusão, a restauração de fato precisa “fazer chegar nos territórios um recurso que traga fortalecimento das organizações de base e aprimoramento das capacidades locais”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A analista do ISPN apresentou a experiência do Fundo Ecos como um mecanismo de financiamento inclusivo e participativo, capaz de direcionar recursos para organizações de base comunitária que atuam diretamente na conservação da biodiversidade e na restauração ecológica, fortalecendo iniciativas locais a partir da escuta das necessidades de quem vive e atua nos territórios nessa linha de frente.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final da SOBRE 2026, ficou evidente que a restauração ecológica é, antes de tudo, fortalecer pessoas, meios de vida e territórios. Os debates reforçaram que o futuro da restauração depende do reconhecimento e do protagonismo de quem vive, protege e transforma esses territórios diariamente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN encerra esta edição da conferência com a convicção de que esse caminho se constrói em parceria e com o compromisso de seguir ampliando o apoio às iniciativas comunitárias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Que, em 2028, possamos retornar à próxima edição da SOBRE com uma atuação ainda mais consolidada e com a presença cada vez mais forte de nossos parceiros, evidenciando o papel fundamental que povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e organizações locais desempenham nessa teia da restauração” finalizou o coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunidades rurais assumem restauração florestal na Amazônia maranhense</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/comunidades-rurais-assumem-restauracao-florestal-na-amazonia-maranhense/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 13:50:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33517</guid>

					<description><![CDATA[Conheça o trabalho que pretende criar um modelo de restauração florestal e produtiva para ajudar comunidades a restaurar 400 hectares de floresta degradada no Maranhão
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No dia 6 de agosto, o assentamento rural Quadra de São José, na cidade de Zé Doca, Região do Pindaré, no Oeste do estado do Maranhão, completou 29 anos de existência. A comunidade fica numa área degradada da Amazônia maranhense. Um mês antes, no dia 7 de julho, um grupo de trabalhadores e trabalhadoras rurais recebeu uma equipe técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) para planejar a restauração florestal e produtiva de uma área de um hectare dentro da Quadra de São José. O plantio das mudas vai começar em janeiro de 2027. Se tudo der certo nesta primeira etapa, em janeiro de 2028, esse grupo vai iniciar a restauração produtiva de mais dez hectares na própria comunidade.</span></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/noticia/indigenas-conservam-floresta-que-protege-rio-de-600-km-no-maranhao/"><span style="font-weight: 400;">Estudos</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostram que resta menos de 20% de floresta na bacia do Rio Pindaré, um dos principais rios que cortam a Amazônia maranhense, e que essa pequena porção conservada se encontra quase totalmente dentro de Terras Indígenas. A Quadra de São José é uma das 13 comunidades (12 assentamentos rurais e uma comunidade quilombola) que aderiram a uma iniciativa que pretende restaurar 400 hectares de floresta degradada: o Projeto Restaura Maranhão. Mais que isso, o projeto busca desenvolver um modelo de restauração florestal e produtiva, com base comunitária, que possa ser replicado nos municípios da região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Restaura Maranhão é apoiado por recursos do Fundo Amazônia e integra o Restaura Amazônia: um programa do BNDES e do governo federal que conta com a Conservação Internacional (CI-Brasil) como parceira gestora no Pará e no Maranhão. Na Amazônia maranhense, o projeto é executado pelo ISPN, com a parceria de organizações locais, associações comunitárias, sindicatos e instituições de ensino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o trabalho está a todo vapor. Entre a reunião na Quadra de São José e o dia 23 de julho, a antropóloga e coordenadora do Restaura Maranhão, Ana Tereza Ferreira, e o engenheiro florestal e analista socioambiental, Luan Hamon, ambos do ISPN, percorreram mais de mil quilômetros de estradas – entre os municípios de Viana, Pedro Rosário, Zé Doca, Araguanã, Açailândia e Cidelândia – para visitar as comunidades envolvidas e planejar o trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_33519" aria-describedby="caption-attachment-33519" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33519" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-1024x577.jpg" alt="Reunião de planejamento do plantio de 2027 realizada na igreja católica da Quadra de São José. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33519" class="wp-caption-text">Reunião de planejamento do plantio de 2027 realizada na igreja católica da Quadra de São José. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante as reuniões de planejamento, além de definir um cronograma de ações de preparação para o início do plantio em janeiro do ano que vem, as comunidades escolheram onde serão implantadas suas “unidades demonstrativas” (UD). Como na Quadra de São José, cada comunidade que participa do Restaura Maranhão escolheu um hectare do assentamento &#8211; área que será transformada numa unidade demonstrativa do projeto: um modelo de restauração produtiva para que a comunidade, posteriormente, faça expansão da restauração para mais dez hectares. Em outras palavras, cada comunidade, ao longo de 2027, vai trabalhar na implantação de um sistema agroflorestal (SAF) que funcionará como uma escola-laboratório para expandir o plantio com mais dez SAFs a partir de janeiro de 2028.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A análise do solo, a disponibilidade de água e a situação da área irão orientar a escolha das espécies e o arranjo de cada SAF em cada UD.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, 61 famílias vivem na Quadra de São José, que fica próxima às margens da BR-316, que liga o Maranhão ao Pará. São 44 lotes com cerca de 25 hectares cada. A comunidade escolheu o lote de José Raimundo Mendonça, o Seu Cabecinha, para receber a UD. Ele se interessou pela restauração florestal e tem expectativas com o trabalho. Uma delas é a recuperação do solo para que a terra possa continuar produzindo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu espero restabelecer a terra e continuar fazendo agricultura, plantando as fruteiras que a gente gosta de ter, fazer aquilo que a gente sempre gostou de fazer, que é cuidar da terra. Mas espero que a comunidade abrace, que a gente possa fazer esse esforço. Eu sei que às vezes é difícil, mas é preciso fazer esse esforço”, pondera o agricultor.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A preocupação de Seu Cabecinha é genuína. O primeiro plantio em 2027, por exemplo, será em forma de mutirão. Será necessário que as famílias tenham interesse em participar. Ana Tereza Ferreira explica que a valorização da agricultura familiar, o fortalecimento de organizações comunitárias e a participação de mulheres e jovens nas atividades do Restaura Maranhão são fundamentais para o sucesso da iniciativa. Por isso, o projeto aposta na implantação dos SAFs, ou agroflorestas, porque eles consorciam restauração florestal com produção de alimentos, madeira e até mesmo a criação de animais, o que pode gerar renda e engajar as pessoas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A questão não é só plantar. Para que as comunidades assumam a restauração para si, e para que haja uma continuidade desse trabalho após o fim do projeto, é necessário que isso tenha um impacto na vida delas, e a restauração produtiva aliada ao protagonismo das comunidades pode ter esse efeito, pode proporcionar renda para as famílias”, afirma. “Um dos nossos desafios é fazer as pessoas entenderem que a floresta de pé também é uma área produtiva”, acrescenta Luan Hamon.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A 300 quilômetros da Quadra de São José, agora na cidade de Açailândia, bem na margem da Estrada de Ferro Carajás, está outro assentamento rural, o Francisco Romão, comunidade que também participa do projeto. Do centro de Açailândia até o assentamento são mais 70 km, a maior parte numa estrada de barro vermelho.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33521" aria-describedby="caption-attachment-33521" style="width: 576px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33521" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-576x1024.jpg" alt="Seu Cabecinha. Foto:Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="576" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-576x1024.jpg 576w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-169x300.jpg 169w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-768x1365.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-864x1536.jpg 864w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-1152x2048.jpg 1152w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-scaled.jpg 1440w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /><figcaption id="caption-attachment-33521" class="wp-caption-text">Seu Cabecinha. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Alzeneide Rocha Moraes Prates, conhecida como Gabi, é assentada em Francisco Romão. Ela lembra que as famílias ficaram acampadas na margem da rodovia BR-010 por mais de três anos. Somente em 2007, o grupo ocupou a área que atualmente é o assentamento e que antes estava sob domínio de grileiros para produção de eucalipto, carvão e gado. Em 2011, o  Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) criou oficialmente o assentamento Francisco Romão. Cerca de 80 famílias vivem no lugar.</span></p>
<figure id="attachment_33522" aria-describedby="caption-attachment-33522" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33522" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-1024x577.jpg" alt="O interior da igreja católica de Francisco Romão e lá fora está a Estrada de Ferro Carajás. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33522" class="wp-caption-text">O interior da igreja católica de Francisco Romão e lá fora está a Estrada de Ferro Carajás. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A unidade demonstrativa em Francisco Romão vai ser implantada no lote da Gabi Prates. Ela acredita que uma área de floresta preservada no seu lote vai beneficiar não somente a ela e sua própria família, mas fará bem a todos que vivem por perto.</span></p>
<figure id="attachment_33523" aria-describedby="caption-attachment-33523" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33523" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-1024x577.jpg" alt="Gabi Prates, ao centro de óculos e camisa branca, reunida com vizinhos da comunidade de Francisco Romão no seu lote onde será instalada a unidade demonstrativa. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33523" class="wp-caption-text">Gabi Prates, ao centro de óculos e camisa branca, reunida com vizinhos da comunidade de Francisco Romão no seu lote onde será instalada a unidade demonstrativa. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Minha visão é que, quando a gente tem uma área de preservação dentro de um lote, essa área de preservação beneficia todas as pessoas que moram ali perto, porque ali vai ter a flora e a permanência da fauna. A natureza precisa de um certo equilíbrio para ela fornecer alguns elementos para nós, seres humanos. Então esse projeto é um empurrãozinho que a gente vai dar para a natureza se regenerar e é importante para nós, que já somos adultos, mas, principalmente, para as crianças, os animais… Eu penso dessa forma”, avaliou.</span></p></blockquote>
