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	<title>Arquivo de Cerrado - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<title>Arquivo de Cerrado - ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza</title>
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	<item>
		<title>Do Cerrado para a sala de aula: Cozinha Experimental Baru transforma alimentos em conhecimento</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/do-cerrado-para-a-sala-de-aula-cozinha-experimental-baru-transforma-alimentos-em-conhecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 19:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
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					<description><![CDATA[Inaugurado na Escola Família Agrícola de Porto Nacional (TO), o novo espaço foi melhorado para fortalecer atividades práticas, estimular experiências com alimentos e valorizar a sociobiodiversidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Laboratório de vivências para criar e desenvolver receitas com alimentos nativos do Cerrado.</b><span style="font-weight: 400;"> Essa é a proposta da nova </span><b>Cozinha Experimental Baru</b><span style="font-weight: 400;">, inaugurada em junho na </span><b>Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional</b><span style="font-weight: 400;">, Tocantins. Localizada a cerca de 60 quilômetros de Palmas, a unidade reúne estudantes do Ensino Fundamental e Médio, que conciliam a formação escolar com cursos técnicos voltados para a área rural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, há uma diversidade de origem entre os 264 alunos matriculados, oriundos de mais de 30 municípios do Tocantins e até de fora do estado. Eles são filhos e filhas de agricultores familiares, trabalhadores rurais e pescadores artesanais, ou pertencem a comunidades quilombolas, assentamentos da reforma agrária e até mesmo não possuem relação anterior com o campo. </span></p>
<figure id="attachment_33451" aria-describedby="caption-attachment-33451" style="width: 842px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-33451" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg" alt="" width="842" height="631" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_120151-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /><figcaption id="caption-attachment-33451" class="wp-caption-text">Alunos da EFA durante encerramento do tempo escola, onde há uma avaliação antes de voltarem para suas comunidades no tempo comunidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o coordenador e professor da EFA, Cirineu da Rocha, pensando nas diferentes experiências que os alunos trazem de suas casas estudando no modelo de alternância </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/jovens-do-campo-sao-aposta-para-um-futuro-agroecologico/"><span style="font-weight: 400;">(tempo escola e tempo comunidade)</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ideia da Cozinha Baru é levar para dentro do espaço da escola os produtos da sociobiodiversidade do Cerrado, bioma onde a EFA está inserida, além de utilizar os alimentos produzidos na escola, como o leite e a mandioca. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esperamos que a Cozinha Experimental Baru seja um espaço indutor de novas experiências. A partir dos conhecimentos que os estudantes trazem de suas comunidades e do trabalho dos educadores, queremos desenvolver receitas, testar possibilidades e valorizar ainda mais os produtos do Cerrado”, comenta o coordenador. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33452" aria-describedby="caption-attachment-33452" style="width: 826px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-33452" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg" alt="" width="826" height="620" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/20260612_160002-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 826px) 100vw, 826px" /><figcaption id="caption-attachment-33452" class="wp-caption-text">O coordenador da EFA, Cirineu da Rocha, com a assessora técnica do ISPN, Bruna Braz, durante a prova de receitas elaboradas por alunos em uma aula prática. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O baru foi escolhido por estudantes e famílias para dar nome à cozinha devido à forte relação da região com o fruto. Sua importância também se reflete na alimentação escolar do Tocantins: ao lado do jatobá, ele integra os alimentos adquiridos por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que determina que, no mínimo, 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os estudantes que vão utilizar o novo espaço está Lívia Carvalho de Jesus, do 1º ano do Ensino Médio, com o curso técnico em Agropecuária. Moradora de uma fazenda em Miranda do Tocantins, onde o pai trabalha, ela destaca que a formação oferecida pela EFA contribui para fortalecer a ligação dos jovens com o campo e gerar conhecimentos que serão aplicados nas comunidades. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente sempre leva para casa o que aprende aqui. Eu mesma compartilho com a minha família várias coisas que aprendo na EFA. Até mesmo consigo aplicar na horta do meu pai, que aceita minhas dicas sobre diferentes formas de trabalhar”, conta Lívia. </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33453" aria-describedby="caption-attachment-33453" style="width: 847px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-33453" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg" alt="" width="847" height="636" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-3-LIVIA-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 847px) 100vw, 847px" /><figcaption id="caption-attachment-33453" class="wp-caption-text">A estudante Lívia Carvalho de Jesus durante a inauguração da Cozinha Experimental Baru. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a estudante, a cozinha representa mais uma oportunidade de aprendizado prático. Segundo ela, o novo espaço permitirá vivenciar conteúdos trabalhados nas disciplinas, ampliando as experiências com o processamento de alimentos e o aproveitamento dos produtos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse modelo de educação, a prática não é apenas uma aula, ela é uma dimensão da formação dos estudantes, baseada na Pedagogia da Alternância, que integra teoria, trabalho, território e comunidade. </span></p>
<figure id="attachment_33454" aria-describedby="caption-attachment-33454" style="width: 852px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33454" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg" alt="" width="852" height="568" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-300x200.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1024x683.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-768x512.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-1536x1024.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-2-1-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 852px) 100vw, 852px" /><figcaption id="caption-attachment-33454" class="wp-caption-text">Alunos durante as atividades com os pais na cozinha da EFA. Foto: Karla Oliveira/Acervo Agrop</figcaption></figure>
<p><b>Agroecologia como base da pedagogia da EFA Porto Nacional </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, a agroecologia faz parte da formação dos estudantes e orienta atividades que conectam alimentação, produção rural e sustentabilidade. Os alunos e professores da EFA Porto Nacional desenvolvem um projeto de implementação de mandala agroflorestal e viveiro de mudas de espécies nativas do Cerrado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a analista socioambiental do ISPN, Bruna Braz, espaços como a EFA possuem o poder de engajar a juventude. “Os jovens se sensibilizam para a conservação do Cerrado, das águas e da terra. Também são espaços importantes para fortalecer a construção do Bem Viver, aliado com agroecologia e justiça social”, avalia. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a professora da área das agrárias, Joicileia Juliate Fonseca, que acompanha as atividades, esse processo contribui para que os jovens compreendam a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Ela destaca que a experiência ajuda a desmistificar a ideia de que apenas os grandes sistemas agrícolas são capazes de gerar resultados, mostrando que pequenas áreas diversificadas também produzem alimentos, conhecimentos e autonomia para as famílias.</span></p>
<figure id="attachment_33455" aria-describedby="caption-attachment-33455" style="width: 409px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33455" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png" alt="" width="409" height="637" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia.png 552w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/CARD-5-Joicileia-193x300.png 193w" sizes="(max-width: 409px) 100vw, 409px" /><figcaption id="caption-attachment-33455" class="wp-caption-text">A professora Joicileia Juliate Fonseca destaca para seus alunos durante as atividades práticas no campo a relação entre produção, alimentação e sustentabilidade. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente quer mostrar aos estudantes que é possível produzir alimentos de forma saudável com os recursos que temos, respeitando o solo, valorizando a diversidade e aproveitando tudo o que o ambiente pode oferecer”, comenta a professora. </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A Cozinha Experimental Baru foi reformada e equipada com apoio do Fundo Ecos, mecanismo financeiro do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O projeto é executado em parceria com a Associação dos Agricultores Familiares e Agroindustriais de Palmas (Agrop) e foi contemplado no </span><a href="https://fundoecos.org.br/editais/38o-edital/"><span style="font-weight: 400;">38º edital</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além da cozinha, o Fundo apoia a implementação da mandala agroflorestal e do viveiro de mudas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O edital 38 é voltado para jovens e mulheres, com financiamento do Fundo Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Área de Desenvolvimento Social da Suzano. Ao todo, são cinco escolas do campo contempladas neste edital, beneficiando mais de 300 estudantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos últimos 30 anos, o apoio às escolas de ensino contextualizado do campo pelo Fundo Ecos reforçou a importância do protagonismo da juventude no enfrentamento da crise climática a partir da agroecologia. Neste sentido, foram publicados nos últimos anos dois editais temáticos, focados nesses jovens de forma inédita. Quer saber mais? Acompanhe o site do Fundo Ecos e fique por dentro dos editais abertos. </span></p>
