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	<title>Arquivos Notícia - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivos Notícia - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<item>
		<title>Muito além do mel: publicação revela o conhecimento dos Awa Guajá sobre as abelhas</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/muito-alem-do-mel-publicacao-revela-o-conhecimento-dos-awa-guaja-sobre-as-abelhas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 20:28:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Hai rawirokaha pape rehe (Livro do Mel) lista 49 espécies de abelhas a partir da classificação e vivência do povo indígena Awa Guajá, revelando a complexidade das relações entre mel, floresta e espiritualidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os Awa Guajá vivem em contato profundo com a floresta e acumulam conhecimentos ancestrais, como a classificação de dezenas de espécies de abelhas e suas características, parte de seu rico repertório historicamente construído nas relações com a floresta, expresso nas suas visões de mundo, histórias e cantos.</p>
<p>Neste Dia Mundial das Abelhas, 20 de maio, divulgamos o lançamento da publicação <a href="https://ispn.org.br/publicacao/hai-rawirokaha-pape-rehe-livro-do-mel/">Hai rawirokaha pape rehe (Livro do Mel)</a> que reúne histórias contadas por pessoas de diferentes gerações do povo Awá, que vivem na região amazônica no noroeste do Maranhão, sobre os conhecimentos que eles acumulam acerca das abelhas e dos méis.</p>
<p>Escritas em Guajá e em português, essas narrativas contribuem para a produção de material didático voltado às escolas indígenas Awá, fortalecendo o uso da língua materna ao mesmo tempo em que apoia o aprendizado do português. A obra também torna acessível ao público geral o conhecimento que esse povo indígena possui sobre um conjunto expressivo de 49 espécies de abelhas e suas características.</p>
<p>A linguista Marina Magalhães, da Universidade de Brasília (UnB), uma das organizadoras da publicação, estuda a língua dos Awá há 25 anos e convive com eles desde 2001.</p>
<blockquote><p>“Não me canso de admirar sua sabedoria e o nível de detalhamento dos seus conhecimentos sobre o ambiente em que vivem: a floresta, com os múltiplos seres naturais e sobrenaturais que lá habitam”, destaca.</p></blockquote>
<p>Para o antropólogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e também organizador do livro, Uirá Garcia, uma das coisas mais interessantes de se ressaltar é o interesse dos Awá em fazer esse livro.</p>
<blockquote><p>“Foi uma coisa que partiu muito deles, parte de um diálogo com a gente, mas é uma coisa que eles queriam deixar registrado, porque eles têm orgulho desse tipo de conhecimento”, relata.</p></blockquote>
<p>Na avaliação de Marina Magalhães, a experiência de produzir esta publicação foi extremamente realizadora.</p>
<blockquote><p>“Registrar as histórias sobre mel e abelhas por meio de gravação, transcrição e tradução, além de inúmeras sessões de conversas e esclarecimentos, nos permitiu, a mim e ao antropólogo Uirá Garcia, entrar a fundo no intrincado sistema classificatório que relaciona, numa espécie de rede, animais, plantas e espíritos”.</p></blockquote>
<p><strong>Diversidade de espécies<br />
</strong><br />
Enquanto a maioria dos levantamentos feitos com outros povos indígenas sobre o tema lista por volta de 20 espécies de abelhas, os Awa Guajá foram além: identificaram 49 tipos distintos, conforme sua própria classificação, baseada não em critérios biológicos da taxonomia ocidental, mas em sua cosmovisão.</p>
<p>A metodologia partiu do profundo conhecimento dos Awá sobre seu território, aliado a um cuidadoso diálogo com referências da meliponicultura brasileira, como o livro eletrônico <a href="https://abelha.org.br/formulario-e-book-abelhas-sem-ferrao-relevantes-para-a-meliponicultura-no-brasil/">Abelhas sem ferrão relevantes para a meliponicultura no Brasil</a> (Menezes et al., 2023) e o portal da <a href="https://abelha.org.br/">Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A)</a>. Longe de ser um estudo entomológico, o livro registra, sobretudo, o modo Awá de pensar esses insetos.</p>
<blockquote><p>“A gente acha que talvez esse seja o maior conjunto de méis que um povo indígena já inventariou, aos seus próprios moldes. Não é um trabalho de entomologia, não é um trabalho de etnobiologia, a gente está partindo da classificação dos próprios Awá, das histórias deles”, explica Uirá Garcia.</p></blockquote>
<p><strong>Maridos, esposas e espíritos Karawara<br />
</strong><br />
A classificação Awá é construída a partir de diversos elementos, incluindo espiritualidade, redes de parentesco e formatos de ninho. As abelhas são descritas como “aparentadas” umas às outras por meio dos termos imẽna – hamirikoa (“marido – esposa”). Essas relações se estabelecem pela coabitação em uma mesma árvore, pela semelhança do mel, do comportamento, dos efeitos que causam ou da aparência.</p>
<p>Por exemplo, as abelhas hairaxi’ĩa e hairaxũa produzem méis de sabor similar; tataipinuhũa e tataipinỹ causam queimaduras na pele; uhua e uhupa’ỹ têm entradas de ninho parecidas. Já os ninhos dos “maridos” costumam ter formatos compridos, enquanto os das “esposas” são redondos ou em buracos de árvores.</p>
<p>Além disso, muitos nomes das abelhas remetem a animais da floresta, comportamentos ou características físicas. Ahairuhua (“abelha grande”), por exemplo, é de fato de grande porte e constrói ninhos volumosos; a hairaxũa (‘abelha branca’), tem listras brancas no tórax; e a tihapahaira (‘abelha do olho)’, é chamada dessa forma por ser minúscula e entrar no olho das pessoas quando elas estão andando pela floresta.</p>
<p>As narrativas coletadas também trouxeram à tona os Karawara, seres que, segundo os Awá, habitam os patamares celestes mas descem à terra para se alimentar do mel da floresta. Muitos dos Karawaras se alimentam do mel da floresta mesmo vivendo entre espíritos, como o Haira Jara (gente papa-mel), que abre o ninho das abelhas com o machado, ou o Warajuxa’a, que é uma borboleta-gente e que também se alimenta exclusivamente de mel. <a href="https://ispn.org.br/noticia/cantos-do-ceu-e-da-terra-a-trama-sagrada-dos-awa%e2%80%91guaja-no-lugar-de-ser-e-resistir/" target="_blank" rel="noopener">Os Awá cantam as músicas para se comunicarem com esses Karawara</a>.</p>
<blockquote><p>“Quando os Awá falavam das abelhas, automaticamente se falavam dos cantos dos méis, das histórias dos méis, uma parte de mitologia, uma parte de narrativas mesmo sobre histórias de lembranças. A maneira que trabalharam esse tema do mel foi muito diferente, por exemplo, do que um biólogo trabalharia. Eles trouxeram o mel, mas logo com o mel vêm outras referências que são tão ou mais importantes do que a própria espécie, do que a própria classificação, a taxonomia, que são a poética dos cantos, a memória das narrativas”, destaca Uirá Garcia.</p></blockquote>
<p><strong>Um livro para todos os públicos</strong></p>
<p>Com fotos, narrativas de mulheres, homens e anciãos, e um cuidadoso trabalho de tradução, o <a href="https://ispn.org.br/publicacao/hai-rawirokaha-pape-rehe-livro-do-mel/">Livro do Mel</a> vai muito além de um catálogo: é um mergulho na alma Awa Guajá, na sua relação indissociável com a floresta e na potência do protagonismo indígena na produção de conhecimento.</p>
<p>Ao final da publicação, há uma lista detalhada, organizada pelos próprios Awá, descrevendo quais méis são inofensivos, quais inspiram atenção, e não podem ser consumidos nunca. Consumir o mel errado, na época errada da vida (infância, pós-parto, velhice), pode causar desde alergias até paralisia nas pernas.</p>
<blockquote><p>“O Livro do Mel é fruto de uma parceria de muitas mãos, começando pelos Awa Guajá e terminando nos futuros leitores indígenas e não indígenas. Nesse percurso, encontram-se, além da linguista e do antropólogo, os narradores, ilustradores, fotógrafos, editores e financiadores. Portanto, articular todos esses atores para contribuir com a realização de parte dos anseios dos Awa Guajá me causou imensa satisfação, mas nada comparável à alegria de continuar aprendendo com eles”, descreve Marina Magalhães.</p></blockquote>
<p>Esta publicação é um dos produtos resultantes do projeto Literatura Oral e Conhecimentos Ecológicos Tradicionais, financiado pela <a href="https://www.firebirdresearchgrants.org/">Fundação Firebird</a>, e contou com apoio do Projeto Paisagens Indígenas, executado pela parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e o Instituto Nupef, com apoio da Norway’s International Climate and Forest Initiative (NICFI).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projeto Porongaço representa avanço na regularização fundiária e vai impactar mais de 26 mil famílias na Amazônia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/projeto-porongaco-representa-avanco-na-regularizacao-fundiaria-e-vai-impactar-mais-de-26-mil-familias-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 15:21:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Projeto deve beneficiar diretamente mais de 26 mil famílias e contribuir para a proteção de mais de 1,6 milhão de hectares de florestas e águas na região]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O projeto “Porongaço: Caminhos da Regularização Fundiária dos Territórios da Floresta” foi lançado, em Belém (PA), como uma iniciativa estratégica para fortalecer a garantia de direitos territoriais na Amazônia. A ação deve beneficiar diretamente mais de 26 mil famílias e contribuir para a proteção de mais de 1,6 milhão de hectares de florestas e águas na região. O lançamento foi marcado pela realização de um seminário, reunindo parceiros e a equipe responsável pela execução das atividades.</p>
<p>O projeto é liderado e promovido pelo <a href="https://cnsbrasil.org/" target="_blank" rel="noopener">Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS)</a> e pelo Fundo Puxirum dos Extrativistas da Amazônia Brasileira, com gestão financeira do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e financiamento da Tenure Facility. Surge como resposta a um dos principais desafios da região: promover segurança jurídica aos territórios de uso coletivo, conservar o meio ambiente e fortalecer populações extrativistas.</p>
