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	<title>Arquivos Reportagem - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivos Reportagem - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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		<title>Profetas do tempo: água, sementes e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 12:23:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Segundo episódio: A revolução agroecológica
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva Francisco Vieira Sampaio é hidroestesista de profissão. Ele possui um dom estudado nos anos 80 pela Universidade de Munique, na Alemanha, que pode estar relacionado a uma sensibilidade biológica de reagir a campos eletromagnéticos, ajudando a encontrar fendas de água no subsolo. Além de identificar o recurso hídrico, os aparelhos de cobre como o pêndulo, a forquilha e as antenas em &#8220;L&#8221; (conhecidas como Dual Rods) permitem também descobrir a quantidade e a profundidade onde a água vai ser encontrada, marcando o terreno para cavação da cacimba ou poço, conforme ele demonstrou pessoalmente. O mestre Seu Chiquinho, como é conhecido, vive na Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, na área de menor índice pluviomêtrico da região, e por isso a sua profissão é muito valorizada por todos da comunidade, assim como as suas profecias certeiras indicando a chegada das chuvas.</span></p>
<figure id="attachment_33356" aria-describedby="caption-attachment-33356" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-33356" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg" alt="Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_086.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33356" class="wp-caption-text">Na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, a cisterna compartilha o quintal com as etapas da farinhada coletiva. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo quintal onde acompanhamos o processamento da mandioca na primeira parte desta série de reportagem, chama a atenção um símbolo da revolução tecnológica no sertão: as cisternas são uma presença marcante, coletando e armazenando a água da chuva em meio as atividades do dia a dia. As cisternas de telhado, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas telhadão,</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebem as águas da chuva já filtradas e abastecem as famílias para uso pessoal ao longo do ano, com capacidade de armazenamento de 16 mil litros. Há também a captação da água diretamente no chão, as </span><i><span style="font-weight: 400;">cisternas calçadão</span></i><span style="font-weight: 400;">, que utilizam uma área cimentada no solo para direcionar as chuvas para o sistema de coleta, armazenando 52 mil litros de água destinada aos pequenos animais e plantações. As cisternas também estão presentes em algumas escolas, onde a água é utilizada no preparo da merenda escolar e nos sanitários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener"><b>Centro de Formação Mandacaru (CFM)</b></a><span style="font-weight: 400;"> participa de diversos programas de financiamento para construção dessa tecnologia social, como o </span><a href="https://fundoecos.org.br/" target="_blank" rel="noopener"><b>Fundo Ecos</b></a><span style="font-weight: 400;">, gerido pelo </span><b>Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN)</b><span style="font-weight: 400;">. Com 35 anos de experiência de atuação, o CFM desenvolveu uma metodologia de trabalho que busca envolver toda a comunidade antes mesmo da construção de cada cisterna, com a realização de cursos de gerenciamento de recursos hídricos, e motivando as famílias a trabalhar coletivamente na forma de mutirões. O resultado são quase 14 mil cisternas construídas em seis dos doze territórios do Piauí, envolvendo mais de 20 municípios.</span></p>
<figure id="attachment_33357" aria-describedby="caption-attachment-33357" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-33357" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg" alt="O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_034.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33357" class="wp-caption-text">O açude da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão, atende as famílias do assentamento e é aberto ao público como pesque e pague. