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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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		<title>Organizações indígenas do Mosaico Gurupi reúnem-se para discutir fortalecimento da gestão territorial e restauração florestal</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/organizacoes-indigenas-do-mosaico-gurupi-reunem-se-para-discutir-fortalecimento-da-gestao-territorial-e-restauracao-florestal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 12:16:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Seminário promovido pelo ISPN marcou encerramento do Projeto Gestão e Restauração de Terras Indígenas do Mosaico Gurupi e o lançamento de nova iniciativa de restauração]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Nove organizações indígenas do Mosaico Gurupi estiveram reunidas em Paço do Lumiar, cidade da Região Metropolitana de São Luís, no Maranhão, nos dias 23, 24 e 25 de setembro, para o Seminário “Aprendizados e Novos Caminhos para a Restauração”. O evento foi organizado pelo ISPN com dois objetivos: primeiro, fazer uma avaliação coletiva, após quatro anos de execução, do Projeto Gestão e Restauração das Terras Indígenas do Mosaico Gurupi; e, segundo, lançar um novo projeto: o </span><span style="font-weight: 400;">Aliança Tupi-Timbira pela Restauração das Florestas da Amazônia Oriental</span><span style="font-weight: 400;">, elaborado pelo instituto também a partir das demandas dos povos indígenas do Mosaico Gurupi.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“A ideia de juntar os dois projetos – um que se encerra e outro que está começando –, no mesmo Seminário, foi a partir da visão panorâmica e estratégica do trabalho que o ISPN desenvolve na região. Cada projeto tem sua especificidade, mas ambos possuem o objetivo comum de fortalecer o Mosaico Gurupi e as iniciativas desenvolvidas pelos povos indígenas nos seus territórios, em torno da proteção territorial, da conservação da vida, da conservação da biodiversidade e da restauração ambiental”</span></i><span style="font-weight: 400;">, explica o coordenador do Programa Povos Indígenas (PPI) do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O Mosaico Gurupi foi reconhecido oficialmente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em julho do ano passado, após anos de incidência da Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas (Remap), ISPN e demais instituições que compõem seu Conselho Consultivo e com o protagonismo das lideranças indígenas junto a órgãos governamentais, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o próprio MMA, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado foi que pela primeira vez a política ambiental brasileira reconheceu um mosaico de áreas protegidas composto por uma única área de conservação e com predominância de Terras Indígenas: a Reserva Biológica do Gurupi (Rebio Gurupi) corresponde a apenas 5,9% do total de 46 mil km². A área restante, ou seja, 43,3 mil km², é composta por seis Terras Indígenas: Araribóia, Caru, Rio Pindaré, Alto Turiaçu e Awá; no Maranhão; mais a Terra Alto Rio Guamá, no Pará.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos objetivos do Projeto Gestão e Restauração das Terras Indígenas do Mosaico Gurupi era consolidar, nessas seis Terras Indígenas, uma rede de gestão e restauração dos territórios.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi um projeto bastante estratégico para ampliar essa rede de conexão e colaboração entre as organizações atuantes nos territórios e dessas organizações com o próprio ISPN. Para a gente é muito importante valorizar os resultados dos projetos que foram desenvolvidos em parceria com o Programa Copaíbas”</span><span style="font-weight: 400;">, afirma a gerente de Projetos do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Paula Ceotto, que participou do Seminário, tanto para celebrar os resultados, quanto para saber, diretamente, das organizações indígenas como foi a experiência com o trabalho desenvolvido.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O Funbio, por meio do Programa Copaíbas, foi o financiador do Projeto Gestão e Restauração das Terras Indígenas do Mosaico Gurupi.</span></p>
<figure id="attachment_33777" aria-describedby="caption-attachment-33777" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-33777" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-01-1017x1024.jpg" alt="Comunicadores que participaram de formação pelo Coletivo 105 como estratégia para o fortalecimento da rede das organizações indígenas do Mosaico do Gurupi. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="806" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-01-1017x1024.jpg 1017w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-01-298x300.jpg 298w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-01-150x150.jpg 150w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-01-768x773.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-01-1526x1536.jpg 1526w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-01.jpg 1536w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33777" class="wp-caption-text">Comunicadores que participaram de formação pelo Coletivo 105 como estratégia para o fortalecimento da rede das organizações indígenas do Mosaico do Gurupi. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“A iniciativa foi muito importante pois  trouxe a possibilidade de autonomia das organizações e associações indígenas em termos de execução financeira e, claro, quando se fala em proteção territorial também se fala em restauração das Terras Indígenas e isso é muito positivo para a gente. Então foi um projeto que veio para fortalecer a nossa organização a nível estadual e que nos ajudou a estar mais presente em todo o território”</span></i><span style="font-weight: 400;">, acrescenta o coordenador da instituição parceira da iniciativa, a Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima), Régis Guajajara, que é da Terra Indígena Araribóia, onde uma das ações do Projeto de Gestão e Restauração foi apoiar a revisão do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA).</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio desse projeto, o ISPN também conseguiu apoiar diretamente a participação de representantes dos territórios indígenas no processo de incidência política para o reconhecimento formal do Mosaico Gurupi e do seu Conselho Consultivo.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Depois de anos de articulação com órgãos governamentais, instituições, entidades de pesquisa, movimento social e com os povos indígenas, existe agora um arcabouço de legislação que reconhece e que dá a diretriz para a atuação do Conselho Consultivo do Mosaico Gurupi”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comenta a coordenadora do Projeto de Gestão e Restauração e analista socioambiental do ISPN, Thayane Tavares.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33778" aria-describedby="caption-attachment-33778" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-33778" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-02-1024x676.jpg" alt="De pé, a coordenadora do Projeto Gestão e Restauração das TIs do Mosaico do Gurupi, Thayane Tavares, durante a abertura do Seminário “Aprendizados e Novos Caminhos para a Restauração. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="800" height="528" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-02-1024x676.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-02-300x198.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-02-768x507.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-02-1536x1013.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-mosaico-gurupi-02.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33778" class="wp-caption-text">De pé, a coordenadora do Projeto Gestão e Restauração das TIs do Mosaico do Gurupi, Thayane Tavares, durante a abertura do Seminário “Aprendizados e Novos Caminhos para a Restauração. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Pressões</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do reconhecimento oficial pelo Estado Brasileiro, o Mosaico Gurupi ainda é uma das dez áreas mais críticas em relação ao desmatamento na Amazônia brasileira e sofre com ameaças à biodiversidade, aos serviços ambientais e aos direitos dos povos indígenas. A Rebio do Gurupi figura na lista das 50 unidades de conservação mais desmatadas em 2025 – com 101 hectares de desmatamento naquele ano – conforme explicita o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2025 – MapBiomas (RAD 2025). Entre as Terras Indígenas que compõem o Mosaico, somente a Alto Turiaçu figura na lista das 50 mais desmatadas do RAD 2025, mas isso não quer dizer que não existam pressões sobre as demais.</span></p>
<figure id="attachment_33779" aria-describedby="caption-attachment-33779" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33779" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-03.png" alt="Público durante debate no segundo dia do “Aprendizados e Novos Caminhos para a Restauração”. Foto: Cássio Bezerra/ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-03.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-03-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/seminario-03-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33779" class="wp-caption-text">Público durante debate no segundo dia do “Aprendizados e Novos Caminhos para a Restauração”. Foto: Cássio Bezerra/ISPN</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Nosso território está constantemente sofrendo com invasões”</span></i><span style="font-weight: 400;">, lamenta Rafael Tembé, da Terra Indígena Alto Rio Guamá, no Pará, que participou do Seminário representando a Associação Indígena Tembé AITATZUHU. Por meio do Projeto Gestão e Restauração das Terras Indígenas do Mosaico Gurupi, diversas ações e atividades de proteção territorial foram realizadas. Na TI Alto Rio Guamá, Rafael Tembé destaca que o fortalecimento dos Guardiões da Floresta foi muito importante. O grupo de Guardiões da Floresta é formado por indígenas que realizam expedições rotineiras pelo território para monitorar a ação ilegal de madeireiros, garimpeiros, caçadores, fazendeiros, traficantes, entre outros invasores. Quando encontram algum sinal de invasão, os Guardiões acionam órgãos governamentais e de Segurança, como a Funai, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Força Nacional.</span></p>
<figure id="attachment_33780" aria-describedby="caption-attachment-33780" style="width: 450px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33780" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Rafael-Tembe.png" alt="Rafael Tembé. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN" width="450" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Rafael-Tembe.png 450w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Rafael-Tembe-225x300.png 225w" sizes="(max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-33780" class="wp-caption-text">Rafael Tembé. Foto: Cássio Bezerra/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“A gente não consegue evitar 100% das invasões, mas a gente evita 50% a 70%. Nosso território foi desintrusado há poucos anos e hoje a gente já consegue ter uma visão sobre o impacto do trabalho dos Guardiões com o retorno das espécies animais, que não circulavam mais em certos pontos do nosso território. Então a gente vê de uma forma muito positiva a atuação dos Guardiões</span></i><span style="font-weight: 400;">”, afirma Rafael Tembé.</span></p></blockquote>
<p><b>Restauração de 120 hectares no Arco do Desmatamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque do evento foi o lançamento do Projeto Aliança Tupi-Timbira pela Restauração das Florestas da Amazônia Oriental ou Projeto Restaura Mosaico Gurupi Indígena, desenvolvido pelo ISPN e organizações indígenas em resposta ao desmatamento e a degradação ambiental deixadas de herança pelo avanço, nas últimas décadas, de fronteiras agropecuárias  sobre os territórios indígenas de uma região que é conhecida, não por acaso, como “Arco do Desmatamento”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Arco do Desmatamento fica na borda oriental da Amazônia onde está o Mosaico Gurupi. Uma diferença significativa do Aliança Tupi-Timbira em relação ao Projeto de Gestão e Restauração é a inclusão da Terra Indígena Kanela, que se estende por dois municípios: Fernando Falcão e Barra do Corda; além das Terras Indígenas que compõem o Mosaico Gurupi. A Terra Kanela está sob forte pressão externa,. O território possui fronteira com a Terra Kanela Memortumré, que foi a segunda Terra Indígena mais desmatada no país em 2025. Conforme o RAD 2025, a Terra Kanela Memortumré perdeu 1.025 hectares de vegetação nativa ou o equivalente a mais de 1.400 campos de futebol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator para a inclusão da TI Canela no Aliança Tupi-Timbira é a experiência do Povo Kanela que há anos trabalha junto ao Centro de Trabalho Indigenista num diagnóstico para a elaboração de estratégias de restauração. A TI Kanela também participa das mobilizações em torno da criação do Mosaico Mirador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o projeto anterior do ISPN combinava gestão territorial com restauração, o foco do Aliança Tupi-Timbira é a restauração.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Nosso objetivo é restaurar 120 hectares nas Terras Indígenas do Mosaico Gurupi e na Terra Kanela e ainda consolidar uma rede de restauração no Mosaico”</span></i><span style="font-weight: 400;">, explica a analista socioambiental do ISPN, Raíssa Ribeiro.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O Aliança Tupi-Timbira reúne uma série de estratégias e metodologias de restauração com protagonismo indígena e pretende, ao final, estruturar uma rede articulada entre as áreas protegidas do Mosaico Gurupi e a Terra Indígena Kanela em torno da restauração, por meio da circulação planejada de sementes florestais, fortalecimento de viveiros, intercâmbios, projetos executados por associações indígenas, dentre outras ações”</span><span style="font-weight: 400;">, afirma o coordenador do Programa de Povos Indígenas do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN tem realizado oficinas nos territórios indígenas para saber das comunidades onde está a demanda por restauração. Nas oficinas também é discutido que tipo de restauração é mais apropriada para cada área específica. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Estamos buscando saber como eles gostariam de restaurar: se é uma semeadura direta, se precisa de uma restauração em larga escala, se é uma restauração para proteção territorial. Então esperamos com esse projeto alcançar esses objetivos de restaurar os 120 hectares e de consolidar essa rede de restauração no Mosaico Gurupi</span></i><span style="font-weight: 400;">”, afirma Raíssa Ribeiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O coordenador técnico do Projeto do Aliança Tupi-Timbira e analista socioambiental do ISPN, Robert Miller, destaca o papel da restauração para a gestão dos territórios indígenas e do meio ambiente.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“A restauração anda junto com a proteção do território, faz parte dos cuidados que os povos indígenas têm com a conservação da biodiversidade, com a conservação dos territórios e com essa busca pelo bem-viver, de ter na restauração o retorno de recursos que têm se tornado escassos, principalmente, a questão dos animais, da fauna, da caça, que é muito importante para os rituais. Então, a restauração de áreas que foram degradadas nas últimas décadas é um componente muito importante dessa gestão dos territórios dos povos indígenas do Mosaico do Gurupi”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto </span><b>Aliança Tupi-Timbira </b><span style="font-weight: 400;">é apoiado por recursos do Fundo Amazônia e integra o Restaura Amazônia – um programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do governo federal que conta com a Conservação Internacional (CI-Brasil) como parceira gestora.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Produção agroecológica fortalece autonomia das famílias na Terra Indígena Pindaré</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/producao-agroecologica-fortalece-autonomia-das-familias-na-terra-indigena-pindare/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 13:06:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33718</guid>