<p>As ações serão realizadas em 47 territórios no Pará — sendo 45 Projetos de Assentamento Agroextrativista (PAEs) e 2 Reservas Extrativistas (Resex) — alcançando diretamente 26.663 famílias e contribuindo para a proteção de mais de 1,6 milhão de hectares de floresta e águas.</p>
<p>Segundo Letícia Moraes, vice-presidente do CNS, a meta é viabilizar soluções concretas para a regularização fundiária e responder a uma demanda histórica das populações extrativistas.</p>
<blockquote><p>“A iniciativa promove segurança jurídica para as famílias, fortalece a conservação da biodiversidade, contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas e amplia as condições para o uso sustentável dos recursos naturais. Garantir a segurança jurídica dos territórios é fundamental para proteger a floresta, fortalecer as comunidades e criar condições reais de desenvolvimento sustentável na Amazônia”, comenta.</p></blockquote>
<p>A proposta está estruturada em três eixos principais: o avanço da regularização fundiária dos territórios extrativistas, o fortalecimento institucional das organizações representativas e das associações comunitárias locais. Além disso, reconhece que a garantia de direitos territoriais depende da articulação entre políticas públicas, organização social e acesso a instrumentos técnicos e administrativos que viabilizem a titulação e a gestão dos territórios.</p>
<p>De forma transversal, o projeto também valoriza o protagonismo de jovens e mulheres extrativistas, reconhecendo seu papel na sustentabilidade dos territórios e na formação de novas lideranças. A iniciativa promove ainda a articulação com instituições públicas e parcerias estratégicas, com o apoio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente e Ministério Público Federal, entre outras.</p>
<p>Para o coordenador executivo do ISPN, Fábio Vaz, o Projeto Porongaço reforça a importância de fortalecer territórios tradicionais a partir do protagonismo das próprias comunidades.</p>
<blockquote><p>“Acreditamos que a consolidação de direitos territoriais passa pelo fortalecimento das organizações locais e pela valorização dos conhecimentos e das capacidades de incidência política das populações extrativistas. A atuação do ISPN se dá justamente no sentido de fortalecer esse arranjo”.</p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Formação amplia estratégias de comercialização de produtos da sociobiodiversidade</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/formacao-amplia-a-comercializacao-de-produtos-da-sociobiodiversidade-de-organizacoes-comunitarias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 11:24:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33140</guid>

					<description><![CDATA[Lideranças do Cerrado e da Caatinga relatam impactos da formação com foco em comunicação comunitária e incidência política, comercialização e mobilização da juventude]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A formação promovida pelo Formar e-COS (Programa de Formação Continuada em Comercialização dos Produtos da Sociobiodiversidade em Mercados Institucionais) tem incentivado  lideranças comunitárias de territórios do Cerrado e da Caatinga a utilizarem  ferramentas de comunicação para ampliar a comercialização de produtos da sociobiodiversidade, mobilizar jovens e fortalecer o acesso das organizações às políticas públicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividido em três módulos realizados entre 2025 e 2026, o Formar e-COS é uma iniciativa do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), executada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), em parceria com o Coletivo 105 e a Central do Cerrado, no âmbito do Fundo Ecos (PNUD/GEF). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A formação conectou lideranças de diferentes regiões em uma rede de troca de experiências entre organizações comunitárias, permitindo que grupos compartilhassem desafios, estratégias de comunicação e comercialização, assim como formas de atuação política em seus territórios. No terceiro e último módulo, realizado em Olinda (PE) em março deste ano, os participantes refletiram principalmente sobre os desafios de fortalecer a presença das organizações nas redes e nos territórios.</span></p>
<figure id="attachment_33144" aria-describedby="caption-attachment-33144" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33144" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33144" class="wp-caption-text">Durante grupo de trabalho no terceiro módulo da formação, participantes de diversas regiões trocaram experiências sobre os desafios enfrentados em seus territórios. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das discussões sobre políticas públicas e comercialização, a formação incentivou a produção prática de conteúdos de comunicação comunitária. Durante o último módulo, os participantes apresentaram materiais desenvolvidos ao longo do curso, como campanhas digitais, registros audiovisuais e estratégias de divulgação voltadas aos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O representante da Associação dos Pequenos Produtores de Laranjinha e Molho, Joselito de Souza Barbosa, no território do Rio Corrente, na Bahia, avalia que o Formar e-COS ajudou as organizações participantes a compreenderem a importância estratégica da comunicação.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Muitas vezes a gente faz muitos projetos nas associações, muitas atividades, mas fica tudo escondido e poucas pessoas sabem”, afirma.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A organização de Joselito atua com produtos agroecológicos e do extrativismo, como pequi, buriti, castanha e caju, comercializados em feiras e programas institucionais.</span></p>
<figure id="attachment_33145" aria-describedby="caption-attachment-33145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33145" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33145" class="wp-caption-text">Joselito durante apresentação de produtos dos agricultores da sua associação. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao todo, participaram representantes de 25 organizações comunitárias de sete estados brasileiros. Durante a formação, foram desenvolvidos 21 produtos de comunicação e implementadas 20 ações de comunicação nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre comunicação e fortalecimento territorial é destacada pela integrante da Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), no Tocantins, Lara Thifanny Alves Ferreira. Segundo ela, a produção de conteúdos sobre o babaçu e o trabalho das quebradeiras de coco da organização ajudou a ampliar a valorização cultural e o alcance dos produtos da comunidade.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi com a comunicação que a gente descobriu o quanto isso é uma ferramenta de luta também. A luta pela preservação do babaçu, da quebra do coco babaçu, mas pelas nossas redes, pelos nossos conteúdos”, relata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela explica que a produção de conteúdos mostrando o preparo dos alimentos e os processos de extração do babaçu também tem aproximado outras pessoas da realidade das comunidades extrativistas. “Outras pessoas conseguem conhecer esse produto e valorizar”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33146" aria-describedby="caption-attachment-33146" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33146" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33146" class="wp-caption-text">César Pinheiro de Oliveira, do Vale do Jequitinhonha (MG) e Lara Thifanny Alves Ferreira durante dinâmica de grupo. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Permanência nos territórios e comercialização</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preocupação com a permanência da juventude nos territórios também foi um dos temas trabalhados entre os participantes da formação. </span><span style="font-weight: 400;">A articuladora e comunicadora do Grupo de Mulheres Guardiãs das Abelhas e da Caatinga do Piauí, Maria Paula Pereira, relata que o Formar e-COS ajudou a mobilizar os jovens do seu território nas atividades comunitárias e nas discussões sobre políticas públicas. Segundo ela, as atividades ligadas à comunicação e à apicultura têm despertado o interesse da juventude da sua região pelas organizações comunitárias e pelas possibilidades de geração de renda.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Os jovens não querem participar dessas coisas, mas, através do Formar e-COS, eu consegui sensibilizar alguns jovens do meu território. Queremos aproximar eles do ramo da apicultura, que é muito importante para a gente”, explica.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33148" aria-describedby="caption-attachment-33148" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33148" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33148" class="wp-caption-text">Para Maria Paula Pereira, um dos principais resultados foi a mobilização dos jovens em seu território. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Itabira, no sertão do Alto Pajeú, em Pernambuco, a agricultora Jocélia Bezerra da Silva conta que as estratégias de comunicação trabalhadas durante a formação já começaram a gerar resultados para a Associação de Mulheres Pequenas Produtoras Rurais de Cachoeira Grande, presidida por ela.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente começou a expor os nossos produtos e já começaram a surgir pedidos. Demandas pequenas, mas que já são frutos da formação”, relata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A associação atua com hortaliças, polpas de frutas, artesanato, bolos e doces caseiros produzidos pelas agricultoras da comunidade. Para Jocélia, a formação também fortaleceu a troca de conhecimentos dentro da própria associação. “O que eu aprendo aqui eu levo para minha associação. Então, a formação não é só minha”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33149" aria-describedby="caption-attachment-33149" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33149" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33149" class="wp-caption-text">Jocélia Bezerra da Silva e Acsa Thamires, comunicadora da Diaconia, organização parceria da Associação de Mulheres Pequenas Produtoras Rurais de Cachoeira Grande, apresentam estratégias de comunicação. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Comunicação e incidência política</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das estratégias de comercialização e comunicação comunitária, a formação abordou o acesso das organizações às políticas públicas e os desafios enfrentados pelos grupos para participar de programas institucionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Membro da Associação dos Produtores Rurais da Barra do Rio, em Milton Brandão (PI), Kayki Ivan de Sousa Pereira ressalta a incidência política como um dos caminhos para enfrentar as dificuldades vividas pelas organizações comunitárias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Na teoria temos acesso, mas na prática existem muitos impedimentos. Então devemos correr atrás desses direitos através da incidência política”, afirma.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, muitas associações ainda enfrentam obstáculos para acessar programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e outras iniciativas públicas voltadas aos mercados institucionais da agricultura familiar.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Kayki também destaca a comunicação como ferramenta fundamental nesse processo. “Se a gente se cala, nada vai mudar. A gente precisa comunicar aquilo que quer e também aquilo que não está funcionando”, diz.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33150" aria-describedby="caption-attachment-33150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33150" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33150" class="wp-caption-text">Troca de experiências entre diferentes organizações marcou o último módulo do Formar e-COS. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Redes que seguem para além da formação</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos conteúdos técnicos, participantes destacam que um dos principais resultados do Formar e-COS foi a construção de redes entre organizações de diferentes territórios do Cerrado e da Caatinga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O coordenador da Unidade de Beneficiamento da Associação dos Apicultores do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, César Pinheiro de Oliveira afirma que a troca de experiências entre os participantes ampliou o olhar das lideranças sobre os desafios comuns enfrentados pelas comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que uma capacitação técnica, o Formar e-COS consolidou uma rede entre organizações comunitárias de diferentes territórios do Cerrado e da Caatinga. As articulações construídas seguem fortalecendo a valorização dos produtos da sociobiodiversidade e a defesa dos direitos das comunidades. As experiências desenvolvidas ao longo da formação também reforçam a comunicação como ferramenta estratégica para ampliar a autonomia das organizações e fortalecer as identidades territoriais. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aliança entre organizações da sociedade civil fortalece cadeias de valor da sociodiversidade no Tocantins</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/alianca-entre-organizacoes-da-sociedade-civil-fortalece-cadeias-de-valor-da-sociodiversidade-no-tocantins/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 14:53:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33131</guid>

					<description><![CDATA[O primeiro encontro reuniu representantes de diversas organizações nacionais e locais para construir sinergias em um plano de ação conjunto em torno de ações promotoras das economias da sociobiodiversidade do estado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os dias 28 e 30 de abril, organizações nacionais e locais se reuniram em Palmas (TO) para estruturar uma aliança voltada ao fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade do jatobá e do capim dourado no Tocantins. A iniciativa foi organizada pelo WWF-Brasil, Central do Cerrado e pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O encontro contou com a participação de 20 organizações, sendo associações de agroextrativistas e organizações da sociedade civil como como Rede Cerrado, Cáritas Alemanha, Funatura, Onça d’Agua, entre outras.</p>
<p>O encontro resultou na construção coletiva de um plano de ação voltado ao fortalecimento das duas cadeias. Cada organização participante assumiu a liderança de atividades específicas. Os principais territórios de atuação contemplam as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Cantão, Jalapão, Lajeado e região das Serras Gerais.</p>
<p>O objetivo da iniciativa é construir uma atuação conjunta e sinérgica entre instituições que já trabalham no território, potencializando recursos, conhecimentos e estratégias para ampliar o impacto das ações junto às comunidades locais.</p>
<blockquote><p>“A ideia é complementar habilidades e expertises das instituições, com cada uma oferecendo para a Aliança o que tem de melhor. Assim, o trabalho vai ganhando força e maior amplitude. Nosso objetivo é aumentar a escala da produção e do acesso aos produtos da sociobio, a exemplo de pães e biscoitos fabricados com farinha de jatobá no lanche dos estudantes em todas as escolas do Tocantins”, explica a coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Silvana Bastos.</p></blockquote>
<figure id="attachment_33135" aria-describedby="caption-attachment-33135" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33135 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Encontro-sociobiodiversidade-Jatoba-Tocantins-Palmas-02-1024x768.jpeg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Encontro-sociobiodiversidade-Jatoba-Tocantins-Palmas-02-1024x768.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Encontro-sociobiodiversidade-Jatoba-Tocantins-Palmas-02-300x225.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Encontro-sociobiodiversidade-Jatoba-Tocantins-Palmas-02-768x576.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Encontro-sociobiodiversidade-Jatoba-Tocantins-Palmas-02.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33135" class="wp-caption-text">Representantes de organizações e comunidades participaram do encontro em Palmas (TO). Foto: Divulgação.</figcaption></figure>
<p><strong>Ação inédita</strong></p>
<p>O encontro marca um momento inédito: é a primeira vez em que todas essas organizações se articulam coletivamente em torno dessas duas cadeias de valor para pensar estratégias integradas voltadas à sociobiodiversidade no Tocantins. A aliança reúne instituições com diferentes expertises, criando uma rede capaz de atuar de forma complementar nas questões relacionadas a território, produção e comercialização.</p>
<p>Durante a programação, as organizações participantes realizaram uma análise de ambiente (contextos interno e externo), destacando os problemas socioambientais vivenciados pela população e buscando respostas, por meio de soluções sustentáveis. Esse é o caso da alimentação escolar com alimentos nutritivos e menor pegada de carbono, por não dependerem de insumos derivados do petróleo e ainda por serem produzidos nos territórios tradicionais, sem supressão de vegetação nativa do Cerrado ou da Amazônia. A análise contemplou também o mapeamento do cenário atual das cadeias de valor da sociobiodiversidade no Tocantins, identificando atores, desafios e oportunidades.</p>
<p>Na ocasião, o WWF-Brasil apresentou um estudo sobre a cadeia de valor do jatobá. O levantamento envolveu os diversos atores da cadeia, com entrevistas realizadas junto a empresas multinacionais, nacionais e locais que trabalham com a espécie. A partir dessas conversas, foi possível identificar os principais gargalos, dificuldades e oportunidades. Os resultados foram apresentados aos produtores de jatobá para validação dos achados, de modo que possam também orientar estratégias de atuação na cadeia. O estudo ainda será publicado pelo WWF-Brasil.</p>
<blockquote><p>&#8220;Foi um momento importante para encontrar sinergias entre a atuação das 20 organizações e para a construção de redes fortes para trabalhar com a sociobiodiversidade. Neste encontro, nós do ISPN estamos dando uma atenção especial para o trabalho com o jatobá, que é uma espécie nativa do Cerrado com grande potencial para comunidades locais&#8221;, destacou a analista socioambiental do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Bárbara Fellows.</p></blockquote>
<p>Entre os participantes, o ISPN foi lembrado pelos atores locais por sua trajetória no estado, especialmente por meio do Fundo Ecos e pelas pesquisas conduzidas sobre o capim dourado, a planta símbolo do Jalapão e base de uma cadeia artesanal importante para a região. O instituto também foi reconhecido por sua participação na Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quilombos do Maranhão fortalecem produção sustentável e aumento de renda </title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/quilombos-do-maranhao-fortalecem-producao-sustentavel-e-aumento-de-renda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 14:35:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33105</guid>

					<description><![CDATA[Projeto Floresta+ impulsiona quintais produtivos, produção do mel e gestão territorial em comunidades quilombolas ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><b><i>“Essa convivência com o projeto Floresta+ nos ajudou a mudar nossa visão em relação à natureza, chamando a gente para a responsabilidade de cuidar dela. Se a terra morrer, o homem também morrerá.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é de dona Maria da Conceição Paiva, presidente da Associação do Quilombo Ponta Bonita, durante visita de técnicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). A missão teve como objetivo conhecer os resultados do Projeto Floresta+ em comunidades quilombolas do Maranhão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto foi executado pelo ISPN, com apoio do Projeto Floresta+ Amazônia, por meio da Modalidade Comunidades, no âmbito da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT), do MMA, e do PNUD, com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF). A iniciativa permite que recursos internacionais obtidos a partir da redução do desmatamento retornem para comunidades que demonstram, na prática, compromisso com a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.</span></p>