<p><b>Restauração florestal direta</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do Francisco Romão, em Açailândia, para o Alto Bonito, já na cidade de Pedro do Rosário, na região da Baixada Maranhense, são mais de 400 quilômetros de estrada. Alto Bonito também participa do Restaura Maranhão. O assentamento surgiu por iniciativa de uma fazendeira conhecida por Dona Rosilda, que decidiu vender a terra para a reforma agrária. Contam os assentados que ela reuniu os trabalhadores locais que atuavam como “aforados”, isto é, entregavam parte do que produziam na terra para permanecerem nela. A fazendeira cadastrou os trabalhadores e apresentou um projeto de desapropriação ao Incra. Em 2000, as famílias começaram a ocupar a área.</span></p>
<figure id="attachment_33524" aria-describedby="caption-attachment-33524" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33524" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg" alt="Parte da comunidade de Alto Bonito reunida na área de Seu Panada onde será instalada a unidade demonstrativa do Projeto Restaura Maranhão. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33524" class="wp-caption-text">Parte da comunidade de Alto Bonito reunida na área de Seu Panada onde será instalada a unidade demonstrativa do Projeto Restaura Maranhão. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para cumprir o objetivo de restaurar 400 hectares de Amazônia maranhense, o Restaura Maranhão também vai promover a restauração florestal direta de mais 20 hectares da reserva legal de cada comunidade, utilizando técnicas como a regeneração natural assistida, o plantio e semeadura direta e muvuca de sementes e mudas. Somando essa área de restauração direta, mais as áreas de SAF nas unidades demonstrativas e mais as áreas de expansão dos SAFs, cada comunidade terá cerca de 31 hectares restaurados ao fim dos quatro anos de execução do Restaura Maranhão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alto Bonito possui áreas de mata preservada, principalmente, na reserva coletiva do assentamento, estabelecida por determinação do Incra, onde as famílias não praticam agricultura. Isso deve facilitar o trabalho de restauração florestal direta nessa comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a UD será implantada numa área degradada do lote do presidente da Associação de Produtores, João Paulo, conhecido por todos como Seu Panada. A vantagem da área dele é que ela possui um açude, construído com recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). “Minha terra tá cansada e eu espero com esse reflorestamento recuperar o que foi perdido”, relatou.</span></p>
<p><b>Energia e restauração</b></p>
<p>Em Alto Bonito, a restauração florestal também despertou o interesse da vice-tesoureira da Associação de Produtores, Paula Geane, de 25 anos. Ela comentou que a comunidade precisa de melhorias e que existem áreas do assentamento que foram degradadas pelos próprios moradores.</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente desmata muito a área comunitária, tira madeira para fazer as casas e vai desmatando. Então eu me preocupo porque, mais na frente, a gente vai precisar comprar até madeira”, conta.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33525" aria-describedby="caption-attachment-33525" style="width: 577px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33525" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-577x1024.jpg" alt="Seu Panada com o açude ao fundo. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="577" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-577x1024.jpg 577w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-169x300.jpg 169w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-768x1364.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-865x1536.jpg 865w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-1153x2048.jpg 1153w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-scaled.jpg 1441w" sizes="(max-width: 577px) 100vw, 577px" /><figcaption id="caption-attachment-33525" class="wp-caption-text">Seu Panada com o açude ao fundo. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Paula Geane também lamenta o pouco interesse dos jovens com relação ao futuro e ao meio ambiente.</p>
<p><em>“Os jovens precisam se envolver mais nas questões da comunidade e trabalhar em união, mas apenas uma minoria participa”, analisa. A mão de obra familiar e a participação dos jovens são pontos-chave para o sucesso do Restaura Maranhão.</em></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do trabalho de restauração, o projeto vai oferecer às comunidades participantes cursos sobre sistemas agroflorestais e formação para “Jovens Comunicadores”. Também serão realizadas formações temáticas cujos assuntos serão escolhidos pelas comunidades entre gestão de empreendimentos coletivos, cooperativismo e associativismo, processamento agroindustrial de produtos da biodiversidade e outros. Além disso, há previsão de um intercâmbio técnico entre as comunidades para troca de experiências e organização de uma rede de sementes.</span></p>
<figure id="attachment_33526" aria-describedby="caption-attachment-33526" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33526" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg" alt="Paula Geane, primeira à esquerda, com um grupo de mulheres de Alto Bonito. Foto: Cássio  Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33526" class="wp-caption-text">Paula Geane, primeira à esquerda, com um grupo de mulheres de Alto Bonito. Foto: Cássio  Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, existem desafios técnicos, como a logística para levar insumos e fazer o acompanhamento das áreas, as diferenças de solo e a disponibilidade de água. “Tem muitas diferenças de uma unidade demonstrativa para outra. Algumas áreas estão bem degradadas, com solo mais ácido, com presença de muita jurubeba e saúva, então exigem mais manejo; outras já têm árvores e um estágio de regeneração mais avançado, o que permite trabalhar com espécies adaptadas a essas condições e aproveitar a regeneração natural”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Restaura Maranhão também vai apoiar as comunidades com assistência técnica; insumos, como mudas florestais, sementes agronômicas e florestais; e equipamentos: motosserras, roçadeiras, moto-perfurador e ferramentas. Em contrapartida, além das áreas para restauração, as comunidades vão contribuir com muito trabalho e disposição.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Conforme Luan Hamon, cada área vai exigir um manejo específico, mas o envolvimento das comunidades é o mais importante. “O termo restaurar, tecnicamente falando, significa retomar os princípios ecológicos de uma determinada área. Aqui já foi Floresta Amazônica de pé, a gente prima por espécies que vão fazer a recomposição desse ambiente original, mas a restauração se diferencia da conservação porque é preciso que a gente se movimente para recompor essa área. Então restaurar tem muito disso: a gente gasta energia para recuperar o que já foi um dia”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;O Restaura Maranhão mostra que é possível engajar comunidades na recuperação da floresta com ganhos reais de renda e segurança alimentar. Mas para que esse modelo se consolide e se expanda por toda a região, o poder público precisa atuar  com políticas de Estado, garantindo recursos contínuos e assistência técnica de longo prazo. Esse apoio sustentado por políticas públicas é fundamental para fortalecer as comunidades e para atingir as metas de recuperação da vegetação nativa do país&#8221;, finaliza a coordenadora do Programa Maranhão do ISPN,  Ruthiane Pereira.</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Profetas do Tempo: resiliência, bem viver e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-resiliencia-bem-viver-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 14:20:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33494</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Terceiro episódio:  O encantamento do Sertão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto as tecnologias sociais transformam os quintais e o dia a dia dos sertanejos que vivem no bioma exclusivo do Brasil, uma outra revolução silenciosa acontece do lado de fora de suas casas, repactuando a relação humana com a biodiversidade da região. O recaatingamento chegou para honrar essa terra e seu potencial de resiliência e renovação.</p>
<figure id="attachment_33496" aria-describedby="caption-attachment-33496" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33496" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra das árvores, o quintal tem água fresca e uma plantação de palma forrageirautilizada na alimentação dos animais. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33496" class="wp-caption-text">Sob a sombra das árvores, o quintal tem água fresca e uma plantação de palma forrageira utilizada na alimentação dos animais. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Uma nova metodologia de convivência com o Semiárido vem despontando em vários trechos da Caatinga, promovendo a recuperação de áreas degradadas com a participação ativa das comunidades. Projetos de sucesso vem sendo desenvolvidos no sertão da Bahia e Pernambuco, e no Piauí ele brotou sobretudo pelas mãos dos jovens, depois de um grande choque vivenciado na época da pandemia do covid-19. Na Comunidade Tapera dos Vital, localizada numa área remota a 48km da área urbana de Pedro II, ocorreu o maior incêndio já registrado numa mata nativa na região norte do Piauí, e devastou mais de 6 mil hectares, transformando em cinzas árvores centenárias e matando os animais que não conseguiram fugir, como pequenos veados e tatus.</p>
<p>O Profeta da Chuva Francisco Vital costuma prever a direção das chuvas observando, entre outros sinais, a orientação da porta de entrada da casa de Maria do Barro, um saber que combina observação da natureza e memória do território. Ele conta que os dois assentamentos da região são fruto da desapropriação de um grande latifúndio, cuja sede abandonada virou uma tapera no meio do sertão, daí o nome da comunidade. A região foi habitada por povos indígenas e marcada pelo trabalho escravo e perseguições de capitães do mato, um passado que o fogo também queimou, abrindo espaço para a nova história que desde 2001 as associações comunitárias vem escrevendo por meio de parcerias com o <strong>Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)</strong>, o <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Centro de Formação Mandacaru (CFM)</strong></a>, e outras entidades regionais e internacionais.</p>
