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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<item>
		<title>Fogo sob controle: como a umidade do ar pode tornar as queimas mais seguras no Cerrado</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fogo-sob-controle-como-a-umidade-do-ar-pode-tornar-as-queimas-mais-seguras-no-cerrado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 20:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudo no Parque Nacional da Chapada das Mesas (MA) aponta que medir a umidade relativa do ar é uma ferramenta simples e eficaz para reduzir riscos e aumentar o controle sobre o fogo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A umidade relativa do ar pode ser utilizada como um indicador prático e estratégico para decidir quando realizar queimas controladas ou prescritas. É o que aponta o </span><a href="https://connectsci.au/wf/article/35/4/WF25243/271730/Relative-air-humidity-at-the-time-of-burning-is-a"><span style="font-weight: 400;">novo estudo da assessora técnica do ISPN e pesquisadora de Manejo Integrado do Fogo (MIF), Lívia Carvalho Moura, e colaboradores</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob a orientação da professora Profa. Dra. Isabel Schmidt, publicado no International Journal of Wildland Fire.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A pesquisa “A umidade relativa do ar no momento da queima é um fator preditivo fundamental do comportamento do fogo no Cerrado”, analisou como diferentes condições — como época do ano, horário do dia e quantidade de vegetação seca (combustível) — influenciam o comportamento do fogo. Entre todos esses fatores, a umidade do ar se destacou como um dos mais determinantes para orientar decisões operacionais no campo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A ideia do estudo partiu de perguntas de manejo feitas pelo gestor do Parque Nacional da Chapada das Mesas na época, Paulo Adriano Dias, coautor do trabalho. Ao observar o manejo tradicional do fogo feito por comunidades locais e povos indígenas da região, ele queria saber como mensurar os indicadores da vegetação e do clima associados a essas práticas tradicionais para utilização em protocolos técnicos”, explica Lívia Moura Carvalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Saber o momento certo para usar o fogo de forma controlada parecia algo muito óbvio para os povos e comunidades  da região, mas para muitos gestores e pesquisadores não era muito claro e perceptível, e principalmente existia a preocupação de transmitir e disponibilizar esse conhecimento”, acrescenta Lívia. </span></p>
<p><b>Uma variável simples </b><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados do levantamento mostram que níveis mais baixos de umidade do ar estão associados a fogos mais intensos e rápidos; enquanto níveis mais altos de umidade resultam em fogo mais brando, mais lento e mais fácil de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso significa que a mesma área pode apresentar comportamentos de fogo muito diferentes dependendo apenas das condições do momento da queima — especialmente da umidade do ar ao longo do dia e da quantidade de material combustível.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Ferramenta acessível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o estudo demonstra que a umidade relativa do ar pode ser incorporada como um critério objetivo para orientar quando e como realizar queimadas planejadas. Por ser uma variável fácil de medir em campo, ela se torna uma ferramenta acessível para brigadistas e gestores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Níveis de umidade do ar acima de 50% são mais comuns durante a estação chuvosa e no início da estação seca (entre abril e junho, dependendo da região), mais especificamente no final da tarde ou início da noite, quando as temperaturas são mais baixas e o ar tende a reter mais umidade.</span></p>
<p><b>Contexto<br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">No Cerrado, incêndios sobre a vegetação nativa estão aumentando por fenômenos e mudanças climáticas extremas e falta de manejo da biomassa seca acumulada. O problema é maior no fim da estação seca, com fogos mais intensos e severos. Desde 2014, queimas prescritas são aplicadas em algumas áreas protegidas no início da seca para manejo de vegetações adaptadas ou propensas ao fogo, no âmbito da abordagem do <a href="https://ispn.org.br/noticia/manejo-integrado-do-fogo-agora-e-politica-nacional/" target="_blank" rel="noopener">Manejo Integrado do Fogo</a> (MIF).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados da pesquisa também reforçam o papel do MIF, adotado na redução dos incêndios em áreas protegidas do Cerrado. Essa abordagem pode incluir o uso de queimas prescritas em vegetações adaptadas ao fogo, no início da estação seca, para fragmentar o combustível e reduzir a quantidade de vegetação seca na paisagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao utilizar a umidade do ar como critério para definir o momento dessas queimas, é possível aumentar a segurança das operações e reduzir o risco de incêndios de grande escala no final da estação seca, que são mais intensos e difíceis de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, o estudo evidencia como o conhecimento científico pode apoiar decisões práticas, tornando o uso do fogo mais eficiente, seguro e alinhado aos objetivos de conservação do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33069" aria-describedby="caption-attachment-33069" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-33069 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg" alt="" width="800" height="535" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-300x201.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-768x514.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1536x1027.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-2048x1370.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33069" class="wp-caption-text">Pesquisadores em campo: ao centro, Lívia Moura (esquerda) e Isabel Schmidt (direita). Foto: Divulgação/Acervo ISPN</figcaption></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Comunidade tradicional do Cerrado lança material didático sobre saberes do território</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/comunidade-tradicional-do-cerrado-lanca-material-didatico-sobre-saberes-do-territorio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 18:33:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33056</guid>

					<description><![CDATA["Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola" leva para as salas de aula as histórias e os saberes das comunidades tradicionais do Cerrado
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com o objetivo de proteger o Cerrado e valorizar a identidade dos povos que vivem no bioma, a Associação Comunitária dos Pequenos Criadores de Fecho de Pasto de Clemente (ACCFC), na Bahia, lança o livro &#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221;.</p>
<p>O material foi desenvolvido a partir da proposta de levar para as escolas os saberes do Cerrado. Para a elaboração da obra, foram realizadas oficinas com organizações sociais, professores, estudantes e comunidades de Fundo e Fecho de Pasto da região de Correntina (BA). O resultado é o que os próprios autores descrevem como um mapa afetivo e pedagógico: uma ferramenta para o reconhecimento do território como sala de aula viva, a valorização da identidade dos povos do Cerrado e o cultivo do respeito pelas origens, crenças e práticas ancestrais.</p>
<p>Elaborado pela pesquisadora e professora da rede municipal Raquel da Costa Barbosa, que é originária de uma comunidade tradicional, o material é destinado a professores e alunos da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental.</p>
<p>A proposta é que o livro seja incorporado ao planejamento pedagógico das escolas sem substituir o currículo oficial, mas enriquecendo o ensino com referências do próprio território. &#8220;Ele não está desconectado do planejamento do professor. Se o currículo exige que o aluno do quinto ano compreenda o gênero textual biografia, ele vai aprender biografia, mas a partir da história de uma parteira da comunidade&#8221;, explica Raquel.<br />
O livro está organizado em três unidades temáticas que abordam questões ambientais que atingem todo o planeta: água, meio ambiente e território. As unidades seguem o calendário escolar e se ancoram em datas simbólicas: o Dia Mundial da Água (22 de março) e o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens (14 de março) orientam a primeira unidade; o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a segunda; e o Dia Nacional do Cerrado (11 de setembro) e o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), a terceira.</p>
<p><strong>Disputa na sala</strong></p>
<p>De acordo com o coordenador da publicação e sócio da ACCFC, Eldo Moreira Barreto, o que motivou a criação do &#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221; foi a necessidade de crianças, adolescentes e jovens das comunidades tradicionais da região refletirem sobre si e sobre o espaço em que vivem. Mas há também um contexto amplo e urgente, como a crescente influência do agronegócio nos conteúdos escolares.</p>
<p>Em reportagem publicada pelo <a href="https://www.aosfatos.org/noticias/pressao-do-agro-altera-conteudos-de-livros-escolares-denunciam-editores/" target="_blank" rel="noopener">Aos Fatos</a>, organização jornalística dedicada ao combate à desinformação, o mercado editorial tem sofrido pressão para retirar dos livros escolares conteúdos considerados negativos para o agronegócio.</p>
<p>A professora Raquel da Costa Barbosa vai além e aponta que materiais didáticos produzidos pelo setor já chegam às escolas da região há anos, e segundo ela, muitas vezes com boa apresentação visual, premiações para alunos e contrapartidas às instituições de ensino. &#8220;Do ponto de vista pedagógico, esses materiais são bem elaborados. Mas do ponto de vista ideológico é que a gente precisa discutir. Eles entram pela porta da frente&#8221;, alerta. &#8220;Nós precisamos disputar por dentro da escola.&#8221;</p>
<p>Eldo completa: &#8220;É um contexto de disputa e de negação da identidade dos territórios tradicionais. O agronegócio produz material didático para as escolas enquanto as crianças, os jovens e toda a comunidade, que são os sujeitos desse espaço, ficam sem se ver representados.&#8221;</p>
<p><strong>Identidade como conteúdo</strong></p>
<p>Para trazer a comunidade para dentro das páginas, o livro apresenta cinco biografias de moradores reais das comunidades: uma parteira, uma benzedeira, um vaqueiro que se tornou líder na luta pela terra, uma mulher que uniu fé e militância política e uma liderança quilombola que representou o Brasil em encontros internacionais de mulheres camponesas.</p>
<p>&#8220;Quando o estudante se enxerga no material, ele passa a entender que aquela cultura é importante. A gente precisa trazer uma ideia de valorização para que essa criança, desde a educação infantil, consiga se reconhecer e reconhecer a importância da sua identidade&#8221;, diz Raquel.</p>
<p>Eldo reforça a visão de Paulo Freire que embasa o projeto. &#8220;Não tem como avançar sem trabalhar a educação a partir dos saberes de cada sujeito”, pontua. “A gente espera que professores e estudantes identifiquem nesse material a possibilidade de aprofundar e refletir sobre seus espaço, sua vida, seu local, e ao mesmo tempo refletir sobre o mundo e outras regiões&#8221;.</p>
