Por por Michael Becker, Coordenador do Time de Implementação Regional do CEPF Cerrado

Foto: acervo ISPN/Bento Viana

Durante os últimos três anos o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF na sigla em inglês) vem apoiando projetos de diálogo para o uso sustentável de recursos naturais no Cerrado. São aproximadamente 55 projetos que compreendem diferentes direções estratégicas descritas no Perfil do Ecossistema, que nos deram uma sólida base científica para o trabalho no bioma.

Esse perfil elaborado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), pela Conservação Internacional (CI-Brasil) e pelo próprio CEPF, contou com a participação de 130 instituições públicas e privadas, que foram consultadas em cinco oficinas em todo o território que abrange o Cerrado.

perfil representa um ótimo compêndio para todos aqueles que desejam investir na conservação dos recursos naturais e na gestão sustentável do território com todos os seus atores: povos e comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores e a população dos centros urbanos.

As linhas estratégicas de atuação, destacadas pelo perfil, são bastante abrangentes:

1. Promover a adoção de melhores práticas em agricultura nos corredores prioritários;

2. Apoiar a criação/expansão e a gestão eficaz das áreas protegidas nos corredores prioritários;

3. Promover e fortalecer as cadeias produtivas associadas ao uso sustentável dos recursos naturais e à restauração ecológica no hotspot;

4. Apoiar a proteção das espécies ameaçadas no hotspot;

5. Apoiar a implementação de ferramentas para integrar e compartilhar dados sobre monitoramento com o objetivo de melhor informar os processos de tomada de decisão no hotspot;

6 . Fortalecer a capacidade das organizações da sociedade civil para promover a melhoria da gestão dos territórios e dos recursos naturais e para apoiar outras prioridades de investimento no hotspot.

Todos aqueles que já trabalharam em gestão de programas podem entender nosso receio como gestores para lidar com linhas tão diversas. Contudo, ao longo do trabalho e na medida que a carteira do programa foi se consolidando – com projetos do Maranhão ao Mato Grosso do Sul – ficou claro que essa diversidade é precisamente uma das grandes características do Cerrado, esse imenso sertão de 2 milhões de km2.

Temos projetos com municípios e quilombolas; povos indígenas e produtores de café; botânicos e ornitólogos; extrativistas e ONGs. Essa diversidade, e cada parte contribuindo para a formação de paisagens sustentáveis, é o que está expresso no Perfil do Ecossistema e, por conseguinte, na atuação do programa no Cerrado.

As estratégias dialogam também com os territórios e com os corredores prioritários de investimento:
Mirador – Mesas
Corredor Central de Matopiba
Veadeiros – Pouso Alto – Kalungas
Sertão Veredas – Peruaçu

O fato de o recorte desses territórios obedecer sempre ao limite das bacias hidrográficas reflete a importância do elemento água, não somente para a biodiversidade, mas para o produção e para todos aqueles que usufruem desse elemento tão essencial à vida, como as cidades do Cerrado.

Cabe aqui, um agradecimento especial a todos que trabalharam na elaboração do Perfil, especialmente ao assessor sênior do ISPN, Don Sawyer, um pesquisador que há muitos anos vem contribuindo com o bom uso e conservação do Cerrado.

Esperamos que a publicação oficial desse perfil e sua documentação no catálogo bibliográfico, possa inspirar outros projetos e pesquisas nesse imenso Bioma que abriga tantos povos, paisagens e saberes tão essenciais para a biodiversidade, para a produção e o imaginário no Brasil.

“Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera.”; Guimarães Rosa.

Confira no site do  CEPF os documentos que compõem o Perfil do Ecossistema Hostpot da Biodiversidade do Cerrado nas versões em Português e Inglês, clique aqui.