<figure id="attachment_33497" aria-describedby="caption-attachment-33497" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33497" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1024x683.jpg" alt="Na área do recaatingamento, o Profeta da Chuva Genivaldo Ribeiro transfere seus conhecimentos para Ana Clarisse e outros jovens da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33497" class="wp-caption-text">Na área do recaatingamento, o Profeta da Chuva Genivaldo Ribeiro transfere seus conhecimentos para Ana Clarisse e outros jovens da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>O grande incêndio de 2020 durou vários dias, as fagulhas foram avistadas de longe e a fumaça afetou várias cidades da região, trazendo o apoio das Brigadas de Incêndio de Poranga e Crateus,  cidades vizinhas da comunidade, no lado do Ceará. Os bombeiros de Crateus também ofereceram um curso que foi muito útil dois anos atrás, quando tiveram um novo foco de incêndio mas conseguiram conter, graças a essa capacitação. Curiosamente, a prefeita atual dessa cidade, Janaína Farias, quando senadora foi a autora do projeto de Lei recém aprovado pelo Congresso Nacional que institui a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15430.htm" target="_blank" rel="noopener">Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga</a>. A nova lei foi promulgada pela presidência da República em junho, com o lançamento do Programa Recaatingar, um edital público no valor de R$ 60 milhões, cuja meta é restaurar 10 milhões de hectares da floresta nos próximos 20 anos.</p>
<p>Os jovens de Tapera dos Vital já estão se organizando para participar, e se depender de mobilização, eles já mostraram que não brincam em serviço. Logo depois do incêndio lançaram o Projeto Renascer e fizeram um grande plantio de três mil mudas, onde conseguiram o apoio de instituições como o <strong>Centro Regional de Assessoria e Capacita</strong><strong>çã</strong><strong>o (CERAC)</strong>, o <strong>Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR)</strong> e a <strong>Escola Fam</strong><strong>í</strong><strong>lia Agr</strong><strong>í</strong><strong>cola Santa </strong><strong>Â</strong><strong>ngela (EFASA)</strong><strong>,</strong> que mobiliza seus alunos em torno de projetos focados em sustentabilidade e educação do campo por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), e doou mudas de plantas nativas produzidas dentro do colégio.</p>
<figure id="attachment_33499" aria-describedby="caption-attachment-33499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33499" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1024x683.jpg" alt="Aline Rodrigues foi presidenta da associação comunitária e seu primo Lucas Monteiro é o mais jovem profeta da chuva da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33499" class="wp-caption-text">Aline Rodrigues foi presidenta da associação comunitária e seu primo Lucas Monteiro é o mais jovem profeta da chuva da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Nos últimos anos os jovens também estão começando a ocupar cargos de responsabilidade dentro da comunidade. Aline Rodrigues dos Santos foi presidenta da Associação Nova Terra por quatro anos, o que a levou para encontros importantes como a Marcha das Margaridas, em Brasília. Ela conta que o projeto de reflorestamento se tornou um momento de união, a turma se reúne semanalmente para o monitoramento de uma área de pesquisa de 5 hectares, onde foram plantadas as árvores catingueira, gameleira, pau d’arco, conhecido popularmente como o Ipê branco e o Ipê rosa, e também o Marmeleiro, a Mocó, que tem o mesmo nome de um roedor endêmico da caatinga parecido com a preá, o Jatobá, Angico, Jucá, quando estiver semeando, as favas podem ser usadas em garrafadas de cura, o frondoso Jacarandá, a Catanduva e a Sabiá, cujos galhos são muito utilizados nas cercas dos quintais, entre outras árvores que fazem parte da convivência humana há muito tempo. O trabalho voluntário recebe ajuda de custo da associação italiana <strong>Modena Terzo Mondo</strong> dentro de um projeto de adoção de árvores onde “<em>cada pezinho de pau”</em>, como se diz no sertão, recebe o nome do doador, para acompanhar de longe o seu progresso de crescimento.</p>
<p>Ao conversar com Aline, percebemos que o projeto Renascer não serve apenas para reflorestar a Caatinga, mas também para florescer nos jovens uma maior relação com a terra, numa espécie de estágio para a formação de novos profetas e profetizas da chuva. Atualmente eles contam com uma estufa para as mudas de palma forrageira, em parceria com o governo do estado, para produzir alimento aos animais no período da seca.</p>
<blockquote><p><em>“Com a</em><em> conex</em><em>ão que a gente tem quando planta uma árvore, a gente foi aprendendo o tempo certo de plantar, o tempo certo de colher as sementes no mato. Então atrav</em><em>é</em><em>s desse projeto teve um grande resgate das nossas ancestralidades, como meu tio gosta de falar, a gente </em><em>é </em><em>a continuidade do que eles</em><em> já </em><em>foram.”</em></p></blockquote>
<p>O tio dela é Genivaldo Ribeiro, líder comunitário e Profeta da Chuva como seu irmão Francisco Vital. Ambos aprenderam a observar a natureza com o pai, que foi homenageado com a criação do Parque de Vaquejada Emanoel Vital, inaugurado no final de julho. Eles agora aproveitam a oportunidade do recaatingamento para repassar os conhecimentos para os jovens, que estão se tornando bons observadores também:</p>
<blockquote><p><em>“Muito lindo ver aquela situação de 2020 pra agora, ver que tudo j</em><em>á tá </em><em>come</em><em>ç</em><em>ando a seguir um ciclo. Os animais estã</em><em>o voltando, at</em><em>é </em><em>as chuvas estão voltando a ficar um pouco mais reguladas.” </em><em> </em></p></blockquote>
<figure id="attachment_33500" aria-describedby="caption-attachment-33500" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33500" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1024x683.jpg" alt="O projeto &quot;Adotta un Albero&quot; (adote uma árvore) possibilitou o mapeamento da área reflorestada, facilitando o seu monitoramento. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33500" class="wp-caption-text">O projeto &#8220;Adotta un Albero&#8221; (adote uma árvore) possibilitou o mapeamento da área reflorestada, facilitando o seu monitoramento. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Essa transmissão de conhecimento no sertão da abundância também acontece na relação com a palmeira mais famosa do Piauí, a carnaúba, oficialmente declarada árvore símbolo do estado. Conhecida como a “<em>Á</em><em>rvore da Vida”</em>, termo popularizado pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt no século XIX, impressionado com sua capacidade de suprir praticamente todas as necessidades de uma comunidade, mesmo nas secas mais severas. Carnaúba em tupi significa “<em>á</em><em>rvore que arranha”</em>, por conta da camada de espinhos que cobre a parte inferior de seu caule, os seus frutos são usados para alimentar rebanhos, produzir farinha e até substituir o pó de café. As suas folhas são levemente azuladas devido uma camada de cera que evita a perda de água no clima quente, e tornou a carnaúba um produto de valor global, considerada a cera vegetal mais dura do mundo, usada em batons, lápis de cor, cápsulas de remédios, enceramento de carros, vernizes, plásticos, e até na produção de discos de vinil. Para além da indústria, a carnaúba também atravessa a cultura regional e suas fibras servem para cobrir telhados e podem ser tecidas como chapéus, esteiras e bolsas, uma tradição repassada de mãe para filha, como acontece com Dona Maria Isolete dos Santos e sua filha Ana Cristina dos Santos Pereira, na comunidade Coitadas, a 13 km do centro de Pedro II.</p>
<figure id="attachment_33501" aria-describedby="caption-attachment-33501" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33501" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1024x683.jpg" alt="O chapéu de palha é produzido pelas mulheres da Comunidade Coitadas, em Pedro II, há muitas gerações. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33501" class="wp-caption-text">O chapéu de palha é produzido pelas mulheres da Comunidade Coitadas, em Pedro II, há muitas gerações. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Pelas estradas de terra da comunidade Tapera dos Vital, entre carnaúbas esparsas, uma carreata segue em homenagem a Nossa Senhora das Dores, uma expressão contemporânea de uma tradição que celebra o “fim d’água” e agradece pela colheita, como descreve a antropóloga Adeodata Dos Anjos, assessora de cursos populares no Centro Mandacaru e autora da tese de mestrado “<em>O Mito da Chuva como Elemento de Identidade</em>”. Sua pesquisa revela que, apesar de a seca ser um fenômeno natural, ela passou a ser tratada como catástrofe no decorrer da colonização da região e da posse da terra pelos colonizadores. <em>“Os profetas-poetas, diante das incertezas da vida e do descaso pol</em><em>í</em><em>tico, buscaram respostas nos mist</em><em>é</em><em>rios naturais”</em>, escreve a pesquisadora, concluindo que a leitura dos sinais do céu e da terra é fundamental para a resistência e bravura sertaneja, cuja capacidade de “ruminar” suas experiências os torna os únicos detentores das razões de seus saberes míticos.</p>
<p>No céu do sertão, próximo à constelação do Cruzeiro do Sul aparecem duas manchas, uma à direita e a outra à esquerda. Quando essas duas manchas aparecem, pode-se esperar que o inverno (a temporada das chuvas) vai ser bom. Quando tem só uma é porque a outra foi buscar o inverno. Agora, quando não tem nenhuma das manchas é porque é um ano de seca. A profetiza da chuva Dona Joaninha Clemente, que viveu na Tapera dos Vital até seus últimos dias nessa terra, era presença marcante na novena de Nossa Senhora. Ela gostava de contar que no tempo de seca, seu pai arrancava Macambira, uma bromélia cheia de espinhos, típica da Caatinga, com uma raiz muito nutritiva, para fazer um cuscuz chamado de “comida brava”. Alguns tinham vergonha de comer, mas fazia muito bem para a saúde, hoje podemos considerá-la uma PANC &#8211; Planta Alimentícia Não Convencional. Dona Joaninha sempre ajudava a organizar os festejos e comemorações da comunidade e trazia o seu conhecimento para os encontros dos Profetas da Chuva:</p>
<blockquote><p>“<em>As duas manchas no pe</em><em>́ </em><em>do Cruzeiro do Sul representam o sangue que Cristo derramou na cruz. E</em><em>́ </em><em>por isso que elas esta</em><em>̃</em><em>o relacionadas com a chuva: o sangue e</em><em>́ á</em><em>gua e sendo a</em><em>́</em><em>gua se transforma em nuvem, depois em chuva que cai para alegrar a gente, os bichinhos e todos os seres vivos.</em><em>”</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33502" aria-describedby="caption-attachment-33502" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33502" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1024x683.jpg" alt="O festejo de Nossa Senhora das Dores dura uma novena, com procissão no primeiro e último dia até a igreja, missa, leilão, bingo, muita comida e esse ano terá pega de boi para inaugurar o novo Parque de Vaquejada Emanoel Vital. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33502" class="wp-caption-text">O festejo de Nossa Senhora das Dores dura uma novena, com procissão no primeiro e último dia até a igreja, missa, leilão, bingo, muita comida e esse ano teve pega de boi para a inauguração do novo Parque de Vaquejada Emanoel Vital. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Do alto do mirante da Serra das Andorinhas, acessado pelas trilhas ecológicas da Comunidade Lagoa do Mato, visitada nos outros episódios dessa série de reportagem, a paisagem se revela em sua imensidão. As formações rochosas erodidas, chamadas de “tuncas” pelos guias locais, parecem gigantes petrificados, guardiões silenciosos de um tempo passageiro. Lá embaixo, o sertão se estende quase infinito, com suas veredas, suas comunidades, e seus Profetas. É o mesmo horizonte que os ancestrais contemplaram há milhares de anos, antes de marcar na pedra os sinais que ainda hoje se lêem. O cacto mandacaru nos lembra que a vida persiste até mesmo nos lugares mais expostos ao sol latente. Diante do sertão da abundância, os ciclos da natureza se materializam não com um ponto final, mas como um convite para quem quiser chegar e aprender a ler os sinais do tempo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33503" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1024x683.jpg" alt="Os Profetas do Tempo avistam a borda da Caatinga do mirante no alto da barreira geológica da Serra Grande. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>Os Profetas do Tempo avistam a borda da Caatinga do mirante no alto da barreira geológica da Serra Grande. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o primeiro episódio da série: &#8220;A cultura cria raízes&#8221;</a></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; E aqui para ver o segundo: “A revolução agroecológica”</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A restauração ecológica só será possível incluindo as comunidades locais</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 13:44:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33461</guid>