<p><strong>Além do Cerrado</strong></p>
<p>Os idealizadores do material acreditam que a experiência pode inspirar iniciativas semelhantes em outros biomas e regiões do Brasil. &#8220;O que norteia são os temas centrais: água, território, cultura. Esses temas podem ser adaptados com os elementos de cada região&#8221;, diz Eldo.</p>
<p>O próximo passo da ACCFC é dialogar com as secretarias de educação da região para que o material chegue formalmente às escolas, acompanhado de formação para os professores. O livro já está <a href="https://ispn.org.br/publicacao/territorio-que-ensina-saberes-do-cerrado-na-escola/" target="_blank" rel="noopener">disponível gratuitamente para download</a> no site do ISPN.</p>
<p><strong>O livro</strong></p>
<p>&#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221; é uma realização da Associação Comunitária dos Pequenos Criadores de Fecho de Pasto de Clemente (ACCFC), em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), do Small Grants Programme (SGP) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Plataforma expõe relação entre commodities e violações de direitos no campo brasileiro</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/plataforma-expoe-relacao-entre-commodities-e-violacoes-de-direitos-no-campo-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 21:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33034</guid>

					<description><![CDATA[A ferramenta integra informações de 2002 a 2023 e pressiona por responsabilidade nas cadeias produtivas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um olhar para fortalecer e ampliar o debate socioambiental no Brasil. Com esse objetivo, um conjunto de organizações da sociedade civil se moveu para criar uma ferramenta que reúne dados sobre conflitos no campo, desmatamento e a expansão da agricultura industrial no Brasil. </span></p>
<p><b>A Plataforma nasce como iniciativa do Observatório Socioambiental (OSA)</b><span style="font-weight: 400;">, atendendo a necessidade urgente de produzir, analisar e dar visibilidade aos impactos sociais relacionados às violações de direitos humanos no campo, gerados pela expansão das commodities no país. É uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, Imaflora, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, com consultoria da Diversa Socioambiental. </span></p>
<p><a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Acesse aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Plataforma Socioambiental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento aconteceu no dia 27 de abril na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  junto com o Relatório Caderno de Conflitos no Brasil (2025). A ferramenta reúne números de 2002 a 2023, incluindo os dados da Comissão Pastoral da Terra que disponibilizou sua série histórica de informações sobre a realidade no campo. </span></p>
<figure id="attachment_33036" aria-describedby="caption-attachment-33036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33036 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg" alt="Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33036" class="wp-caption-text">Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Ineditismo e Interatividade na Plataforma</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma se configura como principal instrumento do Observatório Socioambiental, reunindo e cruzando dados de diferentes fontes em um ambiente interativo que permite visualizar a realidade em todo o país, estados e municípios. Ainda oferece análises a partir dos registros de conflitos, os impactos ambientais, a produção, risco climático, categorias fundiárias, trabalho escravo e violência contra pessoas, qualificando as análises socioambientais diante de diversos cenários. A ferramenta permite visualizar uma realidade marcada pelo avanço das fronteiras agrícolas e a pressão sobre os territórios e seus recursos naturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As análises podem ser usadas como base para formulação de políticas públicas e pelo sistema de justiça na tomada de decisão sobre o território e garantia de demais direitos das comunidades que vivem no campo. Também é um instrumento que ajuda a pressionar por mais transparência e responsabilidade das cadeias produtivas brasileiras. </span></p>
<p><b><i>“Esse trabalho da Plataforma não se limita à quantificação dos conflitos, mas acompanha as suas transformações no decorrer do tempo, identificando os diferentes sujeitos envolvidos, suas estratégias de atuação e os impactos sobre as populações atingidas.  Trata-se de uma ferramenta importante para compreender as dinâmicas territoriais, dos conflitos e para a defesa dos direitos humanos no campo do Brasil,</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> diz um dos coordenadores da Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, Ronilson Costa. </span></p>
<p><b>Dados de violência no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As informações abrigadas na Plataforma Socioambiental revelam contradições de um país rico em diversidade de biomas e de diferentes saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais que se relacionam com a natureza. O Brasil se apresenta como grande potência agrícola global, mas bate recordes de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais, violando o direito à vida e ao território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos dez anos foram registrados 18.832 casos de conflitos no campo e 374 assassinatos. Entre 2002 e 2023 houve um total de 89.537 casos. Os estados do Maranhão, Pará, Bahia e Rondônia registraram os maiores números de ocorrências dos últimos três anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo dados do Caderno de Conflitos da CPT de 2025, o Maranhão aparece com o maior número de casos de violência nas áreas rurais pelo segundo ano consecutivo. No ano passado foram contabilizados 209 casos.</span></p>
<p><b>O Cerrado brasileiro e a expansão dos conflitos no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado, <a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">conhecido por ser o coração das águas do Brasil</a>, vem sofrendo por conta do agronegócio. A produção de commodities voltadas para abastecer o mercado externo, vem transformando a savana mais biodiversa do mundo em uma zona de sacrifício. Os dados podem ser analisados e cruzados na Plataforma Socioambiental. Sobretudo, quando se estuda a realidade na região do Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo publicado na edição especial de lançamento do Caderno de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra (2025), os pesquisadores e advogados populares Maurício Correia e Juliana Borges mostram que a região se configura como um moderno centro de produção de commodities e, como consequência, um cenário onde cresce o racismo, a violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, além de grilagem de terras e severa devastação ambiental. </span></p>
<figure id="attachment_33037" aria-describedby="caption-attachment-33037" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33037 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg" alt="Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN " width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33037" class="wp-caption-text">Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b><i>“</i></b><b><i>O grileiro veio pra cima de nós. Queimaram nossa casa e a roça de mandioca. Plantaram capim”. </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é de seu Raimundo Luís Vieira, agricultor familiar que vive no povoado Gado Bravinho, no sul maranhense, uma região dentro do Matopiba, onde as comunidades e o Cerrado são pressionados pela monocultura da soja e de outros grãos. Seu Raimundo e a esposa tiveram que deixar a casa e as roças para não perder a vida. As ameaças chegaram com os grileiros armados que expulsaram ele e a família do lugar que viviam há mais de 40 anos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os números refletem a realidade da grande fronteira agrícola brasileira que teve expansão significativa no início dos anos 2000, período considerado um marco da produção de commodities agrícolas e minerais. Em duas décadas, a área desmatada no MATOPIBA foi maior que toda a área convertida entre os anos de 1500 e 2000. Dados do INPE/Prodes de 2024 mostram que 86% do desmatamento no Cerrado ocorreu na região do Matopiba.</span></p>
<p><b><i>“Precisamos de nossos territórios titulados. É um direito de nossas comunidades. E seguimos lutando por nossa terra, com muito esforço”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz uma jovem liderança que está no Programa de Proteção a Testemunhas e que se fez presente no evento de lançamento da Plataforma e do Caderno de Conflitos da CPT. </span></p>
<p><b>Direito à água:  A realidade do acesso aos recursos hídricos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os recursos hídricos também aparecem no cerne dos conflitos. Entre 2016 e 2025, foi registrado um aumento nas ocorrências de tensões por água, envolvendo rompimento de barragens e contaminação de rios que abastecem as comunidades, mineração e vazamento de petróleo. O que era de livre acesso e bem comum para todos que vivem no território se transformou em motivo de uma luta que defende a demarcação de terras tradicionais e a proteção dos mananciais. Nos últimos dez anos foram registrados 2.754 ocorrências de conflitos por água (dados Caderno de Conflitos). Só em 2025, foram 148 casos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33038" aria-describedby="caption-attachment-33038" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33038 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg" alt="Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33038" class="wp-caption-text">Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A jovem quilombola Rosilda de Jesus Pereira, nascida no Vale do Rio Peixe Bravo, em Minas Gerais, faz parte do movimento de luta de comunidades atingidas pela mineração e pela contaminação das águas. A comunidade, composta por diversas famílias, valoriza o modo de vida ancestral, o Cerrado e a autonomia sobre o território. </span></p>
<figure id="attachment_33039" aria-describedby="caption-attachment-33039" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33039" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg" alt="Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia.Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33039" class="wp-caption-text">Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia. Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT</figcaption></figure>
<p><b><i>“Entre nossas lutas, está a busca pelo reconhecimento, a preservação do rio Peixe Bravo e o fortalecimento de nossos direitos ancestrais”, ressalta Rosilda. </i></b></p>
<p><b>Apresentação da Plataforma na Sede da União Europeia</b></p>