					<description><![CDATA[Iniciativas apoiadas pelo ISPN promovem produção de alimentos, organização comunitária e protagonismo das mulheres Guajajara, valorizando práticas agroecológicas e o cuidado com o território]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Na Terra Indígena Pindaré, no Maranhão, produzir alimentos também significa fortalecer a autonomia das famílias e reafirmar a relação dos povos indígenas com o território. Em dez aldeias do povo Guajajara (Tabocal, Januária, Areião, Areinha, Aldeia Nova, Novo Planeta, Novo Cento, Alto Angelim, Piçarra Preta e Guarimã), 270 famílias são atendidas por iniciativas de etnodesenvolvimento que articulam produção, geração de renda, organização comunitária com base nos princípios agroecológicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As iniciativas apresentadas integram as medidas de mitigação dos impactos decorrentes da instalação e da operação da Estrada de Ferro Carajás &#8211; componente indígena, operada pela Vale/SA na Terra Indígena Rio Pindaré, implementado pelo Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN). A atuação dos técnicos do ISPN vêm apoiando o intercâmbio de conhecimentos e valorizando saberes e práticas já existentes nas comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os trabalhos desenvolvidos está a criação de aves, que tem contribuído para ampliar as possibilidades de segurança alimentar e geração de renda das famílias. Os produtores recebem materiais para a construção e estruturação dos galinheiros, como telas, comedouros, lâmpadas, arames para cercas e lonas. As estruturas seguem, em geral, um padrão de 22 a 25 metros quadrados, podendo chegar a 30 metros quadrados. O ciclo de criação dura aproximadamente 90 dias, período em que as aves podem alcançar cerca de 2,5 quilos.</span></p>
<figure id="attachment_33720" aria-describedby="caption-attachment-33720" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33720" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-picarra-preta-20261009-1024x577.jpg" alt="Área de plantio diversificado na Aldeia Piçarra Preta, na Terra Indígena Pindaré no município de Bom Jardim (MA). Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-picarra-preta-20261009-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-picarra-preta-20261009-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-picarra-preta-20261009-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-picarra-preta-20261009-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-picarra-preta-20261009.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33720" class="wp-caption-text">Área de plantio diversificado na Aldeia Piçarra Preta, na Terra Indígena Pindaré no município de Bom Jardim (MA). Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Fernanda Santos, de 34 anos, moradora da aldeia Areinha, a atividade representa uma oportunidade de construir uma nova fonte de renda para a família. Casada com um indígena da comunidade e mãe de três filhos, ela vive há 15 anos na aldeia, onde vem resgatando sua ancestralidade familiar indígena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o recebimento dos materiais para estruturar o galinheiro, Fernanda se prepara para iniciar a criação. “Vou começar com as 25 aves que o projeto prevê, mas estou muito encorajada para fazer essa produção crescer”, avalia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A expectativa de ampliar a produção e comercializar os alimentos também está presente na fala de seu Domingos Guajajara. Para ele, a criação de aves deve caminhar junto com o cultivo de diferentes espécies e com a busca por novos mercados. “A gente tem o que oferecer. Tem produzido muita ave e peixe de boa qualidade”, destaca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O acesso aos mercados, no entanto, ainda é um desafio. “A gente trabalha, tem que criar e comercializar. Plantamos mandioca, macaxeira, feijão e tudo de horta. Da abóbora ao inhame. É bom ter um lugar para vender o que a gente produz. Continuar criando as aves e plantando para comer e vender a produção”, afirma.</span></p>
<figure id="attachment_33721" aria-describedby="caption-attachment-33721" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33721" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-visita-tecnicos-20261009.png" alt="Visita dos técnicos do ISPN, Celso Barros e Kaline Oliveira, na Aldeia Areinha, na Terra Indígena Pindaré.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-visita-tecnicos-20261009.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-visita-tecnicos-20261009-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/ti-pindare-visita-tecnicos-20261009-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33721" class="wp-caption-text">Visita dos técnicos do ISPN, Celso Barros e Kaline Oliveira, na Aldeia Areinha, na Terra Indígena Pindaré.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Mulheres que produzem, organizam e constroem autonomia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na aldeia Novo Cento, a produção está diretamente ligada à organização das mulheres. Desmembrada da aldeia Novo Planeta em 2024, a comunidade reúne atualmente 14 famílias e tem nas mulheres uma de suas principais forças de mobilização.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No cotidiano da aldeia, elas participam da organização das atividades produtivas, do cuidado com os bens culturais e da produção de alimentos. As hortas comunitárias são um dos espaços em que esse protagonismo se torna mais visível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência da aldeia também revela como a produção pode ser um instrumento de fortalecimento da autonomia das mulheres. Janaína Caragiu, uma das lideranças da comunidade, atua na organização das mulheres e na articulação de diferentes pautas, como o enfrentamento à violência de gênero, o combate à discriminação, o reflorestamento, o artesanato e a produção agrícola.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Hoje nós somos mulheres de luta, porque antes era impossível participar de uma reunião como liderança e hoje isso é possível. Hoje nos sentimos muito fortalecidas quando somos chamadas de guerreiras”, relata.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Janaína Caragiu, a organização das mulheres também se fortalece por meio da troca entre diferentes comunidades da Terra Indígena Pindaré. Ela integra o grupo de mulheres da TI e destaca a importância do acompanhamento da equipe no processo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É muito válido e importante esse contato. Nós agarramos com muita dedicação. Está sendo muito satisfatório porque somos nós, mulheres, a maior força da nossa horta”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33726" aria-describedby="caption-attachment-33726" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33726" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/raimunda-protasio-20261009.png" alt="Dona Raimunda Protásio, produtora de aves na Aldeia Tabocal. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/raimunda-protasio-20261009.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/raimunda-protasio-20261009-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/raimunda-protasio-20261009-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33726" class="wp-caption-text">Dona Raimunda Protásio, produtora de aves na Aldeia Tabocal. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na comunidade, a organização também se traduz em práticas coletivas. As mulheres definem os dias de trabalho e se revezam nos cuidados com a horta, fortalecendo a responsabilidade compartilhada pela produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Aldeia Tabocal, dona Raimunda Protásio, de 58 anos, vai aumentando sua produção de aves. Antes, segundo ela, o trabalho era realizado de forma mais individual e a produção era somente para o consumo das próprias famílias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Antes desse apoio, cada um fazia por si. Só dava para fazer a comida para comer mesmo. Agora a gente já tem o sonho de vender para fora e fazer nossa renda. Eu vendi boa parte da nossa produção”, conta.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33732" aria-describedby="caption-attachment-33732" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33732" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/galinhas-ti-pindare-20261009.png" alt="Produção de aves de dona Raimunda Protásio, Aldeia Tabocal. Foto: Cristiane Moraes.Acervo/ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/galinhas-ti-pindare-20261009.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/galinhas-ti-pindare-20261009-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/galinhas-ti-pindare-20261009-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33732" class="wp-caption-text">Produção de aves de dona Raimunda Protásio, Aldeia Tabocal. Foto: Cristiane Moraes.Acervo/ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Agroecologia: saberes ancestrais que cuidam da terra</b></p>
<figure id="attachment_33743" aria-describedby="caption-attachment-33743" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33743" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/troca-de-saberes-ti-pindare-20261009-1024x577.jpg" alt="Troca de saberes entre indígenas e técnicos do ISPN na Aldeia Piçarra Preta. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/troca-de-saberes-ti-pindare-20261009-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/troca-de-saberes-ti-pindare-20261009-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/troca-de-saberes-ti-pindare-20261009-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/troca-de-saberes-ti-pindare-20261009-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/troca-de-saberes-ti-pindare-20261009.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33743" class="wp-caption-text">Troca de saberes entre indígenas e técnicos do ISPN na Aldeia Piçarra Preta. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que um conjunto de técnicas de produção, a agroecologia valoriza conhecimentos tradicionais e formas de relação com a terra construídas ao longo de gerações por povos indígenas e comunidades tradicionais. Nessa perspectiva, o solo é compreendido como um organismo vivo, que precisa ser cuidado e protegido para continuar produzindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Práticas como o uso de adubos naturais, a cobertura do solo, o cultivo diversificado e o consórcio entre diferentes espécies contribuem para recuperar a fertilidade da terra, conservar a biodiversidade e reduzir a dependência de insumos químicos. O não uso de agrotóxicos também representa uma escolha pelo cuidado com a saúde das pessoas e com o território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Terra Indígena Pindaré, esses princípios se traduzem em experiências concretas. O cultivo de diferentes espécies em uma mesma área, o uso da mucuna-preta para proteger e enriquecer o solo e a valorização das áreas de pousio são exemplos de práticas que dialogam com os conhecimentos ancestrais e com os princípios da agroecologia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, resgatar a ancestralidade não significa apenas olhar para o passado, mas reconhecer conhecimentos que permanecem atuais e podem contribuir para construir formas de produção mais saudáveis, diversificadas e em equilíbrio com a natureza.</span></p>
<p><b>Agroecologia como cuidado com a terra</b></p>
<figure id="attachment_33753" aria-describedby="caption-attachment-33753" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33753" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/milho-ti-pindare-20261009-1024x577.jpg" alt="A produção de milho plantado com adubo natural na Aldeia Piçarra Preta ganha maior tamanho e qualidade. Foto: Cristiane Moraes/ Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/milho-ti-pindare-20261009-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/milho-ti-pindare-20261009-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/milho-ti-pindare-20261009-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/milho-ti-pindare-20261009-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/milho-ti-pindare-20261009.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33753" class="wp-caption-text">A produção de milho plantado com adubo natural na Aldeia Piçarra Preta ganha maior tamanho e qualidade. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho desenvolvido nas aldeias também busca fortalecer conhecimentos e práticas agroecológicas, valorizando formas de produção que preservam o solo, a biodiversidade e as áreas de vegetação nativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na aldeia Piçarra Preta, uma das experiências envolve o cultivo da mucuna-preta, uma espécie de leguminosa utilizada para melhorar as condições do solo. A planta contribui para a fixação de nitrogênio e, ao mesmo tempo, forma uma cobertura de matéria orgânica que protege a terra e favorece a manutenção de sua vida e fertilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas áreas de pousio, a mucuna é deixada sobre o solo, onde continua contribuindo para sua recuperação e preparação para o próximo plantio. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A prática integra uma perspectiva de manejo que busca cuidar da terra em vez de apenas retirar dela os nutrientes necessários para a produção. Ela produz uma camada de matéria orgânica contribuindo para manutenção da umidade do solo, aumentando a dinâmica biológica e disponibilidade de nutrientes essenciais para os cultivos”, explica o analista socioambiental do ISPN, Tainan Pereira.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho também incentiva o policultivo e os sistemas de produção diversificados. Quiabo, melancia, mandioca, feijão, fava, maxixe e batata-doce podem ser cultivados de forma consorciada, ampliando a diversidade dos alimentos produzidos e fortalecendo uma agricultura baseada nos princípios da agroecologia.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente incentiva o policultivo. O consórcio com maior diversidade produtiva será melhor para eles, favorecendo um processo mais diverso e pautado na agroecologia”, detalha Tainan.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o analista socioambiental do ISPN, Celso Barros, a proposta também está relacionada ao resgate de conhecimentos tradicionais que, ao longo do tempo, foram sendo deixados de lado diante da influência de outros modelos agrícolas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nosso trabalho busca fortalecer, junto às comunidades, as práticas ancestrais de cultivo e os conhecimentos transmitidos entre gerações. Ao articular esses saberes aos princípios da agroecologia, contribuímos para uma produção que respeita os modos de vida indígenas, favorece a conservação do solo e apoia a recuperação da vegetação e da biodiversidade nas áreas em processo de restauração do território”, enfatiza.</span></p></blockquote>
<p><b>Produzir sem agrotóxicos e fortalecer a autonomia</b></p>
