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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<item>
		<title>Profetas do tempo: sabedoria, sinais e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 11:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Primeiro episódio:  A cultura cria raízes
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33300" aria-describedby="caption-attachment-33300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-33300" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg" alt="O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33300" class="wp-caption-text">O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na beirada da Caatinga, no extremo norte do Nordeste brasileiro, </span><span style="font-weight: 400;">o passado se faz presente em pinturas rupestres milenares e na sabedoria passada de pai para filho, de observar os ciclos da natureza para anunciar a chegada das chuvas. Desde os sinais deixados nas pedras pelos primeiros habitantes da América Latina, às previsões certeiras dos Profetas da Chuva, as comunidades do interior do Piauí escrevem seu próprio tempo, e hoje mesclam conhecimento ancestral e tecnologias sociais para prosperar no semiárido. Esta é a história de um Brasil profundo que, em vez de somente esperar pela chuva, aprendeu a plantar o seu amanhã.</span></p>
<figure id="attachment_33301" aria-describedby="caption-attachment-33301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-33301 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg" alt="Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33301" class="wp-caption-text">Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti faz parte de uma região única, onde o tempo é ditado pelas águas. As chuvas iniciam</span> <span style="font-weight: 400;">em meados de</span> <span style="font-weight: 400;">janeiro e duram de três a quatro meses, e este ano se estenderam especialmente até maio. A biodiversidade ocorre em meio a grandes formações rochosas, baixadas sazonalmente úmidas e a transição com a Zona dos Cocais, com a rica presença das palmeiras carnaúba e babaçu. O rio Poti rompe a barreira natural da Serra da Ibiapaba para chegar na região, num trecho marcado por litígio territorial entre o Ceará e o Piauí, revelando uma intersecção da Caatinga com o Cerrado e fragmentos de Mata Atlântica, os chamados </span><i><span style="font-weight: 400;">brejos de altitude</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva José Inácio da Silva vive na Comunidade Cachoeira Grande, na cidade de Poranga, no Ceará, e cruza a divisa para visitar os profetas da Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, no Piauí. Juntos, eles ela</span><span style="font-weight: 400;">boram previsões climáticas pela observação minuciosa do ecossistema, como o comportamento dos pássaros, sapos, formigas, preás, e outros animais, além  dos mais singelos sinais da natureza presentes na rota dos ventos, nas estrelas e fases da lua, criando uma cosmografia geográfica rica em simbologias</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta terra de ciclos de vida extremos, a série de reportagem </span><i><span style="font-weight: 400;">Profetas do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce de uma imersão documental encomendada pelo Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) com apoio do <a href="https://ispn.org.br/editais/" target="_blank" rel="noopener">Fundo Global para Meio Ambiente (GEF)</a>, para criação de um banco de imagens sobre a Caatinga. Mas as histórias fotografadas mostram muito mais do que o bioma exclusivamente brasileiro, mostram uma realidade viva e palpável, percebida na fartura tecida por sua gente e uma relação profunda com a terra, um testemunho de adaptação e da reincidência cultural de práticas que sustentam a própria vida.</span></p>
<figure id="attachment_33302" aria-describedby="caption-attachment-33302" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-33302" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33302" class="wp-caption-text">Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elas, a cultura da mandioca se destaca como um saber transmitido há gerações. Ao amanhecer, na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, esse conhecimento se torna concreto pelas mãos de Gonzaga Ferreira e seu sobrinho Lázaro, que colabora em tarefas leves durante a colheita, limpando a terra das raízes arrancadas do solo. É o início do grande dia da </span><i><span style="font-weight: 400;">farinhada</span></i><span style="font-weight: 400;">: um ritual coletivo que se desenrola em várias etapas até o anoitecer, transformando a mandioca brava em farinha e goma de tapioca (fécula), e envolvendo diversas famílias da comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia o trabalho envolveu cerca de vinte pessoas distribuídas nas atividades de arranquio, transporte, descascamento, trituração, lavagem da massa, prensagem, torragem, peneiração e armazenamento. Em um único dia foram produzidos 350kg de farinha e 200 kg de goma, para consumo do ano todo! Um dia de celebração de um modo de vida organizado em torno do trabalho comunitário e da transmissão de uma identidade sertaneja.</span></p>
<figure id="attachment_33303" aria-describedby="caption-attachment-33303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33303" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg" alt="A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33303" class="wp-caption-text">A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona Ana Lúcia, esposa do Sr. Gonzaga, conta que parte da produção é distribuída aos trabalhadores da farinhada como forma de pagamento pelo serviço, outra parte é enviada para os filhos em São Paulo e o restante é armazenado em sacos bem costurados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Comecei a trabalhar em farinhada eu tinha 11 anos, em farinhada das outras pessoas. Me casei nova e todo ano meu esposo tinha farinhada duas vezes por ano, no verão e no inverno. Uma farinhada é a coisa mais sagrada que você pode ter numa casa. Em tudo que você vai comer tem farinha, a gente pode fazer uma puba, dar mingau à uma criança, a um velhinho que está acamado, não tem alimento melhor do que a puba. E também tem a ração pros bichos, a casca, a madeira, a capoeira. Uma roça de mandioca é uma riqueza pra nós. Eu não sei nem descrever o tanto que uma farinhada beneficia o ser humano do campo.</span><span style="font-weight: 400;">” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33304" aria-describedby="caption-attachment-33304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33304" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg" alt="Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33304" class="wp-caption-text">Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN, com o intermédio do <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener">Centro de Formação Mandacaru (CFM)</a>, que atua há 35 anos na região promovendo o acesso à terra e à água, técnicas sustentáveis na agricultura familiar, segurança alimentar, educação contextualizada e espiritualidade popular, apoia diretamente a construção de Casas de Farinha coletivas bem equipadas. O espaço também pode ser utilizado como cozinha comunitária, para fazer bolos e biscoitos para comercialização. A comunidade vai inaugurar a nova Casa de Farinha na próxima temporada de farinhada, entre agosto e setembro deste ano. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Todo morador ou vizinho que plantar mandioca vai poder usar, vai ser o mês todo de farinhada, se Deus quiser!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frisou Dona Ana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos próximos episódios desta série de reportagem vamos conhecer as tecnologias sociais que estão revolucionando a vida no sertão do Piauí a partir da descentralização das estruturas de abastecimento de água, a permanência dos jovens no campo e sua conexão com a sabedoria dos Profetas da Chuva, além da relação dos ciclos da natureza com este trecho peculiar da Caatinga, onde a espiritualidade fortalece a identidade sertaneja e a convivência com a região.</span></p>
<figure id="attachment_33305" aria-describedby="caption-attachment-33305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33305" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg" alt="Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN " width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33305" class="wp-caption-text">Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>47º Edital do Fundo Ecos seleciona 10 projetos em TICCAs do Cerrado e da Caatinga</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/47o-edital-do-fundo-ecos-seleciona-10-projetos-em-ticcas-do-cerrado-e-da-caatinga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 18:16:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33283</guid>

					<description><![CDATA[Propostas abordam conservação da biodiversidade, agroecologia, fortalecimento dos modos de vida tradicionais e protagonismo de mulheres e jovens]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://fundoecos.org.br/estrategia/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> divulgou o resultado do </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-abre-chamada-para-projetos-em-territorios-conservados-por-comunidades/"><span style="font-weight: 400;">47º Edital</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a seleção de dez projetos que atuarão em Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs) nas paisagens prioritárias apoiadas pela chamada. As propostas serão executadas por organizações de base comunitárias do Oeste da Bahia, Sul do Maranhão e da paisagem Kaiowá e Guarani, em Mato Grosso do Sul.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As iniciativas contemplam temas como produção sustentável, agroecologia, segurança alimentar e nutricional, gestão territorial, fortalecimento organizacional e proteção de territórios tradicionais. Os projetos também destacam o protagonismo de mulheres e jovens, público prioritário da chamada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as organizações selecionadas estão associações comunitárias, organizações indígenas, grupos de mulheres quilombolas e instituições que atuam diretamente nos territórios, reforçando o compromisso do edital com as organizações de base e com as iniciativas conduzidas pelas próprias comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em conjunto, os projetos refletem a proposta do 47º Edital de apoiar estratégias locais de conservação da biodiversidade, valorização dos modos de vida tradicionais e adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para a proteção dos territórios e para a segurança alimentar das comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As propostas demonstram profundo conhecimento dos territórios e capacidade de mobilização comunitária. Isso mostra que existem muitas soluções sendo construídas localmente. Apoiar essas iniciativas é também ampliar o acesso a recursos para quem historicamente esteve mais distante das oportunidades de financiamento”, afirma a assessora técnica do ISPN, Jessica Pedreira. </span></p>
<p><b>Confira o resultado abaixo: </b></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><b>Organização</b></td>
<td><b>Projeto</b></td>
<td><b>Paisagem</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Agricultores Familiares e Moradores do Chico Preto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sisteminhas Agroecológicos para Segurança Alimentar, Geração de Renda e Recuperação de Áreas Degradadas com Protagonismo de Mulheres no Cerrado Baiano</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Pequenos Criadores do Fecho de Pastos</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Estruturação das Ações de Manejo Integrado do Fogo nos Territórios de Fecho e Pasto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Desenvolvimento Comunitário do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Cerrado Vivo: Ancestralidade, Tradição e Sustentabilidade no Território do Fecho de Pasto do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Mulheres Remanescentes Quilombolas de Montevidinhas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes da Terra: Fortalecimento da Segurança Alimentar e do Protagonismo das Mulheres Quilombolas de Montevidinha</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação dos Pequenos Produtores Rurais São José</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes do Cerrado: Territórios Vivos e Governança Comunitária</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Rural de São João da Cachoeira</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecimento da Agricultura Familiar e Protagonismo Feminino na Comunidade São João das Cachoeiras, Carolina (MA)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Desenvolvimento Socioambiental Pantanal Sul</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Guardiãs do Território</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Apoio, Capacitação e Instrução de Economia Solidária do Povo (AJUIND)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Yvy Poty Juventude Guarani Kaiowá, Diversidade e Agroecologia para o Bem Viver</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto Mãe Terra</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecendo o Teko Porã nos Tekohas da TI Panambi-Lagoa Rica</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Rede de Organização em Defesa das Águas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Apoio a Comunidades Tradicionais de Fundo e Fechos de Pasto da Bacia do Rio Corrente</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais informações sobre o edital estão disponíveis </span><a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-47-ticcas/"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estudantes indígenas fortalecem protagonismo acadêmico durante evento da Uema</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/estudantes-indigenas-fortalecem-protagonismo-academico-durante-evento-da-uema/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 17:33:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33269</guid>