<figure id="attachment_33041" aria-describedby="caption-attachment-33041" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33041" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg" alt="Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33041" class="wp-caption-text">Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estratégia de divulgação internacional do tema, a Plataforma Socioambiental foi apresentada na sede da União Europeia (UE), em Brasília. Na apresentação, ressaltou-se que os dados fortalecem as evidências de violações de direitos humanos e sua relação com a produção e exportação de commodities e o desmatamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reunião foi conduzida pelo Conselheiro para Clima, Energia, Ambiente e Saúde da UE, Laurent Javaudin. Estavam presentes diplomatas de países-membros e de organizações como ISPN, Comissão Pastoral da Terra, WWF, Trase e Diversa Socioambiental.</span></p>
<p><b><i>“No campo brasileiro, registra-se um avanço da violência em territórios ocupados há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais, ocasionando o acirramento de conflitos e o aumento da violência no campo,”</i></b><span style="font-weight: 400;"> afirmou a assessora técnica do ISPN, Simone Madalosso.</span></p>
<p><b>Lei Antidesmatamento da União Europeia- EUDR</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma Socioambiental também é instrumento que se soma à luta pela aplicabilidade do regulamento  antidesmatamento da União Europeia (EUDR &#8211; European Union Deforestation Regulation). O regulamento  nasceu com o objetivo de proibir a importação e comercialização no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento e à conversão. Aprovado em junho de 2023, sua aplicação prática vem sendo sistematicamente adiada. A norma cobre as 7 principais commodities e seus derivados: carne bovina, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma. </span></p>
<p><b><i>“Os dados da Plataforma Socioambiental podem ajudar empresas privadas que importam do Brasil a identificar áreas de alto risco e conflito, bem como a origem das commodities, além de apoiar organismos nas diligências em relação às áreas onde existem registros de violação de direitos humanos no Brasil. Com as informações, ninguém pode dizer que não viu.” </i></b><span style="font-weight: 400;">afirmou a</span> <span style="font-weight: 400;">consultora da Diversa Socioambiental, Gabriela Russo Lopes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela lei, só podem entrar nos países da União Europeia produtos que forem originários de áreas não desmatadas ou convertidas e em conformidade com as leis do país de origem. A legislação tem impacto para o Brasil, porque força o agronegócio brasileiro a adaptar suas cadeias de suprimentos para garantir a rastreabilidade total, demonstrando que seus produtos, especialmente soja, café e carne, não provêm de áreas desmatadas ilegalmente. A não conformidade impedirá a comercialização do produto no bloco europeu, que é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><b><i>A Plataforma Socioambiental disponibiliza para a sociedade, tomadores de decisão e empresas, informações sobre conflitos por terra, por água e trabalho escravo  que estão relacionados com produção de commodities e vem pressionando as comunidades tradicionais do Brasil. É muito importante a disseminação das informações contidas nessa plataforma para que possamos ter políticas públicas que considerem essas questões e um maior controle social sobre esses temas.”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza- ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33042" aria-describedby="caption-attachment-33042" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33042" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg" alt="Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando intercâmbio com indígenas do Maranhão pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN" width="800" height="533" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1536x1023.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33042" class="wp-caption-text">Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando <a href="https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/" target="_blank" rel="noopener">intercâmbio com indígenas do Maranhão</a> pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisa revela grilagem verde sobre territórios tradicionais no oeste da Bahia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 14:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33026</guid>

					<description><![CDATA[Estudo cruza dados do Tô no Mapa com informações do CAR para revelar como compensações ambientais do agronegócio incidem sobre comunidades camponesas e tradicionais do Cerrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A compensação de Reserva Legal, prevista no Código Florestal como mecanismo de regularização ambiental, vem sendo usada de forma massiva pelo agronegócio no oeste da Bahia. No entanto, parte dessas áreas de compensação recai justamente sobre territórios ocupados historicamente por comunidades tradicionais e camponesas, convertendo um instrumento de preservação em estratégia de grilagem verde.</p>
<p>Essa é uma das principais conclusões do artigo <em>Making environmental compensation visible. Biased data transparency and agrobusiness strategies in the Bahianese agricultural frontier of the Cerrado</em>, publicado no Cybergeo: European Journal of Geography (disponível <a href="https://journals.openedition.org/cybergeo/42687" target="_blank" rel="noopener">neste link,</a> em inglês)</p>
<p>Assinado pelos pesquisadores Pierre Gautreau, Eve Anne Bühler e Ludivine Eloy, o estudo rastreou cadeias de compensação de Reserva Legal e identificou situações de sobreposição com territórios comunitários, revelando fragilidades na transparência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e falhas do Estado na proteção desses territórios.</p>
<p>Em entrevista ao site do Tô no Mapa, Gautreau, um dos autores do estudo, detalha os principais resultados da pesquisa e explica a importância dos dados territoriais produzidos pelas próprias comunidades por meio da plataforma.</p>
<p>Gautreau é geógrafo e pesquisador da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França. Atua no campo da ecologia política, com pesquisas sobre agronegócio, regulação ambiental, conflitos territoriais e a digitalização das políticas ambientais na América Latina, com foco especial no Brasil. Confira a entrevista:</p>
<p><strong>Como surgiu o interesse em pesquisar a fronteira agrícola do oeste baiano e a relação entre CAR e comunidades tradicionais?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Minha trajetória é na ecologia política, especialmente sobre como as sociedades latino-americanas formulam a questão ambiental e os conflitos em torno dela. Nos últimos anos, venho estudando como a digitalização das políticas ambientais modifica relações de poder, conflitos e formas de regulação.</p>
<p>No caso do oeste da Bahia, nos interessou entender como o Cadastro Ambiental Rural interagia com as dinâmicas agrárias e sociais em uma região marcada pela rápida adoção do CAR pelo agronegócio e por conflitos fundiários históricos. Já havia casos conhecidos, como o de Capão do Modesto, em Correntina, e queríamos mapear e quantificar esse processo de forma mais ampla.</p>
<p><strong>O artigo fala em “grilagem verde”. Como esse mecanismo funciona na prática?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> A grilagem verde acontece quando atores poderosos, especialmente grandes empresas, usam o argumento da conservação ambiental para atuar sobre territórios ocupados historicamente por comunidades.</p>
<p>Na prática, empresas registram áreas como Reserva Legal compensada em territórios onde vivem comunidades camponesas ou tradicionais há décadas, às vezes há mais de um século. Depois, restringem o acesso dessas populações com cercas, vigilância armada ou outros mecanismos de controle.</p>
<p>Além do impacto material, existe um efeito simbólico importante: essas comunidades passam a ser apresentadas como degradadoras do ambiente, enquanto a empresa se coloca como agente moderno e responsável. Isso é muito funcional para mercados internacionais, onde consumidores e investidores não conseguem verificar o que acontece no território.</p>
<p><strong>Quais foram os principais impactos identificados sobre as comunidades?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O primeiro impacto é a perda concreta de acesso à terra e aos recursos naturais. A empresa precisa demonstrar que está “conservando” a área, e isso frequentemente significa impedir o retorno ou a permanência das comunidades.</p>
<p>O segundo impacto é discursivo: práticas tradicionais, como o uso do fogo no manejo agrícola, passam a ser criminalizadas. Há uma narrativa falsa de que comunidades tradicionais degradam o Cerrado, quando sabemos que esses usos podem ter impacto controlado e fazer parte da construção histórica da paisagem.</p>
<p>Isso gera deslegitimação social e enfraquece a capacidade política dessas populações de defender seus direitos.</p>
<p><strong>Quando a grilagem verde atinge territórios ainda sem reconhecimento formal do Estado, a vulnerabilidade das comunidades se intensifica?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Sem dúvida. O reconhecimento formal fortalece juridicamente as comunidades e amplia suas ferramentas de defesa.</p>
<p>Mas um dos pontos mais graves que observamos é que há muitas comunidades afetadas que sequer aparecem no debate público. Com os dados do Tô no Mapa, percebemos que o número de territórios impactados é muito maior do que os casos mais conhecidos.</p>
<p>Há comunidades que já declararam seus limites territoriais, mas que não têm a mesma capacidade de mobilização política ou apoio institucional. Nesses casos, o desamparo é ainda maior.</p>
<p><strong>Qual foi a importância dos dados do Tô no Mapa para chegar a esses resultados?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Foi central. Para identificar e quantificar a incidência da compensação sobre territórios comunitários, não basta saber que existe uma comunidade em determinado município. É preciso conhecer os limites do território.</p>
<p>O Tô no Mapa oferece justamente isso: polígonos territoriais construídos a partir da autodeclaração das próprias comunidades. Isso permitiu cruzar os dados do CAR com áreas efetivamente reivindicadas e ocupadas, algo que mapas baseados apenas em pontos não permitiriam.</p>
<p>A plataforma tem um papel muito importante porque dá escala territorial à presença dessas comunidades e amplia sua visibilidade para a pesquisa e para a incidência pública.</p>
<p><strong>O artigo também critica a transparência do CAR. Onde está o principal problema?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O CAR oferece uma transparência parcial. Ele mostra que uma propriedade está regularizada, mas nem sempre permite identificar facilmente onde está a Reserva Legal compensada.</p>
<p>No período da pesquisa, foi necessário desenvolver uma metodologia de geoprocessamento bastante específica para reconstruir essas cadeias de compensação. Hoje isso melhorou, mas ainda defendemos que o sistema deveria permitir, com um clique simples, visualizar automaticamente onde está a área compensada.</p>
<p>Essa transparência é fundamental não apenas para a fiscalização ambiental, mas para verificar se empresas estão violando direitos de comunidades tradicionais ao mesmo tempo em que se apresentam como sustentáveis no mercado internacional.</p>