<figure id="attachment_33754" aria-describedby="caption-attachment-33754" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33754" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Bom-Jardim-TI-Pindare-1024x577.jpg" alt="João de Jesus no cuidado com o milharal da Aldeia Piçarra Preta, Terra Indígena Pindaré, município de Bom Jardim. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Bom-Jardim-TI-Pindare-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Bom-Jardim-TI-Pindare-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Bom-Jardim-TI-Pindare-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Bom-Jardim-TI-Pindare-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Bom-Jardim-TI-Pindare.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33754" class="wp-caption-text">João de Jesus no cuidado com o milharal da Aldeia Piçarra Preta, Terra Indígena Pindaré, município de Bom Jardim. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na aldeia Piçarra Preta, o agricultor José de Jesus destaca a escolha por formas naturais de manejo e os impactos dessa mudança para as famílias e para o território.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Trabalhar com o veneno prejudica até a saúde da pessoa que está trabalhando com ele. Assim, naturalmente, a gente vai aprendendo a técnica mais natural”, afirma.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O manejo sem o uso de agrotóxicos vem acompanhado de outras práticas de cuidado com o solo. “A gente não desmata mais e deixa ela só adubada”, declara José, referindo-se à terra e às práticas utilizadas para manter sua fertilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção também começa a abrir caminhos para a comercialização. Parte dos alimentos produzidos na comunidade já chega à merenda escolar e às compras realizadas por prefeituras, através dos mercados institucionais como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Macaxeira, milho, pepino, farinha e mamão estão entre os produtos comercializados .</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente tanto consome como comercializa. A produção é bem maior nos últimos três anos com as práticas naturais de cuidar da terra”, conta José de Jesus.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que ampliar a quantidade de alimentos produzidos, as experiências desenvolvidas nas aldeias apontam para uma mudança na relação entre produção, território e autonomia. Ao fortalecer práticas agroecológicas, diversificar os cultivos e ampliar as possibilidades de comercialização, as famílias indígenas encontram caminhos para produzir alimentos saudáveis, gerar renda e cuidar da terra.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><br />
<span style="font-weight: 400;">O trabalho de assistência técnica do ISPN, via Etnodesenvolvimento, no âmbito do PBA CI, registra resultados significativos, que vão desde as formas de produção às estratégias de comercialização, como o acesso aos mercados institucionais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A atuação do Etnodesenvolvimento une capacitação, fomento e acompanhamento técnico regular das famílias. Além disso, respeita as especificidades de cada povo e fortalece a produção com base nos princípios da agroecologia, buscando gerar mais autonomia e segurança alimentar”, reforça a coordenadora do Programa Maranhão, Ruthiane Pereira.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse processo, o protagonismo das mulheres ocupa um lugar central. Nas hortas, nas reuniões, na organização comunitária e na construção de novas formas de geração de renda, elas ampliam sua participação nas decisões e fortalecem sua autonomia.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Mesmo com todos os desafios, a gente precisa ver o que nossos antepassados deixaram para a gente. O jeito deles de lidar com a terra deve ser hoje nossa maior riqueza”, conclui</span> <span style="font-weight: 400;">Janaína Caragiu.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação do ISPN contribui para esse processo ao <a href="https://ispn.org.br/noticia/intercambios-agroecologicos-conectam-quilombolas-agricultores-familiares-e-indigenas-no-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">apoiar as comunidades na estruturação da produção</a> e no fortalecimento de conhecimentos e práticas que valorizam a agroecologia, o uso de adubos naturais, a diversidade dos cultivos e a preservação das áreas verdes da Terra Indígena Pindaré. Assim, produzir torna-se também uma forma de cuidar do território, fortalecer a cultura e construir autonomia para as famílias Guajajara.</span></p>
<figure id="attachment_33755" aria-describedby="caption-attachment-33755" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33755" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/tainan-ti-pindare-20261009.png" alt="Diálogo entre Tainan Pereira, analista socioambiental do ISPN e as indígenas da Aldeia Novo Cento, Terra Indígena Pindaré. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/tainan-ti-pindare-20261009.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/tainan-ti-pindare-20261009-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/tainan-ti-pindare-20261009-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33755" class="wp-caption-text">Diálogo entre Tainan Pereira, analista socioambiental do ISPN e as indígenas da Aldeia Novo Cento, Terra Indígena Pindaré. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>COP17 de Biodiversidade: lideranças indígenas e de povos e comunidades locais na defesa de territórios e repartição de benefícios</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/cop17-de-biodiversidade-ispn-apoia-liderancas-indigenas-e-de-povos-e-comunidades-locais-na-defesa-de-territorios-e-reparticao-de-beneficios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 19:12:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33716</guid>

					<description><![CDATA[Comitiva do ISPN se prepara para levar propostas que fortalecem o uso sustentável da biodiversidade às negociações da Convenção sobre Diversidade Biológica, de 19 a 30 de outubro, na cidade de Yereván, na Armênia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas acontece de 19 a 30 de outubro, em Yereván, na Armênia. O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) participa com uma delegação formada por sete pessoas, sendo duas pessoas do ISPN e cinco convidados, representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais, que levam recomendações às negociações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apoio do ISPN à participação de povos indígenas e comunidades locais na COP17 parte do compromisso de fortalecer seu protagonismo nos espaços de decisão da CDB. Como as decisões da COP afetam diretamente seus territórios e modos de vida, é fundamental que essas populações participem das discussões e tragam suas realidades para os acordos globais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Conferência de Diversidade Biológica da ONU é o principal espaço internacional de decisão sobre a biodiversidade. Reúne os países signatários, entre os quais o Brasil, e também conta com a participação de povos indígenas e comunidades locais, organizações da sociedade civil, cientistas, organismos internacionais, empresas e outros atores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a conferência, os países avaliam os avanços e desafios na implementação da Convenção e negociam decisões relacionadas aos seus três objetivos: a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável de seus componentes e a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos e do acesso aos conhecimentos tradicionais associados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As negociações são conduzidas a partir de trabalhos técnicos e científicos realizados ao longo dos anos, além de discussões em grupos de trabalho e órgãos subsidiários da Convenção. Ao final, os países adotam decisões que orientam a implementação dos compromissos internacionais e ajudam a direcionar políticas e ações nacionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Nosso papel é contribuir para que essa participação tenha incidência real: apoiar tecnicamente as lideranças, fortalecer articulações já existentes, identificar novas alianças e acompanhar as negociações para reconhecer temas e oportunidades estratégicas que possam surgir. Mais do que garantir presença na COP, queremos ajudar a ampliar a voz de quem vive e protege os territórios nos espaços onde as decisões são tomadas”, avalia a analista de advocacy do ISPN, Luciana Landgraf. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, o tema da conferência é “Taking Action for Nature” (Agindo pela Natureza) e tem como um dos objetivos principais realizar a primeira revisão global do progresso coletivo na implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF). A conferência vai analisar o quanto os países avançaram nas metas de conservação, uso sustentável e repartição de benefícios sobre biodiversidade e o que precisa mudar para acelerar essas ações até 2030.</span></p>
<p>“Nossa expectativa também é fortalecer um dos três objetivos centrais da Convenção &#8211; o uso sustentável da biodiversidade, visto que até o momento não tem acordo ou protocolo abrangente como um dos objetivos da Convenção. Esse fortalecimento pode se dar a partir da perspectiva da Sociobioeconomia. Esse debate ganha ainda mais relevância diante da proposta apresentada pelo Brasil da criação de um Programa de Trabalho de Bioeconomia no âmbito da CDB”, diz a coordenadora do programa Sociobiodiversidade do ISPN, Silvana Bastos.</p>
<p><b>Quem vai e o que leva</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as integrantes da comitiva, está a liderança quilombola do Maranhão, Antônia Cariongo. Esta será a terceira COP da biodiversidade em que a ativista participa. &#8220;Da minha primeira COP, em Montréal, para a COP de agora, em Yereván, é totalmente diferente, porque a gente já tem uma experiência, já tem conhecimento, já tem propriedade para entender o que está sendo discutido lá. É onde a gente pode incidir para contribuir com a construção do que está sendo discutido e proposto.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ela, a repartição de benefícios segue como o principal desafio a ser levado à conferência. &#8220;Muita das vezes os conhecimentos tradicionais são usados em produtos, pesquisa, tecnologia e quem é detentor do conhecimento não é reconhecido e também o produto feito desse conhecimento muitas das vezes não retorna para o território. Então é importante que a gente faça uma reflexão e uma discussão sobre isso&#8221;, afirma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Representando o povo indígena Tenetehar, do Maranhão, o jovem Danilo Guajajara também se junta à comitiva do ISPN para COP17 e fala sobre a importância da presença indígena no espaço global. &#8220;Nós trabalhamos na linha de frente. Somos nós que integramos, protegemos e formamos mosaicos de áreas protegidas. Nossos territórios ancestrais, unidos a unidades de conservação, formam os escudos verdes da humanidade. Nós não apenas habitamos a terra há milhares de anos, nós a protegemos, manejamos e curamos&#8221;, diz. “Por isso, na COP17 da Biodiversidade em Yerevan, na Armênia, queremos defender que não existe meta climática ou salvação para o planeta sem nós”, completa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele também cobra o cumprimento das metas globais: &#8220;A gente vê que as metas não foram cumpridas até então. Temos esse papel de estar pressionando ainda mais. Não podemos parar.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O engenheiro florestal do território Norte de Minas Gerais, que atua no bioma Cerrado, Nondas Ferreira, destaca os temas importantes que serão levados para a discussão. &#8220;Alguns dos pontos que a gente leva como delegação brasileira são importantíssimos, tal como a polêmica dos créditos da biodiversidade. Mas também como a gente faz uma repartição justa dos benefícios dos saberes dos povos tradicionais, oriundos dos conhecimentos das florestas, dos produtos&#8221;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A comitiva embarca com uma expectativa em comum: que quem vive e cuida do território possa contribuir para as decisões tomadas no espaço internacional. &#8220;É necessário, sim, que quem está na ponta, quem vivencia o território todos os dias, esteja nesse espaço também para fazer a incidência e dizer: nós estamos lá e nós queremos os nossos territórios vivos, nossa biodiversidade conservada&#8221;, reforça Antônia Cariongo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As ações estratégicas do ISPN para a COP 17 foram apoiadas pelo projeto Bem Viver, cofinanciado pela União Europeia através da estratégia Global Gateway.</span></p>
<p><b>Carta dos Guardiões e Guardiãs</b></p>
<figure id="attachment_33758" aria-describedby="caption-attachment-33758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33758" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/comitiva-ispn-cop17-biodiversidade-20261009.png" alt="Participantes da Oficina de Incidência Coletiva na COP17 da Biodiversidade, realizada em agosto de 2026 " width="800" height="500" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/comitiva-ispn-cop17-biodiversidade-20261009.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/comitiva-ispn-cop17-biodiversidade-20261009-300x188.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/comitiva-ispn-cop17-biodiversidade-20261009-768x480.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33758" class="wp-caption-text">Participantes da Oficina realizada no ISPN em Brasília. Foto: Divulgação Matres</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para chegar mais fortalecida às negociações, antes de seguir viagem para a Armênia, a comitiva participou de duas formações: a Trilha CDB, organizada por Funai, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ISPN e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), e a Oficina de Incidência Coletiva na COP17 da Biodiversidade, organizada pelo ISPN, Instituto Mancala, World-Transforming Technologies</span> <span style="font-weight: 400;">(WTT), Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e MMA, realizada em Brasília (DF). A primeira formação contou com 11 encontros virtuais, nos quais especialistas abordaram os principais temas que estarão em discussão na COP17. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro presencial, por sua vez, reuniu 16 lideranças de diferentes biomas e regiões do Brasil, além da comitiva do ISPN, e teve como foco aprofundar a preparação da comitiva para a COP17. Ao longo da oficina, os participantes ampliaram sua compreensão sobre a estrutura da Convenção, os principais temas em negociação e os espaços de participação e incidência da COP17. Também trocaram experiências e saberes entre si e com membros do Comitê Gestor do Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a formação, os grupos de trabalho discutiram os temas prioritários para povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. A partir dessas discussões, elaboraram recomendações voltadas à defesa de seus direitos, prioridades e protagonismo nos processos de decisão, com o objetivo de orientar a atuação dos Ministérios durante a COP17.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados do trabalho foram reunidos da </span><a href="https://wttventures.net/wp-content/uploads/2026/10/carta-cop17-PT-4.pdf"><b>Carta dos Guardiões e Guardiãs da Biodiversidade à COP17</b></a> <span style="font-weight: 400;">, elaborada e assinada em conjunto com diversas organizações, como ISPN, World Transforming Technologies (WTT), Instituto Mancala e outras. O documento apresenta oito recomendações para as negociações da COP17:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Participação plena, equitativa e efetiva na governança da CDB; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Conhecimentos tradicionais no centro da revisão do Marco Global de Kunming-Montreal; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Financiamento direto aos territórios; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Efetividade da repartição justa e equitativa de benefícios e proteção dos conhecimentos tradicionais associados; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Cautela com os créditos de biodiversidade; </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Proteção e reconhecimento dos territórios na implementação da CDB;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Inovação, ciência e tecnologia a partir dos territórios;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Mulheres, juventudes e reconhecimento ampliado das comunidades locais.</span></li>