<figure id="attachment_33449" aria-describedby="caption-attachment-33449" style="width: 442px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33449" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png" alt="" width="442" height="592" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-scaled.png 1911w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-224x300.png 224w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-765x1024.png 765w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-768x1029.png 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1147x1536.png 1147w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Viveiro-1529x2048.png 1529w" sizes="(max-width: 442px) 100vw, 442px" /><figcaption id="caption-attachment-33449" class="wp-caption-text">Visita ao viveiro da EFA onde são cultivadas mudas de várias espécies nativas do Cerrado pelos estudantes. Foto: Bruna Braz/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Terras públicas não têm dono privado: STF impõe freio à grilagem no Tocantins</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/terras-publicas-nao-tem-dono-privado-stf-impoe-freio-a-grilagem-no-tocantins/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 15:56:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33436</guid>

					<description><![CDATA[Estados não podem ignorar legislação federal e criar mecanismos para transferir terras públicas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7.550 representa um dos mais importantes julgamentos sobre a questão fundiária brasileira nos últimos anos. Por unanimidade, a Suprema Corte declarou inconstitucional a Lei Estadual nº 3.525/2019, bem como as Leis nº 3.730/2020 e nº 3.896/2022, que buscavam validar registros imobiliários irregulares de terras rurais no <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/04/07/mst-ocupa-area-usada-por-trabalho-escravo-e-monocultura-indevida-no-tocantins/">estado do Tocantins</a>.</p>
<p>A decisão possui enorme relevância jurídica, ambiental e social, pois impede a consolidação de mecanismos que poderiam facilitar a apropriação privada de terras públicas, ampliar <a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/04/23/violencia-no-campo-bate-recorde-na-ultima-decada-e-areas-de-avanco-do-agronegocio-concentram-casos-de-assassinatos/">conflitos agrários e incentivar o desmatamento no Cerrado</a> e na Amazônia Legal. Na prática, a legislação estadual reconhecia e convalidava, com força de título de propriedade, registros imobiliários de imóveis rurais cuja origem não estivesse baseada em títulos legítimos de alienação ou concessão expedidos pelo Poder Público.</p>
<p>A grilagem consiste na apropriação ilegal de terras públicas ou privadas mediante fraude documental, falsificação de títulos, manipulação de registros e ocupação irregular. Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), <a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/07/31/grilagem-na-amazonia-apenas-7-das-decisoes-judiciais-resultam-em-condenacoes/">a grilagem é um dos principais vetores do desmatamento no Brasil</a>, estando associada à expansão desordenada da fronteira agrícola, à violência no campo e à expulsão de comunidades tradicionais.</p>
<p>As terras devolutas correspondem às terras públicas que jamais ingressaram legitimamente no patrimônio privado. Conforme o artigo 188 da Constituição, sua destinação deve observar a política agrícola nacional e o plano de reforma agrária ou a proteção de ecossistemas, de acordo com o § 5º, do art. 225, não podendo ser transferidas indiscriminadamente ao patrimônio privado.</p>
<p>A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) ajuizou a ADI nº 7.550 com apoio de diversas organizações da sociedade civil, entre elas, a Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Alternativa para Pequena Agricultura no Tocantins, a Articulação Resistência ao Matopiba, Instituto Sociedade, População e Natureza e entidades de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.</p>
<p>Também concluiu que a legislação afrontava a função social da propriedade, a política nacional de reforma agrária, a proteção ambiental, o patrimônio público e os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais. Segundo o ministro relator Nunes Marques, a lei permitia a transferência definitiva de imóveis rurais públicos ao patrimônio privado sem qualquer verificação prévia da origem da área, da existência de ocupação tradicional, do cumprimento da função social, da presença de passivos ambientais ou de áreas indígenas, quilombolas ou de preservação.</p>
<p>Do ponto de vista ambiental, a decisão representa um marco muito importante. A regularização indiscriminada de áreas públicas estimularia novas ocupações irregulares e novos desmatamentos. Ao invalidar a legislação, o STF impede que áreas eventualmente desmatadas ilegalmente sejam convertidas em propriedades privadas apenas mediante registros cartorários. A decisão também representa importante vitória para povos indígenas, comunidades quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, geraizeiros, vazanteiros, assentados da reforma agrária e demais comunidades tradicionais, historicamente afetadas pela sobreposição de registros imobiliários sobre áreas historicamente ocupadas por eles.</p>
<p>Após o julgamento, o Estado do Tocantins apresentou embargos de declaração buscando preservar os registros imobiliários e negócios jurídicos realizados durante a vigência da lei. O STF rejeitou o pedido por unanimidade, reafirmando que a modulação dos efeitos é medida excepcional e que, no caso concreto, não foram demonstradas razões concretas de segurança jurídica ou excepcional interesse social.</p>
<p>Mais do que uma discussão registral, o julgamento trata da proteção do patrimônio público, do combate à grilagem, da preservação ambiental e da defesa dos direitos das populações tradicionais. Ao invalidar a legislação tocantinense, o Supremo reafirma que o poder público deve conduzir a regularização fundiária dentro dos limites constitucionais, mediante critérios técnicos, respeito ao interesse público e observância da função social da propriedade.</p>
<p>Em um contexto de crescente pressão sobre os territórios e os recursos naturais, a decisão representa importante precedente para proteger as terras públicas brasileiras e construir um modelo de desenvolvimento que concilie segurança jurídica, justiça social e sustentabilidade ambiental.</p>
<p><em>*Maria de Fatima Dourado é advogada, integra a equipe de advocacy da Coalizão Vozes do Tocantins Por Justiça Climática e subscritora da ADI 7550.</em></p>
<p><em>*Patrícia Silva é especialista em Comunidades Tradicionais, advogada das equipes de advocacy da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).</em></p>
<p><em>Artigo publicado originalmente no <a href="https://www.brasildefato.com.br/">Brasil de Fato</a></em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sem povos e comunidades tradicionais, não haverá justiça climática</title>
		<link>https://ispn.org.br/artigo-de-opiniao/sem-povos-e-comunidades-tradicionais-nao-havera-justica-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 17:47:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo de opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33332</guid>

					<description><![CDATA[Futuro climático seguro depende do fortalecimento efetivo de quem já protege ecossistemas
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto governos encontram obstáculos na negociação de metas, indicadores e mecanismos financeiros para enfrentar a crise climática, uma pergunta continua sem resposta adequada nas negociações internacionais: o que será feito em prol de quem já está <a href="https://www.brasildefato.com.br/colunista/forum-de-defesa-das-aguas-do-clima-e-do-meio-ambiente-do-df/2026/06/03/cerrado-ameacado-protecao-de-territorios-estrategicos-trata-da-sobrevivencia-coletiva/">cuidando dos territórios que mantêm a biodiversidade</a>, protegem as águas e ajudam a regular o clima do planeta?</p>
<p>Participei, em junho, da Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, na Alemanha, etapa preparatória para a próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP31). Ao lado de lideranças de povos e comunidades tradicionais do Brasil e de representantes de comunidades locais da América Latina, África e Ásia, ficou evidente que o desafio central segue sendo o mesmo: colocar as comunidades locais no centro das decisões climáticas.</p>
<p>Essa não é uma reivindicação simbólica. Trata-se de reconhecer, na prática, que não há solução climática viável sem considerar os povos e comunidades tradicionais e os modelos de conservação que eles praticam há gerações. São formas de vida que combinam proteção da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais e garantia de condições dignas de existência nos territórios.</p>
<p>Em Bonn, ouvi relatos que reforçam essa realidade. Durante os encontros do Grupo de Trabalho Facilitador (FWG) da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP), a representante da Rede Pantaneira Edinalda Pereira lembrou que, quando o mundo discute soluções climáticas para a agricultura e os sistemas alimentares, é preciso reconhecer que as comunidades tradicionais já praticam essas soluções há gerações.</p>
<p>Segundo ela, essas populações mantêm sistemas produtivos que conservam a biodiversidade, protegem os recursos hídricos e fortalecem a resiliência dos territórios, razão pela qual não buscam aprender a ser sustentáveis, mas sim ter seus conhecimentos, formas de organização e direitos reconhecidos.</p>
<p>O reconhecimento, contudo, não pode ficar apenas no discurso. A crise climática é também uma disputa por território. Como destacou a liderança quilombola Kátia Penha, da <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/06/09/mulheres-quilombolas-se-reunem-em-brasilia-para-discutir-sobre-territorios-climas-e-direitos/">Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)</a>, o clima não é uma pauta abstrata ou técnica para os povos tradicionais, mas uma questão territorial.</p>
<p>A vice-coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Maria Ednalva Ribeiro da Silva, reforçou essa perspectiva ao lembrar que a regularização fundiária é condição indispensável para que as comunidades possam proteger seus territórios contra ameaças como desmatamento, contaminação e violência. Afinal, ninguém consegue cuidar plenamente daquilo que não possui garantia de continuar ocupando.</p>
<p>As discussões em Bonn revelaram obstáculos persistentes. Houve resistência explícita de alguns negociadores até mesmo para preservar compromissos já assumidos anteriormente. O <a href="https://ispn.org.br/noticia/por-um-financiamento-climatico-justo-chamado-da-casa-sul-global-iniciado-na-cop30/" target="_blank" rel="noopener">financiamento climático para países em desenvolvimento</a> continua distante das necessidades reais, permanecendo como uma agenda marcada por promessas e poucas entregas concretas.</p>
<h4 class="wp-block-heading">Agenda comum de defesa da vida</h4>
<p>Ao mesmo tempo, percebi uma mudança relevante em alguns ambientes. Há espaços para que o debate venha a se deslocar das declarações genéricas para a implementação efetiva de políticas. Na Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, esse deslocamento se manifestou na demanda crescente por reconhecimento do monitoramento comunitário como fonte válida nos relatórios nacionais de transparência.</p>
<p>No campo do financiamento climático, há maior reconhecimento do financiamento direto a comunidades como meio de implementação, com passos lentos, porém importantes, na instalação do Fundo de Resposta a Perdas e Danos. Em um tema caro à realidade brasileira, a conexão entre o mapa do caminho para reverter o desmatamento enquanto instrumento concreto para entrar no Balanço Global também sinaliza avanços no sentido da implementação.</p>