<p><strong>Durante a pesquisa, houve uma atualização no CAR. O que mudou e por que isso é relevante?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Quando começamos a pesquisa, os dados do CAR não permitiam identificar de forma simples a relação entre um imóvel e sua Reserva Legal compensada. Foi preciso desenvolver uma metodologia de geoprocessamento para reconstruir essas cadeias a partir do cruzamento entre diferentes camadas, como imóveis, APPs e áreas de reserva.</p>
<p>Entre a submissão e a publicação do artigo, houve uma atualização positiva na base de dados. Essa mudança passou a facilitar a identificação desses vínculos, algo que antes exigia um verdadeiro trabalho de “hacking” cartográfico.</p>
<p>Isso é relevante porque reforça uma das recomendações centrais do estudo: a plataforma precisa tornar visível, de forma imediata, onde está a Reserva Legal compensada de cada imóvel. Hoje, quando uma propriedade não apresenta a reserva dentro de seus limites, o usuário deveria conseguir localizar automaticamente, com um clique, a área usada na compensação.</p>
<p>Essa transparência é essencial para que pesquisadores, órgãos públicos, comunidades e até compradores internacionais consigam verificar se a regularização ambiental não está sendo feita às custas de violações territoriais e de direitos humanos.</p>
<p><em>Originalmente publicado no <a href="https://tonomapa.org.br/2026/04/27/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/" target="_blank" rel="noopener">portal Tô na Mapa</a></em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Observatório Socioambiental lança ferramenta inédita que cruza dados de desmatamento e violência no campo, ao longo de quatro décadas</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/observatorio-socioambiental-lanca-ferramenta-inedita-que-cruza-dados-de-desmatamento-e-violencia-no-campo-ao-longo-de-quatro-decadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Moraes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 17:34:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33013</guid>

					<description><![CDATA[Nova ferramenta vai permitir que sociedade civil, pesquisadores e imprensa acessem e cruzem dados de forma independente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No próximo dia 27 de abril de 2026, será lançado oficialmente o <a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Observatório Socioambiental</a>, iniciativa da sociedade civil que reúne, de forma inédita, dados sistematizados entre 1980 e 2023 sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão da agricultura industrial no Brasil. O lançamento será junto com o Caderno de Conflitos da CPT, cujos dados vão constar na plataforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ação é resultado de uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, IMAFLORA, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, entidades ligadas à luta pela terra,  produção de conhecimento e na defesa dos territórios, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento marca a apresentação pública da <a href="https://plataforma.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Plataforma Socioambiental</a>, principal ferramenta do Observatório. O sistema reúne, cruza e disponibiliza dados de diferentes fontes em um ambiente digital interativo e permite visualizar, de forma segmentada, por estados e municípios, a relação direta entre o avanço da produção de commodities e os conflitos socioambientais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que organizar informações, a plataforma joga luz sobre uma realidade frequentemente invisibilizada: a de que a expansão da fronteira agrícola no Brasil tem sido acompanhada por violência, pressão sobre territórios e degradação ambiental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado não é apenas um banco de dados — é um mapa detalhado de como a expansão das commodities está diretamente associada a conflitos, violência e destruição ambiental. Ao organizar essa informação em escala inédita, o Observatório Socioambiental fortalece o controle social de forma a permitir que sociedade civil, pesquisadores e imprensa acessem e cruzem dados de forma independente. Os dados e análises podem também ser utilizados por gestores de políticas públicas e atores do sistema de Justiça para auxiliar na compreensão e tomada de decisões sobre dinâmicas territoriais, uso dos recursos naturais e defesa dos direitos humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também pressiona por mais transparência e responsabilidade nas cadeias produtivas, em um cenário de crescente cobrança internacional por rastreabilidade ambiental. E, principalmente, reposiciona o papel dos povos indígenas e comunidades locais como protagonistas na conservação dos territórios e no enfrentamento ao desmatamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa chega em um momento em que o Brasil se consolida como potência agrícola global, mas bate recordes históricos de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais.</span></p>
<p><b>Violência e desmatamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 2002 e 2023, a CPT documentou 89.583 conflitos sociais no campo brasileiro. Dentre eles, 30,9% foram de conflito pela terra, além de 12,9% dos casos estarem ligados a violência contra trabalhadores rurais, num quadro de assassinatos, tentativas de homicídio e ameaças de morte.  No mesmo período, o Pará registrou o maior número de ocorrências (15.383), seguido por Minas Gerais (8.479) e Maranhão (7.219).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale registrar que os estados com maior registro de conflitos sociais são, frequentemente, os com maior área de desmatamento. Também entre 2002 e 2023, o Pará teve 12,4 milhões de hectares desmatados, seguido por Mato Grosso (11,4 milhões de ha), Bahia (5,8 milhões de ha) e Maranhão (5,7 milhões de ha). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o que a plataforma revela é um padrão histórico: onde avança a fronteira agrícola, avançam também as violações. Assim, a Plataforma Socioambiental surge como ferramenta essencial para o fortalecimento do controle social  e o aprimoramento de políticas públicas.</span></p>
<p><b>Sobre o Observatório Socioambiental</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Observatório Socioambiental é um fórum da sociedade civil voltado a informar, qualificar e pautar o debate público sobre os impactos sociais e ambientais associados à produção de commodities agropecuárias no Brasil. Sua principal ferramenta, a Plataforma Socioambiental, consolida dados históricos e atuais para ampliar a transparência, fortalecer direitos e contribuir para a proteção dos territórios.</span></p>
<p>O lançamento da Plataforma Socioambiental será realizado no próxima segunda-feira (27), em conjunto com o Relatório de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra, a partir das 9h na s<span style="font-weight: 400;">ede da CNBB &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">Quadra SES 801 Conjunto B &#8211; Asa Sul, Brasília &#8211; DF.</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4mt0mOb-00" target="_blank" rel="noopener"> Acesse o link da transmissão no canal da CPT no Youtube</a>.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Serrinha do Paranoá e a luta pela água do Cerrado são temas de roda de conversa em Brasília</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/serrinha-do-paranoa-e-a-luta-pela-agua-do-cerrado-sao-temas-de-roda-de-conversa-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:56:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32959</guid>

					<description><![CDATA[O encontro teve objetivo de ampliar o debate público sobre a importância de proteger o bioma, que já perdeu 50% da vegetação nativa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, virou alvo de interesses que expõem a pressão sobre a região. Há algumas semanas, o local entrou na mira do Governo do Distrito Federal, que cogitou seu uso para capitalizar o Banco de Brasília (BRB), envolvido no caso de corrupção com o Banco Master. A área está listada entre nove imóveis públicos que podem ser destinados para cobrir os prejuízos causados pelos negócios com o banco privado.</p>
<p>O local, que fica situado entre o Varjão e o Paranoá, e abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado nativo, é considerado um manancial hídrico estratégico para o DF. Foi justamente esse cenário que reuniu pesquisadores e ativistas no Eixão do Lazer, em Brasília, no último domingo (22), Dia Mundial da Água. O evento integrou a campanha Cerrado, Coração das Águas e chamou a atenção para a importância do bioma na segurança hídrica do país.</p>
<p>Para a Presidente da Associação Preserva Serrinha, Lucia Mendes, a resposta começa pelo reconhecimento. &#8220;A maioria da população de Brasília nunca tinha ouvido falar da Serrinha do Paranoá. Para nós que somos moradores, ativistas que fazemos parte de uma comunidade organizada e que vêm há anos buscando conhecimento sobre aquele território, entendemos quando o território está ameaçado. Mas como você vai defender o que você não conhece?&#8221;, questionou.</p>
<figure id="attachment_32962" aria-describedby="caption-attachment-32962" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32962 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-2.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32962" class="wp-caption-text">A urgência de proteger a Serrinha do Paranoá, no Distrito Federal, esteve no centro do debate. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Cerrado: o protagonista esquecido</strong></p>
<p>A ameaça à Serrinha não é um caso isolado, o Cerrado como um todo segue sob intensa pressão, impulsionada pela expansão agropecuária e fragilidade da legislação ambiental. O pesquisador e diretor do Instituto Cerrados, Yuri Salmona, destacou na conversa que o papel do bioma é central e ainda assim é subestimado.</p>
<p>&#8220;O protagonista no provimento de água do Brasil é o bioma Cerrado. Isso é um fato científico, não é uma opinião. Oito das 12 bacias hidrográficas do Brasil são abastecidas com água que vem do Cerrado&#8221;, afirma.</p>
<p>Mesmo assim, o bioma segue sendo o mais desmatado do país pelo segundo ano consecutivo, superando a Amazônia. “Daqui a alguns anos todo mundo vai falar de boca cheia da importância de proteger o Cerrado. A questão é se vai dar tempo. Essa é uma pergunta que nos preocupa muito. Por quê essa pergunta é muito pertinente? Porque 50% do Cerrado, já foi desmatado”, explica.</p>
<p>A professora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da UnB, explicou o mecanismo que torna o Cerrado vital. Segundo ela, as raízes profundas da vegetação permitem acessar água mesmo durante a estação seca.</p>
<p>“Durante o auge da estação seca, o primeiro metro de solo do Cerrado está completamente seco. A vegetação do Cerrado, ela é tão resiliente, que começa a colocar as folhas novas antes do período chuvoso”, explica. “E o que isso significa? Que o Cerrado começa a retornar umidade para a atmosfera antes da chuva começar. Isso faz com que as massas úmidas que venham do norte do Brasil, consigam se transformar em chuva aqui”.</p>
<figure id="attachment_32963" aria-describedby="caption-attachment-32963" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32963 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Eixao-do-Lazer-Brasilia-Dia-Mundial-da-Agua-Cerrado-3.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32963" class="wp-caption-text">A mobilização contou com oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><strong>Quem protege</strong></p>