</ul>
<p><b><br />
Sobre o projeto Bem Viver</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Projeto Bem Viver é o resultado de uma parceria entre ISPN, WWF-Brasil e Conexsus, cofinanciada pela União Europeia. O projeto fortalece as cadeias de valor da sociobiodiversidade na Amazônia brasileira, com foco na conservação da natureza e no bem-estar das comunidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de ações sustentáveis, busca gerar renda e combater a exclusão social e política. Para isso, atua em cinco frentes: inclusão produtiva, ampliação de mercados, acesso a crédito, incidência política e estratégias de comunicação.</span></p>
<figure id="attachment_33760" aria-describedby="caption-attachment-33760" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33760" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Vereda-em-Correntina-Bahia.jpg" alt="Vereda em Correntina (BA). Foto: Fellipe Abreu/ Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Vereda-em-Correntina-Bahia.jpg 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Vereda-em-Correntina-Bahia-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Vereda-em-Correntina-Bahia-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33760" class="wp-caption-text">Vereda em Correntina (BA). Foto: Fellipe Abreu/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Conselho do Mosaico Gurupi se reúne na TI Rio Pindaré e define agenda de ações nos territórios</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/conselho-do-mosaico-gurupi-se-reune-na-ti-rio-pindare-e-define-agenda-de-acoes-nos-territorios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 17:05:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33702</guid>

					<description><![CDATA[A reunião destacou temas como gestão integrada das áreas protegidas, restauração e reconhecimento dos rios como sujeitos de direitos
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 01 e 3 de setembro, a aldeia Piçarra Preta, na Terra Indígena (TI) Rio Pindaré, no Maranhão, recebeu a 10ª Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Mosaico Gurupi. O encontro reuniu conselheiros e conselheiras representantes de organizações indígenas, instituições dos governos estaduais do Maranhão e Pará e governo federal, instituições de ensino e pesquisa e demais organizações que integram o colegiado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O evento teve como foco o fortalecimento da gestão do Conselho e o planejamento de ações voltadas aos territórios que compõem o Mosaico Gurupi. Entre os assuntos debatidos destacaram-se o planejamento das atividades previstas no âmbito do projeto Taipas; a discussão sobre os rios como sujeitos de direitos; as ações de restauração ambiental na região;  exposição e debate sobre o processo de atualização do Plano de Manejo da Reserva Biológica do Gurupi (Rebio Gurupi). A realização do encontro ficou a cargo da Secretaria-Executiva do Conselho, atualmente exercida pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) em conjunto com a Associação Indígena Ta Hury do povo Ka´apor.<br />
</span></p>
<p><b>Atualização do Plano de Manejo da Rebio Gurupi</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A programação teve início com a apresentação do processo de atualização do Plano de Manejo da Reserva Biológica do Gurupi (Rebio Gurupi), documento que estabelece as diretrizes para a gestão e a proteção da unidade de conservação federal. Aprovado pela Portaria nº 167, de 24 de dezembro de 2002, o plano está sendo revisado para incorporar as transformações ocorridas na região desde sua elaboração e os desafios atuais relacionados à gestão da Rebio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A servidora do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Isadora Furtado, apresentou as etapas previstas para a atualização e esclareceu dúvidas dos conselheiros e conselheiras. A discussão orientou o trabalho realizado posteriormente em grupos, que buscou identificar as relações e sinergias entre a Rebio e os demais territórios que compõem o Mosaico Gurupi, além de áreas consideradas relevantes para ações de proteção, conservação e restauração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As contribuições levantadas durante a atividade serão sistematizadas e servirão de subsídio para a atualização do Plano de Manejo. O processo também contará com oficinas e consultas públicas previstas para 2026 e 2027.</span></p>
<figure id="attachment_33706" aria-describedby="caption-attachment-33706" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33706" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/isadora-e-conselho-consultivo-20261007.png" alt="À esquerda representante do ICMBio, Isadora Furtado. À direita, trabalhos em grupo sobre a atualização do Plano de Manejo da Rebio Gurupi. Fotos: Karoline Morgana (PELD/UEMA)" width="800" height="530" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/isadora-e-conselho-consultivo-20261007.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/isadora-e-conselho-consultivo-20261007-300x199.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/isadora-e-conselho-consultivo-20261007-768x509.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33706" class="wp-caption-text">À esquerda, representante do ICMBio, Isadora Furtado. À direita, trabalhos em grupo sobre a atualização do Plano de Manejo da Rebio Gurupi. Fotos: Karoline Morgana (PELD/UEMA)</figcaption></figure>
<h2><b>Restauração ambiental em debate</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A restauração ambiental vem ganhando espaço no Mosaico Gurupi, impulsionada por novos projetos, fontes de financiamento e políticas públicas voltadas ao tema. Diante desse cenário, o Conselho promoveu uma roda de conversa para aproximar iniciativas em andamento na região e identificar possibilidades de cooperação para fortalecer uma agenda integrada de restauração — um dos eixos que fundamentaram a criação do próprio Mosaico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O debate reuniu instituições de pesquisa, órgãos públicos e organizações da sociedade civil que atuam em diferentes frentes. A representante do Instituto Socioambiental (ISA), Danielle Celentano, apresentou possibilidades para a formação de uma rede de sementes e metodologias como a muvuca de sementes. Já a membro  do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração da Universidade Estadual do Maranhão (PELD/UEMA), Karoline Morgana, destacou o monitoramento da biodiversidade e dos processos ecológicos, que gera dados de longo prazo sobre a regeneração natural dos ecossistemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Iniciativa Centro Capoeira, da Embrapa no Pará, representada por Joice Ferreira, apresentou experiências de restauração desenvolvidas com comunidades locais e possibilidades de aproximação com a Terra Indígena Alto Rio Guamá. Pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, Marlúcia Martins compartilhou experiências de pesquisas colaborativas sobre cultura, biodiversidade e conservação ambiental, com destaque para a participação de pesquisadores Ka’apor da Terra Indígena Alto Turiaçu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), representado por Robert Miller e Luan Hammon, apresentou projetos recentemente aprovados no edital Restaura Amazônia, com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, que preveem ações em Terras Indígenas do Mosaico e assentamentos no Maranhão. Já o Projeto Amazônico de Gestão Sustentável, executado pela Secretaria de Agricultura Familiar do Maranhão (PAGES/SAF), foi representado por Heloisa Aquino, que apresentou as ações previstas para as Terras Indígenas da região e as parcerias estabelecidas e em negociação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Ibama, por meio de representantes do Pará e do Maranhão — Wendelo Silva Costa, Jackson da Costa Barros e Ely Ewerton Amorim Lopes —, abordou estratégias de reparação de danos ambientais por meio da restauração e possibilidades de apoio às áreas protegidas que integram o Mosaico Gurupi.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, o debate apontou possibilidades de articulação entre as iniciativas já desenvolvidas na região, aproximando pesquisa, políticas públicas, conhecimentos locais e ações comunitárias. A proposta é que essa articulação contribua para ampliar a cooperação entre as instituições e fortalecer as estratégias de restauração nos diferentes territórios do Mosaico Gurupi.</span></p>
<figure id="attachment_33707" aria-describedby="caption-attachment-33707" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33707" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Participantes-que-conduziram-os-debates-sobre-restauracao.png" alt="Participantes que conduziram os debates sobre restauração" width="800" height="530" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Participantes-que-conduziram-os-debates-sobre-restauracao.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Participantes-que-conduziram-os-debates-sobre-restauracao-300x199.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Participantes-que-conduziram-os-debates-sobre-restauracao-768x509.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33707" class="wp-caption-text">Participantes que conduziram os debates sobre restauração</figcaption></figure>
<p><b>Formação e gestão integrada nos territórios </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra atividade da reunião foi o planejamento das ações do projeto </span><i><span style="font-weight: 400;">Mosaicos de áreas protegidas como estratégia de proteção de macro-paisagens no Maranhão e no Pará</span></i><span style="font-weight: 400;">. A iniciativa responde a uma demanda recorrente de lideranças indígenas e tradicionais por ampliar, nas comunidades, o acesso a informações sobre o Mosaico Gurupi e sobre a gestão integrada das áreas protegidas que o compõem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as ações previstas estão a realização de sete rodas de conversa nos territórios, entre 2026 e 2027, um curso sobre gestão integrada de áreas protegidas e o apoio às reuniões do Conselho Consultivo. As rodas serão realizadas por comitivas que percorrerão as diferentes áreas do Mosaico e deverão reunir moradores, lideranças e organizações locais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de ampliar o diálogo sobre o funcionamento e a atuação do Mosaico Gurupi, os encontros vão levantar questões, experiências e demandas das comunidades. As informações reunidas servirão de subsídio para o planejamento de ações do Conselho e para a construção do conteúdo do curso, aproximando o processo de formação das realidades vivenciadas nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto é executado pela Associação Ta Hury do Povo Ka’apor, por meio do 49º Edital Fundo Ecos — Taipas (Territórios Amazônicos Sociobiodiversos), com apoio da rede de filantropia Forest, People, Climate (FPC).</span></p>
<h3><b>Rios como sujeitos de direitos</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as pautas que ganharam destaque durante a reunião esteve o debate sobre o reconhecimento dos rios como sujeitos de direitos. A discussão foi conduzida pela analista socioambiental e integrante da equipe de Advocacy e Incidência Política do ISPN, Luciana </span><span style="font-weight: 400;">Landgraf</span><span style="font-weight: 400;">, que apresentou uma perspectiva político-jurídica baseada no reconhecimento de rios e outros elementos da natureza não apenas como recursos a serem utilizados e protegidos, mas como sujeitos aos quais podem ser atribuídos direitos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A apresentação recuperou alguns dos principais marcos desse debate no mundo. Entre eles estão o reconhecimento dos direitos da Natureza/Pachamama na Constituição do Equador, em 2008; a legislação boliviana sobre os direitos da Mãe Terra; o reconhecimento do Rio Atrato, na Colômbia, como sujeito de direitos; e o caso do Rio Whanganui, na Nova Zelândia, reconhecido legalmente como pessoa jurídica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, também foram apresentadas experiências de reconhecimento de direitos de rios por meio de legislações municipais, como as dos rios Laje — Komi Memen, em Guajará-Mirim (RO); Mosquito, em Minas Gerais; Vermelho, em Goiás (GO); e Meia Ponte, em Goiânia (GO). Os exemplos abriram a discussão sobre as possibilidades e os caminhos para que iniciativas semelhantes sejam debatidas na região do Mosaico Gurupi.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema mobilizou os conselheiros e conselheiras diante das preocupações com as condições ambientais dos rios da região. Como encaminhamento, o Conselho definiu que a Secretaria-Executiva deverá solicitar formalmente ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pindaré a inclusão do assunto na pauta de sua próxima reunião. A discussão também deverá ter continuidade nos próximos encontros do Conselho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra proposta foi a realização de visitas às nascentes dos rios Pindaré e Buriticupu, com o objetivo de conhecer as condições ambientais dessas áreas e reunir informações que possam subsidiar futuras ações do Conselho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o presidente do Conselho Consultivo do Mosaico Gurupi, cacique Antonio Wilson Guajajara, ampliar o envolvimento de outros setores na proteção dos rios é fundamental:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Na minha visão, é muito importante que outros também se envolvam nessa discussão sobre o rio, porque os impactos não afetam somente os povos indígenas, mas todos os povos e toda a sociedade. O rio é importante para todos, mas a luta quase sempre é solitária. Os povos indígenas acabam arcando com responsabilidades que deveriam ser uma preocupação de todos. Por isso, precisamos ampliar o diálogo e a participação de diferentes setores, para que a proteção do rio seja entendida como uma responsabilidade de todos.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;"><b>Posse de novos conselheiros</b></span></p>
<figure id="attachment_33711" aria-describedby="caption-attachment-33711" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33711" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-01-20261007-1024x683.jpg" alt="Ao centro (com documento na mão), Eá Krenak da CR Maranhão/Funai, recebe Termo de Posse. Foto: Genilson Guajajara" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-01-20261007-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-01-20261007-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-01-20261007-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-01-20261007-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-01-20261007.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33711" class="wp-caption-text">Ao centro (com documento na mão), Eá Krenak da CR Maranhão/Funai, recebe Termo de Posse. Foto: Genilson Guajajara</figcaption></figure>
