Indígenas das aldeias da TI Rio Pindaré promovem troca de sementes

Sementes crioulas, sementes da paixão, sementes nativas, sementes originárias, sementes da resistência. Elas recebem diversos nomes em diferentes lugares do Brasil. No Maranhão, são conhecidas como sementes da independência. Muito além das nomenclaturas, elas passam de geração em geração, perpetuando valores, biodiversidade e sustentabilidade em seus territórios.

No estado maranhense, há séculos, os povos indígenas cumprem importante papel como guardiões de sementes e, com isso, contribuem com a conservação e a biodiversidade das florestas. No entanto, toda essa riqueza e diversidade das sementes vêm sendo ameaçadas por invasões e destruição das matas e pelo agronegócio na região.

Com o objetivo de celebrar a biodiversidade, o respeito à ancestralidade e a conservação dos territórios, foi realizado a Feira de Trocas de Sementes e Saberes Indígenas, no último dia 11 de dezembro, na Aldeia Januária, município de Bom Jardim (MA). O encontro aconteceu numa parceria entre as associações indígenas locais, o ISPN e o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF), Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp) e o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma).

Diversidade de sementes presente na Feira

A feira reuniu cerca 80 indígenas do povo Guajajara da Terra Indígena (TI) Rio Pindaré.  Durante o encontro, os participantes trocaram diversos tipos de sementes nativas para alimentação, artesanato e reflorestamento. Ainda na programação, aconteceu intercâmbio de experiências e palestras de boas práticas de armazenamento e cuidados com as sementes.

“Foi um momento lindo de partilha de sementes e trocas de experiências. Precisamos conservar, pois já perdemos algumas sementes crioulas nos nossos territórios. E, os nossos anciãos sentem falta dessas sementes que foram perdidas ao longo do tempo e, hoje, não se planta mais”, ressaltou a presidente da Associação Comunitária Mainumy da Terra Indígena Rio Pindaré, Arlete Guajajara.

De acordo com a secretária adjunta de Extrativismo, Povos e Comunidades Tradicionais da SAF, Luciene Dias, por trás das sementes há um pulsar de resistência e biodiversidade para os territórios. “Aqui no Maranhão, as sementes da Independência têm uma ligação forte com os povos indígenas. Elas estão ligadas a vida das florestas”, explicou.

O coordenador executivo do ISPN, Fábio Vaz, ressalta a importância da feira para o resgate da cultura do armazenamento das sementes na manutenção da biodiversidade. “As sementes são fundamentais para manter as florestas em pé, com toda a sua diversidade e riqueza para a conservação e proteção dos territórios indígenas. Representam um modo de vida dos povos originários”, ressaltou.

Além da equipe técnica do ISPN e das lideranças indígenas das aldeias da TI Rio Pindaré, a feira contou também com a participação de coordenadores e assessores da SAF.

Feira também simboliza o fortalecimento dos povos indígenas