<h2><b>Soberania alimentar e aumento da renda</b></h2>
<figure id="attachment_33114" aria-describedby="caption-attachment-33114" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33114" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-1024x577.jpg" alt="Quintal produtivo da comunidade Ponta Bonita. Foto: Cristiane Viana/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33114" class="wp-caption-text">Quintal produtivo da comunidade de Ponta Bonita. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na comunidade de Ponta Bonita, houve ampliação da produção na avicultura, criação de porcos, pomares, bananais e outros cultivos. Além de fortalecer a soberania alimentar das 63 famílias, o excedente da produção passou a gerar renda para a comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No município de Anajatuba, a comunidade da Ilha do Teso recebeu uma agroindústria que vai potencializar a produção de mel. Com o funcionamento do espaço, a estimativa é que, a partir do trabalho coletivo, as famílias consigam produzir até 60 toneladas de mel.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“A minha renda era pouca só com a roça. Com o incentivo da produção de mel e a agroindústria, vamos poder melhorar a produção e deixar de vender para o atravessador. Nosso sonho é ver o nome da Ilha do Teso no rótulo do produto, sendo vendido para todo o Brasil, além dos supermercados e da alimentação escolar”, </i></b><span style="font-weight: 400;">afirma José Raimundo da Silva Martins.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33111" aria-describedby="caption-attachment-33111" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33111" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-1024x577.jpg" alt="Comunidade na agroindústria que vai potencializar a produção de mel. Foto: Cristiane Viana/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33111" class="wp-caption-text">Comunidade da Ilha do Teso em frente à agroindústria de produção de mel. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Ilha do Teso, as mulheres também começam a ocupar espaço na produção de mel, defendendo maior participação nas atividades produtivas da comunidade e nas ações de </span><b><i>preservação da floresta.</i></b></p>
<blockquote><p><b><i>“Sem a conservação da floresta não tem como trabalhar com a apicultura. Como mulher, a gente sempre viu os maridos trabalhando com as abelhas. Se eles podem aprender, a gente também pode. Essa oportunidade está chegando para garantir nossa autonomia também”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz Maria Antônia Martins.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33110" aria-describedby="caption-attachment-33110" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33110" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512.png" alt="Maria Antônia Martins mostra duas garrafas de mel de sua produção. Foto: Cristiane Viana/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512-300x169.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512-768x433.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33110" class="wp-caption-text">Maria Antônia Martins mostra sua produção de mel. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No povoado Pedrinhas, o Projeto Floresta+ impulsionou uma atividade já tradicional na comunidade: a produção de farinha. A iniciativa reformou e modernizou a casa de farinha, possibilitando aumento da produção e melhoria da qualidade do produto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Quilombo São Pedro, José de Ribamar Pinto dos Reis já faz planos para diversificar a produção. Ele destaca a importância dos intercâmbios promovidos durante a execução do projeto.</span></p>
<p><b><i>“O projeto trouxe muita experiência e hoje estamos caminhando com outro pensamento, com a mente mais aberta. Visitamos outras comunidades, conhecemos novas práticas e formas de cuidar da produção. Conseguimos fortalecer a avicultura e a criação de peixes. Agora já sonho em produzir juçara, banana e cupuaçu em dez hectares, trabalhando junto com a comunidade”, </i></b><span style="font-weight: 400;">relata o agricultor familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Quilombo São Pedro também possui uma Escola Família Agrícola. A proposta é construir novas perspectivas para os estudantes da comunidade e arredores, incentivando os jovens a permanecerem e trabalharem no próprio território.</span></p>
<figure id="attachment_33121" aria-describedby="caption-attachment-33121" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33121" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-1024x577.jpg" alt="Produção de galinhas no Quilombo São Pedro. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33121" class="wp-caption-text">Produção de galinhas no Quilombo São Pedro. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><b><i>“Quando outro projeto chegar, que a gente tenha consciência do que é cuidar, preservar e entender que o projeto é nosso, da comunidade, e não de nenhuma instituição”, </i></b><span style="font-weight: 400;">afirma Ismael Montelo Rodrigues, que reside na comunidade há muito tempo e é ex-aluno da Escola Família Agrícola.  Ismael viu de perto as mudanças no Quilombo como técnico de campo do projeto Floresta + como parte da equipe do ISPN.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A implantação do Projeto Floresta+ contou ainda com a parceria de entidades representativas das comunidades, entre elas a União das Associações Quilombolas das Comunidades Remanescentes de Quilombos de Uniquituba (Uniquituba) e a Associação dos Agroprodutores Rurais do Quilombo Cariongo.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Ouvindo os depoimentos, percebemos a empolgação dos comunitários ao relatarem o aumento da produção de pequenos animais e dos quintais produtivos. Eles não perderam sua essência, mas estão inovando e garantindo mais alimento saudável e melhoria da renda nas comunidades quilombolas”, </i></b><span style="font-weight: 400;">destaca Eliane Frazão Rosa, quilombola e presidente da Uniquituba.</span></p></blockquote>
<h2><b>Quilombo Cariongo: quintais verdes e fortalecimento da identidade</b></h2>
<figure id="attachment_33109" aria-describedby="caption-attachment-33109" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33109" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-1024x577.jpg" alt="Quintal produtivo. Foto: Cristiane Viana/ Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33109" class="wp-caption-text">Quintal produtivo no Quilombo Cariongo. Foto: Cristiane Moraes/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No Quilombo Cariongo, no município de Santa Rita, as chuvas deixaram os quintais ainda mais verdes. Entre um quintal e outro, a diversidade da produção inclui banana, hortaliças, criação de galinhas, ervas medicinais e criatórios de peixes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Historicamente, o quilombo enfrenta dificuldades de acesso à água potável, e muitas famílias ainda precisam comprá-la. Com o projeto, parte desse problema começou a ser solucionada com a construção de um reservatório que garantirá água para as plantações durante o período de estiagem.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Com essa água vai dar para plantar cebola, limão e todo tipo de fruteira. Não vou mais precisar puxar carro de mão porque a água vai sair direto nas torneiras”,</i></b><span style="font-weight: 400;"> diz dona Maria Nazaré Teixeira, de 74 anos, nascida no Quilombo Cariongo.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos quintais produtivos, o Projeto Floresta+ possibilitou <a href="https://ispn.org.br/noticia/cariongo-lanca-plano-de-gestao-territorial-e-ambiental-quilombola-do-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">a construção coletiva do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQ) do Quilombo Cariongo</a>, ferramenta estratégica para o fortalecimento político da comunidade. O plano amplia o diálogo entre o território, o Estado e outros agentes responsáveis pela implementação de políticas públicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documento é pioneiro no Maranhão por ser o primeiro construído após o Decreto nº 11.786/2023, que institui a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola. O PGTAQ fortalece a autonomia e a capacidade de gestão territorial da comunidade, consolidando-se também como referência política, social e ambiental para outros quilombos na construção de instrumentos de planejamento e conquista de direitos.</span></p>
<figure id="attachment_33108" aria-describedby="caption-attachment-33108" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33108 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-1024x577.jpg" alt="Comunidade Quilombo Cariongo" width="800" height="451" data-wp-editing="1" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33108" class="wp-caption-text">Comunidade Quilombo Cariongo. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fogo sob controle: como a umidade do ar pode tornar as queimas mais seguras no Cerrado</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fogo-sob-controle-como-a-umidade-do-ar-pode-tornar-as-queimas-mais-seguras-no-cerrado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 20:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33067</guid>

