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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<lastBuildDate>Thu, 23 Jul 2026 13:44:51 +0000</lastBuildDate>
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	<title>ISPN &#8211; Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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		<title>A restauração ecológica só será possível incluindo as comunidades locais</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 13:44:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[A restauração ecológica acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O debate sobre a restauração ecológica no Brasil gira em torno de cifras bilionárias, metas ambiciosas e promessas de mercado de créditos de carbono. Contudo, na ponta — onde a semente encontra a terra — há uma realidade mais antiga. A restauração nasce das mãos e do conhecimento ancestral dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Eles são os protagonistas de uma relação com a terra que, há séculos, mantém a paisagem viva e resiliente.</p>
<p class="texto">Nos últimos 30 anos, enquanto a pauta ambiental ganhava contornos globais, foram essas organizações comunitárias que impulsionaram a agenda localmente. Além de recuperar áreas degradadas, essas experiências fortalecem a autonomia dos territórios e demonstram que conservação e desenvolvimento caminham juntos. A pergunta que fica é: por que, então, ainda tratamos esses atores como coadjuvantes ou como &#8220;beneficiários&#8221; de projetos, e não como os protagonistas?</p>
<p class="texto">Em 2019, a ONU declarou a Década da Restauração de Ecossistemas, e o Brasil, alinhado ao Acordo de Paris, comprometeu-se a restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Políticas como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foram criadas para dar conta desse recado. O problema é que, muitas vezes, a restauração idealizada corre o risco de ser focada apenas em metas numéricas ou no plantio de árvores para sequestro de carbono, ignorando que a vegetação em pé é muito mais do que madeira e folhas.</p>
<p>A restauração que o Brasil precisa é social. Para um povo indígena, restaurar uma área é reatar laços com a espiritualidade e com a história de seus ancestrais. Para um agricultor familiar, garantir a produção de alimentos saudáveis. Para uma comunidade quilombola, reafirmar sua autonomia e resistência territorial. A restauração acumula significados imateriais e práticos, e seu sucesso depende de um arranjo que fortaleça a governança comunitária.</p>
<p>Sob essa ótica, quatro pilares devem orientar investimentos e políticas públicas no setor. O primeiro é o protagonismo de organizações e coletivos. As iniciativas precisam fomentar a autonomia, respeitar os direitos territoriais e garantir a distribuição justa e equitativa dos benefícios.</p>
<p class="texto">O segundo pilar é a geração de renda e a ampliação de mercados. A restauração precisa gerar renda por meio dos sistemas agroflorestais que consorciam plantios de árvores com a produção de alimentos, e o acesso dos produtores às compras institucionais. Ela precisa ser entendida como uma atividade econômica sustentável, capaz de conciliar restauração da biodiversidade, segurança alimentar e inclusão produtiva.</p>
<p class="texto">O terceiro pilar é a aprendizagem. A produção de conhecimento pode ser participativa, valorizando tanto o campo científico quanto as práticas desenvolvidas pelas comunidades ao longo das gerações. Para isso, intercâmbios entre comunidades, parcerias com universidades e a valorização da educação do campo é essencial.</p>
<p class="texto">Por fim, o quarto pilar é a escala da paisagem. Isso significa pensar na gestão integrada do fogo, na segurança hídrica e na atuação em comitês de bacias, conselhos de Unidades de Conservação e fortalecimento institucional. A restauração deve ser um projeto de território.</p>
<p>É aqui que entra o grande desafio: a restauração ecológica atrai investimentos crescentes, mas a perenidade dos resultados depende de como esse dinheiro será aplicado, se vai apenas contabilizar créditos ou construir uma economia verde verdadeiramente inclusiva.</p>
<p class="texto">Nessa linha, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) tem acumulado aprendizados valiosos ao longo de três décadas. Por meio do Fundo Ecos, viabilizou mais de 130 projetos comunitários que resultaram no manejo e restauração de mais de 27 mil hectares.</p>
<p class="texto">Além do financiamento direto às iniciativas comunitárias, o ISPN desenvolve estratégias que integram restauração produtiva, agroecologia, sistemas agroflorestais, pesquisa e monitoramento, fortalecimento institucional, unidades demonstrativas e atuação em rede. Essas ações valorizam o protagonismo de jovens, mulheres, lideranças locais, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.</p>
<p>Todas essas experiências demonstram que o grande desafio para a Década da Restauração é conectar pessoas, territórios e oportunidades, apoiando projetos comunitários de forma contínua. Assim, reconhecer e valorizar o trabalho dessas comunidades torna-se condição essencial para o sucesso das políticas de restauração no Brasil. Na próxima semana, a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026) abrigará debates sobre o tema na Universidade de Brasília (UnB), com possibilidades de trocas e avanços para a pauta no território nacional.</p>
<p><em>*Natanna Horstmann, Robert Miller e Luan Hamon — analistas socioambientais do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)<br />
</em><br />
<em>*Artigo publicado originalmente no jornal <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/07/7466385-a-restauracao-ecologica-so-sera-possivel-incluindo-as-comunidades-locais.html" target="_blank" rel="noopener">Correio Braziliense</a> </em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do Cerrado para a sala de aula: Cozinha Experimental Baru transforma alimentos em conhecimento</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/do-cerrado-para-a-sala-de-aula-cozinha-experimental-baru-transforma-alimentos-em-conhecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 19:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33446</guid>

					<description><![CDATA[Inaugurado na Escola Família Agrícola de Porto Nacional (TO), o novo espaço foi melhorado para fortalecer atividades práticas, estimular experiências com alimentos e valorizar a sociobiodiversidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Laboratório de vivências para criar e desenvolver receitas com alimentos nativos do Cerrado.</b><span style="font-weight: 400;"> Essa é a proposta da nova </span><b>Cozinha Experimental Baru</b><span style="font-weight: 400;">, inaugurada em junho na </span><b>Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional</b><span style="font-weight: 400;">, Tocantins. Localizada a cerca de 60 quilômetros de Palmas, a unidade reúne estudantes do Ensino Fundamental e Médio, que conciliam a formação escolar com cursos técnicos voltados para a área rural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, há uma diversidade de origem entre os 264 alunos matriculados, oriundos de mais de 30 municípios do Tocantins e até de fora do estado. Eles são filhos e filhas de agricultores familiares, trabalhadores rurais e pescadores artesanais, ou pertencem a comunidades quilombolas, assentamentos da reforma agrária e até mesmo não possuem relação anterior com o campo. </span></p>
<figure id="attachment_33451" aria-describedby="caption-attachment-33451" style="width: 842px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-33451" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg" alt="" width="842" height="631" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /><figcaption id="caption-attachment-33451" class="wp-caption-text">Alunos da EFA durante encerramento do tempo escola, onde há uma avaliação antes de voltarem para suas comunidades no tempo comunidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o coordenador e professor da EFA, Cirineu da Rocha, pensando nas diferentes experiências que os alunos trazem de suas casas estudando no modelo de alternância </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/jovens-do-campo-sao-aposta-para-um-futuro-agroecologico/"><span style="font-weight: 400;">(tempo escola e tempo comunidade)</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ideia da Cozinha Baru é levar para dentro do espaço da escola os produtos da sociobiodiversidade do Cerrado, bioma onde a EFA está inserida, além de utilizar os alimentos produzidos na escola, como o leite e a mandioca. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esperamos que a Cozinha Experimental Baru seja um espaço indutor de novas experiências. A partir dos conhecimentos que os estudantes trazem de suas comunidades e do trabalho dos educadores, queremos desenvolver receitas, testar possibilidades e valorizar ainda mais os produtos do Cerrado”, comenta o coordenador. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33452" aria-describedby="caption-attachment-33452" style="width: 826px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-33452" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg" alt="" width="826" height="620" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 826px) 100vw, 826px" /><figcaption id="caption-attachment-33452" class="wp-caption-text">O coordenador da EFA, Cirineu da Rocha, com a assessora técnica do ISPN, Bruna Braz, durante a prova de receitas elaboradas por alunos em uma aula prática. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O baru foi escolhido por estudantes e famílias para dar nome à cozinha devido à forte relação da região com o fruto. Sua importância também se reflete na alimentação escolar do Tocantins: ao lado do jatobá, ele integra os alimentos adquiridos por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que determina que, no mínimo, 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os estudantes que vão utilizar o novo espaço está Lívia Carvalho de Jesus, do 1º ano do Ensino Médio, com o curso técnico em Agropecuária. Moradora de uma fazenda em Miranda do Tocantins, onde o pai trabalha, ela destaca que a formação oferecida pela EFA contribui para fortalecer a ligação dos jovens com o campo e gerar conhecimentos que serão aplicados nas comunidades. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente sempre leva para casa o que aprende aqui. Eu mesma compartilho com a minha família várias coisas que aprendo na EFA. Até mesmo consigo aplicar na horta do meu pai, que aceita minhas dicas sobre diferentes formas de trabalhar”, conta Lívia. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33453" aria-describedby="caption-attachment-33453" style="width: 847px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-33453" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg" alt="" width="847" height="636" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 847px) 100vw, 847px" /><figcaption id="caption-attachment-33453" class="wp-caption-text">A estudante Lívia Carvalho de Jesus durante a inauguração da Cozinha Experimental Baru. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a estudante, a cozinha representa mais uma oportunidade de aprendizado prático. Segundo ela, o novo espaço permitirá vivenciar conteúdos trabalhados nas disciplinas, ampliando as experiências com o processamento de alimentos e o aproveitamento dos produtos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse modelo de educação, a prática não é apenas uma aula, ela é uma dimensão da formação dos estudantes, baseada na Pedagogia da Alternância, que integra teoria, trabalho, território e comunidade. </span></p>
<figure id="attachment_33454" aria-describedby="caption-attachment-33454" style="width: 852px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33454" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg" alt="" width="852" height="568" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 852px) 100vw, 852px" /><figcaption id="caption-attachment-33454" class="wp-caption-text">Alunos durante as atividades com os pais na cozinha da EFA. Foto: Karla Oliveira/Acervo Agrop</figcaption></figure>
<p><b>Agroecologia como base da pedagogia da EFA Porto Nacional </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, a agroecologia faz parte da formação dos estudantes e orienta atividades que conectam alimentação, produção rural e sustentabilidade. Os alunos e professores da EFA Porto Nacional desenvolvem um projeto de implementação de mandala agroflorestal e viveiro de mudas de espécies nativas do Cerrado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a analista socioambiental do ISPN, Bruna Braz, espaços como a EFA possuem o poder de engajar a juventude. “Os jovens se sensibilizam para a conservação do Cerrado, das águas e da terra. Também são espaços importantes para fortalecer a construção do Bem Viver, aliado com agroecologia e justiça social”, avalia. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a professora da área das agrárias, Joicileia Juliate Fonseca, que acompanha as atividades, esse processo contribui para que os jovens compreendam a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Ela destaca que a experiência ajuda a desmistificar a ideia de que apenas os grandes sistemas agrícolas são capazes de gerar resultados, mostrando que pequenas áreas diversificadas também produzem alimentos, conhecimentos e autonomia para as famílias.</span></p>
<figure id="attachment_33455" aria-describedby="caption-attachment-33455" style="width: 409px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33455" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png" alt="" width="409" height="637" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png 552w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia-193x300.png 193w" sizes="(max-width: 409px) 100vw, 409px" /><figcaption id="caption-attachment-33455" class="wp-caption-text">A professora Joicileia Juliate Fonseca destaca para seus alunos durante as atividades práticas no campo a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente quer mostrar aos estudantes que é possível produzir alimentos de forma saudável com os recursos que temos, respeitando o solo, valorizando a diversidade e aproveitando tudo o que o ambiente pode oferecer”, comenta a professora. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A Cozinha Experimental Baru foi reformada e equipada com apoio do Fundo Ecos, mecanismo financeiro do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O projeto é executado em parceria com a Associação dos Agricultores Familiares e Agroindustriais de Palmas (Agrop) e foi contemplado no </span><a href="https://fundoecos.org.br/editais/38o-edital/"><span style="font-weight: 400;">38º edital</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além da cozinha, o Fundo apoia a implementação da mandala agroflorestal e do viveiro de mudas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital 38 é voltado para jovens e mulheres, com financiamento do Fundo Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Área de Desenvolvimento Social da Suzano. Ao todo, são cinco escolas do campo contempladas neste edital, beneficiando mais de 300 estudantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos últimos 30 anos, o apoio às escolas de ensino contextualizado do campo pelo Fundo Ecos reforçou a importância do protagonismo da juventude no enfrentamento da crise climática a partir da agroecologia. Neste sentido, foram publicados nos últimos anos dois editais temáticos, focados nesses jovens de forma inédita. Quer saber mais? Acompanhe o site do Fundo Ecos e fique por dentro dos editais abertos. </span></p>
<figure id="attachment_33449" aria-describedby="caption-attachment-33449" style="width: 442px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33449" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png" alt="" width="442" height="592" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png 1911w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-224x300.png 224w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-765x1024.png 765w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-768x1029.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1147x1536.png 1147w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1529x2048.png 1529w" sizes="(max-width: 442px) 100vw, 442px" /><figcaption id="caption-attachment-33449" class="wp-caption-text">Visita ao viveiro da EFA onde são cultivadas mudas de várias espécies nativas do Cerrado pelos estudantes. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Terras públicas não têm dono privado: STF impõe freio à grilagem no Tocantins</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/terras-publicas-nao-tem-dono-privado-stf-impoe-freio-a-grilagem-no-tocantins/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 15:56:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33436</guid>

					<description><![CDATA[Estados não podem ignorar legislação federal e criar mecanismos para transferir terras públicas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7.550 representa um dos mais importantes julgamentos sobre a questão fundiária brasileira nos últimos anos. Por unanimidade, a Suprema Corte declarou inconstitucional a Lei Estadual nº 3.525/2019, bem como as Leis nº 3.730/2020 e nº 3.896/2022, que buscavam validar registros imobiliários irregulares de terras rurais no <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/04/07/mst-ocupa-area-usada-por-trabalho-escravo-e-monocultura-indevida-no-tocantins/">estado do Tocantins</a>.</p>
<p>A decisão possui enorme relevância jurídica, ambiental e social, pois impede a consolidação de mecanismos que poderiam facilitar a apropriação privada de terras públicas, ampliar <a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/04/23/violencia-no-campo-bate-recorde-na-ultima-decada-e-areas-de-avanco-do-agronegocio-concentram-casos-de-assassinatos/">conflitos agrários e incentivar o desmatamento no Cerrado</a> e na Amazônia Legal. Na prática, a legislação estadual reconhecia e convalidava, com força de título de propriedade, registros imobiliários de imóveis rurais cuja origem não estivesse baseada em títulos legítimos de alienação ou concessão expedidos pelo Poder Público.</p>
<p>A grilagem consiste na apropriação ilegal de terras públicas ou privadas mediante fraude documental, falsificação de títulos, manipulação de registros e ocupação irregular. Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), <a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/07/31/grilagem-na-amazonia-apenas-7-das-decisoes-judiciais-resultam-em-condenacoes/">a grilagem é um dos principais vetores do desmatamento no Brasil</a>, estando associada à expansão desordenada da fronteira agrícola, à violência no campo e à expulsão de comunidades tradicionais.</p>
<p>As terras devolutas correspondem às terras públicas que jamais ingressaram legitimamente no patrimônio privado. Conforme o artigo 188 da Constituição, sua destinação deve observar a política agrícola nacional e o plano de reforma agrária ou a proteção de ecossistemas, de acordo com o § 5º, do art. 225, não podendo ser transferidas indiscriminadamente ao patrimônio privado.</p>
<p>A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) ajuizou a ADI nº 7.550 com apoio de diversas organizações da sociedade civil, entre elas, a Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Alternativa para Pequena Agricultura no Tocantins, a Articulação Resistência ao Matopiba, Instituto Sociedade, População e Natureza e entidades de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.</p>
<p>Também concluiu que a legislação afrontava a função social da propriedade, a política nacional de reforma agrária, a proteção ambiental, o patrimônio público e os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. Segundo o ministro relator Nunes Marques, a lei permitia a transferência definitiva de imóveis rurais públicos ao patrimônio privado sem qualquer verificação prévia da origem da área, da existência de ocupação tradicional, do cumprimento da função social, da presença de passivos ambientais ou de áreas indígenas, quilombolas ou de preservação.</p>
