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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<item>
		<title>Financiamento climático a partir dos territórios: recursos,  poder e justiça socioambiental</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/financiamento-climatico-a-partir-dos-territorios-recursos-poder-e-justica-socioambiental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 13:28:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33665</guid>

					<description><![CDATA[O desafio não se resume apenas a ampliar o financiamento. É preciso discutir como esses recursos circulam, quem participa das decisões e quais organizações têm condições de acessá-los]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A crise climática tem levado governos, organismos multilaterais, empresas e instituições filantrópicas a mobilizarem volumes crescentes de recursos. Em 2024, os fluxos globais de financiamento climático ultrapassaram US$ 2 trilhões. Para 2025 foram estimados em US$ 2,1 trilhões. O valor é expressivo, mas ainda distante dos cerca de US$ 7,8 trilhões anuais que, segundo a </span><a href="https://www.climatepolicyinitiative.org/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Climate Policy Initiative,</span></a><span style="font-weight: 400;"> serão necessários até 2030 e US$ 9 trilhões anuais entre 2031 e 2035 para responder às necessidades globais de financiamento climático. [1]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio, portanto, não se resume apenas a ampliar o financiamento. É preciso discutir como esses recursos circulam, quem participa das decisões e quais organizações têm condições de acessá-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, uma pergunta continua recebendo menos atenção do que deveria: quem já vinha construindo respostas para a crise climática antes mesmo de ela ocupar o centro da agenda internacional?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta está nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, movimentos sociais e organizações locais desenvolvem, há gerações, formas de produzir, conservar e viver baseadas no conhecimento tradicional e no conhecimento dos  territórios em que vivem. Protegem florestas, recuperam nascentes, manejam a sociobiodiversidade, mantêm sistemas produtivos adaptados às condições locais e constroem alternativas econômicas que conciliam conservação e geração de renda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse conhecimento não é complementar à ação climática. Ele constitui parte essencial das respostas necessárias para proteger a biodiversidade, reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de adaptação de populações e ecossistemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de mais de três décadas, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), por meio do Fundo Ecos, acompanha e apoia iniciativas dessa natureza. Desde sua criação, o Fundo já destinou mais de US$ 31 milhões a mais de mil projetos conduzidos por organizações de base comunitária, especialmente no Cerrado, Amazônia e Caatinga.</span><span style="font-weight: 400;"> [2]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa trajetória mostra que as transformações mais consistentes raramente começam com modelos concebidos à distância. Elas surgem da combinação entre conhecimento territorial, organização social, capacidade de experimentação e recursos adequados às realidades locais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é um dos principais aprendizados acumulados pelo Fundo Ecos: estar conectado aos territórios e reconhecer práticas que já existem, fortalecer as organizações que as sustentam e criar condições para que possam aperfeiçoá-las, conectá-las e ampliar seus resultados.</span></p>
<p><b>O caminho dos recursos também importa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante décadas, prevaleceu no financiamento para o desenvolvimento a lógica de que os recursos deveriam percorrer longas cadeias institucionais antes de alcançar as organizações locais. A cada etapa, foram incorporados novos procedimentos e mecanismos de controle destinados a reduzir riscos e assegurar resultados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora esses instrumentos tenham sua importância, o acúmulo de exigências produz uma contradição: as organizações mais próximas dos problemas e das soluções são frequentemente aquelas que enfrentam maiores dificuldades para acessar o financiamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, sobre desenvolvimento localmente liderado reconhecem esse problema. A organização afirma que o financiamento de qualidade deve ser flexível, previsível e de longo prazo, além de recorrer, sempre que possível, a sistemas e instituições locais já existentes.[</span><span style="font-weight: 400;">3]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria OCDE estima que menos de 10% dos fundos climáticos estejam dedicados ao desenvolvimento localmente liderado. Embora as diferenças de definições e metodologias ainda dificultem a comparação desses fluxos, o dado evidencia a distância entre os compromissos de localização dos recursos e sua aplicação prática.</span><span style="font-weight: 400;"> [4]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência do Fundo Ecos demonstra que essa distância não será superada apenas com formulários mais simples. É preciso rever a maneira como riscos, capacidades, responsabilidades são compreendidos e reconhecer o protagonismo das organizações e comunidades na construção das soluções.</span></p>
<p><b>Confiança não é o oposto da boa governança. É uma de suas condições.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Relações construídas ao longo do tempo permitem compreender os contextos em que os projetos são executados, fortalecer as organizações e ajustar mecanismos de acompanhamento, transparência e prestação de contas às diferentes realidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso não significa abandonar critérios, controles ou procedimentos de integridade, mas construir mecanismos proporcionais aos riscos e reconhecer capacidades que nem sempre aparecem em documentos formais. Nesse contexto, a responsabilidade deixa de ser apenas uma obrigação administrativa imposta por quem financia e passa a ser um compromisso compartilhado, baseado em objetivos comuns, diálogo e clareza sobre os resultados esperados.</span></p>
<p><b>Uma infraestrutura que já existe</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como as soluções para muitos dos desafios socioambientais já vêm sendo construídas nos territórios, também existe uma infraestrutura capaz de fazer os recursos chegarem a quem as desenvolve. Fundos independentes e de justiça socioambiental, em diferentes países, ao </span><span style="font-weight: 400;">conectar</span><span style="font-weight: 400;"> os recursos a organizações e iniciativas locais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses fundos conhecem os contextos locais, mantêm relações duradouras com organizações de base, identificam iniciativas que dificilmente seriam alcançadas por grandes financiadores e acompanham processos que não podem ser avaliados apenas por resultados de curto prazo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, a Rede Comuá já reúne 20 fundos e organizações doadoras independentes que mobilizam recursos para organizações, movimentos e coletivos atuantes nos campos da justiça socioambiental, dos direitos humanos e do desenvolvimento comunitário.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um mapeamento sobre a filantropia comunitária no país reuniu dados de 31 organizações doadoras independentes. Entre as instituições pesquisadas, 74% apoiavam organizações da sociedade civil e 71% destinavam recursos a movimentos e coletivos, inclusive não formalizados. As 14 organizações da Rede Comuá incluídas no estudo haviam doado, diretamente, quase R$ 472 milhões até 2021.[</span><span style="font-weight: 400;">5]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No âmbito internacional, a Alianza Socioambiental Fondos del Sur articula fundos socioambientais do Sul Global. Atualmente, a rede reúne 17 fundos que, ao longo de suas trajetórias, já apoiaram iniciativas em mais de 70 países. De acordo com o levantamento </span><i><span style="font-weight: 400;">Funding from the Ground Up</span></i><span style="font-weight: 400;">, somente em 2024, seus membros destinaram cerca de US$ 14 milhões em doações a atores da linha de frente, incluindo organizações de base, povos indígenas, instâncias de governança local e empreendimentos comunitários. Sua atuação parte do reconhecimento de que os grupos mais afetados pelas crises socioambientais são, muitas vezes, também os mais excluídos dos modelos tradicionais de financiamento. [</span><span style="font-weight: 400;">6]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação do ISPN e do Fundo Ecos na Rede Comuá e na Alianza Socioambiental Fondos del Sur integra esse movimento mais amplo de fortalecimento dos fundos independentes de justiça socioambiental e de defesa de sistemas de financiamento mais acessíveis, diversos e próximos dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas articulações não buscam apenas ampliar a colaboração entre seus integrantes. Elas trabalham para transformar as relações entre quem mobiliza os recursos, quem define as prioridades e quem conduz as respostas nos territórios.</span></p>
<p><b>Mudar os fluxos para construir futuros possíveis com justiça socioambiental</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazer mais recursos chegarem aos territórios por meio de fundos independentes e de justiça socioambiental não significa apenas ampliar a capilaridade ou a eficiência do financiamento climático. Significa também transformar a maneira como circulam recursos, decisões e poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando organizações próximas aos territórios participam da definição de prioridades e dispõem de recursos flexíveis para apoiar soluções construídas localmente, comunidades, povos indígenas e organizações de base deixam de ocupar apenas o lugar de executores de agendas definidas externamente. Ampliam sua capacidade de decidir, propor e sustentar suas próprias respostas aos desafios socioambientais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da escala da crise climática, mobilizar mais recursos é indispensável. Mas a transformação necessária depende também de quem participa das decisões, de onde essas decisões são tomadas e de quanto conhecimento, capacidade institucional e autonomia permanecem nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Democratizar o financiamento climático é, nesse sentido, ampliar quem pode imaginar, propor e participar das decisões. Fazer com que recursos e poder de decisão estejam mais próximos daqueles que vivem, conhecem e cuidam dos territórios contribui para construir respostas mais justas, fortalecer a democracia e transformar em realidade aquilo que, muitas vezes, ainda parece impossível.</span></p>
<p><b>Referências </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[1] Climate Policy Initiative. </span><i><span style="font-weight: 400;">Global Landscape of Climate Finance 2026</span></i><span style="font-weight: 400;"> e painel de dados sobre os fluxos globais de financiamento climático. <a href="https://www.climatepolicyinitiative.org/resources/data-visualizations/global-landscape-of-climate-finance-data-dashboard/" target="_blank" rel="noopener">https://www.climatepolicyinitiative.org/resources/data-visualizations/global-landscape-of-climate-finance-data-dashboard/</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[2] Valor total em US$ corrigido até 2025.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[3] OECD. </span><i><span style="font-weight: 400;">Practical Guidelines for Supporting Locally Led Development: Quality Financing to Local Actors</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-quality-financing-to-local-actors_70bc9dc7.html" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;"><strong>https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-quality-financing-to-local-actors_70bc9dc7.html</strong></span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[4] OECD. </span><i><span style="font-weight: 400;">Practical Guidelines for Supporting Locally Led Development: Clarity of Intentions and Definitions</span></i><span style="font-weight: 400;">.<br />
</span><strong><a href="https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-clarity-of-intentions-and-definitions_306ac241.html" target="_blank" rel="noopener">https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-clarity-of-intentions-and-definitions_306ac241.html</a></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[5] Rede Comuá. F</span><i><span style="font-weight: 400;">ilantropia comunitária no Brasil: princípios, práticas e prioridades</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><strong><a href="https://redecomua.org.br/wp-content/uploads/2025/02/Filantropia-comunitaria-no-Brasil-Sumario-PT.pdf" target="_blank" rel="noopener">https://redecomua.org.br/wp-content/uploads/2025/02/Filantropia-comunitaria-no-Brasil-Sumario-PT.pdf</a></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[6] Alianza Socioambiental Fondos del Sur. </span><i><span style="font-weight: 400;">Funding from the Ground Up: A Global Study of Locally Rooted Socio-Environmental Funds</span></i><span style="font-weight: 400;">. 2025.</span><strong><a href="https://alianzafondosdelsur.org/wp-content/uploads/2025/10/Alianza_Funding_from_the_ground_up.pdf" target="_blank" rel="noopener"> https://alianzafondosdelsur.org/wp-content/uploads/2025/10/Alianza_Funding_from_the_ground_up.pdf</a></strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ISPN manifesta apoio ao Cacique Antonio Wilson Guajajara e alerta para a criminalização de lideranças indígenas</title>
		<link>https://ispn.org.br/nota-institucional/ispn-apoio-cacique-pistola/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Tiemi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 20:59:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nota institucional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33659</guid>

					<description><![CDATA[Instituto defende que a atuação de Antonio Wilson Guajajara na proteção da Terra Indígena Caru e na defesa dos direitos de seu povo seja analisada à luz do contexto de ausência do Estado e das garantias constitucionais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) manifesta preocupação com o andamento de processos judiciais em face do cacique Antonio Wilson Guajajara, conhecido como Cacique Pistola, liderança da Terra Indígena Caru, no Maranhão.</p>
<p>Há décadas, o <a href="https://museudapessoa.org/historia-de-vida/valeu-a-pena-ter-voltado/">Cacique Pistola</a> atua na defesa de seu e de outros territórios indígenas no estado do Maranhão, na proteção da floresta e na organização de ações comunitárias diante do avanço de invasões e da exploração ilegal de recursos naturais. Seu trabalho se desenvolveu num contexto de histórica ausência do Estado na proteção das terras indígenas, realidade que levou os povos indígenas a organizar ações comunitárias de monitoramento e proteção territorial na região, a partir do fortalecimento do movimento indígena e da estruturação de grupos comunitários locais como os Guardiões da Floresta, as <a href="https://ispn.org.br/noticia/de-guajajara-a-caraiu-guerreiras-da-floresta-protegem-territorio-amazonico-com-estrategia-inovadora/">Guerreiras da Floresta</a>, Brigadas Indígenas, grupo de jovens, além do respeito aos ensinamentos dos anciãos. As ações e estratégias desses coletivos vêm sendo desenvolvidas em articulação com órgãos públicos, como Funai, Ibama, ICMBio, Polícia Federal, Ministério Público, secretarias do estado do Maranhão, dentre outros.</p>
