índios guajajara em ritual

Foto parte da exposição. Autor: Genilson Guajajara

O mês de abril é dedicado às ações de luta e resistência política e cultural dos povos indígenas. Nesse propósito, a Casa do Maranhão – equipamento cultural vinculado à Secretaria da Cultura do Estado (Secma) –  sediada em São Luís, preparou uma programação especial com o tema “Os Povos Indígenas e o Espaço Museal: Um resignificar de práticas sociomuseológicas frente aos saberes e fazeres tradicionais”. Uma série de atividades, algumas com o apoio do ISPN, foram pensadas para esse momento, como exposições, exibição de documentário, rodas de conversa e outros espaços educativos.

“O objetivo da programação é desmistificar a figura do indígena como algo romântico, exótico, com importância apenas folclórica para a cultura. Trata-se de um momento de narrar a história que os livros não contam”, explicou o diretor da Casa do Maranhão, Iguatemy Carvalho.

Dentro da programação, está a exibição do curta-metragem e a exposição fotográfica “Wyra’u Haw – A grande festa” da localidade de Piçarra Preta, Terra Indígena Rio Pindaré, no município de Bom Jardim (MA) – que retrata o ritual do povo indígena Guajajara quando a menina entra no ciclo menstrual pela primeira vez e o menino na puberdade. A iniciativa contou com apoio do ISPN e da Vale, no âmbito do Plano Básico Ambiental – Componente Indígena (PBACI), através do Subprograma Fortalecimento Cultural.

A exposição é resultado do trabalho do coletivo de comunicação Pinga Pinga. O grupo reúne 10 jovens de comunidades tradicionais e indígenas da região do Vale do Pindaré. Alguns deles participaram de formações em audiovisual pela ONG Vídeo nas Aldeias (@videonasaldeias), como parte do PBACI, implementado pelo ISPN.

São 23 imagens que registram cenas da Festa do Moqueado, também chamada de “Ritual da Menina Moça” –  tradição secular que vem sendo preservada pelo povo Guajajara no Maranhão, um dos maiores do Brasil. A iniciativa simboliza a transição entre a infância e a chegada à vida adulta. Após ser submetida ao ritual, a garota está apta a executar todos as atividades das mulheres adultas da aldeia.

O jovem indígena Genilson Guajajara (@genilsonguajajara), da Aldeia Piçarra Preta (Terra Indígena Rio Pindaré), é um dos integrantes do coletivo Pinga Pinga e está bastante orgulhoso em ver seu trabalho exposto em um grande espaço cultural na Capital do Maranhão. “A exposição, tanto do curta-metragem como das fotografias, é importante para nós, pois conta a história do meu povo. Mostra minha cultura. E, é uma forma também de resistência”, explica.

A programação voltada na Casa do Maranhão vai até dia 30 deste mês, com entrada gratuita. O espaço funciona de terça-feira a sábado, das 9h às 18h, e aos domingos das 9h às 13:30h.

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