<figure id="attachment_33712" aria-describedby="caption-attachment-33712" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33712" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-02-20261007-1024x683.jpg" alt="Ao centro, Marlúcia Martins (com documento na mão) do Museu Goeldi recebe Termo de Posse. Foto: Genilson Guajajara " width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-02-20261007-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-02-20261007-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-02-20261007-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-02-20261007-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/conselheiros-02-20261007.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33712" class="wp-caption-text">Ao centro, Marlúcia Martins (com documento na mão) do Museu Goeldi recebe Termo de Posse. Foto: Genilson Guajajara</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A 10ª Reunião também marcou a posse de novos integrantes do Conselho Consultivo do Mosaico Gurupi. Após aclamação da plenária, o presidente do Conselho, cacique Antonio Wilson Guajajara, da Terra Indígena Caru, e a liderança Tuíra Guajajara, da Terra Indígena Araribóia, entregaram os termos de posse às novas conselheiras Marlúcia Martins e Claudia López, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que passam a ocupar cadeiras destinadas às universidades e instituições de pesquisa com atuação no Mosaico. Também tomou posse Eá Krenak, como novo representante da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no colegiado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento também abriu espaço para uma reflexão sobre o fortalecimento da governança do Mosaico e os compromissos necessários para colocar em prática, nos territórios, as estratégias pactuadas pelo Conselho. Entre os princípios reafirmados estiveram a representatividade, a união, a transparência e o respeito nas relações entre os territórios e as instituições que integram o colegiado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As discussões realizadas ao longo dos três cinco dias reforçaram o papel do Conselho Consultivo como espaço de articulação entre povos indígenas, organizações da sociedade civil, instituições públicas e de ensino e pesquisa em torno da gestão integrada das áreas protegidas do Mosaico Gurupi.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao realizar mais uma de suas reuniões em uma Terra Indígena e planejar uma agenda de atividades que percorrerá diferentes territórios em 2026 e 2027, o Conselho busca aproximar suas discussões das comunidades e ampliar a participação local nas decisões relacionadas à proteção e à gestão integrada do Mosaico Gurupi.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Memória e territorialidade: bastidores do automapeamento de comunidades quilombolas na Amazônia paraense</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/memoria-e-territorialidade-bastidores-do-automapeamento-de-comunidades-quilombolas-na-amazonia-paraense/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 17:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33695</guid>

					<description><![CDATA[Relato de campo mostra como a parceria entre Tô no Mapa e Malungu apoiou os Quilombos Mocambo e Bracinho, no sudeste do Pará]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Imagine percorrer dezenas de quilômetros numa estrada de terra na Amazônia paraense, cruzar com uma sequência de porteiras que dificultam o caminho e encontrar um território praticamente isolado, com cercas ao seu redor. Uma das cercas passa bem perto da casa de Dona Luciana, liderança local, e impede o acesso ao açaizal que começa na área ao lado, plantado muitos anos atrás por ela e seu marido para a subsistência da família e criação de seus filhos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essa cena, presenciada no Quilombo Bracinho (Irituia-PA), reflete a rotina de vulnerabilidade vivenciada em outros pontos do Brasil. São diversos povos e comunidades tradicionais no Brasil que, mesmo certificados há décadas, permanecem “invisíveis” para as bases de dados oficiais do Estado e ainda enfrentam conflitos territoriais.</p>
<div class="wp-block-stackable-columns stk-block-columns stk-block stk-a1de976" data-block-id="a1de976">
<div class="stk-row stk-inner-blocks stk-block-content stk-content-align stk-a1de976-column">
<div class="wp-block-stackable-column stk-block-column stk-column stk-block stk-3662ac6" data-v="4" data-block-id="3662ac6">
<div class="stk-column-wrapper stk-block-column__content stk-container stk-3662ac6-container stk--no-background stk--no-padding">
<div class="stk-block-content stk-inner-blocks stk-3662ac6-inner-blocks">
<p class="wp-block-paragraph">Para apoiar no processo de automapeamento dos territórios e oferecer assessoria , a coordenação quilombola Malungu uniu forças com a iniciativa Tô no Mapa, em <a href="https://tonomapa.org.br/2026/08/26/parceria-malungu-to-no-mapa-amazonia-paraense/">parceria que mapeou 52 comunidades quilombolas no Pará</a>. A iniciativa capacitou técnicos das próprias regionais da Malungu (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará) para cadastrar as informações no aplicativo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Uma das técnicas de campo foi Érika Thaís dos Santos, jovem liderança do Quilombo Mocambo (Ourém-PA) e coordenadora executiva da Malungu. Atualmente, Érika cursa Letras pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e também atua na CONAQ, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ela nos conta um pouco mais sobre as particularidades do trabalho em duas das comunidades automapeadas no Pará: Quilombo Mocambo e Quilombo Bracinho. Seu relato revela como a cartografia social pode fortalecer a luta por direitos, a começar pelo direito de reivindicar o próprio território.</p>
<p><strong>Quilombo Mocambo (Ourém-PA): encontro entre a nova geração e a tradição de oralidade dos mais velhos</strong></p>
</div>
<p class="wp-block-paragraph">Localizado às margens do Rio Guamá, no município paraense de Ourém, o Quilombo Mocambo carrega uma história que remonta a 1830. Apesar de sua trajetória centenária, a comunidade do Mocambo vive sob constante pressão externa de fazendeiros e indústrias que exploram a região, ameaçando os igarapés locais e avançando sobre suas terras.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Érika, que faz parte da comunidade do Mocambo, explica que o quilombo obteve o título de propriedade coletiva do Instituto de Terras do Pará (Iterpa) em 2012. “Mas a titulação foi apenas parcial”, explica. “Isso significa que metade do território foi titulada, deixando algumas outras áreas de fora, por conta de conflitos que haviam na época com posseiros”. Desde 2023, a associação tenta tramitar um processo de ampliação de área no órgão público, mas as negociações esbarram na lentidão da burocracia.</p>
<figure id="attachment_33697" aria-describedby="caption-attachment-33697" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33697" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Quilombo-de-Mocambo1-768x560-1.jpeg" alt="Quilombo Mocambo no município de Ourém (PA). Foto: Érika Thaís dos Santos/Acervo Malungu" width="768" height="560" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Quilombo-de-Mocambo1-768x560-1.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Quilombo-de-Mocambo1-768x560-1-300x219.jpeg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption id="caption-attachment-33697" class="wp-caption-text">Quilombo Mocambo no município de Ourém (PA). Foto: Érika Thaís dos Santos/Acervo Malungu</figcaption></figure>
<p class="wp-block-paragraph">Um divisor de águas no processo de entendimento do território e da questão fundiária pela comunidade aconteceu durante a oficina com Tô no Mapa e Malungu. A equipe projetou o arquivo digital (<em>shapefile</em>) do território oficial do Iterpa na parede e a comunidade conseguiu visualizar, pela primeira vez no desenho do mapa, a terra que havia perdido até ali. A avó de Érika foi uma das representantes, entre os mais velhos, que ajudou a reconstruir a memória local:  “A nossa comunidade era até onde tem a divisa com uma árvore e um igarapé”, apontou.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Guiados pela lembrança dos mais velhos, os jovens técnicos quilombolas percorreram os limites e registraram no aplicativo Tô no Mapa 315 hectares de terras agrícolas adicionais que haviam sido subtraídos do título original, além de espaços de uso coletivo e locais sagrados, área de rio, de caça, de pesca. Com esses dados em mãos, a associação do Quilombo Mocambo agora tem mais um recurso em busca de segurança jurídica.</p>
<div class="wp-block-stackable-subtitle stk-block-subtitle stk-block stk-bcef452" data-block-id="bcef452">
<p class="stk-block-subtitle__text stk-subtitle"><strong>Quilombo Bracinho (Irituia-PA): como abrir porteiras em busca de visibilidade</strong></p>
</div>
<p class="wp-block-paragraph">Se no Mocambo o desafio era ampliar um território já parcialmente reconhecido, no Quilombo Bracinho, localizado em Irituia-PA, a equipe se deparou com um cenário ainda mais complexo de privação de direitos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O quilombo foi certificado pela Fundação Cultural Palmares em dezembro de 2006, relata Érika. “Para gente já é um marco importante, marca ali também o processo organizacional da comunidade”, comenta Érika. Porém, durante duas décadas, a comunidade permaneceu esquecida pelo poder público. Sem processo de regularização fundiária aberto em nenhum órgão estadual ou federal, Bracinho sequer possuía uma associação comunitária formalizada, segundo a jovem quilombola.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A equipe de Érika teve dificuldades até para localizar o quilombo e chegar no território, que não constava em nenhum mapa ou sistema de GPS convencional. Para encontrá-lo, foi necessário percorrer ramais em propriedades particulares construídas no entorno e cruzar  porteiras instaladas que passaram a “isolar” a comunidade, fechando a estrada que serve como a única via de entrada e saída das famílias.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao chegar no Quilombo Bracinho, a equipe encontrou um território com vulnerabilidades, privado de direitos sociais como abastecimento de água tratada, posto de saúde ou escola de ensino fundamental e médio. “A única sala de aula local foi removida dali, obrigando as crianças a caminharem cerca de 8 km para estudar em um polo vizinho, sem qualquer transporte escolar oferecido”, lembra Érika. A vulnerabilidade geográfica e institucional facilitou abusos territoriais graves.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro agravante da comunidade foi quando um fazendeiro da região, tratado localmente como “doutor”, propôs cercar as divisas. Ciente de que a área era um remanescente quilombola e diante da falta de conhecimento dos moradores sobre as dimensões reais da terra a que tinham direito, o fazendeiro mediu somente “um lote” para a comunidade e passou a cerca, ficando com o restante da terra, incluindo o açaizal plantado por dona Luciana e sua família.</p>
<figure id="attachment_33698" aria-describedby="caption-attachment-33698" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33698" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Comunidade-quilombola-de-Bracinho-768x432-1.jpeg" alt="Quilombo Bracinho no município de Irituia (PA). Foto: Érika Thaís dos Santos/Acervo Malungu" width="768" height="432" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Comunidade-quilombola-de-Bracinho-768x432-1.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/10/Comunidade-quilombola-de-Bracinho-768x432-1-300x169.jpeg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption id="caption-attachment-33698" class="wp-caption-text">Quilombo Bracinho no município de Irituia (PA). Foto: Érika Thaís dos Santos/Acervo Malungu</figcaption></figure>
<p class="wp-block-paragraph">Com sensibilidade, a equipe da Malungu fez uma mediação para que a comunidade compreendesse a gravidade daquela sobreposição. A conversa explicou sobre direitos territoriais e, em conjunto, a comunidade decidiu quais áreas de uso tradicional seriam desenhadas e validadas no aplicativo, para futura retomada.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A oficina contou com levantamento  de dados cartográficos e apoiou uma “força-tarefa” de assessoria jurídica, acionando a Fundação Cultural Palmares e apoiando o início da elaboração do estatuto e da ata para a associação comunitária de Bracinho e organização de um CNPJ.  O próximo passo do quilombo em Irituia é exigir a abertura de seu processo de regularização fundiária.</p>
<div class="wp-block-stackable-subtitle stk-block-subtitle stk-block stk-4768f40" data-block-id="4768f40">
<p class="stk-block-subtitle__text stk-subtitle"><strong>Tecnologia a serviço das comunidades e do bem-viver</strong></p>
</div>
<p class="wp-block-paragraph">As vivências em Mocambo e Bracinho mostram que o automapeamento pode fortalecer o trabalho das lideranças locais e apoiar a organização de territórios quilombolas. “Enquanto pessoas quilombolas, a gente considera território um espaço de convívio coletivo, onde a gente vive e faz parte. É um local sagrado e de subsistência, um território de bem-viver, temos nossa história e ancestralidade ali”, reflete Érika Thaís.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A jovem observa ainda a importância de preparar as gerações atuais e futuras para assumirem a responsabilidade de salvaguardar o território, a partir da segurança jurídica do título de cada comunidade.</p>
<blockquote class="wp-block-stackable-blockquote stk-block-blockquote stk-block stk-1b8ed4f is-style-default" data-v="2" data-block-id="1b8ed4f">
<div class="has-text-align-left stk-block-blockquote__content stk-container stk-1b8ed4f-container stk-hover-parent">
<div class="stk-block-content stk-inner-blocks">
<div class="wp-block-stackable-text stk-block-text stk-block stk-ddd42c8" data-block-id="ddd42c8">
<p class="stk-block-text__text"><em>“É um processo contínuo e intergeracional: é o quilombola que vive hoje, na atualidade, a partir da resistência dos seus ancestrais. É entender o território coletivo na totalidade para preservar seu modo de vida e sua cultura”. – Érika Thaís (Jovem liderança do Quilombo Mocambo e coordenadora executiva da Malungu)</em></p>
</div>
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</blockquote>
<p class="wp-block-paragraph">Outro lição do trabalho de campo é que a garantia do direito territorial beneficia as pessoas de cada comunidade e também toda a população: quanto mais floresta viva e em pé, melhor para todo o ecossistema.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para as 52 comunidades mapeadas no Pará, o processo de ver o próprio território mapeado com base em seus conhecimentos tradicionais é uma imersão e resgate de vivências, de identidade e de pertencimento. E mais uma prova de que, contra a invisibilidade imposta, os quilombolas continuam resistindo e escrevendo sua própria história no mapa do Brasil.</p>
<p class="wp-block-paragraph">*Para conhecer mais sobre a atuação da Malungu, acesse o <a href="https://malungu.org.br/">site oficial</a>.</p>
<p><em>Originalmente publicado no portal <a href="https://tonomapa.org.br/2026/09/28/memoria-e-territorialidade-bastidores-do-automapeamento-de-comunidades-quilombolas-na-amazonia-paraense/" target="_blank" rel="noopener">Tô na Mapa</a>.</em></p>
</div>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Financiamento climático a partir dos territórios: recursos,  poder e justiça socioambiental</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/financiamento-climatico-a-partir-dos-territorios-recursos-poder-e-justica-socioambiental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 13:28:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33665</guid>