					<description><![CDATA[A restauração ecológica acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O debate sobre a restauração ecológica no Brasil gira em torno de cifras bilionárias, metas ambiciosas e promessas de mercado de créditos de carbono. Contudo, na ponta — onde a semente encontra a terra — há uma realidade mais antiga. A restauração nasce das mãos e do conhecimento ancestral dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Eles são os protagonistas de uma relação com a terra que, há séculos, mantém a paisagem viva e resiliente.</p>
<p class="texto">Nos últimos 30 anos, enquanto a pauta ambiental ganhava contornos globais, foram essas organizações comunitárias que impulsionaram a agenda localmente. Além de recuperar áreas degradadas, essas experiências fortalecem a autonomia dos territórios e demonstram que conservação e desenvolvimento caminham juntos. A pergunta que fica é: por que, então, ainda tratamos esses atores como coadjuvantes ou como &#8220;beneficiários&#8221; de projetos, e não como os protagonistas?</p>
<p class="texto">Em 2019, a ONU declarou a Década da Restauração de Ecossistemas, e o Brasil, alinhado ao Acordo de Paris, comprometeu-se a restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Políticas como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foram criadas para dar conta desse recado. O problema é que, muitas vezes, a restauração idealizada corre o risco de ser focada apenas em metas numéricas ou no plantio de árvores para sequestro de carbono, ignorando que a vegetação em pé é muito mais do que madeira e folhas.</p>
<p>A restauração que o Brasil precisa é social. Para um povo indígena, restaurar uma área é reatar laços com a espiritualidade e com a história de seus ancestrais. Para um agricultor familiar, garantir a produção de alimentos saudáveis. Para uma comunidade quilombola, reafirmar sua autonomia e resistência territorial. A restauração acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária.</p>
<p>Sob essa ótica, quatro pilares devem orientar investimentos e políticas públicas no setor. O primeiro é o protagonismo de organizações e coletivos. As iniciativas precisam fomentar a autonomia, respeitar os direitos territoriais e garantir a distribuição justa e equitativa dos benefícios.</p>
<p class="texto">O segundo pilar é a geração de renda e a ampliação de mercados. A restauração precisa gerar renda por meio dos sistemas agroflorestais que consorciam plantios de árvores com a produção de alimentos, e o acesso dos produtores às compras institucionais. Ela precisa ser entendida como uma atividade econômica sustentável, capaz de conciliar restauração da biodiversidade, segurança alimentar e inclusão produtiva.</p>
<p class="texto">O terceiro pilar é a aprendizagem. A produção de conhecimento pode ser participativa, valorizando tanto o campo científico quanto as práticas desenvolvidas pelas comunidades ao longo das gerações. Para isso, intercâmbios entre comunidades, parcerias com universidades e a valorização da educação do campo é essencial.</p>
<p class="texto">Por fim, o quarto pilar é a escala da paisagem. Isso significa pensar na gestão integrada do fogo, na segurança hídrica e na atuação em comitês de bacias, conselhos de Unidades de Conservação e fortalecimento institucional. A restauração deve ser um projeto de território.</p>
<p>É aqui que entra o grande desafio: a restauração ecológica atrai investimentos crescentes, mas a perenidade dos resultados depende de como esse dinheiro será aplicado, se vai apenas contabilizar créditos ou construir uma economia verde verdadeiramente inclusiva.</p>
<p class="texto">Nessa linha, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) tem acumulado aprendizados valiosos ao longo de três décadas. Por meio do Fundo Ecos, viabilizou mais de 130 projetos comunitários que resultaram no manejo e restauração de mais de 27 mil hectares.</p>
<p class="texto">Além do financiamento direto às iniciativas comunitárias, o ISPN desenvolve estratégias que integram restauração produtiva, agroecologia, sistemas agroflorestais, pesquisa e monitoramento, fortalecimento institucional, unidades demonstrativas e atuação em rede. Essas ações valorizam o protagonismo de jovens, mulheres, lideranças locais, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.</p>
<p>Todas essas experiências demonstram que o grande desafio para a Década da Restauração é conectar pessoas, territórios e oportunidades, apoiando projetos comunitários de forma contínua. Assim, reconhecer e valorizar o trabalho dessas comunidades torna-se condição essencial para o sucesso das políticas de restauração no Brasil. Na próxima semana, a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026) abrigará debates sobre o tema na Universidade de Brasília (UnB), com possibilidades de trocas e avanços para a pauta no território nacional.</p>
<p><em>*Natanna Horstmann, Robert Miller e Luan Hamon — analistas socioambientais do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)<br />
</em><br />
<em>*Artigo publicado originalmente no jornal <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/07/7466385-a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais.html" target="_blank" rel="noopener">Correio Braziliense</a> </em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do Cerrado para a sala de aula: Cozinha Experimental Baru transforma alimentos em conhecimento</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/do-cerrado-para-a-sala-de-aula-cozinha-experimental-baru-transforma-alimentos-em-conhecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 19:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33446</guid>

					<description><![CDATA[Inaugurado na Escola Família Agrícola de Porto Nacional (TO), o novo espaço foi melhorado para fortalecer atividades práticas, estimular experiências com alimentos e valorizar a sociobiodiversidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Laboratório de vivências para criar e desenvolver receitas com alimentos nativos do Cerrado.</b><span style="font-weight: 400;"> Essa é a proposta da nova </span><b>Cozinha Experimental Baru</b><span style="font-weight: 400;">, inaugurada em junho na </span><b>Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional</b><span style="font-weight: 400;">, Tocantins. Localizada a cerca de 60 quilômetros de Palmas, a unidade reúne estudantes do Ensino Fundamental e Médio, que conciliam a formação escolar com cursos técnicos voltados para a área rural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, há uma diversidade de origem entre os 264 alunos matriculados, oriundos de mais de 30 municípios do Tocantins e até de fora do estado. Eles são filhos e filhas de agricultores familiares, trabalhadores rurais e pescadores artesanais, ou pertencem a comunidades quilombolas, assentamentos da reforma agrária e até mesmo não possuem relação anterior com o campo. </span></p>
<figure id="attachment_33451" aria-describedby="caption-attachment-33451" style="width: 842px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33451" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg" alt="" width="842" height="631" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /><figcaption id="caption-attachment-33451" class="wp-caption-text">Alunos da EFA durante encerramento do tempo escola, onde há uma avaliação antes de voltarem para suas comunidades no tempo comunidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o coordenador e professor da EFA, Cirineu da Rocha, pensando nas diferentes experiências que os alunos trazem de suas casas estudando no modelo de alternância </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/jovens-do-campo-sao-aposta-para-um-futuro-agroecologico/"><span style="font-weight: 400;">(tempo escola e tempo comunidade)</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ideia da Cozinha Baru é levar para dentro do espaço da escola os produtos da sociobiodiversidade do Cerrado, bioma onde a EFA está inserida, além de utilizar os alimentos produzidos na escola, como o leite e a mandioca. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esperamos que a Cozinha Experimental Baru seja um espaço indutor de novas experiências. A partir dos conhecimentos que os estudantes trazem de suas comunidades e do trabalho dos educadores, queremos desenvolver receitas, testar possibilidades e valorizar ainda mais os produtos do Cerrado”, comenta o coordenador. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33452" aria-describedby="caption-attachment-33452" style="width: 826px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33452" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg" alt="" width="826" height="620" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 826px) 100vw, 826px" /><figcaption id="caption-attachment-33452" class="wp-caption-text">O coordenador da EFA, Cirineu da Rocha, com a assessora técnica do ISPN, Bruna Braz, durante a prova de receitas elaboradas por alunos em uma aula prática. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O baru foi escolhido por estudantes e famílias para dar nome à cozinha devido à forte relação da região com o fruto. Sua importância também se reflete na alimentação escolar do Tocantins: ao lado do jatobá, ele integra os alimentos adquiridos por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que determina que, no mínimo, 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os estudantes que vão utilizar o novo espaço está Lívia Carvalho de Jesus, do 1º ano do Ensino Médio, com o curso técnico em Agropecuária. Moradora de uma fazenda em Miranda do Tocantins, onde o pai trabalha, ela destaca que a formação oferecida pela EFA contribui para fortalecer a ligação dos jovens com o campo e gerar conhecimentos que serão aplicados nas comunidades. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente sempre leva para casa o que aprende aqui. Eu mesma compartilho com a minha família várias coisas que aprendo na EFA. Até mesmo consigo aplicar na horta do meu pai, que aceita minhas dicas sobre diferentes formas de trabalhar”, conta Lívia. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33453" aria-describedby="caption-attachment-33453" style="width: 847px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33453" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg" alt="" width="847" height="636" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 847px) 100vw, 847px" /><figcaption id="caption-attachment-33453" class="wp-caption-text">A estudante Lívia Carvalho de Jesus durante a inauguração da Cozinha Experimental Baru. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a estudante, a cozinha representa mais uma oportunidade de aprendizado prático. Segundo ela, o novo espaço permitirá vivenciar conteúdos trabalhados nas disciplinas, ampliando as experiências com o processamento de alimentos e o aproveitamento dos produtos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse modelo de educação, a prática não é apenas uma aula, ela é uma dimensão da formação dos estudantes, baseada na Pedagogia da Alternância, que integra teoria, trabalho, território e comunidade. </span></p>