<p>Sua liderança também foi essencial para a mobilização, criação, fortalecimento e reconhecimento oficial pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do <a href="https://ispn.org.br/noticia/formalizacao-do-mosaico-gurupi-reforca-protagonismo-indigena-na-agenda-climatica/">Mosaico Gurupi</a>, iniciativa que integra seis Terras Indígenas, e uma Reserva Biológica, nos estados do Maranhão e Pará. Trata-se de um conjunto significativo de áreas protegidas da Amazônia Oriental, numa área de extrema relevância ecológica e cultural, cuja conservação resiste em virtude da luta, do empenho e da articulação dos povos indígenas e comunidades tradicionais que o constituem. Em reconhecimento à sua trajetória, o cacique tornou-se o primeiro presidente indígena de um Conselho Consultivo de Mosaico de Áreas Protegidas no Brasil.</p>
<p>É justamente nesse contexto que preocupa que acusações graves e genéricas recaiam sobre uma liderança cuja atuação é reconhecidamente dedicada à defesa coletiva de seu povo, de seu território e da Amazônia.</p>
<p>A defesa dos territórios indígenas não pode ser confundida com prática criminosa. A criminalização de lideranças que atuam na proteção de seus povos e florestas representa uma tentativa de intimidação e de violação do direito constitucional à livre manifestação, um dos fundamentos da nossa democracia. As tentativas de intimidação de lideranças locais buscam enfraquecer a proteção de territórios essenciais para a conservação da biodiversidade e o enfrentamento da crise climática.</p>
<p>O ISPN reafirma que todo processo judicial deve respeitar as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, além de realizar a devida individualização das condutas, considerando o contexto territorial e as circunstâncias em que os fatos ocorrem.</p>
<p>Ao manifestar solidariedade ao Cacique Pistola e ao povo Guajajara, o ISPN também se soma às organizações que alertam para a crescente criminalização de defensores e defensoras de direitos humanos e ambientais no Brasil. Defender os territórios indígenas é defender a Constituição, a sociobiodiversidade e o futuro das florestas brasileiras.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Guia reúne caminhos práticos para acessar financiamento para conservação da biodiversidade</title>
		<link>https://ispn.org.br/sem-categoria/guia-reune-caminhos-praticos-para-acessar-financiamento-para-conservacao-da-biodiversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 17:38:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33648</guid>

					<description><![CDATA[Publicação apresenta fontes, mecanismos e oportunidades de financiamento para conservação da biodiversidade e proteção de territórios 
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Transformar compromissos nacionais de conservação da biodiversidade em ações concretas depende também de ampliar e democratizar o acesso aos recursos financeiros. É nesse contexto que o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) lança o </span><em><strong><a href="https://ispn.org.br/publicacao/guia-de-financiamento-para-a-agenda-de-biodiversidade/">Guia de Financiamento para a Agenda de Biodiversidade</a></strong></em><span style="font-weight: 400;">, publicação que mapeia fontes, mecanismos e oportunidades de financiamento para iniciativas de conservação, uso sustentável da biodiversidade e de fortalecimento de povos e comunidades tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guia foi organizado pela pesquisadora Nurit Bensusan, a partir de estudo realizado pelo  Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) na fase preparatória do projeto Capacidades e Estruturas para a implementação da Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB), oCAP4Bio, uma parceria entre o ISPN e CIFOR/ICRAF, apoiada pela Iniciativa International para o Clima (IKI). A publicação parte de um desafio central para aEPANB 2025-2030: fazer com que os recursos necessários para cumprir as metas nacionais cheguem aos diferentes territórios e às organizações e comunidades que atuam diretamente na conservação e no uso sustentável da biodiversidade.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para Nurit, o problema raramente é a falta de recursos, mas é o caminho para chegar até eles. “Nem sempre a existência de recursos se traduz em acesso e disponibilidade para quem precisa. Documentação, linguagem, prestação de contas e muito mais fazem da existência teórica de recursos uma impossibilidade prática”, avalia. “Às vezes são necessários ajustes na forma como esses recursos são apresentados, mas o que tentamos fazer com o guia é uma espécie de mediação, de tradução, que torna o incompreensível em algo factível&#8221;, completa a pesquisadora.</span></p></blockquote>
<p><b>Metas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A EPANB estabelece metas nacionais até 2030, que vão da redução de ameaças à biodiversidade ao uso sustentável dela, passando pelo aumento do financiamento para a própria estratégia, entre outras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guia aponta que a implementação da agenda de biodiversidade acontece nos territórios e muitas das atividades desenvolvidas por povos e comunidades dependem de recursos financeiros. Por isso, entender onde estão os recursos, como eles funcionam e de que maneira podem ser acessados é parte fundamental da implementação da EPANB e das estratégias estaduais e locais de biodiversidade.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O desafio não é apenas ampliar o volume de recursos disponíveis, mas garantir que eles cheguem a quem está nos territórios e atua diretamente na conservação da biodiversidade. Povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores e agricultoras familiares são fundamentais para essa agenda e precisam ter acesso aos recursos necessários para fortalecer suas iniciativas e seus modos de vida”, pontua a coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Silvana Bastos.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos centrais da publicação é o reconhecimento do papel fundamental de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores e agricultoras familiares na conservação da biodiversidade. </span></p>
<p><b>Tradução</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guia apresenta conceitos e explica as diferenças entre fontes de recursos, instrumentos e mecanismos de financiamento, e mostra como acessá-los, indicando, conforme cada caso, editais, chamadas públicas, cartas-convite, demandas espontâneas e outros caminhos .É esse trabalho de tradução que o guia se propõe a fazer. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores obstáculos, segundo Nurit, é decifrar o jargão do setor. &#8220;A documentação a ser apresentada é um entrave para algumas entidades, mas o mais difícil é decupar o jargão, entender os termos para tentar se localizar no emaranhado que é o mundo do financiamento&#8221;, diz.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://ispn.org.br/publicacao/guia-de-financiamento-para-a-agenda-de-biodiversidade/"><b><i>Guia de Financiamento para a Agenda de Biodiversidade </i></b></a><span style="font-weight: 400;">está disponível para download no site do ISPN para consulta e pode ser utilizado por gestoras e gestores públicos, organizações da sociedade civil, lideranças representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, assessorias, pesquisadores e todas as pessoas interessadas em compreender e acessar recursos para a agenda de biodiversidade no Brasil.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>No Dia do Cerrado, campanha #VotePeloCerrado convoca eleitores a colocar o futuro do bioma no debate das eleições de 2026</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/no-dia-do-cerrado-campanha-votepelocerrado-convoca-eleitores-a-colocar-o-futuro-do-bioma-no-debate-das-eleicoes-de-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Kaxuyana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 13:37:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33633</guid>

					<description><![CDATA[Iniciativa apresenta Carta-Compromisso com oito propostas para proteção das águas, dos territórios, da biodiversidade e dos direitos dos povos do Cerrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Brasília, 11 de setembro de 2026 –</b><span style="font-weight: 400;"> Se o Cerrado pudesse votar, o que ele escolheria? Água e biodiversidade protegidas. Territórios preservados. Agricultura familiar fortalecida. Sociobiodiversidade valorizada. Direitos garantidos aos povos e comunidades que vivem e cuidam desse território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A provocação marca o lançamento, nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, da campanha #VotePeloCerrado, uma mobilização da sociedade civil que busca levar o futuro do bioma e de seus povos para o centro do debate das eleições de 2026. A iniciativa apresenta uma Carta-Compromisso com o Cerrado e seus Povos, dirigida a candidatas e candidatos aos Poderes Executivo e Legislativo, nos âmbitos federal e estadual, com oito propostas para orientar programas de governo e atuação parlamentar.</span></p>
<p><b>Ativismo digital</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha convida eleitores a conhecerem os compromissos e as candidaturas que assumem o compromisso em defender os temas que definem o futuro do bioma no site próprio </span><a href="http://votepelocerrado.org.br"><span style="font-weight: 400;">votepelocerrado.org.br</span></a><span style="font-weight: 400;">. A decisão nas urnas se transforma em cobrança pública: quem assume a responsabilidade de proteger as águas, os territórios e a biodiversidade do Cerrado.  A própria Carta estabelece que candidatas e candidatos que a assinarem deverão se comprometer com um diálogo permanente com os povos do Cerrado, suas organizações, movimentos sociais e a sociedade civil, incorporando as propostas ao programa de governo e/ou à atuação parlamentar, com transparência e prestação de contas. </span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha é digital e a hashtag #VotePeloCerrado vai guiar as publicações no Instagram nos perfis de 6 organizações </span><a href="https://www.instagram.com/ispn_brasil/"><span style="font-weight: 400;">@ispn_brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/rede.cerrado/"> <span style="font-weight: 400;">@rede.cerrado</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/institutocerrados/"> <span style="font-weight: 400;">@institutocerrados</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/funatura/"> <span style="font-weight: 400;">@funatura</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/cptnacional/"> <span style="font-weight: 400;">@cptnacional</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/campanhacerrado/"> <span style="font-weight: 400;">@campanhacerrado</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;">, e conta com a adesão de influenciadores digitais que colocam sua voz para falar do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33640" aria-describedby="caption-attachment-33640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-33640" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1024x768.jpeg" alt="Colaboradores do ISPN posam com cartazes da campanha Vote Pelo Cerrado. Foto: Divulgação" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33640" class="wp-caption-text">Colaboradores do ISPN posam com cartazes da campanha Vote Pelo Cerrado. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><b>Emergência climática</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conservação do Cerrado é uma das maiores potências para o enfrentamento das crises climáticas, hídrica e energética do país. No entanto, estudos mostram que mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi destruída e os rios enfrentam 27% de redução na vazão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário coloca em jogo muito mais do que a conservação de um bioma. A destruição do Cerrado afeta a economia do Brasil pois o Cerrado é estratégico para o provimento de água, alimento, para a regulação do clima e manutenção da saúde . Por isso, a Carta-Compromisso afirma que a proteção do bioma é também uma questão de direitos humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O Cerrado é um bioma estratégico para o Brasil. Além de ser o coração das águas, 42% da produção agrícola nacional está aqui. No entanto, o ritmo da conversão do Cerrado em monocultivos está muito acelerado e ameaça a viabilidade da própria produção agrícola. Precisamos eleger parlamentares que compreendam essa importância e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, ressalta a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo.</span></p>
<p><b>Um bioma estratégico para o Brasil</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado é considerado o coração das águas do Brasil. Suas nascentes alimentam algumas das principais regiões hidrográficas do país, entre elas a do Amazonas, Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná/Paraguai. O bioma também abriga os aquíferos Urucuia, Bambuí e Guarani.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da importância hídrica e ambiental, o Cerrado é território de povos e comunidades tradicionais que historicamente protegem seus bens naturais e desenvolvem formas próprias de viver e produzir. Sua biodiversidade também sustenta cadeias econômicas associadas à sociobiodiversidade, com produtos como pequi, buriti, cagaita, mangaba, flores-sempre-vivas, baru e babaçu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Para os povos do Cerrado, a economia não se separa de território, cultura e conservação. É da floresta e do campo conservados que vêm o pequi, o baru, o babaçu, o buriti, o artesanato, os alimentos e tantas atividades que geram renda sem destruir o bioma. As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, assistência técnica, crédito e acesso a mercados, ressalta a secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preservação do bioma é fundamental para garantir as condições necessárias à própria produção agropecuária. Para o diretor executivo do Instituto Cerrado, Yuri Salmona, “O Cerrado é um insumo. Não há agricultura responsável sem preservar o bioma: o desmatamento compromete a previsibilidade climática, a disponibilidade de água e os habitats de polinizadores fundamentais para diversos cultivos”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha </span><a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Cerrado, Coração das Águas</b></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://redecerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Rede Cerrado</b></a><span style="font-weight: 400;">, que reúne mais de 500 organizações por meio de suas associadas, e a </span><a href="https://campanhacerrado.org.br/campanha2026/" target="_blank" rel="noopener"><b>Campanha Nacional em Defesa do Cerrado</b></a><span style="font-weight: 400;">, que articula mais de 60 entidades, estão entre as articulações que dão origem à mobilização. Juntas, reúnem organizações de povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conheça a Carta-Compromisso e as oito propostas: <a href="https://votepelocerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">votepelocerrado.org.br</a></span>.</p>