					<description><![CDATA[Estudo no Parque Nacional da Chapada das Mesas (MA) aponta que medir a umidade relativa do ar é uma ferramenta simples e eficaz para reduzir riscos e aumentar o controle sobre o fogo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A umidade relativa do ar pode ser utilizada como um indicador prático e estratégico para decidir quando realizar queimas controladas ou prescritas. É o que aponta o </span><a href="https://connectsci.au/wf/article/35/4/WF25243/271730/Relative-air-humidity-at-the-time-of-burning-is-a"><span style="font-weight: 400;">novo estudo da assessora técnica do ISPN e pesquisadora de Manejo Integrado do Fogo (MIF), Lívia Carvalho Moura, e colaboradores</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob a orientação da professora Profa. Dra. Isabel Schmidt, publicado no International Journal of Wildland Fire.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A pesquisa “A umidade relativa do ar no momento da queima é um fator preditivo fundamental do comportamento do fogo no Cerrado”, analisou como diferentes condições — como época do ano, horário do dia e quantidade de vegetação seca (combustível) — influenciam o comportamento do fogo. Entre todos esses fatores, a umidade do ar se destacou como um dos mais determinantes para orientar decisões operacionais no campo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A ideia do estudo partiu de perguntas de manejo feitas pelo gestor do Parque Nacional da Chapada das Mesas na época, Paulo Adriano Dias, coautor do trabalho. Ao observar o manejo tradicional do fogo feito por comunidades locais e povos indígenas da região, ele queria saber como mensurar os indicadores da vegetação e do clima associados a essas práticas tradicionais para utilização em protocolos técnicos”, explica Lívia Moura Carvalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Saber o momento certo para usar o fogo de forma controlada parecia algo muito óbvio para os povos e comunidades  da região, mas para muitos gestores e pesquisadores não era muito claro e perceptível, e principalmente existia a preocupação de transmitir e disponibilizar esse conhecimento”, acrescenta Lívia. </span></p>
<p><b>Uma variável simples </b><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados do levantamento mostram que níveis mais baixos de umidade do ar estão associados a fogos mais intensos e rápidos; enquanto níveis mais altos de umidade resultam em fogo mais brando, mais lento e mais fácil de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso significa que a mesma área pode apresentar comportamentos de fogo muito diferentes dependendo apenas das condições do momento da queima — especialmente da umidade do ar ao longo do dia e da quantidade de material combustível.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Ferramenta acessível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o estudo demonstra que a umidade relativa do ar pode ser incorporada como um critério objetivo para orientar quando e como realizar queimadas planejadas. Por ser uma variável fácil de medir em campo, ela se torna uma ferramenta acessível para brigadistas e gestores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Níveis de umidade do ar acima de 50% são mais comuns durante a estação chuvosa e no início da estação seca (entre abril e junho, dependendo da região), mais especificamente no final da tarde ou início da noite, quando as temperaturas são mais baixas e o ar tende a reter mais umidade.</span></p>
<p><b>Contexto<br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">No Cerrado, incêndios sobre a vegetação nativa estão aumentando por fenômenos e mudanças climáticas extremas e falta de manejo da biomassa seca acumulada. O problema é maior no fim da estação seca, com fogos mais intensos e severos. Desde 2014, queimas prescritas são aplicadas em algumas áreas protegidas no início da seca para manejo de vegetações adaptadas ou propensas ao fogo, no âmbito da abordagem do <a href="https://ispn.org.br/noticia/manejo-integrado-do-fogo-agora-e-politica-nacional/" target="_blank" rel="noopener">Manejo Integrado do Fogo</a> (MIF).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados da pesquisa também reforçam o papel do MIF, adotado na redução dos incêndios em áreas protegidas do Cerrado. Essa abordagem pode incluir o uso de queimas prescritas em vegetações adaptadas ao fogo, no início da estação seca, para fragmentar o combustível e reduzir a quantidade de vegetação seca na paisagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao utilizar a umidade do ar como critério para definir o momento dessas queimas, é possível aumentar a segurança das operações e reduzir o risco de incêndios de grande escala no final da estação seca, que são mais intensos e difíceis de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, o estudo evidencia como o conhecimento científico pode apoiar decisões práticas, tornando o uso do fogo mais eficiente, seguro e alinhado aos objetivos de conservação do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33069" aria-describedby="caption-attachment-33069" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33069 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg" alt="" width="800" height="535" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-300x201.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-768x514.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1536x1027.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-2048x1370.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33069" class="wp-caption-text">Pesquisadores em campo: ao centro, Lívia Moura (esquerda) e Isabel Schmidt (direita). Foto: Divulgação/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunidade tradicional do Cerrado lança material didático sobre saberes do território</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/comunidade-tradicional-do-cerrado-lanca-material-didatico-sobre-saberes-do-territorio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 18:33:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33056</guid>

					<description><![CDATA["Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola" leva para as salas de aula as histórias e os saberes das comunidades tradicionais do Cerrado
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com o objetivo de proteger o Cerrado e valorizar a identidade dos povos que vivem no bioma, a Associação Comunitária dos Pequenos Criadores de Fecho de Pasto de Clemente (ACCFC), na Bahia, lança o livro &#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221;.</p>
<p>O material foi desenvolvido a partir da proposta de levar para as escolas os saberes do Cerrado. Para a elaboração da obra, foram realizadas oficinas com organizações sociais, professores, estudantes e comunidades de Fundo e Fecho de Pasto da região de Correntina (BA). O resultado é o que os próprios autores descrevem como um mapa afetivo e pedagógico: uma ferramenta para o reconhecimento do território como sala de aula viva, a valorização da identidade dos povos do Cerrado e o cultivo do respeito pelas origens, crenças e práticas ancestrais.</p>
<p>Elaborado pela pesquisadora e professora da rede municipal Raquel da Costa Barbosa, que é originária de uma comunidade tradicional, o material é destinado a professores e alunos da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental.</p>
<p>A proposta é que o livro seja incorporado ao planejamento pedagógico das escolas sem substituir o currículo oficial, mas enriquecendo o ensino com referências do próprio território. &#8220;Ele não está desconectado do planejamento do professor. Se o currículo exige que o aluno do quinto ano compreenda o gênero textual biografia, ele vai aprender biografia, mas a partir da história de uma parteira da comunidade&#8221;, explica Raquel.<br />
O livro está organizado em três unidades temáticas que abordam questões ambientais que atingem todo o planeta: água, meio ambiente e território. As unidades seguem o calendário escolar e se ancoram em datas simbólicas: o Dia Mundial da Água (22 de março) e o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens (14 de março) orientam a primeira unidade; o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a segunda; e o Dia Nacional do Cerrado (11 de setembro) e o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), a terceira.</p>
<p><strong>Disputa na sala</strong></p>
<p>De acordo com o coordenador da publicação e sócio da ACCFC, Eldo Moreira Barreto, o que motivou a criação do &#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221; foi a necessidade de crianças, adolescentes e jovens das comunidades tradicionais da região refletirem sobre si e sobre o espaço em que vivem. Mas há também um contexto amplo e urgente, como a crescente influência do agronegócio nos conteúdos escolares.</p>
<p>Em reportagem publicada pelo <a href="https://www.aosfatos.org/noticias/pressao-do-agro-altera-conteudos-de-livros-escolares-denunciam-editores/" target="_blank" rel="noopener">Aos Fatos</a>, organização jornalística dedicada ao combate à desinformação, o mercado editorial tem sofrido pressão para retirar dos livros escolares conteúdos considerados negativos para o agronegócio.</p>
<p>A professora Raquel da Costa Barbosa vai além e aponta que materiais didáticos produzidos pelo setor já chegam às escolas da região há anos, e segundo ela, muitas vezes com boa apresentação visual, premiações para alunos e contrapartidas às instituições de ensino. &#8220;Do ponto de vista pedagógico, esses materiais são bem elaborados. Mas do ponto de vista ideológico é que a gente precisa discutir. Eles entram pela porta da frente&#8221;, alerta. &#8220;Nós precisamos disputar por dentro da escola.&#8221;</p>
<p>Eldo completa: &#8220;É um contexto de disputa e de negação da identidade dos territórios tradicionais. O agronegócio produz material didático para as escolas enquanto as crianças, os jovens e toda a comunidade, que são os sujeitos desse espaço, ficam sem se ver representados.&#8221;</p>
<p><strong>Identidade como conteúdo</strong></p>
<p>Para trazer a comunidade para dentro das páginas, o livro apresenta cinco biografias de moradores reais das comunidades: uma parteira, uma benzedeira, um vaqueiro que se tornou líder na luta pela terra, uma mulher que uniu fé e militância política e uma liderança quilombola que representou o Brasil em encontros internacionais de mulheres camponesas.</p>
<p>&#8220;Quando o estudante se enxerga no material, ele passa a entender que aquela cultura é importante. A gente precisa trazer uma ideia de valorização para que essa criança, desde a educação infantil, consiga se reconhecer e reconhecer a importância da sua identidade&#8221;, diz Raquel.</p>