<p>Por isso, a presença das lideranças comunitárias nesses fóruns internacionais é tão importante. O representante dos Fundos e Fechos de Pasto da Bahia, Eldo Moreira Barreto, que participou pela primeira vez de um evento internacional, resumiu bem o significado desses encontros ao afirmar que o que une comunidades indígenas e comunidades locais em diferentes partes do mundo é o cuidado com a vida, com a água, com a natureza, com a sociobiodiversidade e com a continuidade dos saberes ancestrais.</p>
<p>Essa convergência é estratégica. Embora cada povo e comunidade tenha sua própria história, suas demandas e especificidades, existe uma agenda comum de defesa dos territórios, dos direitos coletivos e da vida. E é justamente essa unidade que fortalece a capacidade de incidência política nas negociações climáticas globais.</p>
<p>À medida que nos aproximamos da COP31, torna-se cada vez mais evidente que a transição para um futuro climático seguro não será construída apenas em gabinetes ou centros de pesquisa. Ela depende do fortalecimento efetivo de quem já protege os ecossistemas mais importantes do planeta.</p>
<p>Reconhecer com ações concretas os povos e comunidades tradicionais como protagonistas da ação climática não é uma concessão. É uma condição para que as respostas à crise climática sejam eficazes, justas e duradouras. O mundo precisa ouvir mais quem há séculos demonstra, na prática, que é possível produzir, viver e conservar ao mesmo tempo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>47º Edital do Fundo Ecos seleciona 10 projetos em TICCAs do Cerrado e da Caatinga</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/47o-edital-do-fundo-ecos-seleciona-10-projetos-em-ticcas-do-cerrado-e-da-caatinga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 18:16:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33283</guid>

					<description><![CDATA[Propostas abordam conservação da biodiversidade, agroecologia, fortalecimento dos modos de vida tradicionais e protagonismo de mulheres e jovens]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://fundoecos.org.br/estrategia/"><span style="font-weight: 400;">Fundo Ecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> divulgou o resultado do </span><a href="https://ispn.org.br/noticia/fundo-ecos-abre-chamada-para-projetos-em-territorios-conservados-por-comunidades/"><span style="font-weight: 400;">47º Edital</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a seleção de dez projetos que atuarão em Territórios e Áreas Conservadas por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs) nas paisagens prioritárias apoiadas pela chamada. As propostas serão executadas por organizações de base comunitárias do Oeste da Bahia, Sul do Maranhão e da paisagem Kaiowá e Guarani, em Mato Grosso do Sul.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As iniciativas contemplam temas como produção sustentável, agroecologia, segurança alimentar e nutricional, gestão territorial, fortalecimento organizacional e proteção de territórios tradicionais. Os projetos também destacam o protagonismo de mulheres e jovens, público prioritário da chamada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as organizações selecionadas estão associações comunitárias, organizações indígenas, grupos de mulheres quilombolas e instituições que atuam diretamente nos territórios, reforçando o compromisso do edital com as organizações de base e com as iniciativas conduzidas pelas próprias comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em conjunto, os projetos refletem a proposta do 47º Edital de apoiar estratégias locais de conservação da biodiversidade, valorização dos modos de vida tradicionais e adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para a proteção dos territórios e para a segurança alimentar das comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As propostas demonstram profundo conhecimento dos territórios e capacidade de mobilização comunitária. Isso mostra que existem muitas soluções sendo construídas localmente. Apoiar essas iniciativas é também ampliar o acesso a recursos para quem historicamente esteve mais distante das oportunidades de financiamento”, afirma a assessora técnica do ISPN, Jessica Pedreira. </span></p>
<p><b>Confira o resultado abaixo: </b></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><b>Organização</b></td>
<td><b>Projeto</b></td>
<td><b>Paisagem</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Agricultores Familiares e Moradores do Chico Preto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sisteminhas Agroecológicos para Segurança Alimentar, Geração de Renda e Recuperação de Áreas Degradadas com Protagonismo de Mulheres no Cerrado Baiano</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Comunitária dos Pequenos Criadores do Fecho de Pastos</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Estruturação das Ações de Manejo Integrado do Fogo nos Territórios de Fecho e Pasto</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Desenvolvimento Comunitário do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Cerrado Vivo: Ancestralidade, Tradição e Sustentabilidade no Território do Fecho de Pasto do Tatu</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação de Mulheres Remanescentes Quilombolas de Montevidinhas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes da Terra: Fortalecimento da Segurança Alimentar e do Protagonismo das Mulheres Quilombolas de Montevidinha</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação dos Pequenos Produtores Rurais São José</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Raízes do Cerrado: Territórios Vivos e Governança Comunitária</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Associação Rural de São João da Cachoeira</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecimento da Agricultura Familiar e Protagonismo Feminino na Comunidade São João das Cachoeiras, Carolina (MA)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Sul do Maranhão</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Desenvolvimento Socioambiental Pantanal Sul</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Guardiãs do Território</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto de Apoio, Capacitação e Instrução de Economia Solidária do Povo (AJUIND)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Yvy Poty Juventude Guarani Kaiowá, Diversidade e Agroecologia para o Bem Viver</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Instituto Mãe Terra</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Fortalecendo o Teko Porã nos Tekohas da TI Panambi-Lagoa Rica</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Kaiowá e Guarani</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Rede de Organização em Defesa das Águas</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Apoio a Comunidades Tradicionais de Fundo e Fechos de Pasto da Bacia do Rio Corrente</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">Oeste da Bahia</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais informações sobre o edital estão disponíveis </span><a href="https://fundoecos.org.br/edital/edital-47-ticcas/"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jornada Biovalor: formação promove o desenvolvimento de capacidades em comunicação e marketing para 25 negócios das sociobiodiversidade</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/jornada-biovalor-formacao-em-comunicacao-e-marketing-para-25-negocios-das-sociobiodiversidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 15:24:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33264</guid>

					<description><![CDATA[Iniciada em uma oficina presencial em Belém, a formação segue on-line com aulas coletivas e mentorias individuais, encerrando em agosto com a entrega de um projeto por organização ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A farinha de jatobá do Tocantins, o óleo de copaíba do Amazonas e o sabão de coco babaçu do Maranhão. Produtos que carregam territórios e tradições dentro das embalagens, mas que, muitas vezes, chegam aos mercados e feiras sem conseguir contar suas histórias.</p>
<p>Para apoiar organizações e negócios comunitários na construção de estratégias de comunicação e marketing mais sólidas, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) organizou uma formação intensiva para o desenvolvimento dessas capacidades, voltada para organizações que produzem e comercializam produtos da sociobiodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;A necessidade de formação neste tema partiu de lideranças de organizações apoiadas pelo ISPN &#8220;, conta a coordenadora do Programa Sociobiodiversidade do ISPN, Silvana Bastos. &#8220;São organizações que já produzem e comercializam produtos da sociobiodiversidade em diversos mercados, mas reconhecem que falta comunicar melhor os diversos valores embutidos nestes produtos. Seja através de um rótulo mais adequado, uma marca que os represente ou materiais para redes sociais que contem essa história.&#8221;</p></blockquote>
<p>A primeira etapa do curso aconteceu entre os dias 26 e 29 de maio, em Belém (PA). Durante quatro dias, os representantes das 25 organizações selecionadas aprenderam sobre fundamentos de marketing, design de embalagem, construção de valor e comunicação estratégica.</p>
<p>Agora, a formação segue para a parte prática. Cada organização deve desenvolver um produto de comunicação, que pode ser uma nova identidade visual, uma marca reformulada ou materiais de divulgação.</p>
<p>A formação carrega a Metodologia Biovalor e está sendo realizada em parceria com a Libra Branding, de Belém.</p>
<p><strong>METODOLOGIA</strong></p>
<p>“Os produtos da bioeconomia são importantes e têm espaço no mercado”, pontua a sócia da agência Libra Branding e facilitadora da formação, a comunicóloga Karol Alfaia. &#8220;A nossa metodologia não é pautada só em criar um layout, mas também ensinar a eles como fazer branding todos os dias, afinal, os produtos deles já são carregados de significados. A gente só precisa mostrar isso”, diz.</p>
<p>Durante a formação, os participantes também tiveram a oportunidade de pensar sobre a diferença entre preço e valor, trocar experiências e conhecer casos de negócios que já passaram pelo processo de reposicionamento de marca.</p>
<p>Para o também sócio da Libra Branding e facilitador da formação, Bernardo Magalhães, o processo foi construído em camadas. Partiu dos conceitos básicos de valor, passou pelas dimensões emocionais e sensoriais dos produtos, e chegou ao que o território representa, para o acabamento final de uma marca.</p>
<blockquote><p>&#8220;Foram quatro dias de trabalho e acompanhamento que veio em uma crescente&#8221;, conta. &#8220;A gente partiu dos primeiros conceitos, foi aprofundando as perspectivas emocionais e sensoriais, entendeu como os valores do território se traduzem num produto melhor acabado, e como tudo isso se conecta”.</p></blockquote>
<p>Para ele, esses passos são importantes antes de começar a fazer os designs e comunicações visuais dos produtos.</p>
<blockquote><p>“Fizemos essa longa jornada pensando numa etapa final, que é poder entregar os produtos rotulados, diagramados, com todas as apresentações e melhorias técnicas em design. É após isso que vamos chegar finalmente em novos rótulos, novas embalagens e novas caixas”.</p>