<figure id="attachment_33644" aria-describedby="caption-attachment-33644" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33644 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-768x1024.jpg" alt="Equipe executiva da Rede Cerrado. Brasília DF" width="768" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-768x1024.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-225x300.jpg 225w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-1152x1536.jpg 1152w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-1536x2048.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-scaled.jpg 1920w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption id="caption-attachment-33644" class="wp-caption-text">Equipe executiva da Rede Cerrado, em Brasília (DF). Foto: Divulgação</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ecos dos Territórios: oficina reúne comunidades do Cerrado, Caatinga e Amazônia para troca de saberes</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ecos-dos-territorios-oficina-reune-comunidades-do-cerrado-caatinga-e-amazonia-para-troca-de-saberes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 14:13:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33593</guid>

					<description><![CDATA[Entre os dias 18 e 20 de agosto, evento em Brasília (DF) teve a participação de 98 representantes de 50 projetos aprovados nos 38º e 39º editais do Fundo Ecos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um projeto ecossocial é como um rio que flui. Nasce de um sonho ou simplesmente por teimosia. Passa por campos floridos, enfrenta terrenos rochosos e, muitas vezes, precisa fazer curvas para avançar. Um projeto, que é um rio, conflui com outros rios: parceiros do território que fortalecem iniciativas comunitárias, outros recursos captados para complementar o projeto inicial, ou até mesmo novas famílias e comunidades que são agregadas às ações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Fundo Ecos, idealizado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), apoia projetos ecossociais desenvolvidos em territórios de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, sobretudo no Cerrado, Caatinga e Amazônia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para promover a troca de saberes entre projetos, foi realizada em Brasília (DF), entre os dias 18 e 20 de agosto, a oficina Ecos dos Territórios, que reuniu 98 representantes de 50 projetos aprovados nos 38º e 39º editais do Fundo, apoiados pela Suzano, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Os projetos tiveram início em 2025 e estão na reta final.</span></p>
<figure id="attachment_33604" aria-describedby="caption-attachment-33604" style="width: 769px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-33604" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-scaled.jpg" alt="" width="769" height="577" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 769px) 100vw, 769px" /><figcaption id="caption-attachment-33604" class="wp-caption-text">Encontro aproximou iniciativas de diferentes territórios e fortaleceu conexões entre as comunidades. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Experiências que valorizam territórios e saberes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as experiências compartilhadas durante o encontro está a iniciativa Grota Quilombola, apoiada pelo Fundo Ecos e conduzida pela Comunidade Quilombola de Palmeiras, na Bahia. O projeto de turismo de base étnico-racial contribui para o fortalecimento das tradições a partir de um turismo sustentável, com a valorização da cultura, dos produtos e dos saberes da comunidade. O jovem quilombola Alexandre Feliciano participou do Ecos dos Territórios representando a iniciativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando somos reconhecidos como quilombolas, passamos a carregar uma história e um saber. Mas o preconceito também passa a fazer parte desse reconhecimento. O Grota Quilombola surgiu como uma proposta de reverter esse preconceito, com o intuito de ressignificar nossa existência e valorizar o que é nosso, a nossa ancestralidade. É um turismo onde nos reconhecemos”, explica Alexandre.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33605" aria-describedby="caption-attachment-33605" style="width: 783px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33605" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-scaled.jpg" alt="" width="783" height="588" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 783px) 100vw, 783px" /><figcaption id="caption-attachment-33605" class="wp-caption-text">Alexandre Feliciano (primeiro à esquerda) junto com colegas que executam projetos ecossociais. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os projetos representados no evento estão localizados em 10 estados brasileiros e no Distrito Federal. Por meio do engajamento das comunidades, as iniciativas já impactaram diretamente 3.826 pessoas, sendo 2.381 mulheres, e envolvem 413 comunidades do Cerrado, Caatinga e Amazônia. As ações também qualificaram 2.500 pessoas, promovendo o uso sustentável de 22 mil hectares de vegetação nativa e o manejo agroecológico de outros 320 hectares, além de contribuírem para a reforma, construção ou estruturação de 15 agroindústrias.</span></p>
<p><b>Juventude, mulheres e sociobiodiversidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um projeto ecossocial também é um processo de entendimento do seu próprio papel na promoção da sociobiodiversidade. A jovem Karla Nogueira Santos, representante da Associação dos Agricultores Familiares e Agroindustriais de Palmas (Agrop), parceira da Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional (TO) na execução de uma iniciativa apoiada, conta sobre esse processo durante sua participação no Ecos dos Territórios.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“No meu trabalho, posso ajudar as comunidades locais e conhecê-las, mas, além disso, posso me integrar a elas. Por meio desse projeto, também me entendi, conheci mais sobre mim e sobre o que tem à minha volta na proteção do meio ambiente. É incrível poder participar desses projetos, fazer a diferença e trazer mais jovens para essa causa também”, comenta Karla.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33606" aria-describedby="caption-attachment-33606" style="width: 810px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33606" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-scaled.jpg" alt="" width="810" height="608" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 810px) 100vw, 810px" /><figcaption id="caption-attachment-33606" class="wp-caption-text">Karla Nogueira Santos (à direita) durante apresentação de grupo em atividade sobre a juventude. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa descoberta também aparece na experiência de Heloísa Ferreira, representante do projeto conduzido pela Casa Cerrado de Marias (DF) e estudante de Agroecologia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esse projeto me ajudou a resgatar os saberes ancestrais, passando para a juventude. E assim eu estou podendo conhecer um pouco mais as plantas medicinais, não só pelos conhecimentos técnicos, mas também pelos saberes tradicionais e das casas dos povos de terreiro”, conta Heloísa.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33607" aria-describedby="caption-attachment-33607" style="width: 808px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33607" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-scaled.jpg" alt="" width="808" height="606" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 808px) 100vw, 808px" /><figcaption id="caption-attachment-33607" class="wp-caption-text">Heloísa Ferreira (primeira à esquerda) durante grupo de trabalho com os participantes. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Construir uma cozinha comunitária, implementar quintais produtivos, promover formações para a juventude, fortalecer a atuação de mulheres, fomentar produções agroecológicas, restaurar a terra, incidir sobre políticas públicas&#8230; os objetivos de um projeto ecossocial são diversos, mas a luta pela proteção da natureza, por justiça socioambiental e pelo bem viver é comum a todos eles. Entre os projetos apoiados, 32 fortalecem iniciativas protagonizadas por mulheres e 18 desenvolvem ações com jovens no contexto da educação do campo.</span></p>
<p><b>Saberes que fortalecem a comunidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Arnold Fernandes Terena, do povo Terena, em Mato Grosso do Sul, o projeto “Koyónoti Vemeuxá: formando agentes ambientais Terena” contribuiu para fortalecer os saberes tradicionais e aproximar a juventude de seu território.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esse projeto ajudou a juventude Terena a conhecer mais o seu território, fazer o mapeamento e o manejo. Ele veio formar jovens ambientais Terena para que, junto com suas lideranças, caciques e mulheres anciãs, possam lutar pela proteção do nosso território e buscar melhorias para o nosso povo”, conta.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Arnold, o projeto também possibilitou que os jovens conhecessem lugares que antes desconheciam, inclusive áreas onde são encontrados remédios tradicionais, sempre acompanhados pelos anciãos. “Esse projeto ajudou na valorização da identidade do meu povo e na valorização cultural e territorial.”</span></p>
<figure id="attachment_33608" aria-describedby="caption-attachment-33608" style="width: 815px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33608" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29.jpeg" alt="" width="815" height="611" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29.jpeg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-1536x1152.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 815px) 100vw, 815px" /><figcaption id="caption-attachment-33608" class="wp-caption-text">Arnold Fernandes Terena apresentou a experiência da juventude no projeto de formação de agentes ambientais Terena. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência de troca entre diferentes projetos também aparece na fala de Giselia Alves dos Santos, representante da Associação dos Agroextrativistas Familiares Solidários da Comunidade Quilombola do Povoado Km 1700, no Maranhão. Para ela, estar em contato com outras iniciativas permite compartilhar desafios, encontrar novas soluções e perceber que sonhos que antes pareciam individuais podem se transformar em construções coletivas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi um momento riquíssimo, que levarei na bagagem, porque são sonhos que estão se concretizando. E quando a gente consegue fazer a conexão com outros sonhos, vê que as comunidades estão despertando e que o sentimento de desenvolvimento nasce a partir do anseio dessas comunidades. Os desafios existem, mas também estão sendo superados no decorrer da execução dos projetos”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33609" aria-describedby="caption-attachment-33609" style="width: 808px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33609" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-scaled.jpg" alt="" width="808" height="606" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 808px) 100vw, 808px" /><figcaption id="caption-attachment-33609" class="wp-caption-text">Giselia Alves dos Santos representou associação agroextrativista liderada por mulheres. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Parcerias que chegam aos territórios</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que democratizar recursos, o Fundo Ecos promove diálogos e valoriza conhecimentos produzidos pelas comunidades. Além de apoiar os projetos, o Fundo realiza atividades de formação e intercâmbios, como a participação dos povos na COP 30, realizada em Belém (PA) em 2025, e na VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, realizada em Brasília (DF) em 2026.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A parceria entre as instituições que apoiam as comunidades também foi destacada pelo BNDES durante o evento. A gerente de Meio Ambiente do Banco, Vanessa Mesquita, ressaltou a importância de iniciativas que aproximem os recursos das organizações que atuam diretamente nos territórios.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É muito difícil para um banco conseguir chegar na ponta, chegar perto das comunidades. E é através de instituições como o ISPN que a gente consegue fazer isso. São projetos muito importantes, que nos permitem chegar até os territórios com recursos do BNDES e apoiar iniciativas que tenham esse desenvolvimento sustentável e que tenham principalmente foco no público feminino e na juventude”, afirmou.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33611" aria-describedby="caption-attachment-33611" style="width: 809px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33611" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-scaled.jpg" alt="" width="809" height="607" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 809px) 100vw, 809px" /><figcaption id="caption-attachment-33611" class="wp-caption-text">Um encontro de histórias, saberes e experiências que mostram a força das comunidades. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o consultor de Sustentabilidade da Suzano, Adilson Gonçalves Batista, a atuação conjunta com o ISPN permitiu ampliar o alcance dos recursos e chegar a um número maior de comunidades do que seria possível apenas com a estrutura da empresa. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A Suzano sempre teve a vontade de acessar mais comunidades, só que, com o recurso e a equipe que tinha, não conseguiria fazer dessa forma. Ao colocar o recurso dentro dessa parceria, conseguimos atingir muito mais comunidades. Foi a primeira experiência da Suzano em fazer uma parceria dessa forma e acho que foi uma grande sacada”, afirma Adilson.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33613" aria-describedby="caption-attachment-33613" style="width: 861px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33613" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-scaled.jpg" alt="" width="861" height="646" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 861px) 100vw, 861px" /><figcaption id="caption-attachment-33613" class="wp-caption-text">A oficina foi marcada pela partilha de conhecimentos e pela construção de novas conexões entre os projetos. Foto. Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação em rede e o engajamento das comunidades também foram destacados pelo PNUD Brasil. Para o Oficial de Programa Gustavo Matsubara, a parceria com o ISPN, construída há 32 anos, demonstra a importância da articulação entre diferentes atores para que os recursos e as ações de desenvolvimento cheguem aos territórios. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“No contexto da cooperação técnica internacional, nada se constrói sem formação de redes, que, por sua vez, não funcionam sem engajamento local. Criar esses momentos, fazer essa articulação e fazer os recursos chegarem até a ponta é uma das nossas metas. Não existe desenvolvimento próspero e sustentável sem foco nos jovens e nas mulheres”, declara Gustavo.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A oficina Ecos dos Territórios foi um ponto de confluência importante entre os rios que fluem de cada projeto. As águas trazem memórias e aprendizados, e a oficina, por sua vez, é como uma bela cachoeira, um espaço para contemplar tudo o que foi conquistado por meio das iniciativas realizadas pelos povos.</span></p>