<p>Eldo reforça a visão de Paulo Freire que embasa o projeto. &#8220;Não tem como avançar sem trabalhar a educação a partir dos saberes de cada sujeito”, pontua. “A gente espera que professores e estudantes identifiquem nesse material a possibilidade de aprofundar e refletir sobre seus espaço, sua vida, seu local, e ao mesmo tempo refletir sobre o mundo e outras regiões&#8221;.</p>
<p><strong>Além do Cerrado</strong></p>
<p>Os idealizadores do material acreditam que a experiência pode inspirar iniciativas semelhantes em outros biomas e regiões do Brasil. &#8220;O que norteia são os temas centrais: água, território, cultura. Esses temas podem ser adaptados com os elementos de cada região&#8221;, diz Eldo.</p>
<p>O próximo passo da ACCFC é dialogar com as secretarias de educação da região para que o material chegue formalmente às escolas, acompanhado de formação para os professores. O livro já está <a href="https://ispn.org.br/publicacao/territorio-que-ensina-saberes-do-cerrado-na-escola/" target="_blank" rel="noopener">disponível gratuitamente para download</a> no site do ISPN.</p>
<p><strong>O livro</strong></p>
<p>&#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221; é uma realização da Associação Comunitária dos Pequenos Criadores de Fecho de Pasto de Clemente (ACCFC), em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), do Small Grants Programme (SGP) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Plataforma expõe relação entre commodities e violações de direitos no campo brasileiro</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/plataforma-expoe-relacao-entre-commodities-e-violacoes-de-direitos-no-campo-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 21:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33034</guid>

					<description><![CDATA[A ferramenta integra informações de 2002 a 2023 e pressiona por responsabilidade nas cadeias produtivas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um olhar para fortalecer e ampliar o debate socioambiental no Brasil. Com esse objetivo, um conjunto de organizações da sociedade civil se moveu para criar uma ferramenta que reúne dados sobre conflitos no campo, desmatamento e a expansão da agricultura industrial no Brasil. </span></p>
<p><b>A Plataforma nasce como iniciativa do Observatório Socioambiental (OSA)</b><span style="font-weight: 400;">, atendendo a necessidade urgente de produzir, analisar e dar visibilidade aos impactos sociais relacionados às violações de direitos humanos no campo, gerados pela expansão das commodities no país. É uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, Imaflora, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, com consultoria da Diversa Socioambiental. </span></p>
<p><a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Acesse aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Plataforma Socioambiental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento aconteceu no dia 27 de abril na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  junto com o Relatório Caderno de Conflitos no Brasil (2025). A ferramenta reúne números de 2002 a 2023, incluindo os dados da Comissão Pastoral da Terra que disponibilizou sua série histórica de informações sobre a realidade no campo. </span></p>
<figure id="attachment_33036" aria-describedby="caption-attachment-33036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33036 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg" alt="Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33036" class="wp-caption-text">Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Ineditismo e Interatividade na Plataforma</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma se configura como principal instrumento do Observatório Socioambiental, reunindo e cruzando dados de diferentes fontes em um ambiente interativo que permite visualizar a realidade em todo o país, estados e municípios. Ainda oferece análises a partir dos registros de conflitos, os impactos ambientais, a produção, risco climático, categorias fundiárias, trabalho escravo e violência contra pessoas, qualificando as análises socioambientais diante de diversos cenários. A ferramenta permite visualizar uma realidade marcada pelo avanço das fronteiras agrícolas e a pressão sobre os territórios e seus recursos naturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As análises podem ser usadas como base para formulação de políticas públicas e pelo sistema de justiça na tomada de decisão sobre o território e garantia de demais direitos das comunidades que vivem no campo. Também é um instrumento que ajuda a pressionar por mais transparência e responsabilidade das cadeias produtivas brasileiras. </span></p>
<p><b><i>“Esse trabalho da Plataforma não se limita à quantificação dos conflitos, mas acompanha as suas transformações no decorrer do tempo, identificando os diferentes sujeitos envolvidos, suas estratégias de atuação e os impactos sobre as populações atingidas.  Trata-se de uma ferramenta importante para compreender as dinâmicas territoriais, dos conflitos e para a defesa dos direitos humanos no campo do Brasil,</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> diz um dos coordenadores da Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, Ronilson Costa. </span></p>
<p><b>Dados de violência no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As informações abrigadas na Plataforma Socioambiental revelam contradições de um país rico em diversidade de biomas e de diferentes saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais que se relacionam com a natureza. O Brasil se apresenta como grande potência agrícola global, mas bate recordes de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais, violando o direito à vida e ao território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos dez anos foram registrados 18.832 casos de conflitos no campo e 374 assassinatos. Entre 2002 e 2023 houve um total de 89.537 casos. Os estados do Maranhão, Pará, Bahia e Rondônia registraram os maiores números de ocorrências dos últimos três anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo dados do Caderno de Conflitos da CPT de 2025, o Maranhão aparece com o maior número de casos de violência nas áreas rurais pelo segundo ano consecutivo. No ano passado foram contabilizados 209 casos.</span></p>
<p><b>O Cerrado brasileiro e a expansão dos conflitos no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado, <a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">conhecido por ser o coração das águas do Brasil</a>, vem sofrendo por conta do agronegócio. A produção de commodities voltadas para abastecer o mercado externo, vem transformando a savana mais biodiversa do mundo em uma zona de sacrifício. Os dados podem ser analisados e cruzados na Plataforma Socioambiental. Sobretudo, quando se estuda a realidade na região do Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo publicado na edição especial de lançamento do Caderno de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra (2025), os pesquisadores e advogados populares Maurício Correia e Juliana Borges mostram que a região se configura como um moderno centro de produção de commodities e, como consequência, um cenário onde cresce o racismo, a violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, além de grilagem de terras e severa devastação ambiental. </span></p>
<figure id="attachment_33037" aria-describedby="caption-attachment-33037" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33037 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg" alt="Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN " width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33037" class="wp-caption-text">Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b><i>“</i></b><b><i>O grileiro veio pra cima de nós. Queimaram nossa casa e a roça de mandioca. Plantaram capim”. </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é de seu Raimundo Luís Vieira, agricultor familiar que vive no povoado Gado Bravinho, no sul maranhense, uma região dentro do Matopiba, onde as comunidades e o Cerrado são pressionados pela monocultura da soja e de outros grãos. Seu Raimundo e a esposa tiveram que deixar a casa e as roças para não perder a vida. As ameaças chegaram com os grileiros armados que expulsaram ele e a família do lugar que viviam há mais de 40 anos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os números refletem a realidade da grande fronteira agrícola brasileira que teve expansão significativa no início dos anos 2000, período considerado um marco da produção de commodities agrícolas e minerais. Em duas décadas, a área desmatada no MATOPIBA foi maior que toda a área convertida entre os anos de 1500 e 2000. Dados do INPE/Prodes de 2024 mostram que 86% do desmatamento no Cerrado ocorreu na região do Matopiba.</span></p>
<p><b><i>“Precisamos de nossos territórios titulados. É um direito de nossas comunidades. E seguimos lutando por nossa terra, com muito esforço”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz uma jovem liderança que está no Programa de Proteção a Testemunhas e que se fez presente no evento de lançamento da Plataforma e do Caderno de Conflitos da CPT. </span></p>
<p><b>Direito à água:  A realidade do acesso aos recursos hídricos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os recursos hídricos também aparecem no cerne dos conflitos. Entre 2016 e 2025, foi registrado um aumento nas ocorrências de tensões por água, envolvendo rompimento de barragens e contaminação de rios que abastecem as comunidades, mineração e vazamento de petróleo. O que era de livre acesso e bem comum para todos que vivem no território se transformou em motivo de uma luta que defende a demarcação de terras tradicionais e a proteção dos mananciais. Nos últimos dez anos foram registrados 2.754 ocorrências de conflitos por água (dados Caderno de Conflitos). Só em 2025, foram 148 casos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33038" aria-describedby="caption-attachment-33038" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33038 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg" alt="Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33038" class="wp-caption-text">Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A jovem quilombola Rosilda de Jesus Pereira, nascida no Vale do Rio Peixe Bravo, em Minas Gerais, faz parte do movimento de luta de comunidades atingidas pela mineração e pela contaminação das águas. A comunidade, composta por diversas famílias, valoriza o modo de vida ancestral, o Cerrado e a autonomia sobre o território. </span></p>