<p>A coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo, destacou a importância dos povos e comunidades tradicionais para a proteção do bioma. E citou grupos que mantêm uma conexão com o Cerrado, como as quebradeiras de coco babaçu , fecheiros de pasto, apanhadoras de sempre-vivas, raizeiros e os retireiros do Araguaia.</p>
<p>“Eles estão lá há muitas e muitas gerações, algumas até anteriores ao próprio estabelecimento do estado, e têm um papel muito importante na conservação do Cerrado, porque elas conseguem ter um modo de vida que permite que o Cerrado esteja lá”, explica. “É uma interação com a paisagem que permite que as águas fluam, que o carbono esteja láarmazenado, que a fauna possa permear e caminhar pelas áreas”, finaliza.</p>
<p><strong>Cerrado, Coração das Águas</strong></p>
<p>A roda de conversa no Dia Mundial da Água foi uma iniciativa da campanha Cerrado, Coração das Águas, que reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil. A inciativa contou com o apoio do Choro no Eixo. A proposta da campanha é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país.</p>
<p>Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundo Ecos abre chamada para projetos em territórios conservados por comunidades</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-abre-chamada-para-projetos-em-territorios-conservados-por-comunidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 16:15:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32943</guid>

					<description><![CDATA[O 47° Edital recebe propostas de organizações em Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs) no Cerrado e na Caatinga ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A chamada </span><b>Fortalecimento de Segurança Alimentar e Governança de Territórios de Comunidades do Cerrado e da Caatinga</b><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>47° Edital (n° 1/2026)</b><span style="font-weight: 400;"> do Fundo Ecos, mecanismo financeiro do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), está aberta para envio de projetos até dia 27 de abril de 2026, às 18h, horário de Brasília (DF). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital é voltado para as organizações inseridas no contexto de <strong>TICCAs – Territórios de Vida</strong>, um conceito internacional definido como territórios e áreas geridos, manejados e conservados por povos e comunidades tradicionais, indígenas ou locais. E precisam compreender três características: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">relação profunda com o território, ligada à identidade, cultura, espiritualidade e bem-estar; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">autonomia para tomar decisões e gerir o território; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">modos de vida que contribuem para a conservação da biodiversidade e valores sociais associados.</span></li>
</ul>
<p>Os projetos da chamada devem se enquadrar em pelo menos uma das seguintes linhas temáticas: (i) produção sustentável, segurança alimentar e tecnologias sociais; ou (ii) gestão territorial, fortalecimento organizacional e incidência política, com protagonismo de mulheres e/ou jovens.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recurso previsto para este edital é de R$1,3 milhão e apoiará exclusivamente a categoria de pequenos projetos, com valor máximo de R$130 mil por iniciativa, destinados prioritariamente a organizações em fase inicial de desenvolvimento, com pouca ou nenhuma experiência em gestão de projetos, visando incentivar e fortalecer suas ações. Cada organização poderá submeter apenas uma proposta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acesse o edital </span><a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-47-ticcas/"><b>aqui</b></a><span style="font-weight: 400;">, leia os itens com atenção antes do envio do projeto que deve ser feito por formulário online com link disponível na página do edital. A submissão deve seguir rigorosamente todas as questões do formulário que guiam essa elaboração de propostas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas atenção:</span> <span style="font-weight: 400;">o formulário não tem salvamento parcial, ele precisa ser preenchido de uma só vez. Faça um rascunho do seu projeto. Nos anexos na página do edital, está disponível o “roteiro offline” na versão .docx para ser utilizado como rascunho pela sua organização na hora de submeter a proposta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ajudar organizações comunitárias e demais interessados em desenvolverem inciativas com impactos ambientais e sociais, o ISPN tem uma série de vídeos que auxiliam na elaboração da proposta. Veja os vídeos </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=PLijMKiJgIFZExKj3TnlaS1PDRIgIr8Wgm&amp;si=JVStgSVGsiqccnZK"><b>aqui</b></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também, para entender melhor sobre TICCAs, o ISPN elaborou uma publicação que sistematiza estratégias de proteção de territórios conservados por comunidades tradicionais no Cerrado a partir das experiências do Fundo Ecos (antigo PPP-ECOS) e pode ser acessada </span><a href="https://ispn.org.br/publicacao/fortalecimento-de-areas-conservadas-por-comunidades-ticcas-no-brasil-a-experiencia-do-ppp-ecos/"><b>aqui</b></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32944" aria-describedby="caption-attachment-32944" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32944" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print.png" alt="" width="1600" height="762" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print.png 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-300x143.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-1024x488.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-768x366.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Print-1536x732.png 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-32944" class="wp-caption-text">Série de vídeos produzida pelo ISPN ajuda organizações comunitárias no processo de elaboração de projetos ecossociais. Foto: Captura de tela do Youtube</figcaption></figure>
<p><b>Recursos e abrangência do edital </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os recursos para apoiar os projetos são do Ministério do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMU) e da Iniciativa Internacional do Clima (IKI), sendo executados pelo ISPN em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chamada se insere na Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">Small Grants Programme (SGP)</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, que tem apoio financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), executado pelo ISPN em parceria com o PNUD. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São elegíveis propostas inseridas nas Paisagens Prioritárias dos biomas Cerrado e Caatinga apoiadas pela Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">SGP</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Confira a seguir os municípios de abrangência das paisagens prioritárias do edital , que foram pactuadas nas Oficinas de Consultas previamente realizadas com parceiros locais  dos territórios: </span></p>
<ul>
<li style="list-style-type: none;">
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Alto Rio Poti, Piauí (PI)</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; municípios de Pedro II, Milton Brandão, Juazeiro do Piauí;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Cerrado Sul Maranhense, Maranhão (MA)</b><span style="font-weight: 400;"> – municípios de Balsas, Carolina, Riachão, São Raimundo das Mangabeiras, Sambaíba, Loreto, São Domingos do Azeitão, São Félix de Balsas, Benedito Leite, Tasso Fragoso e Alto Parnaíba.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Kaiowá e Guarani, Mato Grosso do Sul (MS) </b><span style="font-weight: 400;">– municípios de Antônio João, Bela Vista, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Rio Brilhante, Dourados, Douradina, Caarapó, Amambaí e Itaporã.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Oeste da Bahia:</b></li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><b>&#8211; Bacia hidrográfica do Rio Corrente (BA)</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; municípios de Correntina, Santa Maria da Vitória e Coribe;</span></p>
<p><b>&#8211; Oeste da Bahia, Bacia Hidrográfica do Rio Grande (BA)</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; município de Formosa do Rio Preto, Barreiras, São Desidério.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a assessora técnica do ISPN, a engenheira florestal Jessica Pedreira, a definição das áreas de abrangência do edital busca potencializar as iniciativas nas paisagens prioritárias, fortalecendo os territórios e ampliando os impactos das ações em curso na Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">SGP</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pactuamos com os parceiros locais nos territórios a abrangência das paisagens prioritárias da Oitava Fase Operacional, e ao direcionar o apoio do edital para esses territórios, conseguimos fortalecer processos que já estão em andamento e promover resultados mais consistentes e duradouros junto às comunidades”, destaca.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_32946" aria-describedby="caption-attachment-32946" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32946" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058.png" alt="" width="1920" height="1280" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058.png 1920w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9058-1536x1024.png 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><figcaption id="caption-attachment-32946" class="wp-caption-text">Mulheres Guarani e Kaiowá durante intercâmbio na Terra Indígena Rio Pindaré no Maranhão. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Sobre o Fundo Ecos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Fundo Ecos, mecanismo financeiro do ISPN, integra a estratégia da instituição voltada à promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais, atuando como um instrumento de ampliação do acesso a recursos por iniciativas comunitárias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com mais de 30 anos de atuação, o Fundo Ecos apoia projetos que fortalecem o protagonismo das comunidades, incentivando meios de vida sustentáveis, a conservação ambiental e ações de adaptação às mudanças do clima. Ao longo desse percurso, o Fundo já destinou mais de 31 milhões de dólares para mais de mil iniciativas, apoiando diretamente organizações de base comunitária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Saiba mais sobre o Fundo Ecos no site: </span><a href="https://fundoecos.org.br/"><span style="font-weight: 400;">fundoecos.org.br</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Intercâmbio entre povos indígenas fortalece estratégias de restauração e defesa dos territórios</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Tiemi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 14:51:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32923</guid>