<blockquote><p>“A ideia do Ecos dos Territórios também é promover uma autoavaliação. A gente tem que olhar para trás e pensar se o que foi planejado deu certo e o que não deu certo, para melhorar a gestão”, avalia o coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</p>
<figure id="attachment_33612" aria-describedby="caption-attachment-33612" style="width: 884px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33612 " src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786.jpg" alt="" width="884" height="468" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786.jpg 2210w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-300x159.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-1024x542.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-768x407.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-1536x813.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-2048x1084.jpg 2048w" sizes="(max-width: 884px) 100vw, 884px" /><figcaption id="caption-attachment-33612" class="wp-caption-text">Parte da equipe do Fundo Ecos presente no Ecos dos Territórios. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure></blockquote>
<p><em>Autoria: Bruna Braz / Analista Socioambiental do ISPN </em></p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">Apoio: Ariel Rocha e Amanda Vieira/Assessoria de Comunicação do ISPN</span></em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Em parceria com a Malungu, Tô no Mapa amplia cadastros e automapeamento de comunidades quilombolas na Amazônia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/33583/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 15:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33583</guid>

					<description><![CDATA[Técnicos quilombolas participaram de capacitação e mapearam 52 comunidades no Pará]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;O território não é um lugar onde a gente mora. É um lugar onde a gente é&#8221;. O pensamento do educador, escritor e líder quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, é um convite para refletirmos sobre o chão onde habitamos e o senso de pertencimento. Para existir, é preciso visibilidade (concreta e simbólica) e legitimação: a oportunidade de dizer “nós existimos e vivemos aqui” é um dos primeiros passos na busca pelo reconhecimento social de comunidades tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quilombolas e outras comunidades tradicionais, o conceito de &#8220;território&#8221; extrapola os limites da geografia e do espaço físico. O território é entendido também como espaço de ancestralidade, resistência e preservação dos saberes culturais, sociais, religiosos, tradicionais  e modos de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o desafio de conciliar essa visão de &#8220;território vivo&#8221; e a necessidade de coletar dados técnicos e informações para apoiar os processos de regularização fundiária, a iniciativa <a href="https://ispn.org.br/noticia/to-no-mapa-povos-indigenas-e-comunidades-tradicionais-ja-podem-mapear-seus-territorios-em-aplicativo-gratuitamente/" target="_blank" rel="noopener">Tô no Mapa</a> se reuniu em parceria com a Malungu, Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará. “Malungu”, termo de origem africana que significa “companheiro de travessia”, simboliza a trajetória de luta da organização, atuando lado a lado pela garantia de direitos das comunidades quilombolas do Pará, da Amazônia e do Brasil.</span></p>
<p><b>Reconhecimento territorial e automapeamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as frentes da Malungu, a organização atua pelo cumprimento do direito ao território, garantido pela Constituição Federal. A parceria com o Tô no Mapa, por meio de atuação junto ao Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e ao Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), desponta como ferramenta na luta pelo reconhecimento institucional e demarcação territorial dos quilombos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Lidiane Vilhena, integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha do Marajó (PA),  o automapeamento do território é uma peça importante para a garantia do direito ao título coletivo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Fazer esse trabalho com a comunidade, em que eles dizem onde começa e termina o território, identificando locais importantes, áreas de conflitos e áreas sagradas e de proteção, só reforça a relação que se tem com o próprio território, como forma de proteção e cuidado”, comenta.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao todo, os técnicos quilombolas capacitados pelo Tô no Mapa junto à Malungu realizaram o automapeamento de 52 comunidades quilombolas em 26 municípios do Pará, nas regiões da Ilha do Marajó, Guajarina, Tocantina, Nordeste paraense e Baixo Amazonas. Algumas dessas comunidades quilombolas não constavam em mapas, o que até então dificultava o acesso e garantia a alguns direitos básicos, como políticas públicas e proteção territorial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As oficinas de cadastramento foram um período intenso de convivência, aprendizados e troca de saberes para fortalecer a luta por reconhecimento e regularização.  “Selecionamos aquelas comunidades que ainda não tinham nenhum trabalho de mapeamento”, conta Lidiane. Entre os desafios que retratam a complexidade e vulnerabilidade territorial no Pará, a exemplo de Salvaterra, no Marajó, estão a sobreposição territorial, as invasões, os conflitos armados e a extração de minérios. Esses problemas se agravam ainda mais por conta da ausência de título, por isso o foco foi apoiar as comunidades que estão no início do processo de titulação.</span></p>
<p><b>Escuta sensível e troca de saberes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do mapeamento em si, algumas oficinas também se transformaram em espaços de assessoria jurídica e administrativa para as comunidades. Na percepção da Malungu, a escuta sensível e a troca de saberes foram de extrema importância para conduzir a parceria com o Tô no Mapa e a coleta de dados com as comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lidiane Vilhena, que também é mestranda em Antropologia e educadora social, aponta que os encontros foram importantes porque neles participavam pessoas que de fato conheciam os territórios e também aqueles que apenas moram nele. “Nesse processo, o saber é repassado de forma que outras pessoas passam a conhecer mais. Isso faz com que esse conhecimento seja multiplicado e valorizado principalmente pelos jovens, que futuramente serão os responsáveis por levar o conhecimento sobre território para as próximas gerações”, reflete a educadora.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Quando falamos em territórios, estamos falando de um lugar ancestral e sagrado. Estamos falando de nossa vida e casa, lugar que nos remete ao passado, presente e futuro. Onde preservamos nossas culturas, valores, um lugar em que temos o sentimento de pertencimento, e isso é o que nos motiva a lutar para que esse território seja titulado e salvaguardado, não somente para o hoje, mas para todo o sempre”. </span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A parceria da Malungu com o Tô no Mapa foi muito bem aceita nos territórios, de acordo com Lidiane.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“As comunidades conseguiram se ver no mapa, conseguiram visualizar tudo o que tem nos territórios. E isso só fortalece ainda mais o sentimento de pertença, fazendo com que cada vez mais cada comunidade quilombola, por meio de sua associação, busque o título coletivo e assim garantir a manutenção do mesmo”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela conta que outras comunidades estão na expectativa do automapeamento, para que tenham mais um instrumento de apoio à luta pelo reconhecimento de seus territórios. Para conhecer mais sobre a atuação da Malungu, acesse o </span><a href="https://malungu.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">site oficial</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><em>Originalmente publicado no <a href="https://tonomapa.org.br/2026/08/26/parceria-malungu-to-no-mapa-amazonia-paraense/" target="_blank" rel="noopener">portal Tô na Mapa</a>.</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ISPN lança projeto de restauração florestal e apresenta resultados na 4ª Feira Maranhense de Agricultura Familiar</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ispn-lanca-projeto-de-restauracao-florestal-e-apresenta-resultados-na-4a-feira-maranhense-de-agricultura-familiar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 19:39:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33616</guid>

					<description><![CDATA[O instituto apresentou o Projeto Restaura Maranhão, promoveu discussão sobre experiências desenvolvidas no Quilombo Cariongo e nas Terras Indígenas Rio Pindaré e Caru e deu apoio à Barraca de Artesanato Indígena]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Pelo quarto ano consecutivo o ISPN participou da Feira Maranhense de Agricultura Familiar (FEMAF) em São Luís. O evento foi realizado entre os dias 12 e 15 de agosto pela Secretaria de Agricultura Familiar do Estado do Maranhão (SAF). Nesta edição, o instituto promoveu três atividades no Espaço Conhecimento: uma roda de conversa sobre a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQ) do Quilombo Cariongo; a palestra “Experiência em Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena – ATER Indígena”; o lançamento do Projeto Restaura Maranhão, iniciativa para a restauração da Amazônia maranhense. E, mais uma vez, no Espaço de Comercialização e Artesanato, articulou com as mulheres das Terras Indígenas Rio Pindaré, Caru e Alto Turiaçu, o funcionamento da Barraca de Artesanato Indígena, que sempre se coloca entre as mais movimentadas da feira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este ano o evento reuniu 180 empreendimentos de produtores e produtoras da agricultura familiar que representaram 62 municípios maranhenses no Espaço de Comercialização e Artesanato. As pioneiras na comercialização de artesanato indígena na FEMAF foram as mulheres das Terras Indígenas Rio Pindaré, Caru e Alto Turiaçu, mas, aos poucos, os homens também estão participando. O secretário adjunto de Organização Produtiva da SAF, Ricarte Almeida Santos, ressalta que os colares, pulseiras e brincos, entre outras peças que as artesãs confeccionam, têm garantido destaque à Barraca de Artesanato Indígena quando se fala em vendas. “Só para se ter uma ideia, as barracas dos povos indígenas articuladas pelo ISPN talvez sejam as que mais comercializam em volume de recursos dentro da FEMAF”, afirma.</span></p>
<figure id="attachment_33624" aria-describedby="caption-attachment-33624" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33624" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/femaf-artesanato-768x1024.jpg" alt="A artesã Francileude Guajajara, da aldeia Maçaranduba,Terra Indígena Caru, organiza suas peças na Barraca de Artesanato " width="768" height="1024" data-wp-editing="1" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/femaf-artesanato-768x1024.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/femaf-artesanato-225x300.jpg 225w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/femaf-artesanato-1152x1536.jpg 1152w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/femaf-artesanato.jpg 1536w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption id="caption-attachment-33624" class="wp-caption-text">A artesã Francileude Guajajara, da aldeia Maçaranduba, Terra Indígena Caru, organiza suas peças na Barraca de Artesanato</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ricarte Santos considera que a FEMAF se estabeleceu como a principal estratégia de visibilidade para a agricultura familiar no estado. “Com o volume de instituições que a feira tem envolvido, públicas e privadas, talvez ela seja o maior grito de resistência política do setor da agricultura familiar para dizer: nós existimos, nós produzimos em quantidade e qualidade, mas ainda temos muitos desafios pela frente para aprimorar a produção de alimentos saudáveis no Maranhão”, afirma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Espaço Institucional, onde o ISPN manteve seu próprio estande, reuniu 26 organizações, entre as quais, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (FAPEMA), Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Estado (FETAEMA), Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Banco do Nordeste, quatro secretarias de estado e mais seis prefeituras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A gente consegue trazer para o público, tanto para os nossos parceiros das diversas regiões do estado, como para o público mais geral de São Luís, um pouco de informação sobre o trabalho que o ISPN desenvolve; a gente tem contato com atores do campo da agricultura familiar que são relevantes para o ISPN se relacionar e fazer o trabalho se desenvolver; a gente faz articulações importantes; e a feira em si valoriza o protagonismo das comunidades, traz as comunidades para participar de debates estratégicos para suas demandas. Então, é muito importante a realização da FEMAF”, acrescenta o coordenador executivo do ISPN, Fábio Vaz, que esteve presente nos quatro dias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fábio Vaz participou de todas as atividades desenvolvidas pelo instituto na feira, além de diversas reuniões, acompanhado da coordenadora do Programa Maranhão do ISPN, Ruthiane Pereira, que ressalta o papel que o evento possui de valorizar os conhecimentos e modos de vida dos povos e das comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A participação na FEMAF garante ao ISPN a presença em um espaço de articulação e diálogo com agricultores e agricultoras familiares, povos e comunidades tradicionais, organizações sociais, instituições públicas e parceiros; na feira nós conseguimos dar visibilidade para a  importância de apoiar iniciativas que promovem autonomia, conservação ambiental e melhoria da qualidade de vida. E ela ainda permite reconhecer e valorizar os povos e comunidades que contribuem para o desenvolvimento sustentável do Maranhão”, destaca.</span></p>