<figure id="attachment_33039" aria-describedby="caption-attachment-33039" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33039" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg" alt="Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia.Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33039" class="wp-caption-text">Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia. Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT</figcaption></figure>
<p><b><i>“Entre nossas lutas, está a busca pelo reconhecimento, a preservação do rio Peixe Bravo e o fortalecimento de nossos direitos ancestrais”, ressalta Rosilda. </i></b></p>
<p><b>Apresentação da Plataforma na Sede da União Europeia</b></p>
<figure id="attachment_33041" aria-describedby="caption-attachment-33041" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33041" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg" alt="Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33041" class="wp-caption-text">Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estratégia de divulgação internacional do tema, a Plataforma Socioambiental foi apresentada na sede da União Europeia (UE), em Brasília. Na apresentação, ressaltou-se que os dados fortalecem as evidências de violações de direitos humanos e sua relação com a produção e exportação de commodities e o desmatamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reunião foi conduzida pelo Conselheiro para Clima, Energia, Ambiente e Saúde da UE, Laurent Javaudin. Estavam presentes diplomatas de países-membros e de organizações como ISPN, Comissão Pastoral da Terra, WWF, Trase e Diversa Socioambiental.</span></p>
<p><b><i>“No campo brasileiro, registra-se um avanço da violência em territórios ocupados há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais, ocasionando o acirramento de conflitos e o aumento da violência no campo,”</i></b><span style="font-weight: 400;"> afirmou a assessora técnica do ISPN, Simone Madalosso.</span></p>
<p><b>Lei Antidesmatamento da União Europeia- EUDR</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma Socioambiental também é instrumento que se soma à luta pela aplicabilidade do regulamento  antidesmatamento da União Europeia (EUDR &#8211; European Union Deforestation Regulation). O regulamento  nasceu com o objetivo de proibir a importação e comercialização no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento e à conversão. Aprovado em junho de 2023, sua aplicação prática vem sendo sistematicamente adiada. A norma cobre as 7 principais commodities e seus derivados: carne bovina, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma. </span></p>
<p><b><i>“Os dados da Plataforma Socioambiental podem ajudar empresas privadas que importam do Brasil a identificar áreas de alto risco e conflito, bem como a origem das commodities, além de apoiar organismos nas diligências em relação às áreas onde existem registros de violação de direitos humanos no Brasil. Com as informações, ninguém pode dizer que não viu.” </i></b><span style="font-weight: 400;">afirmou a</span> <span style="font-weight: 400;">consultora da Diversa Socioambiental, Gabriela Russo Lopes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela lei, só podem entrar nos países da União Europeia produtos que forem originários de áreas não desmatadas ou convertidas e em conformidade com as leis do país de origem. A legislação tem impacto para o Brasil, porque força o agronegócio brasileiro a adaptar suas cadeias de suprimentos para garantir a rastreabilidade total, demonstrando que seus produtos, especialmente soja, café e carne, não provêm de áreas desmatadas ilegalmente. A não conformidade impedirá a comercialização do produto no bloco europeu, que é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><b><i>A Plataforma Socioambiental disponibiliza para a sociedade, tomadores de decisão e empresas, informações sobre conflitos por terra, por água e trabalho escravo  que estão relacionados com produção de commodities e vem pressionando as comunidades tradicionais do Brasil. É muito importante a disseminação das informações contidas nessa plataforma para que possamos ter políticas públicas que considerem essas questões e um maior controle social sobre esses temas.”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza- ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33042" aria-describedby="caption-attachment-33042" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33042" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg" alt="Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando intercâmbio com indígenas do Maranhão pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN" width="800" height="533" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1536x1023.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33042" class="wp-caption-text">Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando <a href="https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/" target="_blank" rel="noopener">intercâmbio com indígenas do Maranhão</a> pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ISPN celebra 36 anos com lançamento de Política Institucional de Gênero</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/ispn-celebra-36-anos-com-lancamento-de-politica-institucional-de-genero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 21:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33099</guid>

					<description><![CDATA[Instituto avança na consolidação do compromisso histórico com a equidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">No mês de abril, em que completa 36 anos de trajetória dedicada aos povos indígenas, quilombolas, aos povos e comunidades tradicionais e aos agricultores familiares, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) dá mais um passo na promoção do fortalecimento dos meios de vida sustentáveis com protagonismo comunitário. A instituição lança oficialmente sua <a href="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Politica_de_Genero_ISPN_abril_2026.pdf" target="_blank" rel="noopener">Política de Gênero</a>, um marco estratégico que consolida a equidade de gênero como dimensão central de sua cultura organizacional, governança e atuação nos territórios.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A adoção da Política de Gênero do ISPN representa a consolidação de uma construção coletiva iniciada em 2021, no Grupo de Trabalho (GT) de Gênero, baseada no diálogo, no respeito ao contexto dos territórios e no compromisso com a justiça socioambiental”, relata diretora superintendente do ISPN, Cristiane Azevedo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Mais do que um marco institucional, essa política reafirma que a promoção da equidade, do cuidado e da diversidade deve fazer parte das práticas e relações do dia a dia. Por isso, sua implementação depende de cada pessoa do ISPN assumir o papel de agente dessa mudança estrutural, tornando esse compromisso uma prática coletiva e permanente”, completa a diretora.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O GT de Gênero foi criado em 2021 como um espaço de acolhimento e escuta entre mulheres. Ao longo dos anos, foi ampliando seu escopo e, em 2025, o grupo passou a construir diretrizes com o apoio de uma consultora externa. Após esse processo,  foi elaborado um texto por representantes do GT de Gênero, com a contribuição da coordenação do Instituto, que reflete princípios como a interseccionalidade e a cultura do cuidado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Entendemos que este é um instrumento vivo que deve orientar tanto a nossa gestão interna quanto as relações com parceiros e comunidades nos territórios”, analisa a integrante do GT e analista socioambiental plena do ISPN, Jessica Pedreira. </span></p></blockquote>
<p><b>Interseccionalidade e compromisso climático</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documento, que agora orienta todas as ações do Instituto, está alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 e 13, que tratam da Igualdade de Gênero e da Ação contra a Mudança Global do Clima, reforçando a conexão entre as lutas por direitos das mulheres e de pessoas com identidades de gênero dissidentes e a emergência climática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A política tem como foco a defesa dos Direitos Humanos e da justiça socioambiental, reconhecendo que a equidade de gênero é inseparável da proteção do meio ambiente e da dignidade das pessoas. Além disso, preza pela promoção da autonomia e do bem-viver, em harmonia com os territórios e suas comunidades, em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelece a dignidade, liberdade e igualdade como direitos fundamentais de todas as pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques dessa política é a adoção da interseccionalidade, reconhecendo que mulheres, meninas e pessoas LGBTQIAPN+ são atravessadas por múltiplas camadas de opressão, como raça, classe, etnia, idade e deficiência. A política, portanto, trata as identidades de gênero como experiências plurais que exigem respostas específicas e cuidadosas.</span></p>
