Na região mais dinâmica do agronegócio, que inclui áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, maioria dos municípios continua pobre por conta da concentração das riquezas produzidas

Produzido pelo professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) Arilson Favareto, que é doutor em Ciência Ambiental, o estudo mostra que 58% dos municípios do Matopiba continuam pobres, e são ainda mais desiguais do que a média de seus estados.

Entre 2013 e 2015, uma área equivalente a 24 cidades de São Paulo de vegetação nativa foi perdida na região, em função da expansão das culturas de exportação. O levantamento também constatou que os principais investimentos na região provêm do Estado, e não do setor privado, já que é o poder público que garante a infraestrutura para a exportação de produtos agrícolas, como a soja, por exemplo.

De acordo com a integrante da Rede Cerrado – entidade que luta pela preservação do bioma – Fátima Barros, é preciso combater a ideia de que desmatamento e progresso caminham juntos. “O agronegócio acumula capital para um grupo pequeno da população, enquanto o povo do Cerrado está cada vez mais empobrecido”, afirmou à repórter Beatriz Drague Ramos, da Rádio Brasil Atual. Fátima também denuncia que militantes que fazem a defesa do meio ambiente na região estão sendo ameaçados e mortos.

Outro prejuízo, resultado da concentração fundiária e do fortalecimento da especialização em produção de bens primários, tem sido a queda crescente da indústria de transformação nas exportações nacionais. Esse setor, que na década de 1980 respondia por cerca de 21,8% dos produtos exportados, atualmente é responsável por apenas 11%, mesmo percentual dos anos de 1950.

“Houve empreendedorismo, mas ele foi sobretudo do Estado, das instituições governamentais. Seria, portanto, injusto dizer que a força motriz que fez Matopiba ser essa força pujante da economia e da produção se deve ao heroísmo de produtores do sul que foram para a região”, diz Adriana Charoux, da campanha Amazônia do Greenpeace.