					<description><![CDATA[Participação de estudantes indígenas  evidencia a importância do apoio à permanência universitária e da valorização dos saberes indígenas no ensino superior]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Estudantes indígenas das Terras Indígenas Rio Pindaré, Canabrava, Morro Branco e Bacurizinho participaram do II Fórum Acadêmico Indígena da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e da II Jornada Nacional de Extensão , eventos realizados pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis (PROEXAE), entre os dias 27 a 29 de maio, no campus de São Luís, com os objetivos de promover intercâmbio de conhecimentos, fortalecer a permanência estudantil e ampliar os diálogos entre a universidade e os povos indígenas do Maranhão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A programação contou com mesas de debates sobre os desafios contemporâneos para a permanência de indígenas nas universidades, a educação indígena em contextos plurais e a dicotomia entre conhecimentos indígenas e não indígenas no espaço universitário. Houve momentos para diálogos com indígenas egressos da Uema e a apresentação de trabalhos de extensão universitária.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33271" aria-describedby="caption-attachment-33271" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33271" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema.png" alt="Mesa com a participação do coordenador do Programa Povos Indígenas ISPN, João Guilherme Nunes Cruz. Foto: Acervo UEMA" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33271" class="wp-caption-text">Mesa com a participação do coordenador do Programa Povos Indígenas ISPN, João Guilherme Nunes Cruz. Foto: Acervo Uema<span style="font-size: 16px;"> </span></figcaption></figure>
<p><span style="font-size: 16px;">O II Fórum Acadêmico Indígena também foi um espaço de reflexões sobre os avanços nas políticas afirmativas da UEMA para estudantes indígenas após a realização do </span><a style="font-size: 16px;" href="https://ispn.org.br/noticia/estudantes-indigenas-e-universidade-organizam-dialogo-sobre-politicas-afirmativas-no-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">I Fórum, em 2024, que organizou diálogos entre estudantes e a gestão da universidade</a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os avanços mencionados, destaca-se a criação do Diretório Acadêmico Indígena, cotas de auxílio transporte e bolsa permanência para estudantes indígenas e o incentivo na apresentação de trabalhos em seminários e congressos. Foi mencionada a  aproximação da universidade com os territórios indígenas e suas diversas realidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Programa Indígena de Permanência e Oportunidades na Universidade (PIPOU), iniciativa executada pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), apoiou a realização das duas edições do Fórum Acadêmico Indígena da UEMA. Essa estratégia de atuação do PIPOU, em projetos de parceria com universidades públicas, visa fortalecer políticas de ações afirmativas para estudantes indígenas no ensino superior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dessas parcerias, o programa também apoia estudantes indígenas em suas trajetórias acadêmicas por meio de bolsa de estudo, doação de notebook, e ofertando atividades formativas, como oficinas de escrita acadêmica e rodas de conversa que abordam temas sobre os direitos dos povos indígenas.Durante o Fórum, 57 estudantes e egressos da UEMA, representantes das aldeias Piçarra Preta, Januária, Morro Branco, Bacurizinho e Ywyrahu, apresentaram trabalhos acadêmicos, compartilharam experiências e debateram os desafios enfrentados no acesso e na permanência no ensino superior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Pedro Viana Guajajara Filho, estudante do curso de  Letras, a presença indígena nos espaços universitários representa uma conquista </span><i><span style="font-weight: 400;">coletiva. </span></i><span style="font-weight: 400;">O estudante apresentou o projeto de extensão do qual participa que está produzindo um material paradidático para a escola de seu território com o objetivo de valorizar o ensino e a língua materna.</span></p>
<blockquote><p>“É um avanço que tivemos na educação indígena. Isso ajuda para que tenhamos mais voz e que possamos contribuir com a sociedade. Podemos destruir um estereótipo que as pessoas têm dos indígenas e dos territórios”, afirmou.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A estudante Ana Guajajara, da Aldeia Januária, destacou a importância da ocupação das universidades para o fortalecimento das identidades indígenas. </span></p>
<figure id="attachment_33272" aria-describedby="caption-attachment-33272" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33272" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes.png" alt="Ana Guajajara e estudantes indígenas do MA, no II Fórum de Educação Indígena. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33272" class="wp-caption-text">Ana Guajajara e estudantes indígenas do MA, no II Fórum de Educação Indígena. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Essa ocupação dentro dos espaços acadêmicos nos ajuda a contar nossas histórias com verdade. Amplia nossos conhecimentos, nos ajuda a preservar nossas tradições, lutar pelos nossos direitos e nossa organização dentro das comunidades, preservando nossos costumes e nossa língua materna. A nossa ancestralidade não está no passado, ela está dentro de nós. E devemos passá-la adiante para as novas gerações”, disse.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação de estudantes indígenas nas universidades tem contribuído para fortalecer os conhecimentos e as culturas indígenas  dentro e fora dos territórios. Formada em Pedagogia pela Uema e ex-bolsista do PIPOU, Brenda Guajajara Viana, da Aldeia Piçarra Preta, ressaltou que a formação acadêmica deve caminhar junto com o compromisso de fortalecimento das comunidades. Ela mediou a mesa de encerramento do evento que discutiu “A dicotomia entre dois conhecimentos: pensando a vida a partir do território”. </span></p>
<blockquote><p>“A gente vem falando sobre o protagonismo e sobre reafirmar nossa identidade. Para além da formação, é importante que estejamos nesses espaços para levar a nossa cultura. E poder retornar para os nossos territórios sempre com o objetivo do fortalecimento cultural e dos nossos direitos”, afirmou.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33273" aria-describedby="caption-attachment-33273" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33273" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara.png" alt="Palestra do antropólogo Francisco Apurinã com mediação de Brenda Guajajara Viana.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN " width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33273" class="wp-caption-text">Palestra do antropólogo Francisco Apurinã com mediação de Brenda Guajajara Viana. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A programação contou ainda com a participação do indígena antropólogo Francisco Apurinã, Pesquisador Sênior da Universidade de Helsinki &#8211; Finlândia, que destacou a importância do reconhecimento dos conhecimentos indígenas nas discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. Ressaltou ainda a importância do saber acadêmico dialogar com os saberes dos povos indígenas.</span></p>
<blockquote><p>“Quem sofre e percebe essas transformações ecológicas é quem mora na floresta. Esse conhecimento ainda é invisibilizado dentro da academia. É importante que ele seja reconhecido e esteja presente nas grandes mesas de discussão e de tomada de decisão”, afirmou.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33274" aria-describedby="caption-attachment-33274" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33274" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes.png" alt="Participação de estudantes de diferentes etnias no II Fórum Acadêmico da UEMA. Foto: Cristiane Moraes. Acervo/ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33274" class="wp-caption-text">Participação de estudantes de diferentes etnias no II Fórum Acadêmico da UEMA. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o Fórum, os estudantes também discutiram desafios relacionados à permanência universitária. Entre os temas levantados estiveram as dificuldades de transporte, as barreiras econômicas e os episódios de racismo enfrentados por jovens indígenas nas instituições de ensino.</span></p>
<blockquote><p>“O segundo Fórum de Diálogos Indígenas é muito importante para a troca de experiências e para buscar soluções para problemáticas vividas pelos territórios. Precisamos ocupar nosso lugar de fala. Muitos jovens estão desistindo de seus cursos por falta de transporte e por racismo”, destacou Gerlan de Oliveira Guajajara, estudante da Licenciatura Intercultural em Ciências da Natureza e presidente da Associação de Pais e Mestres da Terra Indígena Rio Pindaré.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz participou da mesa que debateu os desafios contemporâneos da permanência dos estudantes das universidades. </span></p>
<figure id="attachment_33275" aria-describedby="caption-attachment-33275" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33275" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema.png" alt="Discussão sobre problemas que os territórios enfrentam para garantir a permanência dos estudantes no ensino superior. Foto: Acervo UEMA " width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33275" class="wp-caption-text">Discussão sobre problemas que os territórios enfrentam para garantir a permanência dos estudantes no ensino superior. Foto: Acervo Uema</figcaption></figure>
<blockquote><p> “Reforçamos a discussão sobre a correlação desses desafios com os problemas que os territórios indígenas enfrentam para garantir a permanência dos estudantes  no ensino superior. Ouvimos o relato de experiências  e como enfrentam as situações do cotidiano. A ideia é encontrar juntos um caminho para aprofundar esse debate com a participação dos estudantes, dos territórios, da universidade e com toda a sociedade,” afirmou.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Cristiane Ribeiro Guajajara, da Aldeia Ywyrahu, no Território Canabrava, a universidade também tem um papel fundamental na preservação da memória e dos conhecimentos tradicionais.</span></p>
<blockquote><p>“Hoje a nossa luta é deixar nossa história escrita. Estamos perdendo nossos anciãos, que são dicionários vivos em nosso território. A ideia é voltar para casa e registrar a nossa história”, relatou.</p></blockquote>
<h3><b>PIPOU amplia oportunidades para estudantes indígenas</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Criado em 2021, o PIPOU é uma iniciativa do ISPN, com apoio da Vale e aporte financeiro da Double Arrow,CMH e CRM, por meio do Programa Partilhar. Desde o início do programa, o PIPOU apoiou 184 estudantes indígenas, representantes de  54 povos indígenas em universidades de diversas regiões brasileiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Maranhão, foram apoiados 30 estudantes, até o momento: 25 da UEMA, quatro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e um do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Desse total, 17 estudantes já concluíram a graduação com o apoio do programa, sendo 16 da UEMA e um da UFMA.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados demonstram a importância de iniciativas voltadas à permanência universitária, contribuindo para que cada vez mais estudantes indígenas ocupem os espaços acadêmicos, fortaleçam suas comunidades e ampliem sua participação nos processos de produção de conhecimento e de formulação de políticas públicas.</span></p>
<figure id="attachment_33270" aria-describedby="caption-attachment-33270" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33270" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes.png" alt="Canto de estudantes indígenas durante o II Fórum Acadêmico Indígena. Foto:Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33270" class="wp-caption-text">Canto de estudantes indígenas durante o II Fórum Acadêmico Indígena. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jornada Biovalor: formação promove o desenvolvimento de capacidades em comunicação e marketing para 25 negócios das sociobiodiversidade</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/jornada-biovalor-formacao-em-comunicacao-e-marketing-para-25-negocios-das-sociobiodiversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 15:24:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33264</guid>

