O Novo Canto da Asa Branca

O nome Caatinga vem do tupi-guarani e significa mata branca, uma referência à cor dos troncos das plantas que perdem sua folhagem nos períodos mais secos. É nesse bioma que aprendemos sobre resistência. Em meio à paisagem seca em tempos de aridez, basta um pouco de chuva para florescer e germinar. É do cinza que ela surge esguia e verde, fazendo a vida pulsar mais forte para as famílias sertanejas.

Ela é o único bioma exclusivamente brasileiro e, ao contrário da imagem propagada de isolamento e solo rachado, abriga uma grande diversidade de espécies ainda pouco conhecida por grande parte da população. Esse bioma foi reconhecido como uma das 37 grandes regiões naturais do mundo, junto com a Amazônia e o Pantanal. Ela tem uma importância fundamental para a biodiversidade do planeta pois 33% de sua vegetação e 15% de seus animais são espécies exclusivas, que não existem em nenhuma outra parte do mundo.

Em relação ao seu tamanho, dados de órgãos do governo federal variam, apontando para uma área entre 800 mil e 900 mil km², correspondente a cerca de 11% do território nacional. Apesar de sua importância, a Caatinga possui 46% de sua área desmatada, sendo o terceiro bioma mais degradado do Brasil, atrás da Mata Atlântica e do Cerrado.

Seu clima é o semiárido, o que carrega importante conceito político. Com chuvas irregulares ocasionando longos períodos de estiagem, as populações da Caatinga precisaram aprender a conviver com essa característica. Isso exigiu a luta e mobilização social por políticas que garantissem condições de vida digna na região, como os programas de tecnologias de convivência com o semiárido. Uma das tecnologias mais conhecidas dessas políticas são as cisternas, que armazenam as águas das chuvas para os períodos de estiagem, permitindo a produção da agricultura familiar durante todo o ano.

Mesmo com avanços sociais que fortaleceram as populações da Caatinga nos últimos anos, ainda há um longo caminho a ser traçado o que também inclui ações pela sua conservação. A resistência do bioma se confunde com a resistência do seu povo, que vem construindo um novo canto sobre a Asa Branca.


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