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de acesso à água são os açudes de uso coletivo, fruto de políticas públicas mais antigas. No Assentamento Lagoa do Mato, em Milton Brandão, quando a comunidade se uniu para comprar o terreno já havia dois açudes, e a estratégia foi criar um projeto de reforma da estrutura da sede da associação comunitária, para organizar pescarias no formato de pesque e pague, gerando renda para a comunidade, além de fornecer peixe para as 26 famílias assentadas. O projeto financiado em parte pelo </span><b>Fundo Ecos</b><span style="font-weight: 400;">, foi implementado por meio da parceria entre o </span><b>ISPN</b><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>CFM </b><span style="font-weight: 400;">e o </span><b>Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC)</b><span style="font-weight: 400;">, o que permitiu também reformar a Casa de Semente Irmã Celina. </span><span style="font-weight: 400;">O espaço preserva um banco de sementes crioulas selecionadas, utilizadas para o plantio no início do período chuvoso e para realizar trocas com outros agricultores. Variedades como “sempre verde”, “baje”, “tocha”, “pingo de ouro” e “olho de ovelha” garantem o patrimônio genético cultivado pela comunidade há vários anos. O nome do local homenageia a missionária que plantou muitas sementes simbólicas na região. Irmã Celina é reconhecida por sua incansável dedicação às causas sociais, sempre buscando levar cidadania e vida digna por meio da orientação e formação profissional.</span><span style="font-weight: 400;"> Foi ela quem negociou a compra do terreno e estimulou seus jovens alunos da Fundação Santa Ângela a criarem o </span><span style="font-weight: 400;">assentamento, repetindo</span><span style="font-weight: 400;"> a experiência de outros assentamentos na região.</span></p>
<figure id="attachment_33358" aria-describedby="caption-attachment-33358" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-33358" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg" alt="A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_036.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33358" class="wp-caption-text">A plantação de feijão é irrigada diretamente pelo açude de uso comunitário. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti, por estar localizada no encontro dos biomas Caatinga, Cerrado e a Mata Atlântica de altitude, possui grande variação no volume das chuvas mesmo entre comunidades próximas. Quando estivemos na região, vimos o Sr. Luis Gonzaga de Sousa pescar no açude com a rede de arrasto, mas esse ano choveu muito pouco nessa área e, como dizem na linguagem da Caatinga, o açude principal não “sangrou”, ou seja, ele não encheu o suficiente para transbordar, e como ele está conectado ao outro açude, as águas dos dois ficaram muito baixas, e a pescaria só será permitida com vara de pescar. As famílias da comunidade também não poderão usar a água para consumo próprio e precisarão recorrer ao poço artesiano, que foi perfurado logo que elas se instalaram nessas terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A boa notícia é que o solo ao redor do açude principal se </span><span style="font-weight: 400;">manteve</span><span style="font-weight: 400;"> úmido o suficiente para sustentar </span><span style="font-weight: 400;">a</span><span style="font-weight: 400;"> exuberante plantação de feijão diante da Serra das Andorinhas, a mesma cadeia de montanhas onde encontramos as pinturas rupestres e as grutas de pedras, que podem ser acessadas por trilhas ecológicas imersivas, parte de outro projeto local em torno do turismo de base comunitária.</span></p>
<figure id="attachment_33359" aria-describedby="caption-attachment-33359" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33359" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg" alt="As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_087.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33359" class="wp-caption-text">As sementes armazenadas em garrafas PET podem durar anos e garantem a soberania alimentar no semiárido. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, os quintais do sertão da abundância não guardam apenas água das chuvas, eles resgatam os saberes tradicionais de preservação das sementes, aliados aos conhecimentos da agroecologia. Ali, a tecnologia social se faz presente no manejo ecológico de uma grande biodiversidade, da convivência de pequenos animais com canteiros de hortaliças, plantas medicinais e árvores frutíferas. As plantações baseadas em Sistemas Agroflorestais Agroecológicos (SAFs) simulam a dinâmica de florestas, com o consórcio inteligente de cultivos agrícolas como milho, feijão e mandioca, interagindo positivamente com espécies locais, garantindo abrigo para a fauna polinizadora e colheitas contínuas ao longo do ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Focado na sustentabilidade ambiental, o sistema utiliza insumos da própria Caatinga, como a bagana de Carnaúba, um subproduto da folha da palmeira, usada para a cobertura do solo, provocando o aumento da matéria orgânica e resultando em menor necessidade de fertilizantes e controle da erosão. Dessa forma, os quintais se tornaram espaços de segurança alimentar, atendendo tanto a subsistência como a diversificação da renda familiar, o que gera autonomia econômica, restauração do solo e alta resiliência climática.</span></p>