<p>Do ponto de vista ambiental, a decisão representa um marco muito importante. A regularização indiscriminada de áreas públicas estimularia novas ocupações irregulares e novos desmatamentos. Ao invalidar a legislação, o STF impede que áreas eventualmente desmatadas ilegalmente sejam convertidas em propriedades privadas apenas mediante registros cartorários. A decisão também representa importante vitória para povos indígenas, comunidades quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, geraizeiros, vazanteiros, assentados da reforma agrária e demais comunidades tradicionais, historicamente afetadas pela sobreposição de registros imobiliários sobre áreas historicamente ocupadas por eles.</p>
<p>Após o julgamento, o Estado do Tocantins apresentou embargos de declaração buscando preservar os registros imobiliários e negócios jurídicos realizados durante a vigência da lei. O STF rejeitou o pedido por unanimidade, reafirmando que a modulação dos efeitos é medida excepcional e que, no caso concreto, não foram demonstradas razões concretas de segurança jurídica ou excepcional interesse social.</p>
<p>Mais do que uma discussão registral, o julgamento trata da proteção do patrimônio público, do combate à grilagem, da preservação ambiental e da defesa dos direitos das populações tradicionais. Ao invalidar a legislação tocantinense, o Supremo reafirma que o poder público deve conduzir a regularização fundiária dentro dos limites constitucionais, mediante critérios técnicos, respeito ao interesse público e observância da função social da propriedade.</p>
<p>Em um contexto de crescente pressão sobre os territórios e os recursos naturais, a decisão representa importante precedente para proteger as terras públicas brasileiras e construir um modelo de desenvolvimento que concilie segurança jurídica, justiça social e sustentabilidade ambiental.</p>
<p><em>*Maria de Fatima Dourado é advogada, integra a equipe de advocacy da Coalizão Vozes do Tocantins Por Justiça Climática e subscritora da ADI 7550.</em></p>
<p><em>*Patrícia Silva é especialista em Comunidades Tradicionais, advogada das equipes de advocacy da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).</em></p>
<p><em>Artigo publicado originalmente no <a href="https://www.brasildefato.com.br/">Brasil de Fato</a></em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Nova regulamentação traz mais diversidade para a alimentação escolar</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/nova-regulamentacao-traz-mais-diversidade-para-a-alimentacao-escolar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 20:31:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33423</guid>

					<description><![CDATA[Resolução nº 11/2026 vai ampliar oportunidades para que alimentos produzidos nos territórios sejam servidos nas escolas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Açaí, beiju,  jatobá, babaçu, baru, peixe fresco, polpa de frutas nativas e farinha de mandioca já fazem parte da alimentação disponibilizada nos refeitórios de muitas escolas públicas pelo Brasil, graças à participação dos povos e comunidades tradicionais (PCTs) em políticas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E agora, essa presença tende a se tornar ainda mais comum nos pratos de crianças e adolescentes de escolas públicas. A </span><a href="https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/resolucoes/2026/resolucao-cd-fnde-no-11-de-22-de-junho-de-2026/view"><span style="font-weight: 400;">Resolução nº 11/2026 </span></a><span style="font-weight: 400;"> do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), publicada em 24 de junho de 2026, incentiva a diversidade de alimentos na alimentação escolar, podendo ampliar a participação de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais no abastecimento alimentar. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Essa  resolução é importante porque assegura o direito de alimentos saudáveis e culturalmente apropriados, adquiridos por meio de chamadas públicas específicas, para a aquisição das mãos de povos indígenas e comunidades tradicionais e abastecimento de escolas rurais e urbanas de territórios tradicionais”, afirma a  coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Silvana Bastos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Afinal, alimentar-se com mandioca ou mingau de farinha de jatobá e de babaçu é muito mais cultural, nutritivo, bom para economia local e melhor para o planeta que um pãozinho feito com trigo transgênico que viaja grandes distâncias para chegar até o prato de crianças e jovens que se alimentam todos os dias nas escolas públicas do Brasil”, completa.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A</span> <span style="font-weight: 400;">nova norma regulamenta a compra de alimentos produzidos por Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) através do PNAE. E determina por exemplo, que a aquisição de alimentos nas escolas públicas localizadas em territórios tradicionais seja feita via chamada pública específica para PCTs, sem licitação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, facilita a entrada desses alimentos no cardápio escolar, dispensando a barreira de regularização sanitária prévia, respeitando soberania e segurança alimentar/nutricional, sem prejuízo da fiscalização sanitária continuar existindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o assessor técnico do ISPN, Celso Barros, que acompanha de perto o trabalho de comunidades indígenas no Maranhão, a Resolução nº 11/2026 representa um avanço importante.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ao prever chamadas públicas específicas para Povos e Comunidades Tradicionais e reconhecer as especificidades dos seus sistemas tradicionais de produção, inclusive no aspecto sanitário, a norma valoriza os modos tradicionais de produzir e conservar alimentos, respeitando a segurança alimentar&#8221;, pontua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A norma também abre possibilidades para que os processos de aquisição considerem melhor as realidades dos territórios e os desafios enfrentados pelas comunidades, como as dificuldades de comercialização, logística e acesso aos mercados institucionais. Essa medida dialoga diretamente com o trabalho do ISPN, que apoia o fortalecimento da produção indígena e sua inserção em programas como o PNAE&#8221;, avalia.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque do documento é o reconhecimento do autoconsumo tradicional, que o texto define como “o conjunto de alimentos coletados, produzidos, manipulados, beneficiados e conservados pelos próprios PCTs, de acordo com suas culturas alimentares, sistemas produtivos tradicionais e modos de organização social.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao garantir espaço para o açaí, o beiju, o peixe fresco e tantos outros alimentos tradicionais nos cardápios escolares, a Resolução nº 11/2026 ultrapassa várias dimensões. Para quem vive da agricultura familiar, representa renda e manutenção de seus modos de vida; para as crianças e adolescentes dessas comunidades, representa a comida, segurança alimentar, nutrição e a continuidade de sua cultura. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Profetas do tempo: água, sementes e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 12:23:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33354</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Segundo episódio: A revolução agroecológica
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva Francisco Vieira Sampaio é hidroestesista de profissão. Ele possui um dom estudado nos anos 80 pela Universidade de Munique, na Alemanha, que pode estar relacionado a uma sensibilidade biológica de reagir a campos eletromagnéticos, ajudando a encontrar fendas de água no subsolo. Além de identificar o recurso hídrico, os aparelhos de cobre como o pêndulo, a forquilha e as antenas em &#8220;L&#8221; (conhecidas como Dual Rods) permitem também descobrir a quantidade e a profundidade onde a água vai ser encontrada, marcando o terreno para cavação da cacimba ou poço, conforme ele demonstrou pessoalmente. O mestre Seu Chiquinho, como é conhecido, vive na Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, na área de menor índice pluviomêtrico da região, e por isso a sua profissão é muito valorizada por todos da comunidade, assim como as suas profecias certeiras indicando a chegada das chuvas.</span></p>
<figure id="attachment_33356" aria-describedby="caption-attachment-33356" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33356" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg" alt="Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33356" class="wp-caption-text">Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo quintal onde acompanhamos o processamento da mandioca na primeira parte desta série de reportagem, chama a atenção um símbolo da revolução tecnológica no sertão: as cisternas são uma presença marcante, coletando e armazenando a água da chuva em meio as atividades do dia a dia. As cisternas de telhado, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas telhadão,</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebem as águas da chuva já filtradas e abastecem as famílias para uso pessoal ao longo do ano, com capacidade de armazenamento de 16 mil litros. Há também a captação da água diretamente no chão, as </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas calçadão</span></i><span style="font-weight: 400;">, que utilizam uma área cimentada no solo para direcionar as chuvas para o sistema de coleta, armazenando 52 mil litros de água destinada aos pequenos animais e plantações. As cisternas também estão presentes em algumas escolas, onde a água é utilizada no preparo da merenda escolar e nos sanitários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener"><b>Centro de Formação Mandacaru (CFM)</b></a><span style="font-weight: 400;"> participa de diversos programas de financiamento para construção dessa tecnologia social, como o </span><a href="https://fundoecos.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Fundo Ecos</b></a><span style="font-weight: 400;">, gerido pelo </span><b>Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)</b><span style="font-weight: 400;">. Com 35 anos de experiência de atuação, o CFM desenvolveu uma metodologia de trabalho que busca envolver toda a comunidade antes mesmo da construção de cada cisterna, com a realização de cursos de gerenciamento de recursos hídricos, e motivando as famílias a trabalhar coletivamente na forma de mutirões. O resultado são quase 14 mil cisternas construídas em seis dos doze territórios do Piauí, envolvendo mais de 20 municípios.</span></p>