					<description><![CDATA[Iniciada em uma oficina presencial em Belém, a formação segue on-line com aulas coletivas e mentorias individuais, encerrando em agosto com a entrega de um projeto por organização ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A farinha de jatobá do Tocantins, o óleo de copaíba do Amazonas e o sabão de coco babaçu do Maranhão. Produtos que carregam territórios e tradições dentro das embalagens, mas que, muitas vezes, chegam aos mercados e feiras sem conseguir contar suas histórias.</p>
<p>Para apoiar organizações e negócios comunitários na construção de estratégias de comunicação e marketing mais sólidas, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) organizou uma formação intensiva para o desenvolvimento dessas capacidades, voltada para organizações que produzem e comercializam produtos da sociobiodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;A necessidade de formação neste tema partiu de lideranças de organizações apoiadas pelo ISPN &#8220;, conta a coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Silvana Bastos. &#8220;São organizações que já produzem e comercializam produtos da sociobiodiversidade em diversos mercados, mas reconhecem que falta comunicar melhor os diversos valores embutidos nestes produtos. Seja através de um rótulo mais adequado, uma marca que os represente ou materiais para redes sociais que contem essa história.&#8221;</p></blockquote>
<p>A primeira etapa do curso aconteceu entre os dias 26 e 29 de maio, em Belém (PA). Durante quatro dias, os representantes das 25 organizações selecionadas aprenderam sobre fundamentos de marketing, design de embalagem, construção de valor e comunicação estratégica.</p>
<p>Agora, a formação segue para a parte prática. Cada organização deve desenvolver um produto de comunicação, que pode ser uma nova identidade visual, uma marca reformulada ou materiais de divulgação.</p>
<p>A formação carrega a Metodologia Biovalor e está sendo realizada em parceria com a Libra Branding, de Belém.</p>
<p><strong>METODOLOGIA</strong></p>
<p>“Os produtos da bioeconomia são importantes e têm espaço no mercado”, pontua a sócia da agência Libra Branding e facilitadora da formação, a comunicóloga Karol Alfaia. &#8220;A nossa metodologia não é pautada só em criar um layout, mas também ensinar a eles como fazer branding todos os dias, afinal, os produtos deles já são carregados de significados. A gente só precisa mostrar isso”, diz.</p>
<p>Durante a formação, os participantes também tiveram a oportunidade de pensar sobre a diferença entre preço e valor, trocar experiências e conhecer casos de negócios que já passaram pelo processo de reposicionamento de marca.</p>
<p>Para o também sócio da Libra Branding e facilitador da formação, Bernardo Magalhães, o processo foi construído em camadas. Partiu dos conceitos básicos de valor, passou pelas dimensões emocionais e sensoriais dos produtos, e chegou ao que o território representa, para o acabamento final de uma marca.</p>
<blockquote><p>&#8220;Foram quatro dias de trabalho e acompanhamento que veio em uma crescente&#8221;, conta. &#8220;A gente partiu dos primeiros conceitos, foi aprofundando as perspectivas emocionais e sensoriais, entendeu como os valores do território se traduzem num produto melhor acabado, e como tudo isso se conecta”.</p></blockquote>
<p>Para ele, esses passos são importantes antes de começar a fazer os designs e comunicações visuais dos produtos.</p>
<blockquote><p>“Fizemos essa longa jornada pensando numa etapa final, que é poder entregar os produtos rotulados, diagramados, com todas as apresentações e melhorias técnicas em design. É após isso que vamos chegar finalmente em novos rótulos, novas embalagens e novas caixas”.</p>
<figure id="attachment_33266" aria-describedby="caption-attachment-33266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33266 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33266" class="wp-caption-text">Durante a formação, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer produtos de outros negócios e trocar experiência. Foto: Luana Piotto/Acervo ISPN</figcaption></figure></blockquote>
<p><strong>APRENDENDO NA PRÁTICA</strong></p>
<p>Para quem está no território, a formação está sendo um divisor de águas. É o que diz a presidente da Associação Regional dos Produtores Extrativistas do Pantanal (ARPEP), Rosemeire Aparecida Siqueira, que trabalha com babaçu, baru e pequi, desenvolvendo produtos como pães, biscoitos, licores, óleos, farinhas e doces.</p>
<p>Durante a primeira etapa da formação, ela também pôde reavaliar os preços dos seus produtos e valorizar seu trabalho. &#8220;A gente não colocava o valor do tempo de ter ido no mato coletar os produtos. Então, agora estamos aprendendo a como fazer. Quando a gente vai para uma feira, a primeira coisa que as pessoas olham é o rótulo e ele tem que contar a história da associação.&#8221;</p>
<p>Já o assessor técnico da Associação Agroextrativista Aripuanã Guariba, no sul do Amazonas, Raylton Pereira, que trabalha com óleo de copaíba, destaca a importância da comunicação e do marketing para os negócios da sociobiodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;A comunicação é o carro-chefe. Não adianta ter certificação, ter um sistema de produção estruturado, ter uma boa embalagem, se você não consegue falar isso para as outras pessoas, você só tem isso em planilha”, avalia. “A comunicação não é só uma forma de divulgação, mas também de contar quem são as pessoas que estão na base, produzindo, contar a história de quem está entregando aquela matéria prima”, conclui.</p></blockquote>
<p>A presidente da Cooperativa dos Extrativistas e Agricultores Familiares da Estrada do Arroz (COOPEAFE), no Maranhão, Bárbara Pereira, que atua com a produção de produtos a partir do babaçu, chegou ao curso convicta de que seu produto já estava bom, mas saiu com outra visão: &#8220;Comecei a prestar atenção que falta muita informação. Nem sempre está bom, a gente sempre consegue melhorar mais&#8221;.</p>
<p>Ela já traça metas para agosto, quando o processo finaliza com a entrega das novas embalagens para a cooperativa.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quero que quando alguém da comunidade sair para uma feira, a gente consiga mostrar que nosso produto tem nossa história, carrega nossas ancestralidades e representa nosso território.&#8221;</p></blockquote>
<p>A comunitária da Associação Ama Cantão, Lidiane Lopes, saiu da primeira fase da formação com uma percepção que resume os objetivos da formação Biovalor.</p>
<blockquote><p>“A gente já fazia essa valorização do nosso produto, já tínhamos nossas práticas, mas a gente não tinha a dimensão do valor”, diz.</p></blockquote>
<p>Com a oportunidade de redesenhar as embalagens, Lidiane já pensa nos frutos que vai colher. &#8220;Vamos entregar ele no mercado de forma que seja bem aceito pelo público, vamos atingir nossas metas de produção e levar desenvolvimento econômico para cada família do nosso território.&#8221;</p>
<p><strong>ETAPAS</strong></p>
<p>A formação integra o projeto “Bem Viver e Bioeconomia: promovendo a conservação ambiental e a geração de renda para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares por meio do fortalecimento das cadeias de valor da sociobiodiversidade”, liderado pelo WWF-Brasil em consórcio com o ISPN e Conexsus e apoiado pela União Europeia.</p>
<p>A Jornada Biovalor encerra em agosto, quando as organizações terão o resultado dos seus projetos em mãos. Além de materiais de comunicação, cada projeto será um meio para entregar produtos de qualidade no mercado e gerar renda para quem vive da sociobiodiversidade brasileira.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projeto Restaura Maranhão vai recuperar 400 hectares degradados na Amazônia Maranhense</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/projeto-restaura-maranhao-vai-recuperar-400-hectares-degradados-na-amazonia-maranhense/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 15:05:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33251</guid>

					<description><![CDATA[Iniciativa alia restauração ecológica e sistemas agroflorestais em 12 assentamentos da reforma agrária e uma comunidade quilombola 
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“A agroecologia não é só importante, mas necessária para o mundo. Ela pode revolucionar tudo no planeta. Quem se alimenta dela não adoece porque tudo que come não tem veneno nenhum e o corpo recebe bem.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é do presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais do Assentamento São Jorge, em Cidelândia, no Maranhão. Uma área onde vivem cerca de 140 famílias que ocuparam as terras na década de 1990. Seu Luís Gonzaga Santos acompanhou a luta desde o início. Ele não esquece que só em 2013 foram acessados os primeiros créditos para a construção de casas, estradas e poços artesianos. Mais uma vez, ele e outras lideranças locais mobilizaram a comunidade. Desta vez, para assistir à apresentação do </span><b>Projeto Restaura Maranhão: Restauração Ecológica e Produtiva em assentamentos rurais na Amazônia Maranhense</b><span style="font-weight: 400;">. Uma esperança para uma região dominada pelo agronegócio e o monopólio da soja.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33252" aria-describedby="caption-attachment-33252" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33252" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-MA-Cristiane-Moraes.jpg" alt="Assentamento São Jorge, em Cidelândia, no Maranhão.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="400" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-MA-Cristiane-Moraes.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-MA-Cristiane-Moraes-300x150.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-MA-Cristiane-Moraes-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33252" class="wp-caption-text">Assentamento São Jorge, em Cidelândia, no Maranhão.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa pretende promover a restauração ecológica e produtiva de 400 hectares de áreas degradadas em doze assentamentos de reforma agrária e uma comunidade quilombola, distribuídos em diferentes regiões da Amazônia Maranhense. Tem como objetivo integrar a recuperação ambiental ao fortalecimento das cadeias produtivas da restauração, por meio de ações de mobilização comunitária, capacitação técnica e implantação de sistemas produtivos agroflorestais. A proposta busca gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos para as famílias participantes, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e para a melhoria da qualidade de vida no campo.</span></p>
<p><b>O Projeto Restaura Maranhão, </b><span style="font-weight: 400;">que tem como implementador o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), faz parte da carteira de iniciativas de restauração ecológica em áreas prioritárias da Amazônia, apoiado por recursos do Fundo Amazônia. Essas iniciativas integram o Restaura Amazônia, um programa do BNDES e do​ governo federal que conta com a Conservação Internacional (CI-Brasil) como parceira ​gestora no Pará e Maranhão. A iniciativa visa investir em projetos de restauração ​ecológica e fortalecer a cadeia produtiva da restauração na Amazônia Legal em áreas ​prioritárias e que sofrem alta pressão por desmatamento.</span></p>
<p><b>Territórios Alcançados</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As ações serão desenvolvidas em três regiões da Amazônia Maranhense: Pindaré, Baixada Maranhense e Amazônia Sul. No Bloco Pindaré, o projeto atuará nos assentamentos Santa Lúcia, em Governador Newton Bello; Quadra São José, em Zé Doca; e nos assentamentos Quadra Boa Esperança e Quadra Betel, em Araguanã. Na Baixada Maranhense, serão beneficiados os assentamentos Codó de Padilha, Roque/Santa Teresa, em Pedro do Rosário; Vila Nova de Ana Dias e Maracaçumé/Ricoa, em Viana; além do Quilombo Capoeira. Já na Amazônia Sul, as atividades serão nos assentamentos Francisco Romão e Novo Oriente, em Açailândia, e em Itaiguara e São Jorge, em Cidelândia.</span></p>