					<description><![CDATA[Encontro entre lideranças do Mato Grosso do Sul e do Maranhão promove troca de saberes, articula resistência e impulsiona a recuperação de áreas degradadas diante da ausência do Estado e da pressão do agronegócio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma longa viagem de quase três mil quilômetros levou um grupo de indígenas Guarani-Kaiowá do Mato Grosso do Sul rumo aos territórios indígenas Ka’apor e Guajajara, no Maranhão. Na jornada eram oito mulheres e um homem com expectativas bem parecidas. A viagem teve um objetivo claro:<strong> trocar saberes sobre proteção da natureza e fortalecer estratégias para restaurar territórios devastados</strong>. Para eles, o encontro também representou um sonho coletivo: <strong>ver novamente florestas em pé e territórios livres</strong>. Uma paisagem que está apenas na memória dos anciãos Guarani-Kaiowá.</p>
<p>Os participantes vivem em <strong>áreas de retomada — territórios tradicionais em disputa</strong>, que são auto demarcados diante da ausência do Estado em garantir o território ancestral. No Mato Grosso do Sul, essas retomadas reivindicam o direito de existir em terras sagradas, hoje profundamente degradadas pelo avanço do agronegócio.</p>
<blockquote><p>“<em>O agro planta soja, milho, joga veneno. Devido a esse envenenamento, no nosso território já não existem mais plantas medicinais, já não existem mais árvores nativas, já não existe mais nascente, está secando. Tem algumas que já secaram bastante, já não existem mais os peixes, o remédio. Muitas coisas estão gerando mais doenças, a gente está passando por mais problemas de saúde</em>”, relata Clara Lúcia, indígena Guarani-Kaiowá.</p></blockquote>
<p>Diante desse cenário, além da luta pelo reconhecimento e pela demarcação das terras, os Guarani-Kaiowá também enfrentam o desafio de<strong> recuperar o que foi destruído</strong>. A <strong>restauração biocultural dos territórios</strong> garante a proteção da terra e das águas, fortalece a segurança alimentar nas aldeias, possibilita o acesso a plantas medicinais, protege os animais e contribui para o equilíbrio dos modos de vida e da espiritualidade.</p>
<p>Nas áreas de retomada, o cultivo da terra também tem um significado político. A presença de roças, viveiros e florestas em recuperação ajuda a <strong>legitimar as retomadas indígenas</strong> e pode ser considerada em processos judiciais de demarcação.</p>
<figure id="attachment_32928" aria-describedby="caption-attachment-32928" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32928 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9240-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32928" class="wp-caption-text">Visita às roças da Aldeia Piçarra Preta, em Bom Jardim, no Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<h3>Cerrado ameaçado</h3>
<p>O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cobrindo cerca de 24% do território nacional, uma área de aproximadamente 2 milhões de km que atravessam 13 estados brasileiros. Um bioma vital para regulação hídrica. Por isso, é considerado o <strong>coração das águas do Brasil</strong>. Dados do MapBiomas mostram que entre 1985 e 2024, o Cerrado perdeu<strong> 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa</strong>, o equivalente a 28% de sua cobertura original.</p>
<p>A pesquisa também mostra que as atividades agropecuárias cresceram 74%, a área de pastagem 14,7 milhões de hectares, atingindo seu pico em 2007, com 54,5 milhões de hectares no mesmo período.</p>
<p>Apesar de ser considerada a savana mais biodiversa do mundo, <strong>mais da metade do Cerrado já foi desmatada</strong>, principalmente pela expansão do agronegócio. A devastação provoca desertificação, escassez de água e aumenta a vulnerabilidade social das comunidades tradicionais que dependem do bioma.</p>
<blockquote><p>“<em>O nosso Cerrado foi todo devastado devido ao agro. A gente não tem mais as plantas nativas, as árvores e as frutas</em>”, afirma Maristela.</p></blockquote>
<h3>Aliança entre Povos</h3>
<p>Além das iniciativas de restauração, os povos indígenas têm fortalecido<strong> redes de articulação em âmbito nacional</strong>, promovendo encontros, intercâmbios e trocas de experiências. Essas conexões permitem compartilhar estratégias de resistência e reforçar a<strong> luta coletiva pelo direito à terra</strong>.</p>
<blockquote><p><em>“A nossa luta e a luta deles são iguais. Porque a gente luta pelos nossos direitos às terras indígenas. A terra para nós é muito preciosa. A terra é a Mãe Terra, e nós não vivemos sem a terra. Nós não vivemos sem as águas</em>”, afirma Edite Guarani.</p></blockquote>
<p>Inspiradas nessa confluência entre povos, as mulheres Guarani-Kaiowá visitaram as Terras Indígenas Alto Turiaçu e Rio Pindaré, no Maranhão, onde foram recebidas pelos povos Ka’apor e Guajajara. O objetivo era conhecer<strong> experiências locais de proteção, conservação e restauração territorial</strong>.</p>
<p>O intercâmbio contou com apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), por meio do projeto Cerrativistas: Mulheres das Águas, implementado com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF). O projeto promoveu uma <strong>formação voltada ao fortalecimento de lideranças de povos e comunidades tradicionais do Cerrado</strong>. Entre as 30 mulheres participantes do curso, cinco eram indígenas Guarani-Kaiowá, que desenvolveram projetos de coleta de sementes e produção de mudas voltadas à restauração dos territórios onde vivem.</p>
<figure id="attachment_32926" aria-describedby="caption-attachment-32926" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32926 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8441-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32926" class="wp-caption-text">Visita às matas preservadas nos territórios da TI Alto Turiaçu. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<h3>Aprendizados na floresta</h3>
<p>Durante a visita ao Maranhão, as indígenas Guarani-Kaiowá caminharam por florestas nativas e áreas em processo de restauração, coletaram sementes e mudas, beberam água de cipó, se banharam em rios amazônicos e experimentaram açaí puro pela primeira vez.</p>
<blockquote><p>“<em>Eu vim para cá para conhecer a aldeia deles, a experiência deles, como eles têm trabalhado, como eles têm aquela vontade de reflorestar o que já tinham perdido. Para nós é uma experiência que vamos levar para o nosso estado. Lá no Mato Grosso do Sul, a nossa área é bem terra nua mesmo, não tem quase nada</em>”, conta Ifigeninha Hirto Kaiowá.</p></blockquote>
<p>Odenilda Hirto Kaiowá também destacou as <strong>estratégias de proteção territorial </strong>adotadas pelos Ka’apor.</p>
<blockquote><p>“A preservação que eles fazem, o monitoramento, tudo isso eu vi lá. Quando as queimadas fizeram estrago, eles cuidaram e a floresta começou a nascer novamente.”</p></blockquote>
<p>Para Maristela Aquino, do povo Guarani Nhandeva, a troca de experiências fortalece a luta coletiva.</p>
<blockquote><p>“<em>Essa experiência foi muito importante para a gente voltar para o Mato Grosso do Sul e entender que precisamos reforçar a luta. Apoiar os territórios de retomada, seja com sementes, seja ensinando a ter viveiros de mudas, porque o contexto aqui é outro, é um contexto devastado</em>.”</p></blockquote>
<p>O intercâmbio também evidenciou diferenças entre os biomas. Enquanto os povos Ka’apor e Guajajara vivem na Amazônia, as retomadas Guarani-Kaiowá estão localizadas no Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil.</p>
<h3>Espiritualidade e resistência</h3>
<figure id="attachment_32925" aria-describedby="caption-attachment-32925" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32925 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-8405-1.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32925" class="wp-caption-text">Indígenas Guarani-Kaiowá em imersão nas matas da Aldeia Piçarra Preta, no Maranhão. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Entre os Guarani-Kaiowá, a relação com a terra envolve <strong>dimensões materiais e espirituais inseparáveis</strong>. A natureza é entendida como um conjunto de seres vivos e espirituais com os quais os humanos estabelecem relações de respeito, cuidado e reciprocidade.</p>
<p>A vida Guarani-Kaiowá está profundamente integrada ao ambiente natural, em sua sociabilidade que atravessa planos materiais e imateriais. Os seres que habitam essas duas dimensões interagem continuamente, em relações que expressam respeito e interdependência entre humanos, animais, plantas e demais elementos da natureza. Por isso, a restauração do lar dos Guarani-Kaiowá, o bioma Cerrado, vai além da recuperação de recursos naturais. <strong>Trata-se de reconstruir vínculos culturais e espirituais ligados ao Tekohá</strong>, o território onde a vida coletiva se organiza. Além do Cerrado, os Guarani-Kaiowá também ocupam a Mata Atlântica. Na dimensão espiritual, o Tekohá abrange a terra, as florestas, os campos, as águas, as plantas e os remédios da natureza.É nesse espaço que o modo de vida dos Guarani-Kaiowá se desenvolve e ganha sentido.</p>
<p>Nesse território, também se estabelece a relação com os Tekojara, os guardiões dos “modos de ser”. Essas entidades espirituais habitam diferentes planos, tangíveis e intangíveis &#8211; e cuidam dos elementos da natureza, como animais, vegetais, minerais, águas, organizando o <strong>equilíbrio do Tekohá</strong>, lugar onde a vida se expressa.</p>
<figure id="attachment_32924" aria-describedby="caption-attachment-32924" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32924 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/20251209_145331-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32924" class="wp-caption-text">Banho nas águas do Rio Pindaré. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>“<em>Nós precisamos do nosso território para continuar a cuidar da nossa natureza legítima, que é criada por deus, Tekojara, como falamos na minha língua. Por isso estamos saindo para defender</em>”, explica o líder indígena, Bonifácio Reginaldo.</p>
<p>“<em>Ka&#8217;aguy, na minha língua, mato, ele tem dono. Fizemos reza ali na frente para entrar aqui, pedindo proteção das matas. Tudo tem dono. Para cortar uma planta, pedimos permissão. Para retomarmos a terra também precisamos pedir para ele nos dar o território</em>”, diz Bonifácio.</p>
<p>Essa dimensão espiritual, no entanto, tem enfrentado novas ameaças. De acordo com relatos de lideranças e organizações indígenas, a expansão de igrejas neopentecostais nas comunidades tem provocado <strong>conflitos religiosos e episódios de violência</strong> contra casas de reza e lideranças espirituais.</p>
<p>“<em>Aqui no Mato Grosso do Sul, as igrejas evangélicas vêm com muita força e desestruturam os territórios. É outro pensamento, outra forma de entender o mundo. Acaba apagando a memória dos ancestrais, das nossas rezadoras e rezadores</em>”, relata Maristela.</p>
<h3>Terras demarcadas também sofrem pressão</h3>
<figure id="attachment_32927" aria-describedby="caption-attachment-32927" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32927 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/BrunaBraz-9341.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32927" class="wp-caption-text">Vivências na sede da Aldeia Piçarra Preta. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Mesmo em territórios já demarcados, a segurança não está garantida. Cacique Pedro Viana Guajajara, da aldeia Piçarra Preta,Terra Indígena Rio Pindaré, relata que as invasões continuam ocorrendo.</p>
