Foto: Gustavo Amora

“Uma série de TV sobre resistência, transmissão de saberes e manejo sustentável das matas nativas do Brasil”

Mãos que colhem, pilam, amassam. Mãos que fazem óleos e azeites gastronômicos, aromáticos, milagrosos, curadores. Mãos que conservam a biodiversidade. Mãos que cuidam. São homens e mulheres extrativistas da Amazônia, do Cerrado e da Caantiga que protegem seus meios de vida e suas culturas tradicionais assegurando o uso sustentável dos recursos naturais em seus territórios.

É neste universo do conhecimento popular, local e místico que vem sendo gravada a série de TV “ExtrAtivismo: Saberes e resistência” com 12 episódios, dirigida pela antropóloga e documentarista, Débora Herszenhut. O projeto aborda a prática agroextrativista de produção de óleos vegetais oriundos de plantas nativas de três diferentes Biomas do Brasil (Amazônia, Cerrado e Caatinga). A produção vem percorrendo os estados do Maranhão, Pernambuco e Pará apresentando o extrativismo e o beneficiamento do babaçu, pequi, catolé, licuri, macaúba, andiroba, buriti, bacaba, bacuri, copaíba, castanha (do Pará) e cumaru.

De acordo com a documentarista, a série irá construir uma narrativa a partir das pessoas envolvidas com as atividades do extrativismo. “Como ponto de partida desta história temos a urgência de divulgação desses saberes ancestrais frente aos desafios diários encontrados por estes produtores para manterem vivas suas tradições. A ideia não é mostrar um ‘modo de fazer’ apenas, e sim, conectar essas práticas com as questões políticas, sociais, ambientais e econômicas que as rodeiam”, explicou.

 “A produção ainda vai abordar questões que se colocam em diálogo com uma série de conflitos e desafios como o desmatamento, a exploração madeireira, o agronegócio, o minério, bem como, com a construção de novos modos de produção, práticas sustentáveis de manejo agroflorestal e novas formas de inserções destes produtos no mercado. Ou seja, uma série de sobre resistência, transmissão de saberes e manejo sustentável das matas nativas do Brasil”, enfatizou Débora.

Em relação ao extrativismo do babaçu, a produção visitou e gravou com o grupo “Mulheres de Fibra”, no povoado de Serra, município de Tufilândia, no Maranhão. São 18 extrativistas, entre idosas e jovens, que revolveram se organizar para beneficiar produtos e derivados do coco babaçu, como azeite, amido do mesocarpo, biscoitos e carvão. A iniciativa recebeu o apoio e assessoria do ISPN, através do Programa de Apoio a Comunidades Tradicionais (Pact), em parceria com a Vale, com formações e fomento para apoio a cadeia do babaçu que resultou na construção da sede, compras de maquinários e mobilização para acesso aos mercados.

Para a coordenadora do grupo “Mulheres de Fibra”, Raimunda Andrade (conhecida como dona Mundica), a série é um reconhecimento pelo trabalho delas e pela importância do Babaçu. “Ficamos felizes em ter pessoas de fora acompanhando e gravando, aqui, o nosso trabalho, a nossa lida, e mostrando para o mundo como é rico o Babaçu”, falou orgulhosa.

“As quebradeiras de coco babaçu, em especial no Maranhão, são exemplos como o trabalho com extrativismo pode transformar as vidas das pessoas, gerando renda, alimentos saudáveis e fomentando o empoderamento de grupos locais. O babaçu permitiu a emancipação e organização social dessas mulheres. São elas, as quebradeiras, que, acima de tudo, têm um cuidado e um manejo com as plantas e palmeiras que dão os frutos para produção e beneficiamento de seus produtos, como no caso dos babaçuais”, declarou a coordenadora do Programa Maranhão do ISPN, Ruthiane Pereira.

A produção audiovisual recebe o financiamento do Fundo de Cultura de Pernambuco (Funcultura) e conta com o apoio de organizações da sociedade civil ligadas à temática auxiliando no suporte logístico de pesquisa, campo e articulação social, como o ISPN.  A série tem exibição confirmada nos canais TV Pernambuco e TV Universitária (PE) e encontra-se em negociação para veiculação em outras emissoras. A primeira parte do documentário pode ser acessado no canal de Debora. Clique aqui.