<figure id="attachment_33266" aria-describedby="caption-attachment-33266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33266 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Produtos-natureza-sociobiodiversidade-ISPN-1-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33266" class="wp-caption-text">Durante a formação, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer produtos de outros negócios e trocar experiência. Foto: Luana Piotto/Acervo ISPN</figcaption></figure></blockquote>
<p><strong>APRENDENDO NA PRÁTICA</strong></p>
<p>Para quem está no território, a formação está sendo um divisor de águas. É o que diz a presidente da Associação Regional dos Produtores Extrativistas do Pantanal (ARPEP), Rosemeire Aparecida Siqueira, que trabalha com babaçu, baru e pequi, desenvolvendo produtos como pães, biscoitos, licores, óleos, farinhas e doces.</p>
<p>Durante a primeira etapa da formação, ela também pôde reavaliar os preços dos seus produtos e valorizar seu trabalho. &#8220;A gente não colocava o valor do tempo de ter ido no mato coletar os produtos. Então, agora estamos aprendendo a como fazer. Quando a gente vai para uma feira, a primeira coisa que as pessoas olham é o rótulo e ele tem que contar a história da associação.&#8221;</p>
<p>Já o assessor técnico da Associação Agroextrativista Aripuanã Guariba, no sul do Amazonas, Raylton Pereira, que trabalha com óleo de copaíba, destaca a importância da comunicação e do marketing para os negócios da sociobiodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;A comunicação é o carro-chefe. Não adianta ter certificação, ter um sistema de produção estruturado, ter uma boa embalagem, se você não consegue falar isso para as outras pessoas, você só tem isso em planilha”, avalia. “A comunicação não é só uma forma de divulgação, mas também de contar quem são as pessoas que estão na base, produzindo, contar a história de quem está entregando aquela matéria prima”, conclui.</p></blockquote>
<p>A presidente da Cooperativa dos Extrativistas e Agricultores Familiares da Estrada do Arroz (COOPEAFE), no Maranhão, Bárbara Pereira, que atua com a produção de produtos a partir do babaçu, chegou ao curso convicta de que seu produto já estava bom, mas saiu com outra visão: &#8220;Comecei a prestar atenção que falta muita informação. Nem sempre está bom, a gente sempre consegue melhorar mais&#8221;.</p>
<p>Ela já traça metas para agosto, quando o processo finaliza com a entrega das novas embalagens para a cooperativa.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quero que quando alguém da comunidade sair para uma feira, a gente consiga mostrar que nosso produto tem nossa história, carrega nossas ancestralidades e representa nosso território.&#8221;</p></blockquote>
<p>A comunitária da Associação Ama Cantão, Lidiane Lopes, saiu da primeira fase da formação com uma percepção que resume os objetivos da formação Biovalor.</p>
<blockquote><p>“A gente já fazia essa valorização do nosso produto, já tínhamos nossas práticas, mas a gente não tinha a dimensão do valor”, diz.</p></blockquote>
<p>Com a oportunidade de redesenhar as embalagens, Lidiane já pensa nos frutos que vai colher. &#8220;Vamos entregar ele no mercado de forma que seja bem aceito pelo público, vamos atingir nossas metas de produção e levar desenvolvimento econômico para cada família do nosso território.&#8221;</p>
<p><strong>ETAPAS</strong></p>
<p>A formação integra o projeto “Bem Viver e Bioeconomia: promovendo a conservação ambiental e a geração de renda para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares por meio do fortalecimento das cadeias de valor da sociobiodiversidade”, liderado pelo WWF-Brasil em consórcio com o ISPN e Conexsus e apoiado pela União Europeia.</p>
<p>A Jornada Biovalor encerra em agosto, quando as organizações terão o resultado dos seus projetos em mãos. Além de materiais de comunicação, cada projeto será um meio para entregar produtos de qualidade no mercado e gerar renda para quem vive da sociobiodiversidade brasileira.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Formação amplia estratégias de comercialização de produtos da sociobiodiversidade</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/formacao-amplia-a-comercializacao-de-produtos-da-sociobiodiversidade-de-organizacoes-comunitarias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ariel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 11:24:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33140</guid>

					<description><![CDATA[Lideranças do Cerrado e da Caatinga relatam impactos da formação com foco em comunicação comunitária e incidência política, comercialização e mobilização da juventude]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A formação promovida pelo Formar e-COS (Programa de Formação Continuada em Comercialização dos Produtos da Sociobiodiversidade em Mercados Institucionais) tem incentivado  lideranças comunitárias de territórios do Cerrado e da Caatinga a utilizarem  ferramentas de comunicação para ampliar a comercialização de produtos da sociobiodiversidade, mobilizar jovens e fortalecer o acesso das organizações às políticas públicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividido em três módulos realizados entre 2025 e 2026, o Formar e-COS é uma iniciativa do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), executada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), em parceria com o Coletivo 105 e a Central do Cerrado, no âmbito do Fundo Ecos (PNUD/GEF). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A formação conectou lideranças de diferentes regiões em uma rede de troca de experiências entre organizações comunitárias, permitindo que grupos compartilhassem desafios, estratégias de comunicação e comercialização, assim como formas de atuação política em seus territórios. No terceiro e último módulo, realizado em Olinda (PE) em março deste ano, os participantes refletiram principalmente sobre os desafios de fortalecer a presença das organizações nas redes e nos territórios.</span></p>
<figure id="attachment_33144" aria-describedby="caption-attachment-33144" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33144" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_095016-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33144" class="wp-caption-text">Durante grupo de trabalho no terceiro módulo da formação, participantes de diversas regiões trocaram experiências sobre os desafios enfrentados em seus territórios. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das discussões sobre políticas públicas e comercialização, a formação incentivou a produção prática de conteúdos de comunicação comunitária. Durante o último módulo, os participantes apresentaram materiais desenvolvidos ao longo do curso, como campanhas digitais, registros audiovisuais e estratégias de divulgação voltadas aos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O representante da Associação dos Pequenos Produtores de Laranjinha e Molho, Joselito de Souza Barbosa, no território do Rio Corrente, na Bahia, avalia que o Formar e-COS ajudou as organizações participantes a compreenderem a importância estratégica da comunicação.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Muitas vezes a gente faz muitos projetos nas associações, muitas atividades, mas fica tudo escondido e poucas pessoas sabem”, afirma.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A organização de Joselito atua com produtos agroecológicos e do extrativismo, como pequi, buriti, castanha e caju, comercializados em feiras e programas institucionais.</span></p>
<figure id="attachment_33145" aria-describedby="caption-attachment-33145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33145" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_115633-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33145" class="wp-caption-text">Joselito durante apresentação de produtos dos agricultores da sua associação. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao todo, participaram representantes de 25 organizações comunitárias de sete estados brasileiros. Durante a formação, foram desenvolvidos 21 produtos de comunicação e implementadas 20 ações de comunicação nos territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre comunicação e fortalecimento territorial é destacada pela integrante da Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), no Tocantins, Lara Thifanny Alves Ferreira. Segundo ela, a produção de conteúdos sobre o babaçu e o trabalho das quebradeiras de coco da organização ajudou a ampliar a valorização cultural e o alcance dos produtos da comunidade.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi com a comunicação que a gente descobriu o quanto isso é uma ferramenta de luta também. A luta pela preservação do babaçu, da quebra do coco babaçu, mas pelas nossas redes, pelos nossos conteúdos”, relata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela explica que a produção de conteúdos mostrando o preparo dos alimentos e os processos de extração do babaçu também tem aproximado outras pessoas da realidade das comunidades extrativistas. “Outras pessoas conseguem conhecer esse produto e valorizar”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33146" aria-describedby="caption-attachment-33146" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33146" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_084903-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33146" class="wp-caption-text">César Pinheiro de Oliveira, do Vale do Jequitinhonha (MG) e Lara Thifanny Alves Ferreira durante dinâmica de grupo. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Permanência nos territórios e comercialização</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preocupação com a permanência da juventude nos territórios também foi um dos temas trabalhados entre os participantes da formação. </span><span style="font-weight: 400;">A articuladora e comunicadora do Grupo de Mulheres Guardiãs das Abelhas e da Caatinga do Piauí, Maria Paula Pereira, relata que o Formar e-COS ajudou a mobilizar os jovens do seu território nas atividades comunitárias e nas discussões sobre políticas públicas. Segundo ela, as atividades ligadas à comunicação e à apicultura têm despertado o interesse da juventude da sua região pelas organizações comunitárias e pelas possibilidades de geração de renda.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Os jovens não querem participar dessas coisas, mas, através do Formar e-COS, eu consegui sensibilizar alguns jovens do meu território. Queremos aproximar eles do ramo da apicultura, que é muito importante para a gente”, explica.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33148" aria-describedby="caption-attachment-33148" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33148" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_092616-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33148" class="wp-caption-text">Para Maria Paula Pereira, um dos principais resultados foi a mobilização dos jovens em seu território. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Itabira, no sertão do Alto Pajeú, em Pernambuco, a agricultora Jocélia Bezerra da Silva conta que as estratégias de comunicação trabalhadas durante a formação já começaram a gerar resultados para a Associação de Mulheres Pequenas Produtoras Rurais de Cachoeira Grande, presidida por ela.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A gente começou a expor os nossos produtos e já começaram a surgir pedidos. Demandas pequenas, mas que já são frutos da formação”, relata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A associação atua com hortaliças, polpas de frutas, artesanato, bolos e doces caseiros produzidos pelas agricultoras da comunidade. Para Jocélia, a formação também fortaleceu a troca de conhecimentos dentro da própria associação. “O que eu aprendo aqui eu levo para minha associação. Então, a formação não é só minha”, afirma.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33149" aria-describedby="caption-attachment-33149" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33149" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260224_133312-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33149" class="wp-caption-text">Jocélia Bezerra da Silva e Acsa Thamires, comunicadora da Diaconia, organização parceria da Associação de Mulheres Pequenas Produtoras Rurais de Cachoeira Grande, apresentam estratégias de comunicação. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Comunicação e incidência política</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das estratégias de comercialização e comunicação comunitária, a formação abordou o acesso das organizações às políticas públicas e os desafios enfrentados pelos grupos para participar de programas institucionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Membro da Associação dos Produtores Rurais da Barra do Rio, em Milton Brandão (PI), Kayki Ivan de Sousa Pereira ressalta a incidência política como um dos caminhos para enfrentar as dificuldades vividas pelas organizações comunitárias.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Na teoria temos acesso, mas na prática existem muitos impedimentos. Então devemos correr atrás desses direitos através da incidência política”, afirma.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, muitas associações ainda enfrentam obstáculos para acessar programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e outras iniciativas públicas voltadas aos mercados institucionais da agricultura familiar.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Kayki também destaca a comunicação como ferramenta fundamental nesse processo. “Se a gente se cala, nada vai mudar. A gente precisa comunicar aquilo que quer e também aquilo que não está funcionando”, diz.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33150" aria-describedby="caption-attachment-33150" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33150" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-scaled.jpg 2560w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260226_090756-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-33150" class="wp-caption-text">Troca de experiências entre diferentes organizações marcou o último módulo do Formar e-COS. Foto: Ariel Rocha/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Redes que seguem para além da formação</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos conteúdos técnicos, participantes destacam que um dos principais resultados do Formar e-COS foi a construção de redes entre organizações de diferentes territórios do Cerrado e da Caatinga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O coordenador da Unidade de Beneficiamento da Associação dos Apicultores do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, César Pinheiro de Oliveira afirma que a troca de experiências entre os participantes ampliou o olhar das lideranças sobre os desafios comuns enfrentados pelas comunidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que uma capacitação técnica, o Formar e-COS consolidou uma rede entre organizações comunitárias de diferentes territórios do Cerrado e da Caatinga. As articulações construídas seguem fortalecendo a valorização dos produtos da sociobiodiversidade e a defesa dos direitos das comunidades. As experiências desenvolvidas ao longo da formação também reforçam a comunicação como ferramenta estratégica para ampliar a autonomia das organizações e fortalecer as identidades territoriais. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quilombos do Maranhão fortalecem produção sustentável e aumento de renda </title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/quilombos-do-maranhao-fortalecem-producao-sustentavel-e-aumento-de-renda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 14:35:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33105</guid>

					<description><![CDATA[Projeto Floresta+ impulsiona quintais produtivos, produção do mel e gestão territorial em comunidades quilombolas ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><b><i>“Essa convivência com o projeto Floresta+ nos ajudou a mudar nossa visão em relação à natureza, chamando a gente para a responsabilidade de cuidar dela. Se a terra morrer, o homem também morrerá.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é de dona Maria da Conceição Paiva, presidente da Associação do Quilombo Ponta Bonita, durante visita de técnicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). A missão teve como objetivo conhecer os resultados do Projeto Floresta+ em comunidades quilombolas do Maranhão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto foi executado pelo ISPN, com apoio do Projeto Floresta+ Amazônia, por meio da Modalidade Comunidades, no âmbito da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT), do MMA, e do PNUD, com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF). A iniciativa permite que recursos internacionais obtidos a partir da redução do desmatamento retornem para comunidades que demonstram, na prática, compromisso com a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.</span></p>
<h2><b>Soberania alimentar e aumento da renda</b></h2>
<figure id="attachment_33114" aria-describedby="caption-attachment-33114" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33114" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-1024x577.jpg" alt="Quintal produtivo da comunidade Ponta Bonita. Foto: Cristiane Viana/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-ponta-bonita-quintal-produtivo-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33114" class="wp-caption-text">Quintal produtivo da comunidade de Ponta Bonita. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na comunidade de Ponta Bonita, houve ampliação da produção na avicultura, criação de porcos, pomares, bananais e outros cultivos. Além de fortalecer a soberania alimentar das 63 famílias, o excedente da produção passou a gerar renda para a comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No município de Anajatuba, a comunidade da Ilha do Teso recebeu uma agroindústria que vai potencializar a produção de mel. Com o funcionamento do espaço, a estimativa é que, a partir do trabalho coletivo, as famílias consigam produzir até 60 toneladas de mel.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“A minha renda era pouca só com a roça. Com o incentivo da produção de mel e a agroindústria, vamos poder melhorar a produção e deixar de vender para o atravessador. Nosso sonho é ver o nome da Ilha do Teso no rótulo do produto, sendo vendido para todo o Brasil, além dos supermercados e da alimentação escolar”, </i></b><span style="font-weight: 400;">afirma José Raimundo da Silva Martins.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33111" aria-describedby="caption-attachment-33111" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33111" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-1024x577.jpg" alt="Comunidade na agroindústria que vai potencializar a produção de mel. Foto: Cristiane Viana/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_comunidade-na-agroindustria-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33111" class="wp-caption-text">Comunidade da Ilha do Teso em frente à agroindústria de produção de mel. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Ilha do Teso, as mulheres também começam a ocupar espaço na produção de mel, defendendo maior participação nas atividades produtivas da comunidade e nas ações de </span><b><i>preservação da floresta.</i></b></p>
<blockquote><p><b><i>“Sem a conservação da floresta não tem como trabalhar com a apicultura. Como mulher, a gente sempre viu os maridos trabalhando com as abelhas. Se eles podem aprender, a gente também pode. Essa oportunidade está chegando para garantir nossa autonomia também”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz Maria Antônia Martins.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_33110" aria-describedby="caption-attachment-33110" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33110" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512.png" alt="Maria Antônia Martins mostra duas garrafas de mel de sua produção. Foto: Cristiane Viana/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512.png 800w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512-300x169.png 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Antonia-Martins-20260512-768x433.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33110" class="wp-caption-text">Maria Antônia Martins mostra sua produção de mel. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No povoado Pedrinhas, o Projeto Floresta+ impulsionou uma atividade já tradicional na comunidade: a produção de farinha. A iniciativa reformou e modernizou a casa de farinha, possibilitando aumento da produção e melhoria da qualidade do produto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Quilombo São Pedro, José de Ribamar Pinto dos Reis já faz planos para diversificar a produção. Ele destaca a importância dos intercâmbios promovidos durante a execução do projeto.</span></p>
<p><b><i>“O projeto trouxe muita experiência e hoje estamos caminhando com outro pensamento, com a mente mais aberta. Visitamos outras comunidades, conhecemos novas práticas e formas de cuidar da produção. Conseguimos fortalecer a avicultura e a criação de peixes. Agora já sonho em produzir juçara, banana e cupuaçu em dez hectares, trabalhando junto com a comunidade”, </i></b><span style="font-weight: 400;">relata o agricultor familiar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Quilombo São Pedro também possui uma Escola Família Agrícola. A proposta é construir novas perspectivas para os estudantes da comunidade e arredores, incentivando os jovens a permanecerem e trabalharem no próprio território.</span></p>