<figure id="attachment_33357" aria-describedby="caption-attachment-33357" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33357" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg" alt="O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33357" class="wp-caption-text">O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de acesso à água são os açudes de uso coletivo, fruto de políticas públicas mais antigas. No Assentamento Lagoa do Mato, em Milton Brandão, quando a comunidade se uniu para comprar o terreno já havia dois açudes, e a estratégia foi criar um projeto de reforma da estrutura da sede da associação comunitária, para organizar pescarias no formato de pesque e pague, gerando renda para a comunidade, além de fornecer peixe para as 26 famílias assentadas. O projeto financiado em parte pelo </span><b>Fundo Ecos</b><span style="font-weight: 400;">, foi implementado por meio da parceria entre o </span><b>ISPN</b><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>CFM </b><span style="font-weight: 400;">e o </span><b>Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC)</b><span style="font-weight: 400;">, o que permitiu também reformar a Casa de Semente Irmã Celina. </span><span style="font-weight: 400;">O espaço preserva um banco de sementes crioulas selecionadas, utilizadas para o plantio no início do período chuvoso e para realizar trocas com outros agricultores. Variedades como “sempre verde”, “baje”, “tocha”, “pingo de ouro” e “olho de ovelha” garantem o patrimônio genético cultivado pela comunidade há vários anos. O nome do local homenageia a missionária que plantou muitas sementes simbólicas na região. Irmã Celina é reconhecida por sua incansável dedicação às causas sociais, sempre buscando levar cidadania e vida digna por meio da orientação e formação profissional.</span><span style="font-weight: 400;"> Foi ela quem negociou a compra do terreno e estimulou seus jovens alunos da Fundação Santa Ângela a criarem o </span><span style="font-weight: 400;">assentamento, repetindo</span><span style="font-weight: 400;"> a experiência de outros assentamentos na região.</span></p>
<figure id="attachment_33358" aria-describedby="caption-attachment-33358" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33358" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg" alt="A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33358" class="wp-caption-text">A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti, por estar localizada no encontro dos biomas Caatinga, Cerrado e a Mata Atlântica de altitude, possui grande variação no volume das chuvas mesmo entre comunidades próximas. Quando estivemos na região, vimos o Sr. Luis Gonzaga de Sousa pescar no açude com a rede de arrasto, mas esse ano choveu muito pouco nessa área e, como dizem na linguagem da Caatinga, o açude principal não “sangrou”, ou seja, ele não encheu o suficiente para transbordar, e como ele está conectado ao outro açude, as águas dos dois ficaram muito baixas, e a pescaria só será permitida com vara de pescar. As famílias da comunidade também não poderão usar a água para consumo próprio e precisarão recorrer ao poço artesiano, que foi perfurado logo que elas se instalaram nessas terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A boa notícia é que o solo ao redor do açude principal se </span><span style="font-weight: 400;">manteve</span><span style="font-weight: 400;"> úmido o suficiente para sustentar </span><span style="font-weight: 400;">a</span><span style="font-weight: 400;"> exuberante plantação de feijão diante da Serra das Andorinhas, a mesma cadeia de montanhas onde encontramos as pinturas rupestres e as grutas de pedras, que podem ser acessadas por trilhas ecológicas imersivas, parte de outro projeto local em torno do turismo de base comunitária.</span></p>
<figure id="attachment_33359" aria-describedby="caption-attachment-33359" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33359" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg" alt="As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33359" class="wp-caption-text">As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, os quintais do sertão da abundância não guardam apenas água das chuvas, eles resgatam os saberes tradicionais de preservação das sementes, aliados aos conhecimentos da agroecologia. Ali, a tecnologia social se faz presente no manejo ecológico de uma grande biodiversidade, da convivência de pequenos animais com canteiros de hortaliças, plantas medicinais e árvores frutíferas. As plantações baseadas em Sistemas Agroflorestais Agroecológicos (SAFs) simulam a dinâmica de florestas, com o consórcio inteligente de cultivos agrícolas como milho, feijão e mandioca, interagindo positivamente com espécies locais, garantindo abrigo para a fauna polinizadora e colheitas contínuas ao longo do ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Focado na sustentabilidade ambiental, o sistema utiliza insumos da própria Caatinga, como a bagana de Carnaúba, um subproduto da folha da palmeira, usada para a cobertura do solo, provocando o aumento da matéria orgânica e resultando em menor necessidade de fertilizantes e controle da erosão. Dessa forma, os quintais se tornaram espaços de segurança alimentar, atendendo tanto a subsistência como a diversificação da renda familiar, o que gera autonomia econômica, restauração do solo e alta resiliência climática.</span></p>
<figure id="attachment_33360" aria-describedby="caption-attachment-33360" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33360" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg" alt="Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33360" class="wp-caption-text">Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na parede da sala de sua casa na Comunidade Salobro, em Pedro II, José Portela de Sousa aponta para</span><span style="font-weight: 400;"> a foto </span><span style="font-weight: 400;">dos filhos que partiram para a cidade grande. Ele próprio já foi embora um dia, viveu </span><span style="font-weight: 400;">anos </span><span style="font-weight: 400;">sozinho em São Paulo e enviava dinheiro para sustentar a família, como tantos </span><span style="font-weight: 400;">casos</span><span style="font-weight: 400;"> no sertão. Mas </span><span style="font-weight: 400;">ele</span><span style="font-weight: 400;"> voltou. Hoje, ao lado do filho mais novo, Romério, cultiva um quintal agroecológico que não apenas alimenta, mas também gera renda e dignidade para a família. Juntos, eles criaram uma ferramenta artesanal de cano PVC e tecido macio para polinizar as flores do maracujá e chegaram a contabilizar mais de quinhentos pés plantados, colaborando com o trabalho dos besouros polinizadores endêmicos da Caatinga. O excedente da produção é vendido para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo refeições saudáveis aos alunos da rede pública, e também atende a feira semanal na cidade de Pedro II. Os quintais agroecológicos, nesse sertão que se reinventa, mostram que a terra ainda pode segurar quem nela planta raízes afetivas, culturais e produtivas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto de morar na minha cidade mesmo, com a minha agricultura familiar. É muito bom trabalhar no meu ramo, mexer com a terra é muito bom.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Salienta o jovem Romério ao ser perguntado se pensa em morar algum dia nas grandes capitais.</span></p>
<figure id="attachment_33361" aria-describedby="caption-attachment-33361" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33361" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg" alt="Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33361" class="wp-caption-text">Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo clima de cooperação e trabalho coletivo presente nas atividades do campo se estende ao momento de oferecer os produtos da agricultura familiar para o público. A Feira Agroecológica dos Saberes e Sabores está prestes a completar sete anos na Praça do Mutirão, em Pedro II. O espaço semanal nasceu para dar vazão à produção dos quintais agroecológicos e promover a venda direta das famílias para o consumidor durante o ano todo, a partir do sucesso da Feira da Fartura, um evento anual na Semana Santa que celebra a rica colheita de legumes entre março e abril, e que se tornou uma tradição no calendário da cidade. Mesmo com o frio da manhã típico da região serrana, o Sr. Gonzaga e Dona Ana Lúcia, que vimos na farinhada, estão lá toda terça-feira com frutas, verduras e o beiju com coco que conquistou a clientela, enquanto o jovem Romério traz galinha caipira, ovos, hortaliças, melancia e macaxeira. Organizada pelo Centro de Formação Mandacaru e com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Rádio Matões FM, a feira escoa a produção dos agricultores de várias comunidades e abastece as mesas de quem busca alimento saudável e de origem orgânica confiável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No último episódio da série vamos conhecer outras formas de atuação das comunidades que garantem a permanência dos jovens no campo, como o projeto de “recaatingamento” de áreas devastadas e o artesanato tradicional feito com a palha da carnaúba. O respeito à tradição dos profetas da chuva também conecta a juventude com os ciclos da natureza, em meio aos festejos que celebram as colheitas no final da estação chuvosa.</span></p>