<figure id="attachment_33454" aria-describedby="caption-attachment-33454" style="width: 852px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33454" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg" alt="" width="852" height="568" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 852px) 100vw, 852px" /><figcaption id="caption-attachment-33454" class="wp-caption-text">Alunos durante as atividades com os pais na cozinha da EFA. Foto: Karla Oliveira/Acervo Agrop</figcaption></figure>
<p><b>Agroecologia como base da pedagogia da EFA Porto Nacional </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, a agroecologia faz parte da formação dos estudantes e orienta atividades que conectam alimentação, produção rural e sustentabilidade. Os alunos e professores da EFA Porto Nacional desenvolvem um projeto de implementação de mandala agroflorestal e viveiro de mudas de espécies nativas do Cerrado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a analista socioambiental do ISPN, Bruna Braz, espaços como a EFA possuem o poder de engajar a juventude. “Os jovens se sensibilizam para a conservação do Cerrado, das águas e da terra. Também são espaços importantes para fortalecer a construção do Bem Viver, aliado com agroecologia e justiça social”, avalia. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a professora da área das agrárias, Joicileia Juliate Fonseca, que acompanha as atividades, esse processo contribui para que os jovens compreendam a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Ela destaca que a experiência ajuda a desmistificar a ideia de que apenas os grandes sistemas agrícolas são capazes de gerar resultados, mostrando que pequenas áreas diversificadas também produzem alimentos, conhecimentos e autonomia para as famílias.</span></p>
<figure id="attachment_33455" aria-describedby="caption-attachment-33455" style="width: 409px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33455" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png" alt="" width="409" height="637" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png 552w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia-193x300.png 193w" sizes="(max-width: 409px) 100vw, 409px" /><figcaption id="caption-attachment-33455" class="wp-caption-text">A professora Joicileia Juliate Fonseca destaca para seus alunos durante as atividades práticas no campo a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente quer mostrar aos estudantes que é possível produzir alimentos de forma saudável com os recursos que temos, respeitando o solo, valorizando a diversidade e aproveitando tudo o que o ambiente pode oferecer”, comenta a professora. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A Cozinha Experimental Baru foi reformada e equipada com apoio do Fundo Ecos, mecanismo financeiro do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O projeto é executado em parceria com a Associação dos Agricultores Familiares e Agroindustriais de Palmas (Agrop) e foi contemplado no </span><a href="https://fundoecos.org.br/editais/38o-edital/"><span style="font-weight: 400;">38º edital</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além da cozinha, o Fundo apoia a implementação da mandala agroflorestal e do viveiro de mudas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital 38 é voltado para jovens e mulheres, com financiamento do Fundo Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Área de Desenvolvimento Social da Suzano. Ao todo, são cinco escolas do campo contempladas neste edital, beneficiando mais de 300 estudantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos últimos 30 anos, o apoio às escolas de ensino contextualizado do campo pelo Fundo Ecos reforçou a importância do protagonismo da juventude no enfrentamento da crise climática a partir da agroecologia. Neste sentido, foram publicados nos últimos anos dois editais temáticos, focados nesses jovens de forma inédita. Quer saber mais? Acompanhe o site do Fundo Ecos e fique por dentro dos editais abertos. </span></p>
<figure id="attachment_33449" aria-describedby="caption-attachment-33449" style="width: 442px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33449" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png" alt="" width="442" height="592" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png 1911w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-224x300.png 224w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-765x1024.png 765w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-768x1029.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1147x1536.png 1147w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1529x2048.png 1529w" sizes="(max-width: 442px) 100vw, 442px" /><figcaption id="caption-attachment-33449" class="wp-caption-text">Visita ao viveiro da EFA onde são cultivadas mudas de várias espécies nativas do Cerrado pelos estudantes. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nova regulamentação traz mais diversidade para a alimentação escolar</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/nova-regulamentacao-traz-mais-diversidade-para-a-alimentacao-escolar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 20:31:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33423</guid>

					<description><![CDATA[Resolução nº 11/2026 vai ampliar oportunidades para que alimentos produzidos nos territórios sejam servidos nas escolas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Açaí, beiju,  jatobá, babaçu, baru, peixe fresco, polpa de frutas nativas e farinha de mandioca já fazem parte da alimentação disponibilizada nos refeitórios de muitas escolas públicas pelo Brasil, graças à participação dos povos e comunidades tradicionais (PCTs) em políticas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E agora, essa presença tende a se tornar ainda mais comum nos pratos de crianças e adolescentes de escolas públicas. A </span><a href="https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/resolucoes/2026/resolucao-cd-fnde-no-11-de-22-de-junho-de-2026/view"><span style="font-weight: 400;">Resolução nº 11/2026 </span></a><span style="font-weight: 400;"> do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), publicada em 24 de junho de 2026, incentiva a diversidade de alimentos na alimentação escolar, podendo ampliar a participação de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais no abastecimento alimentar. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Essa  resolução é importante porque assegura o direito de alimentos saudáveis e culturalmente apropriados, adquiridos por meio de chamadas públicas específicas, para a aquisição das mãos de povos indígenas e comunidades tradicionais e abastecimento de escolas rurais e urbanas de territórios tradicionais”, afirma a  coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Silvana Bastos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Afinal, alimentar-se com mandioca ou mingau de farinha de jatobá e de babaçu é muito mais cultural, nutritivo, bom para economia local e melhor para o planeta que um pãozinho feito com trigo transgênico que viaja grandes distâncias para chegar até o prato de crianças e jovens que se alimentam todos os dias nas escolas públicas do Brasil”, completa.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A</span> <span style="font-weight: 400;">nova norma regulamenta a compra de alimentos produzidos por Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) através do PNAE. E determina por exemplo, que a aquisição de alimentos nas escolas públicas localizadas em territórios tradicionais seja feita via chamada pública específica para PCTs, sem licitação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, facilita a entrada desses alimentos no cardápio escolar, dispensando a barreira de regularização sanitária prévia, respeitando soberania e segurança alimentar/nutricional, sem prejuízo da fiscalização sanitária continuar existindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o assessor técnico do ISPN, Celso Barros, que acompanha de perto o trabalho de comunidades indígenas no Maranhão, a Resolução nº 11/2026 representa um avanço importante.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ao prever chamadas públicas específicas para Povos e Comunidades Tradicionais e reconhecer as especificidades dos seus sistemas tradicionais de produção, inclusive no aspecto sanitário, a norma valoriza os modos tradicionais de produzir e conservar alimentos, respeitando a segurança alimentar&#8221;, pontua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A norma também abre possibilidades para que os processos de aquisição considerem melhor as realidades dos territórios e os desafios enfrentados pelas comunidades, como as dificuldades de comercialização, logística e acesso aos mercados institucionais. Essa medida dialoga diretamente com o trabalho do ISPN, que apoia o fortalecimento da produção indígena e sua inserção em programas como o PNAE&#8221;, avalia.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque do documento é o reconhecimento do autoconsumo tradicional, que o texto define como “o conjunto de alimentos coletados, produzidos, manipulados, beneficiados e conservados pelos próprios PCTs, de acordo com suas culturas alimentares, sistemas produtivos tradicionais e modos de organização social.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao garantir espaço para o açaí, o beiju, o peixe fresco e tantos outros alimentos tradicionais nos cardápios escolares, a Resolução nº 11/2026 ultrapassa várias dimensões. Para quem vive da agricultura familiar, representa renda e manutenção de seus modos de vida; para as crianças e adolescentes dessas comunidades, representa a comida, segurança alimentar, nutrição e a continuidade de sua cultura. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Profetas do tempo: água, sementes e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 12:23:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33354</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Segundo episódio: A revolução agroecológica