<figure id="attachment_33360" aria-describedby="caption-attachment-33360" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33360" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg" alt="Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_088.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33360" class="wp-caption-text">Mesmo com alguns filhos do Sr. José Portela morando na cidade grande, o êxodo rural pode estar perdendo força entre as gerações mais novas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na parede da sala de sua casa na Comunidade Salobro, em Pedro II, José Portela de Sousa aponta para</span><span style="font-weight: 400;"> a foto </span><span style="font-weight: 400;">dos filhos que partiram para a cidade grande. Ele próprio já foi embora um dia, viveu </span><span style="font-weight: 400;">anos </span><span style="font-weight: 400;">sozinho em São Paulo e enviava dinheiro para sustentar a família, como tantos </span><span style="font-weight: 400;">casos</span><span style="font-weight: 400;"> no sertão. Mas </span><span style="font-weight: 400;">ele</span><span style="font-weight: 400;"> voltou. Hoje, ao lado do filho mais novo, Romério, cultiva um quintal agroecológico que não apenas alimenta, mas também gera renda e dignidade para a família. Juntos, eles criaram uma ferramenta artesanal de cano PVC e tecido macio para polinizar as flores do maracujá e chegaram a contabilizar mais de quinhentos pés plantados, colaborando com o trabalho dos besouros polinizadores endêmicos da Caatinga. O excedente da produção é vendido para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo refeições saudáveis aos alunos da rede pública, e também atende a feira semanal na cidade de Pedro II. Os quintais agroecológicos, nesse sertão que se reinventa, mostram que a terra ainda pode segurar quem nela planta raízes afetivas, culturais e produtivas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto de morar na minha cidade mesmo, com a minha agricultura familiar. É muito bom trabalhar no meu ramo, mexer com a terra é muito bom.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Salienta o jovem Romério ao ser perguntado se pensa em morar algum dia nas grandes capitais.</span></p>
<figure id="attachment_33361" aria-describedby="caption-attachment-33361" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33361" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg" alt="Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_089.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33361" class="wp-caption-text">Ao amanhecer, os agricultores se preparam para mais um dia de feira agroecológica no bairro Mutirão, em Pedro II. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo clima de cooperação e trabalho coletivo presente nas atividades do campo se estende ao momento de oferecer os produtos da agricultura familiar para o público. A Feira Agroecológica dos Saberes e Sabores está prestes a completar sete anos na Praça do Mutirão, em Pedro II. O espaço semanal nasceu para dar vazão à produção dos quintais agroecológicos e promover a venda direta das famílias para o consumidor durante o ano todo, a partir do sucesso da Feira da Fartura, um evento anual na Semana Santa que celebra a rica colheita de legumes entre março e abril, e que se tornou uma tradição no calendário da cidade. Mesmo com o frio da manhã típico da região serrana, o Sr. Gonzaga e Dona Ana Lúcia, que vimos na farinhada, estão lá toda terça-feira com frutas, verduras e o beiju com coco que conquistou a clientela, enquanto o jovem Romério traz galinha caipira, ovos, hortaliças, melancia e macaxeira. Organizada pelo Centro de Formação Mandacaru e com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Rádio Matões FM, a feira escoa a produção dos agricultores de várias comunidades e abastece as mesas de quem busca alimento saudável e de origem orgânica confiável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No último episódio da série vamos conhecer outras formas de atuação das comunidades que garantem a permanência dos jovens no campo, como o projeto de “recaatingamento” de áreas devastadas e o artesanato tradicional feito com a palha da carnaúba. O respeito à tradição dos profetas da chuva também conecta a juventude com os ciclos da natureza, em meio aos festejos que celebram as colheitas no final da estação chuvosa.</span></p>
<figure id="attachment_33362" aria-describedby="caption-attachment-33362" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33362" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg" alt="O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_090.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33362" class="wp-caption-text">O jovem agricultor Romério Ferreira de Sousa participa da feira agroecológica, fornece alimento para a merenda escolar e fortalece a atuação dos jovens no sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
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		<title>Profetas do tempo: sabedoria, sinais e futuro no sertão da abundância</title>
		<link>https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-sabedoria-sinais-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 11:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Primeiro episódio:  A cultura cria raízes