<figure id="attachment_33121" aria-describedby="caption-attachment-33121" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33121" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-1024x577.jpg" alt="Produção de galinhas no Quilombo São Pedro. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_avicultura-Sao-Pedro-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33121" class="wp-caption-text">Produção de galinhas no Quilombo São Pedro. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<blockquote><p><b><i>“Quando outro projeto chegar, que a gente tenha consciência do que é cuidar, preservar e entender que o projeto é nosso, da comunidade, e não de nenhuma instituição”, </i></b><span style="font-weight: 400;">afirma Ismael Montelo Rodrigues, que reside na comunidade há muito tempo e é ex-aluno da Escola Família Agrícola.  Ismael viu de perto as mudanças no Quilombo como técnico de campo do projeto Floresta + como parte da equipe do ISPN.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A implantação do Projeto Floresta+ contou ainda com a parceria de entidades representativas das comunidades, entre elas a União das Associações Quilombolas das Comunidades Remanescentes de Quilombos de Uniquituba (Uniquituba) e a Associação dos Agroprodutores Rurais do Quilombo Cariongo.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Ouvindo os depoimentos, percebemos a empolgação dos comunitários ao relatarem o aumento da produção de pequenos animais e dos quintais produtivos. Eles não perderam sua essência, mas estão inovando e garantindo mais alimento saudável e melhoria da renda nas comunidades quilombolas”, </i></b><span style="font-weight: 400;">destaca Eliane Frazão Rosa, quilombola e presidente da Uniquituba.</span></p></blockquote>
<h2><b>Quilombo Cariongo: quintais verdes e fortalecimento da identidade</b></h2>
<figure id="attachment_33109" aria-describedby="caption-attachment-33109" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33109" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-1024x577.jpg" alt="Quintal produtivo. Foto: Cristiane Viana/ Acervo ISPN" width="800" height="451" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_plantacoes-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33109" class="wp-caption-text">Quintal produtivo no Quilombo Cariongo. Foto: Cristiane Moraes/ Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No Quilombo Cariongo, no município de Santa Rita, as chuvas deixaram os quintais ainda mais verdes. Entre um quintal e outro, a diversidade da produção inclui banana, hortaliças, criação de galinhas, ervas medicinais e criatórios de peixes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Historicamente, o quilombo enfrenta dificuldades de acesso à água potável, e muitas famílias ainda precisam comprá-la. Com o projeto, parte desse problema começou a ser solucionada com a construção de um reservatório que garantirá água para as plantações durante o período de estiagem.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Com essa água vai dar para plantar cebola, limão e todo tipo de fruteira. Não vou mais precisar puxar carro de mão porque a água vai sair direto nas torneiras”,</i></b><span style="font-weight: 400;"> diz dona Maria Nazaré Teixeira, de 74 anos, nascida no Quilombo Cariongo.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos quintais produtivos, o Projeto Floresta+ possibilitou <a href="https://ispn.org.br/noticia/cariongo-lanca-plano-de-gestao-territorial-e-ambiental-quilombola-do-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">a construção coletiva do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQ) do Quilombo Cariongo</a>, ferramenta estratégica para o fortalecimento político da comunidade. O plano amplia o diálogo entre o território, o Estado e outros agentes responsáveis pela implementação de políticas públicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documento é pioneiro no Maranhão por ser o primeiro construído após o Decreto nº 11.786/2023, que institui a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola. O PGTAQ fortalece a autonomia e a capacidade de gestão territorial da comunidade, consolidando-se também como referência política, social e ambiental para outros quilombos na construção de instrumentos de planejamento e conquista de direitos.</span></p>
<figure id="attachment_33108" aria-describedby="caption-attachment-33108" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33108 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-1024x577.jpg" alt="Comunidade Quilombo Cariongo" width="800" height="451" data-wp-editing="1" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-1024x577.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-300x169.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-768x432.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-1536x865.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/20260512_quilombo-cariongo-foto-Cris-Viana-2048x1153.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33108" class="wp-caption-text">Comunidade Quilombo Cariongo. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fogo sob controle: como a umidade do ar pode tornar as queimas mais seguras no Cerrado</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/fogo-sob-controle-como-a-umidade-do-ar-pode-tornar-as-queimas-mais-seguras-no-cerrado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 20:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33067</guid>

					<description><![CDATA[Estudo no Parque Nacional da Chapada das Mesas (MA) aponta que medir a umidade relativa do ar é uma ferramenta simples e eficaz para reduzir riscos e aumentar o controle sobre o fogo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A umidade relativa do ar pode ser utilizada como um indicador prático e estratégico para decidir quando realizar queimas controladas ou prescritas. É o que aponta o </span><a href="https://connectsci.au/wf/article/35/4/WF25243/271730/Relative-air-humidity-at-the-time-of-burning-is-a"><span style="font-weight: 400;">novo estudo da assessora técnica do ISPN e pesquisadora de Manejo Integrado do Fogo (MIF), Lívia Carvalho Moura, e colaboradores</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob a orientação da professora Profa. Dra. Isabel Schmidt, publicado no International Journal of Wildland Fire.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A pesquisa “A umidade relativa do ar no momento da queima é um fator preditivo fundamental do comportamento do fogo no Cerrado”, analisou como diferentes condições — como época do ano, horário do dia e quantidade de vegetação seca (combustível) — influenciam o comportamento do fogo. Entre todos esses fatores, a umidade do ar se destacou como um dos mais determinantes para orientar decisões operacionais no campo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;A ideia do estudo partiu de perguntas de manejo feitas pelo gestor do Parque Nacional da Chapada das Mesas na época, Paulo Adriano Dias, coautor do trabalho. Ao observar o manejo tradicional do fogo feito por comunidades locais e povos indígenas da região, ele queria saber como mensurar os indicadores da vegetação e do clima associados a essas práticas tradicionais para utilização em protocolos técnicos”, explica Lívia Moura Carvalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Saber o momento certo para usar o fogo de forma controlada parecia algo muito óbvio para os povos e comunidades  da região, mas para muitos gestores e pesquisadores não era muito claro e perceptível, e principalmente existia a preocupação de transmitir e disponibilizar esse conhecimento”, acrescenta Lívia. </span></p>
<p><b>Uma variável simples </b><b></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados do levantamento mostram que níveis mais baixos de umidade do ar estão associados a fogos mais intensos e rápidos; enquanto níveis mais altos de umidade resultam em fogo mais brando, mais lento e mais fácil de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso significa que a mesma área pode apresentar comportamentos de fogo muito diferentes dependendo apenas das condições do momento da queima — especialmente da umidade do ar ao longo do dia e da quantidade de material combustível.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Ferramenta acessível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na prática, o estudo demonstra que a umidade relativa do ar pode ser incorporada como um critério objetivo para orientar quando e como realizar queimadas planejadas. Por ser uma variável fácil de medir em campo, ela se torna uma ferramenta acessível para brigadistas e gestores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Níveis de umidade do ar acima de 50% são mais comuns durante a estação chuvosa e no início da estação seca (entre abril e junho, dependendo da região), mais especificamente no final da tarde ou início da noite, quando as temperaturas são mais baixas e o ar tende a reter mais umidade.</span></p>
<p><b>Contexto<br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">No Cerrado, incêndios sobre a vegetação nativa estão aumentando por fenômenos e mudanças climáticas extremas e falta de manejo da biomassa seca acumulada. O problema é maior no fim da estação seca, com fogos mais intensos e severos. Desde 2014, queimas prescritas são aplicadas em algumas áreas protegidas no início da seca para manejo de vegetações adaptadas ou propensas ao fogo, no âmbito da abordagem do <a href="https://ispn.org.br/noticia/manejo-integrado-do-fogo-agora-e-politica-nacional/" target="_blank" rel="noopener">Manejo Integrado do Fogo</a> (MIF).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados da pesquisa também reforçam o papel do MIF, adotado na redução dos incêndios em áreas protegidas do Cerrado. Essa abordagem pode incluir o uso de queimas prescritas em vegetações adaptadas ao fogo, no início da estação seca, para fragmentar o combustível e reduzir a quantidade de vegetação seca na paisagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao utilizar a umidade do ar como critério para definir o momento dessas queimas, é possível aumentar a segurança das operações e reduzir o risco de incêndios de grande escala no final da estação seca, que são mais intensos e difíceis de controlar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, o estudo evidencia como o conhecimento científico pode apoiar decisões práticas, tornando o uso do fogo mais eficiente, seguro e alinhado aos objetivos de conservação do Cerrado.</span></p>
<figure id="attachment_33069" aria-describedby="caption-attachment-33069" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33069 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg" alt="" width="800" height="535" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1024x685.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-300x201.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-768x514.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-1536x1027.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/05/divulgacao-ispn-20260506-2048x1370.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33069" class="wp-caption-text">Pesquisadores em campo: ao centro, Lívia Moura (esquerda) e Isabel Schmidt (direita). Foto: Divulgação/Acervo ISPN</figcaption></figure>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comunidade tradicional do Cerrado lança material didático sobre saberes do território</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/comunidade-tradicional-do-cerrado-lanca-material-didatico-sobre-saberes-do-territorio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luana Piotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 18:33:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33056</guid>

					<description><![CDATA["Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola" leva para as salas de aula as histórias e os saberes das comunidades tradicionais do Cerrado