<figure id="attachment_33254" aria-describedby="caption-attachment-33254" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33254" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quilombo-Capoeira-Viana-Cristiane-Moraes.png" alt="Quilombo Capoeira, no município de Viana. Foto: Acervo/ISPN" width="800" height="400" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quilombo-Capoeira-Viana-Cristiane-Moraes.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quilombo-Capoeira-Viana-Cristiane-Moraes-300x150.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quilombo-Capoeira-Viana-Cristiane-Moraes-768x384.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33254" class="wp-caption-text">Quilombo Capoeira, no município de Viana. Foto: Acervo/ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A estratégia ambiental do projeto está estruturada em três etapas complementares. A primeira consiste na implantação de Unidades Demonstrativas (UDs), que funcionarão como áreas-modelo para experimentação e aprendizado. Em seguida, serão implantados Sistemas Agroflorestais (SAFs), promovendo a diversificação produtiva e a recuperação da fertilidade do solo. A terceira etapa prevê ações de restauração colaborativa, combinando diferentes técnicas, como plantio total, adensamento e restauração natural assistida, visando a ampliação das ações de restauração e recuperação de áreas degradadas. Uma realidade em todos os territórios que serão assistidos pelo Projeto Restaura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Militante dos movimentos sindicais, dona Adriana Oliveira, agricultora familiar de 59 anos, tem se dedicado à luta pelo território livre e com reservas naturais em pé.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33255" aria-describedby="caption-attachment-33255" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33255" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Adriana-Oliveira-Cristiane-Moraes.jpg" alt="Agricultora familiar, Adriana Oliveira, mostrando os quintais produtivos do assentamento Novo Oriente. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="400" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Adriana-Oliveira-Cristiane-Moraes.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Adriana-Oliveira-Cristiane-Moraes-300x150.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Adriana-Oliveira-Cristiane-Moraes-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33255" class="wp-caption-text">Agricultora familiar, Adriana Oliveira, mostrando os quintais produtivos do assentamento Novo Oriente. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Como é que nós vamos dizer que não foi o agrotóxico se a pessoa passou mal depois que o avião ou o drone passou por cima das nossas comunidades?”. Tudo feito pelos nossos ancestrais era muito diferente. Eles cultivavam a semente crioula, cuidavam da floresta. Os pássaros que falam com a gente estão desaparecendo. Talvez, o certo fosse voltar ao passado e aprender tudo de novo,” <span style="font-weight: 400;">diz dona Adriana Oliveira.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da recuperação ambiental, o Restaura Maranhão investe no fortalecimento socioeconômico das comunidades. Entre as ações previstas estão capacitações e treinamentos voltados para agricultores e agricultoras familiares, incentivo à geração de renda, ampliação do acesso a mercados e fortalecimento das organizações locais. O projeto também prioriza a inclusão de mulheres e jovens nos processos produtivos e decisórios, promovendo maior participação social e oportunidades para diferentes grupos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro diferencial da iniciativa é a atuação em rede, articulando instituições públicas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais em torno de uma agenda comum de restauração produtiva e desenvolvimento sustentável.</span></p>
<p><b>Ameaças</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os assentados da comunidade de Francisco Romão vivem as consequências da proximidade com as fazendas de plantio de soja que utilizam  agrotóxico. Roças e mananciais de água estão expostos ao veneno. O assunto é pauta importante nas reuniões da Associação das Mulheres Sementes da Terra. As mulheres é que dão vida às lutas comunitárias pelo direito à saúde, à agroecologia e à preservação da natureza e do lugar.</span></p>
<blockquote><p>“Viver e sentir a nossa terra e nossa vida serem destruídas é muito muito difícil. A gente vê todo dia nossa produção fugindo de nossos dedos, a terra sendo maltratada e engolida pela soja. Nossas plantas, nossos animais envenenados e muita doença que não tinha antes. A gente vê nossos vizinhos partirem,” <span style="font-weight: 400;">diz dona Adriana.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33256" aria-describedby="caption-attachment-33256" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33256" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Plantio-de-soja-limites-do-assentamento-Novo-Oriente-Cristiane-Moraes.jpg" alt="Área de plantio de soja nos limites do assentamento Novo Oriente.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="400" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Plantio-de-soja-limites-do-assentamento-Novo-Oriente-Cristiane-Moraes.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Plantio-de-soja-limites-do-assentamento-Novo-Oriente-Cristiane-Moraes-300x150.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Plantio-de-soja-limites-do-assentamento-Novo-Oriente-Cristiane-Moraes-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33256" class="wp-caption-text">Área de plantio de soja nos limites do assentamento Novo Oriente.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na comunidade Novo Oriente o desmatamento ameaça a produção de xaropes caseiros, principal fonte de renda de dona Maria Eunice Valadares. Ela sabe da importância do incentivo à agricultura familiar e a preservação das reservas nos territórios. Nos últimos anos, dona Maria Eunice, tem visto a matéria-prima de seus xaropes, a exemplo do jucá, desaparecer. </span></p>
<blockquote><p> “Hoje a gente planta um pé de pimenta e os pássaros vem comer tudo. Os bichinhos não tem mais como se alimentar. O que era deles já desapareceu quase tudo,” relata.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33257" aria-describedby="caption-attachment-33257" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33257" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Maria-Eunice-Valadares-Cristiane-Moraes.jpg" alt="Agricultora familiar e produtora de xaropes caseiros, Maria Eunice Valadares.Moradores do assentamento Novo Oriente, em Açailândia.Foto:Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="400" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Maria-Eunice-Valadares-Cristiane-Moraes.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Maria-Eunice-Valadares-Cristiane-Moraes-300x150.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Agricultora-familiar-Maria-Eunice-Valadares-Cristiane-Moraes-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33257" class="wp-caption-text">Agricultora familiar e produtora de xaropes caseiros, Maria Eunice Valadares.Moradores do assentamento Novo Oriente, em Açailândia.Foto:Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os parceiros estaduais estão a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Maranhão (FETAEMA), a Secretaria de Agricultura Familiar do Maranhão (SAF) e a Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA). Também participam os Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs) dos municípios envolvidos, associações comunitárias dos assentamentos e do Quilombo Capoeira, além do Instituto de Representação, Coordenação e Assessoria das Associações das Casas Familiares Rurais no Maranhão (IRCOA).</span></p>
<figure id="attachment_33258" aria-describedby="caption-attachment-33258" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33258" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Reuniao-com-assentados-da-comunidade-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes.jpg" alt="Reunião com assentados da comunidade São Jorge, Cidelândia. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="400" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Reuniao-com-assentados-da-comunidade-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Reuniao-com-assentados-da-comunidade-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes-300x150.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Reuniao-com-assentados-da-comunidade-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33258" class="wp-caption-text">Reunião com assentados da comunidade São Jorge, Cidelândia. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto conta ainda com o apoio do Fundo Ecos, por meio da estratégia de Promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais. O mecanismo possibilita o financiamento descentralizado de micro e pequenos projetos comunitários vinculados às ações de restauração ecológica e produtiva. Os microprojetos serão destinados a pessoas físicas, famílias e pequenos grupos locais, enquanto os pequenos projetos apoiarão organizações da sociedade civil formalmente constituídas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para participar das ações de campo, os agricultores deverão atender a critérios como possuir área disponível de pelo menos um hectare, demonstrar interesse em práticas agroflorestais e agroecológicas, ter envolvimento familiar nas atividades produtivas e disponibilidade para receber capacitações, visitas técnicas e intercâmbios. Também será necessário assumir o compromisso de cuidar e realizar o manejo das áreas implantadas, garantindo a continuidade e sustentabilidade dos resultados alcançados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O Restaura Maranhão é uma oportunidade de fortalecer o trabalho que muitas comunidades já realizam em seus territórios, gerando renda, fortalecendo o protagonismo comunitário e, ao mesmo tempo, restaurando áreas degradadas . Ao longo da implementação do projeto, queremos nos consolidar como uma referência em restauração de áreas degradadas na Amazônia Maranhense, contribuindo para a construção da cadeia produtiva da restauração, com paisagens mais preservadas e comunidades mais fortalecidas”</span><span style="font-weight: 400;">, afirma a coordenadora do Projeto Restaura Maranhão, Ana Tereza Ferreira. </span></p></blockquote>
<p><b>A Agroecologia como modelo de bem viver das comunidades</b></p>
<figure id="attachment_33259" aria-describedby="caption-attachment-33259" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33259" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quintal-produtivo-Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes.jpg" alt="Visita a um quintal produtivo no assentamento São Jorge, Cidelândia.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="400" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quintal-produtivo-Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quintal-produtivo-Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes-300x150.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Quintal-produtivo-Assentamento-Sao-Jorge-Cidelandia-Cristiane-Moraes-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33259" class="wp-caption-text">Visita a um quintal produtivo no assentamento São Jorge, Cidelândia.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A agroecologia surgiu no Brasil na década de 1980 como uma alternativa ao modelo agrícola baseado em monoculturas e no uso intensivo de insumos químicos. Prática de produção conhecida como “Revolução Verde” que se espalhou pelo mundo e serviu de modelo para a criação  das fronteiras agrícolas do mundo contemporâneo. Mais do que um conjunto de técnicas produtivas, a agroecologia vem na contramão dessa lógica, integrando conhecimentos científicos e saberes tradicionais para promover sistemas agrícolas sustentáveis, capazes de conservar a biodiversidade, recuperar áreas degradadas, fortalecer a agricultura familiar e garantir a produção de alimentos saudáveis. Atualmente, a agroecologia é reconhecida como uma importante estratégia para a segurança alimentar, a geração de renda no campo e o enfrentamento das mudanças climáticas. Portanto, base do Projeto Restaura Maranhão</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A natureza como sujeita de direitos: o caso do Rio Mosquito</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/a-natureza-como-sujeita-de-direitos-o-caso-do-rio-mosquito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 13:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33223</guid>

					<description><![CDATA[No semiárido mineiro, mobilização popular e apoio do Fundo Ecos transformam a relação entre comunidades e o rio ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O reconhecimento do Rio Mosquito como sujeito de direitos foi um processo marcado pela massiva participação popular no norte de Minas Gerais. Para garantir a saúde do afluente, a Campanha Todos pelo Rio Mosquito resultou em um </span><a href="https://www.almg.gov.br/atividade-parlamentar/projetos-de-lei/texto/?tipo=PL&amp;ano=2024&amp;num=2178"><span style="font-weight: 400;">projeto de lei estadual</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na aprovação de três leis municipais nas cidades de </span><a href="https://serranopolisdeminas.mg.gov.br/legislacao-categorias/leis-ordinarias/leis-ordinarias-2024-1/1543-lei-ordinaria-no-618-2024/file"><span style="font-weight: 400;">Serranópolis de Minas</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://leismunicipais.com.br/a/mg/p/porteirinha/lei-ordinaria/2024/226/2251/lei-ordinaria-n-2251-2024-dispoe-sobre-o-reconhecimento-dos-direitos-do-rio-mosquito-afluente-do-rio-gorutuba-no-municipio-de-porteirinha-e-seu-enquadramento-como-ente-especialmente-protegido-e-da-outras-providencias"><span style="font-weight: 400;">Porteirinha </span></a><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.camaranovaporteirinha.mg.gov.br/arquivo/694440c7746b5.pdf"><span style="font-weight: 400;">Nova Porteirinha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que cortam o rio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse espaço do semiárido mineiro, a luta pelo Mosquito demonstra sua importância regional. Durante os períodos de estiagem, suas águas contribuem para o abastecimento de até dez municípios da região, que dependem do rio para enfrentar os meses de seca.</span></p>