<figure id="attachment_33362" aria-describedby="caption-attachment-33362" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33362" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg" alt="O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33362" class="wp-caption-text">O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fundo Ecos lança edital para fortalecer organizações de base comunitária na Amazônia Legal</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-lanca-edital-para-fortalecer-organizacoes-de-base-comunitaria-na-amazonia-legal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 12:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33338</guid>

					<description><![CDATA[Inscrições de projetos ficam abertas até 31 de agosto de 2026, às 18h de Brasília
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Organizações de base comunitária protagonizadas por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso poderão participar do 49º Edital do Fundo Ecos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), responsável pela gestão do </span><a href="https://fundoecos.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos</span></a><span style="font-weight: 400;">, lança a chamada no âmbito do projeto </span><b>Territórios Amazônicos Sociobiodiversos</b><span style="font-weight: 400;"> (</span><b>TAIPAS</b><span style="font-weight: 400;">), em parceria com o</span> <a href="http://www.forestspeopleclimate.org/"><b>Forests, People, Climate</b><span style="font-weight: 400;"> (</span><b>FPC</b><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma plataforma estratégica de filantropia internacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares são protagonistas na conservação e restauração das florestas, assim como na construção de soluções diversas para a crise climática. Com este edital, buscamos ampliar o acesso a recursos e fortalecer a autonomia e a governança territorial dessas organizações, contribuindo para a proteção da Amazônia Legal e de suas áreas de transição com o Cerrado”, destaca a antropóloga e gerente do projeto no ISPN, Marília Nepomuceno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o objetivo de selecionar e apoiar iniciativas desenvolvidas por organizações da sociedade civil, associações comunitárias e cooperativas, o edital contempla quatro linhas temáticas voltadas ao fortalecimento dos direitos territoriais, da participação social, implementação de instrumentos de governança e gestão territorial e ações baseadas nas economias da sociobiodiversidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre algumas das prioridades está o fortalecimento da incidência política e da participação social em espaços de governança e controle social relacionados à alimentação escolar, apoiando a atuação de organizações em instâncias como a Mesa de Diálogos Catrapovos, Conselhos Municipais e Estaduais de Alimentação Escolar e de Segurança Alimentar e Nutricional, além de ações de formação e intercâmbio sobre o tema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital também apoiará iniciativas de autodeclaração territorial e fortalecimento de direitos por meio das plataformas Tô No Mapa e Plataforma de Territórios Tradicionais, contribuindo para a visibilidade e o reconhecimento de povos e comunidades tradicionais.</span></p>
<figure id="attachment_33341" aria-describedby="caption-attachment-33341" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33341" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1441" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250828_101115-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33341" class="wp-caption-text">Direitos territoriais, estão entre os temas apoiados pela chamada, além de governança comunitária, alimentação escolar e economias da sociobiodiversidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra linha temática contempla o fortalecimento de instrumentos de governança e gestão territorial, incluindo a elaboração e implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), Planos de Gestão Territorial Quilombola (PGTAQs), Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIFs), protocolos comunitários de consulta e consentimento, acordos comunitários e outras estratégias de proteção e gestão dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o edital busca apoiar também iniciativas comunitárias ligadas às cadeias de valor e arranjos produtivos locais, incentivando atividades que promovam as economias da sociobiodiversidade e contribuam para a geração de renda e o desenvolvimento sustentável dos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recurso total previsto para o edital é de aproximadamente R$ 3.300.000,00 reais (três milhões e trezentos mil reais), para apoio de pequenos projetos que estarão distribuídos nas seguintes modalidades de apoio, de acordo com a linha temática do projeto: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sub-categoria A: associada a projetos da Linha Temática 1 &#8211; até R$ 100.000,00 (cem mil reais)</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Sub-categoria B: associada a projetos das Linhas Temáticas 2, 3 e 4 &#8211; até R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais)</span></li>
</ul>
<p>As propostas poderão ser enviadas até 31 de agosto de 2026, às 18h (horário de Brasília). O edital completo, com as linhas temáticas, os critérios de seleção e o formulário de inscrição estão disponíveis na página do edital no site do Fundo Ecos, disponível <a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-49o-3o-2026-para-apoio-a-organizacoes-na-amazonia-legal">aqui</a>.</p>
<p><b>Forests, People, Climate</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Forests, People, Climate (FPC) – F</span><i><span style="font-weight: 400;">lorestas, Pessoas, Clima</span></i><span style="font-weight: 400;"> – é uma plataforma estratégica da filantropia internacional, em conjunto com a sociedade civil e organizações comunitárias, voltada ao apoio de ações que buscam interromper e reverter o desmatamento tropical, ao mesmo tempo em que promovem um desenvolvimento justo e sustentável. Seu foco está na proteção das florestas tropicais, no enfrentamento da crise climática e no fortalecimento dos direitos e da autonomia de povos indígenas, quilombolas e comunidades locais. </span></p>
<figure id="attachment_33342" aria-describedby="caption-attachment-33342" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33342" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/20250822_140845-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33342" class="wp-caption-text">O edital integra o Projeto Territórios Amazônicos Sociobiodiversos (TAIPAS) e apoia iniciativas que contribuem para a proteção dos territórios e das florestas na Amazônia Legal brasileira. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sem povos e comunidades tradicionais, não haverá justiça climática</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/sem-povos-e-comunidades-tradicionais-nao-havera-justica-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 17:47:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33332</guid>

					<description><![CDATA[Futuro climático seguro depende do fortalecimento efetivo de quem já protege ecossistemas
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto governos encontram obstáculos na negociação de metas, indicadores e mecanismos financeiros para enfrentar a crise climática, uma pergunta continua sem resposta adequada nas negociações internacionais: o que será feito em prol de quem já está <a href="https://www.brasildefato.com.br/colunista/forum-de-defesa-das-aguas-do-clima-e-do-meio-ambiente-do-df/2026/06/03/cerrado-ameacado-protecao-de-territorios-estrategicos-trata-da-sobrevivencia-coletiva/">cuidando dos territórios que mantêm a biodiversidade</a>, protegem as águas e ajudam a regular o clima do planeta?</p>
<p>Participei, em junho, da Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, na Alemanha, etapa preparatória para a próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP31). Ao lado de lideranças de povos e comunidades tradicionais do Brasil e de representantes de comunidades locais da América Latina, África e Ásia, ficou evidente que o desafio central segue sendo o mesmo: colocar as comunidades locais no centro das decisões climáticas.</p>
<p>Essa não é uma reivindicação simbólica. Trata-se de reconhecer, na prática, que não há solução climática viável sem considerar os povos e comunidades tradicionais e os modelos de conservação que eles praticam há gerações. São formas de vida que combinam proteção da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais e garantia de condições dignas de existência nos territórios.</p>
<p>Em Bonn, ouvi relatos que reforçam essa realidade. Durante os encontros do Grupo de Trabalho Facilitador (FWG) da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP), a representante da Rede Pantaneira Edinalda Pereira lembrou que, quando o mundo discute soluções climáticas para a agricultura e os sistemas alimentares, é preciso reconhecer que as comunidades tradicionais já praticam essas soluções há gerações.</p>
<p>Segundo ela, essas populações mantêm sistemas produtivos que conservam a biodiversidade, protegem os recursos hídricos e fortalecem a resiliência dos territórios, razão pela qual não buscam aprender a ser sustentáveis, mas sim ter seus conhecimentos, formas de organização e direitos reconhecidos.</p>
<p>O reconhecimento, contudo, não pode ficar apenas no discurso. A crise climática é também uma disputa por território. Como destacou a liderança quilombola Kátia Penha, da <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/06/09/mulheres-quilombolas-se-reunem-em-brasilia-para-discutir-sobre-territorios-climas-e-direitos/">Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)</a>, o clima não é uma pauta abstrata ou técnica para os povos tradicionais, mas uma questão territorial.</p>
<p>A vice-coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Maria Ednalva Ribeiro da Silva, reforçou essa perspectiva ao lembrar que a regularização fundiária é condição indispensável para que as comunidades possam proteger seus territórios contra ameaças como desmatamento, contaminação e violência. Afinal, ninguém consegue cuidar plenamente daquilo que não possui garantia de continuar ocupando.</p>