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33300" aria-describedby="caption-attachment-33300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33300" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg" alt="O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_084.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33300" class="wp-caption-text">O guia Antonio José Rodrigues e seu neto Davi, que quer se tornar arqueólogo, na entrada da gruta no topo da Serra das Andorinhas, ponto final da recém-criada Trilha Ecológica da Comunidade Lagoa do Mato, em Milton Brandão. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na beirada da Caatinga, no extremo norte do Nordeste brasileiro, </span><span style="font-weight: 400;">o passado se faz presente em pinturas rupestres milenares e na sabedoria passada de pai para filho, de observar os ciclos da natureza para anunciar a chegada das chuvas. Desde os sinais deixados nas pedras pelos primeiros habitantes da América Latina, às previsões certeiras dos Profetas da Chuva, as comunidades do interior do Piauí escrevem seu próprio tempo, e hoje mesclam conhecimento ancestral e tecnologias sociais para prosperar no semiárido. Esta é a história de um Brasil profundo que, em vez de somente esperar pela chuva, aprendeu a plantar o seu amanhã.</span></p>
<figure id="attachment_33301" aria-describedby="caption-attachment-33301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33301 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg" alt="Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_052.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33301" class="wp-caption-text">Pintura pré-histórica com figuras zoomórficas e antropomórficas. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paisagem do Alto Rio Poti faz parte de uma região única, onde o tempo é ditado pelas águas. As chuvas iniciam</span> <span style="font-weight: 400;">em meados de</span> <span style="font-weight: 400;">janeiro e duram de três a quatro meses, e este ano se estenderam especialmente até maio. A biodiversidade ocorre em meio a grandes formações rochosas, baixadas sazonalmente úmidas e a transição com a Zona dos Cocais, com a rica presença das palmeiras carnaúba e babaçu. O rio Poti rompe a barreira natural da Serra da Ibiapaba para chegar na região, num trecho marcado por litígio territorial entre o Ceará e o Piauí, revelando uma intersecção da Caatinga com o Cerrado e fragmentos de Mata Atlântica, os chamados </span><i><span style="font-weight: 400;">brejos de altitude</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Profeta da Chuva José Inácio da Silva vive na Comunidade Cachoeira Grande, na cidade de Poranga, no Ceará, e cruza a divisa para visitar os profetas da Comunidade Tapera dos Vital, em Pedro II, no Piauí. Juntos, eles ela</span><span style="font-weight: 400;">boram previsões climáticas pela observação minuciosa do ecossistema, como o comportamento dos pássaros, sapos, formigas, preás, e outros animais, além  dos mais singelos sinais da natureza presentes na rota dos ventos, nas estrelas e fases da lua, criando uma cosmografia geográfica rica em simbologias</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta terra de ciclos de vida extremos, a série de reportagem </span><i><span style="font-weight: 400;">Profetas do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce de uma imersão documental encomendada pelo Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) com apoio do <a href="https://ispn.org.br/editais/" target="_blank" rel="noopener">Fundo Global para Meio Ambiente (GEF)</a>, para criação de um banco de imagens sobre a Caatinga. Mas as histórias fotografadas mostram muito mais do que o bioma exclusivamente brasileiro, mostram uma realidade viva e palpável, percebida na fartura tecida por sua gente e uma relação profunda com a terra, um testemunho de adaptação e da reincidência cultural de práticas que sustentam a própria vida.</span></p>
<figure id="attachment_33302" aria-describedby="caption-attachment-33302" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33302" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg" alt="Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202507_PI-bx_PaulaCinquetti_005.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33302" class="wp-caption-text">Sob a sombra da árvore fava-de-bolota, a vista do mirante Pedra da Mesa, na Comunidade Salobro, mostra a Caatinga ainda verde no início da seca. Na beira do penhasco vê-se a palma forrageira em flor, o mandacaru e o xique-xique. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre elas, a cultura da mandioca se destaca como um saber transmitido há gerações. Ao amanhecer, na comunidade Palmeira dos Ferreira, em Pedro II, esse conhecimento se torna concreto pelas mãos de Gonzaga Ferreira e seu sobrinho Lázaro, que colabora em tarefas leves durante a colheita, limpando a terra das raízes arrancadas do solo. É o início do grande dia da </span><i><span style="font-weight: 400;">farinhada</span></i><span style="font-weight: 400;">: um ritual coletivo que se desenrola em várias etapas até o anoitecer, transformando a mandioca brava em farinha e goma de tapioca (fécula), e envolvendo diversas famílias da comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste dia o trabalho envolveu cerca de vinte pessoas distribuídas nas atividades de arranquio, transporte, descascamento, trituração, lavagem da massa, prensagem, torragem, peneiração e armazenamento. Em um único dia foram produzidos 350kg de farinha e 200 kg de goma, para consumo do ano todo! Um dia de celebração de um modo de vida organizado em torno do trabalho comunitário e da transmissão de uma identidade sertaneja.</span></p>
