Berço das Águas

O clima do Cerrado é o tropical sazonal, com duas estações bem marcadas: a seca, em geral, entre maio e setembro e a chuvosa, entre outubro e abril. As temperaturas médias são elevadas e há pouca umidade. A geografia da região central do Brasil, onde está situada a maior parte do Cerrado, é marcada por planaltos, fazendo com que o bioma tenha papel fundamental para as principais bacias hidrográficas brasileiras e sul americanas.

Conhecido como o “berço das águas” ou a “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado desempenha um papel fundamental junto às bacias Amazônica, do Tocantins-Araguaia, do Atlântico Nordeste Norte/Nordeste, do Parnaíba, do São Francisco, do Atlântico Leste, do Paraná e do Paraguai, sendo vital para oito das 12 regiões hidrográficas instituídas pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. A contribuição hídrica do Cerrado para a vazão da bacia do Paraná chega a 50%; à bacia do Tocantins chega a 62%; e a 94% da bacia do São Francisco. O bioma Pantanal é totalmente dependente da água do Cerrado e grande parte da energia consumida no Brasil é gerada com suas águas.

É válido destacar ainda que no Cerrado existem nascentes das três maiores bacias hidrográfica da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata). Além disso, é no nesse bioma onde estão localizados três dos principais aquíferos do país: Bambuí, Urucuia e Guarani. O maior potencial hídrico do Cerrado não está nas águas da superfície, mas nos lençóis freáticos que estão nas camadas mais profundas do solo.

No entanto, a exploração deste potencial hídrico por meio de usinas hidroelétricas tem causado sérios impactos socioambientais. Dentre estes, podemos destacar: perda de biodiversidade, assoreamento, modificação da paisagem, com alagamento de antigas áreas agrícolas e desmatamento. Milhares de famílias estão desabrigadas e lutam por indenização, e por outro lado, o grande contingente de trabalhadores atraídos pelas obras, sem que haja uma infraestrutura social, gera o inchaço das cidades e todas as suas consequências , como aumento da desigualdade social e a exploração sexual.

Outro problema associado à exploração excessiva dos recursos hídricos é a irrigação de grandes monoculturas por meio de pivôs centrais, que representam cerca de 70% do consumo total de água no Brasil. A demanda de água para estas grandes plantações resulta muitas vezes no esgotamento de nascentes e rios e em conflitos com os demais usuários de água que ficam à jusante.

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