<p>As discussões em Bonn revelaram obstáculos persistentes. Houve resistência explícita de alguns negociadores até mesmo para preservar compromissos já assumidos anteriormente. O <a href="https://ispn.org.br/noticia/por-um-financiamento-climatico-justo-chamado-da-casa-sul-global-iniciado-na-cop30/" target="_blank" rel="noopener">financiamento climático para países em desenvolvimento</a> continua distante das necessidades reais, permanecendo como uma agenda marcada por promessas e poucas entregas concretas.</p>
<h4 class="wp-block-heading">Agenda comum de defesa da vida</h4>
<p>Ao mesmo tempo, percebi uma mudança relevante em alguns ambientes. Há espaços para que o debate venha a se deslocar das declarações genéricas para a implementação efetiva de políticas. Na Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, esse deslocamento se manifestou na demanda crescente por reconhecimento do monitoramento comunitário como fonte válida nos relatórios nacionais de transparência.</p>
<p>No campo do financiamento climático, há maior reconhecimento do financiamento direto a comunidades como meio de implementação, com passos lentos, porém importantes, na instalação do Fundo de Resposta a Perdas e Danos. Em um tema caro à realidade brasileira, a conexão entre o mapa do caminho para reverter o desmatamento enquanto instrumento concreto para entrar no Balanço Global também sinaliza avanços no sentido da implementação.</p>
<p>Por isso, a presença das lideranças comunitárias nesses fóruns internacionais é tão importante. O representante dos Fundos e Fechos de Pasto da Bahia, Eldo Moreira Barreto, que participou pela primeira vez de um evento internacional, resumiu bem o significado desses encontros ao afirmar que o que une comunidades indígenas e comunidades locais em diferentes partes do mundo é o cuidado com a vida, com a água, com a natureza, com a sociobiodiversidade e com a continuidade dos saberes ancestrais.</p>
<p>Essa convergência é estratégica. Embora cada povo e comunidade tenha sua própria história, suas demandas e especificidades, existe uma agenda comum de defesa dos territórios, dos direitos coletivos e da vida. E é justamente essa unidade que fortalece a capacidade de incidência política nas negociações climáticas globais.</p>
<p>À medida que nos aproximamos da COP31, torna-se cada vez mais evidente que a transição para um futuro climático seguro não será construída apenas em gabinetes ou centros de pesquisa. Ela depende do fortalecimento efetivo de quem já protege os ecossistemas mais importantes do planeta.</p>
<p>Reconhecer com ações concretas os povos e comunidades tradicionais como protagonistas da ação climática não é uma concessão. É uma condição para que as respostas à crise climática sejam eficazes, justas e duradouras. O mundo precisa ouvir mais quem há séculos demonstra, na prática, que é possível produzir, viver e conservar ao mesmo tempo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Profetas do tempo: sabedoria, sinais e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 11:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33298</guid>

					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Primeiro episódio:  A cultura cria raízes
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33300" aria-describedby="caption-attachment-33300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33300" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg" alt="O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33300" class="wp-caption-text">O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na beirada da Caatinga, no extremo norte do Nordeste brasileiro, </span><span style="font-weight: 400;">o passado se faz presente em pinturas rupestres milenares e na sabedoria passada de pai para filho, de observar os ciclos da natureza para anunciar a chegada das chuvas. Desde os sinais deixados nas pedras pelos primeiros habitantes da América Latina, às previsões certeiras dos Profetas da Chuva, as comunidades do interior do Piauí escrevem seu próprio tempo, e hoje mesclam conhecimento ancestral e tecnologias sociais para prosperar no semiárido. Esta é a história de um Brasil profundo que, em vez de somente esperar pela chuva, aprendeu a plantar o seu amanhã.</span></p>
<figure id="attachment_33301" aria-describedby="caption-attachment-33301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33301 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg" alt="Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33301" class="wp-caption-text">Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti faz parte de uma região única, onde o tempo é ditado pelas águas. As chuvas iniciam</span> <span style="font-weight: 400;">em meados de</span> <span style="font-weight: 400;">janeiro e duram de três a quatro meses, e este ano se estenderam especialmente até maio. A biodiversidade ocorre em meio a grandes formações rochosas, baixadas sazonalmente úmidas e a transição com a Zona dos Cocais, com a rica presença das palmeiras carnaúba e babaçu. O rio Poti rompe a barreira natural da Serra da Ibiapaba para chegar na região, num trecho marcado por litígio territorial entre o Ceará e o Piauí, revelando uma intersecção da Caatinga com o Cerrado e fragmentos de Mata Atlântica, os chamados </span><i><span style="font-weight: 400;">brejos de altitude</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva José Inácio da Silva vive na Comunidade Cachoeira Grande, na cidade de Poranga, no Ceará, e cruza a divisa para visitar os profetas da Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, no Piauí. Juntos, eles ela</span><span style="font-weight: 400;">boram previsões climáticas pela observação minuciosa do ecossistema, como o comportamento dos pássaros, sapos, formigas, preás, e outros animais, além  dos mais singelos sinais da natureza presentes na rota dos ventos, nas estrelas e fases da lua, criando uma cosmografia geográfica rica em simbologias</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta terra de ciclos de vida extremos, a série de reportagem </span><i><span style="font-weight: 400;">Profetas do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce de uma imersão documental encomendada pelo Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) com apoio do <a href="https://ispn.org.br/editais/" target="_blank" rel="noopener">Fundo Global para Meio Ambiente (GEF)</a>, para criação de um banco de imagens sobre a Caatinga. Mas as histórias fotografadas mostram muito mais do que o bioma exclusivamente brasileiro, mostram uma realidade viva e palpável, percebida na fartura tecida por sua gente e uma relação profunda com a terra, um testemunho de adaptação e da reincidência cultural de práticas que sustentam a própria vida.</span></p>
<figure id="attachment_33302" aria-describedby="caption-attachment-33302" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33302" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33302" class="wp-caption-text">Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elas, a cultura da mandioca se destaca como um saber transmitido há gerações. Ao amanhecer, na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, esse conhecimento se torna concreto pelas mãos de Gonzaga Ferreira e seu sobrinho Lázaro, que colabora em tarefas leves durante a colheita, limpando a terra das raízes arrancadas do solo. É o início do grande dia da </span><i><span style="font-weight: 400;">farinhada</span></i><span style="font-weight: 400;">: um ritual coletivo que se desenrola em várias etapas até o anoitecer, transformando a mandioca brava em farinha e goma de tapioca (fécula), e envolvendo diversas famílias da comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia o trabalho envolveu cerca de vinte pessoas distribuídas nas atividades de arranquio, transporte, descascamento, trituração, lavagem da massa, prensagem, torragem, peneiração e armazenamento. Em um único dia foram produzidos 350kg de farinha e 200 kg de goma, para consumo do ano todo! Um dia de celebração de um modo de vida organizado em torno do trabalho comunitário e da transmissão de uma identidade sertaneja.</span></p>
<figure id="attachment_33303" aria-describedby="caption-attachment-33303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33303" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg" alt="A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33303" class="wp-caption-text">A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona Ana Lúcia, esposa do Sr. Gonzaga, conta que parte da produção é distribuída aos trabalhadores da farinhada como forma de pagamento pelo serviço, outra parte é enviada para os filhos em São Paulo e o restante é armazenado em sacos bem costurados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Comecei a trabalhar em farinhada eu tinha 11 anos, em farinhada das outras pessoas. Me casei nova e todo ano meu esposo tinha farinhada duas vezes por ano, no verão e no inverno. Uma farinhada é a coisa mais sagrada que você pode ter numa casa. Em tudo que você vai comer tem farinha, a gente pode fazer uma puba, dar mingau à uma criança, a um velhinho que está acamado, não tem alimento melhor do que a puba. E também tem a ração pros bichos, a casca, a madeira, a capoeira. Uma roça de mandioca é uma riqueza pra nós. Eu não sei nem descrever o tanto que uma farinhada beneficia o ser humano do campo.</span><span style="font-weight: 400;">” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33304" aria-describedby="caption-attachment-33304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33304" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg" alt="Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33304" class="wp-caption-text">Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN, com o intermédio do <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener">Centro de Formação Mandacaru (CFM)</a>, que atua há 35 anos na região promovendo o acesso à terra e à água, técnicas sustentáveis na agricultura familiar, segurança alimentar, educação contextualizada e espiritualidade popular, apoia diretamente a construção de Casas de Farinha coletivas bem equipadas. O espaço também pode ser utilizado como cozinha comunitária, para fazer bolos e biscoitos para comercialização. A comunidade vai inaugurar a nova Casa de Farinha na próxima temporada de farinhada, entre agosto e setembro deste ano. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Todo morador ou vizinho que plantar mandioca vai poder usar, vai ser o mês todo de farinhada, se Deus quiser!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frisou Dona Ana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos próximos episódios desta série de reportagem vamos conhecer as tecnologias sociais que estão revolucionando a vida no sertão do Piauí a partir da descentralização das estruturas de abastecimento de água, a permanência dos jovens no campo e sua conexão com a sabedoria dos Profetas da Chuva, além da relação dos ciclos da natureza com este trecho peculiar da Caatinga, onde a espiritualidade fortalece a identidade sertaneja e a convivência com a região.</span></p>