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva Francisco Vieira Sampaio é hidroestesista de profissão. Ele possui um dom estudado nos anos 80 pela Universidade de Munique, na Alemanha, que pode estar relacionado a uma sensibilidade biológica de reagir a campos eletromagnéticos, ajudando a encontrar fendas de água no subsolo. Além de identificar o recurso hídrico, os aparelhos de cobre como o pêndulo, a forquilha e as antenas em &#8220;L&#8221; (conhecidas como Dual Rods) permitem também descobrir a quantidade e a profundidade onde a água vai ser encontrada, marcando o terreno para cavação da cacimba ou poço, conforme ele demonstrou pessoalmente. O mestre Seu Chiquinho, como é conhecido, vive na Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, na área de menor índice pluviomêtrico da região, e por isso a sua profissão é muito valorizada por todos da comunidade, assim como as suas profecias certeiras indicando a chegada das chuvas.</span></p>
<figure id="attachment_33356" aria-describedby="caption-attachment-33356" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33356" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg" alt="Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33356" class="wp-caption-text">Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo quintal onde acompanhamos o processamento da mandioca na primeira parte desta série de reportagem, chama a atenção um símbolo da revolução tecnológica no sertão: as cisternas são uma presença marcante, coletando e armazenando a água da chuva em meio as atividades do dia a dia. As cisternas de telhado, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas telhadão,</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebem as águas da chuva já filtradas e abastecem as famílias para uso pessoal ao longo do ano, com capacidade de armazenamento de 16 mil litros. Há também a captação da água diretamente no chão, as </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas calçadão</span></i><span style="font-weight: 400;">, que utilizam uma área cimentada no solo para direcionar as chuvas para o sistema de coleta, armazenando 52 mil litros de água destinada aos pequenos animais e plantações. As cisternas também estão presentes em algumas escolas, onde a água é utilizada no preparo da merenda escolar e nos sanitários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener"><b>Centro de Formação Mandacaru (CFM)</b></a><span style="font-weight: 400;"> participa de diversos programas de financiamento para construção dessa tecnologia social, como o </span><a href="https://fundoecos.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Fundo Ecos</b></a><span style="font-weight: 400;">, gerido pelo </span><b>Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)</b><span style="font-weight: 400;">. Com 35 anos de experiência de atuação, o CFM desenvolveu uma metodologia de trabalho que busca envolver toda a comunidade antes mesmo da construção de cada cisterna, com a realização de cursos de gerenciamento de recursos hídricos, e motivando as famílias a trabalhar coletivamente na forma de mutirões. O resultado são quase 14 mil cisternas construídas em seis dos doze territórios do Piauí, envolvendo mais de 20 municípios.</span></p>
<figure id="attachment_33357" aria-describedby="caption-attachment-33357" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33357" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg" alt="O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33357" class="wp-caption-text">O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de acesso à água são os açudes de uso coletivo, fruto de políticas públicas mais antigas. No Assentamento Lagoa do Mato, em Milton Brandão, quando a comunidade se uniu para comprar o terreno já havia dois açudes, e a estratégia foi criar um projeto de reforma da estrutura da sede da associação comunitária, para organizar pescarias no formato de pesque e pague, gerando renda para a comunidade, além de fornecer peixe para as 26 famílias assentadas. O projeto financiado em parte pelo </span><b>Fundo Ecos</b><span style="font-weight: 400;">, foi implementado por meio da parceria entre o </span><b>ISPN</b><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>CFM </b><span style="font-weight: 400;">e o </span><b>Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC)</b><span style="font-weight: 400;">, o que permitiu também reformar a Casa de Semente Irmã Celina. </span><span style="font-weight: 400;">O espaço preserva um banco de sementes crioulas selecionadas, utilizadas para o plantio no início do período chuvoso e para realizar trocas com outros agricultores. Variedades como “sempre verde”, “baje”, “tocha”, “pingo de ouro” e “olho de ovelha” garantem o patrimônio genético cultivado pela comunidade há vários anos. O nome do local homenageia a missionária que plantou muitas sementes simbólicas na região. Irmã Celina é reconhecida por sua incansável dedicação às causas sociais, sempre buscando levar cidadania e vida digna por meio da orientação e formação profissional.</span><span style="font-weight: 400;"> Foi ela quem negociou a compra do terreno e estimulou seus jovens alunos da Fundação Santa Ângela a criarem o </span><span style="font-weight: 400;">assentamento, repetindo</span><span style="font-weight: 400;"> a experiência de outros assentamentos na região.</span></p>
<figure id="attachment_33358" aria-describedby="caption-attachment-33358" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33358" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg" alt="A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33358" class="wp-caption-text">A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti, por estar localizada no encontro dos biomas Caatinga, Cerrado e a Mata Atlântica de altitude, possui grande variação no volume das chuvas mesmo entre comunidades próximas. Quando estivemos na região, vimos o Sr. Luis Gonzaga de Sousa pescar no açude com a rede de arrasto, mas esse ano choveu muito pouco nessa área e, como dizem na linguagem da Caatinga, o açude principal não “sangrou”, ou seja, ele não encheu o suficiente para transbordar, e como ele está conectado ao outro açude, as águas dos dois ficaram muito baixas, e a pescaria só será permitida com vara de pescar. As famílias da comunidade também não poderão usar a água para consumo próprio e precisarão recorrer ao poço artesiano, que foi perfurado logo que elas se instalaram nessas terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A boa notícia é que o solo ao redor do açude principal se </span><span style="font-weight: 400;">manteve</span><span style="font-weight: 400;"> úmido o suficiente para sustentar </span><span style="font-weight: 400;">a</span><span style="font-weight: 400;"> exuberante plantação de feijão diante da Serra das Andorinhas, a mesma cadeia de montanhas onde encontramos as pinturas rupestres e as grutas de pedras, que podem ser acessadas por trilhas ecológicas imersivas, parte de outro projeto local em torno do turismo de base comunitária.</span></p>
<figure id="attachment_33359" aria-describedby="caption-attachment-33359" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33359" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg" alt="As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33359" class="wp-caption-text">As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, os quintais do sertão da abundância não guardam apenas água das chuvas, eles resgatam os saberes tradicionais de preservação das sementes, aliados aos conhecimentos da agroecologia. Ali, a tecnologia social se faz presente no manejo ecológico de uma grande biodiversidade, da convivência de pequenos animais com canteiros de hortaliças, plantas medicinais e árvores frutíferas. As plantações baseadas em Sistemas Agroflorestais Agroecológicos (SAFs) simulam a dinâmica de florestas, com o consórcio inteligente de cultivos agrícolas como milho, feijão e mandioca, interagindo positivamente com espécies locais, garantindo abrigo para a fauna polinizadora e colheitas contínuas ao longo do ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Focado na sustentabilidade ambiental, o sistema utiliza insumos da própria Caatinga, como a bagana de Carnaúba, um subproduto da folha da palmeira, usada para a cobertura do solo, provocando o aumento da matéria orgânica e resultando em menor necessidade de fertilizantes e controle da erosão. Dessa forma, os quintais se tornaram espaços de segurança alimentar, atendendo tanto a subsistência como a diversificação da renda familiar, o que gera autonomia econômica, restauração do solo e alta resiliência climática.</span></p>
<figure id="attachment_33360" aria-describedby="caption-attachment-33360" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33360" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg" alt="Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33360" class="wp-caption-text">Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na parede da sala de sua casa na Comunidade Salobro, em Pedro II, José Portela de Sousa aponta para</span><span style="font-weight: 400;"> a foto </span><span style="font-weight: 400;">dos filhos que partiram para a cidade grande. Ele próprio já foi embora um dia, viveu </span><span style="font-weight: 400;">anos </span><span style="font-weight: 400;">sozinho em São Paulo e enviava dinheiro para sustentar a família, como tantos </span><span style="font-weight: 400;">casos</span><span style="font-weight: 400;"> no sertão. Mas </span><span style="font-weight: 400;">ele</span><span style="font-weight: 400;"> voltou. Hoje, ao lado do filho mais novo, Romério, cultiva um quintal agroecológico que não apenas alimenta, mas também gera renda e dignidade para a família. Juntos, eles criaram uma ferramenta artesanal de cano PVC e tecido macio para polinizar as flores do maracujá e chegaram a contabilizar mais de quinhentos pés plantados, colaborando com o trabalho dos besouros polinizadores endêmicos da Caatinga. O excedente da produção é vendido para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo refeições saudáveis aos alunos da rede pública, e também atende a feira semanal na cidade de Pedro II. Os quintais agroecológicos, nesse sertão que se reinventa, mostram que a terra ainda pode segurar quem nela planta raízes afetivas, culturais e produtivas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto de morar na minha cidade mesmo, com a minha agricultura familiar. É muito bom trabalhar no meu ramo, mexer com a terra é muito bom.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Salienta o jovem Romério ao ser perguntado se pensa em morar algum dia nas grandes capitais.</span></p>
<figure id="attachment_33361" aria-describedby="caption-attachment-33361" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33361" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg" alt="Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33361" class="wp-caption-text">Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo clima de cooperação e trabalho coletivo presente nas atividades do campo se estende ao momento de oferecer os produtos da agricultura familiar para o público. A Feira Agroecológica dos Saberes e Sabores está prestes a completar sete anos na Praça do Mutirão, em Pedro II. O espaço semanal nasceu para dar vazão à produção dos quintais agroecológicos e promover a venda direta das famílias para o consumidor durante o ano todo, a partir do sucesso da Feira da Fartura, um evento anual na Semana Santa que celebra a rica colheita de legumes entre março e abril, e que se tornou uma tradição no calendário da cidade. Mesmo com o frio da manhã típico da região serrana, o Sr. Gonzaga e Dona Ana Lúcia, que vimos na farinhada, estão lá toda terça-feira com frutas, verduras e o beiju com coco que conquistou a clientela, enquanto o jovem Romério traz galinha caipira, ovos, hortaliças, melancia e macaxeira. Organizada pelo Centro de Formação Mandacaru e com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Rádio Matões FM, a feira escoa a produção dos agricultores de várias comunidades e abastece as mesas de quem busca alimento saudável e de origem orgânica confiável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No último episódio da série vamos conhecer outras formas de atuação das comunidades que garantem a permanência dos jovens no campo, como o projeto de “recaatingamento” de áreas devastadas e o artesanato tradicional feito com a palha da carnaúba. O respeito à tradição dos profetas da chuva também conecta a juventude com os ciclos da natureza, em meio aos festejos que celebram as colheitas no final da estação chuvosa.</span></p>