					<description><![CDATA[O desafio não se resume apenas a ampliar o financiamento. É preciso discutir como esses recursos circulam, quem participa das decisões e quais organizações têm condições de acessá-los]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A crise climática tem levado governos, organismos multilaterais, empresas e instituições filantrópicas a mobilizarem volumes crescentes de recursos. Em 2024, os fluxos globais de financiamento climático ultrapassaram US$ 2 trilhões. Para 2025 foram estimados em US$ 2,1 trilhões. O valor é expressivo, mas ainda distante dos cerca de US$ 7,8 trilhões anuais que, segundo a </span><a href="https://www.climatepolicyinitiative.org/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Climate Policy Initiative,</span></a><span style="font-weight: 400;"> serão necessários até 2030 e US$ 9 trilhões anuais entre 2031 e 2035 para responder às necessidades globais de financiamento climático. [1]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio, portanto, não se resume apenas a ampliar o financiamento. É preciso discutir como esses recursos circulam, quem participa das decisões e quais organizações têm condições de acessá-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, uma pergunta continua recebendo menos atenção do que deveria: quem já vinha construindo respostas para a crise climática antes mesmo de ela ocupar o centro da agenda internacional?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta está nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, movimentos sociais e organizações locais desenvolvem, há gerações, formas de produzir, conservar e viver baseadas no conhecimento tradicional e no conhecimento dos  territórios em que vivem. Protegem florestas, recuperam nascentes, manejam a sociobiodiversidade, mantêm sistemas produtivos adaptados às condições locais e constroem alternativas econômicas que conciliam conservação e geração de renda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse conhecimento não é complementar à ação climática. Ele constitui parte essencial das respostas necessárias para proteger a biodiversidade, reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de adaptação de populações e ecossistemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de mais de três décadas, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), por meio do Fundo Ecos, acompanha e apoia iniciativas dessa natureza. Desde sua criação, o Fundo já destinou mais de US$ 31 milhões a mais de mil projetos conduzidos por organizações de base comunitária, especialmente no Cerrado, Amazônia e Caatinga.</span><span style="font-weight: 400;"> [2]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa trajetória mostra que as transformações mais consistentes raramente começam com modelos concebidos à distância. Elas surgem da combinação entre conhecimento territorial, organização social, capacidade de experimentação e recursos adequados às realidades locais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é um dos principais aprendizados acumulados pelo Fundo Ecos: estar conectado aos territórios e reconhecer práticas que já existem, fortalecer as organizações que as sustentam e criar condições para que possam aperfeiçoá-las, conectá-las e ampliar seus resultados.</span></p>
<p><b>O caminho dos recursos também importa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante décadas, prevaleceu no financiamento para o desenvolvimento a lógica de que os recursos deveriam percorrer longas cadeias institucionais antes de alcançar as organizações locais. A cada etapa, foram incorporados novos procedimentos e mecanismos de controle destinados a reduzir riscos e assegurar resultados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora esses instrumentos tenham sua importância, o acúmulo de exigências produz uma contradição: as organizações mais próximas dos problemas e das soluções são frequentemente aquelas que enfrentam maiores dificuldades para acessar o financiamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, sobre desenvolvimento localmente liderado reconhecem esse problema. A organização afirma que o financiamento de qualidade deve ser flexível, previsível e de longo prazo, além de recorrer, sempre que possível, a sistemas e instituições locais já existentes.[</span><span style="font-weight: 400;">3]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria OCDE estima que menos de 10% dos fundos climáticos estejam dedicados ao desenvolvimento localmente liderado. Embora as diferenças de definições e metodologias ainda dificultem a comparação desses fluxos, o dado evidencia a distância entre os compromissos de localização dos recursos e sua aplicação prática.</span><span style="font-weight: 400;"> [4]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência do Fundo Ecos demonstra que essa distância não será superada apenas com formulários mais simples. É preciso rever a maneira como riscos, capacidades, responsabilidades são compreendidos e reconhecer o protagonismo das organizações e comunidades na construção das soluções.</span></p>
<p><b>Confiança não é o oposto da boa governança. É uma de suas condições.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Relações construídas ao longo do tempo permitem compreender os contextos em que os projetos são executados, fortalecer as organizações e ajustar mecanismos de acompanhamento, transparência e prestação de contas às diferentes realidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso não significa abandonar critérios, controles ou procedimentos de integridade, mas construir mecanismos proporcionais aos riscos e reconhecer capacidades que nem sempre aparecem em documentos formais. Nesse contexto, a responsabilidade deixa de ser apenas uma obrigação administrativa imposta por quem financia e passa a ser um compromisso compartilhado, baseado em objetivos comuns, diálogo e clareza sobre os resultados esperados.</span></p>
<p><b>Uma infraestrutura que já existe</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como as soluções para muitos dos desafios socioambientais já vêm sendo construídas nos territórios, também existe uma infraestrutura capaz de fazer os recursos chegarem a quem as desenvolve. Fundos independentes e de justiça socioambiental, em diferentes países, ao </span><span style="font-weight: 400;">conectar</span><span style="font-weight: 400;"> os recursos a organizações e iniciativas locais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses fundos conhecem os contextos locais, mantêm relações duradouras com organizações de base, identificam iniciativas que dificilmente seriam alcançadas por grandes financiadores e acompanham processos que não podem ser avaliados apenas por resultados de curto prazo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, a Rede Comuá já reúne 20 fundos e organizações doadoras independentes que mobilizam recursos para organizações, movimentos e coletivos atuantes nos campos da justiça socioambiental, dos direitos humanos e do desenvolvimento comunitário.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um mapeamento sobre a filantropia comunitária no país reuniu dados de 31 organizações doadoras independentes. Entre as instituições pesquisadas, 74% apoiavam organizações da sociedade civil e 71% destinavam recursos a movimentos e coletivos, inclusive não formalizados. As 14 organizações da Rede Comuá incluídas no estudo haviam doado, diretamente, quase R$ 472 milhões até 2021.[</span><span style="font-weight: 400;">5]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No âmbito internacional, a Alianza Socioambiental Fondos del Sur articula fundos socioambientais do Sul Global. Atualmente, a rede reúne 17 fundos que, ao longo de suas trajetórias, já apoiaram iniciativas em mais de 70 países. De acordo com o levantamento </span><i><span style="font-weight: 400;">Funding from the Ground Up</span></i><span style="font-weight: 400;">, somente em 2024, seus membros destinaram cerca de US$ 14 milhões em doações a atores da linha de frente, incluindo organizações de base, povos indígenas, instâncias de governança local e empreendimentos comunitários. Sua atuação parte do reconhecimento de que os grupos mais afetados pelas crises socioambientais são, muitas vezes, também os mais excluídos dos modelos tradicionais de financiamento. [</span><span style="font-weight: 400;">6]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação do ISPN e do Fundo Ecos na Rede Comuá e na Alianza Socioambiental Fondos del Sur integra esse movimento mais amplo de fortalecimento dos fundos independentes de justiça socioambiental e de defesa de sistemas de financiamento mais acessíveis, diversos e próximos dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas articulações não buscam apenas ampliar a colaboração entre seus integrantes. Elas trabalham para transformar as relações entre quem mobiliza os recursos, quem define as prioridades e quem conduz as respostas nos territórios.</span></p>
<p><b>Mudar os fluxos para construir futuros possíveis com justiça socioambiental</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazer mais recursos chegarem aos territórios por meio de fundos independentes e de justiça socioambiental não significa apenas ampliar a capilaridade ou a eficiência do financiamento climático. Significa também transformar a maneira como circulam recursos, decisões e poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando organizações próximas aos territórios participam da definição de prioridades e dispõem de recursos flexíveis para apoiar soluções construídas localmente, comunidades, povos indígenas e organizações de base deixam de ocupar apenas o lugar de executores de agendas definidas externamente. Ampliam sua capacidade de decidir, propor e sustentar suas próprias respostas aos desafios socioambientais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da escala da crise climática, mobilizar mais recursos é indispensável. Mas a transformação necessária depende também de quem participa das decisões, de onde essas decisões são tomadas e de quanto conhecimento, capacidade institucional e autonomia permanecem nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Democratizar o financiamento climático é, nesse sentido, ampliar quem pode imaginar, propor e participar das decisões. Fazer com que recursos e poder de decisão estejam mais próximos daqueles que vivem, conhecem e cuidam dos territórios contribui para construir respostas mais justas, fortalecer a democracia e transformar em realidade aquilo que, muitas vezes, ainda parece impossível.</span></p>
<p><b>Referências </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[1] Climate Policy Initiative. </span><i><span style="font-weight: 400;">Global Landscape of Climate Finance 2026</span></i><span style="font-weight: 400;"> e painel de dados sobre os fluxos globais de financiamento climático. <a href="https://www.climatepolicyinitiative.org/resources/data-visualizations/global-landscape-of-climate-finance-data-dashboard/" target="_blank" rel="noopener">https://www.climatepolicyinitiative.org/resources/data-visualizations/global-landscape-of-climate-finance-data-dashboard/</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[2] Valor total em US$ corrigido até 2025.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[3] OECD. </span><i><span style="font-weight: 400;">Practical Guidelines for Supporting Locally Led Development: Quality Financing to Local Actors</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-quality-financing-to-local-actors_70bc9dc7.html" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;"><strong>https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-quality-financing-to-local-actors_70bc9dc7.html</strong></span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[4] OECD. </span><i><span style="font-weight: 400;">Practical Guidelines for Supporting Locally Led Development: Clarity of Intentions and Definitions</span></i><span style="font-weight: 400;">.<br />
</span><strong><a href="https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-clarity-of-intentions-and-definitions_306ac241.html" target="_blank" rel="noopener">https://www.oecd.org/en/publications/practical-guidelines-for-supporting-locally-led-development_eaecf72b-en/full-report/action-area-clarity-of-intentions-and-definitions_306ac241.html</a></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[5] Rede Comuá. F</span><i><span style="font-weight: 400;">ilantropia comunitária no Brasil: princípios, práticas e prioridades</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><strong><a href="https://redecomua.org.br/wp-content/uploads/2025/02/Filantropia-comunitaria-no-Brasil-Sumario-PT.pdf" target="_blank" rel="noopener">https://redecomua.org.br/wp-content/uploads/2025/02/Filantropia-comunitaria-no-Brasil-Sumario-PT.pdf</a></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[6] Alianza Socioambiental Fondos del Sur. </span><i><span style="font-weight: 400;">Funding from the Ground Up: A Global Study of Locally Rooted Socio-Environmental Funds</span></i><span style="font-weight: 400;">. 2025.</span><strong><a href="https://alianzafondosdelsur.org/wp-content/uploads/2025/10/Alianza_Funding_from_the_ground_up.pdf" target="_blank" rel="noopener"> https://alianzafondosdelsur.org/wp-content/uploads/2025/10/Alianza_Funding_from_the_ground_up.pdf</a></strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ISPN manifesta apoio ao Cacique Antonio Wilson Guajajara e alerta para a criminalização de lideranças indígenas</title>
		<link>https://ispn.org.br/nota-institucional/ispn-apoio-cacique-pistola/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Tiemi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 20:59:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nota institucional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33659</guid>

					<description><![CDATA[Instituto defende que a atuação de Antonio Wilson Guajajara na proteção da Terra Indígena Caru e na defesa dos direitos de seu povo seja analisada à luz do contexto de ausência do Estado e das garantias constitucionais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) manifesta preocupação com o andamento de processos judiciais em face do cacique Antonio Wilson Guajajara, conhecido como Cacique Pistola, liderança da Terra Indígena Caru, no Maranhão.</p>
<p>Há décadas, o <a href="https://museudapessoa.org/historia-de-vida/valeu-a-pena-ter-voltado/">Cacique Pistola</a> atua na defesa de seu e de outros territórios indígenas no estado do Maranhão, na proteção da floresta e na organização de ações comunitárias diante do avanço de invasões e da exploração ilegal de recursos naturais. Seu trabalho se desenvolveu num contexto de histórica ausência do Estado na proteção das terras indígenas, realidade que levou os povos indígenas a organizar ações comunitárias de monitoramento e proteção territorial na região, a partir do fortalecimento do movimento indígena e da estruturação de grupos comunitários locais como os Guardiões da Floresta, as <a href="https://ispn.org.br/noticia/de-guajajara-a-caraiu-guerreiras-da-floresta-protegem-territorio-amazonico-com-estrategia-inovadora/">Guerreiras da Floresta</a>, Brigadas Indígenas, grupo de jovens, além do respeito aos ensinamentos dos anciãos. As ações e estratégias desses coletivos vêm sendo desenvolvidas em articulação com órgãos públicos, como Funai, Ibama, ICMBio, Polícia Federal, Ministério Público, secretarias do estado do Maranhão, dentre outros.</p>
<p>Sua liderança também foi essencial para a mobilização, criação, fortalecimento e reconhecimento oficial pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do <a href="https://ispn.org.br/noticia/formalizacao-do-mosaico-gurupi-reforca-protagonismo-indigena-na-agenda-climatica/">Mosaico Gurupi</a>, iniciativa que integra seis Terras Indígenas, e uma Reserva Biológica, nos estados do Maranhão e Pará. Trata-se de um conjunto significativo de áreas protegidas da Amazônia Oriental, numa área de extrema relevância ecológica e cultural, cuja conservação resiste em virtude da luta, do empenho e da articulação dos povos indígenas e comunidades tradicionais que o constituem. Em reconhecimento à sua trajetória, o cacique tornou-se o primeiro presidente indígena de um Conselho Consultivo de Mosaico de Áreas Protegidas no Brasil.</p>
<p>É justamente nesse contexto que preocupa que acusações graves e genéricas recaiam sobre uma liderança cuja atuação é reconhecidamente dedicada à defesa coletiva de seu povo, de seu território e da Amazônia.</p>