<div class="mceTemp"></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa se insere em um movimento que busca reconhecer elementos da natureza como sujeitos de direitos, atribuindo proteção jurídica própria a ecossistemas considerados essenciais para a vida. Entre os direitos previstos para o rio, estão: manter seu fluxo natural e em quantidade suficiente para garantir a saúde do ecossistema; nutrir e ser nutrido pela mata ciliar e as Florestas do entorno e pela biodiversidade endêmica; existir com suas condições físico-químicas adequadas ao seu equilíbrio ecológico; e se inter-relacionar com os seres humanos por meio da identificação biocultural, de suas práticas espirituais, tradicionais, de lazer, da pesca artesanal, agroecológica, cultural e do Turismo de Base Comunitária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a proposta de reconhecer o Mosquito como um elemento vivo, que deve ser respeitado e igualado aos cidadãos que ali habitam, não nasceu nos gabinetes políticos ou organizações da sociedade civil. O chamado veio das comunidades ribeirinhas diante de cheias extremas, principalmente em Porteirinha entre 2021 e 2022, que afetaram uma parcela significativa da população urbana.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A expectativa era discutir rotas de fuga para situações de enchentes. Mas a resposta da população foi outra: não queremos fugir do rio, queremos cuidar da saúde do rio para continuar vivendo às suas margens”, relembra o representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Porteirinha, José Marcos Oliveira Flores, o “Zé Marcos”, sobre a mobilização para tratar os eventos com a população. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33224" aria-describedby="caption-attachment-33224" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33224" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/2-IMG_5471-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33224" class="wp-caption-text">A mobilização pelo Rio Mosquito busca colocar o rio em pé de igualdade com o ser humano. Foto: Vitória Bartholo/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi desse processo de escuta e mobilização popular que surgiu a proposta de reconhecer o Rio Mosquito como sujeito de direitos, transformando a relação das comunidades e do poder público com o rio. A bacia do Mosquito sofre com assoreamentos, degradação das matas ciliares, extração de areia e lançamento de esgoto doméstico em diversos trechos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Rio Mosquito sujeito de direito foi uma chamada de atenção para a população local de que o rio é vivo e merece respeito, assim como os cidadãos. A proposta é colocar o rio em pé de igualdade com o ser humano”, explica Zé Marcos.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem vive às margens do Rio Mosquito, a defesa de seus direitos também está ligada à memória e à possibilidade de voltar a usufruir plenamente de suas águas. Ribeirinho da região de Curral de Varas em Porteirinha, Ailton Nunes da Silva acompanha há décadas as transformações do rio. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu lembro da minha infância. A gente ia para o rio, nossas mães lavavam roupa e vasilha, a gente tomava banho e ainda levava água para beber. Era uma água totalmente limpa. Mas, infelizmente, com a intervenção do ser humano, trouxe problemas para a saúde do rio”, relata Ailton .</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, a degradação ambiental e os episódios de enchentes reforçaram a necessidade de mobilização das comunidades. Hoje, Ailton afirma que as ações de recuperação já começam a trazer resultados e renovam as expectativas dos moradores.</span></p>
<figure id="attachment_33225" aria-describedby="caption-attachment-33225" style="width: 416px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33225" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0.jpg" alt="" width="416" height="555" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0-225x300.jpg 225w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0-768x1024.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/17a94a89-76dd-4f51-879b-0-1152x1536.jpg 1152w" sizes="(max-width: 416px) 100vw, 416px" /><figcaption id="caption-attachment-33225" class="wp-caption-text">Crianças de uma escola da região participam de um dia de campo plantando mudas de árvores às margens do rio em uma mobilização da Campanha. Foto: Acervo STR de Porteirinha</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Chegou uma época em que nós já tínhamos até desistido dessa luta. Hoje, o que a gente tem é esperança. Já vemos algumas melhoras e sabemos que, com o trabalho que está sendo feito, com as leis que foram criadas e os apoios recebidos, o rio vai melhorar muito mais”, destaca.</span></p></blockquote>
<p><b>Campanha Todos pelo Rio Mosquito</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A iniciativa pela saúde do rio ganhou força com a Campanha Todos pelo Rio Mosquito, construída a partir da articulação entre organizações sociais, associações comunitárias, sindicatos, comunidades ribeirinhas e poder público. Em 2024, essa rede foi fortalecida com a aprovação de um projeto do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Porteirinha no </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ppp-ecos-vai-apoiar-nove-projetos-na-caatinga-e-no-cerrado/"><span style="font-weight: 400;">edital 37</span><span style="font-weight: 400;">*</span> </a><span style="font-weight: 400;">do Fundo Ecos/ISPN, voltado ao apoio de ações em rede.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apoio possibilitou ampliar a mobilização social, incidência política, educação ambiental e recuperação da bacia hidrográfica. Também contribuiu para consolidar espaços coletivos de participação, que mais tarde deram origem aos Comitês Guardiões do Rio Mosquito, responsáveis por acompanhar e defender os direitos do rio nos municípios da bacia.</span></p>
<p><b>Para além das leis</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estima-se que mais de 32 mil pessoas sejam beneficiadas de forma direta ou indireta pelas ações do projeto do Fundo Ecos, somando os três municípios que participam da campanha. Os impactos estão na segurança hídrica, pois parte significativa da população recebe água captada e tratada do Mosquito, mas também estão relacionados à redução dos riscos de enchentes e alagamentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apoio do Fundo Ecos, comunidades da bacia do Rio Mosquito desenvolveram ações de recuperação ambiental, como a construção de barraginhas, a limpeza e o desassoreamento de trechos do rio, além da proteção e recuperação de áreas de mata ciliar. Já houve a redução de mais de 80% dos riscos de inundações e alagamentos em áreas de Porteirinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais resultados são percebidos pelas comunidades locais, ampliando a adesão à campanha. Durante as grandes cheias de fevereiro de 2026, menos impactos negativos foram registrados em Porteirinha, apesar da ocorrência ter tido um volume de água semelhante ao dos anos anteriores.</span></p>
<figure id="attachment_33226" aria-describedby="caption-attachment-33226" style="width: 396px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33226" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf.jpg" alt="" width="396" height="419" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf.jpg 1200w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf-283x300.jpg 283w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf-967x1024.jpg 967w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/623985b0-72d0-4b99-9446-be1a90be4adf-768x813.jpg 768w" sizes="(max-width: 396px) 100vw, 396px" /><figcaption id="caption-attachment-33226" class="wp-caption-text">Construção de barraginhas foi uma das tecnologias usadas para captar a água das enxurradas da chuva e amenizar o fluxo para o rio. Foto: Acervo STR de Porteirinha</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro resultado considerado estratégico para a continuidade das ações é a criação dos Fundos Municipais vinculados ao rio. Os recursos são geridos pelos Comitês Guardiões dos municípios e destinados a iniciativas de recuperação e conservação, garantindo condições para o trabalho das comunidades nos próximos anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a lavradora Maria Aparecida de Jesus Batista, moradora da comunidade Gangorra em Porteirinha e integrante do Comitê Guardião do Rio Mosquito, os resultados das ações já podem ser percebidos por quem vive às margens do rio. Ela compara o processo de recuperação da bacia a uma cura coletiva.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando a gente viu o rio na situação que estava e hoje vê como está, é uma alegria muito grande. Aquilo que foi tirado de dentro do rio é igual fazer uma cirurgia em uma pessoa: tira a doença e ela renasce de novo”, afirma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maria também destaca a importância do envolvimento das novas gerações no processo de recuperação ambiental. “Eu acho que estamos plantando uma esperança para quem está chegando. Se não fosse esse trabalho, o rio poderia morrer. Hoje, a gente vê que ele está sobrevivendo”, completa.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">E a continuidade da história do Rio Mosquito com o Fundo Ecos segue com a aprovação de mais um projeto no </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-divulga-projetos-selecionados-no-edital-45/"><span style="font-weight: 400;">edital 45</span></a><span style="font-weight: 400;"> deste ano, para ampliar a escala de atuação da campanha e de suas ações. Essa nova etapa vai atingir um novo rio: o Sítio Novo, que é afluente do Mosquito, com a expansão da campanha para o município de Riacho dos Machados na proposta do cuidado da saúde do rio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cientista ambiental e analista socioambiental do ISPN, Matheus Costa acompanha a implementação do projeto e ressalta que toda a mobilização para a garantia dos direitos da natureza, como observamos no caso do Rio Mosquito, só é possível por meio do comprometimento da sociedade. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O reconhecimento do Rio Mosquito como sujeito de direitos demonstra que a mobilização social pode gerar transformações concretas para os territórios. Quando as comunidades assumem o protagonismo da conservação ambiental, os resultados ultrapassam a proteção de um rio e passam a beneficiar toda a sociedade”, conclui o analista.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33227" aria-describedby="caption-attachment-33227" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33227" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1.jpg" alt="" width="1600" height="1200" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1.jpg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Foto-1-1536x1152.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-33227" class="wp-caption-text">A mobilização nas comunidades foi essencial para a aprovação das leis. Mais comunidades têm aderido a campanha Todos pelo Rio Mosquito com a incidência de quem faz parte. Foto: Acervo STR de Porteirinha</figcaption></figure>
<p><em><span style="font-weight: 400;">*O 37º Edital do Fundo Ecos foi lançado em 2024 e destinou recursos para apoiar nove projetos em rede focados no desenvolvimento rural sustentável e conservação dos biomas Cerrado e Caatinga. Esses projetos estão no contexto da Sétima Fase Operacional do Small Grants Programme no Brasil (SGP), apoiada com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e implementada em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</span></em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Confira os principais destaques da participação do ISPN no XII Sapis e VII Elapis</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/confira-os-principais-destaques-da-participacao-do-ispn-no-xii-sapis-e-vii-elapis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 16:09:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33195</guid>

					<description><![CDATA[O XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e o VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis) foram realizados na Universidade de Brasília, de 18 a 22 de maio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) marcou presença no XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e no VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis), que neste ano teve como tema central: Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e a paz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação do ISPN nesses debates buscou ampliar a visibilidade dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais como protagonistas históricos e contemporâneos no cuidado de áreas protegidas. Além disso, apresentou projetos e articulações em rede que ajudam a demonstrar o papel dos povos indígenas e tradicionais na conservação da biodiversidade, por meio da proteção de seus territórios.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Visibilidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tema constantemente debatido ao longo de toda a programação desta edição do Sapis/Elapis, realizada de 18 a 22 de maio em Brasília (DF), foi a relevância das demandas territoriais e estratégias de gestão ambiental protagonizadas pelos povos tradicionais no país</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, o ISPN, IPAM, Ministério Público Federal e Instituto Cerrados promoveram uma sessão temática sobre a importância do automapeamento dos territórios “Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida”. Além de discutir desafios conjunturais na defesa dos territórios tradicionais, a sessão contou com relato de algumas experiências de mapeamento na Ilha do Marajó (PA) e no sul do Maranhão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Muitas das comunidades identificadas não estavam no mapa. Ao realizar o trabalho e começar a olhar as imagens pelo satélite, as comunidades se deram conta de várias ameaças das quais não estavam cientes. Em um dos casos, observaram que a fazenda vizinha tinha avançado suas cercas sobre o território, inclusive sobre uma área considerada sagrada”, relata Lidiane Vilhena, integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA).</span></p>
