Entre os dias 14 e 16 de junho, aconteceu o 1º Encontro Nacional das Mulheres do Cerrado com o intuito principal de fortalecer suas organizações políticas.

Violências físicas e psicológicas, falta de políticas públicas contextualizadas, invisibilização do trabalho e perseguição nos territórios foram alguns dos pontos refletidos durante o 1º Encontro Nacional das Mulheres do Cerrado, realizado entre os dias 14 e 16, em Luziânia – (GO). Mais de cem mulheres vindas de diferentes regiões do bioma e de segmentos diversos de povos e comunidades tradicionais se reuniram para refletir sobre estratégias de resistência e estímulo ao protagonismo político. Dentre os caminhos, ficou claro que o cuidado uma com a outra e o fortalecimento coletivo são essenciais.

Nos três dias de encontros, as mulheres “cerradeiras” denunciaram o grave processo de invasão de territórios que suas comunidades vem sofrendo. O avanço de grandes empreendimentos, a expansão dos latifúndios, a grilagem e a mineração, dentre outras formas de invasão territorial, além de aumentarem os impactos ambientais com o desmatamento e a diminuição das fontes de água, trazem violências antes não conhecidas pelos povos e comunidades tradicionais. “O assédio sexual passa a perseguir nossas mulheres. Fora os agrotóxicos dessas empresas que contaminam nossos rios, envenenam nossos corpos e até nosso leite materno”, denuncia Joana*.

Além de lidarem com as problemáticas no âmbito público, as mulheres do Cerrado também precisam unir forças para enfrentar violências estruturais no seu cotidiano. A violência doméstica, a não valorização de seus trabalhos, dentre outros fatores fazem com que as mulheres adoeçam física e psicologicamente. Elas passam, assim, a perceber a necessidade de se articular e se fortalecer. “É preciso colocar o cuidado coletivo e a aliança entre nós em pauta”, pontua Maria*.

Diante das provocações e dos debates, as mulheres traçaram rumos para se empoderar politicamente, se pautando muito no cuidado com a outra, e nos instrumentos que permitem sua liberdade de fala e atuações políticas. A agroecologia e a educação contextualizada aparecem aqui como estratégias fundamentais de resistência nesse processo que, além do empoderamento feminino, conta com um processo de luta também pautado no cuidado. “A gente precisa cuidar da gente mesma para resistir aos problemas nas comunidades, precisamos construir nossa autonomia econômica, participar da política e tomarmos nossas decisões. Precisamos construir nossos movimentos populares”, declara Maria.

Confira a carta final do encontro aqui. 

*Por segurança, os nomes das mulheres nessa matéria são fictícios.