<figure id="attachment_33625" aria-describedby="caption-attachment-33625" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33625" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/roda-de-conversa-cariongo-femaf-1024x590.jpg" alt="Encerramento da Roda de Conversa sobre a construção do PGTAQ do Quilombo Cariongo por meio da parceria entre a comunidade e o ISPN. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="461" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/roda-de-conversa-cariongo-femaf-1024x590.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/roda-de-conversa-cariongo-femaf-300x173.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/roda-de-conversa-cariongo-femaf-768x442.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/roda-de-conversa-cariongo-femaf-1536x884.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/roda-de-conversa-cariongo-femaf.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33625" class="wp-caption-text">Encerramento da Roda de Conversa sobre a construção do PGTAQ do Quilombo Cariongo por meio da parceria entre a comunidade e o ISPN. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>PGTAQ do Quilombo Cariongo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 13 pela manhã, o ISPN promoveu a Roda de Conversa “Do território vivido ao território planejado: a Experiência de Elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQ) do Quilombo Cariongo”. A roda foi promovida para mostrar como foi a parceria entre o ISPN e a Associação de Produtores Rurais do Quilombo Cariongo na construção desse documento. “Esse plano é mais uma ferramenta para as lutas que o quilombo vem percorrendo. Ele não é uma novidade em relação ao que a gente já vinha fazendo, mas ele é importante para a luta por políticas públicas para o nosso território”, afirma a presidente da Associação de Produtores do Quilombo Cariongo, Maria Natália Alves.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cariongo fica na Zona Rural do Município de Santa Rita, a cerca de 80 quilômetros de São Luís, na margem da BR-135. É uma região onde estão muitos territórios quilombolas, os quais enfrentam a pressão de grandes fazendeiros, principalmente, produtores de soja. Somente o território de Cariongo possui 3,3 mil hectares de extensão. O quilombo tem dificuldades com o abastecimento de água potável. A água do principal igarapé é salobra e a comunidade depende de três poços artesianos e do fornecimento de água pela Prefeitura de Santa Rita por meio de caminhão-pipa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O PGTAQ do Quilombo Cariongo foi elaborado como uma atividade do Projeto Floresta + Amazônia, executado em 2025 pelo ISPN, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Conforme a analista socioambiental do ISPN, que então  atuava no Projeto Floresta + Amazônia, Ana Tereza Ferreira, a elaboração do PGTAQ do Quilombo Cariongo foi incluída entre as atividades do projeto por vontade e pedido da própria comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma <a href="https://ispn.org.br/publicacao/plano-de-gestao-territorial-e-ambiental-quilombola-pgtaq-do-quilombo-cariongo/" target="_blank" rel="noopener">versão digital completa do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQ) do Quilombo Cariongo de Santa Rita, Maranhão, está disponível para </a></span><i><span style="font-weight: 400;">download </span></i><span style="font-weight: 400;">na Biblioteca do site do ISPN.</span></p>
<p><b>Projeto Restaura Maranhão</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 14, o ISPN realizou o lançamento do Projeto Restaura Maranhão, no auditório Manoel da Conceição, homenagem da FEMAF ao maranhense que foi uma das maiores lideranças camponesas do estado e símbolo da resistência contra a Ditadura Militar, falecido em 2021.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Restaura Maranhão reúne 13 comunidades (12 assentamentos rurais e um quilombo) em torno do objetivo de restaurar 400 hectares de Floresta Amazônica no Maranhão. Para além disso, o Restaura Maranhão busca desenvolver um modelo de restauração florestal e produtiva, com base comunitária, que possa ser replicado nos municípios da Amazônia maranhense.</span></p>
<figure id="attachment_33626" aria-describedby="caption-attachment-33626" style="width: 787px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33626" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/fabio-vaz-femaf-2026-787x1024.jpg" alt="Fábio Vaz no lançamento do Restaura Maranhão" width="787" height="1024" data-wp-editing="1" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/fabio-vaz-femaf-2026-787x1024.jpg 787w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/fabio-vaz-femaf-2026-231x300.jpg 231w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/fabio-vaz-femaf-2026-768x999.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/fabio-vaz-femaf-2026.jpg 1080w" sizes="(max-width: 787px) 100vw, 787px" /><figcaption id="caption-attachment-33626" class="wp-caption-text">Fábio Vaz no lançamento do Restaura Maranhão</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa é apoiada por recursos do Fundo Amazônia e integra o Programa Restaura Amazônia do BNDES e do governo federal que conta com a Conservação Internacional (CI-Brasil) como parceira gestora. O Restaura Maranhão é executado pelo ISPN.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento reuniu representantes das comunidades que participam do projeto e representantes de instituições parceiras do ISPN, como a própria SAF, o Laboratório de Extensão do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual do Maranhão (Labex/Uema), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a Superintendência Federal no Maranhão do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos (SEDIHPOP), a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Maranhão (FETAEMA), o Instituto de Representação, Coordenação e Assessoria das Associações das Casas Familiares Rurais no Maranhão (IRCOA), Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA), Associação Agroecológica Tijupá e de diversos sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais, associações de produtores e escolas rurais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme Ana Tereza Ferreira, fazer o lançamento estadual do Restaura Maranhão na FEMAF, para além de apresentar o projeto à sociedade, poder público e parceiros do ISPN, teve o objetivo de fomentar o diálogo entre estes e os beneficiários do projeto. “O lançamento teve esse caráter de diálogo, principalmente, entre o poder público e as comunidades, para que a gente possa, no decorrer do projeto, estabelecer parcerias e potencializar os resultados do Restaura Maranhão”, afirma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O Projeto Restaura é uma luz para os assentamentos da reforma agrária”, afirma o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Vicente Mesquita, suplente da Superintendência Federal de Desenvolvimento Agrário no Maranhão. Atento durante a apresentação do projeto, ele ressalta dois aspectos da iniciativa: a perspectiva da produção de alimentos e a inclusão dos jovens. “O projeto abre a perspectiva da implantação de sistemas agroflorestais considerando a dinâmica dos assentamentos. E me chamou atenção a inclusão dos jovens nessa metodologia. O MDA se dispõe, enquanto parceiro, a fazer essa interlocução do acesso ao crédito e da inclusão do jovem na perspectiva da sucessão rural”, afirma.</span></p>
<figure id="attachment_33627" aria-describedby="caption-attachment-33627" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33627" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ana-tereza-femaf-2026-801x1024.jpg" alt="Ana Tereza Ferreira apresentando o Restaura Maranhão" width="800" height="1023" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ana-tereza-femaf-2026-801x1024.jpg 801w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ana-tereza-femaf-2026-235x300.jpg 235w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ana-tereza-femaf-2026-768x982.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ana-tereza-femaf-2026.jpg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33627" class="wp-caption-text">Ana Tereza Ferreira apresentando o Restaura Maranhão</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ana Tereza Ferreira apresentando o Restaura Maranhão</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também presente no lançamento, Adriana Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Açailândia, cidade da Região Oeste do estado, é assentada na comunidade Novo Oriente, que fica às margens da Estrada de Ferro Carajás. Ela afirma que recebeu com satisfação a notícia de que Novo Oriente iria participar do Restaura Maranhão. “Muito importante não só para mim, mas para meu assentamento, foi o ISPN descer na comunidade, ouvir a comunidade, o que a gente quer, o que a gente não quer para o assentamento, como a gente pensa. Ele nos ouviu para esse projeto poder ficar dentro do assentamento. Eu achei isso uma valorização muito grande, porque quem mora lá somos nós, quem sabe cada árvore, o que tem, onde fica, o tanto de água, a nossa produção, somos nós. Então, nos ouvir, nos escutar, entender as nossas necessidades, isso foi de muito valor”, ressaltou.</span></p>
<p><b>ATER Indígena</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encerrando a participação do ISPN no Espaço Conhecimento da FEMAF, no sábado, dia 15, último dia da feira, o agrônomo e analista socioambiental do instituto, Tainan Pereira, fez a palestra “Experiência em Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena – ATER Indígena” na qual apresentou resultados e aprendizados com o trabalho desenvolvido com os Povos Indígenas das Terras Rio Pindaré e Caru.</span></p>
<figure id="attachment_33628" aria-describedby="caption-attachment-33628" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33628" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ater-indigena-femaf-2026-1024x636.jpg" alt="Encerramento do palestra sobre Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena" width="800" height="497" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ater-indigena-femaf-2026-1024x636.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ater-indigena-femaf-2026-300x186.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ater-indigena-femaf-2026-768x477.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ater-indigena-femaf-2026-1536x953.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/ater-indigena-femaf-2026.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33628" class="wp-caption-text">Encerramento do palestra sobre Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“Foi um espaço muito satisfatório no qual a gente trabalhou um pouco dos marcos referenciais da nossa assistência técnica, como a agroecologia, a segurança e soberania alimentar; conseguimos diferenciar o modelo de assistência que nós desenvolvemos do modelo de assistência técnica convencional e apresentar alguns resultados que a gente tem alcançado a partir desse trabalho com os indígenas”, comentou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho nas Terras Indígenas Rio Pindaré e Caru é desenvolvido por meio de grupos produtivos, como os grupos de avicultura caipira, suinocultura caipira e piscicultura, entre outros. Somente o grupo de avicultura caipira, formado predominantemente por mulheres, rende R$ 600 mil por ano para 270 famílias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rairiza Guajajara, diretora da Associação Mainumy da TI Rio Pindaré, faz parte do grupo de avicultura da Aldeia Tabocal. O grupo de 20 mulheres produz aves caipira e caipirão. Ela explica que os grupos produtivos têm levado resultados estimulantes para aldeias. “Essa produção que é feita com apoio aos grupos familiares têm sido escoada dentro do próprio território e ajuda na alimentação. Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos, por exemplo, essa produção vai para as escolas indígenas e para as casas das crianças quando há alimentos excedentes”, explica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Esse trabalho me ajudou de uma certa forma porque a minha produção durante os três anos em que faço parte, toda a renda que consegui, eu apliquei na compra de material para a construção da minha casa. Então, eu consegui realizar parte de um sonho através desse trabalho”, concluiu Rairiza Guajajara.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ISPN fortalece a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais na SOBRE 2026</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ispn-fortalece-a-participacao-de-povos-indigenas-e-comunidades-tradicionais-na-sobre-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 21:21:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33543</guid>

					<description><![CDATA[“O financiamento para a restauração precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração”, destaca a analista socioambiental do ISPN, Jéssica Pedreira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 27 e 31 de julho de 2026, a Universidade de Brasília sediou a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026), o maior encontro de restauração ecológica do país. O evento reuniu pesquisadores, representantes de órgãos públicos, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs), produtores de sementes e mudas, organizações da sociedade civil, empresas e universidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram cinco dias de plenárias, rodas de conversa, oficinas e simpósios que abordaram diferentes temas relacionados à restauração ecológica no Brasil. O ISPN apoiou a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e jovens estudantes das escolas do campo nos debates.</span></p>
<figure id="attachment_33553" aria-describedby="caption-attachment-33553" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33553" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Elizete-Barreto-quadro-vivencias-das-comunidades-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33553" class="wp-caption-text">Elizete Barreto, fecheira da Comunidade Tradicional de Fecho de Pasto Clemente, se apresenta na plenária sobre restauração e Crise climática. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nesses mais de 30 anos de projetos apoiados para a restauração nos territórios, a gente já entendeu que a restauração é muito mais do que os hectares restaurados e envolve muitas outras dimensões”, explica a analista socioambiental do ISPN, Natanna Horstmann. “A gente pode citar a dimensão de fortalecimento de coletivos, associações e cooperativas que constroem essas temáticas nos seus territórios. A gente também pode falar da dimensão de aprendizagem, na medida que o que compõe a restauração são conhecimentos tradicionais que há muito tempo resguardam e manejam seus territórios”, completa.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33545" aria-describedby="caption-attachment-33545" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33545" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Natanna Horstmann na oficina Educação do campo como base para a restauração ecológica. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/natanna-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33545" class="wp-caption-text">Natanna Horstmann na oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos territórios se faz restauração de diversas formas e em diversos contextos:  recaatingamento, restauração produtiva, sistemas agroflorestais, quintais produtivos, entre outras iniciativas de enorme relevância para o bem-viver das comunidades que as desenvolvem.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente também pode falar do acesso a mercados, na medida que a restauração também é produtiva e fornece alimentos saudáveis, além de frutos para o extrativismo e para a própria cadeia da restauração, como a produção de sementes nativas e de mudas”, pontuou Natanna Horstmann. “Por fim, a gente precisa ter uma visão da restauração na escala da paisagem, que inclui pensar a partir da segurança hídrica, a partir de priorização de áreas e da proteção e gestão territorial”, acrescentou. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN também participou de encontros das redes do Cerrado, Caatinga e Amazônia, que abordaram a importância das redes biomáticas para a interligação de diferentes atores coletivos da restauração nos biomas. Essas redes atuam para compartilhar aprendizados, mapear iniciativas, fortalecer colaborações territoriais, produzir conhecimentos sobre restauração e até influenciar coletivamente o olhar sobre políticas públicas sobre o tema.</span></p>