<p><b>Da gestão aos territórios</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Política de Gênero do ISPN estabelece compromissos tanto para o público interno (equipe contratada, consultores e estagiários) quanto para o público externo (fornecedores, parceiros nos territórios e organizações parceiras).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as principais diretrizes internas, destacam-se: a transversalização da perspectiva de gênero em todos os processos; a paridade de gênero em processos seletivos e espaços de governança e ações formativas periódicas para sensibilização e prevenção de violências.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Para o público externo, as ações são orientadas para a promoção da participação de pessoas de gêneros, raças, etnias e sexualidades diversas em projetos, respeitando as demandas e realidades dos territórios. Também estão incluídas a prevenção de violência, assédio e discriminação de gênero e a integração da perspectiva de gênero nos projetos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Monitoramento e avaliação</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O GT de Gênero será responsável por acompanhar a implementação do Plano de Ação de Gênero do ISPN, e pela revisão periódica, que será realizada a cada cinco anos, ou quando necessário, considerando lições aprendidas, indicadores e recomendações de avaliações internas ou externas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O monitoramento é parte do processo de aprendizado organizacional e vai se refletir nas atualizações da política. A ouvidoria institucional, responsável por tratar denúncias e violações, com autonomia e proteção às partes envolvidas, apoiará no monitoramento e avaliação, garantindo a confidencialidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Politica_de_Genero_ISPN_abril_2026.pdf" target="_blank" rel="noopener">Acesse aqui a Política de Gênero do ISPN</a>.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisa revela grilagem verde sobre territórios tradicionais no oeste da Bahia</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 14:38:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33026</guid>

					<description><![CDATA[Estudo cruza dados do Tô no Mapa com informações do CAR para revelar como compensações ambientais do agronegócio incidem sobre comunidades camponesas e tradicionais do Cerrado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A compensação de Reserva Legal, prevista no Código Florestal como mecanismo de regularização ambiental, vem sendo usada de forma massiva pelo agronegócio no oeste da Bahia. No entanto, parte dessas áreas de compensação recai justamente sobre territórios ocupados historicamente por comunidades tradicionais e camponesas, convertendo um instrumento de preservação em estratégia de grilagem verde.</p>
<p>Essa é uma das principais conclusões do artigo <em>Making environmental compensation visible. Biased data transparency and agrobusiness strategies in the Bahianese agricultural frontier of the Cerrado</em>, publicado no Cybergeo: European Journal of Geography (disponível <a href="https://journals.openedition.org/cybergeo/42687" target="_blank" rel="noopener">neste link,</a> em inglês)</p>
<p>Assinado pelos pesquisadores Pierre Gautreau, Eve Anne Bühler e Ludivine Eloy, o estudo rastreou cadeias de compensação de Reserva Legal e identificou situações de sobreposição com territórios comunitários, revelando fragilidades na transparência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e falhas do Estado na proteção desses territórios.</p>
<p>Em entrevista ao site do Tô no Mapa, Gautreau, um dos autores do estudo, detalha os principais resultados da pesquisa e explica a importância dos dados territoriais produzidos pelas próprias comunidades por meio da plataforma.</p>
<p>Gautreau é geógrafo e pesquisador da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França. Atua no campo da ecologia política, com pesquisas sobre agronegócio, regulação ambiental, conflitos territoriais e a digitalização das políticas ambientais na América Latina, com foco especial no Brasil. Confira a entrevista:</p>
<p><strong>Como surgiu o interesse em pesquisar a fronteira agrícola do oeste baiano e a relação entre CAR e comunidades tradicionais?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Minha trajetória é na ecologia política, especialmente sobre como as sociedades latino-americanas formulam a questão ambiental e os conflitos em torno dela. Nos últimos anos, venho estudando como a digitalização das políticas ambientais modifica relações de poder, conflitos e formas de regulação.</p>
<p>No caso do oeste da Bahia, nos interessou entender como o Cadastro Ambiental Rural interagia com as dinâmicas agrárias e sociais em uma região marcada pela rápida adoção do CAR pelo agronegócio e por conflitos fundiários históricos. Já havia casos conhecidos, como o de Capão do Modesto, em Correntina, e queríamos mapear e quantificar esse processo de forma mais ampla.</p>
<p><strong>O artigo fala em “grilagem verde”. Como esse mecanismo funciona na prática?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> A grilagem verde acontece quando atores poderosos, especialmente grandes empresas, usam o argumento da conservação ambiental para atuar sobre territórios ocupados historicamente por comunidades.</p>
<p>Na prática, empresas registram áreas como Reserva Legal compensada em territórios onde vivem comunidades camponesas ou tradicionais há décadas, às vezes há mais de um século. Depois, restringem o acesso dessas populações com cercas, vigilância armada ou outros mecanismos de controle.</p>
<p>Além do impacto material, existe um efeito simbólico importante: essas comunidades passam a ser apresentadas como degradadoras do ambiente, enquanto a empresa se coloca como agente moderno e responsável. Isso é muito funcional para mercados internacionais, onde consumidores e investidores não conseguem verificar o que acontece no território.</p>
<p><strong>Quais foram os principais impactos identificados sobre as comunidades?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O primeiro impacto é a perda concreta de acesso à terra e aos recursos naturais. A empresa precisa demonstrar que está “conservando” a área, e isso frequentemente significa impedir o retorno ou a permanência das comunidades.</p>
<p>O segundo impacto é discursivo: práticas tradicionais, como o uso do fogo no manejo agrícola, passam a ser criminalizadas. Há uma narrativa falsa de que comunidades tradicionais degradam o Cerrado, quando sabemos que esses usos podem ter impacto controlado e fazer parte da construção histórica da paisagem.</p>
<p>Isso gera deslegitimação social e enfraquece a capacidade política dessas populações de defender seus direitos.</p>
<p><strong>Quando a grilagem verde atinge territórios ainda sem reconhecimento formal do Estado, a vulnerabilidade das comunidades se intensifica?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Sem dúvida. O reconhecimento formal fortalece juridicamente as comunidades e amplia suas ferramentas de defesa.</p>
<p>Mas um dos pontos mais graves que observamos é que há muitas comunidades afetadas que sequer aparecem no debate público. Com os dados do Tô no Mapa, percebemos que o número de territórios impactados é muito maior do que os casos mais conhecidos.</p>
<p>Há comunidades que já declararam seus limites territoriais, mas que não têm a mesma capacidade de mobilização política ou apoio institucional. Nesses casos, o desamparo é ainda maior.</p>
<p><strong>Qual foi a importância dos dados do Tô no Mapa para chegar a esses resultados?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Foi central. Para identificar e quantificar a incidência da compensação sobre territórios comunitários, não basta saber que existe uma comunidade em determinado município. É preciso conhecer os limites do território.</p>
<p>O Tô no Mapa oferece justamente isso: polígonos territoriais construídos a partir da autodeclaração das próprias comunidades. Isso permitiu cruzar os dados do CAR com áreas efetivamente reivindicadas e ocupadas, algo que mapas baseados apenas em pontos não permitiriam.</p>
<p>A plataforma tem um papel muito importante porque dá escala territorial à presença dessas comunidades e amplia sua visibilidade para a pesquisa e para a incidência pública.</p>
<p><strong>O artigo também critica a transparência do CAR. Onde está o principal problema?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> O CAR oferece uma transparência parcial. Ele mostra que uma propriedade está regularizada, mas nem sempre permite identificar facilmente onde está a Reserva Legal compensada.</p>
<p>No período da pesquisa, foi necessário desenvolver uma metodologia de geoprocessamento bastante específica para reconstruir essas cadeias de compensação. Hoje isso melhorou, mas ainda defendemos que o sistema deveria permitir, com um clique simples, visualizar automaticamente onde está a área compensada.</p>
<p>Essa transparência é fundamental não apenas para a fiscalização ambiental, mas para verificar se empresas estão violando direitos de comunidades tradicionais ao mesmo tempo em que se apresentam como sustentáveis no mercado internacional.</p>
<p><strong>Durante a pesquisa, houve uma atualização no CAR. O que mudou e por que isso é relevante?</strong></p>
<p><strong>Pierre Gautreau:</strong> Quando começamos a pesquisa, os dados do CAR não permitiam identificar de forma simples a relação entre um imóvel e sua Reserva Legal compensada. Foi preciso desenvolver uma metodologia de geoprocessamento para reconstruir essas cadeias a partir do cruzamento entre diferentes camadas, como imóveis, APPs e áreas de reserva.</p>
<p>Entre a submissão e a publicação do artigo, houve uma atualização positiva na base de dados. Essa mudança passou a facilitar a identificação desses vínculos, algo que antes exigia um verdadeiro trabalho de “hacking” cartográfico.</p>
<p>Isso é relevante porque reforça uma das recomendações centrais do estudo: a plataforma precisa tornar visível, de forma imediata, onde está a Reserva Legal compensada de cada imóvel. Hoje, quando uma propriedade não apresenta a reserva dentro de seus limites, o usuário deveria conseguir localizar automaticamente, com um clique, a área usada na compensação.</p>
<p>Essa transparência é essencial para que pesquisadores, órgãos públicos, comunidades e até compradores internacionais consigam verificar se a regularização ambiental não está sendo feita às custas de violações territoriais e de direitos humanos.</p>
<p><em>Originalmente publicado no <a href="https://tonomapa.org.br/2026/04/27/pesquisa-revela-grilagem-verde-sobre-territorios-tradicionais-no-oeste-da-bahia/" target="_blank" rel="noopener">portal Tô na Mapa</a></em></p>
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