<p>“Mesmo tendo o território demarcado, sempre tem frustrações. O pessoal quer invadir, entra dentro do território e causa angústia. Ainda vêm ataques.”</p>
<p>Nesse contexto, a troca de experiências entre diferentes povos se torna uma <strong>ferramenta importante de resistência frente à violência e o preconceito</strong>.</p>
<h3>Juventude e futuro</h3>
<figure id="attachment_32929" aria-describedby="caption-attachment-32929" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32929 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9279.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32929" class="wp-caption-text">Mulheres da Aldeia Piçarra Preta, no município de Bom Jardim, Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>A juventude indígena também desempenha <strong>papel central nesse processo</strong>. Daniela Almeida Kaiowá, de 17 anos, viajou de avião pela primeira vez para participar do intercâmbio.</p>
<p>“As plantas que eu trouxe, açaí e outros, mandioca, eu já plantei também. Agora mesmo está chovendo. Já está dando, daqui a pouco já vai dar”, conta.</p>
<p>Para muitos jovens das retomadas, o contato com plantas nativas é algo recente, já que cresceram em áreas onde a vegetação original foi quase completamente destruída.</p>
<p>Plantar, nesses territórios, é um gesto de reconstrução. Significa restaurar a natureza, imaginar o futuro e reafirmar a permanência indígena na terra dos ancestrais. <strong>Restaurar para demarcar e demarcar para restaurar</strong>: essa é a simbiose que sustenta o futuro do Cerrado. A partir da restauração biocultural, do fortalecimento da juventude e das alianças entre povos, os Guarani-Kaiowá seguem abrindo caminhos de resistência.</p>
<blockquote><p>“Nós, jovens, somos o futuro para as gerações. Devemos fortalecer nosso modo de viver e existir, levando força no lugar dos nossos anciãos, que já não estão mais aguentando. É a nossa vez de aprender mais para cuidar da natureza e das florestas”, afirma Manoela Almeida Kaiowá, também de 17 anos.</p></blockquote>
<figure id="attachment_32930" aria-describedby="caption-attachment-32930" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32930 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1024x683.png" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1024x683.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-300x200.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-768x512.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289-1536x1024.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Daniela_Almeida_Kaiowa_Maranhao_2025-9289.png 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32930" class="wp-caption-text">Os saberes ancestrais presentes em várias gerações na Aldeia Piçarra Preta, Terra Indígena Pindaré, Maranhão. Foto: Daniela Almeida Kaiowá. Acervo/ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial da Água: campanha alerta para a importância do Cerrado na segurança hídrica do país</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/dia-mundial-da-agua-campanha-alerta-para-a-importancia-do-cerrado-na-seguranca-hidrica-do-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[leticia@ispn.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 17:43:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32912</guid>

					<description><![CDATA[Campanha Cerrado Coração das Águas promove ação no dia 22 de março para debater a importância do bioma para o Distrito Federal e o país]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No próximo dia 22 de março, quando se celebra o Dia Mundial da Água, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) se soma a organizações parceiras para reforçar um alerta urgente: o bioma Cerrado, responsável por abastecer grande parte do território brasileiro, está perdendo suas águas.</p>
<p>Como parte da campanha Cerrado, Coração das Águas, será realizada uma mobilização em Brasília (DF), no Eixão do Lazer (altura da 204 Norte), a partir das 10h30. A programação inclui uma roda de conversa sobre o papel estratégico do bioma na segurança hídrica e uma oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público.</p>
<p>O evento reúne diversas organizações socioambientalistas como ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil, com o objetivo de ampliar o debate público sobre a importância do Cerrado como um verdadeiro “coração das águas”, responsável por alimentar grandes bacias hidrográficas do país.</p>
<h2>Cerrado sob pressão</h2>
<p>Dados recentes evidenciam a gravidade da situação. <a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/48441?locale=en" target="_blank" rel="noopener">Estudo conduzido pelo pesquisador Yuri Salmona</a> (UnB) analisou 81 bacias hidrográficas do Cerrado entre 1985 e 2022 e identificou redução da vazão em 88% delas. Segundo a <a href="https://cerrado.ambiental.media/pt/?_gl=1*z7cltr*_ga*NTQ4NzgwODI2LjE3NTA3MTk3NDA.*_ga_9F6ZEN5Q5P*czE3NTA3MjIyMDIkbzIkZzEkdDE3NTA3MjIyMDIkajYwJGwwJGgw" target="_blank" rel="noopener">Ambiental, agência de jornalismo baseado em ciência e dados</a>, seria o equivalente a esvaziar 30 piscinas olímpicas de água por minuto desde a década de 1970. A projeção é de perda de até 35% das reservas hídricas do bioma até 2050.</p>
<p>A principal causa está associada às mudanças no uso da terra, especialmente ao desmatamento e à expansão da fronteira agropecuária. Segundo dados do MapBiomas, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado já foi suprimida.</p>
<p>Entre os casos mais críticos está a bacia do Rio São Francisco, cuja vazão mínima de segurança caiu pela metade nas últimas décadas. A substituição da vegetação nativa por monoculturas e pastagens tem impacto direto na recarga hídrica e na manutenção dos rios.</p>
<p>Além disso, o uso intensivo da água para irrigação &#8211; que representa mais da metade do consumo hídrico nacional, segundo a Agência Nacional de Águas &#8211; aumenta ainda mais a pressão sobre os recursos disponíveis.</p>
<h2>Contaminação e impactos sociais</h2>
<p>O cenário de escassez é agravado pela contaminação das águas. O uso intensivo de agrotóxicos no Cerrado afeta diretamente a qualidade da água e a saúde das populações locais. Comunidades tradicionais, que historicamente protegem o bioma, estão entre as mais impactadas. No Cerrado, <a href="https://dados.tonomapa.org.br/" target="_blank" rel="noopener">2.600 comunidades, distribuídas em 480 municípios</a>, que desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade.</p>
<p>Relatos de territórios no oeste da Bahia apontam para o desaparecimento de nascentes, redução do nível dos aquíferos e aumento de problemas de saúde associados à exposição a substâncias químicas.</p>
<figure id="attachment_32915" aria-describedby="caption-attachment-32915" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32915 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-1024x683.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Fellipe-Abreu-Correntina-2024-WEB-129.jpg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-32915" class="wp-caption-text">Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia. Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p>Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia, manifesta preocupação com a morte de nascentes na região. “Nossa comunidade está aqui há pelo menos 300 anos. Nos últimos 50, a comunidade perdeu 97% de sua extensão para a grilagem e empresas do agronegócio, e 60 nascentes já morreram”, afirma. Além do desaparecimento das nascentes, verifica-se também a redução do nível da água do lençol freático.</p>
<blockquote><p>“A água é o sangue da terra. Assim como a gente precisa do sangue para viver, a água é o que faz brotar a vida no Cerrado. Cada árvore que é derrubada e cada nascente que morre é um pouco da gente que acaba secando também. Pensamos nas vidas que dependem daquela nascente, em toda fauna e flora que deixam de existir porque perdem sua fonte de água”, completa Elizete.</p></blockquote>
<p>Para o ISPN, reconhecer e proteger os territórios de povos e comunidades tradicionais é uma estratégia fundamental para conservar o Cerrado. Esses grupos estão presentes em milhares de comunidades e desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;Sob uma perspectiva que valoriza a soberania nacional, reconhecer os territórios dos povos e das comunidades tradicionais do Cerrado é um passo estratégico para conservar a biodiversidade do bioma para a segurança hídrica e climática do país”, destaca a coordenadora do Programa Cerrado, Isabel Figueiredo.</p></blockquote>
<h2>Serrinha do Paranoá em alerta</h2>
<p>A campanha também chama atenção para a situação da Serrinha do Paranoá, área localizada no Distrito Federal que abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado. A comunidade está recolhendo <a href="https://www.change.org/p/proteja-a-serrinha-do-parano%C3%A1" target="_blank" rel="noopener">assinaturas aqui</a> pela proteção permanente da Serrinha.</p>
<p>A possibilidade de destinação da área para fins de capitalização do Banco de Brasília, envolvido no caso de corrupção no Banco Master, levanta preocupações entre organizações socioambientais. A região integra a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central e desempenha papel relevante na segurança hídrica do Lago Paranoá.</p>
<h2>Cerrado, Coração das Águas</h2>
<p>A campanha Cerrado, Coração das Águas reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IIEB e WWF-Brasil. A proposta é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país.</p>
<p>Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-32917" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-300x191.png" alt="" width="300" height="191" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-300x191.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-1024x653.png 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-768x490.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-1536x980.png 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Assinaturas-RGB_Cerrado-Coracao-das-Águas_Assinatura-Principal_Cor-Sol-2048x1306.png 2048w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<h2>Serviço</h2>
<p><strong>Roda de conversa: Do Cerrado à sua torneira &#8211; proteção integral da Serrinha do Paranoá</strong><br />
Data: 22 de março (domingo)<br />
Horário: 10h30 às 12h<br />
Local: Eixão do Lazer, Choro no Eixo, altura da 204 Norte – Brasília (DF)</p>
<p><strong>Oficina de lambe-lambe – Cerrado, Coração das Águas</strong><br />
Horário: 12h30 às 13h30<br />
Mesmo local<br />
A atividade é aberta ao público e convida todas e todos a refletirem sobre o papel do Cerrado na garantia da água, hoje e no futuro.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundo Ecos divulga projetos selecionados no edital 45°</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-divulga-projetos-selecionados-no-edital-45/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 20:18:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=32889</guid>