<p><b>Educação no campo e restauração</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 28, o ISPN promoveu a oficina &#8220;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8221;, voltada a professores e estudantes dos Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs). Além dos mais de 30 parceiros apoiados pelo ISPN para participarem da conferência, a atividade reuniu diversos participantes interessados no tema. A oficina foi organizada em grupos distintos, estudantes, professores e profissionais de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), permitindo que cada segmento discutisse o papel da restauração ecológica sob sua própria perspectiva para a educação do campo.</span></p>
<figure id="attachment_33547" aria-describedby="caption-attachment-33547" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33547 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Estudantes participam da oficina 'Educação do campo como base para a restauração ecológica'. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/estudantes-2-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33547" class="wp-caption-text">Estudantes participam da oficina &#8216;Educação do campo como base para a restauração ecológica&#8217;. Foto: Ariel Rocha/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para o coordenador da Casa Familiar Rural de Zé Doca, do Maranhão, Leniomar Rodrigues Mendonça, as oficinas na SOBRE foram importantes para trocar experiências com outras comunidades e escolas. “A gente tem um Sistema Agroflorestal (SAF) implantado ano passado. E a gente consegue fazer com que os alunos se envolvam nesse SAF, mostrando que esses sistemas podem ser replicados nas suas comunidades. Com essas oficinas podemos levar novas ideias e inovações para a nossa escola, fortalecendo esse trabalho de recuperação agroecológica”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, os grupos apresentaram em plenária uma síntese das discussões, que subsidiou a elaboração de uma carta apresentada no dia seguinte durante a roda de conversa &#8220;Construindo as Bases da Restauração nos Territórios: da Escola à Assistência Técnica&#8221;. A roda de conversa reuniu representantes da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), dos Institutos Federais, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), dos CEFFAs e de outras instituições parceiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diálogos levantaram a necessidade de reconhecimento das CEFFAs como escolas de tempo integral, garantindo financiamento adequado para suas atividades e desenvolvimento dos Projetos Profissionais dos Jovens (PPJs), fortalecendo a educação do campo como estratégia para restauração da sustentabilidade dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Restauração em Terras Indígenas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O ISPN, por meio da equipe do Programa Povos Indígenas, organizou a roda de conversa &#8220;Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas&#8221;, reunindo representantes das Terras Indígenas que compõem o Mosaico Gurupi e da Terra Indígena Kanela. A roda contou com a presença de representantes do Ibama dos estados do Pará e Maranhão, da Embrapa do Pará, Funai, ICMBio, da Conservação Internacional, pesquisadores e demais interessados. </span></p>
<figure id="attachment_33548" aria-describedby="caption-attachment-33548" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33548" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg" alt="Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Roda-de-Saberes-Horizontal-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33548" class="wp-caption-text">Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro foi fundamental para fortalecer alianças entre os diferentes atores envolvidos na conservação e restauração dessa região que resguarda os últimos remanescentes florestais da Amazônia Oriental. As discussões evidenciaram a necessidade de ampliar as ações para além das terras indígenas, alcançando também áreas onde se avança  a degradação ambiental e que levam a perda da biodiversidade, aumento da temperatura e impactos importantes em nascentes e cursos d´água, que comprometem a disponibilidade e qualidade hídrica na região, em especial na Bacia Hidrográfica do Pindaré. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, destacou-se a importância do trabalho em rede para sensibilizar proprietários rurais para a restauração das Áreas de Preservação Permanente (APPs), contribuindo para a proteção dos recursos hídricos e para a segurança nos territórios indígenas.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_33549" aria-describedby="caption-attachment-33549" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33549" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka'apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/jamil-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33549" class="wp-caption-text">Jamilson Guajajara, de Bom Jardim (MA) fala ao microfone ao lado de Akadjurichã Ka&#8217;apor (de camiseta branca). Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a roda de conversa, o brigadista da Terra Indígena Caru, Jamilson Guajajara, compartilhou sua experiência com o Sistema Agroflorestal (SAF) implantado no território, que envolve um trabalho em conjunto de brigadas, guardiões, guerreiros e juventude.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente está vendo que está dando resultado. E a gente não quer parar. Lá na região da [TI] Caru, que é uma região que tinha muito madeireiro e destruição, ficaram cicatrizes. Então a gente pensou de estar levando esse reflorestamento também para lá”, relatou, mostrando que o processo da restauração também fortalece a proteção do território. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33550" aria-describedby="caption-attachment-33550" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33550" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg" alt="Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/valber-sobre-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33550" class="wp-caption-text">Valber Tembé (de camiseta preta, ao microfone), da TI Alto Rio Guamá, na Roda de Saberes: Mosaico Gurupi como um Território Integrado para a Restauração em Rede entre Terras Indígenas. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O líder indígena Valber Tembé, da TI Alto Rio Guamá, destacou que a restauração ambiental, para os povos indígenas, vai muito além do plantio de árvores, envolvendo história, espiritualidade, modos de vida e relações com o território. Ele enfatiza a importância de parceiros conhecerem a realidade local, as necessidades e os saberes de cada comunidade, para que os projetos não fracassem como outros que falharam por falta de diálogo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O povo [indígena] já restaura desde muito tempo, desde quando os mais velhos começaram a lutar para defender o território, para não ser derrubada uma árvore. O território já vem sendo restaurado pelos anciãos que estavam lá, pelos que morreram lá dentro do território, dando a sua vida por uma árvore não ser derrubada”. </span></p></blockquote>
<p><b>Financiamento</b><b><br />
</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encerrando nossa participação na conferência, Jessica Pedreira, analista do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, integrou a plenária de encerramento &#8220;Financiamento para uma Restauração Diversa e Inclusiva&#8221;, ao lado de Sérgio Leitão, do Instituto Escolhas, Rafael Stein, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Fabrícia Santarém, geraizeira, coordenadora da Araticum e integrante da Coocrearp.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O financiamento para a restauração, para ser de fato inclusivo e participativo, precisa ser feito a partir de uma escuta do território. Precisa atender públicos que estão diretamente na linha de frente da restauração, que são as pessoas mais afetadas pelas mudanças climáticas, pela insegurança hídrica, pelos efeitos da seca, que são as mulheres”, afirma Jéssica Pedreira. Ela acrescenta que para além de pensar em inclusão, a restauração de fato precisa “fazer chegar nos territórios um recurso que traga fortalecimento das organizações de base e aprimoramento das capacidades locais”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A analista do ISPN apresentou a experiência do Fundo Ecos como um mecanismo de financiamento inclusivo e participativo, capaz de direcionar recursos para organizações de base comunitária que atuam diretamente na conservação da biodiversidade e na restauração ecológica, fortalecendo iniciativas locais a partir da escuta das necessidades de quem vive e atua nos territórios nessa linha de frente.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final da SOBRE 2026, ficou evidente que a restauração ecológica é, antes de tudo, fortalecer pessoas, meios de vida e territórios. Os debates reforçaram que o futuro da restauração depende do reconhecimento e do protagonismo de quem vive, protege e transforma esses territórios diariamente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN encerra esta edição da conferência com a convicção de que esse caminho se constrói em parceria e com o compromisso de seguir ampliando o apoio às iniciativas comunitárias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Que, em 2028, possamos retornar à próxima edição da SOBRE com uma atuação ainda mais consolidada e com a presença cada vez mais forte de nossos parceiros, evidenciando o papel fundamental que povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e organizações locais desempenham nessa teia da restauração” finalizou o coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunidades rurais assumem restauração florestal na Amazônia maranhense</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/comunidades-rurais-assumem-restauracao-florestal-na-amazonia-maranhense/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 13:50:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33517</guid>

					<description><![CDATA[Conheça o trabalho que pretende criar um modelo de restauração florestal e produtiva para ajudar comunidades a restaurar 400 hectares de floresta degradada no Maranhão
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No dia 6 de agosto, o assentamento rural Quadra de São José, na cidade de Zé Doca, Região do Pindaré, no Oeste do estado do Maranhão, completou 29 anos de existência. A comunidade fica numa área degradada da Amazônia maranhense. Um mês antes, no dia 7 de julho, um grupo de trabalhadores e trabalhadoras rurais recebeu uma equipe técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) para planejar a restauração florestal e produtiva de uma área de um hectare dentro da Quadra de São José. O plantio das mudas vai começar em janeiro de 2027. Se tudo der certo nesta primeira etapa, em janeiro de 2028, esse grupo vai iniciar a restauração produtiva de mais dez hectares na própria comunidade.</span></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/noticia/indigenas-conservam-floresta-que-protege-rio-de-600-km-no-maranhao/"><span style="font-weight: 400;">Estudos</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostram que resta menos de 20% de floresta na bacia do Rio Pindaré, um dos principais rios que cortam a Amazônia maranhense, e que essa pequena porção conservada se encontra quase totalmente dentro de Terras Indígenas. A Quadra de São José é uma das 13 comunidades (12 assentamentos rurais e uma comunidade quilombola) que aderiram a uma iniciativa que pretende restaurar 400 hectares de floresta degradada: o Projeto Restaura Maranhão. Mais que isso, o projeto busca desenvolver um modelo de restauração florestal e produtiva, com base comunitária, que possa ser replicado nos municípios da região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Restaura Maranhão é apoiado por recursos do Fundo Amazônia e integra o Restaura Amazônia: um programa do BNDES e do governo federal que conta com a Conservação Internacional (CI-Brasil) como parceira gestora no Pará e no Maranhão. Na Amazônia maranhense, o projeto é executado pelo ISPN, com a parceria de organizações locais, associações comunitárias, sindicatos e instituições de ensino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o trabalho está a todo vapor. Entre a reunião na Quadra de São José e o dia 23 de julho, a antropóloga e coordenadora do Restaura Maranhão, Ana Tereza Ferreira, e o engenheiro florestal e analista socioambiental, Luan Hamon, ambos do ISPN, percorreram mais de mil quilômetros de estradas – entre os municípios de Viana, Pedro Rosário, Zé Doca, Araguanã, Açailândia e Cidelândia – para visitar as comunidades envolvidas e planejar o trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_33519" aria-describedby="caption-attachment-33519" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33519" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-1024x577.jpg" alt="Reunião de planejamento do plantio de 2027 realizada na igreja católica da Quadra de São José. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/oficina-quadra-de-sap-jose-igreja-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33519" class="wp-caption-text">Reunião de planejamento do plantio de 2027 realizada na igreja católica da Quadra de São José. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante as reuniões de planejamento, além de definir um cronograma de ações de preparação para o início do plantio em janeiro do ano que vem, as comunidades escolheram onde serão implantadas suas “unidades demonstrativas” (UD). Como na Quadra de São José, cada comunidade que participa do Restaura Maranhão escolheu um hectare do assentamento &#8211; área que será transformada numa unidade demonstrativa do projeto: um modelo de restauração produtiva para que a comunidade, posteriormente, faça expansão da restauração para mais dez hectares. Em outras palavras, cada comunidade, ao longo de 2027, vai trabalhar na implantação de um sistema agroflorestal (SAF) que funcionará como uma escola-laboratório para expandir o plantio com mais dez SAFs a partir de janeiro de 2028.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A análise do solo, a disponibilidade de água e a situação da área irão orientar a escolha das espécies e o arranjo de cada SAF em cada UD.