<figure id="attachment_33362" aria-describedby="caption-attachment-33362" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33362" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg" alt="O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33362" class="wp-caption-text">O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o primeiro episódio da série: “A cultura cria raízes”</a></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-resiliencia-bem-viver-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; E aqui para ver o terceiro: &#8220;O encantamento do sertão&#8221;</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundo Ecos lança edital para fortalecer organizações de base comunitária na Amazônia Legal</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-lanca-edital-para-fortalecer-organizacoes-de-base-comunitaria-na-amazonia-legal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 12:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33338</guid>

					<description><![CDATA[Inscrições de projetos ficam abertas até 31 de agosto de 2026, às 18h de Brasília
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Organizações de base comunitária protagonizadas por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso poderão participar do 49º Edital do Fundo Ecos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), responsável pela gestão do </span><a href="https://fundoecos.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos</span></a><span style="font-weight: 400;">, lança a chamada no âmbito do projeto </span><b>Territórios Amazônicos Sociobiodiversos</b><span style="font-weight: 400;"> (</span><b>TAIPAS</b><span style="font-weight: 400;">), em parceria com o</span> <a href="http://www.forestspeopleclimate.org/"><b>Forests, People, Climate</b><span style="font-weight: 400;"> (</span><b>FPC</b><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma plataforma estratégica de filantropia internacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares são protagonistas na conservação e restauração das florestas, assim como na construção de soluções diversas para a crise climática. Com este edital, buscamos ampliar o acesso a recursos e fortalecer a autonomia e a governança territorial dessas organizações, contribuindo para a proteção da Amazônia Legal e de suas áreas de transição com o Cerrado”, destaca a antropóloga e gerente do projeto no ISPN, Marília Nepomuceno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o objetivo de selecionar e apoiar iniciativas desenvolvidas por organizações da sociedade civil, associações comunitárias e cooperativas, o edital contempla quatro linhas temáticas voltadas ao fortalecimento dos direitos territoriais, da participação social, implementação de instrumentos de governança e gestão territorial e ações baseadas nas economias da sociobiodiversidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre algumas das prioridades está o fortalecimento da incidência política e da participação social em espaços de governança e controle social relacionados à alimentação escolar, apoiando a atuação de organizações em instâncias como a Mesa de Diálogos Catrapovos, Conselhos Municipais e Estaduais de Alimentação Escolar e de Segurança Alimentar e Nutricional, além de ações de formação e intercâmbio sobre o tema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital também apoiará iniciativas de autodeclaração territorial e fortalecimento de direitos por meio das plataformas Tô No Mapa e Plataforma de Territórios Tradicionais, contribuindo para a visibilidade e o reconhecimento de povos e comunidades tradicionais.</span></p>
<figure id="attachment_33341" aria-describedby="caption-attachment-33341" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33341" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1441" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33341" class="wp-caption-text">Direitos territoriais, estão entre os temas apoiados pela chamada, além de governança comunitária, alimentação escolar e economias da sociobiodiversidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra linha temática contempla o fortalecimento de instrumentos de governança e gestão territorial, incluindo a elaboração e implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), Planos de Gestão Territorial Quilombola (PGTAQs), Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIFs), protocolos comunitários de consulta e consentimento, acordos comunitários e outras estratégias de proteção e gestão dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o edital busca apoiar também iniciativas comunitárias ligadas às cadeias de valor e arranjos produtivos locais, incentivando atividades que promovam as economias da sociobiodiversidade e contribuam para a geração de renda e o desenvolvimento sustentável dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recurso total previsto para o edital é de aproximadamente R$ 3.300.000,00 reais (três milhões e trezentos mil reais), para apoio de pequenos projetos que estarão distribuídos nas seguintes modalidades de apoio, de acordo com a linha temática do projeto: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sub-categoria A: associada a projetos da Linha Temática 1 &#8211; até R$ 100.000,00 (cem mil reais)</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sub-categoria B: associada a projetos das Linhas Temáticas 2, 3 e 4 &#8211; até R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais)</span></li>
</ul>
<p>As propostas poderão ser enviadas até 31 de agosto de 2026, às 18h (horário de Brasília). O edital completo, com as linhas temáticas, os critérios de seleção e o formulário de inscrição estão disponíveis na página do edital no site do Fundo Ecos, disponível <a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-49o-3o-2026-para-apoio-a-organizacoes-na-amazonia-legal">aqui</a>.</p>
<p><b>Forests, People, Climate</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Forests, People, Climate (FPC) – F</span><i><span style="font-weight: 400;">lorestas, Pessoas, Clima</span></i><span style="font-weight: 400;"> – é uma plataforma estratégica da filantropia internacional, em conjunto com a sociedade civil e organizações comunitárias, voltada ao apoio de ações que buscam interromper e reverter o desmatamento tropical, ao mesmo tempo em que promovem um desenvolvimento justo e sustentável. Seu foco está na proteção das florestas tropicais, no enfrentamento da crise climática e no fortalecimento dos direitos e da autonomia de povos indígenas, quilombolas e comunidades locais. </span></p>
<figure id="attachment_33342" aria-describedby="caption-attachment-33342" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33342" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33342" class="wp-caption-text">O edital integra o Projeto Territórios Amazônicos Sociobiodiversos (TAIPAS) e apoia iniciativas que contribuem para a proteção dos territórios e das florestas na Amazônia Legal brasileira. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Sem povos e comunidades tradicionais, não haverá justiça climática</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/sem-povos-e-comunidades-tradicionais-nao-havera-justica-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 17:47:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33332</guid>

					<description><![CDATA[Futuro climático seguro depende do fortalecimento efetivo de quem já protege ecossistemas
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto governos encontram obstáculos na negociação de metas, indicadores e mecanismos financeiros para enfrentar a crise climática, uma pergunta continua sem resposta adequada nas negociações internacionais: o que será feito em prol de quem já está <a href="https://www.brasildefato.com.br/colunista/forum-de-defesa-das-aguas-do-clima-e-do-meio-ambiente-do-df/2026/06/03/cerrado-ameacado-protecao-de-territorios-estrategicos-trata-da-sobrevivencia-coletiva/">cuidando dos territórios que mantêm a biodiversidade</a>, protegem as águas e ajudam a regular o clima do planeta?</p>
<p>Participei, em junho, da Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, na Alemanha, etapa preparatória para a próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP31). Ao lado de lideranças de povos e comunidades tradicionais do Brasil e de representantes de comunidades locais da América Latina, África e Ásia, ficou evidente que o desafio central segue sendo o mesmo: colocar as comunidades locais no centro das decisões climáticas.</p>
<p>Essa não é uma reivindicação simbólica. Trata-se de reconhecer, na prática, que não há solução climática viável sem considerar os povos e comunidades tradicionais e os modelos de conservação que eles praticam há gerações. São formas de vida que combinam proteção da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais e garantia de condições dignas de existência nos territórios.</p>
<p>Em Bonn, ouvi relatos que reforçam essa realidade. Durante os encontros do Grupo de Trabalho Facilitador (FWG) da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP), a representante da Rede Pantaneira Edinalda Pereira lembrou que, quando o mundo discute soluções climáticas para a agricultura e os sistemas alimentares, é preciso reconhecer que as comunidades tradicionais já praticam essas soluções há gerações.</p>
<p>Segundo ela, essas populações mantêm sistemas produtivos que conservam a biodiversidade, protegem os recursos hídricos e fortalecem a resiliência dos territórios, razão pela qual não buscam aprender a ser sustentáveis, mas sim ter seus conhecimentos, formas de organização e direitos reconhecidos.</p>
<p>O reconhecimento, contudo, não pode ficar apenas no discurso. A crise climática é também uma disputa por território. Como destacou a liderança quilombola Kátia Penha, da <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/06/09/mulheres-quilombolas-se-reunem-em-brasilia-para-discutir-sobre-territorios-climas-e-direitos/">Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)</a>, o clima não é uma pauta abstrata ou técnica para os povos tradicionais, mas uma questão territorial.</p>
<p>A vice-coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Maria Ednalva Ribeiro da Silva, reforçou essa perspectiva ao lembrar que a regularização fundiária é condição indispensável para que as comunidades possam proteger seus territórios contra ameaças como desmatamento, contaminação e violência. Afinal, ninguém consegue cuidar plenamente daquilo que não possui garantia de continuar ocupando.</p>
<p>As discussões em Bonn revelaram obstáculos persistentes. Houve resistência explícita de alguns negociadores até mesmo para preservar compromissos já assumidos anteriormente. O <a href="https://ispn.org.br/noticia/por-um-financiamento-climatico-justo-chamado-da-casa-sul-global-iniciado-na-cop30/" target="_blank" rel="noopener">financiamento climático para países em desenvolvimento</a> continua distante das necessidades reais, permanecendo como uma agenda marcada por promessas e poucas entregas concretas.</p>