					<description><![CDATA[Iniciativas promovem produção sustentável, valorização cultural e autonomia de comunidades em territórios do Cerrado e da Caatinga]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um total de 26 projetos foi selecionado na chamada do Fundo Ecos, voltada ao apoio de iniciativas de organizações da sociedade civil (OSCs) e organizações de base comunitária (OBCs) nos biomas Cerrado e Caatinga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://fundoecos.org.br/editais/45o-edital-cerrado-e-caatinga/"><span style="font-weight: 400;">45º edital (nº 2 de 2025)</span></a><span style="font-weight: 400;"> apoia propostas que buscam promover práticas socioeconômicas sustentáveis, contribuindo para o bem-estar das comunidades e gerando benefícios ambientais globais. As iniciativas selecionadas valorizam cadeias da sociobiodiversidade e promovem a conservação dos territórios, das culturas e dos saberes tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chamada contemplou duas categorias de apoio. Na categoria pequenos projetos, 15 iniciativas receberão até R$ 150 mil cada, voltadas a organizações em fase inicial de desenvolvimento que necessitam de recursos para fortalecer suas ações. Já na categoria projetos de consolidação, 11 iniciativas contarão com apoio de até R$ 250 mil para ampliar a escala de atuação de organizações que já apresentam resultados e impactos positivos comprovados. Confira o resultado abaixo:</span></p>
<pre><b>PEQUENOS PROJETOS 
</b></pre>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><strong>Nome </strong></td>
<td><strong>Organização Proponente</strong></td>
<td><strong>Estado</strong></td>
<td><strong>Bioma </strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Sistema agroflorestal: ACOMAF-TABOCA</td>
<td>Associação Comunitária dos Moradores e Agricultores Familiares do Povoado Taboca</td>
<td>Alagoas</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Quintais Produtivos Agroecológicos</td>
<td>Associação dos Moradores de Maracajá</td>
<td>Ceará</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Raízes do Sertão: Quintais Produtivos e Sistemas Agroflorestais para a Sustentabilidade no Vale do Canindé</td>
<td>Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Localidade Estreito</td>
<td>Piauí</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Nutrindo a terra, alimentando o povo: práticas e saberes Xukuru-Kariri no fortalecimento da Caatinga</td>
<td>Associação Indígena do Grupo Wpyra-Swpirá</td>
<td>Alagoas</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Regeneração Etnoecológica do Quilombo de Serra Negra e requalificação de seu sítio arqueológico no entorno do Parque Nacional da Chapada Diamantina</td>
<td>Grupo Ambientalista de Palmeiras</td>
<td>Bahia</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Elas em Rede: Fortalecimento de Grupos de Mulheres e Agroecologia nos Territórios de Babaçuais</td>
<td>Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Semeando resiliência: Fortalecimento e defesa dos modos de produção para a permanência das famílias e jovens de forma digna em seus locais de origem</td>
<td>Associação Comunitária dos Pequenos Agricultores de Baixa Grande e Arredores</td>
<td>Bahia</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Tecendo Histórias: Identidade, Saberes e Resistência das Fiandeiras e Tintureiras de Talismã</td>
<td>Associação Anjos da Selva</td>
<td>Tocantins</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Zum, Zum, Zum Ecológico. “Jovens Apicultores do Cerrado. Cultivando o Futuro com abelhas”.</td>
<td>Associação comunitária e Educacional Ribinha Rego</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Projeto Sol que Transforma: Mulheres do Cerrado Produção Sustentável, Energia Limpa e Bioeconomia o Caminho para Assegurar o Futuro</td>
<td>Associação dos Agricultores da Nova Descoberta</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Delícias do Babassu: Fortalecimento da Agroindústria Comunitária das Mulheres Rurais Quilombolas de Pedrinhas</td>
<td>Clube de Mães Trabalhadoras Rurais Quilombolas Lar de Maria</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Mulheres da Peneira – Casa da Farinha e da Memória Quilombola de Dona Nair</td>
<td>Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida</td>
<td>Goiás</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Ró Tsoreptuna: Mapear o território, Conservar o Cerrado e Consultar os A’uwé Xavante</td>
<td>Flor de Ibez &#8211; Instituto de Vida Integral</td>
<td>Mato Grosso</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Produção Sustentável de Biogás e Biofertilizantes a partir de Resíduos de Mandioca em Biodigestor de Baixo Custo como Alternativa Energética e Ambiental para Agricultores Familiares</td>
<td>Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins</td>
<td>Tocantins</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Areias Pedagógicas do Cerrado</td>
<td>União das Associações das Escolas Famílias Agrícolas do Maranhão</td>
<td>Maranhão</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><b>PROJETOS DE CONSOLIDAÇÃO </b></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><strong>Nome </strong></td>
<td><strong>Organização Proponente </strong></td>
<td><strong>Estado</strong></td>
<td><strong>Bioma </strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Terra Viva, Mesa Farta: Cultivo Sustentável com Segurança Alimentar</td>
<td>Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Comunidade Vereda</td>
<td>Piauí</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Caatinga que Produz: Juventude, saberes e sociobiodiversidade fortalecendo a associação JOCA e o território</td>
<td>Associação Slow Food do Brasil</td>
<td>Rio Grande do Norte</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Pajeú Agroecológico</td>
<td>Diaconia</td>
<td>Pernambuco</td>
<td>Caatinga</td>
</tr>
<tr>
<td>Todos pelo Rio Mosquito – Fase II: Tecendo Redes pelo Bem Viver</td>
<td>Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha</td>
<td>Minas Gerais</td>
<td>Caatinga e Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Rota Caminhos da Agroecologia II &#8211; Garantindo os direitos de Povos e Comunidades Tradicionais</td>
<td>Associação do Centro de Tecnologia Alternativa</td>
<td>Mato Grosso</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Fortalecimento Organizacional de Mulheres Indígenas no Cerrado: produção sustentável e gestão territorial para segurança alimentar</td>
<td>Associação dos Povos Tradicionais e Indígenas da Comunidade Laranjeiras</td>
<td>Piauí</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Fortalecendo e ampliando Iniciativas Produtivas Sustentáveis desenvolvidas por comunidades rurais em Áreas de Proteção Ambiental no Cerrado Tocantinense.</td>
<td>Associação Onça D’água de apoio à Gestão e ao Manejo das Unidades de Conservação do Tocantins</td>
<td>Tocantins</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Cozinha Quilombola Kalunga: Saberes, Sabores e Autonomia das Mulheres para a Conservação do Cerrado</td>
<td>Associação Quilombola Kalunga</td>
<td>Goiás</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Nossas Plantas, Nossa Saúde</td>
<td>Cáritas Diocesana de Goiás (CDG)</td>
<td>Goiás</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>IÊ Baru: Inteligência Econômica e Ecológica da Cadeia do Baru no Cerrado</td>
<td>Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge</td>
<td>Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
<tr>
<td>Na Chapada das Veredas: mulheres que transformam!</td>
<td>Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica</td>
<td>Minas Gerais</td>
<td>Cerrado</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: center;"><a href="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Projetos-selecionados-45o-edital-Fundo-Ecos.pdf"><strong>Confira mais informações dos projetos selecionados</strong></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As iniciativas selecionadas estão voltadas ao fortalecimento de povos e comunidades tradicionais, da agricultura familiar e de práticas produtivas sustentáveis em diferentes territórios, com protagonismo de mulheres e jovens. Há destaque para temas como agroecologia, quintais produtivos, sistemas agroflorestais, fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade e valorização cultural”, explica o coordenador do programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chamada prevê cerca de R$ 5 milhões a projetos no âmbito da Oitava Fase Operacional do </span><i><span style="font-weight: 400;">Small Grants Programme</span></i><span style="font-weight: 400;"> (SGP) no Brasil, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). </span></p>
<figure id="attachment_32891" aria-describedby="caption-attachment-32891" style="width: 1920px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32891" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19.jpg" alt="" width="1920" height="1280" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19.jpg 1920w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Camila-Araujo-EFA-Rio-Peixe-WEB-19-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><figcaption id="caption-attachment-32891" class="wp-caption-text">Mulheres e jovens lideram iniciativas que promovem inovação comunitária. Foto: Camila Araujo/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Próximos passos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As organizações selecionadas receberão comunicados do ISPN para a condução dos trâmites necessários e a mobilização dos pontos focais responsáveis pelas iniciativas. Os projetos também participarão de oficinas iniciais de orientação e contarão com o acompanhamento da equipe do Fundo Ecos durante a execução das ações, que poderá ocorrer por até 18 meses.</span></p>
<p><b>Sobre o Fundo Ecos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Fundo Ecos, mecanismo financeiro do ISPN, é parte fundamental da estratégia de atuação da organização para a promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais, sendo um instrumento de democratização do acesso a recursos para projetos comunitários.</span></p>
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<article class="text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]" dir="auto" tabindex="-1" data-turn-id="request-69b46df1-fd48-83e9-bea5-9a2630139914-1" data-testid="conversation-turn-40" data-scroll-anchor="true" data-turn="assistant">
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<div class="markdown prose dark:prose-invert w-full wrap-break-word light markdown-new-styling">
<p data-start="88" data-end="473" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Implementado há mais de 30 anos pelo ISPN, o Fundo Ecos apoia iniciativas que fortalecem o protagonismo comunitário, promovendo meios de vida sustentáveis, conservação ambiental e estratégias de adaptação às mudanças do clima. Ao longo de sua trajetória, já apoiou mais de mil projetos, com repasses superiores a 31 milhões de dólares diretamente para organizações de base comunitária.</p>
</div>
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</article>
</div>
<p><b>Acompanhe mais sobre o Fundo Ecos </b><a href="https://fundoecos.org.br/"><b>aqui</b></a><b>. </b></p>
<figure id="attachment_32892" aria-describedby="caption-attachment-32892" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32892" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Nova-Conquista-II-03-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption id="caption-attachment-32892" class="wp-caption-text">Projetos selecionados valorizam cadeias da sociobiodiversidade e promovem a conservação dos territórios, culturas e saberes tradicionais. Foto: Acervo da Associação de Agricultores e Agricultoras do Assentamento Nova Conquista II</figcaption></figure>
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