<figure id="attachment_33196" aria-describedby="caption-attachment-33196" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33196 size-full" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena.png" alt="Lidiane Vilhena, Integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA), na Maloca (UnB), onde ocorreu a sessão temática Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/lidiane-vilhena-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33196" class="wp-caption-text">Lidiane Vilhena, Integrante do Núcleo de Ação e Resistência Quilombola de Campina, Ilha de Marajó (PA), na Maloca (UnB), onde ocorreu a sessão temática Áreas Protegidas por Povos e Comunidades Tradicionais: Território, Conservação e Vida. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na avaliação de Lidiane, o trabalho com o aplicativo Tô no Mapa possibilitou um diálogo intergeracional ao envolver os griôs (</span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/80302-grio"><span style="font-weight: 400;">contadores de histórias, que guardam as memórias de seu povo, mantendo vivas as tradições e a ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">) e os jovens. “Eu pude me dar conta da dimensão do meu território, que é muito maior do que a parte que eu transitava e conhecia. Quando um território é mapeado por quem vive nele, a informação vira ferramenta de transformação, articulação e pertencimento”.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ainda conforme Lidiane, a partir do relatório gerado pelo Tô no Mapa, a Malungu, Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará, conseguiu acelerar o processo de certificação da comunidade quilombola de Boa Esperança, pela Fundação Palmares, processo que antes estava engavetado.</span></p>
<p><b>Políticas públicas</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A presidenta da Associação Quilombola de Macacos, Brejim e Curupá, Raimunda Ribeiro, também participou da sessão temática e relatou que o mapeamento do Tô no Mapa trouxe, além da visibilidade, avanços em políticas públicas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“De posse do seu mapeamento e do relatório gerado pelo aplicativo, a comunidade demandou a instalação de pontos de inclusão digital do Programa Justiça para Todos, voltado para comunidades quilombolas do Maranhão, e de placas de energia solar para todas as famílias do Território. Ambas foram atendidas”, destaca Raimunda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o Relato de Experiência, a presidenta da Associação Camponês (ACA), Raimunda Francisca Paz, explicou que um dos objetivos da comunidade ao aderir o Tô no Mapa é buscar a implementação de políticas públicas, especialmente a regularização fundiária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A partir desse banco de dados, nós já conseguimos mapear quantas comunidades estão em situação de conflito, quantas já têm um desmatamento grande, e quantas já têm processos [jurídicos] iniciados”, detalhou.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_33198" aria-describedby="caption-attachment-33198" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33198" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz.jpg" alt="Raimunda Francisca Paz, presidenta da Associação Camponês (ACA), durante o relato de experiência no XII Sapis VII Elapis. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/raimunda-francisca-paz-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33198" class="wp-caption-text">Raimunda Francisca Paz, presidenta da Associação Camponês (ACA), durante o relato de experiência no XII Sapis VII Elapis. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Multiplicadores</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN promoveu junto com o Ministério Público e o IPAM o Minicurso </span><a href="https://territoriostradicionais.mpf.mp.br/#/"><span style="font-weight: 400;">Plataforma de Territórios Tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Tô No Mapa, que apresentou aos participantes essas duas ferramentas fundamentais para a visibilidade e proteção dos territórios tradicionais no Brasil. O objetivo desta atividade foi o de capacitar os integrantes do curso para que possam prestar apoio ao cadastramento de territórios tradicionais e atuarem como multiplicadores em seus territórios. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O analista socioambiental do ISPN, André de Oliveira Moraes, explicou aos participantes a importância de registrar a comunidade em todas as plataformas disponíveis. “A experiência nos conta que, mesmo indígenas e quilombolas que têm seus territórios titulados, não há garantia de muita coisa, então a gente recomenda que quanto mais salvaguarda territorial, melhor. Então, faça o CAR PCT [Cadastros Ambiental Rural de Povos e Comunidades Tradicionais], cadastre na Plataforma e no Tô no Mapa, se cerque de todas as ferramentas possíveis”.</span></p>
<figure id="attachment_33207" aria-describedby="caption-attachment-33207" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33207" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira.png" alt="André de Oliveira Moraes, analista socioambiental do ISPN, no minicurso Plataforma de Territórios Tradicionais e Tô no Mapa" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Andre-Oliveira-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33207" class="wp-caption-text">André de Oliveira Moraes, analista socioambiental do ISPN, no minicurso Plataforma de Territórios Tradicionais e Tô no Mapa</figcaption></figure>
<p><b>Protagonismo dos povos na agenda do clima</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesa redonda Territórios Tradicionais: regulamentações e implementação de sistema nacional, interações com países latino-americanos e relações com CDB e a Meta 3, o ISPN contextualizou a situação brasileira de ausência de conhecimento reconhecimento formal de territórios coletivos de comunidades tradicionais e sobre a importância desses territórios para a conservação ambiental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desafios atuais incluem enfrentar as ameaças aos Territórios Tradicionais, como a grilagem verde e os impactos de grandes empreendimentos, e dar mais visibilidade às comunidades e à contribuição ambiental delas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“É importante que possamos concretizar o direito de consulta livre, prévia e informada. Um dos gargalos de não concretizar isso é porque os territórios não estão no mapa.”, afirma a coordenadora do Programa Cerrado do ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33201" aria-describedby="caption-attachment-33201" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33201" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Isabel-Sapis-Elapis-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33201" class="wp-caption-text">Isabel Figueiredo, coordenadora do programa Cerrado do ISPN, fala na Mesa Redonda<br />Territórios Tradicionais: regulamentações e implementação de sistema nacional, interações com países latino-americanos e relações com CDB e a Meta 3. Foto: Amanda Vieira/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Floresta+ Amazônia</b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Na Roda de Conversa </span><i><span style="font-weight: 400;">Empoderamento feminino na gestão de territórios coletivos tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">três mulheres foram convidadas para compartilhar suas histórias: Elisângela Conceição, liderança ribeirinha da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Uatumã (AM), Natália Alves, liderança do Quilombo Cariongo, e Marina Cíntia Guajajara, membra da Associação Nairuy-Taw e liderança da TI Arariboia (MA).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Esse <a href="https://ispn.org.br/noticia/mulheres-indigenas-lideram-projeto-de-restauracao-e-seguranca-alimentar-no-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">projeto Floresta+</a> nos ensinou bastante, nos ensinou a questão da união, do trabalho coletivo e, principalmente, na questão do apoio da mulher para outra mulher”, enumera Marina Guajajara. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A liderança indígena ressalta que essa coletividade não só ajudou a gerar renda para mulheres, mas também se tornou um espaço de acolhimento, principalmente para aquelas que saíam pouco de casa. “Teve um momento em que algumas mulheres estavam com problemas no relacionamento. Trabalhar na coletividade, estar naquele grupo, tirou elas de um momento em que elas estavam na fase de ansiedade, de quase depressão”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto coordenado por Marina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Guajajara: Proteção da Floresta e dos Saberes</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve como objetivo fortalecer a contribuição da mulher no processo de conservação e proteção de todas as formas de vidas e das ancestralidades do povo Guajajara, além de recuperar áreas degradadas da cabeceira do rio Buriticupu.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Cerca de 70% dos projetos apoiados na Modalidade Floresta+ Comunidades apresentam relação direta com a temática de gênero. Na iniciativa coordenada por Marina, as mulheres receberam orientações e executaram atividades como oficinas de gestão de projetos, instalação de galinheiros orgânicos, construção de canteiros de mudas, implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), formações em medicinas tradicionais e arte indígena.</span><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Executada com parceria do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e apoio do Projeto Floresta+ Amazônia, a iniciativa tem financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund – GCF).</span></p>
<figure id="attachment_33202" aria-describedby="caption-attachment-33202" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33202" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino.jpg" alt="tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Roda-de-Conversa-Empoderamento-Femino-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33202" class="wp-caption-text">Participantes da Roda de Conversa Empoderamento feminino na gestão de territórios coletivos tradicionais: experiências de beneficiárias do Projeto Floresta+ Amazônia. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Mosaicos de Áreas Protegidas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN esteve presente em diversos debates sobre os Mosaicos de Áreas Protegidas como estratégia central para a gestão territorial integrada no Brasil, articulando conservação da sociobiodiversidade, inclusão social e fortalecimento das políticas públicas, especialmente abordando a importância das Terras Indígenas nessa política, que ganhou impulso com o reconhecimento do <a href="https://ispn.org.br/noticia/formalizacao-do-mosaico-gurupi-reforca-protagonismo-indigena-na-agenda-climatica/" target="_blank" rel="noopener">Mosaico Gurupi</a>, na Amazônia maranhense e leste do Pará, em julho de 2025 e no qual exerce sua Secretaria Executiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Previstos no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), os mosaicos operam na integração entre unidades de conservação, territórios indígenas, quilombolas e outras áreas protegidas, promovendo governança participativa e abordagens sistêmicas da paisagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Grupo de Trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">Gestão Socioambiental Integrada e Democracia: arranjos de governança em áreas protegidas e mosaicos no Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, reuniu mosaicos da Mata Atlântica, Amazônia e propostas de criação de mosaicos no Cerrado e debateu o papel preponderante aliança entre povos indígenas, quilombolas e tradicionais com a academia e instituições de governo na constituição de mosaicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Roda de Conversa </span><i><span style="font-weight: 400;">Governança Socioambiental em Áreas Protegidas: experiências institucionais e fatores críticos em diferentes biomas, </span></i><span style="font-weight: 400;">organizada por instituições-membro da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o ISPN pôde levar à discussão as inovações do Mosaico Gurupi em termos de governança no campo da gestão integrada de áreas protegidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o Evento Paralelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional, </span></i><span style="font-weight: 400;">organizado pela Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas do Brasil (REMAP), foi importante momento para abordarmos o panorama atual e perspectivas futuras para a inserção qualificada de Terras Indígenas em mosaicos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">“Defendemos que a inclusão de terras indígenas  em mosaicos não pode ter só um objetivo pragmático, uma formalidade para atender uma política em específico, mas  uma construção qualificada, que leve com muita seriedade os modos de vida e de   gestão do território dos povos indígenas, bem como os devidos processos de consulta, de tomadas de decisão e de produção de entendimentos coletivos em torno da ideia”, pondera o coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para João Guilherme, é preciso que o processo de discussão também calibre expectativas e aponte potencialidades, “mosaico não vai resolver todas as questões territoriais e ambientais. É mais uma ferramenta de gestão, com uma especificidade importante, uma vez que abre a possibilidade de articular a gestão territorial em rede, a partir da colaboração entre áreas protegidas&#8221;, concluiu.</span></p>