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, 61 famílias vivem na Quadra de São José, que fica próxima às margens da BR-316, que liga o Maranhão ao Pará. São 44 lotes com cerca de 25 hectares cada. A comunidade escolheu o lote de José Raimundo Mendonça, o Seu Cabecinha, para receber a UD. Ele se interessou pela restauração florestal e tem expectativas com o trabalho. Uma delas é a recuperação do solo para que a terra possa continuar produzindo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu espero restabelecer a terra e continuar fazendo agricultura, plantando as fruteiras que a gente gosta de ter, fazer aquilo que a gente sempre gostou de fazer, que é cuidar da terra. Mas espero que a comunidade abrace, que a gente possa fazer esse esforço. Eu sei que às vezes é difícil, mas é preciso fazer esse esforço”, pondera o agricultor.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A preocupação de Seu Cabecinha é genuína. O primeiro plantio em 2027, por exemplo, será em forma de mutirão. Será necessário que as famílias tenham interesse em participar. Ana Tereza Ferreira explica que a valorização da agricultura familiar, o fortalecimento de organizações comunitárias e a participação de mulheres e jovens nas atividades do Restaura Maranhão são fundamentais para o sucesso da iniciativa. Por isso, o projeto aposta na implantação dos SAFs, ou agroflorestas, porque eles consorciam restauração florestal com produção de alimentos, madeira e até mesmo a criação de animais, o que pode gerar renda e engajar as pessoas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A questão não é só plantar. Para que as comunidades assumam a restauração para si, e para que haja uma continuidade desse trabalho após o fim do projeto, é necessário que isso tenha um impacto na vida delas, e a restauração produtiva aliada ao protagonismo das comunidades pode ter esse efeito, pode proporcionar renda para as famílias”, afirma. “Um dos nossos desafios é fazer as pessoas entenderem que a floresta de pé também é uma área produtiva”, acrescenta Luan Hamon.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A 300 quilômetros da Quadra de São José, agora na cidade de Açailândia, bem na margem da Estrada de Ferro Carajás, está outro assentamento rural, o Francisco Romão, comunidade que também participa do projeto. Do centro de Açailândia até o assentamento são mais 70 km, a maior parte numa estrada de barro vermelho.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33521" aria-describedby="caption-attachment-33521" style="width: 576px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33521" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-576x1024.jpg" alt="Seu Cabecinha. Foto:Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="576" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-576x1024.jpg 576w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-169x300.jpg 169w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-768x1365.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-864x1536.jpg 864w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-1152x2048.jpg 1152w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/seu-cabecinha-1-scaled.jpg 1440w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /><figcaption id="caption-attachment-33521" class="wp-caption-text">Seu Cabecinha. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Alzeneide Rocha Moraes Prates, conhecida como Gabi, é assentada em Francisco Romão. Ela lembra que as famílias ficaram acampadas na margem da rodovia BR-010 por mais de três anos. Somente em 2007, o grupo ocupou a área que atualmente é o assentamento e que antes estava sob domínio de grileiros para produção de eucalipto, carvão e gado. Em 2011, o  Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) criou oficialmente o assentamento Francisco Romão. Cerca de 80 famílias vivem no lugar.</span></p>
<figure id="attachment_33522" aria-describedby="caption-attachment-33522" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33522" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-1024x577.jpg" alt="O interior da igreja católica de Francisco Romão e lá fora está a Estrada de Ferro Carajás. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/igreja-trem-hrz-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33522" class="wp-caption-text">O interior da igreja católica de Francisco Romão e lá fora está a Estrada de Ferro Carajás. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A unidade demonstrativa em Francisco Romão vai ser implantada no lote da Gabi Prates. Ela acredita que uma área de floresta preservada no seu lote vai beneficiar não somente a ela e sua própria família, mas fará bem a todos que vivem por perto.</span></p>
<figure id="attachment_33523" aria-describedby="caption-attachment-33523" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33523" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-1024x577.jpg" alt="Gabi Prates, ao centro de óculos e camisa branca, reunida com vizinhos da comunidade de Francisco Romão no seu lote onde será instalada a unidade demonstrativa. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-familia-h-1-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33523" class="wp-caption-text">Gabi Prates, ao centro de óculos e camisa branca, reunida com vizinhos da comunidade de Francisco Romão no seu lote onde será instalada a unidade demonstrativa. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Minha visão é que, quando a gente tem uma área de preservação dentro de um lote, essa área de preservação beneficia todas as pessoas que moram ali perto, porque ali vai ter a flora e a permanência da fauna. A natureza precisa de um certo equilíbrio para ela fornecer alguns elementos para nós, seres humanos. Então esse projeto é um empurrãozinho que a gente vai dar para a natureza se regenerar e é importante para nós, que já somos adultos, mas, principalmente, para as crianças, os animais… Eu penso dessa forma”, avaliou.</span></p></blockquote>
<p><b>Restauração florestal direta</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do Francisco Romão, em Açailândia, para o Alto Bonito, já na cidade de Pedro do Rosário, na região da Baixada Maranhense, são mais de 400 quilômetros de estrada. Alto Bonito também participa do Restaura Maranhão. O assentamento surgiu por iniciativa de uma fazendeira conhecida por Dona Rosilda, que decidiu vender a terra para a reforma agrária. Contam os assentados que ela reuniu os trabalhadores locais que atuavam como “aforados”, isto é, entregavam parte do que produziam na terra para permanecerem nela. A fazendeira cadastrou os trabalhadores e apresentou um projeto de desapropriação ao Incra. Em 2000, as famílias começaram a ocupar a área.</span></p>
<figure id="attachment_33524" aria-describedby="caption-attachment-33524" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33524" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg" alt="Parte da comunidade de Alto Bonito reunida na área de Seu Panada onde será instalada a unidade demonstrativa do Projeto Restaura Maranhão. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/foto-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33524" class="wp-caption-text">Parte da comunidade de Alto Bonito reunida na área de Seu Panada onde será instalada a unidade demonstrativa do Projeto Restaura Maranhão. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para cumprir o objetivo de restaurar 400 hectares de Amazônia maranhense, o Restaura Maranhão também vai promover a restauração florestal direta de mais 20 hectares da reserva legal de cada comunidade, utilizando técnicas como a regeneração natural assistida, o plantio e semeadura direta e muvuca de sementes e mudas. Somando essa área de restauração direta, mais as áreas de SAF nas unidades demonstrativas e mais as áreas de expansão dos SAFs, cada comunidade terá cerca de 31 hectares restaurados ao fim dos quatro anos de execução do Restaura Maranhão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alto Bonito possui áreas de mata preservada, principalmente, na reserva coletiva do assentamento, estabelecida por determinação do Incra, onde as famílias não praticam agricultura. Isso deve facilitar o trabalho de restauração florestal direta nessa comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a UD será implantada numa área degradada do lote do presidente da Associação de Produtores, João Paulo, conhecido por todos como Seu Panada. A vantagem da área dele é que ela possui um açude, construído com recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). “Minha terra tá cansada e eu espero com esse reflorestamento recuperar o que foi perdido”, relatou.</span></p>
<p><b>Energia e restauração</b></p>
<p>Em Alto Bonito, a restauração florestal também despertou o interesse da vice-tesoureira da Associação de Produtores, Paula Geane, de 25 anos. Ela comentou que a comunidade precisa de melhorias e que existem áreas do assentamento que foram degradadas pelos próprios moradores.</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente desmata muito a área comunitária, tira madeira para fazer as casas e vai desmatando. Então eu me preocupo porque, mais na frente, a gente vai precisar comprar até madeira”, conta.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33525" aria-describedby="caption-attachment-33525" style="width: 577px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33525" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-577x1024.jpg" alt="Seu Panada com o açude ao fundo. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="577" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-577x1024.jpg 577w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-169x300.jpg 169w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-768x1364.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-865x1536.jpg 865w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-1153x2048.jpg 1153w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/panada-no-acude-scaled.jpg 1441w" sizes="(max-width: 577px) 100vw, 577px" /><figcaption id="caption-attachment-33525" class="wp-caption-text">Seu Panada com o açude ao fundo. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Paula Geane também lamenta o pouco interesse dos jovens com relação ao futuro e ao meio ambiente.</p>
<p><em>“Os jovens precisam se envolver mais nas questões da comunidade e trabalhar em união, mas apenas uma minoria participa”, analisa. A mão de obra familiar e a participação dos jovens são pontos-chave para o sucesso do Restaura Maranhão.</em></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do trabalho de restauração, o projeto vai oferecer às comunidades participantes cursos sobre sistemas agroflorestais e formação para “Jovens Comunicadores”. Também serão realizadas formações temáticas cujos assuntos serão escolhidos pelas comunidades entre gestão de empreendimentos coletivos, cooperativismo e associativismo, processamento agroindustrial de produtos da biodiversidade e outros. Além disso, há previsão de um intercâmbio técnico entre as comunidades para troca de experiências e organização de uma rede de sementes.</span></p>
<figure id="attachment_33526" aria-describedby="caption-attachment-33526" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33526" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg" alt="Paula Geane, primeira à esquerda, com um grupo de mulheres de Alto Bonito. Foto: Cássio  Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/mulheres-restaura-maranhao-11-de-agosto-2026-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33526" class="wp-caption-text">Paula Geane, primeira à esquerda, com um grupo de mulheres de Alto Bonito. Foto: Cássio  Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, existem desafios técnicos, como a logística para levar insumos e fazer o acompanhamento das áreas, as diferenças de solo e a disponibilidade de água. “Tem muitas diferenças de uma unidade demonstrativa para outra. Algumas áreas estão bem degradadas, com solo mais ácido, com presença de muita jurubeba e saúva, então exigem mais manejo; outras já têm árvores e um estágio de regeneração mais avançado, o que permite trabalhar com espécies adaptadas a essas condições e aproveitar a regeneração natural”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Restaura Maranhão também vai apoiar as comunidades com assistência técnica; insumos, como mudas florestais, sementes agronômicas e florestais; e equipamentos: motosserras, roçadeiras, moto-perfurador e ferramentas. Em contrapartida, além das áreas para restauração, as comunidades vão contribuir com muito trabalho e disposição.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Conforme Luan Hamon, cada área vai exigir um manejo específico, mas o envolvimento das comunidades é o mais importante. “O termo restaurar, tecnicamente falando, significa retomar os princípios ecológicos de uma determinada área. Aqui já foi Floresta Amazônica de pé, a gente prima por espécies que vão fazer a recomposição desse ambiente original, mas a restauração se diferencia da conservação porque é preciso que a gente se movimente para recompor essa área. Então restaurar tem muito disso: a gente gasta energia para recuperar o que já foi um dia”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;O Restaura Maranhão mostra que é possível engajar comunidades na recuperação da floresta com ganhos reais de renda e segurança alimentar. Mas para que esse modelo se consolide e se expanda por toda a região, o poder público precisa atuar  com políticas de Estado, garantindo recursos contínuos e assistência técnica de longo prazo. Esse apoio sustentado por políticas públicas é fundamental para fortalecer as comunidades e para atingir as metas de recuperação da vegetação nativa do país&#8221;, finaliza a coordenadora do Programa Maranhão do ISPN,  Ruthiane Pereira.</span></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Profetas do Tempo: resiliência, bem viver e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-resiliencia-bem-viver-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 14:20:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33494</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Terceiro episódio:  O encantamento do Sertão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto as tecnologias sociais transformam os quintais e o dia a dia dos sertanejos que vivem no bioma exclusivo do Brasil, uma outra revolução silenciosa acontece do lado de fora de suas casas, repactuando a relação humana com a biodiversidade da região. O recaatingamento chegou para honrar essa terra e seu potencial de resiliência e renovação.</p>
<figure id="attachment_33496" aria-describedby="caption-attachment-33496" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33496" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra das árvores, o quintal tem água fresca e uma plantação de palma forrageirautilizada na alimentação dos animais. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_092.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33496" class="wp-caption-text">Sob a sombra das árvores, o quintal tem água fresca e uma plantação de palma forrageira utilizada na alimentação dos animais. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Uma nova metodologia de convivência com o Semiárido vem despontando em vários trechos da Caatinga, promovendo a recuperação de áreas degradadas com a participação ativa das comunidades. Projetos de sucesso vem sendo desenvolvidos no sertão da Bahia e Pernambuco, e no Piauí ele brotou sobretudo pelas mãos dos jovens, depois de um grande choque vivenciado na época da pandemia do covid-19. Na Comunidade Tapera dos Vital, localizada numa área remota a 48km da área urbana de Pedro II, ocorreu o maior incêndio já registrado numa mata nativa na região norte do Piauí, e devastou mais de 6 mil hectares, transformando em cinzas árvores centenárias e matando os animais que não conseguiram fugir, como pequenos veados e tatus.</p>