<figure id="attachment_33303" aria-describedby="caption-attachment-33303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33303" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg" alt="A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_065.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33303" class="wp-caption-text">A colheita da mandioca é o primeiro ato do grande dia da farinhada, um ritual coletivo que sustenta comunidades e preserva a cultura do Nordeste brasileiro. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona Ana Lúcia, esposa do Sr. Gonzaga, conta que parte da produção é distribuída aos trabalhadores da farinhada como forma de pagamento pelo serviço, outra parte é enviada para os filhos em São Paulo e o restante é armazenado em sacos bem costurados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Comecei a trabalhar em farinhada eu tinha 11 anos, em farinhada das outras pessoas. Me casei nova e todo ano meu esposo tinha farinhada duas vezes por ano, no verão e no inverno. Uma farinhada é a coisa mais sagrada que você pode ter numa casa. Em tudo que você vai comer tem farinha, a gente pode fazer uma puba, dar mingau à uma criança, a um velhinho que está acamado, não tem alimento melhor do que a puba. E também tem a ração pros bichos, a casca, a madeira, a capoeira. Uma roça de mandioca é uma riqueza pra nós. Eu não sei nem descrever o tanto que uma farinhada beneficia o ser humano do campo.</span><span style="font-weight: 400;">” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33304" aria-describedby="caption-attachment-33304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33304" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg" alt="Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_061.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33304" class="wp-caption-text">Dona Raquel (esq.) e Comadre Raimunda junto com outras mulheres e meninas da comunidade descascaram 18 cargas de mandioca (uma carga equivale a dois jacar de carregar no jumento ou cerca de cinco caixas de engradado). Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ISPN, com o intermédio do <a href="https://cf-mandacaru.org/" target="_blank" rel="noopener">Centro de Formação Mandacaru (CFM)</a>, que atua há 35 anos na região promovendo o acesso à terra e à água, técnicas sustentáveis na agricultura familiar, segurança alimentar, educação contextualizada e espiritualidade popular, apoia diretamente a construção de Casas de Farinha coletivas bem equipadas. O espaço também pode ser utilizado como cozinha comunitária, para fazer bolos e biscoitos para comercialização. A comunidade vai inaugurar a nova Casa de Farinha na próxima temporada de farinhada, entre agosto e setembro deste ano. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Todo morador ou vizinho que plantar mandioca vai poder usar, vai ser o mês todo de farinhada, se Deus quiser!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frisou Dona Ana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos próximos episódios desta série de reportagem vamos conhecer as tecnologias sociais que estão revolucionando a vida no sertão do Piauí a partir da descentralização das estruturas de abastecimento de água, a permanência dos jovens no campo e sua conexão com a sabedoria dos Profetas da Chuva, além da relação dos ciclos da natureza com este trecho peculiar da Caatinga, onde a espiritualidade fortalece a identidade sertaneja e a convivência com a região.</span></p>
<figure id="attachment_33305" aria-describedby="caption-attachment-33305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33305" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg" alt="Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN " width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/202508_PI-bx_PaulaCinquetti_085.jpg 1920w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33305" class="wp-caption-text">Em meio a farinhada na comunidade Palmeira dos Ferreira, Dona Ana Lúcia aproveita para mostrar o quintal agroecológico que atende a feira semanal em Pedro II, tema da segunda parte da reportagem sobre o sertão do Piauí. Foto: Paula Cinquetti/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><a href="https://ispn.org.br/reportagem/profetas-do-tempo-agua-sementes-e-futuro-no-sertao-da-abundancia/" target="_blank" rel="noopener">&gt;&gt; Clique aqui para ver o segundo episódio da série: &#8220;A revolução agroecológica&#8221;</a></p>
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