<figure id="attachment_33305" aria-describedby="caption-attachment-33305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33305" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg" alt="Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN " width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33305" class="wp-caption-text">Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o segundo episódio da série: &#8220;A revolução agroecológica&#8221;</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>47º Edital do Fundo Ecos seleciona 10 projetos em TICCAs do Cerrado e da Caatinga</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/47o-edital-do-fundo-ecos-seleciona-10-projetos-em-ticcas-do-cerrado-e-da-caatinga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 18:16:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33283</guid>

					<description><![CDATA[Propostas abordam conservação da biodiversidade, agroecologia, fortalecimento dos modos de vida tradicionais e protagonismo de mulheres e jovens]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://fundoecos.org.br/estrategia/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> divulgou o resultado do </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-abre-chamada-para-projetos-em-territorios-conservados-por-comunidades/"><span style="font-weight: 400;">47º Edital</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a seleção de dez projetos que atuarão em Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs) nas paisagens prioritárias apoiadas pela chamada. As propostas serão executadas por organizações de base comunitárias do Oeste da Bahia, Sul do Maranhão e da paisagem Kaiowá e Guarani, em Mato Grosso do Sul.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As iniciativas contemplam temas como produção sustentável, agroecologia, segurança alimentar e nutricional, gestão territorial, fortalecimento organizacional e proteção de territórios tradicionais. Os projetos também destacam o protagonismo de mulheres e jovens, público prioritário da chamada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as organizações selecionadas estão associações comunitárias, organizações indígenas, grupos de mulheres quilombolas e instituições que atuam diretamente nos territórios, reforçando o compromisso do edital com as organizações de base e com as iniciativas conduzidas pelas próprias comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em conjunto, os projetos refletem a proposta do 47º Edital de apoiar estratégias locais de conservação da biodiversidade, valorização dos modos de vida tradicionais e adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para a proteção dos territórios e para a segurança alimentar das comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As propostas demonstram profundo conhecimento dos territórios e capacidade de mobilização comunitária. Isso mostra que existem muitas soluções sendo construídas localmente. Apoiar essas iniciativas é também ampliar o acesso a recursos para quem historicamente esteve mais distante das oportunidades de financiamento”, afirma a assessora técnica do ISPN, Jessica Pedreira. </span></p>
<p><b>Confira o resultado abaixo: </b></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><b>Organização</b></td>
<td><b>Projeto</b></td>
<td><b>Paisagem</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Agricultores Familiares e Moradores do Chico Preto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sisteminhas Agroecológicos para Segurança Alimentar, Geração de Renda e Recuperação de Áreas Degradadas com Protagonismo de Mulheres no Cerrado Baiano</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Pequenos Criadores do Fecho de Pastos</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Estruturação das Ações de Manejo Integrado do Fogo nos Territórios de Fecho e Pasto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Desenvolvimento Comunitário do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Cerrado Vivo: Ancestralidade, Tradição e Sustentabilidade no Território do Fecho de Pasto do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Mulheres Remanescentes Quilombolas de Montevidinhas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes da Terra: Fortalecimento da Segurança Alimentar e do Protagonismo das Mulheres Quilombolas de Montevidinha</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação dos Pequenos Produtores Rurais São José</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes do Cerrado: Territórios Vivos e Governança Comunitária</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Rural de São João da Cachoeira</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecimento da Agricultura Familiar e Protagonismo Feminino na Comunidade São João das Cachoeiras, Carolina (MA)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Desenvolvimento Socioambiental Pantanal Sul</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Guardiãs do Território</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Apoio, Capacitação e Instrução de Economia Solidária do Povo (AJUIND)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Yvy Poty Juventude Guarani Kaiowá, Diversidade e Agroecologia para o Bem Viver</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto Mãe Terra</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecendo o Teko Porã nos Tekohas da TI Panambi-Lagoa Rica</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Rede de Organização em Defesa das Águas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Apoio a Comunidades Tradicionais de Fundo e Fechos de Pasto da Bacia do Rio Corrente</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais informações sobre o edital estão disponíveis </span><a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-47-ticcas/"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estudantes indígenas fortalecem protagonismo acadêmico durante evento da Uema</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/estudantes-indigenas-fortalecem-protagonismo-academico-durante-evento-da-uema/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 17:33:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33269</guid>

					<description><![CDATA[Participação de estudantes indígenas  evidencia a importância do apoio à permanência universitária e da valorização dos saberes indígenas no ensino superior]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Estudantes indígenas das Terras Indígenas Rio Pindaré, Canabrava, Morro Branco e Bacurizinho participaram do II Fórum Acadêmico Indígena da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e da II Jornada Nacional de Extensão , eventos realizados pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis (PROEXAE), entre os dias 27 a 29 de maio, no campus de São Luís, com os objetivos de promover intercâmbio de conhecimentos, fortalecer a permanência estudantil e ampliar os diálogos entre a universidade e os povos indígenas do Maranhão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A programação contou com mesas de debates sobre os desafios contemporâneos para a permanência de indígenas nas universidades, a educação indígena em contextos plurais e a dicotomia entre conhecimentos indígenas e não indígenas no espaço universitário. Houve momentos para diálogos com indígenas egressos da Uema e a apresentação de trabalhos de extensão universitária.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33271" aria-describedby="caption-attachment-33271" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33271" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema.png" alt="Mesa com a participação do coordenador do Programa Povos Indígenas ISPN, João Guilherme Nunes Cruz. Foto: Acervo UEMA" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mesa-Joao-Guilherme-Uema-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33271" class="wp-caption-text">Mesa com a participação do coordenador do Programa Povos Indígenas ISPN, João Guilherme Nunes Cruz. Foto: Acervo Uema<span style="font-size: 16px;"> </span></figcaption></figure>