<p>O Profeta da Chuva Francisco Vital costuma prever a direção das chuvas observando, entre outros sinais, a orientação da porta de entrada da casa de Maria do Barro, um saber que combina observação da natureza e memória do território. Ele conta que os dois assentamentos da região são fruto da desapropriação de um grande latifúndio, cuja sede abandonada virou uma tapera no meio do sertão, daí o nome da comunidade. A região foi habitada por povos indígenas e marcada pelo trabalho escravo e perseguições de capitães do mato, um passado que o fogo também queimou, abrindo espaço para a nova história que desde 2001 as associações comunitárias vem escrevendo por meio de parcerias com o <strong>Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)</strong>, o <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Centro de Formação Mandacaru (CFM)</strong></a>, e outras entidades regionais e internacionais.</p>
<figure id="attachment_33497" aria-describedby="caption-attachment-33497" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33497" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1024x683.jpg" alt="Na área do recaatingamento, o Profeta da Chuva Genivaldo Ribeiro transfere seus conhecimentos para Ana Clarisse e outros jovens da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_093.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33497" class="wp-caption-text">Na área do recaatingamento, o Profeta da Chuva Genivaldo Ribeiro transfere seus conhecimentos para Ana Clarisse e outros jovens da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>O grande incêndio de 2020 durou vários dias, as fagulhas foram avistadas de longe e a fumaça afetou várias cidades da região, trazendo o apoio das Brigadas de Incêndio de Poranga e Crateus,  cidades vizinhas da comunidade, no lado do Ceará. Os bombeiros de Crateus também ofereceram um curso que foi muito útil dois anos atrás, quando tiveram um novo foco de incêndio mas conseguiram conter, graças a essa capacitação. Curiosamente, a prefeita atual dessa cidade, Janaína Farias, quando senadora foi a autora do projeto de Lei recém aprovado pelo Congresso Nacional que institui a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15430.htm" target="_blank" rel="noopener">Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga</a>. A nova lei foi promulgada pela presidência da República em junho, com o lançamento do Programa Recaatingar, um edital público no valor de R$ 60 milhões, cuja meta é restaurar 10 milhões de hectares da floresta nos próximos 20 anos.</p>
<p>Os jovens de Tapera dos Vital já estão se organizando para participar, e se depender de mobilização, eles já mostraram que não brincam em serviço. Logo depois do incêndio lançaram o Projeto Renascer e fizeram um grande plantio de três mil mudas, onde conseguiram o apoio de instituições como o <strong>Centro Regional de Assessoria e Capacita</strong><strong>çã</strong><strong>o (CERAC)</strong>, o <strong>Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR)</strong> e a <strong>Escola Fam</strong><strong>í</strong><strong>lia Agr</strong><strong>í</strong><strong>cola Santa </strong><strong>Â</strong><strong>ngela (EFASA)</strong><strong>,</strong> que mobiliza seus alunos em torno de projetos focados em sustentabilidade e educação do campo por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), e doou mudas de plantas nativas produzidas dentro do colégio.</p>
<figure id="attachment_33499" aria-describedby="caption-attachment-33499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33499" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1024x683.jpg" alt="Aline Rodrigues foi presidenta da associação comunitária e seu primo Lucas Monteiro é o mais jovem profeta da chuva da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_094.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33499" class="wp-caption-text">Aline Rodrigues foi presidenta da associação comunitária e seu primo Lucas Monteiro é o mais jovem profeta da chuva da comunidade. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Nos últimos anos os jovens também estão começando a ocupar cargos de responsabilidade dentro da comunidade. Aline Rodrigues dos Santos foi presidenta da Associação Nova Terra por quatro anos, o que a levou para encontros importantes como a Marcha das Margaridas, em Brasília. Ela conta que o projeto de reflorestamento se tornou um momento de união, a turma se reúne semanalmente para o monitoramento de uma área de pesquisa de 5 hectares, onde foram plantadas as árvores catingueira, gameleira, pau d’arco, conhecido popularmente como o Ipê branco e o Ipê rosa, e também o Marmeleiro, a Mocó, que tem o mesmo nome de um roedor endêmico da caatinga parecido com a preá, o Jatobá, Angico, Jucá, quando estiver semeando, as favas podem ser usadas em garrafadas de cura, o frondoso Jacarandá, a Catanduva e a Sabiá, cujos galhos são muito utilizados nas cercas dos quintais, entre outras árvores que fazem parte da convivência humana há muito tempo. O trabalho voluntário recebe ajuda de custo da associação italiana <strong>Modena Terzo Mondo</strong> dentro de um projeto de adoção de árvores onde “<em>cada pezinho de pau”</em>, como se diz no sertão, recebe o nome do doador, para acompanhar de longe o seu progresso de crescimento.</p>
<p>Ao conversar com Aline, percebemos que o projeto Renascer não serve apenas para reflorestar a Caatinga, mas também para florescer nos jovens uma maior relação com a terra, numa espécie de estágio para a formação de novos profetas e profetizas da chuva. Atualmente eles contam com uma estufa para as mudas de palma forrageira, em parceria com o governo do estado, para produzir alimento aos animais no período da seca.</p>
<blockquote><p><em>“Com a</em><em> conex</em><em>ão que a gente tem quando planta uma árvore, a gente foi aprendendo o tempo certo de plantar, o tempo certo de colher as sementes no mato. Então atrav</em><em>é</em><em>s desse projeto teve um grande resgate das nossas ancestralidades, como meu tio gosta de falar, a gente </em><em>é </em><em>a continuidade do que eles</em><em> já </em><em>foram.”</em></p></blockquote>
<p>O tio dela é Genivaldo Ribeiro, líder comunitário e Profeta da Chuva como seu irmão Francisco Vital. Ambos aprenderam a observar a natureza com o pai, que foi homenageado com a criação do Parque de Vaquejada Emanoel Vital, inaugurado no final de julho. Eles agora aproveitam a oportunidade do recaatingamento para repassar os conhecimentos para os jovens, que estão se tornando bons observadores também:</p>
<blockquote><p><em>“Muito lindo ver aquela situação de 2020 pra agora, ver que tudo j</em><em>á tá </em><em>come</em><em>ç</em><em>ando a seguir um ciclo. Os animais estã</em><em>o voltando, at</em><em>é </em><em>as chuvas estão voltando a ficar um pouco mais reguladas.” </em><em> </em></p></blockquote>
<figure id="attachment_33500" aria-describedby="caption-attachment-33500" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33500" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1024x683.jpg" alt="O projeto &quot;Adotta un Albero&quot; (adote uma árvore) possibilitou o mapeamento da área reflorestada, facilitando o seu monitoramento. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_095.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33500" class="wp-caption-text">O projeto &#8220;Adotta un Albero&#8221; (adote uma árvore) possibilitou o mapeamento da área reflorestada, facilitando o seu monitoramento. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Essa transmissão de conhecimento no sertão da abundância também acontece na relação com a palmeira mais famosa do Piauí, a carnaúba, oficialmente declarada árvore símbolo do estado. Conhecida como a “<em>Á</em><em>rvore da Vida”</em>, termo popularizado pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt no século XIX, impressionado com sua capacidade de suprir praticamente todas as necessidades de uma comunidade, mesmo nas secas mais severas. Carnaúba em tupi significa “<em>á</em><em>rvore que arranha”</em>, por conta da camada de espinhos que cobre a parte inferior de seu caule, os seus frutos são usados para alimentar rebanhos, produzir farinha e até substituir o pó de café. As suas folhas são levemente azuladas devido uma camada de cera que evita a perda de água no clima quente, e tornou a carnaúba um produto de valor global, considerada a cera vegetal mais dura do mundo, usada em batons, lápis de cor, cápsulas de remédios, enceramento de carros, vernizes, plásticos, e até na produção de discos de vinil. Para além da indústria, a carnaúba também atravessa a cultura regional e suas fibras servem para cobrir telhados e podem ser tecidas como chapéus, esteiras e bolsas, uma tradição repassada de mãe para filha, como acontece com Dona Maria Isolete dos Santos e sua filha Ana Cristina dos Santos Pereira, na comunidade Coitadas, a 13 km do centro de Pedro II.</p>
<figure id="attachment_33501" aria-describedby="caption-attachment-33501" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33501" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1024x683.jpg" alt="O chapéu de palha é produzido pelas mulheres da Comunidade Coitadas, em Pedro II, há muitas gerações. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_056.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33501" class="wp-caption-text">O chapéu de palha é produzido pelas mulheres da Comunidade Coitadas, em Pedro II, há muitas gerações. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Pelas estradas de terra da comunidade Tapera dos Vital, entre carnaúbas esparsas, uma carreata segue em homenagem a Nossa Senhora das Dores, uma expressão contemporânea de uma tradição que celebra o “fim d’água” e agradece pela colheita, como descreve a antropóloga Adeodata Dos Anjos, assessora de cursos populares no Centro Mandacaru e autora da tese de mestrado “<em>O Mito da Chuva como Elemento de Identidade</em>”. Sua pesquisa revela que, apesar de a seca ser um fenômeno natural, ela passou a ser tratada como catástrofe no decorrer da colonização da região e da posse da terra pelos colonizadores. <em>“Os profetas-poetas, diante das incertezas da vida e do descaso pol</em><em>í</em><em>tico, buscaram respostas nos mist</em><em>é</em><em>rios naturais”</em>, escreve a pesquisadora, concluindo que a leitura dos sinais do céu e da terra é fundamental para a resistência e bravura sertaneja, cuja capacidade de “ruminar” suas experiências os torna os únicos detentores das razões de seus saberes míticos.</p>
<p>A tese de Adeodata nos revela que, no céu do sertão, próximo à constelação do Cruzeiro do Sul, aparecem duas manchas, uma à direita e outra à esquerda. Quando essas duas manchas aparecem, pode-se esperar que o inverno (a temporada das chuvas) vai ser bom. Quando tem só uma, é porque a outra foi buscar o inverno. Quando não tem nenhuma das manchas, é porque é um ano de seca. A pesquisadora é filha de profeta e também é profetiza da chuva, e sua tese nos apresenta outra profetiza, Dona Joaninha Clemente, que viveu na Tapera dos Vital em seus últimos anos e era presença marcante na novena de Nossa Senhora. Segundo Adeodata, Dona Joaninha gostava de contar que, no tempo de seca, seu pai arrancava a macambira, uma espécie de bromélia típica da Caatinga, cheia de espinhos, mas com uma raiz muito nutritiva, para fazer um cuscuz chamado &#8220;comida brava&#8221;. Alguns tinham vergonha de comer, mas essa PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) fazia muito bem à saúde. Dona Joaninha ajudava a organizar os festejos da comunidade e também trazia seu conhecimento para o encontro de previsões dos Profetas e Profetizas da Chuva, que acontece no mês de janeiro, logo após a primeira lua cheia do ano:</p>
<blockquote><p>“As duas manchas no pé do Cruzeiro do Sul representam o sangue que Cristo derramou na cruz. É por isso que elas estão relacionadas com a chuva: o sangue é água e, sendo água, se transforma em nuvem, depois em chuva que cai para alegrar a gente, os bichinhos e todos os seres vivos.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_33502" aria-describedby="caption-attachment-33502" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33502" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1024x683.jpg" alt="O festejo de Nossa Senhora das Dores dura uma novena, com procissão no primeiro e último dia até a igreja, missa, leilão, bingo, muita comida e esse ano terá pega de boi para inaugurar o novo Parque de Vaquejada Emanoel Vital. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_096.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33502" class="wp-caption-text">O festejo de Nossa Senhora das Dores dura uma novena, com procissão no primeiro e último dia até a igreja, missa, leilão, bingo, muita comida e esse ano teve pega de boi para a inauguração do novo Parque de Vaquejada Emanoel Vital. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Do alto do mirante da Serra das Andorinhas, acessado pelas trilhas ecológicas da Comunidade Lagoa do Mato, visitada nos outros episódios dessa série de reportagem, a paisagem se revela em sua imensidão. As formações rochosas erodidas, chamadas de “tuncas” pelos guias locais, parecem gigantes petrificados, guardiões silenciosos de um tempo passageiro. Lá embaixo, o sertão se estende quase infinito, com suas veredas, suas comunidades, e seus Profetas. É o mesmo horizonte que os ancestrais contemplaram há milhares de anos, antes de marcar na pedra os sinais que ainda hoje se lêem. O cacto mandacaru nos lembra que a vida persiste até mesmo nos lugares mais expostos ao sol latente. Diante do sertão da abundância, os ciclos da natureza se materializam não com um ponto final, mas como um convite para quem quiser chegar e aprender a ler os sinais do tempo.</p>
<figure id="attachment_33503" aria-describedby="caption-attachment-33503" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33503 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1024x683.jpg" alt="Os Profetas do Tempo avistam a borda da Caatinga do mirante no alto da barreira geológica da Serra Grande. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/08/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_097.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33503" class="wp-caption-text">Os Profetas do Tempo avistam a borda da Caatinga do mirante no alto da barreira geológica da Serra Grande. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
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<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o primeiro episódio da série: &#8220;A cultura cria raízes&#8221;</a></p>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; E aqui para ver o segundo: “A revolução agroecológica”</a></p>
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