<figure id="attachment_33203" aria-describedby="caption-attachment-33203" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33203" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos.jpg" alt="João Guilherme Nunes Cruz, coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, no evento paralelo Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Joao-Guilherme-Rede-de-Mosaicos-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33203" class="wp-caption-text">João Guilherme Nunes Cruz, coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, no evento paralelo Mosaicos de áreas protegidas no Brasil: gestão territorial integrada, inclusão social e caminhos para um sistema nacional. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Saiba mais sobre os povos e comunidades tradicionais</b> <span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais possuem formas próprias de organização social, ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. Empregam conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos de geração em geração e contribuem para a conservação da biodiversidade brasileira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os povos indígenas e quilombolas, respectivamente, têm reconhecimento de seus territórios assegurados pelos </span><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#cfart231"><span style="font-weight: 400;">artigos 231</span><span style="font-weight: 400;">, da Constituição Federal</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.mds.gov.br/webarquivos/legislacao/seguranca_alimentar/_doc/leis/1988/Constituicao%20Federal%20de%201988%20-%20Titulo%20X%20-%20Art%2068.pdf"><span style="font-weight: 400;">68, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os demais grupos ainda lutam por instrumentos legais de reconhecimento de seus territórios. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O Estado Brasileiro reconhece </span><a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais"><span style="font-weight: 400;">28 segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses grupos representam a garantia de proteção das florestas e a regulação do clima, o respeito à biodiversidade e a manutenção da vida globalmente.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Muito além do mel: publicação revela o conhecimento dos Awa Guajá sobre as abelhas</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/muito-alem-do-mel-publicacao-revela-o-conhecimento-dos-awa-guaja-sobre-as-abelhas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 20:28:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33170</guid>

					<description><![CDATA[Hai rawirokaha pape rehe (Livro do Mel) lista 49 espécies de abelhas a partir da classificação e vivência do povo indígena Awa Guajá, revelando a complexidade das relações entre mel, floresta e espiritualidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os Awa Guajá vivem em contato profundo com a floresta e acumulam conhecimentos ancestrais, como a classificação de dezenas de espécies de abelhas e suas características, parte de seu rico repertório historicamente construído nas relações com a floresta, expresso nas suas visões de mundo, histórias e cantos.</p>
<p>Neste Dia Mundial das Abelhas, 20 de maio, divulgamos o lançamento da publicação <a href="https://ispn.org.br/publicacao/hai-rawirokaha-pape-rehe-livro-do-mel/">Hai rawirokaha pape rehe (Livro do Mel)</a> que reúne histórias contadas por pessoas de diferentes gerações do povo Awá, que vivem na região amazônica no noroeste do Maranhão, sobre os conhecimentos que eles acumulam acerca das abelhas e dos méis.</p>
<p>Escritas em Guajá e em português, essas narrativas contribuem para a produção de material didático voltado às escolas indígenas Awá, fortalecendo o uso da língua materna ao mesmo tempo em que apoia o aprendizado do português. A obra também torna acessível ao público geral o conhecimento que esse povo indígena possui sobre um conjunto expressivo de 49 espécies de abelhas e suas características.</p>
<p>A linguista Marina Magalhães, da Universidade de Brasília (UnB), uma das organizadoras da publicação, estuda a língua dos Awá há 25 anos e convive com eles desde 2001.</p>
<blockquote><p>“Não me canso de admirar sua sabedoria e o nível de detalhamento dos seus conhecimentos sobre o ambiente em que vivem: a floresta, com os múltiplos seres naturais e sobrenaturais que lá habitam”, destaca.</p></blockquote>
<p>Para o antropólogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e também organizador do livro, Uirá Garcia, uma das coisas mais interessantes de se ressaltar é o interesse dos Awá em fazer esse livro.</p>
<blockquote><p>“Foi uma coisa que partiu muito deles, parte de um diálogo com a gente, mas é uma coisa que eles queriam deixar registrado, porque eles têm orgulho desse tipo de conhecimento”, relata.</p></blockquote>
<p>Na avaliação de Marina Magalhães, a experiência de produzir esta publicação foi extremamente realizadora.</p>
<blockquote><p>“Registrar as histórias sobre mel e abelhas por meio de gravação, transcrição e tradução, além de inúmeras sessões de conversas e esclarecimentos, nos permitiu, a mim e ao antropólogo Uirá Garcia, entrar a fundo no intrincado sistema classificatório que relaciona, numa espécie de rede, animais, plantas e espíritos”.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33192" aria-describedby="caption-attachment-33192" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33192" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/coleta-de-mel-03-foto-768x1024.jpeg" alt="Coleta do mel - Foto: Crédito: Irakaxi’i͂a, imagens cedidas pelo pai dele, Hajkaramykỹa" width="768" height="1024" /><figcaption id="caption-attachment-33192" class="wp-caption-text">Coleta do mel Pirairuhua &#8211; Foto: Irakaxi’i͂a, imagens cedidas pelo pai dele, Hajkaramykỹa</figcaption></figure>
<p><strong>Diversidade de espécies<br />
</strong><br />
Enquanto a maioria dos levantamentos feitos com outros povos indígenas sobre o tema lista por volta de 20 espécies de abelhas, os Awa Guajá foram além: identificaram 49 tipos distintos, conforme sua própria classificação, baseada não em critérios biológicos da taxonomia ocidental, mas em sua cosmovisão.</p>
<p>A metodologia partiu do profundo conhecimento dos Awá sobre seu território, aliado a um cuidadoso diálogo com referências da meliponicultura brasileira, como o livro eletrônico <a href="https://abelha.org.br/formulario-e-book-abelhas-sem-ferrao-relevantes-para-a-meliponicultura-no-brasil/">Abelhas sem ferrão relevantes para a meliponicultura no Brasil</a> (Menezes et al., 2023) e o portal da <a href="https://abelha.org.br/">Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A)</a>. Longe de ser um estudo entomológico, o livro registra, sobretudo, o modo Awá de pensar esses insetos.</p>
<blockquote><p>“A gente acha que talvez esse seja o maior conjunto de méis que um povo indígena já inventariou, aos seus próprios moldes. Não é um trabalho de entomologia, não é um trabalho de etnobiologia, a gente está partindo da classificação dos próprios Awá, das histórias deles”, explica Uirá Garcia.</p></blockquote>
<p><strong>Maridos, esposas e espíritos Karawara<br />
</strong><br />
A classificação Awá é construída a partir de diversos elementos, incluindo espiritualidade, redes de parentesco e formatos de ninho. As abelhas são descritas como “aparentadas” umas às outras por meio dos termos imẽna – hamirikoa (“marido – esposa”). Essas relações se estabelecem pela coabitação em uma mesma árvore, pela semelhança do mel, do comportamento, dos efeitos que causam ou da aparência.</p>
<p>Por exemplo, as abelhas hairaxi’ĩa e hairaxũa produzem méis de sabor similar; tataipinuhũa e tataipinỹ causam queimaduras na pele; uhua e uhupa’ỹ têm entradas de ninho parecidas. Já os ninhos dos “maridos” costumam ter formatos compridos, enquanto os das “esposas” são redondos ou em buracos de árvores.</p>
<p>Além disso, muitos nomes das abelhas remetem a animais da floresta, comportamentos ou características físicas. Ahairuhua (“abelha grande”), por exemplo, é de fato de grande porte e constrói ninhos volumosos; a hairaxũa (‘abelha branca’), tem listras brancas no tórax; e a tihapahaira (‘abelha do olho)’, é chamada dessa forma por ser minúscula e entrar no olho das pessoas quando elas estão andando pela floresta.</p>
<p>As narrativas coletadas também trouxeram à tona os Karawara, seres que, segundo os Awá, habitam os patamares celestes mas descem à terra para se alimentar do mel da floresta. Muitos dos Karawaras se alimentam do mel da floresta mesmo vivendo entre espíritos, como o Haira Jara (gente papa-mel), que abre o ninho das abelhas com o machado, ou o Warajuxa’a, que é uma borboleta-gente e que também se alimenta exclusivamente de mel. <a href="https://ispn.org.br/noticia/cantos-do-ceu-e-da-terra-a-trama-sagrada-dos-awa%e2%80%91guaja-no-lugar-de-ser-e-resistir/" target="_blank" rel="noopener">Os Awá cantam as músicas para se comunicarem com esses Karawara</a>.</p>
<blockquote><p>“Quando os Awá falavam das abelhas, automaticamente se falavam dos cantos dos méis, das histórias dos méis, uma parte de mitologia, uma parte de narrativas mesmo sobre histórias de lembranças. A maneira que trabalharam esse tema do mel foi muito diferente, por exemplo, do que um biólogo trabalharia. Eles trouxeram o mel, mas logo com o mel vêm outras referências que são tão ou mais importantes do que a própria espécie, do que a própria classificação, a taxonomia, que são a poética dos cantos, a memória das narrativas”, destaca Uirá Garcia.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33193" aria-describedby="caption-attachment-33193" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33193 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/abelhas-awa-guaja-3-768x1024.jpeg" alt="Abelhas Pirairuhua. Foto: Uirá Garcia" width="768" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/abelhas-awa-guaja-3-768x1024.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/abelhas-awa-guaja-3-225x300.jpeg 225w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/abelhas-awa-guaja-3.jpeg 960w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption id="caption-attachment-33193" class="wp-caption-text">Colmeia da abelha Pirairuhua. Foto: Uirá Garcia</figcaption></figure>
<p><strong>Um livro para todos os públicos</strong></p>
<p>Com fotos, narrativas de mulheres, homens e anciãos, e um cuidadoso trabalho de tradução, o <a href="https://ispn.org.br/publicacao/hai-rawirokaha-pape-rehe-livro-do-mel/">Livro do Mel</a> vai muito além de um catálogo: é um mergulho na alma Awa Guajá, na sua relação indissociável com a floresta e na potência do protagonismo indígena na produção de conhecimento.</p>
<p>Ao final da publicação, há uma lista detalhada, organizada pelos próprios Awá, descrevendo quais méis são inofensivos, quais inspiram atenção, e não podem ser consumidos nunca. Consumir o mel errado, na época errada da vida (infância, pós-parto, velhice), pode causar desde alergias até paralisia nas pernas.</p>
<blockquote><p>“O Livro do Mel é fruto de uma parceria de muitas mãos, começando pelos Awa Guajá e terminando nos futuros leitores indígenas e não indígenas. Nesse percurso, encontram-se, além da linguista e do antropólogo, os narradores, ilustradores, fotógrafos, editores e financiadores. Portanto, articular todos esses atores para contribuir com a realização de parte dos anseios dos Awa Guajá me causou imensa satisfação, mas nada comparável à alegria de continuar aprendendo com eles”, descreve Marina Magalhães.</p></blockquote>
<p>Esta publicação é um dos produtos resultantes do projeto Literatura Oral e Conhecimentos Ecológicos Tradicionais, financiado pela <a href="https://www.firebirdresearchgrants.org/">Fundação Firebird</a>, e contou com apoio do Projeto Paisagens Indígenas, executado pela parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e o Instituto Nupef, com apoio da Norway’s International Climate and Forest Initiative (NICFI).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projeto Porongaço representa avanço na regularização fundiária e vai impactar mais de 26 mil famílias na Amazônia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/projeto-porongaco-representa-avanco-na-regularizacao-fundiaria-e-vai-impactar-mais-de-26-mil-familias-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 15:21:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33157</guid>

					<description><![CDATA[Projeto deve beneficiar diretamente mais de 26 mil famílias e contribuir para a proteção de mais de 1,6 milhão de hectares de florestas e águas na região]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O projeto “Porongaço: Caminhos da Regularização Fundiária dos Territórios da Floresta” foi lançado, em Belém (PA), como uma iniciativa estratégica para fortalecer a garantia de direitos territoriais na Amazônia. A ação deve beneficiar diretamente mais de 26 mil famílias e contribuir para a proteção de mais de 1,6 milhão de hectares de florestas e águas na região. O lançamento foi marcado pela realização de um seminário, reunindo parceiros e a equipe responsável pela execução das atividades.</p>