<p><span style="font-size: 16px;">O II Fórum Acadêmico Indígena também foi um espaço de reflexões sobre os avanços nas políticas afirmativas da UEMA para estudantes indígenas após a realização do </span><a style="font-size: 16px;" href="https://ispn.org.br/noticia/estudantes-indigenas-e-universidade-organizam-dialogo-sobre-politicas-afirmativas-no-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">I Fórum, em 2024, que organizou diálogos entre estudantes e a gestão da universidade</a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os avanços mencionados, destaca-se a criação do Diretório Acadêmico Indígena, cotas de auxílio transporte e bolsa permanência para estudantes indígenas e o incentivo na apresentação de trabalhos em seminários e congressos. Foi mencionada a  aproximação da universidade com os territórios indígenas e suas diversas realidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Programa Indígena de Permanência e Oportunidades na Universidade (PIPOU), iniciativa executada pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), apoiou a realização das duas edições do Fórum Acadêmico Indígena da UEMA. Essa estratégia de atuação do PIPOU, em projetos de parceria com universidades públicas, visa fortalecer políticas de ações afirmativas para estudantes indígenas no ensino superior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dessas parcerias, o programa também apoia estudantes indígenas em suas trajetórias acadêmicas por meio de bolsa de estudo, doação de notebook, e ofertando atividades formativas, como oficinas de escrita acadêmica e rodas de conversa que abordam temas sobre os direitos dos povos indígenas.Durante o Fórum, 57 estudantes e egressos da UEMA, representantes das aldeias Piçarra Preta, Januária, Morro Branco, Bacurizinho e Ywyrahu, apresentaram trabalhos acadêmicos, compartilharam experiências e debateram os desafios enfrentados no acesso e na permanência no ensino superior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Pedro Viana Guajajara Filho, estudante do curso de  Letras, a presença indígena nos espaços universitários representa uma conquista </span><i><span style="font-weight: 400;">coletiva. </span></i><span style="font-weight: 400;">O estudante apresentou o projeto de extensão do qual participa que está produzindo um material paradidático para a escola de seu território com o objetivo de valorizar o ensino e a língua materna.</span></p>
<blockquote><p>“É um avanço que tivemos na educação indígena. Isso ajuda para que tenhamos mais voz e que possamos contribuir com a sociedade. Podemos destruir um estereótipo que as pessoas têm dos indígenas e dos territórios”, afirmou.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A estudante Ana Guajajara, da Aldeia Januária, destacou a importância da ocupação das universidades para o fortalecimento das identidades indígenas. </span></p>
<figure id="attachment_33272" aria-describedby="caption-attachment-33272" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33272" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes.png" alt="Ana Guajajara e estudantes indígenas do MA, no II Fórum de Educação Indígena. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ana-Guajajara-e-estudantes-indigenas-do-MA-Cristiane-Moraes-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33272" class="wp-caption-text">Ana Guajajara e estudantes indígenas do MA, no II Fórum de Educação Indígena. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Essa ocupação dentro dos espaços acadêmicos nos ajuda a contar nossas histórias com verdade. Amplia nossos conhecimentos, nos ajuda a preservar nossas tradições, lutar pelos nossos direitos e nossa organização dentro das comunidades, preservando nossos costumes e nossa língua materna. A nossa ancestralidade não está no passado, ela está dentro de nós. E devemos passá-la adiante para as novas gerações”, disse.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A participação de estudantes indígenas nas universidades tem contribuído para fortalecer os conhecimentos e as culturas indígenas  dentro e fora dos territórios. Formada em Pedagogia pela Uema e ex-bolsista do PIPOU, Brenda Guajajara Viana, da Aldeia Piçarra Preta, ressaltou que a formação acadêmica deve caminhar junto com o compromisso de fortalecimento das comunidades. Ela mediou a mesa de encerramento do evento que discutiu “A dicotomia entre dois conhecimentos: pensando a vida a partir do território”. </span></p>
<blockquote><p>“A gente vem falando sobre o protagonismo e sobre reafirmar nossa identidade. Para além da formação, é importante que estejamos nesses espaços para levar a nossa cultura. E poder retornar para os nossos territórios sempre com o objetivo do fortalecimento cultural e dos nossos direitos”, afirmou.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33273" aria-describedby="caption-attachment-33273" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33273" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara.png" alt="Palestra do antropólogo Francisco Apurinã com mediação de Brenda Guajajara Viana.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN " width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Francisco-Apurina-e-Brenda-Guajajara-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33273" class="wp-caption-text">Palestra do antropólogo Francisco Apurinã com mediação de Brenda Guajajara Viana. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A programação contou ainda com a participação do indígena antropólogo Francisco Apurinã, Pesquisador Sênior da Universidade de Helsinki &#8211; Finlândia, que destacou a importância do reconhecimento dos conhecimentos indígenas nas discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. Ressaltou ainda a importância do saber acadêmico dialogar com os saberes dos povos indígenas.</span></p>
<blockquote><p>“Quem sofre e percebe essas transformações ecológicas é quem mora na floresta. Esse conhecimento ainda é invisibilizado dentro da academia. É importante que ele seja reconhecido e esteja presente nas grandes mesas de discussão e de tomada de decisão”, afirmou.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33274" aria-describedby="caption-attachment-33274" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33274" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes.png" alt="Participação de estudantes de diferentes etnias no II Fórum Acadêmico da UEMA. Foto: Cristiane Moraes. Acervo/ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Estudantes-Forum-Academico-Uema-Cristiane-Moraes-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33274" class="wp-caption-text">Participação de estudantes de diferentes etnias no II Fórum Acadêmico da UEMA. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o Fórum, os estudantes também discutiram desafios relacionados à permanência universitária. Entre os temas levantados estiveram as dificuldades de transporte, as barreiras econômicas e os episódios de racismo enfrentados por jovens indígenas nas instituições de ensino.</span></p>
<blockquote><p>“O segundo Fórum de Diálogos Indígenas é muito importante para a troca de experiências e para buscar soluções para problemáticas vividas pelos territórios. Precisamos ocupar nosso lugar de fala. Muitos jovens estão desistindo de seus cursos por falta de transporte e por racismo”, destacou Gerlan de Oliveira Guajajara, estudante da Licenciatura Intercultural em Ciências da Natureza e presidente da Associação de Pais e Mestres da Terra Indígena Rio Pindaré.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O coordenador do Programa Povos Indígenas do ISPN, João Guilherme Nunes Cruz participou da mesa que debateu os desafios contemporâneos da permanência dos estudantes das universidades. </span></p>
<figure id="attachment_33275" aria-describedby="caption-attachment-33275" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33275" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema.png" alt="Discussão sobre problemas que os territórios enfrentam para garantir a permanência dos estudantes no ensino superior. Foto: Acervo UEMA " width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Debate-permanencia-dos-estudantes-indigenas-Uema-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33275" class="wp-caption-text">Discussão sobre problemas que os territórios enfrentam para garantir a permanência dos estudantes no ensino superior. Foto: Acervo Uema</figcaption></figure>
<blockquote><p> “Reforçamos a discussão sobre a correlação desses desafios com os problemas que os territórios indígenas enfrentam para garantir a permanência dos estudantes  no ensino superior. Ouvimos o relato de experiências  e como enfrentam as situações do cotidiano. A ideia é encontrar juntos um caminho para aprofundar esse debate com a participação dos estudantes, dos territórios, da universidade e com toda a sociedade,” afirmou.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Cristiane Ribeiro Guajajara, da Aldeia Ywyrahu, no Território Canabrava, a universidade também tem um papel fundamental na preservação da memória e dos conhecimentos tradicionais.</span></p>
<blockquote><p>“Hoje a nossa luta é deixar nossa história escrita. Estamos perdendo nossos anciãos, que são dicionários vivos em nosso território. A ideia é voltar para casa e registrar a nossa história”, relatou.</p></blockquote>
<h3><b>PIPOU amplia oportunidades para estudantes indígenas</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Criado em 2021, o PIPOU é uma iniciativa do ISPN, com apoio da Vale e aporte financeiro da Double Arrow,CMH e CRM, por meio do Programa Partilhar. Desde o início do programa, o PIPOU apoiou 184 estudantes indígenas, representantes de  54 povos indígenas em universidades de diversas regiões brasileiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Maranhão, foram apoiados 30 estudantes, até o momento: 25 da UEMA, quatro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e um do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Desse total, 17 estudantes já concluíram a graduação com o apoio do programa, sendo 16 da UEMA e um da UFMA.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados demonstram a importância de iniciativas voltadas à permanência universitária, contribuindo para que cada vez mais estudantes indígenas ocupem os espaços acadêmicos, fortaleçam suas comunidades e ampliem sua participação nos processos de produção de conhecimento e de formulação de políticas públicas.</span></p>
<figure id="attachment_33270" aria-describedby="caption-attachment-33270" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33270" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes.png" alt="Canto de estudantes indígenas durante o II Fórum Acadêmico Indígena. Foto:Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes-300x225.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Canto-de-estudantes-indigenas-Cristiane-Moraes-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33270" class="wp-caption-text">Canto de estudantes indígenas durante o II Fórum Acadêmico Indígena. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
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