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com o objetivo de proteger o Cerrado e valorizar a identidade dos povos que vivem no bioma, a Associação Comunitária dos Pequenos Criadores de Fecho de Pasto de Clemente (ACCFC), na Bahia, lança o livro &#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221;.</p>
<p>O material foi desenvolvido a partir da proposta de levar para as escolas os saberes do Cerrado. Para a elaboração da obra, foram realizadas oficinas com organizações sociais, professores, estudantes e comunidades de Fundo e Fecho de Pasto da região de Correntina (BA). O resultado é o que os próprios autores descrevem como um mapa afetivo e pedagógico: uma ferramenta para o reconhecimento do território como sala de aula viva, a valorização da identidade dos povos do Cerrado e o cultivo do respeito pelas origens, crenças e práticas ancestrais.</p>
<p>Elaborado pela pesquisadora e professora da rede municipal Raquel da Costa Barbosa, que é originária de uma comunidade tradicional, o material é destinado a professores e alunos da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental.</p>
<p>A proposta é que o livro seja incorporado ao planejamento pedagógico das escolas sem substituir o currículo oficial, mas enriquecendo o ensino com referências do próprio território. &#8220;Ele não está desconectado do planejamento do professor. Se o currículo exige que o aluno do quinto ano compreenda o gênero textual biografia, ele vai aprender biografia, mas a partir da história de uma parteira da comunidade&#8221;, explica Raquel.<br />
O livro está organizado em três unidades temáticas que abordam questões ambientais que atingem todo o planeta: água, meio ambiente e território. As unidades seguem o calendário escolar e se ancoram em datas simbólicas: o Dia Mundial da Água (22 de março) e o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens (14 de março) orientam a primeira unidade; o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a segunda; e o Dia Nacional do Cerrado (11 de setembro) e o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), a terceira.</p>
<p><strong>Disputa na sala</strong></p>
<p>De acordo com o coordenador da publicação e sócio da ACCFC, Eldo Moreira Barreto, o que motivou a criação do &#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221; foi a necessidade de crianças, adolescentes e jovens das comunidades tradicionais da região refletirem sobre si e sobre o espaço em que vivem. Mas há também um contexto amplo e urgente, como a crescente influência do agronegócio nos conteúdos escolares.</p>
<p>Em reportagem publicada pelo <a href="https://www.aosfatos.org/noticias/pressao-do-agro-altera-conteudos-de-livros-escolares-denunciam-editores/" target="_blank" rel="noopener">Aos Fatos</a>, organização jornalística dedicada ao combate à desinformação, o mercado editorial tem sofrido pressão para retirar dos livros escolares conteúdos considerados negativos para o agronegócio.</p>
<p>A professora Raquel da Costa Barbosa vai além e aponta que materiais didáticos produzidos pelo setor já chegam às escolas da região há anos, e segundo ela, muitas vezes com boa apresentação visual, premiações para alunos e contrapartidas às instituições de ensino. &#8220;Do ponto de vista pedagógico, esses materiais são bem elaborados. Mas do ponto de vista ideológico é que a gente precisa discutir. Eles entram pela porta da frente&#8221;, alerta. &#8220;Nós precisamos disputar por dentro da escola.&#8221;</p>
<p>Eldo completa: &#8220;É um contexto de disputa e de negação da identidade dos territórios tradicionais. O agronegócio produz material didático para as escolas enquanto as crianças, os jovens e toda a comunidade, que são os sujeitos desse espaço, ficam sem se ver representados.&#8221;</p>
<p><strong>Identidade como conteúdo</strong></p>
<p>Para trazer a comunidade para dentro das páginas, o livro apresenta cinco biografias de moradores reais das comunidades: uma parteira, uma benzedeira, um vaqueiro que se tornou líder na luta pela terra, uma mulher que uniu fé e militância política e uma liderança quilombola que representou o Brasil em encontros internacionais de mulheres camponesas.</p>
<p>&#8220;Quando o estudante se enxerga no material, ele passa a entender que aquela cultura é importante. A gente precisa trazer uma ideia de valorização para que essa criança, desde a educação infantil, consiga se reconhecer e reconhecer a importância da sua identidade&#8221;, diz Raquel.</p>
<p>Eldo reforça a visão de Paulo Freire que embasa o projeto. &#8220;Não tem como avançar sem trabalhar a educação a partir dos saberes de cada sujeito”, pontua. “A gente espera que professores e estudantes identifiquem nesse material a possibilidade de aprofundar e refletir sobre seus espaço, sua vida, seu local, e ao mesmo tempo refletir sobre o mundo e outras regiões&#8221;.</p>
<p><strong>Além do Cerrado</strong></p>
<p>Os idealizadores do material acreditam que a experiência pode inspirar iniciativas semelhantes em outros biomas e regiões do Brasil. &#8220;O que norteia são os temas centrais: água, território, cultura. Esses temas podem ser adaptados com os elementos de cada região&#8221;, diz Eldo.</p>
<p>O próximo passo da ACCFC é dialogar com as secretarias de educação da região para que o material chegue formalmente às escolas, acompanhado de formação para os professores. O livro já está <a href="https://ispn.org.br/publicacao/territorio-que-ensina-saberes-do-cerrado-na-escola/" target="_blank" rel="noopener">disponível gratuitamente para download</a> no site do ISPN.</p>
<p><strong>O livro</strong></p>
<p>&#8220;Território que Ensina: Saberes do Cerrado na Escola&#8221; é uma realização da Associação Comunitária dos Pequenos Criadores de Fecho de Pasto de Clemente (ACCFC), em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), do Small Grants Programme (SGP) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Plataforma expõe relação entre commodities e violações de direitos no campo brasileiro</title>
		<link>https://ispn.org.br/noticia/plataforma-expoe-relacao-entre-commodities-e-violacoes-de-direitos-no-campo-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 21:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ispn.org.br/?p=33034</guid>

					<description><![CDATA[A ferramenta integra informações de 2002 a 2023 e pressiona por responsabilidade nas cadeias produtivas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Um olhar para fortalecer e ampliar o debate socioambiental no Brasil. Com esse objetivo, um conjunto de organizações da sociedade civil se moveu para criar uma ferramenta que reúne dados sobre conflitos no campo, desmatamento e a expansão da agricultura industrial no Brasil. </span></p>
<p><b>A Plataforma nasce como iniciativa do Observatório Socioambiental (OSA)</b><span style="font-weight: 400;">, atendendo a necessidade urgente de produzir, analisar e dar visibilidade aos impactos sociais relacionados às violações de direitos humanos no campo, gerados pela expansão das commodities no país. É uma parceria entre o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Comissão Pastoral da Terra (CPT), WWF-Brasil, Fern, Imaflora, ICV, Aid Environment, Global Canopy, Trase e Observatório do MATOPIBA, com consultoria da Diversa Socioambiental. </span></p>
<p><a href="https://www.observatoriosocioambiental.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Acesse aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Plataforma Socioambiental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento aconteceu no dia 27 de abril na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  junto com o Relatório Caderno de Conflitos no Brasil (2025). A ferramenta reúne números de 2002 a 2023, incluindo os dados da Comissão Pastoral da Terra que disponibilizou sua série histórica de informações sobre a realidade no campo. </span></p>
<figure id="attachment_33036" aria-describedby="caption-attachment-33036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33036 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg" alt="Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN" width="800" height="600" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1024x768.jpg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-300x225.jpg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-768x576.jpg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-1536x1152.jpg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/20260427_113546-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33036" class="wp-caption-text">Lançamento da Plataforma Socioambiental na sede da CNBB, em Brasília.Foto: Amanda Vieira/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b>Ineditismo e Interatividade na Plataforma</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma se configura como principal instrumento do Observatório Socioambiental, reunindo e cruzando dados de diferentes fontes em um ambiente interativo que permite visualizar a realidade em todo o país, estados e municípios. Ainda oferece análises a partir dos registros de conflitos, os impactos ambientais, a produção, risco climático, categorias fundiárias, trabalho escravo e violência contra pessoas, qualificando as análises socioambientais diante de diversos cenários. A ferramenta permite visualizar uma realidade marcada pelo avanço das fronteiras agrícolas e a pressão sobre os territórios e seus recursos naturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As análises podem ser usadas como base para formulação de políticas públicas e pelo sistema de justiça na tomada de decisão sobre o território e garantia de demais direitos das comunidades que vivem no campo. Também é um instrumento que ajuda a pressionar por mais transparência e responsabilidade das cadeias produtivas brasileiras. </span></p>
<p><b><i>“Esse trabalho da Plataforma não se limita à quantificação dos conflitos, mas acompanha as suas transformações no decorrer do tempo, identificando os diferentes sujeitos envolvidos, suas estratégias de atuação e os impactos sobre as populações atingidas.  Trata-se de uma ferramenta importante para compreender as dinâmicas territoriais, dos conflitos e para a defesa dos direitos humanos no campo do Brasil,</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> diz um dos coordenadores da Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, Ronilson Costa. </span></p>
<p><b>Dados de violência no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As informações abrigadas na Plataforma Socioambiental revelam contradições de um país rico em diversidade de biomas e de diferentes saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais que se relacionam com a natureza. O Brasil se apresenta como grande potência agrícola global, mas bate recordes de violência no campo. Só em 2023, foram registrados mais de 2,2 mil casos, o maior número desde o início da série histórica da Comissão Pastoral da Terra, com quase um milhão de pessoas afetadas. Mais de 78% dos casos registrados estão ligados à luta por território, frequentemente acompanhados por ataques contra povos indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais, violando o direito à vida e ao território.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos dez anos foram registrados 18.832 casos de conflitos no campo e 374 assassinatos. Entre 2002 e 2023 houve um total de 89.537 casos. Os estados do Maranhão, Pará, Bahia e Rondônia registraram os maiores números de ocorrências dos últimos três anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo dados do Caderno de Conflitos da CPT de 2025, o Maranhão aparece com o maior número de casos de violência nas áreas rurais pelo segundo ano consecutivo. No ano passado foram contabilizados 209 casos.</span></p>