<p>O projeto é liderado e promovido pelo <a href="https://cnsbrasil.org/" target="_blank" rel="noopener">Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS)</a> e pelo Fundo Puxirum dos Extrativistas da Amazônia Brasileira, com gestão financeira do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e financiamento da Tenure Facility. Surge como resposta a um dos principais desafios da região: promover segurança jurídica aos territórios de uso coletivo, conservar o meio ambiente e fortalecer populações extrativistas.</p>
<p>As ações serão realizadas em 47 territórios no Pará — sendo 45 Projetos de Assentamento Agroextrativista (PAEs) e 2 Reservas Extrativistas (Resex) — alcançando diretamente 26.663 famílias e contribuindo para a proteção de mais de 1,6 milhão de hectares de floresta e águas.</p>
<p>Segundo Letícia Moraes, vice-presidente do CNS, a meta é viabilizar soluções concretas para a regularização fundiária e responder a uma demanda histórica das populações extrativistas.</p>
<blockquote><p>“A iniciativa promove segurança jurídica para as famílias, fortalece a conservação da biodiversidade, contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas e amplia as condições para o uso sustentável dos recursos naturais. Garantir a segurança jurídica dos territórios é fundamental para proteger a floresta, fortalecer as comunidades e criar condições reais de desenvolvimento sustentável na Amazônia”, comenta.</p></blockquote>
<p>A proposta está estruturada em três eixos principais: o avanço da regularização fundiária dos territórios extrativistas, o fortalecimento institucional das organizações representativas e das associações comunitárias locais. Além disso, reconhece que a garantia de direitos territoriais depende da articulação entre políticas públicas, organização social e acesso a instrumentos técnicos e administrativos que viabilizem a titulação e a gestão dos territórios.</p>
<p>De forma transversal, o projeto também valoriza o protagonismo de jovens e mulheres extrativistas, reconhecendo seu papel na sustentabilidade dos territórios e na formação de novas lideranças. A iniciativa promove ainda a articulação com instituições públicas e parcerias estratégicas, com o apoio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente e Ministério Público Federal, entre outras.</p>
<p>Para o coordenador executivo do ISPN, Fábio Vaz, o Projeto Porongaço reforça a importância de fortalecer territórios tradicionais a partir do protagonismo das próprias comunidades.</p>
<blockquote><p>“Acreditamos que a consolidação de direitos territoriais passa pelo fortalecimento das organizações locais e pela valorização dos conhecimentos e das capacidades de incidência política das populações extrativistas. A atuação do ISPN se dá justamente no sentido de fortalecer esse arranjo”.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Formação amplia estratégias de comercialização de produtos da sociobiodiversidade</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/formacao-amplia-a-comercializacao-de-produtos-da-sociobiodiversidade-de-organizacoes-comunitarias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 11:24:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33140</guid>

					<description><![CDATA[Lideranças do Cerrado e da Caatinga relatam impactos da formação com foco em comunicação comunitária e incidência política, comercialização e mobilização da juventude]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A formação promovida pelo Formar e-COS (Programa de Formação Continuada em Comercialização dos Produtos da Sociobiodiversidade em Mercados Institucionais) tem incentivado  lideranças comunitárias de territórios do Cerrado e da Caatinga a utilizarem  ferramentas de comunicação para ampliar a comercialização de produtos da sociobiodiversidade, mobilizar jovens e fortalecer o acesso das organizações às políticas públicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividido em três módulos realizados entre 2025 e 2026, o Formar e-COS é uma iniciativa do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), executada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), em parceria com o Coletivo 105 e a Central do Cerrado, no âmbito do Fundo Ecos (PNUD/GEF). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A formação conectou lideranças de diferentes regiões em uma rede de troca de experiências entre organizações comunitárias, permitindo que grupos compartilhassem desafios, estratégias de comunicação e comercialização, assim como formas de atuação política em seus territórios. No terceiro e último módulo, realizado em Olinda (PE) em março deste ano, os participantes refletiram principalmente sobre os desafios de fortalecer a presença das organizações nas redes e nos territórios.</span></p>
<figure id="attachment_33144" aria-describedby="caption-attachment-33144" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33144" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33144" class="wp-caption-text">Durante grupo de trabalho no terceiro módulo da formação, participantes de diversas regiões trocaram experiências sobre os desafios enfrentados em seus territórios. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das discussões sobre políticas públicas e comercialização, a formação incentivou a produção prática de conteúdos de comunicação comunitária. Durante o último módulo, os participantes apresentaram materiais desenvolvidos ao longo do curso, como campanhas digitais, registros audiovisuais e estratégias de divulgação voltadas aos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O representante da Associação dos Pequenos Produtores de Laranjinha e Molho, Joselito de Souza Barbosa, no território do Rio Corrente, na Bahia, avalia que o Formar e-COS ajudou as organizações participantes a compreenderem a importância estratégica da comunicação.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Muitas vezes a gente faz muitos projetos nas associações, muitas atividades, mas fica tudo escondido e poucas pessoas sabem”, afirma.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A organização de Joselito atua com produtos agroecológicos e do extrativismo, como pequi, buriti, castanha e caju, comercializados em feiras e programas institucionais.</span></p>
<figure id="attachment_33145" aria-describedby="caption-attachment-33145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33145" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33145" class="wp-caption-text">Joselito durante apresentação de produtos dos agricultores da sua associação. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao todo, participaram representantes de 25 organizações comunitárias de sete estados brasileiros. Durante a formação, foram desenvolvidos 21 produtos de comunicação e implementadas 20 ações de comunicação nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre comunicação e fortalecimento territorial é destacada pela integrante da Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), no Tocantins, Lara Thifanny Alves Ferreira. Segundo ela, a produção de conteúdos sobre o babaçu e o trabalho das quebradeiras de coco da organização ajudou a ampliar a valorização cultural e o alcance dos produtos da comunidade.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi com a comunicação que a gente descobriu o quanto isso é uma ferramenta de luta também. A luta pela preservação do babaçu, da quebra do coco babaçu, mas pelas nossas redes, pelos nossos conteúdos”, relata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela explica que a produção de conteúdos mostrando o preparo dos alimentos e os processos de extração do babaçu também tem aproximado outras pessoas da realidade das comunidades extrativistas. “Outras pessoas conseguem conhecer esse produto e valorizar”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33146" aria-describedby="caption-attachment-33146" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33146" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33146" class="wp-caption-text">César Pinheiro de Oliveira, do Vale do Jequitinhonha (MG) e Lara Thifanny Alves Ferreira durante dinâmica de grupo. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Permanência nos territórios e comercialização</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preocupação com a permanência da juventude nos territórios também foi um dos temas trabalhados entre os participantes da formação. </span><span style="font-weight: 400;">A articuladora e comunicadora do Grupo de Mulheres Guardiãs das Abelhas e da Caatinga do Piauí, Maria Paula Pereira, relata que o Formar e-COS ajudou a mobilizar os jovens do seu território nas atividades comunitárias e nas discussões sobre políticas públicas. Segundo ela, as atividades ligadas à comunicação e à apicultura têm despertado o interesse da juventude da sua região pelas organizações comunitárias e pelas possibilidades de geração de renda.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Os jovens não querem participar dessas coisas, mas, através do Formar e-COS, eu consegui sensibilizar alguns jovens do meu território. Queremos aproximar eles do ramo da apicultura, que é muito importante para a gente”, explica.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33148" aria-describedby="caption-attachment-33148" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33148" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33148" class="wp-caption-text">Para Maria Paula Pereira, um dos principais resultados foi a mobilização dos jovens em seu território. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Itabira, no sertão do Alto Pajeú, em Pernambuco, a agricultora Jocélia Bezerra da Silva conta que as estratégias de comunicação trabalhadas durante a formação já começaram a gerar resultados para a Associação de Mulheres Pequenas Produtoras Rurais de Cachoeira Grande, presidida por ela.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente começou a expor os nossos produtos e já começaram a surgir pedidos. Demandas pequenas, mas que já são frutos da formação”, relata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A associação atua com hortaliças, polpas de frutas, artesanato, bolos e doces caseiros produzidos pelas agricultoras da comunidade. Para Jocélia, a formação também fortaleceu a troca de conhecimentos dentro da própria associação. “O que eu aprendo aqui eu levo para minha associação. Então, a formação não é só minha”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33149" aria-describedby="caption-attachment-33149" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33149" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33149" class="wp-caption-text">Jocélia Bezerra da Silva e Acsa Thamires, comunicadora da Diaconia, organização parceria da Associação de Mulheres Pequenas Produtoras Rurais de Cachoeira Grande, apresentam estratégias de comunicação. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Comunicação e incidência política</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das estratégias de comercialização e comunicação comunitária, a formação abordou o acesso das organizações às políticas públicas e os desafios enfrentados pelos grupos para participar de programas institucionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Membro da Associação dos Produtores Rurais da Barra do Rio, em Milton Brandão (PI), Kayki Ivan de Sousa Pereira ressalta a incidência política como um dos caminhos para enfrentar as dificuldades vividas pelas organizações comunitárias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Na teoria temos acesso, mas na prática existem muitos impedimentos. Então devemos correr atrás desses direitos através da incidência política”, afirma.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, muitas associações ainda enfrentam obstáculos para acessar programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e outras iniciativas públicas voltadas aos mercados institucionais da agricultura familiar.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Kayki também destaca a comunicação como ferramenta fundamental nesse processo. “Se a gente se cala, nada vai mudar. A gente precisa comunicar aquilo que quer e também aquilo que não está funcionando”, diz.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33150" aria-describedby="caption-attachment-33150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33150" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33150" class="wp-caption-text">Troca de experiências entre diferentes organizações marcou o último módulo do Formar e-COS. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Redes que seguem para além da formação</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos conteúdos técnicos, participantes destacam que um dos principais resultados do Formar e-COS foi a construção de redes entre organizações de diferentes territórios do Cerrado e da Caatinga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O coordenador da Unidade de Beneficiamento da Associação dos Apicultores do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, César Pinheiro de Oliveira afirma que a troca de experiências entre os participantes ampliou o olhar das lideranças sobre os desafios comuns enfrentados pelas comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que uma capacitação técnica, o Formar e-COS consolidou uma rede entre organizações comunitárias de diferentes territórios do Cerrado e da Caatinga. As articulações construídas seguem fortalecendo a valorização dos produtos da sociobiodiversidade e a defesa dos direitos das comunidades. As experiências desenvolvidas ao longo da formação também reforçam a comunicação como ferramenta estratégica para ampliar a autonomia das organizações e fortalecer as identidades territoriais. </span></p>
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