<p>A defesa dos territórios indígenas não pode ser confundida com prática criminosa. A criminalização de lideranças que atuam na proteção de seus povos e florestas representa uma tentativa de intimidação e de violação do direito constitucional à livre manifestação, um dos fundamentos da nossa democracia. As tentativas de intimidação de lideranças locais buscam enfraquecer a proteção de territórios essenciais para a conservação da biodiversidade e o enfrentamento da crise climática.</p>
<p>O ISPN reafirma que todo processo judicial deve respeitar as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, além de realizar a devida individualização das condutas, considerando o contexto territorial e as circunstâncias em que os fatos ocorrem.</p>
<p>Ao manifestar solidariedade ao Cacique Pistola e ao povo Guajajara, o ISPN também se soma às organizações que alertam para a crescente criminalização de defensores e defensoras de direitos humanos e ambientais no Brasil. Defender os territórios indígenas é defender a Constituição, a sociobiodiversidade e o futuro das florestas brasileiras.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Guia reúne caminhos práticos para acessar financiamento para conservação da biodiversidade</title>
		<link>https://ispn.org.br/sem-categoria/guia-reune-caminhos-praticos-para-acessar-financiamento-para-conservacao-da-biodiversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 17:38:51 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33648</guid>

					<description><![CDATA[Publicação apresenta fontes, mecanismos e oportunidades de financiamento para conservação da biodiversidade e proteção de territórios 
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Transformar compromissos nacionais de conservação da biodiversidade em ações concretas depende também de ampliar e democratizar o acesso aos recursos financeiros. É nesse contexto que o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) lança o </span><em><strong><a href="https://ispn.org.br/publicacao/guia-de-financiamento-para-a-agenda-de-biodiversidade/">Guia de Financiamento para a Agenda de Biodiversidade</a></strong></em><span style="font-weight: 400;">, publicação que mapeia fontes, mecanismos e oportunidades de financiamento para iniciativas de conservação, uso sustentável da biodiversidade e de fortalecimento de povos e comunidades tradicionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guia foi organizado pela pesquisadora Nurit Bensusan, a partir de estudo realizado pelo  Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) na fase preparatória do projeto Capacidades e Estruturas para a implementação da Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB), oCAP4Bio, uma parceria entre o ISPN e CIFOR/ICRAF, apoiada pela Iniciativa International para o Clima (IKI). A publicação parte de um desafio central para aEPANB 2025-2030: fazer com que os recursos necessários para cumprir as metas nacionais cheguem aos diferentes territórios e às organizações e comunidades que atuam diretamente na conservação e no uso sustentável da biodiversidade.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Para Nurit, o problema raramente é a falta de recursos, mas é o caminho para chegar até eles. “Nem sempre a existência de recursos se traduz em acesso e disponibilidade para quem precisa. Documentação, linguagem, prestação de contas e muito mais fazem da existência teórica de recursos uma impossibilidade prática”, avalia. “Às vezes são necessários ajustes na forma como esses recursos são apresentados, mas o que tentamos fazer com o guia é uma espécie de mediação, de tradução, que torna o incompreensível em algo factível&#8221;, completa a pesquisadora.</span></p></blockquote>
<p><b>Metas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A EPANB estabelece metas nacionais até 2030, que vão da redução de ameaças à biodiversidade ao uso sustentável dela, passando pelo aumento do financiamento para a própria estratégia, entre outras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guia aponta que a implementação da agenda de biodiversidade acontece nos territórios e muitas das atividades desenvolvidas por povos e comunidades dependem de recursos financeiros. Por isso, entender onde estão os recursos, como eles funcionam e de que maneira podem ser acessados é parte fundamental da implementação da EPANB e das estratégias estaduais e locais de biodiversidade.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O desafio não é apenas ampliar o volume de recursos disponíveis, mas garantir que eles cheguem a quem está nos territórios e atua diretamente na conservação da biodiversidade. Povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores e agricultoras familiares são fundamentais para essa agenda e precisam ter acesso aos recursos necessários para fortalecer suas iniciativas e seus modos de vida”, pontua a coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Silvana Bastos.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos centrais da publicação é o reconhecimento do papel fundamental de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores e agricultoras familiares na conservação da biodiversidade. </span></p>
<p><b>Tradução</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guia apresenta conceitos e explica as diferenças entre fontes de recursos, instrumentos e mecanismos de financiamento, e mostra como acessá-los, indicando, conforme cada caso, editais, chamadas públicas, cartas-convite, demandas espontâneas e outros caminhos .É esse trabalho de tradução que o guia se propõe a fazer. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores obstáculos, segundo Nurit, é decifrar o jargão do setor. &#8220;A documentação a ser apresentada é um entrave para algumas entidades, mas o mais difícil é decupar o jargão, entender os termos para tentar se localizar no emaranhado que é o mundo do financiamento&#8221;, diz.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://ispn.org.br/publicacao/guia-de-financiamento-para-a-agenda-de-biodiversidade/"><b><i>Guia de Financiamento para a Agenda de Biodiversidade </i></b></a><span style="font-weight: 400;">está disponível para download no site do ISPN para consulta e pode ser utilizado por gestoras e gestores públicos, organizações da sociedade civil, lideranças representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, assessorias, pesquisadores e todas as pessoas interessadas em compreender e acessar recursos para a agenda de biodiversidade no Brasil.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>No Dia do Cerrado, campanha #VotePeloCerrado convoca eleitores a colocar o futuro do bioma no debate das eleições de 2026</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/no-dia-do-cerrado-campanha-votepelocerrado-convoca-eleitores-a-colocar-o-futuro-do-bioma-no-debate-das-eleicoes-de-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Kaxuyana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 13:37:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33633</guid>

					<description><![CDATA[Iniciativa apresenta Carta-Compromisso com oito propostas para proteção das águas, dos territórios, da biodiversidade e dos direitos dos povos do Cerrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Brasília, 11 de setembro de 2026 –</b><span style="font-weight: 400;"> Se o Cerrado pudesse votar, o que ele escolheria? Água e biodiversidade protegidas. Territórios preservados. Agricultura familiar fortalecida. Sociobiodiversidade valorizada. Direitos garantidos aos povos e comunidades que vivem e cuidam desse território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A provocação marca o lançamento, nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, da campanha #VotePeloCerrado, uma mobilização da sociedade civil que busca levar o futuro do bioma e de seus povos para o centro do debate das eleições de 2026. A iniciativa apresenta uma Carta-Compromisso com o Cerrado e seus Povos, dirigida a candidatas e candidatos aos Poderes Executivo e Legislativo, nos âmbitos federal e estadual, com oito propostas para orientar programas de governo e atuação parlamentar.</span></p>
<p><b>Ativismo digital</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha convida eleitores a conhecerem os compromissos e as candidaturas que assumem o compromisso em defender os temas que definem o futuro do bioma no site próprio </span><a href="http://votepelocerrado.org.br"><span style="font-weight: 400;">votepelocerrado.org.br</span></a><span style="font-weight: 400;">. A decisão nas urnas se transforma em cobrança pública: quem assume a responsabilidade de proteger as águas, os territórios e a biodiversidade do Cerrado.  A própria Carta estabelece que candidatas e candidatos que a assinarem deverão se comprometer com um diálogo permanente com os povos do Cerrado, suas organizações, movimentos sociais e a sociedade civil, incorporando as propostas ao programa de governo e/ou à atuação parlamentar, com transparência e prestação de contas. </span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha é digital e a hashtag #VotePeloCerrado vai guiar as publicações no Instagram nos perfis de 6 organizações </span><a href="https://www.instagram.com/ispn_brasil/"><span style="font-weight: 400;">@ispn_brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/rede.cerrado/"> <span style="font-weight: 400;">@rede.cerrado</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/institutocerrados/"> <span style="font-weight: 400;">@institutocerrados</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/funatura/"> <span style="font-weight: 400;">@funatura</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/cptnacional/"> <span style="font-weight: 400;">@cptnacional</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.instagram.com/campanhacerrado/"> <span style="font-weight: 400;">@campanhacerrado</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;">, e conta com a adesão de influenciadores digitais que colocam sua voz para falar do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33640" aria-describedby="caption-attachment-33640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33640" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1024x768.jpeg" alt="Colaboradores do ISPN posam com cartazes da campanha Vote Pelo Cerrado. Foto: Divulgação" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026-1536x1152.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/campanha-vote-pelo-cerrado-2026.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33640" class="wp-caption-text">Colaboradores do ISPN posam com cartazes da campanha Vote Pelo Cerrado. Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><b>Emergência climática</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conservação do Cerrado é uma das maiores potências para o enfrentamento das crises climáticas, hídrica e energética do país. No entanto, estudos mostram que mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi destruída e os rios enfrentam 27% de redução na vazão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário coloca em jogo muito mais do que a conservação de um bioma. A destruição do Cerrado afeta a economia do Brasil pois o Cerrado é estratégico para o provimento de água, alimento, para a regulação do clima e manutenção da saúde . Por isso, a Carta-Compromisso afirma que a proteção do bioma é também uma questão de direitos humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O Cerrado é um bioma estratégico para o Brasil. Além de ser o coração das águas, 42% da produção agrícola nacional está aqui. No entanto, o ritmo da conversão do Cerrado em monocultivos está muito acelerado e ameaça a viabilidade da própria produção agrícola. Precisamos eleger parlamentares que compreendam essa importância e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, ressalta a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo.</span></p>
<p><b>Um bioma estratégico para o Brasil</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado é considerado o coração das águas do Brasil. Suas nascentes alimentam algumas das principais regiões hidrográficas do país, entre elas a do Amazonas, Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná/Paraguai. O bioma também abriga os aquíferos Urucuia, Bambuí e Guarani.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da importância hídrica e ambiental, o Cerrado é território de povos e comunidades tradicionais que historicamente protegem seus bens naturais e desenvolvem formas próprias de viver e produzir. Sua biodiversidade também sustenta cadeias econômicas associadas à sociobiodiversidade, com produtos como pequi, buriti, cagaita, mangaba, flores-sempre-vivas, baru e babaçu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Para os povos do Cerrado, a economia não se separa de território, cultura e conservação. É da floresta e do campo conservados que vêm o pequi, o baru, o babaçu, o buriti, o artesanato, os alimentos e tantas atividades que geram renda sem destruir o bioma. As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, assistência técnica, crédito e acesso a mercados, ressalta a secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preservação do bioma é fundamental para garantir as condições necessárias à própria produção agropecuária. Para o diretor executivo do Instituto Cerrado, Yuri Salmona, “O Cerrado é um insumo. Não há agricultura responsável sem preservar o bioma: o desmatamento compromete a previsibilidade climática, a disponibilidade de água e os habitats de polinizadores fundamentais para diversos cultivos”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A campanha </span><a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Cerrado, Coração das Águas</b></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://redecerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Rede Cerrado</b></a><span style="font-weight: 400;">, que reúne mais de 500 organizações por meio de suas associadas, e a </span><a href="https://campanhacerrado.org.br/campanha2026/" target="_blank" rel="noopener"><b>Campanha Nacional em Defesa do Cerrado</b></a><span style="font-weight: 400;">, que articula mais de 60 entidades, estão entre as articulações que dão origem à mobilização. Juntas, reúnem organizações de povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conheça a Carta-Compromisso e as oito propostas: <a href="https://votepelocerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">votepelocerrado.org.br</a></span>.</p>
<figure id="attachment_33644" aria-describedby="caption-attachment-33644" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33644 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-768x1024.jpg" alt="Equipe executiva da Rede Cerrado. Brasília DF" width="768" height="1024" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-768x1024.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-225x300.jpg 225w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-1152x1536.jpg 1152w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-1536x2048.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Equipe-executiva-da-Rede-Cerrado.-Brasilia-DF-scaled.jpg 1920w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption id="caption-attachment-33644" class="wp-caption-text">Equipe executiva da Rede Cerrado, em Brasília (DF). Foto: Divulgação</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ecos dos Territórios: oficina reúne comunidades do Cerrado, Caatinga e Amazônia para troca de saberes</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ecos-dos-territorios-oficina-reune-comunidades-do-cerrado-caatinga-e-amazonia-para-troca-de-saberes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 14:13:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33593</guid>

