Imagem: Cristiane Guajajara / Aldeia Maçaranduba TI Caru (MA) Foto: Léo Otero 

Imagem: Cristiane Guajajara / Aldeia Maçaranduba TI Caru (MA) Foto: Léo Otero

Mais de duas mil indígenas de 100 diferentes povos de todas as regiões do Brasil se reuniram na primeira Marcha das Mulheres Indígenas, entre 10 a 14 deste mês, em Brasília. Com cantos, danças, maracás, jenipapo, debates, faixas e coros de “palavras de luta” deram seu recado para todo o país em defesa “do território, do corpo e do espírito”. Como resultado da grande mobilização, foi publicada uma carta política amplamente divulgada à sociedade.

“Enquanto mulheres, lideranças, guerreiras, geradoras e protetoras da vida, iremos nos posicionar e lutar contra as questões e as violações que afrontam nossos corpos, nossos espíritos, nossos territórios. Difundindo nossas sementes, nossos rituais, nossa língua, nós iremos garantir a nossa existência”, enfatiza a carta.

O documento ainda faz um chamamento à sociedade para respeitar os modos de viver dos povos indígenas. “Lutar pelos direitos de nossos territórios é lutar pelo nosso direito à vida. A vida e o território são a mesma coisa, pois a terra nos dá nosso alimento, nossa medicina tradicional, nossa saúde e nossa dignidade. Perder o território é perder nossa mãe. Quem tem território, tem mãe, tem colo. E quem tem colo, tem cura”, ressalta.

No final, a carta traz algumas reivindicações construídas pelas mulheres durante a Marcha. Entre esses pleitos estão:  “garantir a demarcação das terras indígenas, pois violar nossa mãe terra é violentar nosso próprio corpo e nossa vida; assegurar nosso direito à posse plena de nossos territórios; e promover o aumento da representatividade das mulheres indígenas nos espaços políticos, dentro e fora das aldeias”. Leia o documento na integra aqui.

Maranhão presente! A Marcha contou com a participação de cerca 400 indígenas em oitos delegações do Norte e Sul do Maranhão dos povos Guajajara, Gavião, Krikati, Kanela, Krahô, Krenye, Krepum, Gamela, Tremembé, Ka’àpor e Awá Guajá de diversas terras indígenas. O ISPN foi umas das organizações que apoiou o deslocamento e a logística das caravanas maranhenses até Brasília.