Quem pensou que o destino do lixo é um problema meramente urbano, está enganado. Hoje, o campo vive outras dinâmicas, com maior contingente populacional, mais moradia e diversos serviços sendo ofertados nas próprias comunidades rurais. E isto traz consequentemente um aumento na produção e descarte de lixo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 17 milhões de pessoas não têm acesso a coleta regular de lixo no Brasil. Maior parte da população sem atendimento está no campo e 58% dos domicílios rurais usam como alternativa de descarte as queimadas, que apresentam riscos à saúde e ao meio ambiente.

Pensando na falta de serviços e no destino correto do lixo, moradores da comunidade rural Vila União, município de Buriticupu – MA, se envolveram com a temática e propuseram um projeto, numa parceria com o ISPN e a Vale, através do Programa de Apoio a Comunidades Tradicionais (Pact). Alunos, professores e gestores do colégio da localidade (Escola Municipal José de Anchieta) foram mobilizados a participarem também.

Com o projeto apoiado pelo Pact, no valor de R$ 40 mil, a comunidade – juntamente com a escola – realizou diversos momentos de oficinas, sensibilizações e mutirões de limpeza. Mas, o grande trunfo foi pensar no futuro. Eles tiveram um olhar atento para os alunos, sobretudo para as crianças. Foi daí que surgiu a ideia de fazer a “Praça Ecológica: Reciclando para a Vida”, com materiais reciclados. Muitos destes oriundos dos quintais e das residências da própria localidade. Numa área que existia lixo e mato, surgiu um espaço para atender os estudantes e os moradores, sensibilizando e mobilizando de forma lúdica e educativa, através dos equipamentos ali construídos e adquiridos.

Para a diretora da escola, Firlángea dos Santos, a praça é um atrativo e um diferencial no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. “Foi muito importante essa parceria comunidade e escola, criando um espaço mais aconchegante e acolhedor não só para as crianças, mas também para os pais e a comunidade em geral. Isso é muito gratificante”, enfatizou.

“O projeto só foi possível também por causa da assessoria do ISPN. Tivemos algumas dificuldades no início, mas com o esforço da comunidade conseguimos atingir nosso objetivo, que foi envolver todos da comunidade com a questão do lixo”, declarou Fábio Araújo, morador da Vila União.

De acordo com a coordenadora do Programa Maranhão do ISPN, Ruthiane Pereira, os moradores foram sensibilizados e estimulados a ver com outros olhos o lixo produzido pela própria localidade. “O projeto permitiu que eles pudessem reciclar e despertar para uma consciência ambiental. Um dos resultados foi a instalação dessa praça com brinquedos e equipamentos de ginásticas, transformando um espaço em desuso num espaço lúdico para as famílias da comunidade”, explicou.

Os moradores também convidaram a prefeitura do município para fazer parte das ações da coleta e do destino adequado do lixo na comunidade. O poder público local se comprometeu de recolher o lixo na localidade a cada 15 dias.

Sobre o Pact – Ao longo de um pouco mais de quatro anos, a implementação do Pact teve como objetivo apoiar o desenvolvimento local sustentável das comunidades tradicionais na área de influência do empreendimento, por meio de um conjunto de ações integradas com vistas ao seu desenvolvimento econômico, social e organizativo, através de ações com foco nos seguintes eixos: i) Fortalecimento Institucional; ii) Acesso a Direitos Sociais e Políticas Públicas; e iii) Apoio às Cadeias Produtivas.

Como alguns resultados desse trabalho, realizamos mais de 30 oficinas de diagnóstico, formação e orientações – sempre primando pela escuta e construção coletiva das comunidades envolvidas em todas as etapas do projeto. Este trabalho culminou com o apoio a 17 projetos de iniciativas econômicas sustentáveis com as associações de base comunitária, que propiciou uma constante assessoria técnica e monitoramento pela equipe do ISPN. Entre esses está a instalação da Praça Ecológica Reciclando para a Vida na Vila União.

O ciclo de execução do Pacto pelo ISPN é encerrado em fevereiro deste ano. “Through the challenge and the actions of the estruturing, promise strategies and empoderament, the accruals of the proposal, there is the most performance, the non-capacity of constriven networks, in na technique, by the performance of expertise to distances que trabalhamos em várias regiões no estado do Maranhão nestes últimos anos ”, reforçou Ruthiane Pereira.