					<description><![CDATA[Entre os dias 18 e 20 de agosto, evento em Brasília (DF) teve a participação de 98 representantes de 50 projetos aprovados nos 38º e 39º editais do Fundo Ecos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um projeto ecossocial é como um rio que flui. Nasce de um sonho ou simplesmente por teimosia. Passa por campos floridos, enfrenta terrenos rochosos e, muitas vezes, precisa fazer curvas para avançar. Um projeto, que é um rio, conflui com outros rios: parceiros do território que fortalecem iniciativas comunitárias, outros recursos captados para complementar o projeto inicial, ou até mesmo novas famílias e comunidades que são agregadas às ações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Fundo Ecos, idealizado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), apoia projetos ecossociais desenvolvidos em territórios de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, sobretudo no Cerrado, Caatinga e Amazônia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para promover a troca de saberes entre projetos, foi realizada em Brasília (DF), entre os dias 18 e 20 de agosto, a oficina Ecos dos Territórios, que reuniu 98 representantes de 50 projetos aprovados nos 38º e 39º editais do Fundo, apoiados pela Suzano, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Os projetos tiveram início em 2025 e estão na reta final.</span></p>
<figure id="attachment_33604" aria-describedby="caption-attachment-33604" style="width: 769px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33604" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-scaled.jpg" alt="" width="769" height="577" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_111245-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 769px) 100vw, 769px" /><figcaption id="caption-attachment-33604" class="wp-caption-text">Encontro aproximou iniciativas de diferentes territórios e fortaleceu conexões entre as comunidades. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Experiências que valorizam territórios e saberes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as experiências compartilhadas durante o encontro está a iniciativa Grota Quilombola, apoiada pelo Fundo Ecos e conduzida pela Comunidade Quilombola de Palmeiras, na Bahia. O projeto de turismo de base étnico-racial contribui para o fortalecimento das tradições a partir de um turismo sustentável, com a valorização da cultura, dos produtos e dos saberes da comunidade. O jovem quilombola Alexandre Feliciano participou do Ecos dos Territórios representando a iniciativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando somos reconhecidos como quilombolas, passamos a carregar uma história e um saber. Mas o preconceito também passa a fazer parte desse reconhecimento. O Grota Quilombola surgiu como uma proposta de reverter esse preconceito, com o intuito de ressignificar nossa existência e valorizar o que é nosso, a nossa ancestralidade. É um turismo onde nos reconhecemos”, explica Alexandre.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33605" aria-describedby="caption-attachment-33605" style="width: 783px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33605" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-scaled.jpg" alt="" width="783" height="588" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260818_101644-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 783px) 100vw, 783px" /><figcaption id="caption-attachment-33605" class="wp-caption-text">Alexandre Feliciano (primeiro à esquerda) junto com colegas que executam projetos ecossociais. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os projetos representados no evento estão localizados em 10 estados brasileiros e no Distrito Federal. Por meio do engajamento das comunidades, as iniciativas já impactaram diretamente 3.826 pessoas, sendo 2.381 mulheres, e envolvem 413 comunidades do Cerrado, Caatinga e Amazônia. As ações também qualificaram 2.500 pessoas, promovendo o uso sustentável de 22 mil hectares de vegetação nativa e o manejo agroecológico de outros 320 hectares, além de contribuírem para a reforma, construção ou estruturação de 15 agroindústrias.</span></p>
<p><b>Juventude, mulheres e sociobiodiversidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um projeto ecossocial também é um processo de entendimento do seu próprio papel na promoção da sociobiodiversidade. A jovem Karla Nogueira Santos, representante da Associação dos Agricultores Familiares e Agroindustriais de Palmas (Agrop), parceira da Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional (TO) na execução de uma iniciativa apoiada, conta sobre esse processo durante sua participação no Ecos dos Territórios.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“No meu trabalho, posso ajudar as comunidades locais e conhecê-las, mas, além disso, posso me integrar a elas. Por meio desse projeto, também me entendi, conheci mais sobre mim e sobre o que tem à minha volta na proteção do meio ambiente. É incrível poder participar desses projetos, fazer a diferença e trazer mais jovens para essa causa também”, comenta Karla.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33606" aria-describedby="caption-attachment-33606" style="width: 810px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33606" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-scaled.jpg" alt="" width="810" height="608" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090557-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 810px) 100vw, 810px" /><figcaption id="caption-attachment-33606" class="wp-caption-text">Karla Nogueira Santos (à direita) durante apresentação de grupo em atividade sobre a juventude. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa descoberta também aparece na experiência de Heloísa Ferreira, representante do projeto conduzido pela Casa Cerrado de Marias (DF) e estudante de Agroecologia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esse projeto me ajudou a resgatar os saberes ancestrais, passando para a juventude. E assim eu estou podendo conhecer um pouco mais as plantas medicinais, não só pelos conhecimentos técnicos, mas também pelos saberes tradicionais e das casas dos povos de terreiro”, conta Heloísa.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33607" aria-describedby="caption-attachment-33607" style="width: 808px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33607" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-scaled.jpg" alt="" width="808" height="606" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260819_090219-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 808px) 100vw, 808px" /><figcaption id="caption-attachment-33607" class="wp-caption-text">Heloísa Ferreira (primeira à esquerda) durante grupo de trabalho com os participantes. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Construir uma cozinha comunitária, implementar quintais produtivos, promover formações para a juventude, fortalecer a atuação de mulheres, fomentar produções agroecológicas, restaurar a terra, incidir sobre políticas públicas&#8230; os objetivos de um projeto ecossocial são diversos, mas a luta pela proteção da natureza, por justiça socioambiental e pelo bem viver é comum a todos eles. Entre os projetos apoiados, 32 fortalecem iniciativas protagonizadas por mulheres e 18 desenvolvem ações com jovens no contexto da educação do campo.</span></p>
<p><b>Saberes que fortalecem a comunidade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Arnold Fernandes Terena, do povo Terena, em Mato Grosso do Sul, o projeto “Koyónoti Vemeuxá: formando agentes ambientais Terena” contribuiu para fortalecer os saberes tradicionais e aproximar a juventude de seu território.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esse projeto ajudou a juventude Terena a conhecer mais o seu território, fazer o mapeamento e o manejo. Ele veio formar jovens ambientais Terena para que, junto com suas lideranças, caciques e mulheres anciãs, possam lutar pela proteção do nosso território e buscar melhorias para o nosso povo”, conta.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Arnold, o projeto também possibilitou que os jovens conhecessem lugares que antes desconheciam, inclusive áreas onde são encontrados remédios tradicionais, sempre acompanhados pelos anciãos. “Esse projeto ajudou na valorização da identidade do meu povo e na valorização cultural e territorial.”</span></p>
<figure id="attachment_33608" aria-describedby="caption-attachment-33608" style="width: 815px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33608" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29.jpeg" alt="" width="815" height="611" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29.jpeg 1600w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-20-at-10.52.29-1536x1152.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 815px) 100vw, 815px" /><figcaption id="caption-attachment-33608" class="wp-caption-text">Arnold Fernandes Terena apresentou a experiência da juventude no projeto de formação de agentes ambientais Terena. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência de troca entre diferentes projetos também aparece na fala de Giselia Alves dos Santos, representante da Associação dos Agroextrativistas Familiares Solidários da Comunidade Quilombola do Povoado Km 1700, no Maranhão. Para ela, estar em contato com outras iniciativas permite compartilhar desafios, encontrar novas soluções e perceber que sonhos que antes pareciam individuais podem se transformar em construções coletivas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi um momento riquíssimo, que levarei na bagagem, porque são sonhos que estão se concretizando. E quando a gente consegue fazer a conexão com outros sonhos, vê que as comunidades estão despertando e que o sentimento de desenvolvimento nasce a partir do anseio dessas comunidades. Os desafios existem, mas também estão sendo superados no decorrer da execução dos projetos”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33609" aria-describedby="caption-attachment-33609" style="width: 808px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33609" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-scaled.jpg" alt="" width="808" height="606" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_103243-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 808px) 100vw, 808px" /><figcaption id="caption-attachment-33609" class="wp-caption-text">Giselia Alves dos Santos representou associação agroextrativista liderada por mulheres. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Parcerias que chegam aos territórios</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que democratizar recursos, o Fundo Ecos promove diálogos e valoriza conhecimentos produzidos pelas comunidades. Além de apoiar os projetos, o Fundo realiza atividades de formação e intercâmbios, como a participação dos povos na COP 30, realizada em Belém (PA) em 2025, e na VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, realizada em Brasília (DF) em 2026.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A parceria entre as instituições que apoiam as comunidades também foi destacada pelo BNDES durante o evento. A gerente de Meio Ambiente do Banco, Vanessa Mesquita, ressaltou a importância de iniciativas que aproximem os recursos das organizações que atuam diretamente nos territórios.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É muito difícil para um banco conseguir chegar na ponta, chegar perto das comunidades. E é através de instituições como o ISPN que a gente consegue fazer isso. São projetos muito importantes, que nos permitem chegar até os territórios com recursos do BNDES e apoiar iniciativas que tenham esse desenvolvimento sustentável e que tenham principalmente foco no público feminino e na juventude”, afirmou.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33611" aria-describedby="caption-attachment-33611" style="width: 809px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33611" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-scaled.jpg" alt="" width="809" height="607" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Ariel-selecao-linkedin-3-1-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 809px) 100vw, 809px" /><figcaption id="caption-attachment-33611" class="wp-caption-text">Um encontro de histórias, saberes e experiências que mostram a força das comunidades. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o consultor de Sustentabilidade da Suzano, Adilson Gonçalves Batista, a atuação conjunta com o ISPN permitiu ampliar o alcance dos recursos e chegar a um número maior de comunidades do que seria possível apenas com a estrutura da empresa. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A Suzano sempre teve a vontade de acessar mais comunidades, só que, com o recurso e a equipe que tinha, não conseguiria fazer dessa forma. Ao colocar o recurso dentro dessa parceria, conseguimos atingir muito mais comunidades. Foi a primeira experiência da Suzano em fazer uma parceria dessa forma e acho que foi uma grande sacada”, afirma Adilson.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33613" aria-describedby="caption-attachment-33613" style="width: 861px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33613" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-scaled.jpg" alt="" width="861" height="646" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Amanda-selecao-Linkedin-1-1-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 861px) 100vw, 861px" /><figcaption id="caption-attachment-33613" class="wp-caption-text">A oficina foi marcada pela partilha de conhecimentos e pela construção de novas conexões entre os projetos. Foto. Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação em rede e o engajamento das comunidades também foram destacados pelo PNUD Brasil. Para o Oficial de Programa Gustavo Matsubara, a parceria com o ISPN, construída há 32 anos, demonstra a importância da articulação entre diferentes atores para que os recursos e as ações de desenvolvimento cheguem aos territórios. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“No contexto da cooperação técnica internacional, nada se constrói sem formação de redes, que, por sua vez, não funcionam sem engajamento local. Criar esses momentos, fazer essa articulação e fazer os recursos chegarem até a ponta é uma das nossas metas. Não existe desenvolvimento próspero e sustentável sem foco nos jovens e nas mulheres”, declara Gustavo.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A oficina Ecos dos Territórios foi um ponto de confluência importante entre os rios que fluem de cada projeto. As águas trazem memórias e aprendizados, e a oficina, por sua vez, é como uma bela cachoeira, um espaço para contemplar tudo o que foi conquistado por meio das iniciativas realizadas pelos povos.</span></p>
<blockquote><p>“A ideia do Ecos dos Territórios também é promover uma autoavaliação. A gente tem que olhar para trás e pensar se o que foi planejado deu certo e o que não deu certo, para melhorar a gestão”, avalia o coordenador do Programa Iniciativas Comunitárias do ISPN, Rodrigo Noleto.</p>
<figure id="attachment_33612" aria-describedby="caption-attachment-33612" style="width: 884px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33612 " src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786.jpg" alt="" width="884" height="468" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786.jpg 2210w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-300x159.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-1024x542.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-768x407.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-1536x813.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/09/20260820_154917-scaled-e1788271318786-2048x1084.jpg 2048w" sizes="(max-width: 884px) 100vw, 884px" /><figcaption id="caption-attachment-33612" class="wp-caption-text">Parte da equipe do Fundo Ecos presente no Ecos dos Territórios. Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure></blockquote>
<p><em>Autoria: Bruna Braz / Analista Socioambiental do ISPN </em></p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">Apoio: Ariel Rocha e Amanda Vieira/Assessoria de Comunicação do ISPN</span></em></p>
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