<h4 class="wp-block-heading">Agenda comum de defesa da vida</h4>
<p>Ao mesmo tempo, percebi uma mudança relevante em alguns ambientes. Há espaços para que o debate venha a se deslocar das declarações genéricas para a implementação efetiva de políticas. Na Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, esse deslocamento se manifestou na demanda crescente por reconhecimento do monitoramento comunitário como fonte válida nos relatórios nacionais de transparência.</p>
<p>No campo do financiamento climático, há maior reconhecimento do financiamento direto a comunidades como meio de implementação, com passos lentos, porém importantes, na instalação do Fundo de Resposta a Perdas e Danos. Em um tema caro à realidade brasileira, a conexão entre o mapa do caminho para reverter o desmatamento enquanto instrumento concreto para entrar no Balanço Global também sinaliza avanços no sentido da implementação.</p>
<p>Por isso, a presença das lideranças comunitárias nesses fóruns internacionais é tão importante. O representante dos Fundos e Fechos de Pasto da Bahia, Eldo Moreira Barreto, que participou pela primeira vez de um evento internacional, resumiu bem o significado desses encontros ao afirmar que o que une comunidades indígenas e comunidades locais em diferentes partes do mundo é o cuidado com a vida, com a água, com a natureza, com a sociobiodiversidade e com a continuidade dos saberes ancestrais.</p>
<p>Essa convergência é estratégica. Embora cada povo e comunidade tenha sua própria história, suas demandas e especificidades, existe uma agenda comum de defesa dos territórios, dos direitos coletivos e da vida. E é justamente essa unidade que fortalece a capacidade de incidência política nas negociações climáticas globais.</p>
<p>À medida que nos aproximamos da COP31, torna-se cada vez mais evidente que a transição para um futuro climático seguro não será construída apenas em gabinetes ou centros de pesquisa. Ela depende do fortalecimento efetivo de quem já protege os ecossistemas mais importantes do planeta.</p>
<p>Reconhecer com ações concretas os povos e comunidades tradicionais como protagonistas da ação climática não é uma concessão. É uma condição para que as respostas à crise climática sejam eficazes, justas e duradouras. O mundo precisa ouvir mais quem há séculos demonstra, na prática, que é possível produzir, viver e conservar ao mesmo tempo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Profetas do tempo: sabedoria, sinais e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 11:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33298</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Primeiro episódio:  A cultura cria raízes
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33300" aria-describedby="caption-attachment-33300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33300" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg" alt="O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33300" class="wp-caption-text">O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na beirada da Caatinga, no extremo norte do Nordeste brasileiro, </span><span style="font-weight: 400;">o passado se faz presente em pinturas rupestres milenares e na sabedoria passada de pai para filho, de observar os ciclos da natureza para anunciar a chegada das chuvas. Desde os sinais deixados nas pedras pelos primeiros habitantes da América Latina, às previsões certeiras dos Profetas da Chuva, as comunidades do interior do Piauí escrevem seu próprio tempo, e hoje mesclam conhecimento ancestral e tecnologias sociais para prosperar no semiárido. Esta é a história de um Brasil profundo que, em vez de somente esperar pela chuva, aprendeu a plantar o seu amanhã.</span></p>
<figure id="attachment_33301" aria-describedby="caption-attachment-33301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33301 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg" alt="Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33301" class="wp-caption-text">Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti faz parte de uma região única, onde o tempo é ditado pelas águas. As chuvas iniciam</span> <span style="font-weight: 400;">em meados de</span> <span style="font-weight: 400;">janeiro e duram de três a quatro meses, e este ano se estenderam especialmente até maio. A biodiversidade ocorre em meio a grandes formações rochosas, baixadas sazonalmente úmidas e a transição com a Zona dos Cocais, com a rica presença das palmeiras carnaúba e babaçu. O rio Poti rompe a barreira natural da Serra da Ibiapaba para chegar na região, num trecho marcado por litígio territorial entre o Ceará e o Piauí, revelando uma intersecção da Caatinga com o Cerrado e fragmentos de Mata Atlântica, os chamados </span><i><span style="font-weight: 400;">brejos de altitude</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva José Inácio da Silva vive na Comunidade Cachoeira Grande, na cidade de Poranga, no Ceará, e cruza a divisa para visitar os profetas da Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, no Piauí. Juntos, eles ela</span><span style="font-weight: 400;">boram previsões climáticas pela observação minuciosa do ecossistema, como o comportamento dos pássaros, sapos, formigas, preás, e outros animais, além  dos mais singelos sinais da natureza presentes na rota dos ventos, nas estrelas e fases da lua, criando uma cosmografia geográfica rica em simbologias</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta terra de ciclos de vida extremos, a série de reportagem </span><i><span style="font-weight: 400;">Profetas do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce de uma imersão documental encomendada pelo Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) com apoio do <a href="https://ispn.org.br/editais/" target="_blank" rel="noopener">Fundo Global para Meio Ambiente (GEF)</a>, para criação de um banco de imagens sobre a Caatinga. Mas as histórias fotografadas mostram muito mais do que o bioma exclusivamente brasileiro, mostram uma realidade viva e palpável, percebida na fartura tecida por sua gente e uma relação profunda com a terra, um testemunho de adaptação e da reincidência cultural de práticas que sustentam a própria vida.</span></p>
<figure id="attachment_33302" aria-describedby="caption-attachment-33302" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33302" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33302" class="wp-caption-text">Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elas, a cultura da mandioca se destaca como um saber transmitido há gerações. Ao amanhecer, na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, esse conhecimento se torna concreto pelas mãos de Gonzaga Ferreira e seu sobrinho Lázaro, que colabora em tarefas leves durante a colheita, limpando a terra das raízes arrancadas do solo. É o início do grande dia da </span><i><span style="font-weight: 400;">farinhada</span></i><span style="font-weight: 400;">: um ritual coletivo que se desenrola em várias etapas até o anoitecer, transformando a mandioca brava em farinha e goma de tapioca (fécula), e envolvendo diversas famílias da comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia o trabalho envolveu cerca de vinte pessoas distribuídas nas atividades de arranquio, transporte, descascamento, trituração, lavagem da massa, prensagem, torragem, peneiração e armazenamento. Em um único dia foram produzidos 350kg de farinha e 200 kg de goma, para consumo do ano todo! Um dia de celebração de um modo de vida organizado em torno do trabalho comunitário e da transmissão de uma identidade sertaneja.</span></p>
<figure id="attachment_33303" aria-describedby="caption-attachment-33303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33303" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg" alt="A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33303" class="wp-caption-text">A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona Ana Lúcia, esposa do Sr. Gonzaga, conta que parte da produção é distribuída aos trabalhadores da farinhada como forma de pagamento pelo serviço, outra parte é enviada para os filhos em São Paulo e o restante é armazenado em sacos bem costurados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Comecei a trabalhar em farinhada eu tinha 11 anos, em farinhada das outras pessoas. Me casei nova e todo ano meu esposo tinha farinhada duas vezes por ano, no verão e no inverno. Uma farinhada é a coisa mais sagrada que você pode ter numa casa. Em tudo que você vai comer tem farinha, a gente pode fazer uma puba, dar mingau à uma criança, a um velhinho que está acamado, não tem alimento melhor do que a puba. E também tem a ração pros bichos, a casca, a madeira, a capoeira. Uma roça de mandioca é uma riqueza pra nós. Eu não sei nem descrever o tanto que uma farinhada beneficia o ser humano do campo.</span><span style="font-weight: 400;">” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33304" aria-describedby="caption-attachment-33304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33304" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg" alt="Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33304" class="wp-caption-text">Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN, com o intermédio do <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener">Centro de Formação Mandacaru (CFM)</a>, que atua há 35 anos na região promovendo o acesso à terra e à água, técnicas sustentáveis na agricultura familiar, segurança alimentar, educação contextualizada e espiritualidade popular, apoia diretamente a construção de Casas de Farinha coletivas bem equipadas. O espaço também pode ser utilizado como cozinha comunitária, para fazer bolos e biscoitos para comercialização. A comunidade vai inaugurar a nova Casa de Farinha na próxima temporada de farinhada, entre agosto e setembro deste ano. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Todo morador ou vizinho que plantar mandioca vai poder usar, vai ser o mês todo de farinhada, se Deus quiser!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frisou Dona Ana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos próximos episódios desta série de reportagem vamos conhecer as tecnologias sociais que estão revolucionando a vida no sertão do Piauí a partir da descentralização das estruturas de abastecimento de água, a permanência dos jovens no campo e sua conexão com a sabedoria dos Profetas da Chuva, além da relação dos ciclos da natureza com este trecho peculiar da Caatinga, onde a espiritualidade fortalece a identidade sertaneja e a convivência com a região.</span></p>
<figure id="attachment_33305" aria-describedby="caption-attachment-33305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33305" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg" alt="Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN " width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33305" class="wp-caption-text">Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o segundo episódio da série: &#8220;A revolução agroecológica&#8221;</a></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-resiliencia-bem-viver-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; E aqui para ver o terceiro: “O encantamento do sertão&#8221;</a></p>
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