<p><b>O Cerrado brasileiro e a expansão dos conflitos no campo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cerrado, <a href="https://cerrado.org.br/" target="_blank" rel="noopener">conhecido por ser o coração das águas do Brasil</a>, vem sofrendo por conta do agronegócio. A produção de commodities voltadas para abastecer o mercado externo, vem transformando a savana mais biodiversa do mundo em uma zona de sacrifício. Os dados podem ser analisados e cruzados na Plataforma Socioambiental. Sobretudo, quando se estuda a realidade na região do Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo publicado na edição especial de lançamento do Caderno de Conflitos da Comissão Pastoral da Terra (2025), os pesquisadores e advogados populares Maurício Correia e Juliana Borges mostram que a região se configura como um moderno centro de produção de commodities e, como consequência, um cenário onde cresce o racismo, a violência contra povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, além de grilagem de terras e severa devastação ambiental. </span></p>
<figure id="attachment_33037" aria-describedby="caption-attachment-33037" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33037 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg" alt="Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho.Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN " width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/casal_20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33037" class="wp-caption-text">Seu Raimundo Luís Vieira e a esposa Ivonete Vieira, agricultores familiares de Gado Bravinho. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><b><i>“</i></b><b><i>O grileiro veio pra cima de nós. Queimaram nossa casa e a roça de mandioca. Plantaram capim”. </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fala é de seu Raimundo Luís Vieira, agricultor familiar que vive no povoado Gado Bravinho, no sul maranhense, uma região dentro do Matopiba, onde as comunidades e o Cerrado são pressionados pela monocultura da soja e de outros grãos. Seu Raimundo e a esposa tiveram que deixar a casa e as roças para não perder a vida. As ameaças chegaram com os grileiros armados que expulsaram ele e a família do lugar que viviam há mais de 40 anos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os números refletem a realidade da grande fronteira agrícola brasileira que teve expansão significativa no início dos anos 2000, período considerado um marco da produção de commodities agrícolas e minerais. Em duas décadas, a área desmatada no MATOPIBA foi maior que toda a área convertida entre os anos de 1500 e 2000. Dados do INPE/Prodes de 2024 mostram que 86% do desmatamento no Cerrado ocorreu na região do Matopiba.</span></p>
<p><b><i>“Precisamos de nossos territórios titulados. É um direito de nossas comunidades. E seguimos lutando por nossa terra, com muito esforço”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz uma jovem liderança que está no Programa de Proteção a Testemunhas e que se fez presente no evento de lançamento da Plataforma e do Caderno de Conflitos da CPT. </span></p>
<p><b>Direito à água:  A realidade do acesso aos recursos hídricos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os recursos hídricos também aparecem no cerne dos conflitos. Entre 2016 e 2025, foi registrado um aumento nas ocorrências de tensões por água, envolvendo rompimento de barragens e contaminação de rios que abastecem as comunidades, mineração e vazamento de petróleo. O que era de livre acesso e bem comum para todos que vivem no território se transformou em motivo de uma luta que defende a demarcação de terras tradicionais e a proteção dos mananciais. Nos últimos dez anos foram registrados 2.754 ocorrências de conflitos por água (dados Caderno de Conflitos). Só em 2025, foram 148 casos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_33038" aria-describedby="caption-attachment-33038" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33038 size-large" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg" alt="Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/manacial-felipe-abreu-ispn-20260430.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33038" class="wp-caption-text">Manancial de água ameaçado pelo agronegócio em Correntina, Bahia.Foto: Felipe Abreu/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A jovem quilombola Rosilda de Jesus Pereira, nascida no Vale do Rio Peixe Bravo, em Minas Gerais, faz parte do movimento de luta de comunidades atingidas pela mineração e pela contaminação das águas. A comunidade, composta por diversas famílias, valoriza o modo de vida ancestral, o Cerrado e a autonomia sobre o território. </span></p>
<figure id="attachment_33039" aria-describedby="caption-attachment-33039" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33039" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg" alt="Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia.Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT" width="800" height="534" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-1024x683.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/rosilda-de-jesus-20260430.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33039" class="wp-caption-text">Jovem quilombola nascida no Vale Rio Peixe Bravo, Bahia. Foto:Júlia Barbosa. Acervo/CPT</figcaption></figure>
<p><b><i>“Entre nossas lutas, está a busca pelo reconhecimento, a preservação do rio Peixe Bravo e o fortalecimento de nossos direitos ancestrais”, ressalta Rosilda. </i></b></p>
<p><b>Apresentação da Plataforma na Sede da União Europeia</b></p>
<figure id="attachment_33041" aria-describedby="caption-attachment-33041" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33041" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg" alt="Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN" width="800" height="450" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1024x576.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-300x169.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-768x432.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430-1536x864.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/parlamento-plataforma-socioambiental-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33041" class="wp-caption-text">Apresentação da Plataforma Socioambiental na sede da União Europeia, Brasília. Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estratégia de divulgação internacional do tema, a Plataforma Socioambiental foi apresentada na sede da União Europeia (UE), em Brasília. Na apresentação, ressaltou-se que os dados fortalecem as evidências de violações de direitos humanos e sua relação com a produção e exportação de commodities e o desmatamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reunião foi conduzida pelo Conselheiro para Clima, Energia, Ambiente e Saúde da UE, Laurent Javaudin. Estavam presentes diplomatas de países-membros e de organizações como ISPN, Comissão Pastoral da Terra, WWF, Trase e Diversa Socioambiental.</span></p>
<p><b><i>“No campo brasileiro, registra-se um avanço da violência em territórios ocupados há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais, ocasionando o acirramento de conflitos e o aumento da violência no campo,”</i></b><span style="font-weight: 400;"> afirmou a assessora técnica do ISPN, Simone Madalosso.</span></p>
<p><b>Lei Antidesmatamento da União Europeia- EUDR</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Plataforma Socioambiental também é instrumento que se soma à luta pela aplicabilidade do regulamento  antidesmatamento da União Europeia (EUDR &#8211; European Union Deforestation Regulation). O regulamento  nasceu com o objetivo de proibir a importação e comercialização no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento e à conversão. Aprovado em junho de 2023, sua aplicação prática vem sendo sistematicamente adiada. A norma cobre as 7 principais commodities e seus derivados: carne bovina, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma. </span></p>
<p><b><i>“Os dados da Plataforma Socioambiental podem ajudar empresas privadas que importam do Brasil a identificar áreas de alto risco e conflito, bem como a origem das commodities, além de apoiar organismos nas diligências em relação às áreas onde existem registros de violação de direitos humanos no Brasil. Com as informações, ninguém pode dizer que não viu.” </i></b><span style="font-weight: 400;">afirmou a</span> <span style="font-weight: 400;">consultora da Diversa Socioambiental, Gabriela Russo Lopes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela lei, só podem entrar nos países da União Europeia produtos que forem originários de áreas não desmatadas ou convertidas e em conformidade com as leis do país de origem. A legislação tem impacto para o Brasil, porque força o agronegócio brasileiro a adaptar suas cadeias de suprimentos para garantir a rastreabilidade total, demonstrando que seus produtos, especialmente soja, café e carne, não provêm de áreas desmatadas ilegalmente. A não conformidade impedirá a comercialização do produto no bloco europeu, que é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><b><i>A Plataforma Socioambiental disponibiliza para a sociedade, tomadores de decisão e empresas, informações sobre conflitos por terra, por água e trabalho escravo  que estão relacionados com produção de commodities e vem pressionando as comunidades tradicionais do Brasil. É muito importante a disseminação das informações contidas nessa plataforma para que possamos ter políticas públicas que considerem essas questões e um maior controle social sobre esses temas.”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza- ISPN, Isabel Figueiredo.</span></p>
<figure id="attachment_33042" aria-describedby="caption-attachment-33042" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-33042" src="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg" alt="Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando intercâmbio com indígenas do Maranhão pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN" width="800" height="533" srcset="https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1024x682.jpeg 1024w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-300x200.jpeg 300w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-768x512.jpeg 768w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430-1536x1023.jpeg 1536w, https://ispn.org.br/wp-content/uploads/2026/04/povo-guarani-kaiwa-20260430.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-33042" class="wp-caption-text">Povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, realizando <a href="https://ispn.org.br/noticia/territorios-livres-e-floresta-em-pe/" target="_blank" rel="noopener">intercâmbio com indígenas do Maranhão</a> pelo Curso de Cerrativismo. Foto: Bruna Braz.Acervo/ISPN</figcaption></figure>
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